Artigo/Opinião: Yes, Nós Temos Arenas… – Por Walter Jorge de Freitas *

 

YES, NÓS TEMOS ARENAS

 

 

 

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“Estivessem os compositores carnavalescos contemporâneos mais atentos, não faltariam motivos nos dias atuais para servirem de temas para frevos e marchinhas”.

“Essa irresponsável invenção de fazer uma Copa do Mundo aqui no Brasil, por exemplo, seria um prato cheio para os antigos compositores, principalmente os cariocas”.

 

 

Vai voltar tudo de novo. É por isso que dizem: velho é bicho besta. Mal começa janeiro, eu fico a me lembrar daquelas marchinhas carnavalescas dos anos cinquenta e sessenta, que por terem sido muito tocadas no rádio, ficaram “remoendo” na minha cabeça.

Seus autores, notáveis cronistas sociais, conseguiram enorme sucesso por causa das letras feitas com o intuito de criticar as situações vivenciadas nas metrópoles brasileiras, aproveitando-se sempre do período de carnaval, quando as multidões estavam nas ruas e nos clubes.

A crise do fornecimento de água e luz no Rio de Janeiro serviu de inspiração para que Paquito e Romeu Gentil compusessem a marcha Tomara que Chova. Vitor Simão e Fernando Martins brindaram os foliões com Vagalume, cuja letra diz: Rio de Janeiro/ Cidade que me seduz/De dia falta água/de noite falta luz.

João de Barro fez Yes, Nós Temos Bananas, em parceria com Alberto Ribeiro. Confesso que não sei a que problema essa música fazia referência, mas ela alcançou relativo sucesso a partir do ano de 1938.

João Roberto Kelly, autor de inúmeros sucessos carnavalescos, marcou um gol de placa ao compor com Floriano Faissal a marcha A Cabeleira do Zezé, que segundo ele, surgiu de uma brincadeira com um garçom do Copacabana Palace, porque sua cabeleira chamava a atenção naquela época. O apelido Zezé é fictício. Jorge Goulart gravou  e conquistou o Brasil com o seu vozeirão. Ainda hoje é uma das mais cantadas.

Estivessem os compositores carnavalescos contemporâneos mais atentos, não faltariam motivos nos dias atuais para servirem de temas para frevos e marchinhas.

Essa irresponsável invenção de fazer uma Copa do Mundo aqui no Brasil, por exemplo, seria um prato cheio para os antigos compositores, principalmente os cariocas.

O Mensalão, a falta d’água e os constantes desligamentos de energia elétrica no Rio e outras cidades brasileiras, certamente não passariam em branco. As mentiras dos  nossos políticos, os discursos de Lula e Dilma, o “reinado” da família Sarney, a santidade do casal Garotinho, as “verdades” de Maluf, o Rio novamente sem água e energia, também dariam bons enredos..

Mudando um pouco o rumo da conversa, neste início de semana, emissários da FIFA voltaram a fiscalizar as obras projetadas para a Copa do Mundo.

Embora o governo negue, sabemos que a maioria do que foi prometido não sairá do papel. Os governantes juraram que não entraria dinheiro público, mas está ocorrendo justamente o contrário. Tudo em nome da emergência. As empreiteiras estão adorando!

O certo é que teremos as arenas, os jogos e tudo mais relacionado com o maior torneio de futebol do Globo, entretanto, grande parte da população brasileira continuará sem contar com boas escolas públicas, nossas universidades cada vez mais sucateadas, a saúde pública sem atender às carências dos cidadãos mais pobres, os aeroportos recebendo “puxadinhas” em vez de melhoramentos, a nossa malha rodoviária em estado deplorável e os presídios transformados em depósitos de gente.

E tem mais um detalhe: depois da Copa, alguns estádios (ou arenas), ficarão sem serventia e provavelmente em pouco tempo estarão em ruínas, numa gritante afronta à pobreza que campeia em boa parte do território brasileiro.

 

 

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* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, professor, comerciante, cronista, colaborador do blog OABELHUDO, poeta, contista e pesquisador musical.

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One Response to Artigo/Opinião: Yes, Nós Temos Arenas… – Por Walter Jorge de Freitas *

  1. Me ajudou muito com a minha pesquisa. Leitura facil e interessante!

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