Movimento Cultural/Crônica: Os Anos Dourados e o Clube dos Radicais – Por Walter Freitas *

OS CLUBES SOCIAIS

DOS ANOS DOURADOS

 CLUBE DOS RADICAIS

 

 

A sociedade pesqueirense teve o privilégio de contar com vários clubes sociais entre as décadas de quarenta e oitenta, período em que as fábricas estavam em pleno funcionamento e o comércio era bem movimentado. Havia boa oferta de empregos e existiam clubes para todos os gostos e posses.

Quem vivenciou esse período, certamente desfrutou dos bons e inesquecíveis momentos proporcionados pelas festas e encontros sociais realizados pelos clubes da época, a saber: Radicais, Clube dos 50, União, Atlético, Comercial, SESI, BNB e Clube de Campo.

Das associações acima, guardo recordações bem marcantes do simpático CLUBE DOS RADICAIS, por ter sido nele que iniciei ainda quase garoto, a minha participação em eventos sociais. Isto na condição de convidado, pois a minha idade não permitia que me associasse, segundo os estatutos.

(Posse da diretoria do Radicais em 1961)

Em todos, era praxe exigir-se dos frequentadores que os mesmos fossem sócios. O Clube dos Radicais não fugia à regra. Para fazer parte do seu quadro social, o rapaz era apresentado por um  sócio, que ficava responsável pelo seu comportamento durante um determinado tempo.

Decorrido esse período de experiência em que o convidado tinha os seus “passos” devidamente observados pela diretoria, o seu nome era submetido à apreciação pela comissão de sócios, em reunião específica e sigilosa.

Se a proposta fosse aprovada, o seu signatário recebia um ofício comunicando a sua admissão no quadro social. Caso contrário, a secretaria do clube mandava o que se chamava de “bilhete azul”, informando que o mesmo não podia mais frequentar as suas dependências. Essa situação constrangedora se aplicava normalmente àquele que durante o período de experiência cometera algum deslize. Guardava-se rigoroso sigilo.

Quando demonstrei interesse em tomar parte nas festas do referido clube, um amigo me fez uma recomendação: “trate logo de mandar fazer um uniforme”. É que nos bailes, inclusive festas juninas, o uso o “terno” era imprescindível naquela época.

Outro detalhe interessante é que por ocasião das festas não havia a hoje indispensável bilheteria. Os cavalheiros cientes de suas obrigações pecuniárias com o clube procuravam espontaneamente dar a sua colaboração. Aqueles que eram conhecidos como “escorões”, um membro da diretoria discretamente convidava para contribuir com a famosa “cota” para pagar à orquestra.

O fato de ser localizado no centro da cidade- a exemplo do Clube dos 50– fez com que o Clube dos Radicais fosse bem frequentado todas as noites por jovens que se reuniam para conversar, assinar o ponto no bar ou ouvir jogos de futebol no velho rádio, salvo engano, da marca Mullard. Existiam até ouvintes cativos do programa A Voz do Brasil..

Lembro, ainda, de uma grande programação social realizada no final da década de 50, nos seus salões: uma festa denominada de GRANDE NOITE INTERNACIONAL, se não me falha a memória (quem se lembrar, pode corrigir). Sua finalidade era apresentar ritmos de vários países e para tal, foram convidados os melhores dançarinos da cidade e da região. Naquela noite memorável, o SAMBA, o bolero, o twist. a rumba, o mambo, o tango e outros gêneros, tiveram em Lenildo Martins, Galego de Moacir, Milton Cadengue, Luiz Carlos (Leça) e mais alguns pés-de-valsa, os seus mais dignos representantes. Foi um sucesso! Deixo de citar os nomes das damas que embelezaram a festa por não estar devidamente autorizado, visto que o evento ocorreu há mais ou menos cinquenta anos.

Das manhãs-de-sol, guardo bem viva na lembrança uma que aconteceu no dia 29 de junho de l958, quando o Brasil conquistou o primeiro título de Campeão Mundial de Futebol. Dá para esquecer?

Ainda hoje tenho a impressão de que estou ouvindo LIU e VENÂNCIO (afinadíssimos) tocando aquelas belas músicas que apesar do tempo, permanecem presentes em minha memória.

E nas festas de São João, era o excelente conjunto de Jorge da Sanfona quem enchia de alegria o coração da moçada. O sempre sorridente Mané Piaba era um cantor e pandeirista que sempre fazia parte do animado grupo musical.

Ah! Quanta saudade! Em outra oportunidade, falarei dos outros clubes.

 

Pesqueira, março de 2006. (Essa crônica foi postada pelo OABELHUDO em 08 de novembro de 2013)

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta e pesquisador musical.

 

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