ARTIGO ; UMA VERDADEIRA ESTÓRIA DE AMOR… – Por Gustavo Maranhão (*).

Cartas de Florença – Uma estória de amor

 

Florença. Um Museu a céu aberto. O rio Arno corta a linda e histórica cidade italiana.

 

 

Florença é uma cidade que preserva a sua história e as suas lendas. Uma das mais bonitas é a de Ginevra degli Almieri, preservada há mais de seis séculos. Conta-se que a belíssima Ginevra, nascida em 1378, aos 18 anos havia se transformado numa mulher que, além dos seus dotes físicos, possuía um temperamento admirável. Filha de um rico comerciante, logo apropriada para um bom casamento pelos padrões de escolha da época, ela no entanto apaixonou-se pelo jovem Antonio Rondinelli, no que era correspondida. Mas Rondinelli, além de ser de origem humilde, não atendia aos interesses negociais do pai dela, Bernardo, que decidiu dar-lhe em matrimônio a Francesco Agolanti, um homem com quem mantinha grandes negócios e bem mais velho que a filha. Apesar das súplicas da filha, o casamento aconteceu.

Começou, então, uma vida melancólica e triste. Durante quatro anos, Ginevra sofreu o abandono por parte do marido, que só se interessava pelos negócios. Longe do seu amor, ela já nem sequer se alimentava. Uma manhã, em 1400, a esposa de Francesco foi encontrada morta com os olhos fechados, e uma fisionomia serena, que mais parecia estar dormindo.

Vestiram-na de branco, com todas as suas jóias, e foi levada ao cemitério de Santa Reparata, vizinho ao Campanile di Giotto, numa urna funerária fechada. Logo no dia seguinte a enterraram na tumba dos Almieri. Para sua sorte, dois funcionários de seu marido que sabiam ter aquele caixão as jóias com a defunta, à noite foram roubá-las. Após o serviço feito, depois de remover a pedra que cobria a tumba, fugiram deixando-a aberta.

Naquela noite, chovia a cântaros em Florença. Ginevra acordou-se de sua catalepsia e viu que estava no cemitério. Embora quase sem forças, levantou-se e dirigiu-se à casa do marido, na Piazza del Giglio, a apenas cerca de 150 metros dali. Bateu a porta. O velho Agolanti, seu marido, acordou com o barulho, abriu a janela e viu aquele fantasma na noite chuvosa. Amedrontado, fechou a janela e disse aos empregados que não atendessem a porta.

Apavorada, a moça ressuscitada correu para a casa de seus pais, mas sua mãe, ao vê-la, pensou o mesmo e a refutou. Desesperada, rejeitada pelos parentes, quase desfalecida, foi para a casa do seu amado, que ao vê-la abriu a porta, lhe agasalhou e lhe acolheu.

Na manhã seguinte, quando ela acordou daquele pesadelo real, Rondinelli lhe perguntou se queria voltar para a casa do marido ou dos pais. Ginevra então respondeu que doravante, se ele quisesse, ela moraria com ele. E assim o fizeram.

Poucos dias depois, seu marido, ao saber que ela estava viva e morando com a sua antiga paixão, denunciou-a de adultério ao Tribunal Eclesiástico. Ao analisar os fatos, o Tribunal decidiu: “Como os mesmos no matrimônio assumiram viver juntos até que a morte os separasse, e que segundo o atestado de óbito ela havia ressuscitado, ela era livre para esposar o seu amado”.

A primeira publicação do caso, que corre de boca em boca em toda Florença, é de 1510. Alguns estudiosos entendem que se trata de um fato ocorrido, enriquecido ao longo dos séculos.

Seja qual for a parte verdadeira, é uma bela estória de amor que só enaltece Florença.

(*) Gustavo Maranhão. Empresário do Setor Sucroalcooleiro, também atua em Projetos Culturais, escreve às sextas-feiras.Publicado na FolhaPE.

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