SAÚDE/BEM ESTAR : CONVIVENDO COM A ALIMENTAÇÃO PARA O DIABETES. * / Solange Paraíso. ** – Colaboração de Eliane Soares.

 

 

Convivendo com a

alimentação para o diabetes

 

 

No Brasil, escolheu-se 26 de junho para alertar a população acerca dos cuidados de prevenção e tratamento do diabetes. Esta doença incide cada vez mais, no mundo inteiro. Era tida anteriormente como um mal típico de pessoas com idades mais avançadas (diabetes tipo 2), e sua ocorrência também entre crianças e adolescentes (diabetes tipo 1) estava fortemente associada à ineficiência da produção de insulina pelo pâncreas (sendo nestes casos uma determinação congênita). Sabe-se, hoje, que até esta parcela da população também já adoece de diabetes por causa dos hábitos de alimentação inadequados e pelo próprio sedentarismo.

Hoje, o surgimento do diabetes chamado tipo 2, típico de adultos, está cada vez mais associado a fatores ligados ao estilo de vida de cada um. Li em artigo recente, citado aqui mesmo, na Folha, que os indivíduos que comem muito rápido têm duas vezes e meia mais chances de desenvolver diabetes tipo 2, em comparação aos que comem devagar. Não surpreende esta informação, uma vez que o diabetes é uma doença metabólica; o próprio tempo de mastigação influencia na chegada do alimento ao estômago e na digestão dos carboidratos com subsequente transformação destes em glicose. Se não mastigarmos e engolirmos cada bocado de alimento devagar, duas coisas, no mínimo, vão ocorrer: a saciedade fica prejudicada e a chegada da glicose à circulação se dará mais rapidamente, podendo levar a um acúmulo indesejável.

Costumo dizer às pessoas que oriento: não podemos ainda mexer em nossas células, e não tem como devolver a hereditariedade, mas cabe a nós fazermos as escolhas e tomarmos as atitudes necessárias, e esta é a boa notícia para lidar com a doença. É claro que mudar o comportamento alimentar (e, para os sedentários, aderirem à prática regular de atividade física) é sempre desafiador, sobretudo num mundo em que o incentivo ao consumo é uma verdadeira ditadura.

A restrição alimentar mais específica para o diabetes é abolir o uso do açúcar simples, ou, como gosto de dizer: o açúcar do açucareiro. Mas, além dos açúcares cristal e refinado, o demerara e o mascavo, a rapadura, o melaço, o mel de abelha, a glicose de milho (popularizada como “mel Karo”) e todas as preparações com estes ingredientes caem na mesma regra. E os consumidores ainda têm que ficar de olho nos rótulos dos alimentos industrializados para ver se não contêm tais substâncias!

Já ouvi que algumas pessoas costumam usar uma estratégia de muito risco: aumentam por conta própria a dose dos hipoglicemiantes orais para “caírem de boca” no açúcar. A consequência pode ser desastrosa porque o metabolismo é coisa muito fina e sua regulação depende de inúmeros fatores, sem falar no ajuste da dose de cada medicação que, em geral, já é difícil de fazer.

Outra coisa que digo sempre às pessoas com diabetes é que as demais recomendações são hoje universais, pois toda a população deveria aderir para viver melhor e fazer a promoção da saúde propriamente dita. A moderação no consumo dos carboidratos simples, do sódio e das gorduras saturadas e do colesterol é hoje preconizada para todos os indivíduos, em qualquer faixa de idade.

Medidas saudáveis incluem a valorização do consumo de carnes magras, de pelo menos três porções de frutas e duas de verduras diariamente, a prioridade no consumo de alimentos ricos em fibra (como os cereais integrais, o feijão e as próprias frutas e verduras consumidas com casca, talos folhas, etc), e a ênfase no consumo de castanhas, amêndoas e nozes como boas fontes de “gordura do bem”, tudo isso em forma de alimentos os mais naturais possíveis.

Quando se trata de seguir uma dieta especial, uma coisa importante diz respeito à crescente necessidade de comer fora de casa, principalmente no almoço. Nestes casos, costumo incentivar a negociação entre os consumidores e os restaurantes que utilizam, no sentido de elaborar cardápios adequados. Se for para fidelizar o cliente, quem vai rejeitar? Outro aspecto que tento desmistificar é o de que “toda comida de regime é mais cara”. Cumprir um cardápio básico (leia-se: simples e saudável) para diabetes não tem mistério. O problema, para muitos, é ter de abrir mão de tanta comida industrializada. Aí só resta diversificar as receitas com alimentos naturais e consultar os rótulos para saber fazer escolhas corretas. E, ao final, a saúde agradece!

* Fonte : FolhaPE/Sabores

(Solange Paraíso é Nutricionista.)

 

** Autora :  Nutricionista/Solange paraíso.

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One Response to SAÚDE/BEM ESTAR : CONVIVENDO COM A ALIMENTAÇÃO PARA O DIABETES. * / Solange Paraíso. ** – Colaboração de Eliane Soares.

  1. André Muniz disse:

    Bom o artigo da Dra Solange postado aqui no Oabelhudo com uma linguagem fácil e bem direta enfocando os aspectos práticos da “dieta” para o paciente diabético. Reforça a tese que o estilo de vida é tanto causa como solução para esse grande problema de saúde.

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