CASA DO ESTUDANTE DE PERNAMBUCO (01) – 80 ANOS DE EXISTÊNCIA. – Por Leonides de Oliveira Caraciolo.

LIVINO VIRGÍNIO PINHEIRO, universitário

de Medicina, foi o primeiro e grande líder na

articulação e criação da Casa do Estudante

de Pernambuco (CEP).

 

 

 

 

Livino (foto) fundou um jornal, O FACHO, voz da juventude idealista de 1930, mantido pelo Partido Revolucionário da Faculdade de Medicina, que divulgava as idéias do partido. O FACHO também fazia a campanha em prol da criação de uma casa para acolher os universitários que buscavam o Recife para obter uma graduação superior.

A nível nacional, então, havia uma agitação no país, de Norte ao Sul, que culminou com o golpe de Estado levando Getulio Vargas à presidência da República. Nessa época o Recife já concentrava várias escolas superiores, (Direito, Medicina, Engenharia, Farmácia e Odontologia), atraindo estudantes do Norte e Nordeste brasileiro. Aqui chegando, esses estudantes iam morar em repúblicas existentes nas espeluncas antigas do bairro da Boa Vista.

Livino Virgínio Pinheiro nasceu no Seringal Santa Clara, Teffé, às margens do rio Juruá, no estado do Amazonas, em 12 de novembro de 1905. No lugar que lhe serviu de berço conheceu as primeiras letras e foi instruído por um índio da tribo Paunari. Em 1915 foi para Fortaleza, onde estudou no colégio Miguel Borges e no Liceu do Ceará, além de dedicar-se ao aprendizado de outros idiomas, como o latim, o francês, o italiano e o espanhol.

Em 1928, veio para o Recife fazer o curso medico, o qual concluiu em 1933 na Universidade Federal do Recife. Aqui, trabalhou como repórter e jornalista do Diário da Manhã e do Diário da Tarde, de propriedade do Dr. Carlos de Lima Cavalcanti.

Livino Pinheiro notou que no Recife se fazia necessário a criação de uma Casa de Estudante. Por outro lado, quando assistiu a dois colegas morrerem de tuberculose no Hospital Oswaldo Cruz ficou mais motivado para dedicar-se à campanha em prol da Casa do Estudante, inicialmente chamada de Casa do Estudante Pobre de Medicina , embrião da Casa da Estudante de Pernambuco. E aqui encontrou o ambiente favorável para expandir-se, assumindo “uma natural liderança, mercê de seu entusiasmo e fluência verbal.”

O primeiro grande passo dado por Livino Pinheiro para construção da Casa do Estudante foi ter conseguido do Interventor Federal no Estado, Carlos de Lima Cavalcanti a cessão de uma área de terreno no bairro nobre do Derby. Coincidentemente ou não, a Casa ficaria situada no centro geográfico das Faculdades existentes naquela época.
Em seguida, Livino conseguiu do arquiteto Jayme Oliveira o projeto, gratuitamente. Segundo as próprias palavras desse arquiteto o projeto demonstrava a tendência da arquitetura moderna apregoada pelo grande arquiteto francês, Le Corbusier.
Em 24/10/31, foi lançada a pedra fundamental do edifício da Casa do Estudante Pobre de Medicina e a obra foi tocada com bom ritmo.
O sonho dos universitários concretiza-se e a imprensa do Recife abre manchetes, com matérias elogiosas, festejando o grande acontecimento dos estudantes.

[1] Porto, WaldenioAs Vinhas da Esperança, Memórias de um Xepeiro.

NOTA DO BLOG – Alguns sanharoenses foram “inquilinos” da Casa do Estudante de Pernambuco. O próprio autor do artigo – Leonides, foi xepeiro e chegou a ser eleito presidente da Casa, no início dos anos 60, enquanto estudante do curso de engenharia civil da Poli. Outros  que ali pousaram Jose Laci de Freitas, Alderico Cabral Viana, Roberto dos Santos Monteiro, afora muitos externos, que apenas faziam refeições, tais como: Dido de Adelino, Paulinho Muniz, Coca Soares, Gonzaga Leite e mais e  mais…

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6 Responses to CASA DO ESTUDANTE DE PERNAMBUCO (01) – 80 ANOS DE EXISTÊNCIA. – Por Leonides de Oliveira Caraciolo.

  1. Cloves Soares Freitas disse:

    Com certeza alguém vai lembrar da famosa dobradinha servida aos sábados. Era bucho de boi de aparencia duvidosa e aroma de merda. Nada melhor que tomar uma meiota na Barraca TÉM-TÉM, na rua da Baixa Verde, que não abrisse o apetite dos já esfomiados xepeiros.Bons tempos aqueles. Gostei demais.

    • Dom Pablito disse:

      Grande Compadre Coca. Essa da dobradinha é uma lembrança “mardita”O bom era que existia quem elogiasse a comida. Isso nos remete a Roberto?

  2. João Roberto disse:

    Já enfrentei aquele bandejão. Eu e muitos outros da CAESA antiga. A CEP passou por uma crise financeira que, por um bom período, a mistura que tinha era asa de galinha. Quase a gente aprende a voar de tanto comer asa. Mas, no geral, a xepa era boa.
    Abraços aos ex-xepeiros.

    • Dom Pablito disse:

      Caro Jr. Há uma letra de música de Capiba que diz: “Tempero pra comida do pobre/É a fome, é a fome…“. Cabe direitinho pra o que ali era servido. No dia de fígado em tremia e partia pro ovo. Lembrava da “titela” que mamãe sempre reservava pra mim. Oh saudade! Compensava-se à noite “namorando” piniqueiras na praça do Derby. Segundo Abdoral (S.Bento do Una), passava-se por cabo da polícia militar, fazendo algum curso. No outro dia ela trazia um sanduiche. Se soubessem que era estudante, tchau…

  3. anderson bezerra de menezes disse:

    EU TAMBÉM FIZ PARTE DA TURMA DE XEPEIRO.A SOBRE-MESA ERA NUM BAR QUE FICAVA VIZINHO. EU E BACURAU, MEU AMIGO LAURENTINO, FAZIÁMOS HORA EXTRA NO BAR.

    • Dom Pablito disse:

      Bons tempos meu caro e estimado conterrâneo. Também fui companheiro de Curau ou Bacurau .Moramos no Edifício Aunacaria na Paulo Bittencout, 103 Derby. Despropositadamente esqueci de citá-lo e você o fez aqui e agora. Eu me penitencio pela falta dele e de outros que certamente deixei, infelizmente, de citar. Um outro detalhe: Laurentino também foi interno da CEP e tinha o prestígio herdado do irmão que fora presidente. Coisas da vida…

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