Category Archives: Causos e Casos

TELEVISÃO: Conexão Repórter do SBT, revive hoje a história dos “canibais” de Garanhuns *

 

 

SBT EXIBE ENTREVISTA DO CANIBAL JORGE BELTRÃO

 

O advogado Ranieri , o canibal e o repórter. Entrevista será mostrada hoje no Conexão Repórter SBT

O advogado Ranieri , o canibal e o repórter. Entrevista será mostrada hoje no Conexão Repórter SBT

 

 

O experiente jornalista Roberto Cabrini, do SBT, entrevistou na prisão o criminoso Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, responsável por atos de canibalismo em Garanhuns que assombraram o Brasil. O repórter procura entender a mente do psicopata e manipulador.

O programa Conexão Repórter, comandado por Cabrini, irá mostrar como Jorge criou uma seita do mal para combater o próprio mal, tudo em nome da “purificação da humanidade”.

“Um dos crimes mais chocantes deste século… Uma crueldade sem precedentes, com detalhes que surpreendem até mesmo a polícia”, constata a reportagem do programa.

Segundo um garanhuense que conversou com repórteres do SBT, com toda sua experiência Roberto Cabrini ficou espantado diante da frieza e inteligência do canibal. “Como se nunca tivesse visto nada igual.”

– O Jorge Beltrão lembra o criminoso do filme O Silêncio dos Inocentes – disse ao blog a pessoa que nos passou dados sobre a macabra entrevista.

Advogado Ranieri também é ex-prefeito de Sanharó-PE

Advogado Ranieri também é ex-prefeito de Sanharó-PE

O advogado Ranieri Aquino de Freitas, gravou participação na qualidade de defensor do acusado.

Trio de canibais perpetraram crime horrendo - ""Como se nunca tivesse visto nada igual." Roberto Cabrini

Trio de canibais perpetraram crime horrendo – “”Como se nunca tivesse visto nada igual.” Roberto Cabrini

CRIMES – As barbaridades cometidas por Jorge Beltrão e suas duas companheiras – Isabel Pires e Bruna Cristina – foram descobertas pela polícia de Garanhuns em abril de 2012. Ficou provado que o trio foi responsável pelas mortes de Gisele Helena da Silva, 31, e Alexandra Falcão, 20 anos.

Eles mataram as duas mulheres e comeram a carne delas num ritual macabro. Ainda usaram pedaços do corpo, que tinham cozinhado, para fazer o recheio de coxinhas e empadas que foram vendidas na cidade.

O caso teve desdobramento nacional e depois se descobriu que Jorge e suas comparsas tinha matado outra mulher em Olinda, em 2008. Foi de lá que o assassino veio para Garanhuns cometer mais crimes.

Depois que a polícia desvendou a morte das duas mulheres, o juiz José Carlos de Vasconcelos aceitou a denúncia contra Jorge, Isabel e Bruna. Eles foram presos e acusados de homicídio triplamente qualificado, estelionato, furto, falsidade ideológica e ocultação de cadáver.

O Conexão Repórter com a entrevista do canibal vai ao ar nesta quinta-feira, dia 24, depois do programa “A Praça é Nossa”.

* Fonte: Roberto Almeida-blog – Fotos Facebook do advogado

Tribunal de Contas da União/TCU – “Faça o que eu MANDO, mas não faça o que eu faço…” *

 

TCU é muito bom pra corrigir os erros dos outros. Já os seus...

TCU é muito bom pra corrigir os erros dos outros. Já os seus…

 

O Jornal Nacional, deste último sábado, revelou que o pernambucano José Múcio Monteiro, ministro do Tribunal de Contas da União, recebe salário exorbitante, acima do limite máximo permitido por lei. O ex-deputado ganha por mês a bagatela de R$ 47.347,65.

Dupla de ministros do TCU. Ambos bem acima do teto.

Dupla de ministros do TCU – José Jorge e José Múcio. Ambos bem acima do teto.

 

Outros três ministros do TCU também recebem acima do teto. São eles: Valmir Campelo, João Augusto Nardes (presidente do Tribunal) e José Jorge de Vasconcelos, também pernambucano e que já foi Secretário de Educação do Estado e deputado federal. O primeiro da lista ganha mensalmente R$ 36.209,83, o segundo R$ 38.185,43 e Zé Jorge chega perto de Zé Múcio, pois seu salário é de R$ 46. 660,48.

Os ministros conseguem a proeza de ganhar acima do teto de R$ 28 mil porque juntam aos salários as aposentadorias.

Curioso é que o mesmo Tribunal de Contas que afronta a Lei determinou o corte de salário de dois mil servidores da Câmara e do Senado que recebiam acima do teto constitucional.

Depois que saiu no Jornal Nacional a notícia já está nos principais jornais e sites da internet do país.

José Múcio Monteiro foi Secretário Estadual na gestão de Roberto Magalhães. Disputou o Governo em 1986, sendo derrotado por Miguel Arraes. Já no PFL se elegeu deputado federal mais de uma vez. Quando passou para o PTB de Armando Monteiro terminou sendo ministro do presidente Lula, que o nomeou para o TCU.

José Jorge de Vasconcelos foi da Arena e do PDS. Foi secretário da administração de Marco Maciel e depois exerceu vários mandatos seguidos de deputado federal, foi ministro do presidente Fernando Henrique até que chegou ao Tribunal de Contas da União.

* Fonte: JN/Rede Globo

Artigo: Dilma Esnoba e Sentencia : ” Elas têm que Estudar Muito” *

Presidente Dilma - "Elas têm que estudar muito" Só esnobando.

Presidente Dilma – “Elas têm que estudar muito” Só esnobando.

Desqualificando os outros, ela pode acabar colocando Ismael Silva no lugar de patrono de sua campanha

A doutora Dilma entrou pela borda no debate da própria sucessão, mandando um recado às pessoas que pretendem ocupar sua cadeira: “Elas têm que estudar muito”.

É o velho discurso da competência. Quem está no governo desqualifica quem não está sob o argumento do eu-sei-do-que-estou-falando. Foi usado à exaustão para desqualificar um torneiro mecânico monoglota, mal relacionado com a gramática, cuja biblioteca cabia numa mochila escolar. É a ele que a doutora deve a Presidência.

Todos os governos prometem coisas que não cumprem ou metem-se em projetos fracassados. Até aí, tudo bem. O que a doutora não precisa é recorrer à desqualificação como alavanca mistificadora. Se é assim, conviria arrolar dois temas que os candidatos deveriam estudar. Tendo sido insuficiente o estudo da doutora, poderiam desatar os seguintes nós.

1) Trem-bala

Trata-se de um projeto que desde 2007 está debaixo da asa da então chefe do Gabinete Civil. Já torrou R$ 65 milhões em planos, leilões adiados e modelagens arquivadas. A primeira estatal a tratar do projeto foi a Valec. Seu presidente, Doutor Juquinha, deixou o cargo e passou pelo cárcere por conta de outros malfeitos.

2) Enem

Em 2009, quando o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou a criação de um exame federal que substituiria o vestibular, o coração da iniciativa estava em oferecer aos jovens dois exames anuais. Isso acabaria com uma seleção selvagem que obriga um garoto de 18 anos a jogar um ano de sua vida numa manhã de prova. A cada ano a promessa foi descumprida e renovada, inclusive pela doutora Dilma. Haddad foi ser poste em São Paulo, Lula elegeu-o prefeito, e seu substituto, Aloizio Mercadante, disse que prefere fazer creches. Tem até o ano que vem para dizer quantas creches fez e explicar por que dois presidentes da República prometeram algo que não entregaram.

Nos dois casos, a questão é de estudo, mas quem não estudou foi a doutora. No do trem-bala, se tivesse estudado, não teria perfilhado a proposta da Valec, que era uma maluquice em estado puro. O trem-bala sairia do Rio e chegaria a São Paulo sem parar em lugar algum. Já no caso do Enem, deu-se o contrário. Prometeu-se algo factível, mas não se cumpriu por falta de estudo e, sobretudo, de trabalho.

A essa lista de incapacidades poderiam ser somados os leilões das concessões de portos, estradas e aeroportos. Isso para não falar da promiscuidade que resulta no financiamento público da medicina privada. Em todos os casos, paira sobre as nomeações para as agências reguladoras o espírito da porta giratória condenada pelo comissariado quando estava na oposição e estimulada quando chegou ao governo.

Desse jeito, a campanha pela reeleição da doutora pode ter um samba de Ismael Silva como fundo musical:

“Foi tanto bis que eu já não podia atender.
No entretanto, o que a plateia queria
era que eu cantasse, cantasse até aprender.”

 

elio-gaspari2

 

 

* Fonte: Autor: Elio Gaspari, na Folha de São Paulo

Ciência & Curiosidade : A Proliferação dos Grilos – Colaboração de Marco Soares *

Desequilíbrio ambiental

causa infestação de grilos

 

grilo  X  sapo

(O sapo é o principal predador do grilo. Na falta deste, o grilo deita e rola)

 

Moradores de algumas cidades do Brejo da Paraíba estão convivendo com uma grande quantidade de grilos que vêm aparecendo nos municípios daquela região do estado há alguns dias. As pessoas reclamam do barulho e do desconforto em ter que andar pelas ruas ou abrir cômodos da casa e se deparar com inúmeros grupos do inseto tomando conta dos ambientes.

O biólogo e coordenador da vigilância ambiental do 2º Núcleo Regional de Saúde, Luís Bandeira, orienta a população sobre como proceder nessa situação e disse ao Portal Correio o porquê desse “ataque” de grilos no Brejo da Paraíba.

Ele explica que não há um motivo específico que justifique o problema e para se delimitar uma causa concreta teria que ser feito um estudo mais aprofundado. Porém, adianta que pode ter relação com a estiagem e a diminuição de sapos na região. Esses anfíbios são os predadores naturais dos grilos.

Bandeira fala também que não pode ser solicitada nenhuma ação do Ministério da Saúde porque esses insetos não trazem danos à população. “Trata-se apenas do desconforto causado pelo som emitido por machos que procuram fêmeas durante o acasalamento. Não há riscos de transmissão de doenças”.

O estudante Aluísio Lima, de 24 anos, mora em Alagoinha, a 89 km de João Pessoa e que também é uma das cidades afetadas pela grande população de grilos. Ele fala que, recentemente, tem tirado grandes quantidades do inseto de dentro de casa. “Eu nem durmo! É muito barulho e eles entram em toda parte. É algo impressionante”, diz o rapaz.

O biólogo lembra que a população precisa ter calma e paciência para enfrentar a situação atípica, evitando prejudicar os grilos com inseticidas, por exemplo. “Não é recomendável matá-los. Infelizmente é uma situação fora do controle e que depende apenas da passagem do tempo, dos ajustes naturais do clima e da cadeia alimentar. Essa infestação de grilos é comum no inverno, mas dessa vez apareceu nessa época do ano. Algo sem uma explicação definitiva, mas que deve ter relação com a ação danosa do homem sobre a natureza”.

 

* FONTE: PORTAL CORREIO

Causo: O Bodegueiro confundiu Lampião com um Fiscal… – Por Antonio Morais *

Que tempos, que costumes! 

 

 

Foto de 1930 - Lampião e Maria Bonita

Foto de 1930 – Lampião e Maria Bonita

Todo matuto tem horror aos que em razão do oficio, são severos na aplicação das leis. Conta-se que um dos muitos fiscais do consumo que vive a percorrer a terra e que, de posse de um mandato de segurança e um ordenado fabuloso, foi esbarrar em Várzea-Alegre. Um conterrâneo não podia transportar um saquinho de arroz num jumento que era taxado de contrabandista e intimado a recolher o imposto. A derramar o terror pelo sertão, andava também o rei do cangaço, o famigerado Lampião, o qual havia se hospedado em Juazeiro do Norte com honras de capitão da legalidade. Que tempos, que costumes.

O nosso matuto, fazendo uma negociação clandestina, enforcava na algembrada de sua casa, uma garrafa que, vista de certa distancia, era um chamariz para os compradores da teimosa. Pois bem, atraído a um destes recantos da fraude e da sonegação do imposto, é que foi até ali um senhor desconhecido. Quem era? Pelos modos, o homem era grande, porque se apresentava altivo, arrogante e de sobrolho carregado. Trazia um bonito chapéu, lenço perfumado, e vários anéis nos dedos. Chega. E como galã de cinema se apeia. E com esses ares de grão-senhor vai logo entrando de bodega adentro. Não diz bom dia. Não dá confiança a ninguém.

No interior da casa, porque se deparasse com duas garrafas de qualquer droga, as quais descansavam em cima de um balcão feito com vigor de pau d’arco, indaga com voz de autoridade: O senhor tem aguardente? Tenho nhor sim, responde com voz soturna o pobre homem. Ah! Ao falar em corda na casa de enforcado, um estranho frio invade a alma do bodegueiro. Todo o seu ser tremeu como se lhe tremesse a própria terra. E desmaiado, voz difícil, começa a defender-se: Meu amigo, tenha pena dos meus filhinhos, Isso aqui que o Senhor está vendo não é bodega, eu só tenho, acredite, essas duas garrafas e esta cestinha de cigarros, porque a roça que botei na quebrada da Serra da Charneca a lagarta comeu. Não me multe, Senhor Fiscal! O interlocutor estranho que já estava de boca aberta em sinal de grande pasmo desata uma bruta gargalhada. Depois, olhando o suplicante sem lhe desfitar os olhos, lhe diz: Quem o Senhor pensa que eu sou? Não rapaz, eu não sou fiscal. Eu sou Lampião.

Lampião!?

O homem ri fazendo uma ligeira contração nos músculos faciais. E voltando a vida, faz camaradagem com Lampião com quem conversa animadamente, graceja, bebe e fuma cigarro sem selo.

E ainda arrematou: Olhe seu lampião, veja se anda com dinheiro que fiado eu não vendo nem a meu pai.

Antonio Morais com a esposa

 

 

* Autor: Antonio Morais – Bancário aposentado, e blogueiro no cariri cearense. É editor geral do blog do Sanharol, na sua Várzea Alegre-CE.

ELEIÇÃO 2014 : PT/PE, Decide Entregar os Cargos no Governo e na Prefeitura *

 

As múltiplas tendências do PT jogaram a toalha e entregarão os cargos...

A exemplo do PTB de Armando, as múltiplas tendências do PT entregarão os cargos ao governador EC e ao prefeito GJ

CNB e cinco tendências do PT decidem entregar os cargos no governo Eduardo

Grupo ocupa 25 cargos comissionados na gestão do governador Eduardo Campos. Direção estadual reunirá alas ligadas a João da Costa para decidir pela ruptura total

 

Integrantes da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) e de outras cinco tendências do PT decidiram, neste domingo (13), que vão entregar os cargos que ocupam no governo do Estado e na Prefeitura do Recife (PCR). Atualmente, esse grupo ocupa 25 cargos no Executivo estadual. Entre os que estão de saída da gestão Eduardo está o secretário de Cultura, Fernando Duarte. Nesta segunda-feira (14), a direção estadual vai reunir as outras alas do partido, incluindo os setores ligados ao ex-prefeito João da Costa, para decidir pela ruptura total com a administração do socialista.

“Nosso posicionamento é pela reciprocidade e que fosse feito de imediato por nós. Consideramos algumas ponderações da resolução (da direção) nacional e iniciamos diálogos com a nacional para que fosse tomada uma decisão afinada. Isso porque estamos vindo de uma aliança que no Brasil e em Pernambuco está junta há mais de 15 anos”, explicou Bruno Ribeiro, candidato à presidência estadual do PT pela CNB, durante coletiva, nesta tarde.

Atualmente, o PT comanda apenas a Secretaria de Cultura e a secretaria-executiva de Agricultura, com Oscar Barreto – presidente do PT Recife -, no primeiro escalão do governo Eduardo Campos. Os demais cargos estão pulverizados nos segundo e terceiro escalão da gestão do socialista. No início do segundo mandato do governador Eduardo Campos, além da Cultura, os petistas comandavam as secretarias de Transporte, com Isaltino Nascimento, e de Governo, com Maurício Rands. Os dois últimos, na reta final das filiações, passaram a integrar as fileiras socialistas. Na Prefeitura do Recife, o Partido dos Trabalhadores é representado por Eduardo Granja (Habitação), indicado pelo grupo do ex-prefeito João da Costa.

No mês passado, o PSB do governador Eduardo Campos entregou todos os cargos que ocupava na gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). A saída, segundo explicou Eduardo, na ocasião, foi tomada para deixar tanto o partido quanto a mandatária mais à vontade. Socialistas comandavam o Ministério da Integração Nacional, com Fernando Bezerra Coelho, e a Secretaria Especial dos Portos, com Leônidas Cristino. Desde confirmada o desembarque, o PSB intensificou as articulações para consolidar uma candidatura à Presidência da República, em 2014. O ápice ocorreu no sábado (5) – último dia de troca-troca partidário -, com a filiação da ex-senadora Marina Silva.

Com informações da repórter Bruna Serra, do Jornal do Commercio

Artigo: Recife – “Minha Terra tem Palmeiras” ** – Por Gustavo Krause *

 

praça do Derby e seus encantos. Sofrendo com devastação...

Praça do Derby e seus encantos. Sofrendo com devastação…

“Mangueiras, jaqueiras, oitizeiros, sapotizeiros, palmeiras, são saudades da refrescante sombra que, outrora, acariciava o cidadão recifense“.

“No Recife, o refrão tem sido assim: são contribuintes otários pagando a crueis sicários para fazer da vida urbana um funesto obituário”.

 

O nome Brasil tem origem, segundo o protesto indignado de Frei Vicente do Salvador, na madeira (Pau-Brasil) de “cor abrasada e vermelha que tinge o pano”.

A natureza rebatizou a “Terra de Santa Cruz”. Sua descoberta fora uma empreitada estatal, militar e religiosa que, na época, eram os ventos poderosos que enfunavam as velas das esquadras portuguesas na aventura dos grandes descobrimentos.

Seria a mudança de nome uma vitória da ideologia da natureza exuberante sobre a ideologia religiosa da Ordem de Cristo?

Desconfio que não. A madeira refletia a identidade mercantilista do projeto. O Pau-Brasil tinha valor comercial e mercado.

De fato, dois olhares coexistiam no ato fundador do Brasil: o olhar renascentista que proclamava a visão edênica do paraíso perdido; o olhar mercantilista que movia o projeto colonial de exploração econômica.

Infelizmente, a evolução histórica certificou: o encantamento fora retórico; a ação, predadora.

De lá para cá, o “progresso” foi movido a “ferro e fogo” (título do livro de Warren Dean sobre a devastação da Mata Atlântica). O desbravamento de matas e florestas era a palavra de ordem dos senhores do mundo novo que se descortinava como grande provedor das cortes dissolutas e perdulárias do velho mundo.

Por um dever de justiça, cabe o registro de lúcidas vozes sobre os efeitos danosos da agressão ao patrimônio florestal brasileiro. Entre elas, é importante destacar o pensamento de José Bonifácio, André Rebouças, Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, Alberto Torres e o mais recente, assumidamente ecologista avant la lettre, Gilberto Freyre, na fascinante obra sociopoética, Nordeste (1937).

Com efeito, estes visionários não tiveram o gosto de ver as questões antecipadas por suas mentes prodigiosas serem assumidas pela humanidade como uma questão central, estratégica para a sobrevivência da vida na Terra, ratificada pela ampliação da consciência universal dos ecocidadãos e incorporada aos marcos legais e institucionais das gestões públicas e privadas.

De outra parte, não tiveram o desgosto de testemunhar a devastação que vêm sofrendo os nossos ecossistemas, em especial, a cobertura vegetal que metaboliza a energia solar e torna viável a vida no Planeta Terra. No atacado e no varejo.

No atacado, basta olhar o que resta de Mata Atlântica, Floresta Amazônica, Cerrado e Caatinga; no varejo, basta ler a manchete da edição do JC, 02 de fevereiro do corrente ano: “Palmeiras-imperiais são cortadas no Derby”.

Cortadas, não! Foram assassinadas! Um assassinato anunciado e que atingiu seres plantados pelas mãos virtuosas do paisagista Burle Max em 1935. Depois de assassinadas, esquartejadas para servir de lenho seco para brincadeiras juninas ou de carvão para animados churrascos. Outras vão morrer asfixiadas pelo pulmão, intestino, estômago, coração, o corpo de uma cidade de cimento, aço, sujeira, violência e desprezo pelo verde, pela história, pela qualidade de vida e sem dar ouvidos aos cientistas que reafirmam a condenação das palmeiras sobreviventes. Mais grave: as autoridades municipais mentem quando alegam que a causa do óbito fora um fungo. Ainda assim, é obrigação municipal tratar preventiva e curativamente a vegetação urbana.

Tudo por conta do Corredor Leste-Oeste, obra urbana estúpida que faz-de-conta que serve aos usuários dos ônibus e faz-de-conta que alivia a cidade mergulhada no caos da imobilidade e da imundície.

É por essas e outras que, farsantes, Brasil afora, tentam juntar no mesmo saco o que é calamidade natural com calamidade política, matando famílias inteiras e soterrando os sonhos das pessoas. Uma é obra do funcionamento ou cobrança da natureza do que lhe foi tomado; a outra é descaso, irresponsabilidade pública, no caso do Recife, brutalidade prosaica, ao trucidar as palmeiras-imperiais, que, generosas, tudo dão e pedem o mínimo para viver e servir. Mangueiras, jaqueiras, oitizeiros, sapotizeiros, palmeiras, são saudades da refrescante sombra que, outrora, acariciava o cidadão recifense.

No Recife, o refrão tem sido assim: são contribuintes otários pagando a crueis sicários para fazer da vida urbana um funesto obituário.

E no Brasil contemporâneo, faltaria inspiração ao grande Gonçalves Dias para compor “A canção do exílio” com palmeiras, bosques e sabiás. Afinal, sem as palmeiras, o exílio é aqui.

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* Autor : Gustavo Krause  –  Perfil: Professor Titular da Cadeira de Legislação Tributaria, é ex-ministro de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, no Governo Fernando Henrique, e da fazenda no Governo Itamar Franco, além de já ter ocupado diversos cargos públicos em Pernambuco, onde já foi prefeito da Capital e Governador do Estado

** Este artigo foi publicado no JC. 09/02/11. Torna-se atual. Voltam a massacrar as palmeiras e o verde do Recife. Trata-se de um ecocídio em nome da mentira que é o progresso a qualquer preço.

SANHARÓ: Editorial – Saúde Desumanizada. Povo Desrespeitado. *

 

 

Ontem à noite, um amigo enviou-me uma mensagem com o seguinte teor:

“Caro amigo, venho por esse lhe pedir que se possível escreva um artigo no blog OAbelhudo falando sobre o descaso que algumas pessoas sofrem para marcar exames na Secretaria de Saúde do município, pois hoje me desloquei até o centro da cidade dar um passeio as 20:00 hrs e vi algumas pessoas deitadas na porta da Secretaria e por curiosidade perguntei o por que daquilo e uma senhora me respondeu: Vou dormir aqui para amanhã marcar um exame, porque se eu deixar pra vim de madrugada não terá mais vaga. Figuei desolado com essa situação e queria poder fazer algo pra tentar acabar com essa situação. Se quiser pode utilizar o meu nome. Obrigado”.

Digo eu: Meu caro amigo, não vou usar seu nome. Você já cumpriu a sua parte. A sua indignação é reflexo da sua cidadania. Eu lhe agradeço pelo zelo e pelo senso de humanismo que você demonstrou. Deus te recompense. “Fortes razões, fazem fortes ações” W.Shakespeare.

Pessoas se "acomodam" ao relento e viram a noite pra marcar consulta médica

Pessoas se “acomodam” ao relento e viram a noite pra marcar consulta médica

 

Isso ocorreu, por volta das 23:45 de ontem, quarta-feira, 09. Esse assunto ficou martelando e me angustiando. Juro que não imaginava que AINDA existisse algo assim e mais ainda na minha cidade.

Conclui o que estava fazendo e desliguei o PC. Foi aí que me bateu a vontade de ir constatar a veracidade dessa nota. Peguei o carro e desci. Então ali no canteiro em frente a secretaria de saúde, estavam eles lá. Uns sentados e outros deitados. Devia ter cerca de 8 a 10 pessoas, todos adultos. Parei o veículo, perguntei se realmente eles estavam ali PARA MARCAR CONSULTAS MÉDICAS na manhã de hoje? A resposta foi unânime; SIM. Desci e pedi permissão para tirar umas fotos. Todos permitiram e disseram; “ fale por nós! É sempre assim. Aqui tem gente, não é dona Maria, que chegou às 4 horas da tarde.”

Agradeci a gentileza e evitei o constrangimento de perguntar mais alguma coisa. A cena já respondia por tudo.
Hoje pela manhã, falei sobre o assunto, durante a minha participação no programa Super Manhã do radialista Givanildo Silva, na Radio Jornal Pesqueira.

É crível pensar que os problemas da área de saúde são muitos. Entretanto, nada justifica essa humilhante situação.

Considero absolutamente democrático o sistema de marcação de consultas que contempla os que primeiro chegarem. Contudo, sabendo da gravidade dessa mesma situação, a secretaria de saúde ou de assistência social, não poderiam se omitir diante desse quadro. Fazer de conta que não ver e que não é da sua responsabilidade é tripudiar sobre o mais fraco.

Há meios não de impedir que as pessoas venham. Mais de fazer um acolhimento humanitário. Deixar como estar e não ligar é abominável. Deixar as pessoas ao relento, sem agir é tornar-se desumano. Entendo que o sistema em si é que é falho, mas há meios de minorar esse sofrimento. Basta querê-lo.

Há alguns meses, no pique da seca que assolou nossa região e, em particular, nosso município, a prefeitura em atitude ousada, comprou ração animal para distribuir com fazendeiros de nosso município. Desconheço aqui dentre os nossos vizinhos quem tenha tido tal atitude. Primeiro porque isso não é e nem nunca foi obrigação de prefeitura nenhuma comprar ração para animais de fazendeiros que vendem seus produtos e não os doam. Repito Vendem seus produtos e apuram lucros. Alguém conhece algum fazendeiro que viva distribuindo leite de graça com o povo? Não! São negociantes que prosperam com o lucro oriundo do seu trabalho com os seus animais.

Agora mesmo a prefeitura, novamente em atitude passional e corporativista, alugou um imóvel no centro da cidade, por l.500 reais, para ESTOCAR MILHO que será vendido subsidiado aos mesmos fazendeiros que receberam ração para seus animais comprado e transportado com o dinheiro público. Dinheiro que pertence também a esses desvalidos que arriscam sua vida para passar a noite, pagando penitência em busca de uma consulta médica e continuar vivendo e votando em quem não os respeita.

Hoje, por volta das 11 horas, passei na câmara de vereadores e assistir a reunião ordinária. Fiquei lá por uns 30 minutos. A pauta de votação contemplava: 1- pagamentos de diárias para o prefeito e secretários em viagens, fora do domicílio; 2 – construção poço tubular para o sítio Barra do Liberal; 3 – construção de posto de saúde no sítio Água Branca e pasmem: 4 – voto de aplauso ao prefeito e ao Dnit por mandarem tapar alguns buracos na entrada da nossa cidade. Esse voto de aplauso, pasmem 2, foi proposto por vereador que compõe a base de oposição.

É necessário comentar algo com esse teor!

Dom Pablito
Editor

Artigo : “A Descida ao Inferno” Justiça Tardia… – Por Elio Gaspari *

balanca da justiça em falso

“Trata-se de um episódio chocante por sua crueldade em estado puro, e o resultado inevitável de uma conspiração não declarada dos agentes do poder público para permitir a prática aberta dos delitos mais selvagens — por serem eles mesmos os autores dos crimes, ou pelo uso que fazem da letra da lei para livrar os envolvidos de qualquer risco de punição”.

A desgraça narrada a seguir é real, está baseada em fatos públicos e chegou, alguns anos atrás, a causar certa comoção neste Brasil de hoje, que parece a caminho de se transformar em um dos países a ser estudados com maior atenção, algum dia, por possíveis pesquisadores de uma história mundial da infâmia. Trata-se de um episódio chocante por sua crueldade em estado puro, e o resultado inevitável de uma conspiração não declarada dos agentes do poder público para permitir a prática aberta dos delitos mais selvagens — por serem eles mesmos os autores dos crimes, ou pelo uso que fazem da letra da lei para livrar os envolvidos de qualquer risco de punição. Acontece quase todos os dias, em todo o Brasil, sob a indiferença absoluta das mais altas autoridades e a proteção de um conjunto de leis escritas com o objetivo de praticamente abolir a culpa na Justiça penal brasileira. Não há remédio conhecido contra isso.

Ainda recentemente a repórter Branca Nunes, da edição digital de VEJA, fez uma reconstrução passo a passo da tenebrosa descida ao inferno aqui na terra, entre outubro e novembro de 2007, de uma menina de 15 anos, L.A.B., presa sob a acusação de furtar um telefone celular numa cidade do interior do Pará, a 100 quilômetros de Belém, e punida segundo a hermenêutica que vale no Brasil real. O propósito da reportagem era mostrar, seis anos depois, que fim tinham levado os personagens centrais da história ? um símbolo fiel de aberrações praticamente idênticas que acontecem a cada dia neste país, e do tratamento-padrão que recebem do poder público. A visita a essa tragédia “confirmou o apronto”, como se dizia na linguagem do turfe. Nada de embargos infringentes para L.A.B. Nada de advogado “Kakay” pregando em seu favor. Nada de todo esse maravilhoso facilitário que faz da lei brasileira um milagre permanente em benefício dos ricos, poderosos e influentes ? e transforma culpa em mérito, como Cristo transformou água em vinho. Tudo, naturalmente, em favor dos responsáveis por sua agonia.

L.A.B., como relata a reportagem, foi apanhada na cidade de Abaetetuba tentando furtar um celular e uma correntinha de prata pertencentes, para seu azar, ao sobrinho de um investigador de polícia da delegacia local. Chamados pelo rapaz, o tio e dois colegas levaram a garota, um toco de gente com menos de 40 quilos de peso e 1,5 metro de altura, para a delegacia da cidade ? onde foi trancada numa cela com mais de vinte homens. L.A.B. ficou 26 dias presa, durante os quais foi estuprada regularmente, cinco ou seis vezes por dia. Não se cogitou no seu caso na possibilidade, digamos, de uma prisão domiciliar, alternativa que o bondoso ministro Celso de Mello, do STF, acaba de abrir, em nome do cumprimento rigorosíssimo da lei, para gigantes de nossa vida política condenados no mensalão. Não se cogitou, sequer, no fato de que ela era menor de idade, que não podia ser presa nem, menos ainda, jogada num xadrez exclusivamente masculino. L.A.B., na verdade, foi presa dentro da prisão: arrastada para o fundo da cela, de onde não podia ser vista, tinha a sua miserável comida confiscada pelos outros presos, que só lhe permitiam comer se não desse trabalho durante os estupros. Não tinha direito a prato — precisava pegar sua comida direto do chão. À noite, era acordada por chamas de isqueiro ou pontas de cigarro, quando algum dos presos requeria os seus serviços. A título de ilustração, um deles, o mais ativo de todos, respondia pelo apelido de “Cão”. Que tal?

O mais interessante do caso, talvez, é que as autoridades locais legalizaram, a seu modo, todo o procedimento. A delegada Flávia Verônica Pereira autorizou a prisão de L.A.B. quando a menina lhe foi entregue pelos investigadores que a capturaram. Dois dias depois, a juíza Clarice Maria de Andrade assinou seu auto de prisão em flagrante, sabendo perfeitamente, como a delegada, o que iria acontecer na cela lotada de machos. O desfecho da história é um retrato admirável do Brasil de 2013. Quando o caso começou a fazer ruído na imprensa, L.A.B. foi solta ? e desde então, nestes seis anos, nunca mais se ouviu falar dela. Os únicos punidos foram “Cão” e um de seus comparsas, que já estavam presos.

A juíza Clarice, a mais graduada responsável pelo episódio, não sofreu processo penal. Foi apenas aposentada, mas recorreu até chegar ao STF ? que anulou em 2012 a punição, por julgá-la “excessiva”. Hoje a doutora Clarice é juíza titular em outra comarca do Pará.

Este é o Brasil que não muda.

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Publicado na edição impressa de VEJA

* Autor: J. R. GUZZO – Comunista da VEJA

Artigo/Denúncia: Pesqueira – Obras mal Acabadas. Sinais de Desperdício – Por Walter Jorge de Freitas *

OBRAS FEITAS PARA NÃO DURAR

 

Obras públicas com defeitos crônicos ou não são a regra...

Obras públicas com defeitos crônicos ou não são a regra…

 

Um dia desses, vi passar um caminhão baú com a propaganda de uma marca de móveis, com a frase: FEITOS PARA DURAR. Mesmo desconhecendo a sua autenticidade, não posso deixar de exaltar a criatividade do autor da sugestiva peça publicitária.

Na minha modesta condição de cidadão que paga impostos e faz parte do grande contingente que financia as gambiarras governamentais, gostaria imensamente de poder usar o mesmo slogan com relação às “coisas” feitas pelo governo.

É triste e vergonhoso constatar que no Brasil, as obras públicas têm curta duração. Tanto faz ser municipal, estadual ou federal. A razão é simples: não há fiscalização e muito menos respeito pelo que é arrecadado dos contribuintes.
Qualquer leigo, um simples curioso em matéria de arquitetura ou engenharia, constata, sem o menor esforço, a má qualidade das construções executadas sob a responsabilidade desses senhores que, eleitos para zelar pelo bem comum, não exercem a devida fiscalização no que tange aos serviços pelos quais pagam somas astronômicas às empreiteiras e às construtoras.

Os exemplos estão espalhados por todos os recantos do nosso amado e idolatrado Brasil. No Rio de Janeiro, temos o Engenhão, que mesmo antes de completar cinco anos de uso, apresentou sérios problemas. Alguns estádios construídos para a Copa do Mundo já tiveram que passar por reformas devido a falhas estruturais.
No Recife, mais precisamente no nobre bairro de Boa Viagem, encontra-se o Parque Dona Lindu, ainda novinho em folha, expondo defeitos absurdos.
Metade do que foi construído no projeto de transposição do São Francisco está se diluindo antes de concluído e o que é mais grave, sem ter nenhuma serventia.

Por sua vez, a duplicação da BR-232, caso estivéssemos em um país sério, as empreiteiras seriam obrigadas a refazer tudo.

impunidade

Aqui em Pesqueira, ruas asfaltadas há pouco mais de um ano, estão quase intransitáveis, devido à má qualidade dos serviços. Calçamentos iniciados em 2012 expõem o quanto nossos administradores desrespeitam os cidadãos, deixando obras inacabadas e causando transtornos a todos.

Aquela minúscula academia localizada em Pedra Redonda já nasceu cheia de defeitos, mas segundo uma placa lá existente, consumiu uma verba exorbitante.

As calçadas de nossas ruas principais estão sendo rebaixadas a fim de facilitar o acesso dos usuários de cadeiras de rodas. Entretanto, algumas rampas já estão dando a entender que houve erro na dosagem de cimento e fatalmente exigirão remendos em pouco tempo.

E assim, sem precisar andar muito e nem ser perito no assunto, damos de cara com obras contratadas pelo poder público, cujos prazos de duração são desproporcionais aos gastos efetuados e, principalmente, em total desacordo com o bom senso.

Quem se interessar por exemplos mais concretos é só dar uma voltinha na cidade e comparar o estado de ruas pavimentadas até os anos oitenta, com as mais recentes. Por certo, ficará com a impressão de que as últimas administrações copiaram a fórmula daquele antigo comprimido efervescente usado para curar ressaca e outros males estomacais.

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* Autor: Walter Jorge de Freitas. É pesqueirense, professor, comerciante, cronista, contista, poeta e pesquisador musical.