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Movimento Cultural/Homenagem: Cartola – Por Walter Jorge de Freitas *

CARTOLA

 

Cordas de aço –

O compositor, cantor e instrumentista Angenor de Oliveira, nasceu no bairro do Catete – Rio de Janeiro, no dia 11/10/1908. Tinha oito anos de idade quando sua família se mudou para as Laranjeiras. Aos onze, passou a viver no morro da Mangueira.

Aprendeu a tocar cavaquinho com o pai e ainda menino, já animava festas de rua. Terminou o curso primário com quinze anos, depois de passar por várias escolas. Com a morte de sua mãe, deixou a escola e a família e iniciou a sua vida de boêmio.
Trabalhou em várias tipografias e depois virou pedreiro. Por usar um chapéu para evitar que o cimento sujasse a sua cabeça, ganhou o apelido de Cartola.

Fundou em 1925 com Carlos Cachaça (seu mais constante parceiro) e alguns amigos, o Bloco dos Arengueiros. A fusão desse bloco com outros em atividade no morro, resultou na fundação em 28 de abril de 1928, da Estação Primeira de Mangueira, escola de samba que seria a segunda do Rio de Janeiro, cujo nome e cores foram sugeridos por ele. O samba Chega de Demanda, que compôs messe mesmo ano, foi escolhido para o primeiro desfile da escola.

Em 1931 vendeu os direitos de gravação do samba Que Infeliz Sorte a Mário Reis, que nem chegou a gravá-lo, cabendo a Francisco Alves a sua gravação. O mesmo Francisco Alves comprou mais alguns sambas seus.

Em 1941, fundou com Paulo Portela e Heitor dos Prazeres o Conjunto Carioca que durante um mês, fez apresentações em São Paulo. Nessa mesma época sumiu, só sendo redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema, onde à noite, trabalhava como vigia de edifícios.

O cronista levou-o a cantar na Rádio Mayrink Veiga. Conseguiu também um emprego no jornal Diário Carioca.
A partir de 1961, passou a viver com Eusébia Silva do Nascimento – Zica – com quem casou mais tarde. Sua casa tornou-se um ponto de encontro de sambistas. Em 1964, ele e Zica resolveram abrir o restaurante Zicartola, que além de oferecer boas comidas, tinha a presença constante dos maiores representantes do samba de morro.

Apesar da boa qualidade de suas músicas, só em 1974, perto de completar 66 anos, conseguiu gravar o seu primeiro LP – Cartola – na etiqueta Marcos Pereira, disco que lhe rendeu vários prêmios. Em 1976, veio o seu segundo LP, também chamado Cartola, no qual incluiu As Rosas Não Falam uma de suas mais famosas criações. Em 1977, a Rede Globo dedicou-lhe um programa com o nome Brasil Especial. Em 1978, fez o seu primeiro show individual.

Em 1979, lançou seu quarto LP- Cartola 70 anos -, época em que descobriu que estava com câncer, doença que lhe tiraria a vida em 30 de novembro de 1980.

Seus maiores sucessos foram As Rosas não Falam, Tive Sim, Alvorada, O Mundo é um Moinho, Peito Vazio, Divina Dama e Acontece.
Elton Medeiros, um de seus parceiros, em depoimento ao programa Sarau, disse que certo dia, um crítico duvidou que fosse deles, um samba que cantaram em um bar. Lá mesmo, a título de desafio, eles compuseram em 40 minutos, o samba O Sol Nascerá, que não só serviu para provar a capacidade deles como autores e parceiros, como também alcançou enorme sucesso.

 

Pesqueira, 11 de outubro de 2010.

* Autor: Walter Jorge de Freitas

Artigo/Opinião: Por que Dilma é campeã de votos no Nordeste? *

 

 

Por que Dilma mantém boas

votações nas principais

capitais do Nordeste?

 

 

 

As pesquisas de opinião mostravam, antes do início da campanha eleitoral, que os eleitores das capitais estavam inquietos, ou seja, desejavam mudança de governo. Era nas capitais que a aprovação do governo Dilma obtinha as menores taxas de aprovação. As razões para a inquietude dos eleitores das capitais poderiam ser diversas, dentre as quais, a de que nas cidades com maior número de habitantes, o custo de vida e o desconforto urbano são mais intensos. Além disto, apesar dos programas sociais do governo Dilma, como o Bolsa Família, Pronatec e Prouni estarem presentes nas capitais, eles não tinham forte influência na decisão dos eleitores, assim como ocorre em cidades menores, não capitais.

Destaco, ainda, que as manifestações de junho de 2013 ocorreram fortemente nas capitais. Para diversos analistas, as manifestações representaram desejo de mudança do eleitor, e, portanto, desejo de mudança de governo. Em virtude disto, as manifestações representam variáveis causais que possibilitaram o aumento da desaprovação do governo Dilma. Portanto, as pesquisas realizadas antes do inicio da campanha eleitoral mostravam que as capitais eram espaços caracterizados por eleitores de oposição ao governo Dilma.

Após o resultado do primeiro turno, observo que: 1) Dilma venceu nas eleições de 2010 e 2014 nas seguintes capitais do Nordeste: São Luis, Teresina, Fortaleza, Natal, João Pessoa e Salvador. Portanto, nas duas últimas eleições presidenciais, Dilma venceu em seis capitais do Nordeste; 2) Em 2010, Dilma venceu no Recife. Porém, perdeu em 2014; 3) Na capital alagoana, Maceió, Dilma perdeu em 2010 e 2014; 4) Em Aracaju, Dilma perdeu em 2010, mas venceu em 2014. Portanto, Dilma venceu em 2014 em sete capitais do Nordeste. E perdeu em duas.

Na capital paulista, Dilma perdeu em 2010 e 2014. Lembro que foi em São Paulo que as manifestações de 2013 foram iniciadas. A atual presidenta perdeu em Belo Horizonte em 2010 e 2014. E na capital fluminense, venceu em 2010, mas perdeu em 2014. Em Vitória do Espirito Santo, Dilma perdeu em ambas as eleições. Constato que as capitais do Sudeste são espaços oposicionistas à Dilma.

Na região Sul, Dilma perdeu, em ambas as eleições, nas capitais do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os candidatos de oposição à Dilma venceram também, em 2010 e 2014, nas capitais: Campo Grande, Goiana, Cuiabá, Rio Branco e Boa Vista. Dilma venceu, em ambas as eleições, em Macapá, Porto Velho e Belém. Em 2010, venceu em Palmas. Mas em 2014 perdeu.

Observo que: Dilma venceu a eleição presidencial de 2014 em onze capitais. Em 2010, ela tinha vencido em treze capitais. Então, perda de duas capitais de uma eleição para a outra. Os candidatos da oposição venceram na eleição de 2014 em catorze capitais. No ano de 2010, a oposição à Dilma venceu em treze capitais. Portanto, desde 2010, candidatos da oposição vencem mais em capitais do que Dilma.

Neste sentido, as manifestações de junho de 2013 não podem ser consideradas como variáveis que possibilitou mais vitórias dos candidatos da oposição nas capitais. A oposição já vencia na maioria das capitais desde 2010. Por outro lado, a hipótese de que os eleitores das capitais estão mais inquietos em virtude da desorganização urbana e do custo de vida aparenta ser verdadeira. Porém, tal tese não serve para a maioria das capitais do Nordeste. Dai surge a seguinte indagação: por que Dilma mantém boas votações nas principais capitais do Nordeste?

Figura – Votação dos candidatos nas capitais – Fonte: Valor Econômico

 

 

 

* Fonte: LeiaJá/Autor: Adriano Oliveira – Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE – Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE. Colaborador do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. Sócio da Contexto Estratégia

Artigo/Opinião: Basta de PT *

Basta de PT

 

 

 

Dilma foi a terceira pior presidente em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto e Fernando Collor

 

 

Estamos vivendo um momento histórico. A eleição presidencial de 2014 decidirá a sorte do Brasil por 12 anos. Como é sabido, o projeto petista é se perpetuar no poder. Segundo imaginam os marginais do poder — feliz expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello quando do julgamento do mensalão —, a vitória de Dilma Rousseff abrirá caminho para que Lula volte em 2018 e, claro, com a perspectiva de permanecer por mais 8 anos no poder. Em um eventual segundo governo Dilma, o presidente de fato será Lula. Esperto como é, o nosso Pedro Malasartes da política vai preparar o terreno para voltar, como um Dom Sebastião do século XXI, mesmo que parecendo mais um personagem de samba-enredo ao estilo daquele imortalizado por Sérgio Porto.

Diferentemente de 2006 e 2010, o PT está fragilizado. Dilma é a candidata que segue para tentar a reeleição com a menor votação obtida no primeiro turno desde a eleição de 1994. Seu criador foi derrotado fragorosamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. Imaginou que elegeria mais um poste. Não só o eleitorado disse não, como não reelegeu o performático e inepto senador Eduardo Suplicy, e a bancada petista na Assembleia Legislativa perdeu oito deputados e seis na Câmara dos Deputados.

A resistência e a recuperação de Aécio Neves foram épicas. Em certo momento da campanha, parecia que o jogo eleitoral estava decidido. Marina Silva tinha disparado e venceria — segundo as malfadadas pesquisas. Ele manteve a calma até quando um dos seus coordenadores de campanha estava querendo saltar para o barco da ex-senadora.

E, neste instante, a ação das lideranças paulistas do PSDB foi decisiva. Geraldo Alckmin poderia ter lavado as mãos e fritado Aécio. Mas não o fez, assim como José Serra, o senador mais votado do país com 11 milhões de votos. Foi em São Paulo que começou a reação democrática que o levou ao segundo turno com uma vitória consagradora no estado onde nasceu o PT.

Esta campanha eleitoral tem desafiado os analistas. As interpretações tradicionais foram desmoralizadas. A determinação econômica — tal qual como no marxismo — acabou não se sustentando. É recorrente a referência à campanha americana de 1992 de Bill Clinton e a expressão “é a economia, estúpido”. Com a economia crescendo próximo a zero, como explicar que Dilma liderou a votação no primeiro turno? Se as alianças regionais são indispensáveis, como explicar a votação de Marina? E o tal efeito bumerangue quando um candidato ataca o outro e acaba caindo nas intenções de voto? Como explicar que Dilma caluniou Marina durante três semanas, destruiu a adversária e obteve um crescimento nas pesquisas?

Se Lula é o réu oculto do mensalão, o que dizer do doleiro petista Alberto Youssef? Imagine o leitor quando o depoimento — já aceito pela Justiça Federal — for divulgado ou vazar? De acordo com o ministro Teori Zavascki, o envolvimento de altas figuras da República faz com que o processo tenha de ir para o STF. E, basta lembrar, segundo o doleiro, que só ele lavou R$ 1 bilhão de corrupção da Refinaria Abreu e Lima. Basta supor o que foi desviado da Petrobras, de outras empresas e bancos estatais e dos ministérios para entender o significado dos 12 anos de petismo no poder. É o maior saque de recursos públicos da História do Brasil.

Nesta conjuntura, Aécio tem de estar preparado para um enorme bombardeio de calúnias que irá receber. Marina Silva aprendeu na prática o que é o PT. Em uma quinzena foi alvo de um volume nunca visto de mentiras numa campanha presidencial que acabou destruindo a sua candidatura. Não soube responder porque, apesar de ter saído do PT, o PT ainda não tinha saído dela. Ingenuamente, imaginou que tudo aquilo poderia ser resolvido biblicamente, simplesmente virando a face para outra agressão. Constatou que o PT tem como princípio destruir reputações. E ela foi mais uma vítima desta terrível máquina.

O arsenal petista de dossiês contra Aécio já está pronto. Os aloprados não têm princípios, simplesmente cumprem ordens. Sabem que não sobrevivem longe da máquina de Estado. Contarão com o apoio entusiástico de artistas, intelectuais e jornalistas. Todos eles fracassados e que imputam sua insignificância a uma conspiração das elites. E são milhares espalhados por todo o Brasil.

Teremos o mais violento segundo turno de uma eleição presidencial. O que Marina sofreu, Aécio sofrerá em dobro. Basta sinalizar que ameaça o projeto criminoso de poder do petismo. O senador tucano vai encontrar pelo caminho várias armadilhas. A maior delas é no campo econômico. O governo do PT gestou uma grave crise. Dilma foi a terceira pior presidente da história do Brasil republicano em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto — que teve no seu triênio presidencial duas guerras civis — e Fernando Collor — que recebeu a verdadeira herança maldita: uma inflação anual de quatro dígitos. O PT deve imputar a Aécio uma agenda econômica impopular que enfrente radicalmente as mazelas criadas pelo petismo. Daí a necessidade imperiosa de o candidato oposicionista deixar claro — muito claro — que quem fala sobre como será o seu governo é ele — somente ele.

Aécio Neves tem todas as condições para vencer a eleição mais difícil da nossa história. Se Tancredo Neves foi o instrumento para que o Brasil se livrasse de 21 anos de arbítrio, o neto poderá ser aquele que livrará o país do projeto criminoso de poder representado pelo PT. E poderemos, finalmente, virar esta triste página da nossa história.

Marco Antonio Villa Foto: O Globo* Autor: Marco Antonio Villa é historiador

Artigo/Homenagem: João Eudes – O Resgate Político de Pesqueira – Por Sebastião Gomes Fernandes *

PESQUEIRA TEM SEU

DEPUTADO ESTADUAL

APÓS 44 ANOS!

 

JOÃO EUDES – 27.660 votos.

O nosso deputado estadual

 

 

 

Parabéns João Eudes. Parabéns, Pesqueira e cidades que contribuíram para eleição do nosso deputado! Parabéns povo pernambucano pelo grande desempenho e pelo nível de consciência política que demonstrou nesta eleição. A história vai registrar para sempre este grande feito. Dar condições para que Pernambuco continuar crescendo, Pesqueira se engaja nesse processo e o Brasil sai das mãos daqueles que só pensam no venha a nós e vosso reino nada!…

Século XXI, Pesqueira elege seu representante na câmara legislativa. Nosso deputado que com certeza estará a defender, buscar e liderar em busco da satisfação de nossas necessidades… Depois de 44 anos. João Eudes ainda passa a ser representante e defensor dos interesses dos municípios que o apoiaram. Pesqueira nesta eleição fez – cabelo, barba e bigode -, o pesqueirense deu um grande exemplo e cidadania, de vontade própria, e determinação ao rejeitar sem parcimônia àqueles “Cururus de trovoada”, que vêm abocanhar, a cada quatro anos votos e depois, olvidam os compromissos politiqueiros que armam com um único fim. Serem eleitos.

Deputado João Eudes nós o conhecemos, sabemos do seu potencial, da sua obstinação por tudo que faz. Portanto, estamos confiantes, tranquilos, por que temos ciência de que você irá fazer uso do seu mandato em defesa da hora, da dignidade e da defesa dos interesses do povo de Pesqueira e região.

João Eudes, você nasceu predestinado a ser líder, administrador e como tal, faça por onde seus correligionários sintam-se orgulhosos e satisfeitos por terem tido a graça e a determinação de colocar no lugar certo o homem certo. Mostre a que veio, faça por onde todos nós sintamos orgulho de termos feito a escolha certa! Temos consciência de que sua tarefa não é nada fácil, mas com sua habilidade, com sua disposição para o trabalho – coisa que faz parte da sua índole -, conseguirás realizar o que de melhor seja para atender as necessidades e aspirações dos seus liderados e dos Municípios que estiveram ao seu lado neste pleito.

Desejo a você, a sua família e a seus correligionários que alegremente brindaram e bridarão sua vitória e que certamente ainda o farão por muito tempo. Muitas felicidades e muita paz.

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes, Sociólogo, Escritor, colaborador do blog OABELHUDO, Poeta e Cronista. Membro efetivo e Presidente da Academia Pesqueirense de Letras e Artes – APLA.

Artigo/Opinião: Os Desmandos do PT. Continuam ou param? – Por Sebastião Fernandes *

 

5 DE OUTUBRO, O BRASIL

CONTA COM O SEU VOTO

PARA SAIR DAS MÃOS

DOLOSAS QUE O COMANDA!

 

Antonio Lacerda/EFE

 

 

 

Estamos às vésperas de uma eleição. Esta é a porta aberta que o povo tem para mudar o quadro sombrio em que estamos enroscados. É a grande oportunidade de mudar o que aí está! O País acha-se nas mãos de uma administração incompetente, abusiva e sem objetividades para que satisfaça as necessidades de nós brasileiros.

Não bastam quatro anos de puro abandono para com os princípios da ética e da moral? E da ineficiência na ordem socioeconômica. Uma administração voltada para o bem-estar de pessoas e grupos que usando a boa fé daqueles que se acomodam com migalhas advindas dos restos e/ou sobras dos que se locupletam com as armadilhas montadas estrategicamente com um único objetivo o de abocanharem inescrupulosamente os recursos, o dinheiro do povo brasileiro adquirido com tanto esforço, dedicação, hombridade! Temos acompanhado o desenrolar da campanha política e analisado os vários discursos, argumentos e blablabás. E o que temos visto e ouvido!? São aberrações de políticos agindo com descompostura e desrespeito para com o eleitor, na tentativa de conquistar o voto.

Com isto nos taxando de burros, ignorantes, sem nenhum discernimento crítico, alienados. Achando-se senhores da verdade buscam sujeitar-nos a seus caprichos e espertezas muito bem arquitetadas a fim de se darem bem! Na verdade o que leva – evidentemente aqueles que estão no poder -, a procederem de forma fantasiosa e maquiavélica é a ganância em sempre se darem bem, em detrimento da população. Não importa o futuro, o que é bom para seu semelhante. A eles o que importa é o presente, é estarem por cima a todo custo! O uso da mídia está sendo posto em prática em prol da causa maior: o interesse individual, de apadrinhados e grupos de interesses comuns. É esse o retrato hoje do nosso País. O que vemos em tudo isso é que a política até então desenvolvida jamais levou em conta o desenvolvimento educacional e social do nosso povo! “A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mantém um ranking de educação em 36 países, no qual o Brasil atualmente amarga a penúltima posição, à frente apenas do México”. “Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) revelou que ainda existem no Brasil cerca de 13 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade. A meta estabelecida no ano 2000 era atingir uma taxa de 6,7% até 2015.

É bom frisar que é no Nordeste, onde o analfabetismo é o dobro da média nacional.” Jornal do Commercio. Com esses dados podemos concluir que nossos governantes não estão dando bolas nenhuma para a educação! Quanto mais analfabetos melhor para alcançarem seus objetivos! Manter-se no poder. Estrategicamente candidatos vão a TV, a praça pública, com propostas e argumentos na tentativa injuriosa, para enganar a boa fé daqueles que não estão preparados para receber, avalanches de informações mentirosas! Com intuito de convencê-los e dessa forma ganharem seu voto! Não pensam no futuro nem no bem-estar dos seus herdeiros, das novas gerações! Como anda a saúde? Esta é um caos total! A segurança!… A população está aprisionada dentro de sua própria casa! Sair à rua é por em risco à vida. A corrupção, esta já faz parte do cenário coletivo de grande parte da população que se sente injuriada com tantas aberrações, impunidades e desrespeitos para com a memoria do homem e da mulher de bem, deste nosso querido Brasil.

Como anda a nossa justiça, que tem como quando princípio fundamental: dura lex, sed lex. Fernando Sabino assim se expressa: “Para os pobres, é dura lex, sed lex. A lei é dura mais é lei”. Para o rico, dura lex, sed látex. A lei é dura mais estica. Este o exemplo que a cúpula que comanda nosso destino configura e apresenta. Vemos e lamentamos o germe que corrói os três poderes constituídos: Executivo, Judiciário e Legislativo. São vários os crimes de corrupção em todos os níveis e de natureza inimagináveis.

É evidente que existem as exceções. No entanto os criminosos quando condenados encontram sempre legitimidade – brecha -, na lei que os proporcionam liberdades “condicionais”… É este o Brasil que queremos! Para os homens e mulheres de bem e que acreditam num País aonde haja justiça, compreensão, respeito, dignidade e fé, há sim, uma única saída! Votar e votar pensando num amanhã promissor e feliz.

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes, é Sociólogo, escritor, colaborador do OABELHUDO, poeta e cronista. Membro Efetivo e Presidente da Academia Pesqueirense de Letras e Artes – APLA.

Crônica/Homenagem; Jorge Baptista da Silva – A morte de um visionário *

 

 

 

JORGE BAPTISTA DA SILVA

Seu Jorge do BANORTE – O banqueiro visionário

 

 

Foto: Jornal do Commercio

 

 

A primeira vez que vi Seu Jorge Baptista da Silva, que faleceu nesta terça-feira 30 de setembro, foi no elevador do Edifício Antônio Barbosa, quando fui ali “fazer um bico” de redator para a assessoria de imprensa do Banorte, dirigida por Isaltino Bezerra. Por um acaso subi no elevador logo com o presidente do banco. Naquele tempo era comum o banco contratar redatores freelances para trabalhos específicos e fora indicado por Ivanildo Sampaio, hoje meu diretor de Redação no JC.

 A morte de um visionário

O curioso é que seu Jorge chegava e saia da sede do Banorte, na Avenida Dantas Barreto, sem seguranças, dando “bom dia” e “boa tarde”, normalmente acompanhado de um diretor da instituição. Vim a saber depois que o seu acompanhante era Nelson da Matta, que mais tarde seria presidente do BNH, depois de ter sido presidente da Abecip.

Nessa época o Recife rodava seus bancos na Rua da Palma, da Concórdia, Marques do Recife e até na Nossa Senhora do Livramento. E era fácil falar com o pessoal da diretoria e checar informação de mercado financeiro na fonte. Sim, de vez em quando a gente “filava uma boia” no Restaurante Leite paga por um diretor do Banorte.

Escrevi, sob o comando de Isaltino Bezerra, a história dos 40 anos do Banorte e a história dos 50, dez anos depois, e acompanhei o drama da intervenção e da complicada negociação como Banco Bandeirantes que, a bem da verdade, era quem deveria ter sido incorporado pelo Banorte.

A diferença de tecnologia embarcada na década de 80 no Banorte e o nível intelectual de seus diretores era tão grande que certo dia perguntei a um diretor do banco porque estava acontecendo aquilo. Não fazia sentido. O Bandeirantes era um amontoado de computadores em São Paulo, tinha um time de gestores que estavam aquém do tipo de negócio que o Banorte praticava no Nordeste. Deu no que deu e o Bandeirante também foi para o espaço.

Mas a história do Banorte e seu pessoal top de RH ficou e está espalhada pelo Brasil até hoje. O que a gente encontra de diretor, presidente e empresário que foi “cria” do Banorte é impressionante. O modelo de negócio e o nível de gestão do Banorte e o do Bompreço, na época de seu João Carlos Paes Mendonça, ainda hoje é referência do setor de gestão de pessoal. Daí o choque com a intervenção.

E o que unia todo esse pessoal? A figura de Seu Jorge. Ele foi, certamente, o primeiro empresário de grande porte que usou a figura do Conselho de Administração para definir políticas e estratégia de negócios bancários. Ele costumava dizer em tom de brincadeira que não era banqueiro era engenheiro. Aliás, engenheiro têxtil formado na Inglaterra. E que tinha virado dono de banco devido às circunstâncias, daí apostar sempre na competência dos seus executivos. Ele estimulava seus gestores e a dirigentes de suas empresas a dirigirem entidades e associações.

Mas sempre era apresentado como “o presidente do Conselho de Administração”, ou seja, o acionista que definia estratégia. O operacional era com a equipe que ele confiava e dava poder de mando. Hoje isso é moderno, mas Seu Jorge praticou isso aqui na década de 80. O que explica a vanguarda que o Banorte sempre teve.

O que explica também sua presença, por três mandatos, no Conselho Monetário Nacional, que na época era presidido por ninguém menos que Mário Henrique Simonsen.

Tem mais: na condição de uma dos Delaer’s, os 12 bancos que definiam as taxas de mercado, ele acabou interlocutor privilegiado com o pessoal do Banco Central. Dezenas de dirigentes do BC vieram ao Recife fazer apresentações sobre o cenário macroeconômico para diretores do banco sem que nós da Imprensa soubéssemos que os caras estavam aqui.

Outra coisa que Seu Jorge gostava era que sua propaganda fosse a mais moderna possível. Claro que Mario Leão Ramos, o mago que criou a Abaeté e inventou uma série de ações, ajudava. Mas o que dizer do Banorte. Um amigo na praça? Certa vez, a agência criou um desses anúncios que ficam como o que marcou inauguração da agência do banco no Mercado de São José. Numa página inteira de jornal, uma foto da agência ao lado do cinema Glória dizia apenas: Na praça do mercado, surge um novo amigo: BANORTE.

Se a gente for falar da contribuição do Banorte a publicidade dá um terabytes. E vai ver gente como Luiz Gonzaga, Quinteto Violado, Banda de Pau Corda. Assim como da contribuição do banco para as artes plásticas. De Francisco Brennand a José Claudio passando por Abelardo da Hora e Cavani Rosas.

Seu Jorge também percebeu que na concentração de bancos que o governo estava fazendo com o Proer haveria pouco espaço para os chamados banco regionais. Disse isso a seus diretores quando o banco fez 50 anos, em 1992, depois de uma festa de gala no Teatro Guararapes.

Mas aí veio a intervenção e depois a liquidação e, anos depois, a liberação de todos os ativos da instituição que estavam indisponíveis por força da intervenção e sem problemas com a Justiça. O tempo passou, a marca Banorte saiu do mercado, mas a mística do banqueiro visionário ficou. E a bem da verdade ficou a imagem do banco nordestino que financiava a produção e o negócio. Que chegava junto com dinheiro. Talvez porque a ordem do dono fosse fazer jus ao slogan que adotara como marketing: Um amigo na praça.

* Fonte/Autor: Fernando Castilho/Jornalista colunista do JC

Crônica/Efemérides: Dr. Tonico – “esse menino de Amaro vai longe” – Por Marco Soares *

O GAROTO E O MAGISTRADO

 

(1ª praça de Sanharó. Lá no meio existia um caramanchão que todos chamavam-no de coreto. Era o ponto de bate-papos…)

 

Nos anos 1960/1970 a Praça Capitão Augusto Rodrigues de Freitas, em Sanharó-PE, , em frente à igreja matriz, era o principal ponto de encontro da cidade. Bem arborizada, bem iluminada, muitas flores, muitos bancos, um coreto realçado por plantas trepadeiras, ladeada por casarões de arquitetura antiga, era o cartão postal da cidade.

Ali se iniciavam namoros, casais desfilavam ao longo dos seus passeios, encontros de amigos eram promovidos, acontecimentos da cidade e do mundo eram discutidos, os principais eventos festivos eram realizados.

Não raro, lá apareciam figuras respeitadas da cidade, como o professor Amaro Soares e o Dr. Antônio de Pádua Caraciolo (Tonico), que se misturavam aos jovens e promoviam verdadeiras aulas ao ar livre de vivência e sabedoria. Ouvidos com toda a atenção e respeito, quase sempre só eram interrompidos para esclarecer dúvidas ou para manifestações de concordância e assentimento às suas opiniões.

Mas sempre há um dia em que algo diferente pode acontecer. Uma exceção , um lampejo ousado, daqueles que desconcerta, emudece, surpreende.

Tonico, que além de professor era magistrado, começou a tecer comentários sobre os meandros da justiça e os descaminhos que o país estava tomando. De conversa bem sustentada tecnicamente e de um humor contagiante (suponho que as aulas espetáculo de Ariano Suassuna foram copiadas de Tonico) prendia a plateia por horas seguidas em torno de suas argumentações.

Neste exato dia se insurgiu um garoto com seus prováveis quinze anos, leitor assíduo de jornais e também de revistas da época, ouvinte atento, que aproveitou uma tomada de fôlego do magistrado e sapecou: “Doutor, o problema do Brasil é a impunidade”.

Tonico ajeitou o bigode, esboçou um sorriso e devolveu: “Esse menino de Amaro vai longe” (gargalhada geral).

E saiu, como que procurando evitar polemizar ou se comprometer, sem mais nada dizer.

Quase cinquenta anos depois, pode ter mudado a praça, os bancos, os jardins; não temos mais o coreto, nem Amaro, nem Tonico. Mas o menino, que buscou estas memórias em um passado tão distante e que muito longe já foi – consideradas as suas origens – sabe que lamentavelmente algo permanece: a impunidade, que a cada dia amplifica mais os problemas do Brasil.

* Autor: Por Marco Soares  –  Marco Aurélio Ferreira Soares é sanharoense, engenheiro civil, professor, cronista, colaborador PIONEIRO do blog OABELHUDO, escritor com oito livros publicados e poeta.

Movimento Cultural/Crônica: Os Anos Dourados e o Clube dos Radicais – Por Walter Freitas *

OS CLUBES SOCIAIS

DOS ANOS DOURADOS

 CLUBE DOS RADICAIS

 

 

A sociedade pesqueirense teve o privilégio de contar com vários clubes sociais entre as décadas de quarenta e oitenta, período em que as fábricas estavam em pleno funcionamento e o comércio era bem movimentado. Havia boa oferta de empregos e existiam clubes para todos os gostos e posses.

Quem vivenciou esse período, certamente desfrutou dos bons e inesquecíveis momentos proporcionados pelas festas e encontros sociais realizados pelos clubes da época, a saber: Radicais, Clube dos 50, União, Atlético, Comercial, SESI, BNB e Clube de Campo.

Das associações acima, guardo recordações bem marcantes do simpático CLUBE DOS RADICAIS, por ter sido nele que iniciei ainda quase garoto, a minha participação em eventos sociais. Isto na condição de convidado, pois a minha idade não permitia que me associasse, segundo os estatutos.

(Posse da diretoria do Radicais em 1961)

Em todos, era praxe exigir-se dos frequentadores que os mesmos fossem sócios. O Clube dos Radicais não fugia à regra. Para fazer parte do seu quadro social, o rapaz era apresentado por um  sócio, que ficava responsável pelo seu comportamento durante um determinado tempo.

Decorrido esse período de experiência em que o convidado tinha os seus “passos” devidamente observados pela diretoria, o seu nome era submetido à apreciação pela comissão de sócios, em reunião específica e sigilosa.

Se a proposta fosse aprovada, o seu signatário recebia um ofício comunicando a sua admissão no quadro social. Caso contrário, a secretaria do clube mandava o que se chamava de “bilhete azul”, informando que o mesmo não podia mais frequentar as suas dependências. Essa situação constrangedora se aplicava normalmente àquele que durante o período de experiência cometera algum deslize. Guardava-se rigoroso sigilo.

Quando demonstrei interesse em tomar parte nas festas do referido clube, um amigo me fez uma recomendação: “trate logo de mandar fazer um uniforme”. É que nos bailes, inclusive festas juninas, o uso o “terno” era imprescindível naquela época.

Outro detalhe interessante é que por ocasião das festas não havia a hoje indispensável bilheteria. Os cavalheiros cientes de suas obrigações pecuniárias com o clube procuravam espontaneamente dar a sua colaboração. Aqueles que eram conhecidos como “escorões”, um membro da diretoria discretamente convidava para contribuir com a famosa “cota” para pagar à orquestra.

O fato de ser localizado no centro da cidade- a exemplo do Clube dos 50– fez com que o Clube dos Radicais fosse bem frequentado todas as noites por jovens que se reuniam para conversar, assinar o ponto no bar ou ouvir jogos de futebol no velho rádio, salvo engano, da marca Mullard. Existiam até ouvintes cativos do programa A Voz do Brasil..

Lembro, ainda, de uma grande programação social realizada no final da década de 50, nos seus salões: uma festa denominada de GRANDE NOITE INTERNACIONAL, se não me falha a memória (quem se lembrar, pode corrigir). Sua finalidade era apresentar ritmos de vários países e para tal, foram convidados os melhores dançarinos da cidade e da região. Naquela noite memorável, o SAMBA, o bolero, o twist. a rumba, o mambo, o tango e outros gêneros, tiveram em Lenildo Martins, Galego de Moacir, Milton Cadengue, Luiz Carlos (Leça) e mais alguns pés-de-valsa, os seus mais dignos representantes. Foi um sucesso! Deixo de citar os nomes das damas que embelezaram a festa por não estar devidamente autorizado, visto que o evento ocorreu há mais ou menos cinquenta anos.

Das manhãs-de-sol, guardo bem viva na lembrança uma que aconteceu no dia 29 de junho de l958, quando o Brasil conquistou o primeiro título de Campeão Mundial de Futebol. Dá para esquecer?

Ainda hoje tenho a impressão de que estou ouvindo LIU e VENÂNCIO (afinadíssimos) tocando aquelas belas músicas que apesar do tempo, permanecem presentes em minha memória.

E nas festas de São João, era o excelente conjunto de Jorge da Sanfona quem enchia de alegria o coração da moçada. O sempre sorridente Mané Piaba era um cantor e pandeirista que sempre fazia parte do animado grupo musical.

Ah! Quanta saudade! Em outra oportunidade, falarei dos outros clubes.

 

Pesqueira, março de 2006. (Essa crônica foi postada pelo OABELHUDO em 08 de novembro de 2013)

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta e pesquisador musical.

 

Sanharó/Homenagem: Morre o Sanharoense Severino xique-xique… *

 

SANHARÓ DE LUTO

Acabamos de ser informados de  que faleceu em Guarulhos-SP, o sanharoense SEVERINO AQUINO MONTEIRO. Popularmente conhecido por Severino Xique-xique notabilizou-se como um defensor intransigente dos valores da nossa Sanharó. Mesmo morando tão longe por mais de 50 anos, nunca esqueceu seu torrão natal. Esteve aqui há dois anos…Veio pra o enterro do irmão Fabiano e ficou quase um ano, só voltou apulso…

Orador nato, adorava fazer uso desse expediente. Que o diga o nosso padre Nilson (Jose Gomes de Melo) das tantas vezes que ele bobeava e “xique-xique” já estava com a palavra…

É uma perda lamentável sob todos os aspectos. Severino ajudou muitos conterrâneos que o procuravam lá nas “terras do sul”…Tinha muito orgulho da sua raiz e principalmente por ser filho do estimado casal – Maria Pacífica e Ernesto Monteiro.

O blog OABELHUDO, através de Leonides Caraciolo o homenageou em crônica postada em 17 de novembro de 2010. (leia abaixo). A revista Veja cita-o em edição de 1976, quando disputou a prefeitura de Guarulhos e fazia campanha montado num jegue. O jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, presta uma singela homenagem quando o retrata como a Personalidade do Mês – Personagem do mês  –  Severino Xique-Xique, um pernambucano arretado à serviço de Guarulhos.

Aos familiares e amigos nossas condolências e o desejo de que Deus, na sua infinita bondade, conforte a todos.

 

 

 

SEVERINO AQUINO MONTEIRO

ou SEVERINO XIQUE-XIQUE.

 

 



Ernesto Monteiro, casado com Maria Pacifica, filha de Clara Pacifica Leite e de Joaquim Francisco de Assis Aquino (Pai Joaquim) deixou a sucessão:
Rafael, Pacífica, Inês, Anunciada, Ermano, Alzira, Francisco, Judite, Severino, apelidado de Severino Xique-Xique, Fabiano, Paulo e José Monteiro.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/Severino de Aquino Monteiro –

Por Leonides de Oliveira Caraciolo. (Postado em 17 de novembro de 2010)

SEVERINO XIQUE-XIQUE

Luiz de Salvo Neto (Titico) em uma reportagem no Jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos-SP, escreve:
“O ex-subdelegado do Trabalho de Guarulhos, Severino Xique-Xique, que do alto dos seus 86 anos ainda mantém intacta a sua lucidez, como também conserva seu espírito patriótico e amor ao povo brasileiro, com um carinho especial aos seus irmãos nordestinos. Como se diz no Nordeste, é um cabra arretado, ou seja, firme, disposto e pau pra toda obra.
Praticamente não existe uma só pessoa em Guarulhos que não conheça, nunca viu ou pelo menos nunca ouviu falar em Severino Xique-Xique. Figura folclórica, principalmente quando foi candidato a prefeito e saía montado em seu jegue pelas ruas da cidade, Severino é uma das pessoas mais respeitada pelo seu carisma e por ter sido por muitos anos subdelegado do Trabalho em Guarulhos.

Na Subdelegacia do Trabalho, Severino faz questão de ressaltar: “Minha assinatura está no registro profissional de muitas pessoas influentes na cidade. Sempre procurei respeitar o trabalhador, que é quem movimenta este País. Sofri muito na minha vida e sei como é difícil conseguir alguma coisa. Sou do tempo do pau de arara, foi como vim para São Paulo, e dói saber que muitos nordestinos ainda fazem esta jornada”.

Política – Fã incondicional de Getúlio Vargas – “foi o maior brasileiro que este País já teve”, diz – Severino é categórico: “Se houvesse realmente democracia plena, não teríamos tantos escândalos, como colocar dinheiro na cueca. A verdadeira democracia vai aparecer quando o trabalhador for maioria nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional”.

Casado e pai de sete filhos homens (todos “cabras machos”), Severino Aquino Monteiro ou simplesmente “Xique-Xique”, como gosta de ser chamado, nasceu em 16 de março de 1924 na pequena cidade de Sanharó, no interior pernambucano. Veio para São Paulo e se instalou em Guarulhos.
Trabalhou por 17 anos na Subdelegacia do Trabalho (12 anos como subdelegado e cinco respondendo pelo expediente) e atualmente está aposentado.
Hoje, aos 86 anos de idade e mesmo doente (está com Mal de Parkinson e Alzheimer), Severino Xique-Xique continua percorrendo as ruas de Guarulhos, parando a todo instante para conversar. O calor das pessoas, com sua honestidade e simplicidade, faz bem para a alma… É um homem calejado, folclórico, mas um amigo para todas as horas”.

Severino Xique-Xique, para os paulistas de Guarulhos.

REVISTA VEJA.

Na Edição n° 0415 de 18 de agosto de 1976, páginas 20 e 21, no texto referente a matéria de Capa, lê-se:

“Em Guarulhos, cidade de 400.000 habitantes e 150.000 eleitores, Severino “Xique-Xique”, segue à risca as instruções do seu padroeiro e fala numa linguagem impressionante. ”Cabra que ouviu falar de Lampião, Maria Bonita Chumbinho e Doroteu; que já tomou banho no Rio São Francisco, no Pajeú de fulo e no Capibaribe; sabendo o que é uma baraúna, um pé de angico e que já comeu pirão no dedo da mãe tirado de alguidar de barro, não vai deixar de pensar em Severino”. Reza ele à sua plateia. Aos 52 anos, com seu 1,80 de altura, Severino se transformou no mais popular dos seis candidato a prefeitura de Guarulhos. Com as amizades que fez na Delegacia Regional do Trabalho, onde tem um emprego, ele conhece palmo a palmo o operariado local,  gaba-se de ter conseguido, nos últimos três meses, empregos ou pelo menos indicações de empregos para uns 11.000 desempregados, quase todos nordestinos como ele.

Leonides Caraciolo.

Fotos de Cláudio Omena (Jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos)

Editorial: Limite de Idade para Imputação Criminal. Fora da Realidade *

 

 

 

Fora da realidade

TEMA EM DISCUSSÃO: Limite de idade para imputação criminal

 

 

 

 

O arrastão que levou pânico a praias da Zona Sul do Rio, num domingo de verão fora de época, duas semanas atrás, terminou com mais de 50 pessoas detidas. Entre os envolvidos encaminhados à delegacia, a grande maioria era de menores de idade.

Juntaram-se, no episódio, os elementos de um enredo batido. Além de os ladrões terem se aproveitado do imperdoável relaxamento das autoridades com o policiamento, para agir em áreas onde, previsivelmente, haveria grande concentração de banhistas, repetiu-se o igualmente conhecido script das ações em que há prisão de suspeitos com menos de 18 anos: apenas seis deles, maiores de idade, ficaram efetivamente presos, e dois adolescentes, apreendidos, foram transferidos para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Os demais, meia centena de delinquentes envolvidos em atos ilegais, alguns de forma violenta, sequer esquentaram a cadeira na DP; liberados, voltaram para as ruas, seguramente para praticar outros delitos.

Esse movimento de prende e solta, algo como enxugar gelo, é um dos aspectos resultantes de uma legislação esquizofrênica no que diz respeito à responsabilidade penal de jovens que, a despeito de terem plena consciência dos atos ilegais que praticam, são declarados inimputáveis. A lei, no caso o Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece em 18 anos o limite a partir do qual alguém pode ser alcançado pelo Código Penal, está a um ano de completar um quarto de século desde que foi instituída.

Leia a Íntegra:

 

Dar opções em vez de punir

TEMA EM DISCUSSÃO: Limite de idade para imputação criminal

 

Respeito quem se posicione a favor da redução da maioridade penal, pois não sou o dono da verdade. Mas noto que, geralmente, esse discurso repressivo se baseia em argumentos frágeis. Primeiramente, a redução da criminalidade não pode ser feita através do terror e do medo da pena. Até porque, ao contrário do senso comum, o Brasil não é o país da impunidade. Somos o quarto país do mundo com o maior número de presos.

Punimos muito e punimos mal, pois a quase totalidade dos presos é constituída de miseráveis, que praticaram os crimes patrimoniais mais toscos, como pequenos roubos e o tráfico de drogas. A sensação de impunidade nada tem a ver com a concreta aplicação das penas, pois as pessoas comuns não estudam estatísticas criminais e a parte oportunista da mídia somente tem o interesse em vender notícias bombásticas, desinformando e aterrorizando a população. Nossas prisões já estão superlotadas, os presos vivem em condições subumanas e sem qualquer controle estatal. Com isso, os presos foram obrigados a se organizar e surgiram as chamadas facções, como o PCC, em São Paulo.

Em vez de reduzir o crime, nosso sistema penal tem transformado um monte de pés-rapados em uma criminalidade muito pior e organizada. Ou seja, em lugar de diminuir a criminalidade, a política repressiva é uma de suas causas. Incluir os jovens nas prisões é aumentar o número de soldados à disposição das organizações criminosas.

Leia a Íntegra:

Outra opinião: dar opções em vez de punir


* Autor: Filipe Fialdini é advogado

* Fonte: O Globo