Category Archives: Crônica/Conto

Artigo/Opinião: Manifestações e a “Super quinta” *

Crônica/Efemérides: Copas do Mundo – Sucessos e Insucessos (I) *

 

A Copa, o Gol e o Voto (I)

 

 

Recém inaugurado, o Maracanã foi palco do malogro da seleção de 1950

Recém inaugurado, o Maracanã foi palco do malogro da seleção de 1950

 

Nas Copas do Mundo, futebol e política andam juntos. O que difere é a finalidade e a intensidade com que são usados. No Brasil, análises e opiniões se dividem sobre a influência dos resultados nos campos sobre a decisão do eleitor nas urnas. O debate esquentou por aqui. O tema será tratado em dois artigos.

Além das funções organizadora e reguladora, a FIFA exerce um papel eminentemente político (209 filiados, 16 a mais do que a ONU). É detentora do poder máximo sobre as competições de futebol. Onde há poder, há política para o bem ou para o mal. Escolher a sede da Copa é uma decisão política, ainda que apoiada em critérios objetivos e compromissos explícitos. A primeira Copa, realizada em 1930, por exemplo, contemplou o mérito do pequenino Uruguai, bicampeão olímpico (1924 e 1928).
Se, de um lado, a escolha da sede é política, de outra parte, os países escolhidos fazem uso político das copas de acordo com os interesses que permeiam a conjuntura histórica das nações. Neste sentido, vai da apropriação econômica do evento às possibilidades de legitimação do sistema de poder.

As Copas de 1934/38. Foram usadas como instrumento de propaganda fascista. A ordem de Mussolini era “Vencer ou Morrer”. Os jogadores adiaram a morte. Em 38, o talentoso atacante, Meazza, ao receber a taça Jules Rimet, saudou o Presidente da França com o gesto fascista e passou para história como o único capitão de equipe campeã a ser estrepitosamente vaiado.

Os craques de 1950 e o ônus da derrota na final para o Uruguai por 1x2

Os craques de 1950 e o ônus da derrota na final para o Uruguai por 1×2

A Copa de 1950. A primeira depois da Segunda Guerra Mundial contemplou o Brasil, um aliado (apesar das hesitações getulianas) das forças que venceram os algozes da democracia liberal. Vargas sucedeu Dutra. Pelo voto. A profunda decepção com a Copa não mexeu com a fidelidade governista das urnas. Preterida a Argentina, o Brasil mobilizou-se para mostrar ao mundo que era uma nação capaz realizar a copa, de construir o maior estádio do mundo e encantar o planeta com um futebol brilhante. O final infeliz a gente sabe: o “maracanazo”, a mais inesperada das derrotas; a mais desavergonhada politicagem em proveito da provável vitória; a alma brasileira ferrada pela novidade psicanalítica, o complexo de vira-latas.

Campeão na Suécia em 58. Início da era Pelé, Garrincha, Didi...

Campeão na Suécia em 58. Início da era Pelé, Garrincha, Didi…

A Copa de 1958. Um negro genial, adolescente, e um cafuzo de pernas tortas lideraram “o vareio de bola” que endoidou o sputinik, obrigou o Rei da Suécia a reverenciar o gesto imortalizado por Bellini e detonou o complexo. Ninguém, à exceção de Nelson Rodrigues, acreditava na seleção. A preparação adotou métodos modernos. O psicotécnico ferrou Garrincha. Os boleiros ferraram o psicotécnico e escalaram Mané. Naquela época, o Brasil vivia um momento mágico: Juscelino, bossa-nova, democracia e progresso. O Brasil ganhou a Copa, marcou gols de bela feitura e as urnas funcionavam.

O tricampeonato no México em 70. Seleção super elogiada até os dias de hoje...

O tricampeonato no México em 70. Seleção super elogiada até os dias de hoje…

A Copa de 1970. Nesta época, não tínhamos copa, não tínhamos urnas e carecíamos de gol. A vitória opaca de 1962 fora soterrada pelo abalo sísmico do futebol-força de 1966. Tempos difíceis. O auge do ciclo militar: uma economia atlética e liberdades caquéticas. No futebol, descrédito. Aí a contradição inacreditável: um comunista de carteirinha, inteligência privilegiada e tamanha coragem que nele caberia o titulo de sua “Insolência João Primeiro e Único”, muda tudo. Saldanha abriu a jaula e colocou em campo 22 “feras”. O João Sem Medo arretou-se com interferências indevidas e jogou a toalha. Antes, pavimentou o caminho para o disciplinado Zagalo e uma comissão técnica engalanada. Tiveram o bom senso de não misturar hierarquia, disciplina e a alegria libertária de jogar futebol. Juntaram grandes craques. Sem posições definidas e uma tarefa sagrada: tratar com carinho e intimidade sua majestade, a bola. Não deu outra: a taça Jules Rimet é nossa…para sempre.

Na Argentina em 1978 não obtivemos sucesso

Na Argentina em 1978 não obtivemos sucesso

A Copa de 1978. O refinado futebol argentino jamais precisou de governos civis ou militares para conquistar troféus. Porém, o ditador Jorge Videla precisava desesperadamente do título mundial. Para os donos do poder absoluto, não era suficiente a boa qualidade do time argentino. Armaram. A goleada dos argentinos na seleção peruana tirou o Brasil da final. Coutinho desabafou: “o Brasil é o campeão moral”. Este título não se contabiliza, mas um indigno conluio maculou a ética esportiva.

(Continua amanhã(20), na próxima coluna)

Nota do blog (O autor cometeu um lapso em deixar a copa de 1962 de fora da sua lista. Certamente, o fará no próximo capítulo. Basta lembrar que fomos bicampeões no Chile)

Gustavo Krause foto-colunista-62608

* Fonte e autor: LeiaJá/Gustavo Krause: Professor Titular da Cadeira de Legislação Tributaria, é ex-ministro de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, no Governo Fernando Henrique, e da fazenda no Governo Itamar Franco, além de já ter ocupado diversos cargos públicos em Pernambuco, onde já foi prefeito da Capital e Governador do Estado

Crônica/Opinião: 3 Lamentações sobre a desastrosa greve da PMPE – Por José Carlos Freire *

Greve da PM-PE :

escudo da PMPE

 

Saques nas lojas de Abreu e Lima. "se a polícia não tiver, pode"...

Saques nas lojas de Abreu e Lima. “se a polícia não tiver, pode”…

 

3 lamentações

“Seguindo a moda da PM baiana, de que, quanto pior, melhor para a greve (mais crimes, mais saques,etc) fez muita gente voltar a pensar que a segurança da população não é a prioridade número UM da PM. E nem a número Dois. Talvez a número 10″

1. Em 2 dias de greve a PM jogou fora o seu mais precioso tesouro, conseguido em décadas de trabalho e profissionalismo : a confiança que os pernambucanos tinham nela e não têm mais.

A greve é um instrumento legítimo. Mas, greve de serviços essenciais tem que ter ressalvas e proteção mínima. Não pode ser ao sabor de lideranças sindicais atrás de votos.

Seguindo a moda da PM baiana, de que, quanto pior, melhor para a greve (mais crimes, mais saques,etc) fez muita gente voltar a pensar que a segurança da população não é a prioridade número UM da PM. E nem a número Dois. Talvez a número 10.

Quando o PT, seguindo o mesmo cronograma que a Venezuela seguiu, começar a acabar com as polícias militares e criar as polícias bolivarianas de bairros, com instrutores cubanos, vai acontecer o impensável: a população vai apoiar totalmente.

2. A Justiça que, quando tem uma greve de garçons de restaurantes de luxo, se apressa, justamente, para não prejudicar os grã-finos, em estabelecer cotas mínimas de trabalhadores em atividade, não exigiu nem 1% de policiais em ação, para emergências.

Quando decretou a ilegalidade da greve, deu de frente com uma parede, foi ignorada, que é o que acontece com uma categoria com a força da PM. Em nenhum lugar alguém disse que a ilegalidade teve qualquer peso para acabar com a greve.

3. Os brasileiros reabriram uma velha chaga. De que não somos suecos que viemos morar nos trópicos. Somos todos filhos dos degredados portugueses e ainda imaginamos, como sociedade, que se não há punição o crime é uma coisa “normal “.

Foi duro ver que os habitantes de Abreu e Lima, PE, apesar de terem passado todos para a classe média, conforme o governo, e terem mandado os filhos para intercâmbio estudantil no Canadá, continuam achando que não existe crime, se a PM não estiver de plantão.

É de chorar!

Ze Carlos Freire medico escritor

 

 

* Autor: José Carlos Cordeiro Freire – É pesqueirense, médico/cardiologista, escritor, cronista e colaborador (eventual)  do OABELHUDO.

Artigo/Opinião: Não somos vítimas, mas autores dessa barbárie *

Saques, total insegurança e a boataria dão o tom do momento no Grande Recife

Saques, total insegurança e a boataria dão o tom do momento no Grande Recife

Não somos vítimas, mas

autores dessa barbárie

“Vale registrar que o soldado Joel da Harpa, que encabeça o movimento dos policiais militares, possui íntima ligação com o deputado pastor Cleiton Collins e, por conseguinte, com o principal mentor do político evangélico, o deputado federal Eduardo da Fonte”

“Muito me surpreende esse repentino poder de mobilização do soldado Joel da Harpa, uma vez que ele foi candidato a vereador pelo Partido Progressista nas eleições de 2012 e não conseguiu se eleger junto à categoria”

Está difícil para quem trabalha com notícias políticas, como eu, lidar com esses acontecimentos medievais que estão se intensificando no nosso cotidiano. Uma coisa é cobrir eventos relacionados à violência urbana, outra é vivenciar, in loco, toda essa barbárie promovida pelos baderneiros de plantão. Quem conhece a movimentação política sabe que existem muitas outras coisas por trás de todo esse interesse repentino da categoria dos policias militares de fazerem esse movimento insano e fora de tempo.

Eu conheço pessoalmente o cabeça de todo esse movimento e vejo nele um interesse de gerar instabilidade em uma negociação que começou no governo Eduardo Campos e que está, agora, com João Lyra.

Vale registrar que o soldado Joel da Harpa, que encabeça o movimento dos policiais militares, possui íntima ligação com o deputado pastor Cleiton Collins e, por conseguinte, com o principal mentor do político evangélico, o deputado federal Eduardo da Fonte.

Muito me surpreende esse repentino poder de mobilização do soldado Joel da Harpa, uma vez que ele foi candidato a vereador pelo Partido Progressista nas eleições de 2012 e não conseguiu se eleger junto à categoria. Agora ele aparece, às vésperas da eleição, comandando uma movimentação que carece de um forte esquema de financiamento, recursos estes que ninguém sabe de onde vem.

Todos nós sabemos que existe uma disputa rasteira e suja nesta eleição e que vamos ter que conviver com esse clima até o fato se consumar, em outubro.

No cerne de tudo isso está a população do estado, que vive um clima de terror. Aliás, esse termo é bem distante do que realmente sente o pobre e mortal cidadão.

No momento em escrevo essas letras estou num café do Shopping Tacaruna, onde vim para buscar meus óculos novos. Do nada, surgem boatos de que vai acontecer um arrastão e os lojistas fecham as portas. Os frequentadores do shopping há muito desapareceram, como está acontecendo com todas as pessoas que estão aterrorizadas com essa situação.

Ontem, minha esposa sofreu uma tentativa de assalto em meio a falta de energia que durou mais de cinco horas, à noite, em plena greve da polícia. Hoje, a escola do meu filho caçula e a faculdade do meu mais velho me mandaram mensagem dizendo que não vão aplicar aulas devido à falta de segurança.

Mas analisando de forma nua e crua nós não podemos nos colocar como vítimas de todo esse problema se aqueles políticos que usam das formas mais rasteiras, sujas e por vezes deplorável os seus mandatos que são concedidos por nós eleitores. É o nosso voto que coloca essas pessoas no poder e por isso somos autores e não vítimas de toda essa parafernália. Tome uma atitude nas próximas eleições e faça valer a sua responsabilidade pelos que vão comandar esse país!

adriano roberto jornalista do Magno

* Fonte & Autor: blogdomagno – Adriano Roberto é jornalista e radialista, apresentador do Frente a Frente com magno Martins.

Artigo: Impressões sobre Pesqueira – Por Carlos Sinésio *

PESQUEIRA

 

Um passado glamouroso a cidade precisa agir o presente e pensar o futuro

Um passado glamouroso a cidade precisa agir o presente e pensar o futuro

Uma impressão sobre Pesqueira

 

Pesqueira Fabrica Rosa e o cruzeiro ao fundoPraça dom José Lopes antiga em Pesqueira  66400_131410430355770_2019829469_n

 

 

Instado  pelo editor do  prestigiado Blog OABELHUDO, com base em Sanharó, o amigo Paulo Muniz nos sugere escrevermos um texto sobre a visão que temos hoje de Pesqueira, minha cidade natal. Apesar de estar há vários anos distante dela, onde apenas vou de maneira rápida, aceitamos o desafio para falar um pouco sobre o passado, o presente e o futuro do município. Vemos tudo à distância, pelas redes sociais, pela mídia em geral e através de conversas com amigos. Mas o nosso olhar está baseado no passado da antiga Terra do Tomate, hoje mais conhecida como Terra do Doce e da Renda (renascença).

Como sabemos, Pesqueira era três décadas atrás uma das mais importantes e promissoras cidades de Pernambuco. Devido a vários fatores, entre eles a falta de boas gestões e de água (secas constantes), o que afetou a produção agrícola e pecuária, a economia local entrou em declínio. Houve, como consequência, o fechamento de indústrias importantes, entre elas a Peixe, a Rosa e a Cicanorte, todas fabricantes de produtos alimentícios.

Praça dom José Lopes com catedral reformada Pesqueira

A economia local sofreu fortes abalos. Não estava consolidada e preparada para enfrentar e vencer as sucessivas crises econômicas que atingiram o País e o Mundo. Com a chamada globalização, o perfil econômico das cidades e regiões sofreu alterações, precisou, em muitos casos, se adequar a uma nova realidade mundial que, lá na ponta, atinge as aldeias. O município não acompanhou essas transformações, não investiu como deveria em educação e em outros setores que atraíssem novas empresas.

O resultado é que Pesqueira, de certa forma, quase estacionou, enquanto outras cidades procuraram alternativas, buscaram caminhos, viraram novas fronteiras econômicas dentro do Estado. É verdade que muitos fatores vinham de fora para dentro, como tiros certeiros disparados em um alvo frágil. Mas é verdade também que parte dessa estagnação econômica tem como causa fatores internos, no âmbito político-administrativo municipal. E como não teve sorte o município…

O que dá esperança e anima é que os ventos parecem estar mudando economicamente e politicamente por estas bandas. O atual gestor local, que ocupou o cargo já duas vezes, é reconhecidamente um cidadão sério e que trata com zelo a administração pública. Dele se espera bastante, até porque tem experiência e sabe os caminhos para buscar recursos e investir nas áreas mais carentes, como as sempre citadas educação e saúde, molas-mestras de qualquer civilização que pretende se desenvolver. O prefeito Evandro, acreditamos, sabe muito bem disso.

Os tempos podem e devem ser outros. Melhores, bem melhores. É tempo de ter fé e de se trabalhar muito mais, para se garantir às gerações futuras uma vida melhor, com mais qualidade e justiça social. Nós ainda acreditamos nisso, embora o preço cobrado por essa crença seja bem alto. Progresso, Pesqueira! É tudo o que te desejamos. O teu povo sofrido merece essa dádiva.

Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti de camisa em foto boa

* Autor: Carlos Sinésio – Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti é pesqueirense,  jornalista, colaborador eventual do OABELHUDO, poeta e escritor. Atualmente, é secretário executivo de Comunicação Social do Cabo de Santo Agostinho.

Artigo/Opinião: Pernambuco Interiorano… – Por Ivonaldo Leite *

Caruaru - (com "cartões postais" como o São João, a feira, o Mestre Vitalino, etc.) ter as deficiências que o seu terminal rodoviário tem

Caruaru – (com “cartões postais” como o São João, a feira, o Mestre Vitalino, etc.) ter as deficiências que o seu terminal rodoviário tem

PERNAMBUCO INTERIORANO:

Arido movie posterarido movie poste 02 08

 

 

PATRIMÔNIO HISTÓRICO E DESENVOLVIMENTO

“O interior pernambucano é detentor de um patrimônio histórico (material e imaterial) que representa um verdadeiro ativo para impulsionar o desenvolvimento estadual pela via do turismo”

“Falta o som ressoar nos ouvidos das autoridades com poder de decisão sobre a questão, para aprimorar, dentre outros aspectos, a infraestrutura interiorana para a promoção do turismo”

 

Museu do Doce IvonaldoMuseu do Doce PesqueiraMuseu do Doce placa iNSTITUTO cULTURAL

 

 

 Pesqueira – “…o que é que explica que, em Pesqueira, um museu criado para registrar a memória da tradicional indústria doceira do município, pouco tempo após a sua inauguração, tenha sido fechado

Pesqueira –Turistas chegam à cidade, encantados com as narrativas do seu passado, e se frustram com essa história do presente. Com a palavra as autoridades competentes”

Criativamente, o filme buscou, em seu titulo, uma união entre a língua portuguesa e inglesa. Recebeu a designação de Árido Movie, e se passa basicamente no agreste pernambucano. A cidade imaginária chama-se Rocha, sendo esta, na verdade, a vila de Mimoso, distrito de Pesqueira, distrito este que, durante quase todo o século XX, foi ponto de referência por causa do trem e por aglutinar produtores de goiaba na sua feira aos domingos, onde, com o dinheiro advindo da produção vendida à pujante indústria doceira do município, eles desfilavam como barões.

Árido Movie, ou, numa tradução direta, filme árido, estrelado, entre outros, por Giulia Gam, Guilherme Weber, José Dumont, Selton Mello, Luis Carlos Vasconcelos e Paulo César Pereio, querendo ou não, pisou numa questão social delicada: a do desenvolvimento, a sua configuração para além da esfera geográfica metropolitana da capital/litoral. A dada altura do filme, o personagem interpretado por Guilherme Weber, ao chegar em Rocha (Mimoso) e parar numa oficina por conta de problema no carro, indaga ao mecânico:

– Esse buraco existe há muito tempo?

O mecânico, indignado, retruca:

– Isto aqui não é um buraco, não. É um lugar simples, mas não é um buraco, não.

O personagem de Weber procura desfazer o mal entendido:

– Desculpe-me. Não me fiz entender. Refiro-me ao buraco da estrada.

Tratava-se do buraco que causou o problema no carro, e que foi responsável pela parada na oficina à beira da estrada.

Ora, aqui, para além do crônico problema de infraestrutrura brasileiro, onde a situação das estradas é um exemplo paradigmático, o que está em causa é a noção de “desenvolvimento integral”. E, no caso, mais do que isto: a da incapacidade da esfera estatal em promover o desenvolvimento interiorano a partir do seu patrimônio histórico.

O interior pernambucano é detentor de um patrimônio histórico (material e imaterial) que representa um verdadeiro ativo para impulsionar o desenvolvimento estadual pela via do turismo. Numa pequena amostra disso, o saudoso Luiz Gonzaga, na companhia de João Silva, bem cantou as venturas dessa possibilidade na música Trem da Serra. Falta o som ressoar nos ouvidos das autoridades com poder de decisão sobre a questão, para aprimorar, dentre outros aspectos, a infraestrutura interiorana para a promoção do turismo.

Tenha-se em conta, a esse respeito, a situação das rodoviárias. É quase inacreditável, por exemplo, uma cidade como Caruaru (com ‘cartões postais’ como o São João, a feira, o Mestre Vitalino, etc.) ter as deficiências que o seu terminal rodoviário tem. Mas, ficando ainda pelo agreste, o que é que explica que, em Pesqueira, um museu criado para registrar a memória da tradicional indústria doceira do município, pouco tempo após a sua inauguração, tenha sido fechado? Ou que o ‘Shopping Rosa’ (que também abriga o referido museu), instaurado na histórica fábrica de doce que tem a mesma denominação, funcione numa situação de precariedade? Turistas chegam à cidade, encantados com as narrativas do seu passado, e se frustram com essa história do presente. Com a palavra as autoridades competentes.

Árido movie, por certo, é apenas um filme. Mas, mutatis mutandis, tem algo a dizer sobre determinadas realidades do interior pernambucano. Na América do Norte e na Europa, que são sempre tão mencionadas por autoridades brasileiras como exemplos em certas áreas, o patrimônio histórico, material e imaterial, é, ao mesmo tempo, uma dimensão constituinte da identidade dos povos, de sua afirmação cultural e um fator, através do turismo, de desenvolvimento econômico-social. Que se coloque então a retórica de lado e se tire as devidas ilações.

De resto, desconsiderar o valor do patrimônio histórico significa incorrer naquele equívoco assinalado pelo escritor alemão Goethe: o de, sob a aparência de tudo seguir o seu rumo habitual, tudo se encontrar em jogo, e a vida continuar como se nada estivesse a acontecer.

Ivonaldo Leite blog SAM_2804

 

 * Autor: Ivonaldo Leite –   IVONALDO NERES LEITE é pesqueirense, residente em João Pessoa, historiador e sociólogo, tendo obtido o Ph.D na Universidade do Porto/Portugal.  É colaborador do OABELHUDO, Professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tem sido Professor Convidado em universidades latino-americanas e europeias. Como Pesquisador, tem desenvolvido projetos sobre educação, desenvolvimento e meio ambiente, no âmbito institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Artigo/Opinião: Coitado do Consumidor – Por Gustavo Krause *

Coitado do Consumidor

"Na minha opinião, o consumidor brasileiro é, no mínimo, digno de dó". Gustavo Krause.

“Na minha opinião, o consumidor brasileiro é, no mínimo, digno de dó”. Gustavo Krause.

Hiper casa forte fechadocarrefour fachado pela vigilancia

(Lojas de grandes redes foram fechadas pela Vigilância Sanitária do Recife, por cometerem sérias infrações contra o consumidor.exemplo: Hiper de Casa Forte e o Carrefour do bairro da Torre) 

Para evitar confusão semântica: coitado não deriva de coito que vem do saudoso latim, verbo coire (ir com, fazer com); também não tem nada a ver com o particípio passado do ver cozer (biscoito, cozido duas vezes); coitado é sinônimo infeliz, desgraçado, miserável, enfim uma pessoa digna do dó. Depois da leitura do artigo, a associação de ideias é livre.

Na minha opinião, o consumidor brasileiro é, no mínimo, digno de dó.

A propósito, o escocês Adam Smith, filósofo moral (Teoria dos sentimento morais) e pai da economia moderna (A riqueza das Nações, sua obra magna), tão genial quanto difamado, observou, analisou e formulou teorias (o auto-interesse) que, aparentemente contraditórias, encontram harmonia na providência benigna da mão invisível.

Pois bem, o sábio escocês antecipava, em arguta observação, a sina do consumidor: “As pessoas de um ramo do comércio raramente se encontram para se divertirem, mas a razão do encontro é conspirar contra o consumidor e, em algumas ocasiões, para aumentar preços”.

Em 1776, tratava o consumidor como elo do sistema econômico que consome para viver e não vive para consumir. E via no agente da produção, movido pelo auto-interesse, a capacidade de satisfazer necessidades, a troco do preço justo desde que a concorrência mantivesse o mercado em equilíbrio. Na prática, a fome voraz do consumismo e a sede incontida do lucro incendeiam a arena econômica que clama pela mão do mediador mais forte do que invisível.

Daí a necessidade de mecanismos de regulação e proteção jurídico-institucional para que o mercado não se torne uma arena povoada por canibais: monopolistas, oligopolistas e delinquentes de um lado e, de outro, o vício do consumo conspícuo.

Desta forma, nosso foco foge ao estrito campo da economia para penetrar na esfera da Política e do Direito. Política e Direito se fundem na proteção da cidadania no seu sentido amplo e, em particular, no caso do cidadão/consumidor. Apesar, dos inegáveis avanços legais, não é exagero afirmar que o consumidor brasileiro é digno de dó.

Não conheço uma só pessoa no meu círculo de amizades que não tenha sido vítima, como cidadão/consumidor, de desrespeito, descortesia, transgressão, embuste e prejuízos concretos.

Não vou computar o consumidor/vítima de concessionários ou permissionários de serviços públicos e daqueles providos diretamente pela maldita burocracia estatal.

No mais, todos têm história para contar sobre: planos de saúde, serviços de telefonia, internet e assemelhados, serviços bancários, compras de eletro-eletrônicos, produtos de cama, mesa e banho, o precinho das oficinas autorizadas de automóveis, hotelaria, hospitais, objetos de decoração de interiores, carpintaria, pintura etc…,etc….

Agora, o mais grave: a estarrecedora interdição de quase duas dezenas de supermercados em razão das irregularidades cometidas na área de alimentos. Estarrecedora, repito, porque desde os pequenos estabelecimentos às gigantescas redes multinacionais, cometem-se graves atentados à saúde pública.

Tudo bonitinho. Arrumadinho em obediência à “ciência do varejo”. Quem vê gôndola, não vê depósitos e áreas de armazenamento. Autênticas incubadoras de bactérias prontas para atacar o organismo humano (salmonelas), doenças latentes nos enlatados com datas vencidas (botulismo), enfermidades suficientes para ameaçar a vida das pessoas.

Ao lado das incubadoras de bactérias, desfilam baratas cascudas (vi retrato do inseto no saco de pão) e, no painel asqueroso da sujeira, gatos e ratos comemoram o armistício do covil de roedores do bolso e da boa-fé dos clientes.

Cabe atentar, ainda, para um mercado paralelo que vende produtos vencidos às mercearias da periferia do Recife.

Que recaia sobre os responsáveis a mão pesada das autoridades, do Procon-PE, da Vigilância Sanitária, da Delegacia do Consumidor e da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro), órgãos que merecem o aplauso da sociedade pernambucana ao exercer eficientemente o papel de defensores do cidadão. Que a ação fiscalizadora se transforme numa saudável e necessária rotina.

Para completar o cerco aos infratores, bem que as redes sociais poderiam mobilizar os consumidores com o apelo #reajaconsumidor.

Gustavo Krause foto-colunista-62608

* Fonte e Autor: LeiaJá/Gustavo Krause  –  Professor Titular da Cadeira de Legislação Tributaria, é ex-ministro de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, no Governo Fernando Henrique, e da fazenda no Governo Itamar Franco, além de já ter ocupado diversos cargos públicos em Pernambuco, onde já foi prefeito da Capital e Governador do Estado.

Crônica: Coisas do Futebol – Por Marco Soares *

COISAS DO FUTEBOL

 

paulo cesar caju 1974paulo cesar  caju foto recente soccerex_373_499Brasil  tricampeao Copa do Mundo (70)

 

 

 

Nesta semana me surpreendi com o reaparecimento de Paulo César Caju na mídia, comentando a Copa do Mundo que estará acontecendo no próximo mês aqui no nosso Brasil (aliás, vai ter Copa?).

Paulo César, para quem não recorda, foi jogador do Botafogo do Rio de Janeiro e defendeu a seleção brasileira do TRI, em 1970. Era um jogador vaidoso, diferente para os padrões da época, andando sempre muito bem vestido, curtindo com frequência a praia do Leblon com um belo cachorro ao lado, sempre presente em grandes eventos sociais e mostrando grande desenvoltura em suas entrevistas, como tive oportunidade de ler nas páginas da revista MANCHETE daquela época.

Esteve durante algum tempo no futebol Francês e depois, segundo reportagem recente, enveredou por alguns descaminhos, mas depois voltou aos trilhos. Ultimamente estava fazendo palestras de prevenção contra as drogas.
Mas, vamos ao futebol. Suas declarações, tão polêmicas como sua própria trajetória pessoal, tem certo teor de fundamentação; não sei se justifica, entretanto, a sua atitude extrema.

Disse o nosso fabuloso meio campista que o futebol que a nossa seleção pratica hoje é feio, tornando os jogos apenas um meio de obter resultados, alijando toda a arte que outrora o torcedor via, aplaudia, contagiando um a um os noventa milhões de brasileiros daquela época.

Na campanha do TRI muito antes de um mês para o início da Copa o Brasil inteiro já entoava a música (hino) composto por Miguel Gustavo, feito exclusivamente, para a seleção: “Noventa milhões em ação/pra frente Brasil/ Do meu coração… e mais adiante: “De repente é aquela corrente pra frente/ Parece que todo o Brasil deu a mão…”.

Hoje o nosso Brasil já passa dos duzentos milhões de habitantes, mas sente-se que nem vinte por cento mostram a empolgação daqueles tempos de Paulo César, Pelé, Tostão, Jairzinho, Clodoaldo, Gérson, Carlos Alberto, Félix, Brito, Marco Antônio, Piazza, Rivelino…

Apesar de o País viver em um regime ditatorial naquele período, tinha-se um grande sentimento patriótico, e a seleção era para os brasileiros “a pátria de chuteiras”. Era o Brasil do Ame ou deixe-o”.

Os tempos hoje são outros. O Brasil vive um regime democrático (é isso mesmo?), mas é um como um barril de pólvora prestes a explodir; a violência campeia nos estádios (eu fiquei, como pernambucano e torcedor do Santa Cruz, envergonhado com o episódio recente do Estádio do Arruda); jogadores perna-de-pau ganham fortunas; os ingressos dos estádios são inacessíveis à grande maioria; o calendário futebolístico é uma aberração.

Há que se repensar o futebol brasileiro. Caso contrário teremos as gigantes arenas, cujo preço para a população só serão sentidos nitidamente mais adiante, vazias ou subutilizadas.

Mas, voltando às declarações de Paulo César, que desencadeou toda esta gama de comentários alheias ao cerne do assunto, sabe o que ele falou? Que iria torcer pela Argentina, Espanha e Alemanha, que têm mostrado um futebol bonito, com arte, como deve ser.

Talvez não tenham dito ou avisado a Paulo César que atualmente há interesses outros por trás de cada competição esportiva.

Eu sempre fui um fã ardoroso de Paulo César. O “negão” sabia jogar com classe e resolvia a parada. Talvez tenha sido isso que ele quis dizer ao seu modo.

DEDICATÓRIA

 

Paulo Leite Souza integrando a equipe vitoriosa do tradicional Grêmio Lítero Esportivo de Sanharó que foi sua segunda casa...

Paulo Leite Souza integrando a equipe vitoriosa do tradicional Grêmio Lítero Esportivo de Sanharó que foi sua segunda casa…

Dedico esta crônica ao primo Paulo Leite Souza (Paulo de Catarina – in memorian), que nos tempos áureos de Paulo César sonhou em ser jogador profissional. Acabou abraçando a advocacia, mas sempre será lembrado pelos desportistas da região pelas suas atuações no mais antigo clube de futebol de Sanharó, o tradicional Grêmio Lítero Esportivo, especialmente.

marco soares

* Autor: Por Marco Soares – MARCO AURÉLIO FERREIRA SOARES, é engenheiro, professor, colaborador pioneiro do OABELHUDO, cronista, poeta e escritor.

Crônica/Homenagem: Todo dia é dia das Mães – Por Gera Santana *

grávida mão negramae africana e criança branca

Todo  dia é dia das mães

 

 

 

O dia das mães chegou e com ele um sem número de campanhas e promoções comerciais sem, contudo se preocupar com o que é mais importante “O sentir amor puro e verdadeiro dos filhos e filhas”.

Façamos, pois um exame de consciência bem apurado:

• Somos amorosos (as) com a mamãe? Ela precisa muito de gestos verdadeiros e amorosos.

• Diariamente dedicamos um minuto de carinho a nossa mãe? Como ela ficaria feliz se você dedicasse a ela um pouco de atenção e carinho.

• Se longe de casa estamos, telefonamos pra ela e mandamos um beijo? Com certeza ficaria menos preocupada e muito feliz.

• Quando a vemos todos os dias, oferecemos os nossos doces carinhos? Fique certo (a) ela se sentiria a mulher mais amada do mundo.

• Compreendemos quando ela está aperreada e zangada? Quase sempre ela se aperreia por você. Por não ter o melhor para oferecer e ou Por você está se desviando dos caminhos corretos.

• Aceitamos os seus sábios conselhos sobre o rumo da nossa vida? Ela sentiria tão importante em saber que você aceita e segue os conselhos. Só pra lembrar conselho de mãe sobre é pra ser seguido e jamais esquecido. Quem segue acerta sempre.

• Ajudamos a nossa mãe nas horas de necessidade? Lembre-se que ela ariscou a sua vida para que viesse ao mundo.

Mãe é mãe em todos os momentos e nos enche de carinho e afeto a cada dia. Quando nascemos ela nos cobre de amor.

Quando criança ela nos ensina a fazer as tarefas de casa, mesmo que tantas vezes não saiba ler ou escrever e nós aprendemos.

Quando estamos em perigo ela nos alerta e nos defende com a força de um gigante.

Quando adultos ela se preocupa quando saímos, que hora chegamos se estamos bem, se adoecemos nos enche de remédios da vovó e enfim se preocupa e nos ama todas as horas.

Quando constituímos uma família ela se preocupa com tudo e se estamos felizes.

A bem da verdade, ser mãe é ser guia da vida

Ser mãe mesmo em situação adversa é semear vidas

Ser mãe é acordar na tormenta e transformá-la num paraíso

Ser mãe é no mundo semear luz!

E essa luz é você!

Portanto tendo ou não condição de dar um grande presente à sua mãe, não esqueça que o presente pode ser material, que é o mais simples, e ou espiritual que é o mais belo dos presentes.

Que tal se doar de presente à sua mãe, todos os dias?

Ela adoraria, pois teria o seu filho e ou a sua filha de volta aos seus braços.

Ela ficaria nas nuvens, pois teria uma bela prova de amor.

Afinal somos filhos de uma DEUSA!

Feliz todos os dias, pois todo dia é dia das mães!

 

Gera-Santana-pesqueira1

 

 

* Autor: Gera Santana  – GERALDO SANTANA – É pesqueirense, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta, radialista e cerimonialista.

CANETADAS/Homenagem: História da Aviação Pesqueirense – Por Jurandir Carmelo *

TUDO SOBRE A AVIAÇÃO CIVIL EM PESQUEIRA

ANO I – Nº I – FOLHA DE PESQUEIRA, EDIÇÃO DE 27 DE ABRIL DE 1947.

O AERO CLUBE DE PESQUEIRA empenha-se para que seja, em breve, oficialmente inaugurado o campo de aviação.

Toma vulto o movimento aviatório – Os aviões “Pesqueira” e “D. José Lopes”.

Inauguração do hangar do novo Aeroclube de Pesqueira

Inauguração do hangar do novo Aeroclube de Pesqueira

Iniciativa das mais notáveis da hora presente foi a que dotou Pesqueira de um campo de aviação. O transporte aéreo em nossa terra já não é mais problema a resolver. É uma realidade. E para essa realidade não faltaram o entusiasmo e a decisão firme do Dr. Armando Pita Brito. Deve-se a esse espírito de moço dinâmico e atilado às boas conquistas, a existência do nosso campo de pouso. A grande área de terreno é uma das mais importantes faixas de terra adaptadas à aterrissagem de aviões, até mesmo de certa classe.

Esse empreendimento do Dr. Armando Brito foi recebido por elementos representativos das classes conservadoras do município, sendo de destacar o concurso dos Srs. Carlos de Britto S/A e Cia., que proporcionaram todas as facilidades para a objetivação do campo de pouso de Pesqueira. E não tiveram os Srs. Carlos de Britto & Cia., mão a medir às despesas que patrocinaram.

Outros elementos de projeção nas atividades da indústria e do comércio da cidade foram também ao encontro de tão valiosos melhoramentos, como os Srs. José Didier & Cia. Ltda., Casas José Araújo S/A e outros, cujos nomes escaparam a esta reportagem.

Por seu lado, os poderes municipais, então à frente da edilidade o ex-prefeito Arruda Marinho, cooperaram nos trabalhos de construção do campo. E atacado o serviço, com vontade e segurança, teve Pesqueira, em pouco tempo, realizado esse notável melhoramento.

Autoridades do estado prestigiaram o grandioso evento e inauguração do hangar de campo de pouso de Pesqueira

Autoridades civis e militares do estado prestigiaram o grandioso evento e inauguração do hangar de campo de pouso de Pesqueira

O AVIÃO “PESQUEIRA”.

O trabalho do campo de pouso nasceu de uma conversação improvisada entre figuras locais, nela a ideia de ser adquirido um aparelho teco-teco. E logo um grupo composto dos Srs. Armando Pita Britto, Antonio Magalhães Araújo, Jurandir Brito de Freitas, Agostinho Bezerra Cavalcanti, José Pita, Carlos Silva e o piloto Severino, entraram em entendimento e, naquele instante, logo foi subscrita importância necessária à aquisição de um pequeno aparelho de aviação. Dentro de pouco mais de um mês, recebia a cidade o seu primeiro teco-teco.

Feito isto foi, também, ao mesmo tempo, fundado o Aéreo Clube de Pesqueira e eleita a sua primeira diretoria, regularizada sua situação no ministério da Aeronáutica, e escolhido presidente o Sr. Armando Pita Brito. E o avião “Pesqueira” já hoje vem prestando relevantes serviços, fazendo intercâmbio de viagens entre Recife Monteiro e Campina Grande, além de um curso de pilotagem para o qual se inscreveram diversas pessoas desta cidade, inclusive senhoritas de nosso escol social.

UMA OFERTA DO BISPO DIOCESANO AO AÉRO CLUBE DE PESQUEIRA

O Senhor Bispo diocesano, d. Adalberto Sobral, num gesto dignificante, e assim prestando sua melhor solidariedade ao empreendimento que deu a Pesqueira o seu campo de pouso, ofereceu ao Aéreo Clube desta cidade, um avião que receberá o nome do inolvidável Dom José Lopes, 1º bispo desta diocese.

Essa oferta do ilustre antístite pesqueirense, hoje eleito arcebispo do Maranhão, foi recebida com a maior simpatia.

PARA BREVE A INAUGURAÇÃO DO CAMPO – O AERO CLUBE DE PERNAMBUCO ENVIARÁ UMA ESQUADRILHA, DE NO MÍNIMO, DEZ AVIÕES – UM ENCONTRO, EM RECIFE, COM O SR. MÁRIO PENA E LIGEIRA PALESTRA COM O SR. ARMANDO PITA BRITO.

Palestrando há dias com o Sr. Armando Pita Brito, informou-nos o presidente do nosso Aero Clube que logo passada a estação invernosa, que já se prenuncia, será marcado o dia da inauguração oficial e solene de todas as instalações do campo de “Cachoeira”, adiantando-nos que participarão dessa festividade representações do Aero Clube do Recife, João Pessoa e Campina Grande, sendo de esperar a presença de vários aviões que sobrevoarão a cidade.

Soubemos, em Recife, num encontro acidental da reportagem deste jornal com o Sr. Mário Pena, presidente do Aéro Clube de Pernambuco, que na inauguração do nosso campo de pouso, virá uma esquadrilha de, no mínimo, dez aviões, um dos quais será pilotado pelo próprio Sr. Mário Pena.

E aquele ilustre homem de projeção dos mais altos círculos econômicos do Estado, falou com a mais viva simpatia sobre a feliz iniciativa do Sr. Armando Pita Brito.

Momento sublime a recepção do avião e a inauguração. O mundo elegante pesqueirense se fez presente

Momento sublime a recepção do avião e a inauguração. O mundo elegante pesqueirense se fez presente

FOLHA DE PESQUEIRA – ANO I – Nº 9. PESQUEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 1947 – DIRETOR PAULO DE OLIVEIRA.

Uma vitória da aviação civil.

Causou um acontecimento marcante de entusiasmo a vinda a esta cidade de um DOUGLAS, das Forças Aéreas Brasileiras.

A aterrizagem do importante aparelho verificou-se de modo magnífico. Numa simples manobra, muito naturalmente, o bimotor desceu no campo de pouso, ante o entusiasmo da população, calculada em cerca de três mil pessoas, que tinha até ali ido assistir ao embarque do ex-bispo de Pesqueira, Dom Adalberto Sobral.

“Ótimo campo”, respondeu-nos o tenente-coronel aviador Vitor Barcelos, quando o interpelamos. Acrescentando que tinha feito sua aterrissagem sem a menor preocupação e sem o menor incidente, tanto assim que aterrissara em posição contrária, tal a confiança que lhe inspirou a segurança do campo, já anteriormente inspecionado. Suas declarações foram assistidas pelo colega, tenente-coronel Balloussier, comandante do DOUGLAS.

A tripulação do DOUGLAS DC 3, além daqueles dois oficiais da FAB, era completada pelo sargento-mecânico David e sargento-telegrafista Laurindo.

O referido bimotor pertence ao 2º Grupo de Transportes da FAB.

FOLHA DE PESQUEIRA, EDIÇÃO DE 27 DE MARÇO DE 1949 – (PÁGINA 3).

Aéro Clube de Pesqueira.

Submetidos à vistoria os aviões: “Pesqueira” e “D. José Lopes” – Intensificado o curso de pilotagem.

No dia 13 do corrente, foram submetidos à vistoria os aviões: “Pesqueira” e “D. José Lopes”, do Aéro Clube desta cidade. A inspeção dessas unidades de nossa aviação civil, procedida por uma comissão de oficiais do Ministério da Aeronáutica que veio diretamente do Rio para, em Recife, no Aéro Clube de Pernambuco, desempenhar-se daquele exame. A aludida comissão julgou os aviões “Pesqueira” e “D. José Lopes” em ótimas condições de navegabilidade, com os seus motores em perfeita ordem e as demais instalações daqueles aparelhos.

INTENSIFICADO O CURSO DE PILOTAGEM.

O Aéreo Clube de Pesqueira vem intensificando o curso de pilotagem que está sendo praticado pelos alunos Estanislau Ventura, Horácio Campelo, Libério Martins, Nelson Avelar e Horácio Silva, tendo como instrutor o piloto Genú Rodrigues dos Santos. Esse curso de pilotagem é feito no avião “paulistinha” – Dom José Lopes.

Pesqueira era assim, cinco seis homens sentavam em um lugar qualquer e compravam um teco-teco. Hoje 100 deles sentam e não compram um velocípede. Ah, Pesqueira!

Jurandir Carmelo foto 2

 

 

* Autor: Jurandir Carmelo – Jurandir é pesqueirense, advogado, colaborador pioneiro do OABELHUDO, jornalista, cronista, debatedor e defensor intransigente da coisa e dos interesses pesqueirenses. (Obs: Algumas palavras estão grafadas originalmente como se escreviam à época)