Category Archives: Crônica/Conto

Movimento Cultural: Certeza da Solidão – TEXTO DE DJANIRA SILVA *

 

“…Tenho medo do movimento das sombras. Não me preparei para ser só”.

 

 

quarto escuro3 djanira silva

 

 

Abro o portão. Agora, será sempre assim todos os dias, a mesma angústia. Penso em ficar, desejo sair. Quando saio, me angustio pensando na volta. É difícil a gente se dizer: estou só. Queria uma ausência que me afastasse de mim.

Ponho a chave na porta, abri-la, entrar é o que devo fazer. Lá dentro a cara grossa do silêncio. Não consigo aceitá-lo, segue-me, persegue-me. Na presença do invisível sou covarde. Aliás eu sempre tenho medo: medo de não ouvir nada, de não ver, de não saber, de ver o que não quero, de sentir a dor, o sofrimento me consumindo como agora. Preciso de coragem para enfrentar lembranças.

Diante do nada me detenho. O mundo calado, cheio de segredos, me assusta. Esta menina tem medo de tudo. A mãe, inquieta conta-me histórias para afugentar temores.

A noite chega depressa. As sombras se espalham pela casa e dentro da alma. O jarro da mesa, fora do lugar, as janelas abertas. A casa desarrumada. Se chover molhará as cadeiras, o chão da sala. Já não tenho a quem me queixar, nem reclamar pelas coisas erradas.

Certeza da solidão.

No quarto, a falta de presença, a cama vazia. O tapete esticado, morto no meio do quarto. Acendo a luz. Estremeço. Mesmo com a luz acesa, ainda tenho medo. Fecho a porta para não ver o escuro. Tenho medo do movimento das sombras. Não me preparei para ser só.

 – Texto retirado do livro da autora – Memórias do Vento

DjaniraSilva

* Fonte: . Djanira do Rego Barros Silva é pesqueirense, escritora, cronista, contista e poetisa. É acadêmica membro da APLAS – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Crônica/Homenagem: Três profetas desarmados *

Três líderes da Paz

 

Mandela. Abriu mão do poder e conquistou o coração dos cidadãos do mundo...

Mandela. Abriu mão do poder e conquistou o coração dos cidadãos do mundo…

O que Mandela, King e Gandhi têm em comum? Todos foram encarnações do sacrifício pelos outros

 

O que têm eles em comum? Todos foram encarnações do sacrifício pelos outros...

O que têm eles em comum? Todos foram encarnações do sacrifício pelos outros…

É significativo que dois dos três maiores heróis do nosso tempo –Martin Luther King e Mandela– fossem negros e o terceiro, o Mahatma Gandhi, indiano. Nenhum era europeu ou representativo do topo da civilização ocidental, entidade cuja realidade Gandhi pôs em dúvida ao comentar que teria sido uma boa ideia…

O que têm eles em comum? Todos foram encarnações do sacrifício pelos outros. King e Gandhi deram a vida, Mandela, a liberdade que sacrificou durante os 27 anos mais produtivos da existência. Por mais que nossa época secularizada rejeite o valor redentor do sofrimento, está aí a prova de que não se pode ser grande sem sofrer pelos demais.

Gandhi e King foram homens de profunda fé religiosa e abraçaram a não violência evangélica como método de ação. Mandela chegou a comandar o braço armado do Congresso Nacional Africano, mas acabou por pregar o perdão e a reconciliação como atitudes necessárias a fim de unificar e construir a nação.

Não se preocuparam com o Produto Interno Bruto, a acumulação de riqueza, o consumo exuberante de bens materiais. Nas questões de moral sexual e familiar, o comportamento deles não foi sempre perfeito. Não ganharam batalhas nem esmagaram os inimigos. Eram os tipos acabados do “profeta desarmado” que Maquiavel julgava predestinados à derrota.

Compare-se, porém, a perenidade da herança que deixaram à devastação e ao extermínio legados pelos profetas armados: Hitler, Stálin, Mao. Até ao próprio Churchill, que queria liquidar Gandhi a fim de garantir a quimera do Império Britânico!

Houve, é claro, pessoas iguais ou superiores na absoluta devoção aos necessitados –madre Teresa de Calcutá, por exemplo. O diferencial deles se encontrava em outro aspecto: tendo uma atuação política, não se corromperam por poder, vaidade ou dinheiro. Lideraram seus povos pela força moral, também uma variante do poder, mas a que nasce do serviço, não da dominação.

Moviam-se não pela grandeza, como De Gaulle, pela glória do império, como Churchill, para ser a maior nação da terra, como os americanos. O que desejavam era simples e concreto: justiça e compaixão para os membros mais fracos e vulneráveis da comunidade. Na linguagem do papa Francisco, saíram todos de si próprios para mergulharem nas periferias da existência.

Embora só King fosse ministro cristão, os três compreenderam que a antilógica do Evangelho é mais eficaz que a lógica do mundo. Oferecer a outra face pode parecer loucura. Contudo, apenas quando se renuncia ao “olho por olho” é que se rompe a inelutável espiral da violência.

A destruição do domínio inglês na Índia, da segregação no sul dos EUA, do apartheid na África do Sul foram o resultado da resistência não violenta ativa daqueles que jamais teriam força para prevalecer num confronto violento.

Desses três gigantes só um, Mandela, chefiou um governo. Compreendeu então o que entre nós é anátema: saber abrir mão do poder e conquistar o coração dos cidadãos é melhor garantia para consolidar a obra do que a perpetuação pela reeleição permanente. Se o grão não morre, nunca dará frutos.

Rubens Ricupero

* Fonte/Autor: FolhaSP – RUBENS RICUPERO – Diplomata e ex ministro da fazenda.

Crônica: Conceitos de Riqueza – Por Walter Jorge de Freitas *

CONCEITOS SOBRE RIQUEZA

(ONTEM E HOJE)

 

Eike Batista - Super exposto pela imprensa. Era tido como um midas...

Eike Batista – Super exposto pela imprensa. Era tido como um midas…

No malogro...O choro do desespero.

No malogro…O choro do desespero.

 

 

A iminente derrocada desse bilionário de mentirinha chamado Eike Batista está me deixando cheio de lembranças dos tempos de menino, quando junto com os amiguinhos, brincávamos com maços de cigarro vazios como se fosse dinheiro. Éramos ricos, mas não tínhamos grana nem para comprar uma cocada ou mesmo uma mariola.

Naqueles velhos tempos, ao vermos alguns garotos se divertindo em local à parte, já sabíamos, eram os filhos dos ricos que evitavam se misturar com os pobres. O danado é que as melhores brincadeiras eram as coletivas e eles acabavam se juntando aos menos favorecidos e se divertiam às pampas.

Quem eram os ricos daquela época? Bem, sempre que ouvíamos falar que fulano era rico, a ideia que vinha à nossa mente era de que aquela pessoa tinha muito dinheiro (em casa e em um banco da capital), joias, terras a perder de vista, pra lá de mil cabeças de gado, pertencia a uma família geralmente numerosa e de boa aparência, não devia a ninguém, apesar de ter muito crédito.

Na sua fase áurea, a SUDENE forjou inúmeros ricaços aqui no Nordeste, “irrigando” suas empresas (muitas de fachada) com dinheiro dos bancos oficiais, em troca de apoio político. Quando chegava a oportunidade de quitarem os débitos bancários e recolher impostos ao Estado e ao município, dos quais receberam incentivos, elas se mudavam para outra sede, onde passavam a gozar dos mesmos benefícios.
Modernamente, o conceito de rico está banalizado e além do mais, deixando os abestalhados cheios de pose, julgando-se imortais, acima de tudo e de todos, muito bajulados pelos políticos de plantão e, por conseguinte, vivendo de ilusões.

Há poucos dias, os jornais e revistas daqui e de fora do país dedicaram páginas e mais páginas a um cara que era considerado como dono da maior fortuna desta terra de Cabral. Suas empresas eram representadas por siglas estranhas que normalmente escondiam a identidade de seus acionistas e as atividades exploradas.

Mas, como se diz aqui no interior, a mentira tem pernas curtas. De uma hora para outra, MMX, MPX, OGX e mais algumas, começaram a entrar em estado de insolvência e a bomba estourou. Eike está tendo dificuldades para cumprir os compromissos financeiros. Os milhões de reais que o BNDES e diversos bancos estatais lhe emprestaram, dificilmente serão recuperados. Este tipo de calote não é novo.

O episódio em pauta acaba por gerar uma dúvida: se as empresas desse grupo estavam inadimplentes com a Previdência e demais órgãos arrecadadores, como conseguiam as certidões negativas exigidas para realizar tantos financiamentos? Sei não. Aí tem coisa!

Por uma estranha coincidência, o falso rico figura entre os grandes doadores de dinheiro para campanhas políticas não muito remotas.
E assim, uma dinheirama que daria para ajudar a centenas de empresas de pequeno porte, foi colocada nas mãos desse megalomaníaco, com o consentimento do governo e, ao que tudo indica, o “pepino” vai sobrar para os contribuintes. Seus ex-empregados certamente ficarão desamparados.

Como dizia certo humorista da TV: “É bonito isso?”.

 

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* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, professor, comerciante, cronista, poeta e pesquisador musical.

Crônica/: Futebol – Torcer é Distorcer *

 

 

 

 

“Algumas pessoas pensam que o futebol é tão importante quanto a vida e a morte. Elas estão muito enganadas. Eu asseguro que ele é muito mais sério que isso”. Bill Shankly

Todo torcedor é chato. Independente da idade, uma criança. Crianças, já viu, né?, tirante nossos filhos, são anjinhos, lindas e chatas. Mas sem este personagem o futebol perderia a graça assim como a vida perderia a alegria não fosse o perfume e a beleza da infância.

E é simples explicar: infantilizado, o torcedor xinga, elogia, chora, briga, confraterniza, vai da depressão à euforia em minutos e devota tanto ou mais ódio ao seu rival do que amor ao seu clube de preferência.

Há quem diga que a origem do nome vem dos lenços nervosamente torcidos pelas damas que, muito bem vestidas, frequentavam, na década de trinta, as competições de um esporte importado do Império inglês – o football -, eurocêntrico, branco, elitista, mais tarde, incorporado pela mestiçagem brasileira que transformou a prosa retilínea, construída com régua e compasso, em poesia curvilínea do futebol mulato, feita de estrofes, livres, leves e soltas, como cantam os repentista, pois, ao final não perdem a rima, da mesma forma que, com a ginga, o manejo do corpo e a magia do pé chegam ao momento sublime do gol. O futebol europeu é prosa; o brasileiro (ainda), poesia. É o que dizia o grande cineasta Paolo Pasolini lá pelos idos da década de setenta.

Da origem aos dias atuais, o futebol tornou-se o maior espetáculo da Terra. Com ele, o aparecimento de personagens que, embora tenham sofrido grandes transformações, não perderam características originais. De fato, o futebol artesanal/romântico e o futebol moderno/científico mostraram vários personagens com as características dos tempos históricos de cada um. Dentre eles, porém, o personagem mais fiel às características originais é o torcedor.

Com efeito, a primeira identidade, a do indivíduo-torcedor nasce no espaço local a partir da relação entre o indivíduo e o clube, constituída por razões e emoções explicáveis e inexplicáveis. Projeta-se em círculos concêntricos para o espaço nacional e a global. O sentimento brotou, tudo mais tem razão que a própria razão desconhece.

O torcedor pode ser objeto de um tratado de psicologia eis que no limite mata e morre pelo seu clube; é alimentado pelos laços de solidariedade e pelos conflitos da rivalidade em que o amor pelo clube de preferência se iguala ou ou é suplantado pelo ódio ao adversário.

No conjunto, a identidade coletiva compõe uma horda; vive uma atmosfera tribal que canta, grita e extravasa paixão e agressividade; expressa os mais contrastantes sentimentos: vai da euforia à depressão em segundos; torce e distorce, provocando e sendo provocado pelo contágio que transfere ou recebe das tensões da disputa. Este quadro pode ser observado, de modo mais agudo, em torcidas para quem o futebol é a coisa mais importante de suas vidas e o dia de jogo é dia de um culto a uma verdadeira religião. Infelizmente, colocam em cena a violência desnaturando o mais desprendido dos afetos: ainda que não receba a paga da vitória, o torcedor continua dando sem a contrapartida do receber.

Ainda no conjunto, estão ligados por uma argamassa de grande família, ora resvalando para o espírito guerreiro e clânico que projeta uma auto-imagem megalômana, movida por uma força mítica.

O torcedor tem alma devota e espírito de criança; torce e joga (décimo segundo jogador); aplaude e vaia; idolatra e condena com a mesma intensidade; em todos os casos, o torcedor dá vozes às cores num coro de vozes e canta hinos de louvor à pátria amada eleita pelo coração.

No entanto, é o único caso em que o amor não é cego: é míope ou caolho. O torcedor somente enxerga o que favorece seu time: transforma uma merecida goleada numa virada sensacional, em geral, por culpa do juiz e do famoso “se”.

Por isso, Bill Shankly, gerente e técnico do Liverpool entre 1959 e 1974, conclui seu livro com a seguinte frase: “Algumas pessoas pensam que o futebol é tão importante quanto a vida e a morte. Elas estão muito enganadas. Eu asseguro que ele é muito mais sério que isso”.

Por tudo isso, torcer é distorcer.

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* Fonte e Autor: Leiajá – Gustavo Krause  –  Professor Titular da Cadeira de Legislação Tributaria, é ex-ministro de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, no Governo Fernando Henrique, e da fazenda no Governo Itamar Franco, além de já ter ocupado diversos cargos públicos em Pernambuco, onde já foi prefeito da Capital e Governador do Estado.

Artigo: O Contribuinte e os Impostos Invisíveis *

Impostos invisíveis. O contribuinte prefere pagar caro a esperar pelo governo

Impostos invisíveis. O contribuinte prefere pagar caro a esperar pelo governo

“…Até porque, além de imediatista, o contribuinte tem razão de ser desconfiado com o uso de seu dinheiro por parte dos governos. Prefere pagar privadamente altos impostos invisíveis do que exigir os resultados públicos dos impostos visíveis”.

“…Mas os contribuintes preferem pedir redução dos tributos visíveis pagos explicitamente aos governos (federal, estadual e municipal) do que eliminar os impostos invisíveis , com os quais compram no mercado os serviços que deveriam ser providos pelo setor público”. 

No Brasil, os contribuintes só começam a trabalhar para si a partir do dia 30 de maio de cada ano. Do 1º de janeiro até esse dia, trabalham para pagar impostos. Isso seria menos grave se, em troca desse trabalho para o Fisco, o contribuinte recebesse de volta os serviços públicos de que carece, na quantidade e qualidade devidas.

Não é isso que ocorre. Além dos 150 dias de impostos visíveis, o contribuinte passa cerca de 26 dias adicionais por ano para pagar, sob a forma de impostos invisíveis , a escola dos filhos, a saúde da família e a segurança de seu dia a dia. São os impostos invisíveis relacionados com os gastos em que a classe média incorre todo ano: cerca de R$ 60 bilhões (1,3% do PIB) com educação privada, R$ 40 bilhões (0,87% do PIB) com segurança privada e pelo menos R$ 180 bilhões (4% do PIB) com planos privados de saúde.

Este gasto é maior se considerarmos os custos causados pela ineficiência social e econômica que recai sobre o cidadão brasileiro. O sistema deficiente da educação provoca elevados gastos sobre o funcionamento da sociedade, prejudicando a vida dos contribuintes. A falta de segurança depreda patrimônio, prejudica a saúde e mata pessoas.

Mas os contribuintes preferem pedir redução dos tributos visíveis pagos explicitamente aos governos (federal, estadual e municipal) do que eliminar os impostos invisíveis , com os quais compram no mercado os serviços que deveriam ser providos pelo setor público. Um sistema educacional e um de saúde de qualidade para todos aliviariam os contribuintes de classes média e alta; uma sociedade pacífica, graças a um sistema social mais equilibrado e eficiente representaria uma elevação na qualidade de vida.

A vocação pelo privado, o gosto pelo imediato e a preferência pelo distanciamento em relação ao povo fazem o contribuinte brasileiro aceitar os impostos invisíveis . Com isso, a elite compra o direito de não misturar os serviços privados que usa com os serviços públicos do povo.

A tolerância e a condescendência em pagar impostos privados invisíveis , em vez de pagar impostos sociais eficientes , decorrem de características que dominam o inconsciente coletivo da elite nacional. A vigência de uma ética pela qual se valoriza o privado mais do que o público; a segregação social que leva a parcela rica e de classe média a não querer se misturar em escolas iguais, hospitais iguais nem fazer a distribuição de renda que tornaria o Brasil um país pacífico fazem parte da mente do Brasil e de sua preferência pelo imediatismo. O contribuinte prefere pagar o imposto invisível para ter o retorno imediato, para si e sua família, do que pagar hoje e esperar um retorno posterior para toda a população.

Até porque, além de imediatista, o contribuinte tem razão de ser desconfiado com o uso de seu dinheiro por parte dos governos.

Prefere pagar privadamente altos impostos invisíveis do que exigir os resultados públicos dos impostos visíveis.

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* Fonte e Autor; O Globo – Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)

Crônica/Homenagem: Postais Sonoros, Sucesso da Radio Difusora de Pesqueira – Por Walter Jorge de Freitas *

POSTAIS SONOROS

 

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As emissoras de rádio do interior mantiveram no ar por muito tempo, um programa através do qual os ouvintes enviavam mensagens de parabéns e declarações de amor acompanhadas de um número musical. O nome do programa variava: postais sonoros, mensagens musicais, e mensagens sonoras, eram os mais usados.

A característica musical, segundo o amigo Arnóbio Marques que apresentou o programa na Rádio Difusora de Pesqueira, por vários anos, nas décadas de 60 e 70 era IN THE MOOD, com Glenn Miller e sua Orquestra.

Na zona rural, os moradores costumavam festejar os aniversários tendo o referido programa como trilha sonora. Eles faziam uma cota, mandavam as mensagens acompanhadas da importância correspondente à quantidade de pedidos e na hora do programa, lá estavam os familiares e convidados para bebericarem e balançarem o esqueleto ao som de suas canções preferidas.

Tudo isto, no tempo dos discos de 78 RPM e dos famosos LPs. Tinha música que de tanto tocar, o discotecário era obrigado a solicitar de vez em quando, que a direção da emissora providenciasse outro igual, a fim de aposentar o antigo pelo desgaste.

Os românticos solicitavam e ofereciam A Volta do Boêmio, Não Beba Mais Não, Cabecinha no Ombro, Pensando em Ti, Amigo Ciúme, Índia, Meu Primeiro Amor, Amigo Leal, Risque, Vitrine, Negue, Alguém Me Disse, Normalista, Vingança, Gavião Calçudo, Quatro Paredes.

(Sucesso absoluto nos Postais Sonoros – Miguel Angelo – Quatro Paredes)

E mais: Cadeira Vazia, Nem Coberta de Ouro, Chuá, Chuá, Tenho Ciúme de Tudo, Conceição, Mariposa, Nono Mandamento, Segredo, Atiraste uma Pedra, Deusa do Asfalto, Célia, Superstição, Você Vai Gostar, Mais Uma Lição, O Ébrio, Laura, Cinderela, Borrasca, Regresso, El Relógio, Estou Pensando em Ti, entre outras.

Por sua vez, os mais chegados ao forró, brindavam as pessoas queridas com: Asa Branca, Juazeiro, Que Nem Jiló, Sabiá, O Canto da Ema, Ela Nem Olhou Pra Mim, Vem Morena, Sebastiana, Forró em Limoeiro, e mais algumas do gênero.

À época, uma das mais pedidas – Não Beba Mais com o Duo Ciriema.

De uns tempos para cá, com o progresso das comunicações, programas semelhantes passaram a ser feitos por telefone.

A modernização excluiu as discotecas e os discotecários. O computador além de armazenar as canções em arquivos facilita a sua busca e execução. O lado negativo é sem dúvida, a omissão dos nomes dos compositores, já que as pastas são organizadas tomando por base os intérpretes.

Com muita saudade e uma boa dose de saudosismo, relembramos aquelas músicas que acompanharam os romances em uma época mais romântica e de relacionamentos mais duradouros.

Recordar é viver!

 

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* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, escritor, cronista, poeta e pesquisador musical.(Capas Google/videos Youtube)

Movimento Cultural/CRÔNICA de Djanira Silva – SAUDADE ANTIGA *

 

(Saudade antiga - Retrato de Susanna Fourment, de 1625, Peter Paul Rubens

(Saudade antiga – Retrato de Susanna Fourment, de 16250 Peter Paul Rubens

SAUDADE ANTIGA

Hoje encontrei uma carta antiga, nela pude ouvir muitas vozes. Todas falavam de uma saudade antiga. Lembrei das tardes de domingo quando, sem falar, ouvíamos o silêncio segurando o tempo. Víamos o entardecer de um dia terminal embalado pela voz de Charles Trenet. Não preciso sair de dentro do meu coração para viver. É aqui que vivo e revivo, nasço, morro e renasço. As lembranças transformadas em saudade tornam os caminhos da volta mais seguros para uma alma que não se cansa de ser feliz num mundo feito apenas de lembranças.

 

Quando envelhecemos, às vezes nos sentimos com mais idade do que realmente temos, no entanto, em certos momentos basta fechar os olhos para voltar a viver. Não importa o momento que fica do lado de fora. Importa mesmo o que está lá dentro, o que nem envelhece nem se apaga.

Quando escuto certas músicas é como se me encontrasse comigo, a verdadeira, a que não teve medo de ser feliz. Então sei o quanto gosto de mim e da que fui na adolescência. Amo o que fui e o que fiz. Vivo cada momento, alimentada por estas lembranças. Se voltasse hoje, queria voltar como eu era, não como sou, porque não seria a mesma. No agora, só me serve o agora.

É no longe que te encontro. Mesmo acordada, sonho, e deixo entrar na minha alma a alegria melancólica de velhas músicas. Sempre há um toque da tua mão no resgate das minhas saudades. Acompanhaste de perto o despertar das minhas emoções e juntos vivenciamos algumas, caso contrário não teria na lembrança, tão viva ainda, os sons de uma velha radiola.

Viajo pelo mundo das fadas e dos duendes quando, revejo fotografias e encontro no colorido de uma tela de Rubens, imagens que se somam à minha realidade.

O banco, a praça, o homem, a mulher. Flores e borboletas inauguravam olhos que começavam a enxergar o mundo. Olhávamos sempre na mesma direção. Víamos, no entanto, coisas diferentes. O mundo, então era menor, mais simples, o que nos permitia sonhar e ver a vida nascer e crescer, registrando sons, movimentos e cores. Hoje? O que sabemos dela? O que dela sabem estas crianças que nunca viram num galho de pitangueira, um ninho de passarinhos, nem viram o beija-flor medroso tocar de leve as flores ou o bem-te-vi fuxiqueiro fazer ameaças do alto da goiabeira?

Não preciso de muito para ver no verde dos teus olhos o mundo refletido, sempre novo.

Hoje, enquanto lia tua carta, pareceu-me ouvir as queixas meninas de um coração de criança ciumenta.

É isso o que faço agora, exumo saudades, ressuscito lembranças e à noite exorcizo o presente para dormir, acordar e sonhar novamente.

Obs: Texto retirado do livro da autora – A Morte Cega

 

DjaniraSilva

 

 

* Autora: Djanira Silva – DJANIRA DO RÊGO BARROS SILVA é pesqueirense, escritora, cronista, contista, poeta e membro da APLAS – Academia Pesqueirense de Letras e Artes. (Videos Youtube)

Artigo: Cabedelo/PB – “A cidade que não sabe ser vencida” – Marco Soares *

cabedelo

SOBRE CABEDELO

 

(O presente  texto foi publicado hoje, 02/11, no destaque na coluna  de Heron Cid no jornal CORREIO DA PARAÍBA. Portanto, se você desejar, já pode também publicar).

Faz pouco mais de uma semana que o povo de Cabedelo, que elegera seu chefe do executivo com quase 80% dos votos, foi surpreendido com uma notícia que repercutiu muito além dos limites da Paraíba: Luceninha renunciou ao cargo de prefeito de uma das cidades de maior arrecadação do estado depois de pouco mais de 10 meses de mandato.

Daí seguiu-se uma rápida posse do vice-prefeito Wellington Viana (Leto); uma série de especulações sobre a renúncia; uma imersão longa e inexplicável de Luceninha.

Sabe-se das grandes dificuldades de Cabedelo: desacerto das gestões passadas; quadro de servidores incompatível com o município; falta de comprometimento de alguns atores da gestão municipal; alegadas dívidas do município; redução dos repasses do FPM. Mas, nada, absolutamente nada, alivia a frustração da população ante a atitude do ex-prefeito. Luceninha precisa emergir com uma convincente exposição de motivos. Caso contrário, terá decretado seu prematuro ocaso político.

Desconfio que talvez seu espírito humilde e generoso tenha se sobreposto à coragem de promover uma grande readequação na estrutura funcional da prefeitura, essencial para o seu equilíbrio financeiro e, consequentemente, para promover os investimentos necessários ao atendimento das reivindicações mais prementes dos munícipes.

De resto, o caminho que se nos apresenta é depositar no novo prefeito o que ainda nos resta de esperança para que esta privilegiada terra continue a merecer o seu lema: “cidade que não conhece a derrota”.

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* Por Marco Aurélio Ferreira Soares  –   Engenheiro Civil, professor e escritor. É também Analista de Projetos da Prefeitura Municipal de Cabedelo

Educação: Finlândia em Brasil – Ensino de Alta Qualidade *

EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

 

Escola do Sesc em Jacarepaguá  ESEM

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“…80 professores, dedicação exclusiva e integral, para turmas de, no máximo, 15 alunos. E com salário girando em torno de R$ 9 mil, cada docente tendo direito a apartamento dentro do campus, para viver com sua família”.

 

Lendo uma crônica do senador Cristovam Buarque, na sua publicação Uma Nota Só, setembro de 2013, alegrei-me muito com um exemplo citado no Rio de Janeiro, mais exatamente na Escola Sesc de ensino médio, situada no bairro de Jacarepaguá. Segundo Buarque, “cada vez que a visito, sinto-me como se estivesse fora do Brasil”.

A escola tem horário integral e o regime é residencial. Aulas das 8h às 12h, depois de um bem nutrido café da manhã, com lanche rápido fornecido às 10h. O almoço, de ótima qualidade, das 12 às 13 horas, com reunião com os orientadores entre 13h e 13h45, voltando a ter aulas das 13h45 às 17h, acontecendo, num intervalo, um lanche. Das 17h às 20h30 os alunos fazem oficinas de idiomas, artes, esportes, debates sobre atualidade e jantar. Das 20h30 às 22h, estudo obrigatório, dever de casa, leitura livre, noticiário da TV sob orientação e outras atividades. Depois de mais um lanche, das 22h às 22h30, os dormitórios acolherão os alunos para uma noite de sono reparadora. O alojamento se destina, cada um deles, a três alunos, sendo aconchegante, moderno e confortável.

Quanto ao corpo docente, são 80 professores, dedicação exclusiva e integral, para turmas de, no máximo, 15 alunos. E com salário girando em torno de R$ 9 mil, cada docente tendo direito a apartamento dentro do campus, para viver com sua família.

Segundo o testemunho do senador Buarque, “dificilmente se encontram instalações melhores em qualquer parte do mundo, sejam públicas ou particulares. Em breve, a biblioteca terá 40 mil exemplares. Piscina, quadras, teatro, cinemateca complementam o conjunto arquitetônico.”

Os estudantes são escolhidos no Brasil inteiro, com vagas garantidas para todos os estados, sendo 80% necessariamente de famílias com renda abaixo de cinco salários mínimos. Na escola, tudo sem qualquer custo para os alunos e suas famílias. Segundo Buarque, “podem vir de classes sociais diferentes, mas recebem as mesmas oportunidades para a construção do futuro de cada um”.

Pena que o Cristovam Buarque esteja distanciado da sua terra natal, o seu amado Pernambuco. Embora, com esperanças redobradas, nunca se apequene: “Jacarepaguá, ao lado da Cidade de Deus, marca a paisagem do futuro que desejamos para todo o Brasil. Porque, se quisermos ver a cara do futuro de um País, basta olhar sua escola pública no presente. A Escola Sesc mostra que, ao menos para 170 alunos a cada ano, o futuro é bonito”. E foi além, na bofetada: “O Brasil chegou ao século XXI repartido em grupos, sem sentimento geral, sem visão de longo prazo nem patriotismo”.

Assino embaixo, com a indignação dos cidadanizados.

 

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* Autor: Professor Fernando Antonio Gonçalves –  (Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 30.11.2013)

Movimento Cultural/Crônica: Restaurando a Vida – Por Francisco Aquino *

RESTAURAÇÃO MARCANTE

Vamos pregar a cultura da restauração, restaurando tudo que está errado na nossa convivência social.

Primeiro começamos pela a vida que às vezes é desviada do caminho e mergulhada na corrupção da vida praticando atos pecaminosos que macula o ser humano.

Vamos restaurar as casas caídas, os monumentos históricos em ruínas. As obras de artes. Mas também decretar o fim da corrupção humana restaurando logo a educação e a autoestima das pessoas que devem deixar de lado a cultura e prática da violência e querer se dar bem em tudo de qualquer forma.

Vamos restaurar os livros e as boas leituras e todas as manifestações artísticas perdidas pelo o tempo.

Dando vazão às pessoas que serão peças chaves neste processo de restauração.

Devemos parar de destruir as coisas, os seres e principalmente a natureza estabelecendo um equilíbrio entre homem e natureza para ambos sobreviverem com dignidade.

Queremos restaurar os bons programas tanto jornalísticos, entretenimento e cultura em geral.

Demonstraremos a restauração da fé sendo bonito ser feliz. Sendo realizado e agradecido sempre ao seu criador.

Deveremos restaurar o lazer, o teatro, o cinema e outras manifestações populares. Indo aos museus, bibliotecas, monumentos históricos para haver uma identificação histórica e cultural.

Veremos o quanto é bom restaurar, reformular e renovar-se sempre nutrindo as coisas boas da vida que restauradas pulsarão de forma magistral. Mostrando no espelho da vida as coisas marcantes que constrói a verdadeira essência humana.

Assim seremos restauradores de nós mesmos para contagiar os outros a renovar-se sempre praticando a generosidade, respeito e dignidade com domínio do conhecimento para transformar o que precisar. Valorizando o semelhante e sendo feliz plenamente junto do outro. Cumprindo bem a jornada da vida. Fazendo a sua travessia de forma marcante, intensa e histórica.

Restauradores mãos a obra pôs tens muito a restaurar a cada dia vivido estabelecendo o elo da felicidade.

Vamos restaurar o bom político engajado socialmente e tendo senso de servidão ao povo sendo incorruptível.

Vamos restaurar as profissões por vocação sendo mais humanos e fraternais. Valorizando mais a vida mesmo que a pessoa humana não tenha condição. Mas devem ser servidos.

Por fim restauraremos a bondade, a paz e o bem. Junto com a caridade e a fé que o ser humano deve praticar. Por que o ser humano é bom por isso devem praticar a bondade sempre.

Vamos apostar muito no fim do preconceito e discriminação criando um mundo de oportunidades para todos. Já que estes atos discriminatórios só denigrem o ser vivente que terá agora a oportunidade de ser diferente por que será renovado e renovador vendo todos vivenciarem dignamente a felicidade.

Francisco Chico Aquino sozinho de azul

* Autor: Francisco Aquino – Francisco de Assis Maciel Aquino é pesqueirense, professor, poeta, cronista e comentarista de futebol.