EXU: A cidade que viu o Rei Gonzagão nascer – Por Cláudio de Oliveira Freitas

EXU E SEU FILHO ILUSTRE LUIZ GONZAGA.

GONZAGÃO: de Exu para o Mundo.

Exu poderia ser como tantas pequenas cidades do Sertão nordestino. Pode-se andar quilômetros pela zona rural sem se ver ninguém, enquanto a área urbana se torna cada vez mais populosa. O transporte público é inexistente e as motocicletas proliferam em um trânsito desordenado assim como em Sanharó. É uma cidade pobre como tantas outras – o seu Índice de desenvolvimento Humano é de apenas 052 – para efeito de comparação, a média pernambucana é de 0718. Nas rádios e nos bares, o brega e o forró eletrônico dominam.

Exu poderia ser apenas mais uma cidade, mas não é. Por conta de um homem que nasceu em uma casa miserável de pau a pique, Exu se fez única. Luiz Gonzaga , seu mais ilustre filho cantou o que viu e viveu ali no Sertão do Araripe em mais de 50 discos e 800 composições, eternizando Exu para o mundo. Amava tanta a sua terra que sempre a visitava, mesmo nos anos da fama, e foi lá que decidiu morar na sua velhice.

Os sonhos do rei precisam de cuidados…

Hoje, Exu parece ter esquecido Luiz Gonzaga. Andando pelas ruas da cidade, não é muito fácil identificar que ali é a terra do Rei do Baião. Há uma praça com um painel com a letra de Asa Branca, é verdade. Há diversos estabelecimentos comerciais que fazem referência a Gonzaga no nome. Há, ainda, todos os anos, uma festa para celebrar seu aniversário, no dia 13 de dezembro. E, mais importante, há o Parque Aza Branca (escrito errado), criado pelo o próprio Gonzaga para preservar a sua memória. Isso tudo, porém, é muito pouco para celebrar a história do homem que colocou Exu no mapa. ao construir o Parque, Gonzaga pensou também no desenvolvimento da cidade. Construir lá duas pousadas. chegou a montar um frigorífico, que fechou em pouco tempo. Depois teve a ideia de uma fábrica de enlatamento de feijão de corda, produzido na região, que desistiu. Vendeu duas fazendas que tinha para realizar o seu mais ambicioso sonho comercial: um posto de gasolina. Batizado de Gonzagão. O estabelecimento era o mais completo e maior da região. Mas foi difícil: demorou quase dois anos para receber combustível e acabou não dando o lucro esperado.

O parque Aza Branca foi o seu grande xodó, com suas duas pousadas, o museu, a casa dele e do pai Januário e um palco para shows dos amigos. Quando Gonzaga morreu, em agosto de 1989, Gonzaguinha assumiu o parque com planos audaciosos. Queria não só aumentar o local, como transformar Exu em uma cidade turística em torno do Rei do Baião. Construiu o mausoléu ao lado do museu, onde estão sepultados Januário e Gonzagão, além de suas esposas e o sanfoneiro de oito baixos Severino Januário, irmão de Luiz Gonzaga. Mas não teve tempo de fazer mais nada: morreu em 1991, em um acidente de carro na cidade de Pato Branco-PR, aos 45 anos.

No parque, então, ficou apenas a esposa de Gonzagão. Dona Helena, que se foi em fevereiro de 1993. A filha adotiva do casal, Rosinha Gonzaga, que mora no rio de Janeiro, vendeu o parque Aza Branca por telefone para José Alves de Alencar, (ZITO URBANO), semanas após a morte da mãe. Zito morreu pouco depois e o local é hoje administrado pelo seu cunhado, Francisco Parente, o Beba – que está internado no Recife em estado de coma e tudo indica que é um caminho sem volta para o administrador do parque asa Branca.

SOBRE O CENTENÁRIO DO GONZAGÃO

Luiz Gonzaga deve ser o nome mais homenageado deste ano. Começou no carnaval com a Unidos da Tijuca na Sapucaí e o Galo da Madrugada, no sábado em Recife. Para a festa viva Gonzagão deste ano, em Exu, a expectativa é de multidão. A tradicional missa ao pé do Juazeiro no parque Aza Branca será celebrada pelo padre Marcelo Rossi, Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha, que está montando uma orquestra com 24 músicos para tocar o repertório do avô na festa do centenário.

Em singela homenagem ao autor do texto, grande fã do rei do baião e emérito colaborador do blog, postamos um video com um grande sucesso de  autoria de Petrucio Amorim, na voz do forrozeiro Flávio José. O Rei nas Estrelas.

O Rei Nas Estrelas (Petrucio Amorim)

Flávio José

Quem viu a terra tremer
Quem viu o sol se esconder
Por entre nuvens,quem viu

Quem viu o tempo parar
Sabe também lamentar
Que o rei menino partiu

Mas quem chorou, não se iluda
Que um rei não morre, se muda
Pró reino da ilusão

Lá onde os astros se ouvem
Lá onde mora beethoven
Mora o rei do baião

Luiz, luiz, luiz
Agora és estrela lá no céu
Luiz, luiz, luiz
O povo agradece o teu papel
Luiz, luiz, luiz
A asa branca diz pró sabiá
Enquanto houver sanfona
Um xote e um baião
Seu nome lembrará uma canção

Lá onde os astros se ouvem
Lá onde mora beethoven
Mora o rei do baião.

(video e fotos do Google/Youtube)

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8 Responses to EXU: A cidade que viu o Rei Gonzagão nascer – Por Cláudio de Oliveira Freitas

  1. Cláudio Freitas disse:

    “Morreu na semana passada o administrador do parque Asa Branca Francisco Hélinton Parente, conhecido por “BEBA” e com isso a festa do Gonzagão pode ficar sob interrogação, ou seja, será que vai continuar, exceto esse ano que será comemorado o centenário do Rei.

    • Dom Pablito disse:

      Caro Califas. É uma informação importante. Tanto pela atividade do Hélinton – Beba, quanto e, principalmente, pela organização que ele empreendia aos eventos.

  2. decinho disse:

    É muito prazeroso falar de Gonzagão. Cláudio, ainda não tive o prazer de conhecer EXU, mas você relata muito bem o que Luiz Gonzaga fez pela sua cidade. Hoje perto do centenário, EXU, tem que relembar o rei do baião. Luiz Gonzaga foi lembrado no carnaval do Recife e do Rio de Janeiro. Um abraço a todos os Nordestino e principalmente ao redator Cláudio califas.

  3. carmelo vilela disse:

    Meu amigo Cláudio.

    Eu nao fui ver o desfile da Unidos da Tijuca, porque eu trabalhei a noite, mas ja sabia que o Gonzagão ganharia.Lembra que te liguei, na hora da apuração. Passei hoje em frente o sambódromo e lembrei-me que o Luisao saiu de Exu, pra ser rei no Rio e no mundo. Um abraço! Estamos te esperando aqui. Hoje o monumento mas visitado no Rio,nao e o Cristo, nem o Pão de Açucar. É o busto do GONZAGÃO, no Centro de Tradição Nordestinas.

  4. João Roberto disse:

    A verdade é que o Parque Aza Branca encontra-se em estado deplorável, quase abandonado, merecendo uma intervenção urgente por parte do governo do estado para sua recuperação.
    Torcemos para que tudo esteja na mais perfeita ordem quando forem iniciadas as comemorações do centenário do Rei.

  5. Cláudio Freitas disse:

    Sou fã incondicional do Gonzagão deste a minha infância e não acredito que no decorrer dos anos apareça outro da mesma grandeza de Luiz Gonzaga, “POIS DEUS O FEZ E JOGOU A FORMA FORA”.

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