POESIA/CORDEL – “…um sorriso desdentado…” – O PEDINTE – Por Robson Maciel Aquino.

 

Pedinte. Uma chaga social...

 

O Pedinte

 

 

 

Vejo um homem sentado na calçada
Barba branca e um sorriso desdentado
Todo em trapos na sombra da sacada
Um olhar bem distante e tão cansado

Pobre homem por todos reprimido
Que a esperança cansou e foi embora
No semblante infeliz e tão sofrido
A alegria inverteu-se e nele chora

 

Quem será esse velho desprezado?
Que passado viveu pr’esse presente?
Como pode colher o grão plantado,
Se com lágrimas regou suas sementes?

 

Quanta dor é possível perceber
Nessa mão estendida a implorar
E os seus dedos que estão sempre a tremer
Denunciam a vergonha sem parar

 

Não importa o ventre que pariu
Esse corpo inativo; sem ação
Se nascestes da pátria mãe gentil
De direito és igual; és cidadão

 

Mas direito a que? Pergunto eu!
A uma cova, sobre ela uma flor da praça?
Ou quem sabe a um diploma de plebeu
Sem parede pra expor sua desgraça

 

Esse homem perdido em sua cena
Já não sabe dizer o que dói mais:
O passado que hoje lhe condena
Ou a lápide a ser grafada: “aqui jaz”

E o corpo à distância vai sumindo
Sou mais um a ter pena e ir embora
Quanta culpa e culpados vão surgindo
Na análise que fiz e faço agora

 

Quando um homem se humilha a outro homem
A nação por ninguém é respeitada
Os valores apodrecem e logo somem
O país e seu povo valem nada.

Autor; Antonio Robson Maciel Aquino.

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10 Responses to POESIA/CORDEL – “…um sorriso desdentado…” – O PEDINTE – Por Robson Maciel Aquino.

  1. Nelbinho disse:

    “Há muitas maravilhas neste mundo, mas a maior de todas é o homem” – Sófocles.
    Mais uma vez! Valeu Robinho!

  2. Robson Aquino disse:

    Obrigado a todos pelo enorme incentivo presente em seus comentários. Caro Marcos, você tem razão quando denuncia meu sumiço, mas o mundo atual é um grande ladrão de tempo e, vez por outra, eu me pego sendo assaltado.

    Grande Zica, assisti o seu DVD e gostei muito. Parabéns. Meus irmãos e Paulinho são suspeitos, mas seus reconhecimentos me dão um certo alívio, pois a responsabilidade de falar em nome dos braúnas me causa um certo calafrio, pois sei que, de certa forma, construímos uma imagem que nos associa a Sanharó e ao nosso povo, e isso pesa muito na hora de tornar público qualquer pensamento. Mas vou continuar ousando, até o dia em que vocês se cansarem de mim.

    Um forte abraço.

    • Dom Pablito disse:

      Caro Robson. Como se não bastasse o bem que você faz ao coração, e mais: em dizer que “o mundo é um grande ledrão de tempo” o que dizer de você que na sua incontestável poesia, tornou-se, também, um grande ladrão de afeto.

  3. João Roberto disse:

    Olha Robson aí com mais uma obra de arte.
    Parabéns, camarada.

    • Dom Pablito disse:

      Caro JR. Obra de arte com apelo social. O pedinte é uma chaga aberta no meio da sociedade. Muitos fazem que não veem…(Adorei o tratamento “camarada”. Afora os velhos comunas, quase ninguém usa esse bonito neologismo). João é o cara e irmão dos caras!

  4. MARCO SOARES disse:

    Um poeta versátil, inteligente
    Com um incrível poder para criar
    Que opina sobre tudo e sobre todos
    Uma máquina na arte de improvisar

    Vez por outra ele some, mas retorna
    Cada vez com maior refinamento
    Sua fama vai crescendo sempre mais
    Pela força do fulgor do pensamento

  5. carlaodobrega(zica de louro) disse:

    Ontem postei um comentário a respeito da falta dos mesmos nas postagens do nosso, sim do nosso, pois já me sinto parte desse BLOG ARRETADO. Hoje, com muita alegria, vejo o nosso POETA ROBSON, mostrando a sua ARTE. DOM,não localizei meu comentário de ontem, nem sua resposta. vc. sabe o quanto lhe estimo e torço pelo sucesso do ABELHUDO. UM GRANDE ABRAÇO!

    • Dom Pablito disse:

      Caríssimo Zica de Louro. O seu comentário está postado onde você comentou. A postagem foi; JUDICIARIO NÃO É O MESMO DEPOIS DO CNJ., onde inclusive fiz a minha moderação e os agradecimentos de praxe.

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