CANETADAS ON LINE / Odete Andrada Alves – Por Jurandir Carmelo (*)

Professora Odete Andrada Alves.

Professora Odete Andrada Alves.

 

 

Trecho do prefácio do livro “Do âmago da Memória”

Escrito pelo acadêmico Walter Alves Ramalho.

Uma notinha aqui, outra ali, muitas linhas e muitos dias depois, todas elas entrelaçadas pelos personagens comuns ou pelos acontecimentos contemporâneos que lhes dão movimento e colorido, e eis a crônica social gravando, a cada instante que passa, a aventura maior de uma comunidade que vive plenamente, que escolhe os seus caminhos e forja sua cultura.

A morte de dona Odete de Andrada Alves enlutou a família pesqueirense, seus familiares e deixou órfãos corações amigos, como o de dona Zezé França e seu afilhado Aurélio, porque não o de Chico França, que lhe acudiu em pronto momento.

Já havia recebido o livro da escritora Odete de Andrada Alves, lançado no ano de 2003 (Editora Bagaço – Recife / Pernambuco), intitulado “Do Âmago da Memória”. Livro por mim sempre consultado, pois além das anotações de fatos e pessoas de Pesqueira, que retratam pedaços da nossa história da nossa terra, em determinada época, estão inseridas crônicas versando sobre a valoração humana, mostrando caminhos, reabrindo espaços, firmando esperanças. Livro que sempre consultei, nas horas precisas, para uma boa reflexão sobre o Eu, o de dentro de mim, do porque do que vem de dentro da gente que impulsiona as nossas ações nesse mundo exterior, tão cheio de caminhos e descaminhos. Caminhos retilíneos e sinuosos.

Ocorre que um amigo estava precisando de se reencontrar na vida, alguns descaminhos o tiraram da retilínea caminhada. Na sociedade ou no trabalho, ou mesmo na família em que convivia, estavam querendo que Ele não fosse ele, ou seja, que Ele seguisse caminhos indicados pelos outros. É como se me pedissem para que Eu deixasse de ser Eu, como tantas vezes já sugeriram. Fazer o que os outros querem fere a existência da pessoa. Jamais aceitei!

Pediu-me, portanto, o amigo para lhe indicar um livro de alto-ajuda. Ponderei, dizendo-lhe: para ajudar-se a si próprio é preciso conhecer o seu Eu, por dentro. Se não for assim não funciona. Depois é preciso querer mudar o rumo das coisas, da vida entediada daquele instante, das depressões, sobretudo, sociais e familiares. O homem entediado, o homem depressivo, vive com medo, e o medo o remete a mais profunda escuridão.

Disse ao meu interlocutor: Olha amigo o que mais está presente no mercado dos alfarrábios são os tomos de alto-ajuda. Existem centenas deles, milhares deles. Quem sabe, milhões nesse mundo a fora!

Pela beleza de suas expressões, se deles dependesse o caminhar da humanidade, talvez o mundo fosse outro, sem tanta violência, sem desvios de conduta. Seria, quem sabe, um paraíso de bem-aventurança, não esse inferno em que vivemos, vendo o pai matar o filho, a filha matar a mãe e o pai, a bala perdida tirar vida inocente, a torcida de futebol (organizadas ou não) virar espaço de extravasamento de recalques e violências mil, permitindo-nos conviver de forma quase que permanente com um quadro de tão profunda tristeza e de dor.

Mas tenho um livro aqui que não pretendendo ser um livro de alto-ajuda, repassa ao leitor inestimáveis lições que o leva a refletir sobre a vida, a partir do dentro para fora. Do coração e da alma para o mundo exterior das pessoas, levando-as a reflexões que o faz lembrar que Jesus existe. E Jesus é amor, é vida!

Fui à estante e peguei “Do Âmago da Memória”, da escritora Odete de Andrada Alves. Abri o livro na página 27. Estendi-lhe a mão e fiz a entrega do mesmo. Leia com atenção essa crônica escrita no dia 14.09.58, publicada no jornal ERA NOVA – (jornal da Diocese de Pesqueira), intitulada “Conhecer-se a Si Mesmo”, de autoria da professora Odete Marinho de Andrada. Aquela época, ainda solteira, dona Odete usava o sobrenome da mãe e do pai: “Marinho de Andrada”, mais tarde por força do casamento com o mestre Bianor, Odete de Andrada Alves.

O meu interlocutor, encostou-se à cadeira e leu o que estava escrito naquela crônica (transcrição a seguir):

“CONHECER-SE A SI MESMO” (Odete Marinho de Andrada > 14.09.58 – Jornal ERA NOVA)

“Não é difícil um conhecimento de nós mesmos, quando deixamos de ser indulgente com o nosso eu. A tarefa exige um acurado exame de consciência. Se não me conheço é que penso ser a espécie de pessoa que os outros desejariam que eu fosse. Talvez nunca me tenha perguntado se realmente desejo ser aquilo que os outros parecem querer de mim.”

A mentalidade reinante, atualmente, é a de se querer aparecer revestido de uma aparência enganadora, sem, contudo, deixar falar à própria essência. É a vaidade de competição, de ser integrado numa sociedade onde se faz perder a noção do amigo sincero, onde tudo perdeu a finalidade.

O homem foi feito para viver em sociedade.

Que a integre para ser fermento dessa massa heterogênea, dando o seu testemunho para o reajustamento das estruturas sociais mal concebidas.

Sendo outro num meio onde a grita de salvação se faz ecoar, estamos nobilizando o nosso mundo introspectivo, que outra coisa não é senão o conhecimento de nós mesmos.

Seja você mesmo, em qualquer circunstância que se lhe afronte. Aja consoante os ditames de sua consciência, sendo exato no âmbito de suas atividades habituais. E depois, num gesto entusiástico, expresse-se bem alto: O mundo só vai melhorar porque eu vivo, por causa da minha contribuição como verdadeiro cristão – (Jornal Era Nova – Pesqueira, 14.09.1958).

Pois bem, lida a crônica disse-me o interlocutor, com a voz tomada pela emoção, quase que embargada, a caminho de um estágio depressivo. Disse-me mais: É isso que estou procurando. Posso levar este livro? Sim, pode. Conseguirei outro!

Tempos depois, disse-me o amigo: “Tirei cópias xerográficas do livro de dona Odete e repassei a amigos e familiares meus que precisavam de uma ajuda espiritual, humana, materializada tão somente, de forma leve e precisa, do que vem do coração e da alma”.

Relatei esse fato a minha querida e saudosa amiga e sempre professora, dona Odete de Andrada Alves. Pois bem, dias depois Ela veio até a minha casa (no velho bairro do Prado) e trouxe-me um novo exemplar do seu “Do Âmago da Memória”, com a seguinte nota:

Ao amigo Jurandir Carmelo e família, este livro com atenção e amizade, Pesqueira, 27.06.2007.

Ao me fazer a entrega, disse-me: abra na pág. 39. Obra citada. Assim procedi. Há no livro a seguinte anotação: “foram à mesa da comunhão duas das crianças do jornalista Paulo de Oliveira e Sra. Ninfa Araújo Albuquerque. São elas: Paulo Carmelo e Jurandir Carmelo”.

E agora, outro presente. Abra a última página do livro. Assim o fiz. Nela encontrei o santinho de lembrança da primeira comunhão, minha e de Paulo, meu irmão primeiro, com a seguinte anotação.

SALVE 26 DE OUTUBRO DE 1958. “…Só o nome de JESUS, nos dá vida ao coração…”. “Tivemos a sua luz, na primeira comunhão.” Lembrança afetiva dos irmãos Paulo e Jurandir Carmelo Araújo de Oliveira. Ginásio Santa Dorotéia > Pesqueira, 26-10-58.

Sem palavras!

Capa Livro de Odete Andrada Alves  Cópia de Digitalizar0006

Caríssimos leitores de Canetadas.

Essa homenagem, como não poderia ser diferente, vem do tudo que dona Odete escreveu em seu livro, que bem retrata a pessoa exemplar e antes de tudo humana e cristã, que era. Na sua parte preambular, consta:

Do Âmago da Memória

Lembranças as mais sentidas

Testemunhadas pelo íntimo

Essência que se exala

Rememorando o que não se esvaiu

Porque o tempo, na sua magia,

Reconstituiu através do verbo

As memórias que permanecem.

(A autora)

Dona Odete sempre nos saudava com os seus gestos de fina educação e elegância, agasalhados pelo eterno calor que brotava do seu coração e alma. Era uma mulher que vinha de dentro para fora. Tudo nela e dela vinha do coração e da alma, da sua mais profunda essência cristã. Ela se doava às pessoas, compartilhava o bem comum, ajudando sem ver a quem, sem olhar posição social, financeira e/ou econômica. Ela se doava porque se doava, nunca foi o que os outros queriam que ela fosse como bem colocou em seu livro “DO ÂMAGO DA MEMÓRIA” – (pág. 27 – obra citada), crônica acima já citada.

Nascida em Custódia, passou por Amaraji, antes de chegar à Pesqueira, na qual ficou até o último dia 23/02/2013, quando o seu corpo velado na Academia Pesqueirense de Letras e Artes, da qual foi fundadora, membro efetivo, seguiu em cortejo até o Campo Santo, no bairro da Pitanga.

A pág. 245, obra citada, escreveu dona Odete:

Trindade Geográfica

Três cidade para se querer bem,

ao mesmo tempo,

é emoção demais

contida em meu ser,

com toda força afetiva:

uma que me viu nascer – Custódia;

a outra foi berço da infância – Amaraji;

esta completou o ciclo

da minha história de vida – Pesqueira.

O NASCIMENTO. OS AVÓS PATERNOS E MATERNOS; OS PAIS, OS IRMÃOS. OS SOBRINHOS E OUTROS FAMILIARES.

Avós Paternos: Henrique Gomes de Andrada Santos, conhecido por “Seu” Santos e Lídia Guilhermina de Novaes. Avós Maternos: Serapião Domingos de Rezende e Isaura Umbelina Rezende (Dondon).

Odete Marinho de Andrada era filha de José Guilherme de Andrada e Antônia Marinho de Andrada.

SOBRE O PAI: JOSÉ GUILHERME DE ANDRADA nasceu em Floresta – PE, no dia 05.09.1902. Passou a residir em Custódia – PE, no ano de 1922, entrosando-se com o seu irmão Guilherme Ernesto, em atividades comerciais. Casado (08.05.1930) com Antônia Marinho de Rezende, de família ali radicada. Mais tarde Antônia Marinho de Andrada. José Guilherme de Andrada foi nomeado Coletor Estadual de Custódia. Poucos anos depois, em 2ª entrância, exerceu essa função em Amaraji – PE. Transferido para Pesqueira – PE (1ª entrância), em 1944, se fixou com a família até sua morte ocorrida no dia 03.02.1954. É nome de Rua em Pesqueira.

SOBRE A MÃE: ANTÔNIA MARINHO DE ANDRADA Nasceu em Custódia, no dia 28.09.1909. Casada (08.05.1930) com José Guilherme de Andrada, Coletor Estadual em Pesqueira/PE.

Residindo em Pesqueira-PE, para onde o seu marido fora transferido, educou os filhos nos colégios locais, Santa Dorotéia, Cristo Rei e Seminário São José. Após a morte do seu esposo em 03.02.1954, acompanhou os seus filhos para formação superior, em Recife, onde faleceu no dia 15.05.1988. Contemplada “in memoriam” pela Câmara Municipal de Pesqueira, com o seu nome em uma das ruas da cidade.

IRMÃOS E IRMÃS DE ODETE MARINHO DE ANDRADA (ALVES). OUTROS FAMILIARES.

Com exceção de Mário Marinho de Andrada, que nasceu em Pesqueira, os demais irmãos nasceram em Custódia/PE.

TEREZINHA DE ANDRADA CARDOSO (TEREZA). Curso superior de Pedagogia pela UNICAP. Colaborou nos jornais: A Voz de Pesqueira (jornal de Eugênio Chacon), em edições periódicas, Era Nova (jornal da Diocese de Pesqueira), por três anos, com sua coluna “Circulando” e Pesqueira Notícias – (jornal de Chico Neves), em vários números. Prestigiada pela Câmara de Vereadores de Pesqueira, recebeu o título de Cidadania Honorífica, pelos relevantes trabalhos culturais ali prestados. Diretora da Escola de 1º e 2º Grau Fernando Mota, em Recife, aposentada. Foi casada com Ismael Gouveia Cardoso de Morais. São seus filhos:

José Guilherme de Andrada Cardoso, nascido em Pesqueira-PE, engenheiro civil pela UFPE e Lucinéa de Mello, Curso de Direito, exerce a função de Analista Judiciário do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) – 6ª Região. Residência: Recife-PE. Maria Alice de Andrada Cardoso, nascida em Caruaru-PE, pedagoga e funcionária do Departamento de Profissionalização da Cruzada de Ação social (Recife). Filho: Adriano de Andrada Cardoso Alves. Newton de Andrada Cardoso, nascido em Recife-PE, Curso de Direito pela UFPE, exerce a função de Gerente Geral da Financeira Fininvest, em Recife. Casado com Márcia Nóbrega de Andrada. Filhos: Maria Nóbrega de Andrada e Caio Nóbrega de Andrada.

GUILHERME MARINHO DE ANDRADA. Para Pesqueira, simplesmente padre Guilherme. (homem de vasta cultura foi professor do autor de Canetadas, no Ginásio Cristo Rei). De formação filosófica e teológica, com estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (Itália) e, presentemente, professor da Universidade da Paraíba. Casado com Ivanise de Novaes. Seus filhos: Mônica, Pedro, Patrícia e Guilherme, advogado.

OZINALDO MARINHO DE ANDRADA.

Reformado pela PM do Rio de Janeiro como Subtenente. Passou a residir em Pesqueira. Atualmente presta serviços à comunidade local, através da Prefeitura Municipal. Casado com a professora de ensino médio Rozane Maria Freitas Barros de Andrada. Filhos: José Mário e Ana Angélica Freitas Barros de Andrada.

LÍDIA MARIA MARINHO DE ANDRADA.

Grau superior de Assistente Social pela UFPE. Funcionária federal do Centro de Reabilitação Física e Profissional, com uma relevante atividade de reintegração do cliente no mercado de trabalho. Residência: Recife-PE. Sem descendente.

MÁRIO MARINHO DE ANDRADA. Nasceu em Pesqueira, no dia 23.03.1948. Exerceu durante o curto período de vida (26 anos), as funções de advogado. Como homenagem póstuma, prestada pela Câmara de Vereadores, uma das avenidas desta cidade tem o seu nome. Sem descendente.

Nota do autor de Canetadas: Tivemos Mário e Eu, uma infância muito presente na vida de Pesqueira, principalmente na adolescência, mesmo com a diferença de dois anos de idade, o que em determinado momento da vida pesa no “andar da carruagem”. Era com Paulo Carmelo, meu irmão, também nascido em 1948, que ele convivia mais, nas bancas escolares do primário (Grupo Rui Barbosa) e do ginasial (Ginásio Cristo Rei), nos campinhos de futebol (peladas Cristo Rei e Seminário), no futebol de salão (Quadra do Tiro de Guerra), também no futebol amador (Comercial). Entretanto a boemia nos ligou mais do que a Paulo Carmelo, que nunca foi boêmio, principalmente porque começou muito cedo trabalhando (16 anos) no escritório da Fábrica Peixe, sob o enérgico olhar do Dr. Moacyr Britto de Freitas.

Mário tocava bem o seu violão e, juntamente com saudoso Chico Neves (o outro) e Zé Bonga (José Luiz da Silva), entre outros, no Clube dos 50, adentrávamos a madrugada ou varávamos a noite, pelas ruas de Pesqueira, fazendo serenatas (subindo e descendo ladeiras, como o Lira da Tarde) para as namoradas do momento.

Mário, bastante jovem era um verdadeiro cavalheiro, de fina educação, como foram todos os filhos e filhas de dona Toinha e, também, de seu Zé Guilherme, a quem não conhecemos, pois este morreu muito cedo, em 1954, atropelado praticamente na calçada de sua casa, na antiga Rua 15 de Novembro, hoje Dr. Lídio Paraíba.

Mais tarde, a convite do professor Potiguar Matos, trabalhamos juntos no Serviço Social Contra o Mocambo, depois Serviço Social Agamenon Magalhães. Ele jovem advogado dava assistência jurídica ao Departamento de Pessoal, no qual tive a honra a assumir a chefia da pasta.

Em razão das funções que assumíamos, tivemos uma convivência diária. Foi lá no Serviço Social que Mário se sentiu mal pela primeira vez, chegando a desmaiar. Atendido pelo serviço medido interno, lhe foi recomendado descanso e fazer uns exames de saúde. Logo veio a triste notícia: Mário estava com leucemia, forte leucemia, que o levou à morte em tão pouco tempo, na sua tenra idade. Jovem cheio de idealismo, inteligente, o jovem advogado pesqueirense tinha sucesso garantido se a morte não o tivesse levado tão prematuramente.

Não poderia aqui, em Canetadas, quando faço esta homenagem a minha querida professora Odete, deixar de, igualmente, homenagear o Mário Marinho de Andrade. Um amigo do qual, após tantos anos, ainda, sentimos a sua falta, porque como dona Odete, tudo nele e dele vinha do coração e da alma.

ODETE E BIANOR

Dona Odete Marinho de Andrada casou com Bianor Alves da Silva no dia 04 de Janeiro de 1970. Bianor Alves da Silva foi Gerente das Casas José Araújo, em Pesqueira, por 57 anos consecutivos. Seu Bianor recebeu o título de Cidadão Pesqueirense no dia 10.12.1992. Do casamento não resultou filhos, portanto, sem descendentes.

Sobre Bianor Alves da Silva, escreveu a sua amada e autora do livro “Do Âmago da Memória”, pág. 270:

Voce e Eu

A dávida maior

Com que Deus abençoou

Toda a minha vida

É voce, Bianor.

Sua paz e dignidade

Enobrecem os meus sentimentos

E irradiam a alegria no meu constante viver.

Cúmplices dessa felicidade,

Trilhamos unidos,

Vencendo obstáculos

E criando momentos inesquecíveis.

Continuamos

Após 33 anos de convivência,

Mais identificados

E completos.

Obrigada por ter me elegido

E por ser a pessoa que é,

De quem me orgulho

E que reverencio

Com admiração e amor.

ODETE DE ANDRADA ALVES escreveu o padre Expedito Miguel do Nascimento Filho, na primeira orelha do livro “Do Âmago da Memória” – (Editora Bagaço / Recife – 2003).

É como se, de volta ao passado, estivesse eu ainda escrevendo sob o olhar da minha mestra de Admissão ao Ginásio (1961), sempre atenta ao menor deslize literário. Dona Odete fazia-nos trabalhar, com seriedade e constância do começo ao fim da aula. Daí, a primeira grande lição: não desperdiçar o tempo, que é ouro!

Quando a autora rememora nestas páginas, em estilo original, agradável e quase poético, os espaços físicos de sua vida feliz ao lado dos entes queridos, sentimos o pulsar de um coração pleno de amor pela vida e de gratidão.

Suas crônica atraentes, do Era Nova, fazem-nos perceber no talento de Odete Andrada, escritora.

– a filosofa (paixão pela verdade)

– a pedagoga (gosto de ensinar) e a missionária (anseio de evangelizar).

Os temas aí tratados começam por pertinente reflexão do existencial, passando por registro de eventos sociais da época – onde tantos rostos de hoje, marcados pelo tempo, de repente se deparam com os de sua infância ou mocidade – até finalizar por

um breve, mas profundo pensamento de esperança e de otimismo.

ODETE DE ANDRADA ALVES escreveu o professor Osvaldo Bezerra de Oliveira, na segunda orelha do livro “Do âmago da Memória”. (Editora Bagaço / Recife – 2003).

Lendo Do Âmago da Memória, criado e organizado pela mestra Odete Andrada, o leitor não deixa de fazer um retorno do ao tempo. A cidade de Pesqueira escreveu uma bela página da história das comunidades do interior de Pernambuco, no decorrer da segunda metade do século XX, focalizando os fatos marcantes da caminhada dos seus habitantes.

Através do seu livro, presta um inestimável serviço à história dos municípios, ali retratados, perenizando os acontecimentos vivenciados por todos aqueles que protagonizaram a construção da história das nossas cidades. Com sua crônica social, escrita num português castiço e literário, uma boa parte da memória da nossa comunidade é recuperada. Com certeza, muitas outras obras brotarão da mente arguta da nossa acadêmica.

Cultivo, no meu coração, um forte sentimento de gratidão, por ter podido privar da sabedoria desta mulher culta, religiosa e humanista, por onde tem estendido a sua ação benéfica e lúcida. É a contemplação do ontem, mostrando aos seus pósteros a irreversibilidade do quotidiano. (Osvaldo Bezerra de Oliveira – professor).

EMAILS RECEBIDOS SOBRE A MORTE DE DONA ODETE.

WALTER JORGE DE FREITAS noticiando a morte de dona Odete. Junto a Grande Nação Pesqueirense (GNP)

Com tristeza, informo o falecimento da amiga DONA ODETE ANDRADA.

Ela foi encontrada sem vida hoje de manhã e seu corpo foi encaminhado

ao IML – CARUARU – para os procedimentos de praxe.

Por favor, informem aos amigos, pois aqui na padaria, onde estou no momento, a internet é péssima. WALTER.

ISOLDA ASSIS E ROBERTO FARIA repassando a noticia da morte de Dona Odete, e fazendo rápido comentário. Em 23 de fevereiro de 2013. Isolda Assis

Amigos, somente agora foi possível eu repassar esta notícia como Walter me solicitou. Acredito que muitos de nós já estamos cientes desta ida inesperada (para nós), da nossa querida ODETE ANDRADA, para a Casa do Pai.

Foi como viveu: de maneira elegante, serena e com certeza na mesma paz com que sempre se conduziu. Linda existência, linda morte e grande exemplo de vida bem vivida.

Odete, querida, você sempre honrou e honra a Grande Nação Pesqueirense e foi um privilégio ser sua companheira de jornada nestes anos que estivemos juntas neste barco da vida! Para suas irmãs e irmãos nossa solidariedade na dor e na saudade.

Muita LUZ na sua jornada

Isolda, Roberto e família.

ÂNGELA FALCÃO DA ROCHA, ampliando a informação aos pesqueirenses. Hoje, dia 23/02/2013 recebi a notícia do Falecimento de Dona Odete Andrade, Professora da maioria dos pesqueirenses amiga de todas as horas de Tia Nair Falcão. Seu velório será em Pesqueira na sede da Academia de Artes e Letras (no prédio da Antiga Fabrica Rosa) e enterro será amanhã dia 24/02 às 9 horas em Pesqueira.
Grande abraço a todos da família e meus respeitos a Sr. Bianor, seu esposo.

Jurandir Carmelo comunicando a antecipação do sepultamento. Domingo, 24 de Fevereiro de 2013. Por decisão da família o sepultamento de dona ODETE foi antecipado. Assim sendo ocorreu ontem 23/02/2012, pelas cinco horas da tarde. Um bom número de pessoas esteve presente. Diversas foram as saudações à prestigiada professora.

JOSÉ IVO (RIO DE JANEIRO) preocupado a antecipação do enterro. Espero que esta antecipação tenha sido divulgada exaustivamente para permitir o comparecimento das pessoas ao sepultamento, porque sei que Odete sempre prestigiou as famílias, comparecendo ao sepultamento de qualquer pessoa da cidade, logo, mereceria a mesma atenção pelas famílias pesqueirense neste momento de emoção e dor. Abraços > Zé Ivo

FAMÍLIA DE LÍDIO LEAL DE BARROS (Diretor de Produção Cultural da Rádio Difusora de Pesqueira – anos 50/60) comenta a morte de dona Odete. Dona Odete foi um marco de elegância e cultura. Atitude discreta na história da geração que viveu em Pesqueira nas décadas de 50 e 60; lembro-me de Mário com carinho e saudade, lembro-me de Lidia, com admiração e a eles, a certeza do nosso sentimento de pesar, bem como a todos de Pesqueira que com certeza lamentam a perda de uma pessoa tão digna ! Nossos abraços, Johannes Maria Helena e toda a nossa família Belfort Leal de Barros.

PROFESSOR WALTER JORGE DE FREITAS. Em 23/02/2013, escreveu:

Dona Odete, além das qualidades já citadas por vocês, Maria Helena, José Ivo e demais amigos, a solidariedade era uma constante em todas as suas atitudes. Sexta-feira, por volta de oito horas, ao chegar em casa para o café da manhã, escutei Marilita falando ao telefone com uma pessoa. Era Dona Odete querendo falar comigo. Ao iniciarmos a conversa e sem perda de tempo disse que a moça que trabalhava em sua casa havia informado sobre um funeral que havia nas proximidades do Correio e que se tratava de uma pessoa muito querida dela, mas não soube informar o nome. Ela, provavelmente por causa da emoção e sem saber que o funeral era do Sr. Moacir Almeida, imaginou que fosse de uma pessoa bem conhecida cujo nome não vou revelar, mas é nossa colega de SOPOESPES – SOC. DE POETAS ESC. DE PESQUEIRA que também reside ali pertinho e é muito querida dos pesqueirenses. Pediu-me que confirmasse e providenciasse uma homenagem para ela, a companheira e amiga de todos nós. Desfiz o equívoco, ela lamentou pela morte do ilustre filho de Pesqueira e segundo eu soube, passou a tarde no velório e foi ao enterro, já que ela e Anita, eram amigas de longas datas. O presente relato é apenas para mostrar o quanto ela se preocupava com as pessoas que tinham o privilégio de tê-la como amiga. (WALTER)

GLÁUCIA MOTA comenta sobre dona Odete Andrada.

Walter, Odete era tão educada que aguentava as brincadeiras da gente e apenas sorria timidamente. Esclarecendo: Odete estudou o “normal” então resolveu completar o segundo grau entrando no segundo ano do pedagógico exatamente na turma da gente. Ela era reservada, mas não esnobava por saber mais que a gente. Quando ela começou a namorar Bianor aí foi que a gente aperreou e ela só fazia piscar os olhos. Ficamos amigas pra sempre. Glaucia.

LOURDINHA TENÓRIO – LÚ, irmã do professor Aluiz Tenório, comenta sobre a professora Odete Andrada.

Realmente, Odete era tão educada (fina) que as vezes até nos intimidava, muitas vezes queria dizer uma brincadeira e me reprimia em consideração a ela.

Sempre nos tratou com muita alegria e carinho. Só tenho recordações boas dela e vou guardá-las para sempre. Com certeza está num lugar bem privilegiado lá no andar de cima. Um abração para todos. Lú.

DO SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E IMPRENSA DO CABO DE SANTO AGOSTINHO, PERNAMBUCO, JORNALISTA E PESQUEIRENSE CARLOS SINÉSIO ARAÚJO CAVALCANTI, a seguinte mensagem:

Somente agora tomo conhecimento do falecimento de Dona Odete Andrada, pessoa que sempre admirei e de quem fui seu fã, apesar de não ter sido seu aluno. Notícia triste mesmo. Só nos resta rezar por ela e pedir a Deus que lhe dê (e dará) um bom lugar ao lado dos bons. Nossos sentimentos aos familiares e amigos. > Carlos Sinésio.

Prezados Leitores de Canetadas.

Fiz questão de colar essas mensagens, que nos foram enviadas no vai e vem de e-mails, aqui em Canetadas, em razão da demonstração de carinho e respeito de tantos – (permanecerá, em profusão, pois morte) para com a saudosa amiga dona Odete Andrada Aves. Outros emails não os publiquei em razão de espaço.

Mas, ao final destas Canetadas, não poderia deixar de transcrever essa linda matéria, que se segue, escrita por dona Odete, quando do Centenário de Pesqueira, também, publicada no seu livro “Do Âmago da Memória” (págs. 262 e 263).

CENTENÁRIA PESQUEIRA

Eu a imagino pequenina. Recém-formada. Embrião e promessa. Deve ter sido assim: uma meninazinha, misto de índia e português. Olhos claros de noite de luar e escorridos negros cabelos de trevas de noite. Deve ter corrido pelas veredas do mato, descalça e livre, simples e feliz. Assim eu a imagino, a Pesqueira que surge.

Depois, tomou ares de sinhazinha, calçou-se e entrelaçou fitas de ouro de sol pelos cabelos de noite. Pôs um leve e belo vestido branco, cheio de rendas de que é rica e dos bordados que vêm criando suas fadas artesãs.

Buscou ver seus domínios e conhecer seus potenciais. Do seio da terra, vê brotarem os vermelhos frutos cujo sangue transforma em alimento e doces. Vê chegar a violenta, alegre e brilhante revolução dos tachos caseiros às chaminés das fábricas. O odor puro dos frutos da terra enche o ar e cria riqueza para a jovem terra que se veste de vestes múltiplas e se cobre de riquezas.

Assim vai caminhando Pesqueira, de descoberta em descoberta, de produção em produção.

Vejo-a, porém, na sua grandeza maior, os numerosos filhos de valor intelectual e técnico a coroam da glória. O surgimento dos seus colégios a irradiarem a mais preciosa dávida: a dos conhecimentos e do pensamento. A força da idéia e da inteligência.

Agora, não é mais necessário imaginá-la. Aí a temos, diante de nós, a nos contar a sua história centenária. Jovem e sofrida. Jovem e realizadora. O século para uma cidade é tanto e tão pouco! Depende do que ela viveu. De tudo quanto criou e realizou seu povo.

Eis o cântico de glorificação a Deus e a mensagem ao homem. Eis a Pesqueira centenária a nos clamar por um esforço cada vez maior, em prol do seu crescimento, do seu progresso. > (Odete de Andrada Alves).

Estimados leitores

ÚLTIMO RECADO PARA DONA ODETE

À minha querida e saudosa professora dona ODETE DE ANDRADA ALVES, pesqueirense por adoção, licenciada em Pedagogia, que exerceu todo o período de magistério em Pesqueira, educando várias gerações e membro integrante da Academia Pesqueirense de Letras e Artes, em nome de todos os seus ex-alunos, mais ainda, em nome da minha terra Pesqueira, a mais efetiva e afetiva homenagem de Canetadas, que lhe teve, ao longo dos anos, como uma especial e ilustre leitora.

Jurandir Carmelo.

Saudades e descanse em paz!

(*) Autor: Jurandir e Gil Carmelo

Compartilhe esse texto com seus contatos:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *