Daily Archives: 10 de novembro de 2014

Artigo/Opinião: O Lulismo, o Dilmismo e o PSDB em 2018 *

 Lulismo? Dilmismo?

 O que vem para 2018

 

 

 “…O dilmismo surgirá caso os desafios econômicos presentes sejam superados com sucesso pelo governo Dilma. E a superação dos desafios não é tarefa impossível. É tarefa plausível. Os desafios econômicos principais são: controles fiscal e inflacionário e retomada do crescimento econômico.”

 

A candidatura presidencial de Lula em 2018 possibilitará a manutenção do PT no poder por longo tempo e impedirá o surgimento de um candidato competitivo estranho ao PT e ao PSDB – Hipótese. Tal afirmação será verdadeira caso o dilmismo surja. Neste caso, o dilmismo nascerá do lulismo e a sua robustez impedirá o enfraquecimento do lulismo. E se o lulismo não sofrer enfraquecimento, ele tende a manter, junto com o dilmismo, o poder.

O raciocínio apresentado não deve ser desprezado pela oposição. O dilmismo surgirá caso os desafios econômicos presentes sejam superados com sucesso pelo governo Dilma. E a superação dos desafios não é tarefa impossível. É tarefa plausível. Os desafios econômicos principais são: controles fiscal e inflacionário e retomada do crescimento econômico.

Arrocho fiscal em 2015, amenização da crise econômica mundial e recuperação da economia americana. Estes eventos podem estar presentes na conjuntura econômica brasileira em 2015. E se estiverem, o governo Dilma adquire condições de superar os desafios apresentados.

Em governos bem avaliados, a oposição perde força. Este é o perigo para a oposição. Se os desafios forem superados com sucesso pelo governo Dilma e os indicadores sociais, em virtude dos programas sociais, melhorarem ou não declinarem, o dilmismo surgirá. E diante do dilmismo, o lulismo permanecerá positivamente com força na memória de parte dos eleitores.

Mas existem os desafios políticos. O PSDB tem quadros para se contrapor à presidenta Dilma? Aécio precisa mostrar disposição e argumentos para fazer oposição. Ressalto, contudo, que Aécio é, hoje, um senador enfraquecido eleitoralmente. Aécio perdeu por duas vezes a eleição presidencial este ano – 1° e 2° turnos. E obteve menor porcentual de votos do que Dilma em Minas Gerais, o seu estado de origem política.

Soma-se a isto, o fato de que Aécio obteve esplêndida votação em São Paulo. Mas diante desta realidade indago: Aécio obteve excelente votação em São Paulo em virtude de Alkmin ou em razão do desgaste do governo Dilma, em particular na capital? Ambas as variáveis são causas plausíveis e atuam conjuntamente. Portanto, Aécio não conquistou eleitores. Foram variáveis, estranhas ao seu desempenho pessoal-político, que lhe proporcionaram sucesso eleitoral em São Paulo. Tal tese deve ser considerada para outras regiões, como Sul e Centro-Oeste.

Alckmin é, neste instante, a força futura do PSDB. O sucesso da nova gestão de Alckmin em São Paulo poderá lhe dar condições de impedir o resgate da força eleitoral do PT. Se isto ocorrer, Alckmin será o candidato do PSDB ao Planalto em 2018. Porém, e o votos do Nordeste, continuarão com o PT?

Assim como Alckmin tem condições de exercer com sucesso o seu governo em São Paulo, Haddad também tem na capital paulista. Com isto, Haddad terá condições de recuperar popularidade para o PT. Caso isto ocorra, Alckmin perde força para vencer a eleição presidencial no estado de São Paulo, em 2018, caso seja candidato.

O PSDB tem Alckmin para ofertar aos eleitores em 2018. O PT tem Lula e Haddad. Todos estes três atores precisam de condições favoráveis, obviamente, as quais foram apresentadas, para serem candidatos competitivos na próxima disputa presidencial. E Aécio terá condições de ser candidato a presidente em 2018? Sim, caso Alckmin sofra processo de enfraquecimento. E se ele conseguir tem bom desempenho como senador oposicionista.

E Marina? As chances de Marina não são claras neste instante. Lembro, cisnes negros surgem e interferem nas previsões.

Adriano Oliveira

*Adriano Oliveira é professor e cientista político. – Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE – Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE. Colaborador do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. Sócio da Contexto Estratégia

BRASIL: Polícias brasileiras mataram em 5 anos o que americanos em 30 anos – Dados e Custos da Violência são altíssimos *

 

 

 

 

Violência custou 5,4% do PIB em 2013, mostra

Anuário de Segurança Pública

 

 

 

 

A violência gerou ao Brasil um custo de R$ 258 bilhões, em 2013, o que representa 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados são da oitava edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pela organização não governamental Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A maior parte do valor está relacionada ao custo social da violência – que inclui despesas com mortes e gastos com saúde – um total de R$ 192 bilhões no ano passado. A íntegra do levantamento será divulgada amanhã (11).

O cálculo do custo da violência reúne também os gastos com prisões e unidades de medida socioeducativas (R$ 4,9 bilhões) e com segurança pública (R$ 61,1 bilhões). Considerando as despesas da União, dos estados e dos municípios, houve um incremento de 8,65% em relação ao ano anterior. A conclusão do FBSP é que as despesas da área de segurança pública são mal administradas. De acordo com a organização, o Brasil gasta três vezes mais com os problemas gerados em decorrência de ineficiências de segurança, do que com a pasta em si.

Leia a Íntegra:

 

Violência custou 5,4% do PIB em 2013, mostra anuário

 

No Brasil, seis pessoas são mortas diariamente

por policiais, mostra Anuário

 

(Em 5 anos as polícias brasileira mataram 5 vezes mais do que as polícias dos Estudos Unidos da América)

 

As polícias brasileiras mataram, durante o serviço, 2.212 pessoas em 2013, apontam dados da oitava edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pela organização não governamental Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em média, são 6,11 mortos por dia. O número é menor do que o verificado no ano anterior, quando 2.332 pessoas foram mortas pela polícia no Brasil. A íntegra do documento será apresentada amanhã (11) na capital paulista.

Apesar da queda, o FBSP avalia que a diferença não indica uma melhora ou tendência de mudança. A organização aponta que é preciso rever o padrão de atuação das forças policiais. O fórum foi criado em 2006 com objetivo de construir um ambiente de cooperação técnica na área de atividade policial e na gestão de segurança pública. O anuário apresenta dados sobre custo da violência, gastos de segurança pública, estatísticas de crimes e violência, efetivo de polícias e população prisional.

O levantamento releva ainda que, nos últimos cinco anos, a polícia matou 9.691 pessoas. O número é cinco vezes maior do que o verificado nos Estados Unidos, onde 7.584 pessoas foram mortas pela ação policial nos últimos 20 anos. Se forem somados os casos em que os policiais agiram também fora de serviço, o total chega a 11.197. Os dados norte-americanos apontam 11.090 mortes em 30 anos.

Saiba Mais

 

* Fonte: Agência Brasil/Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil

Artigo/Opinião: Que tipo de Idiota merece o Troféu “Seu Lunga”? *

 

Troféu “Seu Lunga”!

Quem se habilita?

 

(Seu Lunga – Joaquim dos Santos Rodrigues, cearense do Juazeiro do Norte)

 

Existem os inofensivos e os de alta periculosidade, estes, em geral, ativos, influentes, imodestos. Aliás, alguém já disse que, atualmente, “o idiota perdeu a modéstia” o que é um corolário da constatação genial de Nelson Rodrigues: “O grande acontecimento dos nossos dias foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”.

Um dos meus dez fieis leitores, ou seja, 10% deste vasto universo, me cobrou: “Como é cara? Não escreve mais?”.

De fato, resolvi dar um tempo diante do bate-boca eleitoral e do furor analítico que tomaram conta da mente e do coração dos brasileiros. Afinal, nada acrescentaria ao acalorado debate, não poucas vezes, contaminado pelo veneno da ofensa.

Enquanto a pauleira corria solta, não sei por quê, uma súbita associação de ideias me fez refletir sobre o idiota. Talvez, uma autoanálise que me denunciava como o próprio idiota.

Que tipo de idiota? Eis uma questão pertinente (no meu caso, deixo o enquadramento a critério do leitor). Com efeito, a palavra idiota, desgarrada da origem grega (pessoa leiga, o homem privado face ao homem público) e do diagnóstico psiquiátrico, tem dois significados.

De um lado, o significado inspirado no personagem central da obra canônica de Dostoiévski, O Idiota, na qual o príncipe Michkin é criatura benevolente, generosa, ingênua, portadora de pureza e de compaixão reveladoras de um ser inadaptado ao mundo perverso; de outro lado, está o significado corrente que empresta ao idiota uma cesta de sinônimos, entre os quais, estão: cretino, tolo, pateta, palerma, parvo, abobalhado, abilolado, energúmeno, estúpido, leso, mentecapto, banana, bocó, desmiolado, pato, mané, etc.

Ora, diante desta amplitude, quem não cometeu idiotices, atire o último sinônimo! Cuidado, é pecado, diz a Bíblia, atribuir ao próximo a pecha de idiota.

Assim sendo, é preciso identificar tipos: existe o idiota ocasional e o idiota fundamental; o idiota, pessoa física, e o idiota coletivo, o maria-vai-com-as-outras, a massa, o rebanho, a manada, a multidão, o consumidor, o torcedor, o eleitor. Todos, vulneráveis à manipulação.

Existem os inofensivos e os de alta periculosidade, estes, em geral, ativos, influentes, imodestos. Aliás, alguém já disse que, atualmente, “o idiota perdeu a modéstia” o que é um corolário da constatação genial de Nelson Rodrigues: “O grande acontecimento dos nossos dias foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”.

E o que tem “Seu Lunga” a ver com isso? Seu Lunga, Joaquim dos Santos Rodrigues, cearense, residente em Juazeiro do Norte, estabelecido no ramo do comércio de sucata, tornou-se conhecido como o homem mais ignorante do país, rude, grosso que nem papel de embrulhar prego e, sobretudo, implacável combatente da idiotice.

Seu Lunga fica arretado quando contam suas histórias. Diz que é mentira. Não adianta. Virou verdade. São tiradas saborosas. Aí vão algumas: Seu Lunga estava coçando a cabeça por cima do chapéu. Aí um cara perguntou: “Seu Lunga, por que não tira o chapéu?”

Seu Lunga, rápido no gatilho: “Você tira a calça pra coçar a bunda?”. Seu Lunga estava sentado no ônibus e, ao lado, o lugar vago, aí o cara perguntou: “Seu Lunga tem alguém sentado do seu lado?”. “Se tem, tô cego. Num tô vendo”. Seu Lunga ia saindo de casa e deu de cara com o vizinho. “Bom dia, Seu Lunga, para onde vai tão cedo”.Vou pro enterro do Chico”. “E Chico morreu”. “Não. A família se reuniu e vai enterrar Chico vivo mesmo”.

Seu Lunga levou o carro pra oficina. O mecânico perguntou: “Seu Lunga esse carro ronca”?
“Sei não. Ele dorme na garage”. Um amigo encontrou Seu Lunga: “Nunca mais vi o sinhô.
Por onde o sinhô anda?”. “Pelo chão mesmo. Ainda não aprendi a voar”.

No dia da eleição, Seu Lunga, abusadíssimo, foi votar. A jovem mesária perguntou: “Veio votar, Seu Lunga?”. “Não. Vim doar sangue para o bem do Brasil”.

Por essas e outras, foi instituído o troféu “Seu Lunga”, um prêmio para as pessoas que, a exemplo dele, contribuem para reduzir a Taxa de Idiotice Nacional – TIN. Conte sua história e envie para o seguinte endereço: bradoretumbante@giganteadormecido.com E fique tranquilo. A Comissão Espertobras julgará, com decência e isenção, os casos apresentados.

Gustavo Krause

 

* Autor: Gustavo Krause  –  Professor Titular da Cadeira de Legislação Tributaria, é ex-ministro de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, no Governo Fernando Henrique, e da fazenda no Governo Itamar Franco, além de já ter ocupado diversos cargos públicos em Pernambuco, onde já foi prefeito da Capital e Governador do Estado.

Política/Entrevista: Pedro Simon: “Descarregaram uma metralhadora na Marina. Ela sucumbiu” *

 

Pedro Simon:

o novo Congresso é uma piada

 

 

Às vésperas de se despedir do Senado, no qual esteve por 32 anos, o senador gaúcho diz que o Parlamento nunca esteve tão mal e que vai aproveitar a aposentadoria para pregar uma nova forma de fazer política

 

(Senador Pedro Simon:Descarregaram uma metralhadora na Marina. Ela sucumbiu”)

 

Último remanescente dos chamados “autênticos” do velho MDB, grupo que fazia a oposição mais radical ao governo militar, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) encerra uma trajetória política iniciada como vereador em 1960 e marcada pelo espírito combativo, pela defesa da ética e pela oratória demolidora. Com 32 anos de Senado, é um feroz crítico do Parlamento, das siglas partidárias e do sistema eleitoral. Nas palavras dele, o novo Congresso é “uma piada”, a forma de eleição dos deputados brasileiros é a pior do mundo e os partidos não passam de uma “esculhambação”. “O Congresso nunca esteve tão mal”, avalia em entrevista à Revista Congresso em Foco.

Fiel ao velho MDB, enterrado, segundo ele, com Tancredo Neves, o senador experimentou seu último protagonismo de maneira discreta: partiu dele a sugestão a Marina Silva de se filiar ao PSB e firmar parceria com Eduardo Campos. “Descarregaram uma metralhadora na Marina. Ela sucumbiu”, lamenta, ao explicar a derrota da ex-colega.

Por Marina, Simon desistiu de última hora da aposentadoria, anunciada há dois anos, e lançou-se candidato à reeleição, substituindo o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), conduzido a vice após a morte de Eduardo. Assim como a ex-senadora, acabou em terceiro lugar. Mas passou o bastão ao filho Tiago Simon, de 44 anos, eleito pela primeira vez deputado estadual.

Discípulo da Ordem Terceira de São Francisco desde 2000, Simon afirma que, aposentado, correrá o país pregando uma nova forma de fazer política. “Os que querem o mal ou usufruir vantagem terminam se unindo, se dando as mãos. E os outros, os chamados autênticos, que querem o bem ficam isolados. Temos de mudar isso.” Simon deixará o Senado em 31 de janeiro de 2015, dia em que completará 85 anos.

Revista Congresso em Foco – Este é o pior Congresso do qual o senhor participou?

Pedro Simon – Não falo em pior nem em melhor. É a circunstância que estamos vivendo. Não tem mais o que fazer. Qual é o próximo escândalo depois da Petrobras? Como é que vamos começar no ano que vem? Na base do “é dando que se recebe”? É preciso que o Palácio do Planalto reúna o Congresso para governar com seriedade de um modo muito especial. Todos dizem que querem uma reforma política, uma reforma partidária, uma reforma na economia, um novo pacto social. Então vamos fazer isso. Precisamos de um governo de entendimento geral, tal como houve no Itamar. O PT, o PSDB e o PMDB têm de se reorganizar para fazermos uma eleição pra valer daqui a quatro anos. Não digo que o próximo deva ser um governo de transição, mas que tem de fazer a transição. É uma oportunidade que temos.

R.C.F. – Depois das manifestações do ano passado, acreditava-se em uma grande renovação no Congresso, que não houve. Por quê?

P.S. – Porque o momento não permite. O escândalo do mensalão foi grande demais. A mocidade foi às ruas espontaneamente, sem partidos, exigindo mudanças, um Brasil novo. O governo errou ao tratar os condenados no mensalão como heróis. A classe política caiu em descrédito. CPIs, como a do Cachoeira, só jogaram a sujeira pra debaixo do tapete. O governo e os parlamentares ficaram muito desgastados. Muitas pessoas não aceitaram em hipótese alguma serem candidatas. Conheço pessoas sérias, advogados, médicos, empresários, professores, que não aceitaram concorrer. Além disso, o candidato à reeleição tem muita vantagem. As emendas parlamentares, que somam R$ 15 milhões para cada congressista, muitas vezes decidem uma eleição.

R.C.F – Como resolver esse quadro?

P.S. – Temos o pior sistema de eleição para deputado do mundo. O normal é eleição com voto distrital, que não tem nada a ver com isso e reduz o gasto. É como uma eleição para prefeito. No município, em geral, ganha o candidato que tem mais credibilidade e respeito, não o que tem mais dinheiro. Hoje um deputado tem de trabalhar nos 500 municípios do Rio Grande do Sul para ganhar voto. Não trabalha em nenhum. Se botássemos o voto distrital, na segunda eleição, este Congresso seria uma maravilha. O candidato trabalharia para o seu recanto.

R.C.F – Em relação ao novo Congresso, do qual o senhor não participará, que avaliação o senhor faz?

P.S. – Serão 28 partidos na Câmara e 17 ou 18 no Senado. Uma matéria de maior importância vai ter 28 comunicações de líder. É uma piada. Não existe. Como vamos reunir uma bancada de 40 caras para tomar uma decisão no Congresso? Tem de sair logo essa reforma partidária. Se não a fizerem, será impossível a convivência.

R.C.F. – O que o senhor fará fora do Congresso? É o fim da política na sua vida?

P.S. – Pretendo fazer o que o Teotônio Vilela fez: percorrer o Brasil. Recebo um número muito grande de convites, principalmente de estudantes e entidades de classe, para fazer palestras. Mas não tinha tempo. Agora vou fazer isso. Temos que estimular políticos, professores e intelectuais a criarem um movimento em favor do Brasil.

Leia a íntegra da entrevista na Revista Congresso em Foco

Mais sobre o novo Congresso

* Fonte; Congresso em Foco/Edson Sardinha