Category Archives: Colaboração

Brasil: A União Promete Aumentar do FPM das Prefeitura *

Aumento do FPM: governo anuncia

apoio para elevar repasse em 1%;

 

o aumento de um ponto percentual no repasse ao Fundo, passando dos atuais 23,5% para 24,5%. A medida ocorreria em duas parcelas de 0,5%: a primeira em 2015 e a segunda em 2016

o aumento de um ponto percentual no repasse ao Fundo, passando dos atuais 23,5% para 24,5%. A medida ocorreria em duas parcelas de 0,5%: a primeira em 2015 e a segunda em 2016

Diante da pior crise financeira já enfrentada pelos Municípios brasileiros, uma das principais reivindicações do movimento municipalista é o aumento em 2% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Aproximadamente 80% das administrações municipais dependem quase exclusivamente desse recurso.

Na noite desta quinta-feira, 3 de julho, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República informou que o governo aceita conceder o aumento de um ponto percentual no repasse ao Fundo, passando dos atuais 23,5% para 24,5%. A medida ocorreria em duas parcelas de 0,5%: a primeira em 2015 e a segunda em 2016.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, concedeu entrevista sobre o assunto a vários jornais de grande repercussão, dentre os quais Estado de São Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Agência G1, matérias que foram reproduzidas em portais de todo o País. Ele alertou que as prefeituras estão com problemas “estruturais” em decorrência da falta de recursos e destacou que a proposta do governo ainda precisa ser discutida com os prefeitos, tendo em vista que é inferior à reivindicada pelos Municípios

“Reconheço que a presidente [Dilma Rousseff] está fazendo um esforço muito grande em conceder esse ponto percentual, é preciso reconhecer que já houve um avanço. Porém, nós estamos com um problema estrutural seríssimo nos Municípios, que estão ficando ingovernáveis por problemas de recursos federais”, afirmou Ziulkoski ao G1.

Questionado se a proximidade com as eleições poderia ter influenciado essa abertura com o governo, Ziulkoski respondeu que “o processo eleitoral aguça muito essas questões e todo mundo fica muito mais sensível a essas questões”. Ele destacou, no entanto, os avanços já obtidos.

Negociação

O aumento do FPM foi um dos principais assuntos defendidos durante a XVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, realizada no mês de maio. Entre as conquistas obtidas durante a mobilização, destacou-se a abertura de diálogo com o governo federal para discutir a pauta municipalista, incluindo a elevação do Fundo. Desde então, Ziulkoski e uma comitiva de prefeitos têm se reunido com o governo para buscar soluções de enfrentamento da crise.
Paralelamente, a CNM tem se mobilizado na Câmara e no Senado para conseguir a aprovação dos projetos que tratam do assunto. As matérias têm pareceres favoráveis prontos para serem votados nas duas Casas. No entanto, pedidos de vistas feitos por deputados e senadores da base aliada adiaram a votação dos textos.

A entidade mantém as negociações no Congresso Nacional e aguarda a votação da matéria em comissão especial da Câmara na próxima semana. “Um ponto percentual já é um avanço, mas nós estamos negociando dois pontos. E, além disso, temos que conversar com o Congresso, que também tem nos ajudado. (…) Mas precisamos negociar”, destacou Ziulkoski.

Pauta municipalista

Além do FPM, “a Confederação também reivindicava a compensação e reposição das perdas por desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o reajuste dos valores destinados a programas federais, como a manutenção de creches e o pagamento de profissionais de saúde. Essas negociações prosseguem”, destacou matéria do Estadão.

* Fonte: Portal CNM

Artigo/Opinião: Estratégias não estão funcionando. Dilma se mantém firme na dianteira *

Teses e achismo

“…Políticos e estrategistas guiados pelo desejo são apaixonados pela candidatura ou pelo candidato…”

“…Urge aos presidenciáveis refletirem sobre as suas estratégias futuras…”

 

Humor do país com o sucesso da Copa favorece candidata Dilma. Mudanças de estratégias(?)

Humor do país com o sucesso da Copa favorece candidata Dilma. Mudanças de estratégias(?)

A defesa de uma tese requer interpretação científica do dado advindo da sociedade. O achismo representa a defesa do desejo e da paixão. Então, a defesa da tese é exercício científico. A defesa do querer é ato apaixonado. Políticos e estrategistas sábios são guiados por teses. Políticos e estrategistas guiados pelo desejo são apaixonados pela candidatura ou pelo candidato. A interpretação da conjuntura eleitoral requer a validação ou a falsificação de teses. Com isto, estratégias eleitorais eficazes são construídas.

Três teses sobre as eleições presidenciais foram apresentadas ao universo midiático após as manifestações de junho de 2013. A primeira proposição foi que os levantes de junho representavam intensa inquietação social. Neste caso, eleitores estavam insatisfeitos e sinalizavam, através das manifestações, que não mais desejavam reeleger Dilma. Foi previsto, inclusive, que intensas manifestações ocorreriam durante a Copa do Mundo.

As manifestações de 2013 proporcionaram o surgimento da segunda tese, qual seja: os eleitores brasileiros, majoritariamente, desejavam mudança. Diversas pesquisas de opinião realizadas no primeiro semestre de 2014 mostraram isto. Entretanto, enquanto a mudança era verbalizada pela maioria dos eleitores, Dilma continuava a liderar as pesquisas eleitorais. Deste modo, era necessária interpretação sofisticada e parcimoniosa do desejo de mudança expresso pelos sufragistas.

A terceira tese era que a realização da Copa do Mundo e a desorganização da infraestrutura ofertada aos turistas e brasileiros intensificariam inquietações sociais que seriam expressas por manifestações. Em razão disto, a competitividade dos presidenciáveis sofreria alteração. Neste caso, Dilma declinaria, e Aécio e Eduardo conquistariam eleitores.

Pesquisa realizada pelo instituto Datafolha divulgada em 03 de julho revela que Dilma continua a liderar a corrida presidencial, com 38% de intenções de voto. Aécio tem 20% e Eduardo, 9%. A aprovação da presidente Dilma alcança 35%. 65% afirmaram que as manifestações durante a Copa dão mais vergonha do que orgulho. E 60% estão orgulhosos com a organização da Copa.

Portanto, as três teses apresentadas foram falseadas. Neste caso, isto evidencia que elas foram formuladas por políticos e estrategistas apaixonados. Portanto, os dados advindos das pesquisas de opinião não foram adequadamente interpretados e códigos sociais vindos de pesquisas qualitativas foram desconsiderados. Urge aos presidenciáveis refletirem sobre as suas estratégias futuras.

 

 

adriano_oliveira_2 c gravata divulgacao

 

* Autor: Adriano Oliveira  –  Cientista Político. Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE – Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE. Colaborador do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. Sócio da Contexto Estratégia

** Fonte: Leia

Evento/Turismo: Sai a Programação Oficial do 24º Festival de inverno de Garanhuns *

Todas as expressões da nossa

cultura cabem no 24º Festival

de Inverno de Garanhuns

Festival de Garanhuns 24 2014

A programação completa da 24ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns já foi disponibilizada pela Fundarpe.

Vai começar mais uma edição do maior festival de arte e cultura de Pernambuco. De 17 a 26 de julho, a música, o cinema, as artes cênicas, a cultura popular e todas as outras formas de expressão artística brasileira vão se encontrar na 24ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns.

Tradicional destino turístico-cultural deste mês de julho, a cidade a 230 km do Recife vai acolher, com seu charme e as baixas temperaturas do período, cerca de 500 mil pessoas durante os 10 dias de programação.

Dos grandes shows aos cortejos de cultura popular; do espetáculo no teatro ao recital de poesias na feira livre, toda a riqueza e a diversidade da nossa cultura estão contempladas na programação. Um vasto leque de ações de difusão e também de formação cultural que ajuda a consolidar o FIG não apenas como um grande evento cultural, mas também como um momento de culminância das diversas políticas públicas atualmente desenvolvidas pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe, instituições que realizam o festival, em parceria com a Prefeitura de Garanhuns. A Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) e o Serviço Social do Comércio (SESC-PE) também são parceiros institucionais.

Vanessa da Mata é uma das boas atrações do 24º Festival de Inverno de Garanhuns

Vanessa da Mata é uma das boas atrações do 24º Festival de Inverno de Garanhuns

Atrações – Vanessa da Mata abre o festival

A cantora Vanessa da Mata, que lançou um dos CDs mais bonitos do Brasil este ano, está de volta ao Festival de Inverno de Garanhuns. Ela se apresenta logo no dia da abertura, fazendo um show que deve atrair fãs das principais do Nordeste.

Além dela estão confirmados Elba Ramalho, José Augusto, Zé Ramalho, Alceu Valença e a Banda Titãs, no encerramento.

HOMENAGEADO

No seu 24º ano de existência, o Festival de Inverno de Garanhuns homenageia o seu criador, Ivo Tinô do Amaral. Nascido em Lajedo, mas não menos garanhuense, o ex-deputado e ex-prefeito de Garanhuns, por dois mandatos, completou 80 anos em 2014. Além da criação do FIG, outra marca do ex-gestor é o Relógio de Flores, cartão-postal mais emblemático da cidade.

Leia a Íntegra:

http://issuu.com/cultura.pe/docs/programa____o_fig_2014

Todas as expressões da nossa cultura cabem no 24º Festival de Inverno de Garanhuns

* Fonte: Portal PE.
 

Eleição 2014/Corrida Presidencial: Pesquisa Datafolha indica que Dilma subiu 4% *

 

Dilma cresce 4 pontos e

vai a 38%, mostra Datafolha

 

Aécio e Campos oscilam na margem de erro –  Segundo pesquisa encomendada pelo jornal Folha de São Paulo, presidente subiu quatro pontos percentuais

 

 

Dilma Rousseff, do PT, cresceu de 34% para 38%. Aécio Neves, do PSDB, variou de 19% para 20%, e Eduardo Campos, do PTB, oscilou de 7% para 9%.

Dilma Rousseff, do PT, cresceu de 34% para 38%. Aécio Neves, do PSDB, variou de 19% para 20%, e Eduardo Campos, do PTB, oscilou de 7% para 9%.

Pesquisa Datafolha finalizada nesta quarta-feira (2) mostra que as intenções de voto na presidente Dilma Rousseff cresceram de 34% para 38% em um mês.

No mesmo intervalo, o senador Aécio Neves (PSDB) oscilou de 19% para 20%.

Já ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) variou de 7% para 9%, deixando assim a posição de empate técnico com o candidato Pastor Everaldo Pereira (PSC), estacionado em 4%.

O Datafolha ouviu 2.857 eleitores em 177 municípios nesta terça (1º) e quarta-feira (2). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos. A taxa de confiança é de 95% (significa que em 100 levantamentos com essa mesma metodologia, os resultados estarão dentro da margem de erro em 95 ocasiões). O registro do levantamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-00194/2014.

tabela datafolha de julho presidenciaveis 14183972

* Fonte: Datafolha / RICARDO MENDONÇA DE SÃO PAULO – 02/07/2014  22h36

Pernambuco/Violência: Morre sargento da PM em perseguição a assaltantes *

PM morre e outro é baleado durante

perseguição a bandidos que assaltaram

agências bancárias em Inajá-PE

 

Duas agências bancárias foram parcialmente explodidas (Foto: Leandro Bruno/ Blog Inajá em Foco)

Duas agências bancárias foram parcialmente explodidas (Foto: Leandro Bruno/ Blog Inajá em Foco)

Soldados sofreram emboscada e alvejados durante a operação. Dois foram atingidos

 

Sargento morreu depois de troca de tiros com bandidos na cidade de Inajá. Secretaria de Defesa pede que população ajude prestando informações.

 

sargento anderson dead Inaja

 

O sargento Anderson de Oliveira Souza, (foto) de 32 anos, morreu depois de tiroteio ocorrido entre criminosos e policiais militares na cidade de Inajá, no Sertão, na madrugada desta quarta-feira (2). O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) no Recife e será enterrado no Cemitério da Várzea, segundo a PM. Ele trabalhava há nove anos na profissão, estava no posto de terceiro sargento há um ano e deixa mulher e três filhos.

O policial Luiz Sales de Oliveira Alves, de 40 anos, também atingido, foi levado para o Centro Médico Hospitalar da Corporação e não corre risco de morrer. Outros militares tiveram ferimentos leves enquanto tentavam salvar os colegas e a si mesmos.

Segundo informações preliminares da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), mais de dez bandidos enfrentaram, com fuzis e pistolas, cinco policiais militares. A troca de tiros ocorreu depois queduas agências bancárias do Centro da cidade foram parcialmente explodidas, em uma tentativa de assalto. Os policiais ouviram o barulho e foram até o local, momento em que foram emboscados.

Estão procurando suspeitos as equipes de Petrolândia, Belém de São Francisco e da Companhia Independente de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga (Ciosac).

A polícia também fez uma vistoria no local, segundo a PM. A SDS-PE pede que a população ajude prestando informações ao Disque-Denúncia sobre o paradeiro dos criminosos. Os telefones disponíveis são (81) 3719-4545 (Agreste) e 3421-9595.

Leiam também: 

* Fonte: Boletim da PM/G1

Brasil: A Epidemia da Violência toma conta do país. Jovens são alvos de homicídios e trânsito *

Mapa mostra aumento e

disseminação da

violência no Brasil

Cruzes representam o gesto de manifestação contra a violência que grassa no nosso país

Cruzes representam o gesto de manifestação contra a violência que grassa no nosso país

Em 2012, 112.709 pessoas morreram em situações de violência no país, segundo o Mapa da Violência 2014, divulgado hoje (2). O número equivale a 58,1 habitantes a cada grupo de 100 mil, e é o maior da série histórica do estudo, divulgado a cada dois anos. Desse total, 56.337 foram vítimas de homicídio, 46.051, de acidentes de transporte (que incluem aviões e barcos, além dos que ocorrem nas vias terrestres), e 10.321, de suicídios.

Entre 2002 e 2012, o número total de homicídios registrados pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, passou de 49.695 para 56.337, também o maior número registrado. Os jovens foram as vítimas em 53,4% dos casos, o que mostra outra tendência diagnosticada pelo estudo: a maior vitimização de pessoas com idade entre 15 e 29 anos. As taxas de homicídio nessa faixa passaram de 19,6 em 1980, para 57,6 em 2012, a cada 100 mil jovens.

Segundo o responsável pela análise, Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, ainda não é possível saber “se o que ocorreu em 2012 foi um surto que vai terminar rapidamente ou se realmente está sendo inaugurado novo ciclo ou nova tendência”. Ele lista situações que podem ter gerado o aumento, como greves de agentes das forças de segurança ou ataques de grupos criminosos organizados.

Uma tendência já confirmada é a disseminação da violência nas diferentes regiões e cidades. Entre 2002 e 2012, os quantitativos só não cresceram no Sudeste. As regiões Norte e Nordeste experimentaram aumento exponencial da violência. No Norte, por exemplo, foram registrados 6.098 homicídios em 2012, mais que o dobro dos 2.937 verificados em 2002. O Amazonas, Pará e Tocantins tiveram o dobro de assassinatos registrados no mesmo intervalo de tempo. No Nordeste, o Maranhão, a Bahia e o Rio Grande do Norte mais que triplicaram os homicídios.

Na década, o Sul e o Centro-Oeste tiveram incrementos percentuais de 41,2% e 49,8%, respectivamente. No Sudeste, a situação foi mais variada, com diminuição significativa em estados importantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Já em Minas Gerais, os homicídios cresceram 52,3% entre 2002 e 2012.

As desigualdades são vivenciadas entre as regiões e também dentro dos estados. Nenhuma capital, em 2012, teve taxa de homicídio abaixo do nível epidêmico, segundo o Mapa da Violência. Todas as capitais do Nordeste registraram mais de 100 homicídios por 100 mil jovens. Maceió, a mais violenta, passou dos 200 homicídios. No outro extremo, São Paulo, com a menor taxa entre as capitais, ainda assim registra o número de 28,7 jovens assassinados por 100 mil.

O balanço da década mostra, contudo, que não é possível afirmar que há tendência comum de crescimento. Entre 2002 e 2012, as capitais evidenciaram queda de 15,4%, com destaque para meados dos anos 2000, quando a redução foi mais expressiva, o que, segundo o organizador, comprova que a situação pode ser enfrentada com políticas públicas efetivas.

Capa da publicação do Mapa da Violência 2014Arquivo/Agência Brasil

Capa da publicação do Mapa da Violência 2014 (Arquivo/Agência Brasil)

Em cidades do interior, o número tem crescido. Jocobo disse que são especialmente os municípios de pequeno e de médio porte os que têm sofrido com a nova situação. Ele cita dois possíveis motivos para isso: por um lado, o investimento financeiro em políticas públicas nos grandes centros urbanos, como Rio e São Paulo, ajudaram a diminuir a violência. Por outro, houve o desenvolvimento de novos polos econômicos no interior, que atraíram investimentos e também criminalidade, “sem a proteção do Estado como nas outras cidades”.

Se o país precisará esperar alguns anos para verificar o comportamento das taxas de homicídios, no caso dos acidentes de transporte há pouca ou quase nenhuma dúvida, dado o crescimento dos registros, à revelia das leis de trânsito que, na década de 1980, foram responsáveis pela redução desses acidentes.

As principais vítimas, segundo o estudo, são os motociclistas. Em 1996, foram 1.421 óbitos. Em 2012, 16.223. A diferença representa cerca de 1.041% de crescimento. Há “uma linha reta desde o ano de 1998, com um crescimento sistemático de 15% ao ano”, conforme a pesquisa.

Segundo o sociólogo responsável pela publicação, a situação é fruto “de um esquema ideológico que apresentou a motocicleta como carro do povo, por ser econômica, de fácil manutenção”. Assim, “em vez de se investir em transporte público, o trabalhador pagaria sua própria mobilidade”. E mais, fez dela o seu trabalho, seja como motoboy, entregador ou mototaxista, “em situação de escassa educação no trânsito, pouca capacidade de fiscalização e baixa legislação”, avalia Julio Jacobo Waiselfisz.

Ao todo, foram registradas 46.051 mortes por acidentes de transporte em 2012,  2,4% a mais que em 2011. Os dados oficiais reunidos para o estudo mostram que ocorreram, naquele ano, 426 mil acidentes com vítimas, que devem ter ocasionado lesões em 601 mil pessoas. A situação “é muito séria e grave”, alerta o autor do trabalho, que destaca que é preciso lembrar que “o cidadão tem o direito a uma mobilidade segura e é obrigação do Estado oferecê-la”.

O suicídio também teve aumento na taxa de crescimento. Diferentemente das outras situações, a elevação vem se dando desde os anos 1980. Conforme o relatório, o aumento foi 2,7% entre 1980 e 1990; 18,8%, entre 1990 e 2000; e 33,3%, entre 2000 e 2012. Nesse caso, a idade das pessoas envolvidas é também menos precisa. Tanto jovens quanto idosos têm sido vítimas.

Com a publicação do estudo, feito com o apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria Nacional de Juventude e da Secretaria-Geral da Presidência da República, espera-se, conforme o texto, “fornecer subsídios para que as diversas instâncias da sociedade civil e do aparelho governamental aprofundem sua leitura de uma realidade que, como os próprios dados evidenciam, é altamente preocupante”.

* Fonte: AEB/Helena Martins – Repórter da Agência Brasil

Pernambuco: É devagar… – Obras do PAC2, sem prazo de validade *

Transposição anda

pouco em 4 anos

Canal da transposição estação de bombeamentoCanal do são francisco

De abril de 2010 até o balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) publicado ontem as obras da transposição das águas do Rio São Francisco avançaram muito menos do que em todo o segundo governo Luiz Inácio Lula da Silva. O Eixo Leste, mais adiantado dos dois canais da obra, avançou no período de 49% para 59% de execução física. O outro canal, o Eixo Norte, saiu de 37% para 58%.

A transposição é de longe o projeto mais importante da região, porque envolve o abastecimento de água do semiárido, área mais seca do Brasil. Segundo o governo federal, serão beneficiadas 12 milhões de pessoas, entre novos perímetros irrigados e moradores de áreas urbanas, que passam até 30 dias sem água na torneira.

A transposição começou em 2007, com um orçamento de R$ 4,5 bilhões. Devido ao porte da construção, o projeto foi dividido em 14 lotes com empreiteiras e dois com o Exército. O Eixo Leste tem 217 quilômetros e beneficiará Pernambuco e Paraíba. O Norte mede 252 km e alcança, além dos dois Estados, o Ceará e o Rio Grande do Norte.

Mas a transposição foi licitada por um projeto básico tão malfeito que antes mesmo do início das obras várias construtoras pediram aumentos. A situação foi pior no primeiro ano do governo Dilma: as empreiteiras começaram a parar, pedindo altas de até 32%, acima do limite da lei de licitações. As paradas fizeram de 2011 o pior ano da transposição até então, com avanço físico de só 5%.

Em 2012, renegociações fizeram o orçamento da obra chegar a R$ 6,9 bilhões. Mesmo assim, as construtoras abandonaram ou encerraram os contratos. Por recomendações dos órgãos de controle, o governo reduziu o número de lotes e licitou tudo ano passado. A meta atual é chegar a 65% de execução nos dois canais até o próximo dia 30 de agosto.

Arco não tem prazo no

PAC 2

 

Arco viário do Grande Recife - Projeto não sai do papel...

Arco viário do Grande Recife – Projeto não sai do papel…

Uma ausência chamou atenção ontem na divulgação do novo balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Não era um político, mas uma obra. O relatório não trouxe qualquer dado ou prazo sobre o Arco Metropolitano, assumido pelo governo federal desde abril do ano passado. Há dois meses, o governador João Lyra (PSB) ouviu do ex-ministro dos Transportes, César Borges (PR), que o edital da primeira etapa do Arco sairia este mês, limite antes das eleições. Junho acabou, o ministro deixou o cargo e nada de edital.

A obra começou a ser licitada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em 18 de dezembro de 2013. Mas foi impugnada por sequer ter projeto básico e ter elevado impacto ambiental no trecho norte, entre a BR-232 e Igarassu. O Dnit previa cortar uma reserva de Mata Atlântica em Aldeia.

A questão é séria, porque na área está a fonte de 60% de água do Grande Recife. Por outro lado, em São Paulo, trechos do Rodoanel se arrastam há 10 anos na Justiça por questões ambientais. A promessa feita a João Lyra era que ao menos a parte sul da obra, do Cabo de Santo Agostinho à BR-232, sairia a um custo de R$ 800 milhões.

A rodovia foi concebida em 2008 como ligação direta entre Igarassu e Cabo, uma alternativa ao caótico trecho urbano da BR-101. O Estado buscou várias formas de viabilizar o projeto, sem sucesso. Em 2012, o então governador Eduardo Campos (PSB) chegou a pedir à presidente Dilma Rousseff (PT), sua aliada na época, para que o Arco fosse incluído no programa federal de concessões de rodovias, sem sucesso. Em abril do ano passado, porém, com a pré-candidatura de Eduardo à presidência já posta no tabuleiro, Dilma mudou de ideia e resolveu assumir a obra.

* Fonte: JC/Economia

Eleição 2014/Pernambuco: Como ficam os Tempos de Televisão dos candidatos ao governo*

Paulo Câmara com pouco mais de

10 minutos tem o maior tempo

no programa do TRE na TV

“O tempo de televisão pode ser uma arma perigosa se não for bem utilizada”. (MR)

Jóia da coroa de qualquer eleição, o tempo de televisão é o principal ativo eleitoral daqueles que desejam conquistar a preferência dos pernambucanos. Passadas as convenções partidárias – quando os candidatos já formaram suas redes de apoio – é chegada a hora de contabilizar os preciosos minutos de televisão.

Como era de se imaginar diante da força eleitoral do presidenciável e ex-governador Eduardo Campos, Paulo Câmara do PSB contará com 10 minutos e 37 segundos. Isso significa que a partir de 17 de agosto – quando os 20 minutos de propaganda eleitoral estarão liberados no rádio e na televisão – ele terá mais que o dobro do tempo de seu concorrente, o senador Armando Monteiro Neto, do PTB.

O trabalhista conseguiu arregimentar seis partidos no apoio a sua candidatura. Juntos PTB; PT; PRB; PSC; PDT e PTdoB contam com 150 assentos na Câmara dos Deputados. Esse montante proporciona a Armando Monteiro Neto 3 minutos e 54 segundos de tempo proporcional que somado ao tempo igualitário, 1 minuto e 20 segundos, chega a 5 minutos e 14 segundos.

tabela tempo p governador PE

A coligação Frente Popular que com 21 partidos sustenta a postulação de Paulo Câmara detém 357 deputados federais. O tempo é ampliado especialmente graças à presença do PMDB na chapa, que conta com a maior bancada federal. Juntos PMDB; PCdoB; PSB; PTC; PRP; PV; PTN; PSL; PR; PSD;PPS; PSDB; PSD; PPL; DEM; PSDC; PROS;PRTB; PEN e PP ofertaram a Paulo Câmara seus 10 minutos e 37 segundos de televisão e rádio.

“Veja bem, não adianta ter muito tempo de televisão se não tem propostas concretas para apresentar. O eleitor não quer conversar, que saber propostas objetivas para mudar sua vida. É importante ter uma boa equipe de comunicação e propostas firmes para conquistar o voto”, destaca ele, responsável pela tabela que determina o tempo exato que cada um terá nos programas.

Maurício Romão

* Autor: Maurício Romão – Maurício Costa Romão – Cientista político, professor, consultor e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, Estados Unidos,

Pernambuco/Eleição 2014: Candidato – Campeão de promessas *

O CAMPEÃO DE PROMESSAS

Articulista numerou 10 promessas do candidato Paulo Câmara em vários municípios

Articulista numerou 10 promessas do candidato Paulo Câmara em vários municípios

Em Pernambuco, terra do “caçador de raposas políticas” – o ex-governador e candidato a presidente da Republica pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos – a disputa eleitoral tem como marca o “racha” no aglomerado de partidos políticos denominado Frente Popular, que garantiu sua base de apoio durante os dois mandatos consecutivos, de 2006 a 2014.

Com o rompimento, a polarização promete ser acirrada com o outro candidato, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Armando Monteiro, ex-presidente da Federação da Industria do Estado de Pernambuco (FIEPE) e da Confederação Nacional da Industria (CNI) e senador eleito por uma outrora e agora dividida Frente Popular, que está sendo apoiado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), ambos ex-associados da Frente.

O ex-governador Campos escolheu, como candidato, alguém de dentro da sua “entourage familiar”, o que demonstra seu interesse de criar um grupo serviçal e de irrestrita confiança, para atender a seus interesses políticos. O ungido, Paulo Câmara, foi seu ex-secretário (Administração, Turismo e Fazenda) nos dois mandatos.

Nestes dois últimos meses de campanha eleitoral não autorizada, o que surpreendeu e me chamou a atenção, a ponto de escrever este artigo, foi a desenvoltura do candidato governista como criador de ilusões, devida ao número de promessas feitas em tão pouco tempo. Imaginem o que não fará até as eleições!!!

Muito pouco é questionado sobre por que, como membro do governo nos últimos oito anos, não fez o que agora promete na campanha eleitoral. Parece a todos que guardou para as eleições a promessa de atendimento às demandas da população, às quais não apoiou enquanto esteve no governo. Por que agora se deve acreditar que irá cumpri-las caso eleito?

Para cada região, para cada município, para cada grupo político que coopta, ele oferece um pacote de bondades disfarçado em promessas. É triste ver o toma lá dá cá fisiológico como moeda corrente da política brasileira. No vale-tudo, onde o objetivo principal é a conquista do poder, tudo é permitido. Relato a seguir algumas das pródigas promessas feitas pelo candidato Câmara em poucos dias de campanha não oficial, já que esta somente começará a partir de 6 de julho.

1) Reunido com produtores de caprinos e ovinos da cidade de Parnamirim, Sertão do Estado (23 de maio), prometeu fortalecer o setor pecuário do município incluindo carne na merenda escolar. Afirmou que aumentará para três vezes por semana o número de fornecimento de carne. Somente agora! Porque não quando estava no governo? Disse ainda que analisará, junto com sua equipe, a implantação de uma escola técnica no município.

2) No documento em que constam às diretrizes para o seu programa de governo na área de Saúde (27 de maio), prevê investimentos de R$ 478 milhões no setor. Inclui a construção de três novos hospitais: o Hospital Geral de Cirurgia, no Grande Recife; o Hospital Geral do Sertão (HGS), em Serra Talhada; e o Hospital da Mulher do São Francisco, em Petrolina. Também se compromete a tirar do papel o projeto do Hospital Regional Mestre Dominguinhos, em Garanhuns, o que já havia sido prometido pelo governo anterior. Além disso, prometeu transformar o Hospital Agamenon Magalhães, em Serra Talhada, no Hospital da Mulher do Sertão. No Recife, o Hospital Geral de Areias viraria o novo Hospital do Idoso. Sem contar com a construção de seis novas Unidades de Pronto-Atendimentos (UPA´s), estas que, depois de construídas com dinheiro público, serão entregues, como as UPA´s anteriores, sem qualquer custo, à iniciativa privada.

3) Em sua viagem pelo Sertão do São Francisco, em Cabrobó (30 de maio), o candidato assumiu o compromisso de pavimentar a chamada Estrada da Cebola, que liga aquela cidade a Terra Nova. Garantiu ainda que será a primeira estrada a ser pavimentada, caso eleito. Também prometeu transformar duas escolas municipais em estabelecimentos de referência. Além de se empenhar para levar uma extensão da Universidade de Pernambuco (UPE) para o município e viabilizar a construção de uma escola técnica local. A bem da verdade, o Conselho Universitário da Universidade de Pernambuco (UPE) já decidiu que não vai abrir novos cursos e campus no próximo ano, por falta de professores, servidores e de investimentos em infraestrutura deficientes (laboratórios, bibliotecas, etc.).

4) Em Petrolina (31 de maio), reforçou a promessa de criação do Hospital da Mulher do São Francisco, que consta nas diretrizes para a Saúde apresentadas no dia 27 de maio. Com um investimento de R$ 84 milhões, contaria (segundo a assessoria de comunicação do candidato), com 110 leitos, e uma capacidade projetada de realizar 2,8 mil atendimentos de urgência por mês, 10 mil exames de imagem e 26 mil consultas. A proposta é realmente importante para a região, todavia o hospital e os equipamentos somente funcionam com pessoas qualificadas e motivadas. Hoje os hospitais existentes carecem de infraestrutura, manutenção e pessoal. Por que não se projeta melhoria também para esses hospitais? Será que somente novas construções atraem o voto do eleitor?

5) Durante visitas pelo Agreste Meridional, em Garanhuns, prometeu construir ainda um outro hospital para atender a pacientes da região, o Mestre Dominguinhos, assegurando que o equipamento atenderá à demanda de alta complexidade existente na região. Além de “assegurar ações com o programa Doutor Chegou, com mutirões de cirurgias, consultas e exames; Medicamento em Casa; e a ampliação do Pernambuco Conduz, humanizando e aproximando o serviço de saúde para quem mais precisa, especialmente no interior”, conforme suas palavras. Prometeu que irá levar para o interior a qualidade que o serviço de saúde tem na Região Metropolitana do Recife (sic!). Saúde é apontada pela população com um dos maiores problemas.

6) No município de Calçado (8 de junho), no Agreste Meridional, assumiu o compromisso de, quando (se) eleito, uma de suas primeiras ações será a implantação da adutora que levará água da barragem Pau Ferro à cidade, assim como as vizinhas Jupi e Jucati. Garantiu que esta obra será (também) uma das primeiras coisas que irá fazer em 2015.

7) No município de Arcoverde (18 de junho), prometeu a duplicação da rodovia federal BR 232 de Caruaru a até aquele município (100 km). Talvez tenha “outra Celpe” para vender, e assim levantar recursos para cumprir sua promessa.

8) Em Glória do Goitá (20 de junho), comprometeu-se a investir para ampliar o desenvolvimento da cidade. Garantiu vagas para todos os alunos que quiserem estudar em escolas de tempo integral e em escolas técnicas. Também prometeu que levará a sua equipe a proposta de construir uma segunda escola de referência, a pavimentação da PE-50 e a ampliação do hospital municipal.

9) Em viagem à região Agreste (21 de junho), passando por quatro cidades, garantiu que, se eleito, fará o recapeamento da estrada entre Serra da Capoeira e Machados, além de viabilizar a duplicação da PE-90, rodovia que liga Limoeiro a Toritama. Não se pode esquecer o Plano de Infraestrutura Rodoviária de Pernambuco – Caminhos da Integração, anunciado em setembro de 2011, que previa investimentos de R$ 1,98 bilhão em 73 rodovias do estado. O projeto visava obras de restauro, implantação, requalificação e duplicação de 1.973 km de rodovias em Pernambuco. Frustrou muitos municípios. Mas agora as promessas voltam, “requentadas”.

10) Na cidade de Vertentes (22 de junho), integrante do pólo de jeans do estado, que também inclui os municípios de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, afirmou que isentará do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) as lavanderias de jeans. Diminuir impostos é uma promessa recorrente entre candidatos. E por que não o fez como secretario da Fazenda? Naquela região não se pode ainda esquecer o grave problema ambiental causado por estas indústrias, cuja solução caminha a “passos de tartaruga”.

Paulo Câmara segue o figurino de seu criador e mentor, hoje candidato à presidência da Republica, que percorre o Brasil afora prometendo ações e realizações, mostrando Pernambuco como exemplo de sua “gestão moderna e eficiente”.

Esta tecla repetida insistentemente, de que Pernambuco difere do governo federal e de outros estados da federação na área da gestão, é uma falácia. De que, aqui, os “meninos de ouro” comandados pelo candidato Campos têm “capacidade de tirar do papel e transformar em realidade” e que “o modelo de gestão prima pela meritocracia, com indicações de pessoas técnicas para cargos públicos chaves e valorização do serviço público com metas e cobranças”, conforme o candidato Câmara mais uma vez repetiu na sabatina promovida pela TV Jornal (29 de maio). Basta um mínimo de seriedade e honestidade para comprovar como o governo de Pernambuco não difere administrativamente em nada de outros estados do país e do governo federal. Como exemplo recente, citemos as obras prometidas para antes da Copa e que não foram entregues.

Como visto, promessas não faltam, e não faltarão, até o dia da eleição. Câmara já fez três grandes promessas em poucos dias, além de várias outras acima relatadas: duplicar uma estrada federal, a BR-232, de São Caetano até Arcoverde (100 km), instituir o bilhete único na área metropolitana e construir três novos hospitais regionais e seis UPA´s.

Candidatos com o texto do seu marqueteiro prometem resolver todos os problemas. O eleitor acredita, vota e desanima, ao ver que foi enganado. Não devemos esquecer que somos nós, os eleitores, que escolhemos aqueles que irão nos governar. Portanto, “olho neles”. Cabe ao eleitor/cidadão valorizar seu voto, não se deixando iludir com candidaturas que vendem ilusões.

 

Heitor Scalambrini

 

 

* Autor: Heitor Scalambrini Costa é Engenheiro e  Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Brasil: 20 anos do Plano Real. Até que enfim, a inflação controlada *

Plano Real, que acabou com

hiperinflação, completa

duas décadas

 

Plano Real acabou com a infração. Brasil ainda mantém a cultura infracionária

Plano Real acabou com a inflação. Brasil ainda mantém a cultura inflacionária

Em meio a um misto de expectativa e de desconfiança, a economia brasileira experimentava uma revolução há exatamente 20 anos. Em 1º de julho de 1994, entrava em vigor o real, moeda que pôs fim à hiperinflação que assolou a população brasileira nos 15 anos anteriores.

Apenas no primeiro semestre daquele ano, a inflação totalizou 757%, média de 43% ao mês de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos seis meses seguintes, o índice desabou para 18,6%, média de 2,9% ao mês.

Em vez de cortes de zeros na troca de moedas, o caminho para domar a inflação passou pela Unidade Real de Valor (URV). Cada real equivalia a uma URV, que, por sua vez, valia 2.750 cruzeiros reais, moeda em vigor até o dia anterior. Definida como uma quase-moeda, a URV funcionava como uma unidade de troca, que alinhava os preços seguidos de vários zeros em cruzeiros reais a uma média de índices de inflação da época.

Em vigor por quatro meses, de março a junho de 1994, a URV, na prática, promoveu a dolarização da economia sem, de fato, abrir mão da moeda nacional. Como cada URV valia US$ 1, o real iniciou sua trajetória também cotado a um dólar. O mecanismo uniformizou todos os reajustes de preços, de câmbio e dos salários de maneira desvinculada da moeda vigente, o cruzeiro real, sem a necessidade de congelamentos e de tabelamentos, como nos planos econômicos anteriores.

Um dos economistas que desenvolveu o Plano Real, o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) Edmar Bacha acredita que a transparência foi o grande diferencial que levou o plano a ter sucesso depois de tentativas fracassadas de conter a inflação. “Todos os outros planos foram feitos em segredo e surpreendendo a população. Esse foi feito às vistas da população, em etapas, e com total aprovação prévia do Congresso Nacional”, diz Bacha, atualmente diretor da Casa das Garças, instituto dedicado a estudos e debates de economia.

O Plano Real, na verdade, começou a ser pavimentado um ano antes. Em agosto de 1993, o então ministro da Fazenda do governo do presidente Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, comunicou o corte de três zeros no cruzeiro e o lançamento do cruzeiro real. Naquela ocasião, já estava acertada a criação do real, embora os detalhes do plano só tenham sido anunciados em março do ano seguinte, quando passou a vigorar a URV.

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>> Confira a série completa sobre os 20 anos do Plano Real

O plano foi implementado em duas fases para permitir, sem congelamento de preços, a transição entre o cruzeiro real e o real. A URV uniformizou todos os reajustes de preços, de câmbio e dos salários de maneira desvinculada da moeda vigente, o Cruzeiro Real (CR$). A cada dia, o Banco Central fixava uma taxa de conversão da URV em CR$, com base na média de três índices diários de inflação – os bens e serviços continuavam a ser pagos em CR$, mas passaram a ter referência numa unidade de valor estável.

O lançamento do real, em 1º de julho de 1994, deu início à segunda fase do plano. À frente do Ministério da Fazenda à época estava Rubens Ricupero. A conversão e os cálculos baseados na URV saíram de cena para a entrada do real. A partir de então, os juros altos e o dólar barato, com câmbio praticamente fixo, passaram a ser os principais instrumentos do governo para controlar a inflação. Em 1999, após a crise da Rússia, o governo adotou modelo em três pilares em vigor até hoje: superávit primário (esforço fiscal), câmbio livre e metas de inflação.

Agência Brasil procurou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Franco e Pérsio Arida – membros da equipe que desenvolveu o Plano Real – mas não conseguiu retorno.

Saiba Mais

20 anos de existência

** Colaboraram Daniel Lima e Alana Gandra

* Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil**