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História: Banco do Brasil em Arcoverde – Por Pedro Salviano Filho (*)

Agência do Banco do Brasil de Arcoverde, 068-X, fez 93 anos. Foto Jornal de Arcoverde, outubro 2016. goo.gl/4WBcgt

 

Procurando dar visibilidade a um importante acontecimento histórico de Arcoverde, apresentamos mais alguns dados sobre a vila Rio Branco. Em 1923 o distrito de Pesqueira vivia uma fase de expansão econômica iniciada 11 anos atrás com a chegada da ferrovia e incentivada pelas feiras de gado, pela implantação da SANBRA, pelo seu comércio crescente, novas estradas etc. E foi nesse cenário que o Banco do Brasil instalou sua agência n. 0068-X, goo.gl/mwkP4U , em 18-07-1923, a primeira no interior de Pernambuco. E numa vila de Pesqueira! Naquele ano também instalou a segunda do interior, que começou a funcionar no final do ano, 28-11-1923, em Garanhuns, a 0067-1, goo.gl/KPtdbR.
Assim, apesar de um pequeno período de interrupção de funcionamento, cerca menos de dez anos, a agência já completou 93 anos, sendo, portanto, a mais antiga do interior de Pernambuco. Saliente-se que a primeira agência do Banco do Brasil em Pernambuco foi a da av. Rio Branco, a 0007-8, no Recife, em 12-08-1913, goo.gl/wtFdCE.

A história do Banco do Brasil já está bem pesquisada, inclusive com publicações na web. Ex.: História do Banco do Brasil, Volumes 1 a 4: goo.gl/jgOF3h, goo.gl/Kc5YgE , goo.gl/A7OXfG e goo.gl/aB9Yqq. História do Banco do Brasil 1906 a 2011, de Fernando Pinheiro: goo.gl/c3x6fP

A história do Banco do Brasil em Pernambuco mostra que a implantação da sua primeira agência começou em 1912, como revelam jornais da época:
04-11-1912- A Noite- RJ, goo.gl/Ch5z8T, 1ª col.: «O sr. Cunha Rabello apresentou requerimento pedindo informações sobre a criação de uma caixa filial do Banco do Brasil em Pernambuco.»
17-06-1913 – A Província, goo.gl/c8399q, 6ª col.: «Agência do Banco do Brasil. Vindo do Rio de Janeiro, a bordo do paquete S. Paulo, acha-se nesta cidade, desde ontem, o dr. Velloso Pederneiras, cujo fim é instalar nesta cidade uma agência do Banco do Brasil. É agente o dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade.»
12-08-1913 – A Província, goo.gl/y644ww , 2ª col. «De dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade e Francisco Velloso Pederneiras, pedindo registro de suas nomeações de gerente e contador da agência do Banco do Brasil, neste estado – registrem-se.»
O livro “O Banco do Brasil na história do Recife”, gentilmente nos enviado pelo autor, sr. Carlos Eduardo Carvalho Santos, 2013, página 74: «O jornal “A República”, do Recife, noticiou em sua edição de 12 de agosto de 1913 a inauguração, muito embora fosse o evento o resultado da incorporação do Banco de Pernambuco pelo Banco do Brasil. Abria-se solenemente o que então se chamava a Filial de Pernambuco. Por sua significação histórica transcrevemos a nota: “No prédio 125 da antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, será inaugurada hoje nesta cidade a filial do Banco do Brasil, importante estabelecimento bancário da praça do Rio de Janeiro. Agradecemos a comunicação que a este respeito nos faz o ilustre Dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade, gerente neste estado da referida empresa.»

13-08-1913 – A Província. goo.gl/F2oZ7w , 2ª col. «Agência do Banco do Brasil. Pedem-nos para noticiar – sob a afirmativa de podermos faze-lo com toda segurança – que o deputado federal dr. José Vicente Meira de Vasconcelos, não se entendeu com o conselheiro João Alfredo, a respeito da agência do Banco do Brasil nesta praça, nem sequer teve ensejo, no corrente ano, de falar ao mesmo conselheiro fosse sobre que assunto fosse.»

15-08-1913 – A Província. goo.gl/bdltWm, 2ª col. «Foi-nos mostrado ontem o seguinte telegrama: “Dr. Milet – Recife – Revoltante falsidade telegrama “Tempo” dizendo estive João Alfredo Banco Brasil procurando impedir criação agência banco. Este ano nem uma só vez estive conselheiro. Há nesta notícia equívoco ou infame perversidade. Publique. Meira».
21-08-1913 – Jornal do Recife, goo.gl/0ZhOOs , 1ª col.: «Foram arquivados os Estatutos do Banco do Brasil para abrir uma agência neste Estado.»
22-08-1913 – A Província, goo.gl/Q25HGa , 4ª. col.: «[…] Foram arquivados os estatutos do Banco do Brasil, para abrir uma agência neste estado.»
04-10-1913 – A Província, goo.gl/nwDSyH , 4ª col.: «Necrologia. Faleceu anteontem e enterrou-se ontem o sr. Jorge Pedro da Silva Rosa, tesoureiro da agência do Banco do Brasil com sede nesta cidade. O estimável cavalheiro cuja morte noticiamos, era um dos dignos empregados do Banco do Brasil onde começou a trabalhar como ajudante de caixa e prestou relevantes serviços na agência de Manaus, que exerceu interinamente tendo recusado a nomeação efetiva. O seu enterramento foi bastante concorrido e sobre seu ataúde estavam duas coroas – uma de sua virtuosa esposa e outra do gerente contador e mais empregados, seus companheiros de trabalhos. Pêsames à sua família.» Mais: curioso leilão da viúva: goo.gl/G4rtuY,1ª col.).
18-07-1923 – Jornal do Recife, goo.gl/84Fkhl, 1ª col.: «O Banco do Brasil em Rio Branco. O governo federal, em boa hora, atendeu à criação de uma agência do Banco do Brasil, na vila Rio Branco, deste Estado. Providência de alta significação econômica para os interesses comerciais do sertão, de quantas cidades do interior existam, importantes pelo seu desenvolvimento, nenhuma ultrapassa, naquela finalidade, a populosa vila. Quando “a reunião última do nosso poder legislador, em nome dos habitantes dali, apresentamos um extenso memorial em que pleiteávamos a sua independência municipal, houve da parte de uma facção político-local, célebre pelos processos da mentira e da intriga, a alegação idiota de que Rio Branco não estava em condições de suportar as exigências de uma vida própria. E, como argumento sádico, citavam os inimigos da causa rio-branquense a transitoriedade de sua atuação econômica nos destinos da vida sertaneja pela circunstância da estrada de ferro, que ali tem seu ponto terminal. Não há como destruir o absurdo de tão errôneo conceito. Nos detalhes da demonstração com que batemos às portas do Congresso do Estado, aliás publicada no órgão oficial, expusemos documentadamente os recursos em que se apoiava Rio Branco para a sua vida independente. Pondo à margem o fato, politicamente sintomático, de municípios circunvizinhos como Pesqueira, Buíque e Alagoa de Baixo cederem tratos de seus territórios para constituição da incipiente comuna, a Rio Branco sobravam para viver elementos de riqueza local, na sua indústria pastoril, no seu fomento agrícola procedente das serras que o contornam, além do seu estupendo comércio ribeirinho, não só proveniente dos limites paraibanos, como do espantoso tráfico sertanejo, do alto. Mas os cegos da paixão partidária, não são aliás os de pior cegueira, não viam nada disto em Rio Branco. Nunca vislumbraram sequer a evidência desta verdade. Os inimigos de minha terra permaneciam na ignorância de que ela possui 49 quilômetros quadrados, sitos numa zona criadora e fertilíssima; que possui uma poderosa fábrica de beneficiamento de algodão, cujas transações avultam numa estimativa de sete mil contos anuais; que tem dez mil e seiscentos e poucos habitantes e renda superior a quarenta contos por orçamento rigorosamente arrecadado. Não veem, nunca viram nada. Enxergam apenas os seus interesses políticos, sobremodo mesquinhos como objetivo administrativo, pois é o próprio município de Pesqueira, de que se vai desmembrar Rio Branco, que vem de encontro aos legítimos desejos de emancipação daquela gente. Em teoria, em direito público, nenhum fenômeno de vida constitucional é mais interessante que este, comentado pelos constitucionalistas pátrios e estrangeiros. Bryce escreve numerosas páginas a respeito, em apoio da tese, e entre nós, Castro Nunes, numa monografia brilhante, estuda o aspecto jurídico-social da questão considerando que os organismos políticos da vida das nacionalidades repousam evolutivamente nesses movimentos de independência comunais. No Brasil, talvez por inópia mental, se condena a criação de núcleos municipais. Por amor à verdade, seria melhor dizer: no Brasil destas bandas setentrionais, porque no sul, onde a ideia do progresso constitucional já entrou para o patrimônio jurídico dos seus homens públicos, tal fenômeno não tem mais a importância das coisas discutíveis. Ano a ano S. Paulo permite o alargamento da sua rede comunal que é sombra dos próprios valores da cooperação econômica, constitui o elemento sinérgico da vitabilidade paulista. Felizmente, para bem das minhas ilusões jurídicas, que de todo ainda persistem em se conservarem vivas, a atual administração de Pernambuco, tem a larga noção do liberalismo. O exmo. sr. dr. Sérgio Loreto, governador do Estado, é bem um cultor do direito. Neste particular deu provas de sua visão clara acerca do municipalismo, prestando o seu apoio sancionador aquelas altas ideias, condenadas praticamente na lei ordinária que criou o município de Floresta dos Leões. Sobre Rio Branco não me pareceu antipática de s. exc. a opinião a respeito da sua independência, o que me valeu a esperança de continuar a bater-me pela causa. O recente ato da criação da agência do Banco do Brasil naquela localidade, tão digna de estimular fortes, é bem significativo da boa vontade dos poderes públicos para com o progresso dali. Com os aplausos a efetivação dos desejos dos meus conterrâneos que devem estar de parabéns, resta pedir aos deuses e aos homens de que dependem as coisas humanas, na terra, um sopro de proteção para o município de Rio Branco. Santos Leite – N.da.R – Reproduzido por ter saído com incorreções. NOTA CORRIGIDA em goo.gl/FXKeE3 , 5ª.col.»
28-11-1923 – A Noite, goo.gl/vRQbQe , 4ª col. «Inauguração, em Garanhuns, de uma agência do Banco do Brasil. Garanhuns (Pernambuco), 26 (Serviço Especial de A NOITE) – Com grande solenidade, inaugurou-se a agência local do Banco do Brasil, da qual são gerente e contador, respectivamente, os Srs. Audifax Aguiar e Álvaro Peçanha. Ao ato compareceram as autoridades civis e eclesiásticas, representantes do comércio e da lavoura locais e grande número de populares, tendo o gerente Audifax proferido um discurso expondo os fins e vantagens do novo estabelecimento, cuja instalação muito tem agradado aos habitantes, principalmente aos comerciantes deste município.»

 

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Do “Álbum de Pesqueira, adm. Cândido Cavalcanti de Brito 1923/1925”,  o registro da existência da filial do B. Brasil. Foto, cortesia de Marcelo Oliveira, de Pesqueira.

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07-1924 – Ilustração Brasileira,  goo.gl/hp8HFm . Agências do Banco do Brasil no país.

24-09-1925 – Jornal do Recife, goo.gl/gjvMBg  , 1ª col.: «De Manoel Gregório Teixeira da Lapa. Informações diversas de Rio Branco sobre Lampião, Banco do Brasil, incêndios e festa de N.S. Livramento. “ […] Banco do Brasil – Este estabelecimento suspendeu todas as operações de crédito nesta praça; isto vale por dizer: apertou a corda ao comércio leader do partido republicano enforcado. Vimos uma legião de pedintes no balcão da agência local, a quem o gerente dizia, em dias da semana atrasada, com esse seu sorriso francófilo; “Perdoe, em nome da Casa Matriz que assim o ordena!” E afinando nesse “Deus vos favoreça” principiamos o mês de setembro cujos últimos dias se avizinham mais tétricos, mais sombrios, tanto que por iniciativa do sr. Cícero Ferreira foi transmitido à Matriz do Banco, na Guanabara futurista, o seguinte despacho telegráfico firmado por onze das mais importantes firmas desta praça: “Satélite – Rio – Informados gerente Banco Brasil nesta vila essa Matriz ordenou suspensão todas operações crédito aqui, justamente quando mais precisamos assistência financeira afim não sermos arrastados pela tremenda crise reinante, vendo paralisados nossos negócios e sobremodo depreciados nossos principais produtos, especialmente algodão constitui vida nossos sertões, apelamos essa Matriz sentido revogar ou sequer restringir aflitiva providência. Tudo esperamos vosso patriotismo, Saudações. Entretanto, até agora não “choveu no roçado”; e os matutos não sabem se foi com medo de Isidoro, com receio de Lampião ou temendo a própria crise, que o Banco do Brasil lançou essa última pá de cal sobre o cadáver do comércio. A coisa chegou ao ponto de um viajante comercial não conseguir passar para a sua casa, pelo Banco, cerca de quatro contos de réis recebidos na jornada cobradora. Tudo porque o Banco “estava suspenso” de ordens. Ouvimos até que ia ser raspado o cofre, e a “raspinha seria encaixotada e recambiada para Recife! Foi quando o Agostinho balbuciou, desolado e quase naturalizado húngaro: “Vae victis!” Esse Jornal, arauto de todas as conquistas liberais, defensor estrênuo do povo deprimido e espoliado, seja o cursor das nossas necessidades e diga: “Das duas uma: Ou Rio Branco sem banco, ou Banco sem Rio Branco!” Se não derem o dinheiro aos matutos, não nos livrarão da pasmaceira que é meio caminho andado para a miséria. Valorize-se o nosso direito, já que algodão não vale nada.»

1927 – Almanak Adm., Merc. e Ind. RJ, goo.gl/wq8e80, pág. 1012, vol.III. 3ª col. «Estado de Pernambuco – municípios Barão do Rio Branco. Vila e sede do 7º distrito do município de Pesqueira, ponto final da estrada de ferro da Great Western of Brazil Railway Co. da linha partindo do Recife da estação de Cinco Pontas. […] – Banco: Banco do Brasil (filial). Gerente: Álvaro Câmara Pinheiro

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05-02-1928 – Diario da Manhã, bit.ly/1ybp6Lh  , 3ª col.: «O chefe da insegurança pública escapou milagrosamente de uma emboscada do célebre bandido “Lampião”. As últimas proezas do bandido em território pernambucano. (foto R. Branco = pág. 189 Município de Arcoverde (Rio Branco), com a legenda: Casas comerciais de Rio Branco, na atual avenida Antônio Japiassu, em 1927. Na primeira casa, à esquerda, esteve durante muitos anos a agência de nosso correio “Chico Numerador”).»

17-10-1930 – Jornal do Recife, goo.gl/c7BceF , 5ª coluna: «Banco do Brasil. Será reaberto hoje o Banco do Brasil que havia deixado de funcionar desde o advento da Revolução. Com essa medida, a que não foi estranho o governo central, volta aquele estabelecimento bancário à normalização de sua vida mercantil.” 6ª col.: “De Rio Branco – Comunico vossência chegado tenente Bernardino Maia que assumiu funções de legado. Cidade completa calma, Banco do Brasil reabriu, comércio funcionando regularmente. Tenho empregado máximo esforço sentido plena execução ideias governo revolucionário, atenciosas saudações. Dr. Luís Coelho, prefeito provisório.»

21-01-1932 – Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , 4ª col.: «As rendas da União. […] – 4º . Que no Estado de Pernambuco o Banco do Brasil tem agências nesta capital e nas cidades de Garanhuns e Rio Branco;”  Mais: 27-01-1932 – Jornal do Recife , goo.gl/HXTYxJ, 3ª col.: As rendas da União. “[…] todas as rendas arrecadadas por esta coletoria, à Agência do Banco do Brasil, nesta capital, ou as das cidades de Garanhuns e Rio Branco […].»

No livro História do Banco do Brasil, 2. ed. rev. Belo Horizonte: Del Rey, Fazenda Comunicação & Marketing, 2010. goo.gl/gUSvvJ   e goo.gl/oW2BPy, encontramos na página 130: «Enquanto criava agências na Argentina e no Uruguai, o Banco continuou abrindo suas filiais no interior do país. So? no ano de 1923 foram inauguradas 22. Outras estavam em trabalhos de instalação definitiva ou em fases preliminares. No início de maio de 1924, o número chegava a 74. Havia, ainda, deficiências em algumas agências, que a diretoria procurava sanar sem retardar o progresso do banco.” Página 149: “Em 15 de julho de 1937, a diretoria resolveu estabelecer cursos de aperfeiçoamento, a nível superior, para os funcionários. Nessa época, o Banco ainda não se dispusera a expandir a implantação de agências no interior do país. O número das filiais era de 90 no ano de 1938.” Pág.160: “O movimento de instalação de filiais, que estava estagnado, acelerou-se depois de 1939, sob a presidência de Marques dos Reis. Em 31 de dezembro de 1940, o número de agências e subagências subiu a 139. No final de 1941, ja? havia em funcionamento ou em instalação 261 agências e subagências. Em 1942, entraram em operação mais de 62 subagências e uma agência. A cotação das ações do Banco na Bolsa subiu, em fins de 1942, para Cr$ 588,00. O número de funcionários, que cresceu moderadamente ate? chegar a 3.866, em 1940, dai? por diante aumentou mais rapidamente, chegando a 6.396, em 1942.»

Mais: goo.gl/c3x6fP.

26-04-1942 – O sr. Antônio Augusto Pacheco (Recife) nos informou sobre a agência do B. Brasil de Rio Branco (ver também goo.gl/XggCjX): Envio do livro “O Banco do Brasil na História de Pernambuco (Notas sobre o sistema bancário)”, de autoria de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, 2ª edição, de 1986, páginas 168 e 169, as informações a seguir: “Na década de 30 [20?] o Banco iniciou sua interiorização, instalando suas primeiras agências. Rio Branco – hoje denominada Arcoverde – foi a primeira, seguindo-se Garanhuns, Palmares, Goiana, Vitória e Limoeiro”. “Notar-se-á, entretanto, que o Banco sofreu revezes, chegando ao fechamento desta subagência , em vista da crise que se abateu sobre o mundo capitalista na década de 30”. Na página 170, diz o autor: “Na década de 20 o Banco do Brasil se fez presente em Rio Branco, não sendo possível o levantamento detalhado dos elementos históricos até os presentes dias, em que pese  o grande empenho do atual Gerente Odon Porto de Almeida junto a historiadores locais. Notas de Waldemar Napoleão Arcoverde nos indicam que a subagência funcionava durante a época  da Revolução de 1930 na casa nº 455 da atual Avenida Coronel Antônio Japiassu. Conta-se até, singular acontecimento, quando uma Coluna, proveniente da Paraíba, acercou-se da cidade. Cauteloso, o então Gerente Paulo Ribeiro, fechou o Banco, entregou as chaves a um auxiliar da loja de ferragens de Sálvio Napoleão Arcoverde, dispensou os cinco funcionários e foi refugiar-se  no morro do Serrote de onde, com um binóculo, passou mais de dois dias observando o procedimento dos revolucionários e, felizmente, não houve o saque que esperava, voltando o Banco à plena normalidade tão logo afastaram-se as forças militares….Já com a denominação de Arcoverde, o Banco reinaugurou sua filial em 26 de abril de 1942, funcionando na antiga Av. João Pessoa, 242, sob a gerência de Moacyr Piauhyense de Carvalho e Contador Arthur Vieira de Azevedo, prédio de propriedade do advogado José Ciríaco das Neves Bezerra”.

No Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , a agência do Banco do Brasil de Rio Branco aparece em atividade ainda em 21-01-1932.

No livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas, Luís Wilson, Recife, 1982, pág. 159, sobre o ano de 1941, diz: “Rio Branco volta a ter, também, naquele ano, uma agência do Banco do Brasil”. Na pág. 115, sobre o ano 1927 e citando os estabelecimentos comercias de então: “[…] Noé Nunes Ferraz (Salão de Bilhar e Bar Confiança), Banco do Brasil, Manuel Cavalcanti de Araújo (seu Santinho), secos e molhados, Abdias Ferreira dos Santos (tecidos), Augusto Magalhães Porto (secos e molhados), Sebastião Franklin Cordeiro, […].”

Em busca de mais informação, além da que está em seu livro Arcoverde. História político-administrativa, Brasília, 1995, que cita à pág.102: “Também nessa administração [do tenente Olímpio Marques de Oliveira – 1939-1943], o município volta a ter uma agência do Banco do Brasil”,  o sr. Sebastião Calado Bastos gentilmente nos disse: “Na época procurei a filha do tenente Olímpio para obter também informações da administração do seu pai. Consegui muitos documentos oficiais, pois ele era um homem hiper organizado. Mas sobre o Banco do Brasil a D. Verônica reafirmou que o município “voltara a ter” sua agência. Na insistência ela disse que a única coisa de que lembrava era de ouvir isso: “voltou a ter”. Conversando com Elizeu Tito (Elizeu Marques Magalhães – falecido há pouco tempo), homem conhecedor das coisas e combativo vereador, ele me disse peremptoriamente que Rio Branco tinha tido mesmo uma agência do Banco do Brasil e que a mesma funcionou na casa que conhecíamos como a de seu Luís da Singer».

12-1946 – Ilustração Brasileira (RJ), goo.gl/z8OWZW,  «Agências do Banco do Brasil no país, 1946.»

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Agência nº 0088 do Banco do Brasil – Foto de 12-12-1951. Do livro Ícones. Patrimônio cultural de Arcoverde, de Roberto Moraes, Recife, 2008, pág. 72

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Funcionários da agência do Banco do Brasil de Arcoverde, em confraternização, provável década de 50. A partir da esquerda: Maurício Ferraz, desconhecido, Mário Hipólito Cavalcante, Oscar Olímpio de Araújo, Agenor Lafayette (em pé), desconhecido, José Danilo Rubens Pereira  e Raimundo Britto. Foto do álbum da família Britto. (Raimundo Brito, com 95 anos, reside em Recife).

(*) Autor: Pedro Salviano Filho – É arcoverdense, historiador, pesquisador e cronista. É ex-aluno do Colégio Cardeal Arcoverde, médico/cirurgião, residente em Ivaiporã-PR.