OPINIÃO : O HOMEM E A SUA HISTÓRIA – Marco Maciel – Por José Luiz Delgado.(*)

Maciel e a FDR

 

Marco Maciel - Um Político Honrado.

 

 

Não tendo integrado o quadro docente da Faculdade de Direito do Recife (FDR), Marco Maciel figura, decerto, entre os seus discentes mais destacados. Como está no livro de Ana Maria César, ele, então presidente do DCE, participou ativamente da histórica greve de 1961, de repercussão nacional, que terminou com a inédita deposição de um diretor, Soriano Neto. Com Demócrito de Souza Filho e Antonio Carneiro Leão, presidente do DA daquela hora, ele se inclui na galeria dos maiores líderes estudantis de toda a história da FDR, um dos seus mais perigosos agitadores. Sua liderança, seu empenho, sua capacidade de reivindicação, serão, assim, exemplo e inspiração para as contestações dos estudantes de hoje.

Apóstolo do interesse público, MM dedicou-se integralmente à vida política, nela desenvolvendo uma carreira exemplar. Poderia até ter sido o primeiro pernambucano eleito presidente da República ? o primeiro presidente pernambucano formado pela FDR. Na sua geração, foi quem mais alto chegou: governador, ministro e vice-presidente ? culminância de poucos dos nossos, somente Rosa e Silva e Estácio Coimbra.

Talvez o ponto mais notável de sua carreira tenha sido a decisão de, rompendo com o próprio partido, fundar o PFL e compor-se com o PMDB na aliança de que resultou a eleição do primeiro presidente civil depois do longo período dos governos militares, ou seja, a transição pacífica e sem traumas com que o Brasil sonhava sem saber como poderia acontecer. Naquela hora crucial, em que a derrota das Diretas-Já parecia assegurar a continuação do regime, a dissidência de Aureliano Chaves (que era o vice-presidente), Sarney (presidente do PDS) e Marco Maciel, apoiada pelos governadores do Nordeste, à frente Roberto Magalhães, possibilitou a quase inacreditável vitória da oposição minoritária. A presença de Maciel nesse episódio foi tão fundamental que o próprio Tancredo Neves dizia que só renunciaria ao governo de Minas e, portanto, só seria candidato à Presidência, se Marco Maciel estivesse do seu lado.

Não se luta por um ideal somente pela denúncia ou pelo protesto, na oposição. Pode-se lutar também participando do poder e, de dentro, tudo fazendo para reformá-lo. Essa foi a maneira de Maciel, político realista, pragmático, incapaz de lutar contra os fatos, mas sem deixar de ser fiel a seus ideais – e pode ser que, numa avaliação serena, uma ação não conseguisse ter êxito sem a outra. A Faculdade de Direito bem se pode orgulhar desse seu bacharel ilustre.

(*) José Luiz Delgado é professor universitário

(Texto publicado no JC de 25/10/2011).

Rodapé do artigo de Rivaldo Paiva na mesma edição do JC.

 

PS – Meu repúdio aos pseudo-estudantes chineleiros da Faculdade de Direto do Recife que não sabem respeitar pessoas como Marco Maciel – talvez o mais probo político que Pernambuco já produziu para a Nação. À direção da FDR, minha atenção pelos esforços pró evento. À “professora” chinelenta, por instigar seus “alunos” a constranger um homem público de bem, minha decepção por desonrar uma classe digna como a do magistério.

Rivaldo Paiva é escritor

NOTA DO BLOG

Há poucos dias, numa palestra na Faculdade de Direito do Recife-FDR, o ex-senador Marco Maciel foi constrangido por um grupo de alunos,  “patrocinados” por uma professora desequilibrada que permitiu o descontrole. Em vista disso e, no intuito de restabelecer os valores inerentes ao Homem e ao Político que ao longo de mais de 40 anos de vida pública tem dignificado o nosso estado e por conseguinte a Nação Brasileira, resolvemos postar o artigo do Prof. Delgado e também, a opinião explicitada pelo escritor Rivaldo Paiva.

Compartilhe esse texto com seus contatos:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *