VERSOS/POESIA : Meu Amigo e Desafeto/”…E tu nada mais serás/Que uma lembrança esquecida…” – Por Robson Maciel Aquino.

Meu amigo e desafeto

 

 

 

Senta aí meu companheiro
Velho amigo e desafeto
Distante e sempre tão perto
Que às vezes confunde a gente
Pelo o que vê e o que sente
Olho você do meu lado
Longe me esperas sentado
Te flagro triste e contente

 

Tome assento, camarada
Medusa de três cabeças
Que alimenta tuas presas
Na fonte do meu querer
Se passar te dar prazer
Te adiante, vais embora
Aponta a rota e decola
Mas não deixarás de ser

 

Não podes matar lembranças
Por isso, juntos estamos
Se perto nos atracamos
Distantes crio saudade
Lá longe, a ansiedade
Se vamos nos encontrar
Não posso em ti confiar
Já que és mentira e verdade

 

Se abanque, diabo de luz
O santo da escuridão
Com seu tridente na mão
Passeias no paraíso
No seu rosário indeciso
Um mistério, duas pragas
Tanto escreves como apagas
Amor, ódio, dor e riso

 

Filho da santa e da puta
Todos sonham em te vencer
Podem ganhar de você
Mas não te matam inteiro
Pois vivo vales dinheiro
E morto não tens valor
Sou teu dono, és meu senhor
O último sendo o primeiro

 

Brinde comigo, doutor
Que cura a dor da saudade
Com a agulha da piedade
Costuras sonho e desejo
Dá um tapa, leva um beijo
Abraça e sai apanhado
Pois és fim inacabado
O invisível que eu vejo

 

O seu chicote de couro
Retalha a face da gente
Não há na terra um vivente
Que não tema esses seus traços
Pois eles sugerem cansaço
O final de uma jornada
A última curva da estrada
Da perna, o último passo

 

Dono daquilo que faz
És um artista discreto
Pintas de branco meu teto
Sem me pedir permissão
Na palma da minha mão
Tá gravada a tua estrada
Que uma cigana ajoelhada
Diz saber a direção

 

Meu amigo, amigo tempo
Não posso não te odiar
Nem fingir não te amar
Pois és mais que a existência
Muito além que a eloquência
Um metro após o infinito
Desejo de todo aflito
Um guru da paciência

 

Espere aí, meu senhor
Faça jus à sua fama
Sossegue! Nada de drama
O que passou é lembrança
Que o futuro alcança
E fabrica todo dia
Saudade, sonho, alegria
O velho, o homem, a criança

 

Não há como te parar
Nem correr na tua frente
Então, paralelamente
Vamos fazer um contrato
Me dê de ontem um retrato
De hoje a intensidade
Que amanhã, qualquer verdade
Mesmo dura, serei grato

 

Um dia transpassaremos
Essa faixa de chegada
Aonde a roda é parada
E a morte já foi vencida
Sem corte, dor ou ferida
Com diferenças iguais
E tu nada mais serás
Que uma lembrança esquecida.

 

 

* Autor : Robson Aquino

Compartilhe esse texto com seus contatos:

5 Responses to VERSOS/POESIA : Meu Amigo e Desafeto/”…E tu nada mais serás/Que uma lembrança esquecida…” – Por Robson Maciel Aquino.

  1. mbt shoes black VERSOS/POESIA : Meu Amigo e Desafeto/”…E tu nada mais serás/Que uma lembrança esquecida…” – Por Robson Maciel Aquino. | Blog do Abelhudo

  2. João Roberto disse:

    Muito boa, Robson. Parrabéns.
    Abçs

  3. Benito Caraciolo disse:

    Caro Robson, belíssima poesia. Parabéns.

    Um abraços aos meus amigos “braúnas”.

  4. Paulo J.E.Foertster disse:

    Robson,

    O tempo passa e os “BARAÚNAS” cada vez mais estão se enraizando.

    Paulo J.Foerster

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *