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OPINIÃO : “A Globo te faz de bobo”/A Serviço da Treva por Mino Carta.(*) – Colaboração de Carlos Henrique S. Muniz.
A serviço da treva
Âncora do Jornal Nacional da Globo, William Bonner espera ser assistido por um cidadão o mais possível parecido com Homer Simpson, aquele beócio americano. Arrisco-me a crer que Pedro Bial, âncora do Big Brother, espere a audiência da classe média nativa. Ou por outra, ele apostaria desabridamente no Brasil, ao contrário do colega do JN. Se assim for, receio que não se engane.
Houve nos últimos tempos progressos em termos de inclusão social de sorte a sugerir aos sedentos por frases feitas o surgimento de uma “nova classe média”. Não ouso aconselhar-me com meus carentes botões a respeito da validade dos critérios pelos quais alguém saído da pobreza se torna pequeno burguês. Tanto eles quanto eu sabemos que para atingir certos níveis no Brasil de hoje basta alcançar uma renda familiar de cerca de 3 mil reais, ou possuir celular e microcomputador.
Tampouco pergunto aos botões o que há de “médio” neste gênero de situações econômicas entre quem ganha salário mínimo, e até menos, e, digamos, os donos de apartamentos de mil metros quadrados de construção, e mais ainda. Poupo-os e poupo-me. Que venha a inclusão, e que se aprofunde, mas est modus in rebus. Se, de um lado, o desequilíbrio social ainda é espantoso, do outro cabe discutir o que significa exatamente figurar nesta ou naquela classe. Quer dizer, que implicações acarreta, ou deveria acarretar.
Aí está uma das peculiaridades do País, a par do egoísmo feroz da chamada elite, da ausência de um verdadeiro Estado de Bem-Estar Social etc. etc. Insisto em um tema recorrente neste espaço, o fato de que os efeitos da revolução burguesa de 1789 não transpuseram a barreira dos Pireneus e não chegaram até nós. E não chegou à percepção de consequências de outros momentos históricos também importantes. Por exemplo. Alastrou-se a crença no irremediável fracasso do dito socialismo real. Ocorre, porém, que a presença do império soviético condicionou o mundo décadas a fio, fortaleceu a esquerda ocidental e gerou mudanças profundas e benéficas, sublinho benéficas, em matéria de inclusão social. No período, muitos anéis desprenderam-se de inúmeros dedos graúdos.
A ampliação da nossa “classe média”, ou seja, a razoável multiplicação dos consumidores, é benfazeja do ponto de vista estritamente econômico, mas cultural não é, pelo menos por enquanto, ao contrário do que se deu nos países europeus e nos Estados Unidos depois da Revolução Francesa. De vários ângulos, ainda estacionamos na Idade Média e não nos faltam os castelões e os servos da gleba, e quem se julga cidadão acredita nos editoriais dos jornalões, nas invenções de Veja, no noticiário do Jornal Nacional. Ah, sim, muitos assistem ao Big Brother.
Estes não sabem da sua própria terra e dos seus patrícios, neste país de uma classe média que não está no meio e passivamente digere versões e encenações midiáticas. Desde as colunas sociais há mais de um século extintas pela imprensa do mundo contemporâneo até programas como Mulheres Ricas, da TV Bandeirantes. Ali as damas protagonistas substituíram a Coca e o Guaraná pelo champanhe Cristal. Quanto ao Big Brother, é de fonte excelente a informação de que a produção queria um “negro bem-sucedido”, crítico das cotas previstas pelas políticas de ação afirmativa contra o racismo. Submetido no ar a uma veloz sabatina no dia da estreia, Daniel Echaniz, o negro desejado, declarou-se contrário às cotas e ganhou as palmas febris dos parceiros brancos e do âncora Pedro Bial.
A Globo, em todas as suas manifestações, condena as cotas e não hesita em estender sua oposição às telenovelas e até ao Big Brother. E não é que este Daniel, talvez negro da alma branca, é expulso do programa do nosso inefável Bial? Por não ter cumprido algum procedimento-padrão, como a emissora comunica, de fato acusado de estuprar supostamente uma colega de aventura global, como a concorrência divulga. Há quem se preocupe com a legislação que no Brasil contempla o específico tema do estupro. Convém, contudo, atentar também para outro aspecto.
A questão das cotas é coisa séria, e quem gostaria de saber mais a respeito, inteire-se com proveito dos trabalhos da GEMAA, coordenados pelo professor João Feres Jr., da Universidade do Estado do Rio de Janeiro: o site deste Grupo de Estudos oferece conteúdo sobre políticas de ação afirmativa contra o racismo. Seria lamentável se Daniel tivesse cometido o crime hediondo. Ainda assim, o programa é altamente representativo do nível cultural da velha e da nova classe média, e nem se fale dos nababos. Já a organização do nosso colega Roberto Marinho e seu Grande Irmão não são menos representativos de uma mídia a serviço da treva.
(*) Autor : Mino Carta: A serviço da treva
por Mino Carta, na CartaCapital
TELEVISÃO : O BBB E O MAL QUE FAZ A SOCIEDADE. (*) – Colaboração de Maria de Lourdes Avelino.
O olhar de Veríssimo sobre o BBB
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros…todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…., estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , ·visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
(*) – Autor: Luís Fernando Veríssimo.
TESTE DE COMPORTAMENTO : A HONESTIDADE NUNCA CAIU DE MODA.(*)
Honestidade, Ética,
Sustentabilidade,Futebol…
São os portugueses.
Você devolveria a carteira de um torcedor rival e o
ingresso dele para um clássico de futebol?
Dias antes do jogo entre Benfica e Sporting (1 x 0), a Coca-Cola decidiu pôr à prova a honestidade dos torcedores.
No estádio da Luz, perto das bilheteiras, foi deixada uma carteira no chão com um cartão de sócio do Sporting e um bilhete para o jogo. O objetivo era perceber se as pessoas iriam devolver a carteira ou ficar com ela.
95% das pessoas devolveram a carteira, atitude que foi filmada
por várias câmaras ocultas.
Para recompensar a honestidade daqueles que não se deixaram tentar, a Coca-Cola ofereceu um bilhete para o jogo.
No dia do jogo, antes do apito inicial, o vídeo foi exibido nos telões gigantes do estádio da Luz, perante os aplausos de mais de 60 mil pessoas.
(ASSISTA AO VIDEO E COMPROVE)
Qual seria o resultado da mesma ação com torcedores no nosso Brasil?
Um Viva para a COCA COLA!
MIL VIVAS PARA OS PORTUGUESES!
Há razões para acreditar num mundo melhor
UTILIDADE PÚBLICA : AÇÕES MUNICIPAIS EM SANHARÓ E PESQUEIRA. – Colaboração do Jornalista Flávio José Jardim.
PREFEITURA DE SANHARÓ INICIA
CONSTRUÇÃO DO SISTEMA DE
DRENAGEM E ESCOAMENTO DE
ÁGUA PLUVIAL
A Prefeitura de Sanharó, através do Departamento Municipal de Obras, iniciou a construção da primeira etapa do sistema de escoamento e drenagem de água pluvial, no bairro do Salgado. A obra, feita com recursos próprios, visa evitar alagamentos, acúmulo de lama, além de enchentes que nos períodos de chuvas intensas prejudicam o tráfego de veículos e pedestres naquela área e nas ruas do centro de Sanharó. Por conta das máquinas e trabalhadores no local, a previsão é de que o tráfego de veículos fique lento nas proximidades do mercado público e em ruas naquele bairro.
Essa primeira etapa da obra faz parte de um amplo sistema de galerias que vai escoar toda a água pluvial para o Rio Ipojuca. A rede de tubulação, de 2,40m X 1,20m, quando totalmente concluída, deverá ter uma extensão de quase dois mil metros e acaba definitivamente com o problema de alagamentos. Trata-se, segundo o secretário de Planejamento Alexandre Caraciolo, de uma rede de galerias para o escoamento da água das chuvas para evitar cheias e alagamentos nas ruas do município, problemas já ocorridos na cidade.
A construção do sistema de escoamento no bairro do Salgado se alia ao amplo projeto de saneamento de todo o município, iniciado recentemente pelo Governo Popular de Sanharó. A intenção é que toda a vazão da água das chuvas seja escoada para o Rio Ipojuca, evitando transtornos no centro da cidade.
O projeto final será concretizado em parceria com o Governo Federal, por meio do Ministério da Integração. A iniciativa representa um investimento de milhares de reais e vai implantar centenas de metros de tubulação entre os bairros mais altos e o centro da cidade. Segundo Alexandre, a medida é uma das etapas de um amplo projeto de combate aos pontos de alagamentos do centro de Sanharó.
Esse é um passo importante para solucionar os problemas de alagamento em Sanharó, quando há ocorrência de fortes chuvas. Essa obra faz parte do conjunto de ações, adotadas pela Prefeitura de Sanharó, para equacionar os alagamentos em algumas áreas da zona urbana.
PESQUEIRA
Em Parceria com o IAAP, prefeitura de Pesqueira
lança o programa“Escola da Bola”, para alunos da
rede municipal de ensino
Celeiro de grandes craques, Pesqueira volta a investir no futebol de base para lapidar e identificar novos talentos. Será lançado ainda este mês o projeto Escola da Bola, que terá como mentor o ex-jogador do Náutico, Sport e Santa Cruz (a Maravilha do Arruda), além de clubes do Sudeste do País (Corinthians), Luciano Veloso, natural de Pesqueira. O programa tem o objetivo de levar aulas teóricas e práticas de futebol para todas as unidades educacionais da rede municipal de ensino, inclusive da zona rural.
O projeto, elaborado pelo Instituto de Apoio a Administração Pública (IAAP) e prefeitura, vai preparar crianças e adolescentes de 07 a 17 anos para a iniciação esportiva. “A Educação Física escolar elege a cidadania como eixo norteador responsável pela formação de alunos integrando-os a sociedade de forma educativa e cultural”, explicou a prefeita Cleide Oliveira, ao anunciar o lançamento da Escolinha. Todos os acessórios para a prática do futebol – camisas, calções, chuteiras, tornozeleiras, luvas e bolas – serão fornecidos pela prefeitura de Pesqueira, também em parceria com o IAAP.
Além de melhorar o condicionamento físico, a prática do futebol de base possibilita ampliar o espírito de coletividade entre os alunos, integrando-os a sociedade. Por determinação da prefeita Cleide Oliveira, para integrar o projeto, o aluno deve frequentar as aulas e alcançar as notas da média escolar. “Introduzindo um esporte coletivo no currículo escolar vamos fornecer um relacionamento fraterno entre os participantes”, frisou Cleide.
O ex-jogador e técnico Luciano Veloso, 63 anos, informou que serão criados Núcleos nas Escolas para aplicar o programa. As instalações do antigo Centro Social Urbano (CSU), além das dependências das escolas municipais de Baixa Grande e Pedra Redonda (José Marcelino Xavier), serão utilizadas pelos aprendizes, 40 ou 50 inicialmente. O objetivo, segundo Velozo, também é inserir a comunidade no projeto, trazendo de volta os pais para a escola. “Esse trabalho vai ocupar o tempo ocioso dos alunos, evitando o caminho tortuoso das drogas ou da criminalidade”, avaliou o ex-jogador.
Luciano Velozo afirma que é necessário resgatar o futebol pesqueirense, incentivando novos talentos e investindo no futebol de base. “O objetivo principal do trabalho é propor métodos para promover a cultura à iniciação esportiva ao futebol destacando sua importância no crescimento físico, mental e social da criança”, afirma Velozo. Com 18 anos de futebol profissional na bagagem, Velozo encerrou sua carreira no Central de Caruaru, depois de uma gloriosa trajetória por times de todo o país. Além de fornecer educação esportiva, física e psicológica, o ex-jogador afirma que o projeto pode fornecer um futuro melhor para os alunos. “Atualmente é mais fácil e mais rentável ser jogador de futebol”, conclui, acrescentando que a escola tem um papel importante no desenvolvimento da iniciação esportiva da criança.
Já o diretor do IAAP, Clênio Lima destaca que a parceria com a Prefeitura de Pesqueira no projeto Escola da Bola, além de descobrir novos talentos tem um papel importante na formação educacional, moral e social das crianças de Pesqueira. “O IAAP tem orgulho de participar de mais um projeto esportivo que nos proporciona a oportunidade de transformar jovens em futuros craques e verdadeiros cidadãos”, disse Clênio Lima.
O CRAQUE – Meio-campista do Corinthians nos anos 70, hoje vive na sua cidade natal, Pesqueira (PE), onde é técnico de futebol. Nascido no dia 13 de setembro de 1948, Luciano Coalhada começou a se destacar no Santa Cruz. No time coral, ele atuava ao lado de jogadores como Luís Fumanchu, Givanildo, Ramon e Nunes. Foi contratado pelo Corinthians em 1977 e mostrou ser pé-quente. Em seu primeiro ano no Parque São Jorge, Luciano Coalhada fez parte do time alvinegro campeão paulista de 1977.
CARNAVAL DOS CAIPORAS EM PESQUEIRA
Representantes de várias agremiações carnavalescas, blocos e troças vão se encontrar no 4º Baile Municipal de Pesqueira, que acontece no dia 11 de fevereiro, nas dependências da antiga Ford, em Pesqueira. O evento, que praticamente abre o Carnaval dos Caiporas, será a partir das 22h30 e contará com a Orquestra Junior Chumbado e a Bela do Frevo (Olinda) e o cantor e compositor Sérgio Amaral, que comanda a banda Amaralina e é o anfitrião oficial do mais tradicional bloco de Pesqueira, o Lira da Tarde. Maiores informações pelos fones (87) 9121-5268 / (87) 9619-7004.
(*) – Assessor de Comunicação
ARTIGO : A SANHARÓ SONHADA POR IRALDEMIR… – Por Marco Aurélio Ferreira Soares.
A PROPÓSITO DA QUADRA DE ESPORTES
Marco Soares
No século passado, nos anos noventa, um grupo de jovens se postava em torno de um banco de praça em frente à venda (mercearia) de Dona Inezinha Monteiro, na Rua Major Sátiro, em Sanharó, capitaneado por Iraldemir Freitas. Punham-se a discutir soluções para Sanharó. A reunião se repetia espontânea e continuamente durante as noites frias da cidade. Falava-se da descentralização da saúde, de novas metodologias de ensino, de saneamento básico (especialmente da eliminação dos esgotos a céu aberto, alguns dos quais – acreditem! – passavam no centro da cidade, ao lado da linha férrea), de moralidade administrativa, de critérios para ingresso no serviço público e… de incentivo aos esportes, como forma de inclusão social.
Iral, como o chamávamos, quando saía da conversa ia para casa e anotava tudo em pequenas fichas, assim eu soube.
Ele tinha abertas pretensões de se candidatar a prefeito. E vinha mostrando virtudes que o credenciava: grande dirigente esportivo, comerciante (nessa época o termo empresário era mais frequentemente usado para quem se incumbia de intermediar contratação de artistas) bem sucedido, família bem constituída e tradição política.
Mas, na hora das definições Iral acabou aceitando a candidatura a vice-prefeito, num gesto de humildade e em prol da unidade do grupo. Tão digno era, que não deixou seus principais colaboradores desamparados: exigiu a participação deles na administração em secretarias compatíveis com suas habilidades e formação acadêmica, inclusive seu pretenso vice-prefeito. Atitude inteligente.
Provavelmente, foi a administração de Sanharó que teve o melhor secretariado, todos da terra, morando na cidade e que abraçaram a função com empenho, hombridade e competência indiscutíveis.
Entre os projetos de Iral, havia o de construção de uma quadra de esportes que, sugerimos, dever-se-ia ser erguida num terreno ao lado do hospital. A quadra acabou sendo construída, muitos anos depois, em terreno que pertencera à escola Benjamin Caraciolo. Hoje, vê-se que a opção inicial talvez fosse realmente melhor, pois evitaria o desvio de suas finalidades precípuas, em função da proximidade do nosocômio (aprendi com o DIOGO: ver portal Sanharó).
E mais: Iral tinha um plano de governo, elaborado por um dos seus colaboradores, contemplando todas as áreas estratégicas para o desenvolvimento da cidade.
Iral acabou partindo para a vida eterna. E a cidade sonhada por Ducarmo Leite, expressada aqui no OAbelhudo, e tantos outros, perdeu-se em páginas que devem estar dormindo amareladas e empoeiradas em alguma gaveta para um dia servir à história.
POESIA : SILÊNCIO – Por Angela Lucena (*) – Colaboração de João Roberto Maciel Aquino.
SILÊNCIO
Tens falado ao meu ego
E jamais a ti eu nego
Os dramas que eu vivi
Quantas vezes eu senti
Vontade de me expressar
Foi melhor silenciar
E então eu percebi
Que assim sobrevivi
Aos embates da vida
E entre voltas e idas
Meus murmúrios sufoquei
Pra não ferir me calei
Com medo de ser ferida.
(*) – Ângela Lucena – POETISA. É filha do grande Violeiro e Repentista das terras de Jenipapo – João cabeleira. Foi sucesso por onde passou…
ENGENHARIA E INOVAÇÃO : EDIFÍCIO GARAGEM VIRA PONTO TURÍSTICO. (*)
Estacionamento vertical vira
atração de visitantes em
montadora alemã.
Arquitetura impressiona
Uma estrutura inovadora, localizada dentro de uma fábrica de carros, em Wolfsburg, na Alemanha, acabou se tornando um dos principais pontos turísticos da cidade. Trata-se do Car Towers Autostad, um estacionamento vertical de 48 metros de altura, com capacidade para abrigar cerca de 400 automóveis. Com uma arquitetura arrojada, ele é composto por duas uma torres circulares de 20 andares, onde utilitários são levantados por braços robóticos e estacionados nas vagas. A ideia, segundo a empresa, é investir em projetos diferenciados para atrair mais clientes.
Confira as imagens.
(*) Aurora Aguiar/Globo.com
ARTIGO : UM GRANDE REENCONTRO – Por Anderson Bezerra de Menezes.
O REENCONTROE O
BANHO NO VELHO IPOJUCA..
Há encontros que passam despercebidos. Outros deixam as pessoas embevecidas. Foi o meu caso ontem. Tive o prazer de me encontrar com um colega de longas datas, amigo de infância que a gente tem guardado num cantinho bem protegido, que não tem como esquecer: Dr. Leonides Caraciolo.
Sempre enbanjando uma fidalguia própria das pessoas educadíssimas. Enquanto conversávamos algumas banalidades, foi me passando pela cabeça um capítulo do livro sobre a cidade de Sanharó de autoria dele, que li atentamente. O livro que fala tudo sobre a cidade. Posição, população, localização de municípios, inclusive enumerando os acidentes geográficos. Etc. Etc.
À medida que o papo se desenrolava, eu me detalhei para um episódio que se passou no início da década de 50. Houve um inverno daqueles que os fazendeiros faziam uma festa impressionante. A alegria com a perspectiva de uma safra excelente, muito pasto para o gado e leite à vontade.
Chuva terrencial acredito que em toda região, porque não parava há uns três dias. O rio pegando um volume d’agua muito grande, o nível subindo assustadoramente e a meninada, como meteorologistas improvisados, ficava medindo a subida do nível. Em pouco tempo ficava bem próximo dos dormentes, acredito faltando 4 mts. Aí começa o espetáculo da garotada. Um mundo d’água barrenta, levando tudo que encontrava pela margem, troncos de bananeiras, animais mortos, móveis jogado no leito, etc, etc. Os peraltas corriam pra subir no varão da ponte ferroviária, inclinando o corpo pra frente, pra compensar a gravidade, e em quatro passadas estava la em cima pronto pra pular. Uns faziam isto usando o flecheiro, de cabeça pra baixo, outros em pé, que era o meu caso. Aqui acolá aparecia um pai precupado, mandando a meninada se retirar, outros pedindo, como papai, pra pular com os pés juntos pra evitar algum acidente.
O problema não era pular. Era pular numa posição errada. O posicionamento correto era no centro do varão. Aí a corrrenteza se encarregava do resto. Quem saía mais próximo ficava no cemitério. Fiz um raciocínio errado e pulei próximo a margem esquerda do lado da casa de TONICO. Existiam dois remansos/redemoinhos, um atrás da casa de Tonico, o outro no último braço do “S”, já debaixo da ponte rodoviária. O primeiro tinha aproximadamente 1,20 mts de diâmetro e o segundo era cruel, media uns 2,00 mts.
Tiro estas conclusões, porque eu media 1,50 mts. O primeiro me pegou, logo que eu cheguei à lâmina d’água, depois do mergulho. Aí tome batidas de braços e pernas com certa velocidade e ritmados pra conseguir sair. Quando conseguimos ficamos à mercê da correnteza, ai é beleza, boia-se pra descansar.
O outro com um diâmetro maior os garotos que caíam dentro dele, precisavam de muito fôlego, preparo físico, braços e pernas fortes senão já era.
Eu fui pego enquanto me recuperava da luta que tive com o primeiro. Movimento de circunvolução, muito mais rápido e afunilado puxava o garoto pra baixo. O corpo numa posição de um ângulo agudo, batidas de pernas e braços alternados e ritmados num esforço terrível pra se livrar do abraço da natureza. Briga desigual para um menino raquítico que não era o meu caso. O remanso menor, dependendo do local onde se formava, não se deslocava muito. Dava a impressão que estava parado. O maior, com a velociade da água passando ao lado, se deslocava rio abaixo que assustava qualquer criatura. Depois da ponte rodoviária, o rio se alargava e o redemoinho perdia a força e com braçadas rápidas e fortes conseguíamos chegar à margem. Com a respiração ofegante, o pulmão capaz de explodir, ficava ali por uns cinco minutos até a respiração voltar ao normal.
Depois era só fazer o caminho inverso. Cruzávamos a BR seguíamos pelo cemitério e nos juntávamos a turma para os comentários.
O garoto que passasse por esta experiência não repetia a dose. Corria-se um risco muito grande.
Anderson Bezerra de Menezes.
PERSONALIDADES : PELÉ – “Nasci para o futebol, assim como Beethoven nasceu para a música e Michelangelo nasceu para a pintura…”
Pelé se compara a Beethoven e
Michelangelo
Rei do Futebol diz que é impossível compará-lo ao argentino Messi.
Os títulos e as incríveis atuações de Lionel Messi no Barcelona ainda não convenceram Pelé de que o argentino é um dos maiores jogadores de todos os tempos. O eterno camisa 10 da seleção brasileira frequentemente tem questionado a qualidade do meia azulgrená principalmente porque ainda não o viu render na Argentina o mesmo que rende no clube catalão e, enquanto a imprensa mundial tenta comparar Messi com o brasileiro, Pelé prefere reforçar: ‘Nunca haverá outro’.
“Nunca haverá outro Pelé. Eu nasci para o futebol assim como Beethoven para a música e Michelangelo para a pintura”, declarou o ídolo brasileiro, em entrevista à revista France Football, para depois rechaçar qualquer comparação entre o seu futebol e o apresentado por Messi nos últimos anos.
“É sempre difícil. Tenho muito respeito por ele, assim como tinha por Cruyff, Beckenbauer, Platini. Mas cada um tem sua personalidade. De todas as formas, não haverá um novo Pelé”, disse o Rei do futebol.
Apesar da pouca modéstia que apresentou, Pelé procurou chegou a elogiar as atuações de Messi com a camisa do Barcelona. Mesmo assim, o ex-jogador não chegou a dizer se considera Messi o melhor jogador do mundo e afirmou que não vê nenhuma semelhança entre o seu futebol e o de Cristiano Ronaldo, do Real Madrid.
“Ele (Messi) é um jogador fantástico. É uma verdadeira felicidade vê-lo em campo. Ele é o maior? Não sei. Da mesma forma que não sei se é possível compará-lo a Cristiano Ronaldo, que não tem o mesmo estilo”, encerrou.
Fonte: ESPN.com.br/Estadão
CONCURSOS PÚBLICOS : DICAS PARA QUEM É DEFICIENTE.(*)
Dicas para o concurseiro com
deficiência
“Candidatos com deficiência precisam saber, principalmente, quais são os documentos exigidos no momento da posse para comprovar a sua situação especial”
A reserva de vagas para portadores de necessidades especiais nos concursos públicos é um direito assegurado pela Constituição de 1988 (artigo 37, inciso VIII), pela Lei 7.853/1999 e pelos Decretos 5.296/2004 e 3.298/1999. Todos os normativos mencionados são de âmbito federal, ou seja, o direito dos portadores de necessidades especiais (PNEs) é tratado como responsabilidade do Estado brasileiro.
O tema também é objeto de uma súmula (377) do Superior Tribunal de Justiça, que consagrou o direito de concorrer como deficiente ao candidato com visão monocular. Depois de reiteradas decisões nesse sentido, ficou consignado que “o portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes”. O novo enunciado teve como relator o ministro Arnaldo Esteves Lima e, como referências legais, a Constituição Federal (artigo 37, inciso VIII), a Lei 8.112/1990 (artigo 5º, §2º) e o Decreto 3.298/1999 (artigos 3º; 4º, inciso III; e 37).
Não bastasse toda a regulamentação na esfera federal, agora a Lei Complementar 840/2011, que instituiu o Regime Jurídico único dos servidores do Governo do Distrito Federal (GDF), também se ocupou da reserva de vagas. Em seu artigo 12, a nova lei determina que “o edital de concurso público tem de reservar 20% das vagas para serem preenchidas por pessoas com deficiência, desprezada a parte decimal”.
Esse dispositivo inova ao estabelecer em 20% o percentual de reserva de vagas. A legislação federal fixa a reserva de no mínimo de 5% e no máximo de 20%. Também o desprezo da parte decimal nos cálculo do número de vagas difere do que prevê a lei federal, que manda arredondar para cima a parte decimal.
O § 1º desse artigo determina que a vaga não preenchida na forma determinada no caput será revertida para provimento dos demais candidatos – concorrência ampla. Agora, atenção: nos termos do § 2º, “a deficiência e a compatibilidade para as atribuições do cargo serão verificadas antes da posse, garantido recurso em caso de decisão denegatória, com suspensão da contagem de prazo para a posse”. Já o § 3º contém importante restrição para os candidatos que se inscreverem para as quotas de deficientes do concurso: “Não estão abrangidas pelos benefícios deste artigo a pessoa com deficiência apta para trabalhar normalmente e a inapta para qualquer trabalho.”
Para garantir os seus direitos, é importante que o candidato portador de deficiência consulte toda essa legislação antes de fazer a inscrição no concurso. Naturalmente, ele também deve ler atentamente o edital, a fim de conhecer bem as normas a que obedecerá a partir da inscrição e em que cargo melhor se enquadra para concorrer. Ele precisa saber, principalmente, quais são os documentos exigidos no momento da posse para comprovar a sua situação de candidato especial.
Vejam, por exemplo, as exigências do edital do Senado para os candidatos ao cargo de analista portadores de algum tipo de deficiência:
…3.9.10.1 A concessão de tempo adicional aos candidatos com deficiência, para a realização das provas, somente será deferida caso tal recomendação seja decorrente de orientação médica específica contida no laudo médico enviado pelo candidato. Em nome da isonomia entre os candidatos, por padrão, será concedida 1 (uma) hora adicional a candidatos nessa situação.
3.9.10.2 O fornecimento do laudo médico (original ou cópia autenticada em cartório) e da cópia simples do CPF, por qualquer via, é de responsabilidade exclusiva do candidato. A FGV não se responsabiliza por qualquer tipo de extravio que impeça a chegada dessa documentação a seu destino.
3.9.10.3 O laudo médico (original ou cópia autenticada em cartório) e a cópia simples do CPF valerão somente para este concurso e não serão devolvidos, assim como não serão fornecidas cópias dessa documentação.
São essas as principais questões que o portador de deficiência deve observar para obter sucesso em concurso público. Acredito que, se conseguir cumprir todas as exigências e se preparar adequadamente para as provas, ele estará no caminho certo para a aprovação e logo poderá comemorar o seu…
…feliz cargo novo!
(*) POR JOSÉ WILSON GRANJEIRO | CONGRESSOEMFOCO – CATEGORIA(S): COLUNISTAS, OPINIÃO
CONCURSOS PÚBLICOS : OPORTUNIDADES DE EMPREGO ESTÁVEL. (*)
Concurso: uma forma de atender a demanda do Estado
Aproximadamente 12 milhões de brasileiros se preparam para as seleções. Processo tem falhas, mas é a forma de escolher bem os novos servidores públicos
Números extraoficiais contabilizam 12 milhões de brasileiros se preparando para concursos públicos de todos os âmbitos e poderes. O assunto é complexo e pouco entendido pelos próprios candidatos a servidores públicos e pela imprensa. Entretanto, não há como ignorar a necessidade de profissionais qualificados para gerir o Estado, tão pouco o interesse de 6,31% da população que movimentam, pelo menos, R$ 30 bilhões por ano.
O concurso público é uma instituição nova, ao menos no formato que conhecemos hoje, como forma obrigatória de ingresso no serviço público. A exigência só foi estipulada na Constituição de 1988 e foi delineada no art.37 como avaliação com “provas e/ou provas e títulos”. Nenhuma outra diretriz foi estipulada e só a prática trouxe os processos aos que se encontram nas centenas de editais divulgados todos os dias.
inevitavelmente é um processo imperfeito ainda que a definição de democrático seja cabível. Os concurseiros, como também são chamados os candidatos, ainda aguardam a aprovação de dezenas de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional que criem o chamado “Estatuto do Concurso Público”, um conjunto de regras que definam regras básicas e evitem distorções por parte dos editais.
Desde 1988 foram editadas diversas legislações que garantem direitos e obrigações aos candidatos. Ouve evolução provocadas na prática e por avalanches de processos judiciais. No ano passado, por exemplo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu em definitivo que os candidatos aprovados dentro do número de vagas em um concurso público têm direito a nomeação. Por outro lado, seleções exclusivamente para cadastro de reserva, que podem burlar esta garantir, são mantidas, como ocorre com o próprio STJ.
São inúmeros os pontos frágeis a serem levados em consideração. O volume é bastante considerável e, se fosse citar todos aqui, iria entediar o leitor desavisado. O certo é que o país precisa de concursos públicos, precisa de servidores bem selecionados. Nos últimos cinco anos houve uma valorização do funcionário público. Ações conjuntas do Tribunal de Contas da União (TCU), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da imprensa moralizaram o ingresso de profissionais que trabalham para o Estado.
Atualmente existem 2,061 milhões servidores públicos federais ativos nos três poderes em todo país, segundo o Ministério do Planejamento. E, ao contrário do pensamento popular, não são barnabés. Aliás, a imagem do servidor público encostado, que deixa o paletó ocupar seu lugar, está em decadência. O que é excelente para o país.
Barnabés não conseguem ser aprovados em concursos com concorrências de 50, 100, 200, candidatos por vaga. Aqueles que ainda têm resquícios de malandragem tão caricata ou já desistiram ou se aposentaram. Não há espaço para eles, felizmente.
Mas, o título deste artigo é o porquê dos concursos. Explico: as demandas de Estado aumentaram em função dos 190 milhões de brasileiros que passam, paulatinamente, a ter acesso à infraestrutura, previdência, educação, justiça e saúde, só para citar alguns. Os serviços ainda estão aquém do que se faz jus ao imposto pago, porém é bastante injusto dizer que não atingem mais pessoas do que há décadas.
Também não se pode deixar de lado a importância de uma fiscalização interna – com processos de avaliação de desempenho eficiente – e externa, com a cobrança da população, da mídia e dos demais órgãos de controle.
A questão é que, por meio dos concursos públicos, foi possível moralizar o emprego no Estado – digo ESTADO e não Governo – e traçar medidas que sejam capazes de permitir regressão ao antigo paternalismo. Entre os projetos de lei que aguardam discussões e aprovação estão alguns que limitam consideravelmente os tais cargos comissionados usados como cabide de emprego, atendendo aos interesses políticos.
Acompanhando o “mundo dos concursos” diariamente há quatro anos posso dizer que há muito que melhorar e que cabe ao SOS Concurseiro e às pessoas que entendam sobre os processos seletivos divulgar, disseminar o conhecimento que envolve pontos tão complexos, que transitam em todos os poderes, mesclam a economia pública e privada e geram empregos tanto nos quadros dos órgãos e entidades quanto na iniciativa privada.
(*)Letícia Nobre
Letícia Nobre é a editora-chefe do SOS Concurseiro. É jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) desde 2005. Foi repórter e subeditora do jornal Diário da Manhã, em Goiânia, correspondente em Goiás do Portal Terra e, em Brasília, trabalhou como repórter de economia no Correio Braziliense por quase três anos. Neste período, a equipe da editoria foi ganhadora dos prêmios de jornalismo Esso, Embratel e CNT.
UTILIDADE PÚBLICA : CÂNCER E DOENÇAS DO CORAÇÃO SÃO AS MAIS REJEITADAS PELOS PLANOS DE SAÚDE. (*)
Câncer e doenças do coração, os
tratamentos que planos de saúde
mais negam
Quase todo mundo tem familiar, amigo, vizinho ou colega de trabalho que teve tratamento ou exame negado por plano ou seguro de saúde. Uma parte dos casos, porém, vai parar na Justiça.
Mário Scheffer, doutor em ciências e pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, acaba de divulgar um estudo justamente sobre a judicialização da assistência médica suplementar.
Ele analisou 782 decisões judiciais relacionadas à exclusão de cobertura, julgadas em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) em 2009 e 2010. Aqui, existem 489 empresas de planos de saúde e 18,3 milhões de usuários; 44,5% da população do estado e 59% da capital têm plano privado.
“Das 782 decisões judiciais analisadas, 88% foram favoráveis ao usuário, obrigando o plano de saúde a arcar com a cobertura negada; em 4% dos casos concedeu parte da cobertura solicitada”, revela Mário Scheffer. “Em 7,5% das decisões, o juiz acatou o argumento do plano de saúde.”
“Os principais motivos dessas ações são as negativas de tratamento de câncer e de doenças do coração”, informa Mário Scheffer. “Já entre os procedimentos médicos mais excluídos destacam-se quimioterapia, radioterapia e cirurgias diversas. Os insumos mais negados são órteses e próteses, principalmente stents, marcapassos e próteses ortopédicas (quadril, joelho), exames diagnósticos e medicamentos de alto custo.”
ESMIUÇANDO
Os tratamentos negados para os diversos tipos de câncer (leucemia, linfomas, mama, próstata, colo de útero etc) representam 36,57% das ações judiciais. Em segundo lugar estão as doenças do aparelho circulatório, incluindo acidente vascular cerebral (AVC, mais conhecido como derrame), infarto do miocárdio e outros problemas cardíacos, com 116 ações judiciais (19,46%).
Os dois grupos de doenças mais citados – câncer e cardiopatias – referem-se (em ordem inversa) às duas principais causas de adoecimento e morte no Estado de São Paulo. Em comum com as demais exclusões citadas nas ações, os tratamentos dessas doenças são onerosos.
Quimioterapia e radioterapia para tratamento do câncer são os procedimentos mais negados: correspondem a 33% das ações judiciais que mencionam procedimentos médicos excluídos pelos planos de saúde. Em seguida, as cirurgias (mastectomia, cirurgias cardíacas e bariátricas, aneurisma, vesícula etc); sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e reabiltações; hemodiálise; transplantes, dentre outros procedimentos.

“Isso reforça a tese de que os planos excluem os tratamentos caros”, acrescenta Scheffer. “Em estudo que fiz sobre as ações julgadas pelo TJSP de 1999 a 2004, o tratamento de aids aparecia em terceiro lugar. Já como hoje ele é 100% garantido pelo SUS, os pacientes adoecem e internam muito menos, resta aos planos cobrir poucos exames e consultas. A surpresa é o aumento da negação de atendimento em casos de obesidade mórbida, sob a alegação de que se trata de cirurgia estética, quando não é.”
O QUE OS PLANOS DE SAÚDE ALEGAM PARA DIZER “NÃO”
Entre os motivos usados pelos planos e seguros de saúde para negar o atendimento da demanda, destacam-se:
* O procedimento não consta no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
* O contrato possui cláusula que exclui a cobertura solicitada (comum nos planos antigos, assinados antes da lei 9656, de 1998, e que não fizeram a migração).
* A doença é preexistente.
* Prazo de carência não foi cumprido.
* Hospital ou serviço utilizado não é credenciado do plano de saúde.
* O tratamento médico não foi indicado corretamente, está fora de diretriz clínica ou da “bula”, segundo auditoria do plano de saúde.
* Não é obrigação do plano de saúde cobrir medicamentos, sobretudo de uso ambulatorial, domiciliar e oral.
* A finalidade do procedimento é estética (mesmo em casos de reconstrução de mama devido ao câncer e redução de estômago para tratar obesidade mórbida).
* O plano de saúde é coletivo (pessoa jurídica, associação etc), logo prevalece o contrato entre as partes e não se aplica o Código de Defesa do Consumidor. A garantia irrestrita à saúde é dever do Estado e não do plano de saúde.
“Na verdade, o que chega à Justiça é a ponta do problema. Antes, muitos já tentaram solução junto ao plano de saúde, ANS e Procon. Como são casos urgentes, diante da negativa o mais comum é o usuário arcar com os custos particulares ou buscar socorro na rede pública, o que sobrecarrega e onera o SUS.”
“Treze anos depois de aprovada a lei 9656, dos planos de saúde, o estudo mostra falhas na legislação e omissão da ANS”, avalia Scheffer. “Infelizmente, a ANS não cumpre com rigor o seu papel de regulação e fiscalização.”
15 DICAS PARA VOCÊ E SEUS FAMILIARES NÃO SEREM VÍTIMAS
O que fazer para que você não ter atendimento negado pelos planos e seguros de saúde?
Baseado nas suas pesquisas e na sua experiência de trinta anos anos como ativista na área de saúde, Mário Scheffer dá estas dicas:
1. Você tem direito a informações claras e adequadas, com especificação correta sobre a qualidade do plano de saúde, o que inclui redação com destaque, nos contratos, das cláusulas que possam limitar direitos.
2. Verifique se a empresa está registrada na ANS. Caso esteja sob direção fiscal ou técnica, isso significa que ela tem problemas (www.ans.gov.br e 0800 701 9656).
3. Leia atentamente o contrato antes de assinar, exija uma cópia. As informações e “promessas” do corretor obrigam a operadora a cumpri-las, pois ele representa a empresa. Peça que o corretor entregue por escrito os benefícios prometidos.
4. Se você tem um contrato “novo” (assim chamado os contratos assinados a partir de 1999), verifique se o atendimento negado consta no rol de procedimentos da ANS. Esse rol define uma lista de consultas, exames e tratamentos que os planos de saúde são obrigados a oferecer. Se o seu contrato é “antigo”, você pode se valer do Código de Defesa do Consumidor para discutir a exclusão de cobertura.
5. O preço da mensalidade e as coberturas ofertadas têm a ver com: tipo de plano contratado, abrangência (municipal, estadual ou nacional) e tamanho, extensão e qualidade da rede credenciada.
6. Leia atentamente a descrição da rede oferecida (médicos, laboratórios e hospitais), que deve fazer parte do contrato. Quanto mais restrita a rede, mais dificuldades você poderá ter para o atendimento.
7. O contrato pode impor carências (24 horas para urgências e emergências, dois anos, no caso de doenças preexistentes; 300 dias em caso de parto; 180 dias para os demais casos).
8. Se o seu plano é antigo (anterior a 1999) e tem cláusulas restritivas, veja se a empresa oferece a migração e se isso compensa financeiramente.
9. Muitos planos anunciam a “compra” ou redução de prazos de carências para você mudar de plano. Exija esse compromisso por escrito.
10. Atente ao que o plano oferece e exige para pessoas que já têm alguma doença, idosos, mulheres em idade fértil e outras necessidades de saúde especiais.
11. Desconfie de mensalidades muito baixas de planos de saúde. Você pode estar caindo em alguma “arapuca”; por exemplo, ter dificuldade para agendar consultas, exames e cirurgias (em razão da reduzida rede credenciada) ou ver a empresa “quebrar” após longos meses pagando mensalidades.
12. Cuidado com os “cartões de desconto”, que oferecem consultas e exames mais baratos, mas não são planos de saúde e não dão nenhuma garantia de atendimento.
13. Cuidado com os “falsos” planos coletivos. São planos para duas, três ou mais pessoas em que você tem de apresentar o CNPJ de uma empresa para assinar o contrato. Os reajustes não são controlados pela ANS e as operadoras entendem que podem cancelar o contrato a qualquer momento (prática que, felizmente, vem sendo rejeitada pela Justiça).
14. Se o seu plano é da empresa onde você trabalha, informe ao setor de recursos humanos ou a seu chefe sempre que tiver um atendimento negado. Se o seu plano é individual ou familiar, tente primeiro uma solução com a operadora. Se não resolver, denuncie à ANS e ao Procon. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) tem em seu site ( www.idec.org.br) modelos de cartas para formalizar a reclamação.
15. Se decidir entrar na justiça, você tem que ajuizar uma ação por meio de advogado. É comum o juiz de primeira instância, na qual o processo é iniciado, conceder a liminar ou a tutela antecipada.
O plano de saúde é, então, obrigado a atender a imposição judicial; aí, ele recorre da decisão nas instâncias superiores. Na maioria das vezes, a Justiça tem dado ganho de causa ao paciente, mas há também decisões favoráveis aos planos de saúde. Muitas ações contra planos de saúde passaram a ser movidas junto aos juizados especiais cíveis (JECs), mais ágeis na tentativa de conciliar as partes litigantes – quando o valor envolvido vai até 40 salários mínimos. Nos JECs, se a causa for até 20 salários mínimos não é necessária a presença de advogado.
(*) por Conceição Lemes/Vi o Mundo
IMPORTAÇÃO : FINALMENTE, DEVOLVIDOS OS CONTÊINERES COM LIXO HOSPITALAR DOS EUA.
GRANDE RECIFE // EMBARQUE
Contêineres com lixo hospitalar
voltam aos Estados Unidos
]
Pouco antes das 7h deste sábado (21), dois contêineres contendo lixo hospitalar foram colocados no navio Cap. Irene, de bandeira liberiana, no Porto de Suape. Com 46 toneladas de lençóis, batas, seringas e toalhas usadas com identificação de hospitais norte-americanos, o material chegou ao Recife em outubro passado e agora retorna aos Estados Unidos.
De acordo com o chefe da polícia de migração de alfândega dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Gonzalez, que acompanhou o embarque dos contêineres, ao chegar aos Estados será feita uma nova perícia para constatar que o material se trata de lixo hospitalar. Apenas depois da avaliação, será definido o futuro da carga.
O navio cap. Irene deve zarpar do Porto de Suape às 15h deste sábado. Segue para o Porto de Santos, para na Argentina e apenas em fevereiro chega ao Porto de Charleston, na Carolina do Sul, de onde veio a mercadoria.
Outros 2800 contêineres, de cargas variadas, estão em uma área separada do navio.
MERCADORIA – A irregularidade estava registrada na divergência entre o conteúdo declarado – “tecidos de algodão com defeito” – e a mercadoria importada, lençóis sujos com manchas características de sangue e dejetos biológicos com logomarca de vários hospitais norte-americanos em meio aos quais se encontravam seringas, cateteres e luvas usadas. Como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em Pernambuco exigia a devolução da mercadoria, o dono da Na Intimidade, Altair Teixeira de Moura, que importava a carga para ser utilizada como forro de bolso na fábrica sediada em Santa Cruz do Capibaribe, foi notificado.
do NE 10
BRASIL : GOVERNO RESOLVEU MORALIZAR O SISTEMA DE RADIODIFUSÃO. (*)
Laranjas serão afastados do
mercado de radiodifusão
Os atravessadores e os laranjas serão afastados do mercado de radiodifusão, com a mudança das regras de concessão, avaliou hoje a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert). “Era uma antiga reivindicação nossa“, disse o diretor-geral da entidade, Luís Roberto Antonik. “Em resumo, gostamos.” O Decreto 7.670, com as mudanças, foi publicado ontem no Diário Oficial.
Segundo Antonik, a atuação de atravessadores e laranjas inibia a entrada do empresário de radiodifusão nas licitações. Com o decreto, ele espera o início de um ciclo de investimentos no setor, uma vez que há apenas 520 geradoras de televisão no País e a entidade avalia que haveria espaço para o triplo. Ele estima também que pelo menos 2.000 municípios brasileiros não têm uma emissora de rádio no local.
Os atravessadores, explicou o dirigente da Abert, são pessoas que entram nos leilões de concessão e oferecem um valor exorbitantemente alto para conseguir a licença. “Eles ganham e esperam uma oportunidade de vender”, explicou. Esse negócio era viável porque o vencedor da licitação não precisava desembolsar praticamente nada.
Ele pagava 1% do valor da outorga e depois ficava esperando o Congresso Nacional aprovar a concessão para então quitar o valor prometido no leilão. “Mas ele deixava de entregar um documento ao Senado, e assim ia empurrando até achar um comprador.” Muitas vezes, a emissora era registrada em nome de laranjas.
Com o decreto essa manobra fica mais difícil, porque o governo aumentou o valor da caução de 1% para até 5% ou até 10% (essa é ainda uma questão em aberto) e porque o pagamento da outorga terá de ser feito à vista, antes da submissão do ato ao Legislativo. Os candidatos terão, além disso, de apresentar um plano de negócios e dois laudos de auditorias independentes atestando sua capacidade financeira. “Só entra a pessoa efetivamente interessada em empreender o negócio“, frisou.
O decreto também valoriza, como critério de escolha, o conteúdo jornalístico, educacional e cultural da emissora. Se a produção for local ou independente, contam ainda mais pontos. Antonik não vê relação entre esses critérios e as cotas de produção local exigidas nas emissoras de TV a cabo, nem com o projeto do PT de fazer um “controle social” da mídia. “Acho isso exagerado, porque esses critérios já estavam na antiga regulamentação”, disse. Apenas eles ganharam mais peso
(*) Estadão.
CURIOSIDADES : PROFESSOR ENCONTRA BILHÕES EM SUA CONTA BANCÁRIA. (*)
Professor indiano descobre R$
17 bilhões em sua conta bancária
Um professor indiano se surpreendeu ao checar seu extrato bancário na internet e descobrir o equivalente a mais de R$ 17 bilhões em sua conta. Como esperava que seu saldo fosse de cerca de R$ 350, Parijat Saha não conseguiu acreditar no valor mostrado na tela.

Um extrato retirado de um caixa eletrônico comprovou que o professor estava mesmo bilionário.
“Liguei para um amigo que trabalha no banco e brinquei: ‘talvez esteja sobrando dinheiro no seu banco, por isso o seu sistema está depositando um valor tão alto na minha conta’”, disse Saha à BBC.
Fontes no banco dizem, no entanto, que os bilhões estavam bloqueados e que Saha não teria conseguido sacar o dinheiro, se tivesse tentado.
Orçamento
O salário mensal de Saha como professor escolar no Estado de Bengala Ocidental é de 35 mil rúpias (R$ 1,2 mil), mas seu saldo de R$ 17 bilhões está mais próximo do orçamento anual de educação da Índia, que é de R$ 20 bilhões.
Mesmo após ser avisado sobre o ocorrido, o Banco Estatal da Índia (State Bank of India, SBI) se recusou a explicar o que aconteceu.
As sedes do SBI em Calcutá e Mumbai foram alertadas e fontes no banco dizem que funcionários estão tentando descobrir os detalhes do engano.
“Apesar de eu ter conseguido retirar meu dinheiro, a conta ainda tem bilhões como valor bloqueado. Não sei por quanto tempo vou ter esse valor astronômico no meu extrato”, disse o professor.
(*) Fonte: BbcBrasil









