COMPORTAMENTO: Ainda é Possível Acreditar em algum Político? (*)

Político tem conserto?

Charge Maurílio.

Charge Maurílio.

 Honestos e competentes? Não. Corruptos e incapazes é como vemos nossos políticos.

Apesar dos escândalos do mensalão e dos sanguessugas, quase 90% dos 513 deputados federais pretendem concorrer à reeleição em outubro. Isso sem falar no presidente e nos governadores que querem mais quatro anos. Então vamos às urnas renovar o quê?

A pedido de Seleções, o Instituto Gerp entrevistou mil eleitores em 11 capitais brasileiras para saber o que sugerem os cidadãos que votam no próximo mês para tentar fazer o que o Congresso Nacional não fez – tirar de circulação os políticos que colaboram para a má fama de toda a classe. Depois, telefonamos para alguns deles a fim de entender melhor o que estão sentindo. Os resultados trazem grandes lições e algumas surpresas, inclusive boas.

A desconfiança dos eleitores em relação aos políticos é tamanha que, entre as sugestões apresentadas, as mais votadas foram as ligadas à transparência (relatórios na Internet, transmissão pela TV das atividades do Congresso, publicação periódica em locais de fácil acesso das contas, salários e benefícios do presidente e de governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores).

charge do politico safado e eleitor idem

“Hoje não é mais possível ter fé em nenhum partido. Tem gente ruim e gente boa espalhada em cada um deles”, diz o ponderado Devanir Vieira dos Santos, 40 anos, vendedor autônomo de Manaus. No outro extremo do país, a comerciária gaúcha Karen da Rosa, 19 anos, muda o tom, mas não o sentimento: “Só muda a sigla do partido. Nenhum tem credibilidade.”

Mas só acompanhar os passos dos políticos não é suficiente. O que os eleitores querem também é pôr a mão na massa: sonham com uma participação maior da população, por meio de debates, audiências públicas e mecanismos da democracia direta, como plebiscitos e referendos.

A cientista política gaúcha Elizabeth Pedroso, entusiasta de uma maior participação política da população, lembra que o orçamento participativo, um mecanismo típico da democracia direta, já é praticado em Porto Alegre e com resultados positivos. “As pessoas criam novas formas de participação quando outras demonstram estar enfraquecidas.”

Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política da USP, também acredita que a participação popular traz benefícios para a democracia, mas alerta: “Não podemos nos iludir achando que só transparência e mecanismos de participação são suficientes para a mudança. A falta de confiança da população chegou a limites extremos.” O filósofo lembra que o mecanismo de consulta popular já foi usado duas vezes no Brasil (com o referendo sobre porte de armas, ano passado, e o plebiscito sobre regime de governo, em 1993), mas sem que fosse explorado ao máximo.

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Político tem conserto?

(*) Seleções Reader’s Digest / Por Dirley Fernandes

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2 Responses to COMPORTAMENTO: Ainda é Possível Acreditar em algum Político? (*)

  1. Ao observarmos a classe política no seu todo, independentemente do partido a que pertençam, o que vemos? «São todos corruptos», diz o povo, e já o imortal Eça de Queirós há 150 anos afirmava que «só os corruptos querem lugares no Governo» — passando a mensagem de que «homens de bem», por justamente terem valores mais elevados, nunca «desceriam» ao nível de aceitarem um cargo governamental ou no Parlamento. Nada mudou em 150 anos: àqueles que são eleitos para governar o país são moral e eticamente corruptos ou corruptíveis, e atraem justamente pessoas com a mesma ausência de escrúpulos para o Poder. Àqueles que eventualmente sejam «pessoas de bem», uma vez no Poder, perdem os escrúpulos. Já Lord Acton nos advertia que «o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente».

    • Dom Pablito disse:

      Caro Hermano. Seu comentário é, como sempre, objetivo e contundente. Realmente temos uma classe política, muito comprometida no que diz respeito a moral e a ética. Temos, sem dúvida alguma, uma classe política INFERIOR ao povo, mesmo que por esse mesmo povo tenha sido eleita. Temos, também, bons políticos que, entretanto, são em número bem razoável, mas não têm a mesma divulgação que os assuntos comprometedores ganham na nossa imprensa. Sim! É crível que a mídia dá enfoques extravagantes a todos os assuntos que denigrem a classe política em detrimento das boas notícias.

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