POESIA/CORDEL – “…Eu era feliz e não sabia…” Moleques Que Fomos… – Por João Roberto Maciel Aquino.

 

 

MOLEQUES QUE FOMOS

 

 

 

Eu andei observando

Como o tempo está mudado,

Os moleques de hoje em dia

Como estão modificados,

E os brinquedos atuais

Não parecem em nada mais

Com os de algum tempo passado.

 

 

Os brinquedos de hoje em dia

São muito sofisticados.

Pilhas, controles remotos,

Laser, joistic, teclado.

O brinquedo brinca sozinho

E o pirralho, coitadinho

Só assistindo sentado.

 

 

Peladas em meio de rua,

Páreos em rua ladeirada,

Com carros de rolimã

Ou bicicleta alugada,

Era o divertimento

Da molecada passada.

 

Hoje ninguém brinca mais

De bila, finca, pião,

Barra bandeira, peteca,

Firo, damas e gamão

Onça, cavalo de pau,

Carro puxado a cordão.

 

 

E moleque presepeiro,

Amorcegador de trem,

Arengueiros, anarquistas,

Sem poupar nada e ninguém,

Ruins de marca maior

Nesta nossa Sanharó

Tinha de encher FEBEM.

 

Tinha um Juca de Plácido

Oh moleque ruim de mais

Zé de Ditinho, Manjarra,

Também não ficavam atrás

Cada um ruim do seu jeito

E um tal Bertinho de Zé Preto

Era quase um satanás.

Zé Maria de Genésia

Quando com Nena encontrava

Era uma briga na certa

Ninguém no mundo empatava

Lilsinho, Nelsinho, Gibinha,

Tornavam a Lingüeta rinha

Ninguém saia ou entrava.

 

 

Quem mais sofria com eles:

As professoras, coitadas.

Que era Dona Conceição,

Dona Elvira, Dona Inalda,

Filadélfia, Terezinha,

Dona Sônia, Dona Nevinha,

Marly Ribas, Dona Alda.

A molecada de hoje,

Nem parece com esses pivetes.

Sem peraltices, sem brigas,

Sem pedradas, sem bofetes,

Não entram mais no esquema

Só querem shopping, cinema,

Vídeo games, internet.

 

 

Menino era sempre autêntico,

Rezando ou jogando bola,

No catecismo de Diva

Na argüição da escola,

Nos chambregos atrás dos muros

Dos namoros sem futuro

Ou nas farras de mariola.

 

Presepadas sem maldades

Só para rir aos montões.

Brigavam e com meia hora

Só abraços e perdões

Sem ódio ou ressentimentos

Tudo era divertimento,

Sem cangas, peias ou grilhões.

 

 

E em 12 de outubro

Vou pedir em oração

À Virgem de Aparecida,

São Cosme e São Damião

Que guiem nossos destinos

e não deixem faltar meninos

presepeiros no sertão.

Autor: João Roberto Maciel Aquino.

HOMENAGEM

 

Em homenagem aos moleques de todas essas épocas tão  vivas, tão vividas e tão sanharoenses…Moleques  que Fomos é um retrato na parede de cada coração infanto-juvenil, tão bem emoldurado na verve sensível e lúdica num soneto de sonho de cada um de nós… Moleque que Fomos em imagens latentes que vagueiam em nossos sonhos do presente e de um telurismo riquíssimo  que só a alma do poeta saberia recordar…

Em nossa homenagem, o blog posta o video de Ataulfo Alves Meus Tempos de Criança. (Basta clicar na seta e aguardar carregar)

 

TRIBUTO.

Tomo emprestado ao autor o seu enredo e o ofereço a um grande amigo de infância. Relembro, com saudade, um joguinho na sua sinuquinha no alpendre da casa de seus avós. Refiro-me ao estimado José Monteiro da Costa – Zé de Ineizinha. Sempre o reencontro e sempre relembramos nossos momentos juvenis.

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20 Responses to POESIA/CORDEL – “…Eu era feliz e não sabia…” Moleques Que Fomos… – Por João Roberto Maciel Aquino.

  1. João Roberto disse:

    Atendendo reclamações dos amigos, andei fazendo uma lista de meninos ruins e já tem mais de 100. Vou misturar essas ruidades todas pra ver se sai alguma rima que preste.
    Abçs

  2. FERNANDO FREITAS disse:

    Caro João, acrescento mais uns “santinhos” para a sua coleção: Marco Caçarola, filho de “Seu” Floriano carcereiro, Armandinho de Armando Soares, Ricardo 45, filho do Sargento Modesto, e seus memoráveis “passeios” no troller da Rede Ferroviária.

  3. Meu Compadre João Roberto, realmente é muito bom viajar um pouquinho no tempo e relembrarmos da nossa infância, dos nossos amigos, das travessuras, e das mais divertidas brincadeiras, nas quais sem dúvidas alguma não transmitiam tanta insegurança aos pais, eu adorava brincar de faroeste, tá resalma, de vaquejada, carrinho de rolimâ, mas hoje as crianças amam a tecnologia, e querem ser adultos prematuros…infelizmente. Vcs esqueceram de colocar na lista de moleque ruim o Pedro Cem.

  4. MARCO SOARES disse:

    Acho que Carlos Elder quer provocar uma briga em família.Ou então…

  5. Carlos Elder disse:

    João Roberto,
    Muito boa a poesia. Traz muita saudade dos tempos de criança em Sanharó!.
    Gostaria de incluir na lista de “moleques ruins”:
    – Telmísio
    – Ivanildinho
    – Germano
    – Gileno
    – Lidinho
    – Wilson de Neto.

    Abraços,

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