Category Archives: Crônica/Conto

Crônica: Perguntas que não querem calar. Tu Protestas? – Por Walter Jorge de Freitas *

TU PROTESTAS?

 

Cartaz tem coisa errada

 

 

Não! Por quê? És acomodado, medroso, ou as duas coisas ao mesmo tempo? Mas cá pra nós, a opção é tua, ninguém tem o direito de se intrometer. Mesmo assim, atrevo-me a fazer-te umas perguntinhas.

Tu sabes dos impostos que pagas quando compras, como alimentos, roupas, calçados, livros e até remédios, e que parte do que nossos governantes arrecadam serve para assalariar funcionários fantasmas?

Tu, por acaso, já te deste ao trabalho de observar a qualidade dos serviços prestados pelo poder público, a começar da rua onde moras, nos hospitais, nas estradas ou quando viajas?

Se tu vês televisão, com certeza, tens ciência do sofrimento das pessoas carentes que procuram atendimento na rede pública de saúde?

É, por ventura, do teu conhecimento que o ensino público do Brasil é um dos piores da face da Terra e que para compensar essa aberração, o governo instituiu o sistema de cotas?

Já te disseram que um mordomo que serve a turma do Congresso Nacional ganha muito mais de que um professor?

Alguém te contou que os governantes preferem funcionários com contratos temporários aos concursados, porque estes, por serem estáveis, não se deixam manobrar politicamente?

Estás sabendo que em alguns países europeus deputados e senadores recebem salários, moram e vivem como pessoas comuns, sem as mordomias imorais que beneficiam os nossos representantes?

Ouvistes falar dos famosos cartões corporativos que são distribuídos com membros do governo federal para gastarem sem limites com o que quiserem e que essas despesas são custeadas pelo contribuinte?

Acompanhaste os noticiários sobre as viagens dos políticos em aviões da FAB para participarem de festinhas e até para assistir jogos da Copa das Confederações? Já imaginaste se o povo não fosse às ruas?

Diante do exposto e considerando que os protestos nas ruas estão apenas no começo, sugiro a ti e a todos os cidadãos livres e conscientes que pensem um pouquinho nas futuras gerações e não deixem de se engajar nas próximas manifestações que estão por acontecer.

Se continuarmos protestando, talvez evitemos que os nossos filhos e netos sejam governados por políticos do nível desses que ora ocupam as manchetes dos jornais com escândalos e fatos negativos nunca vistos.

 

Walter Jorge Freitas

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Pesqueirense, Comerciante, cronista e pesquisador musical.

Gastronomia/História: Gilberto Freyre e as aventuras do paladar *

Gilberto Freyre usou a culinária como fonte para seus estudos...

Gilberto Freyre usou a culinária como fonte para seus estudos…

Os sabores tiveram, sempre, grande importância na vida e na obra de Gilberto Freyre. Talvez por relacionar esses sabores aos lugares por onde andou, em uma espécie de memória indissociável entre espaço e experiência; ou por compreender a íntima relação que tinham na formação da própria identidade dos povos. Nos seus escritos, referências a comidas e bebidas aparecem desde muito cedo. Começando por seu diário. Com apenas 16 anos, por exemplo, recorda um “piquenique em Boa Viagem” (“Tempo morto e outros tempos”). Pouco depois, lembra o historiador Alfredo de Carvalho, que vendeu seus livros raros para “poder continuar passando a queijo, fiambre e passa: luxos europeus que são indispensáveis ao seu paladar de fidalgo” (“Tempo morto e outros tempos”). A partir daí, não parou mais. E assim foi em artigos de jornal ou revista, prefácios, conferências e em todos os livros que publicou – até, por estranho que possa parecer, “Quase política e Discursos parlamentares”, em que estão suas falas como deputado federal. Poesia também, como em “Bahia de todos os santos e qua­se todos os pecados” (“Poesia reunida”) não por acaso considerado, por Manuel Bandeira, como o mais saboroso de todos os seus poemas.

Gilberto Freyre usou a culinária como fonte para seus estudos. Ou como tema dos escritos, em si mesmo. E tão importante era, para ele, que dizia: “Uma cozinha em crise significa uma civilização inteira em perigo: o perigo de descaracterizar-se” (“Manifesto regionalista”). Considerava essa culinária “um elemento de cultura ou de civilização ele próprio ligado interdependentemente a outros: à religião, à higiene, à estética, de modo geral; e, de modo particular, à técnica culinária; ao modo social de ser levado o alimento à boca do indivíduo – dedos, pauzinhos, garfo, faca, colher, conforme a predominância de sólidos ou de pastas na alimentação em apreço; a móvel ou o equivalente de móvel associado ao ato ou ao cerimonial de comer; abluções antes ou depois da refeição; preces ou sinais religiosos antes e depois da refeição” (“O luso e o trópico”). Ligada também à natureza – levando em conta influências do clima, da terra, da raça na trajetória social dos seus habitantes, em uma teoria do homem situado. Tudo resultando numa cozinha “ecologicamente tropical: com ingredientes europeus adaptados aos trópicos” (Artigo em O Cruzeiro, 2 de março de 1963). Formando “um paladar brasileiro histórico e também tropical ou ecologicamente condicionado; e como tal, ao que parece, predisposto a estimar o doce e até o abuso do doce” (“Açúcar”) .

A partir dos ritos e dos hábitos da alimentação, dizia, cada povo definiria seu jeito de ser. Com maneiras próprias de agir, de pensar, de sentir. “Dizem os ingleses que não se faz um gentleman sem algumas gerações de beefsteak. E todos sabemos que um oficial alemão não se fazia outrora sem salame e cerveja; que um doutor de Coimbra não se faz, ainda hoje, sem muito bacalhau e grão-de-bico; e que um frade não consegue sê-lo no alto e puro sentido da vocação sem muita abstinência. A nutrição de tal modo age sobre a alma que a consegue, às vezes, plasmar ao seu jeito: a espessa cozinha baiana seria talvez capaz de brutalizar e deformar Santo Inácio ou São Francisco de Assis. Ou um anjo” (“Tempo de aprendiz”). Não só ele. Joaquim Nabuco também assim pensava: “Há sentimento, tradição, culto da família, religião, no prato doméstico, na fruta ou no vinho do país”(“Minha formação”). Bem visto, “nada mais inglês que o pudim de ameixa; nada mais português que a bacalhoada; nada mais brasileiro que o pirão” (Artigos de jornal).  A partir de receitas que acompanham as gentes por toda a vida, “como outrora as deformações do corpo, as mutilações e as tatuagens características de tribos ou de nações de primitivos” (“A condição humana e outros temas”).

 

LEIA A ÍNTEGRA:

 

Gilberto Freyre e as aventuras do paladar

 

 

 

leticia_colonunista folhagastronomica

 

*Fonte: Coluna: Letícia Cavalcanti / FolhaPE

 

Artigo: Doutora juliana / Há Médicos e médicos… – Por J R Guzzo *

Dilma fazendo careta       Juliana Mylsenn

(A empáfia se digladiando contra a RAZÃO) Dra Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso-

Há médicos e médicos. Uns trabalham todos os dias para salvar a vida de outras pessoas. Sabem que, ao final, vão perder, mas voltam ao combate após cada derrota. Convivem diariamente com a morte e, em muitos casos, derramam lágrimas amargas, em algum lugar onde não possam ser vistos, quando um cliente se vai. Essa é a cruz que carregam em sua vida. É, também, a sua honra.

Outros têm o mesmo diploma, mas não são a mesma coisa. Suas relações com os pacientes mantêm-se impessoais e, como acontece em tantas outras profissões, seu objetivo prioritário é ganhar dinheiro. Praticam atos duvidosos de autopromoção e dedicam boa parte de seus esforços a atividades de relações públicas. Para alguns, o grande sonho profissional é aparecer na Ilha de Caras e ter atrizes da Globo ou “celebridades” na lista de clientes.

Não há nada de útil que valha a pena dizer a respeito desses últimos. Mas há muito que pensar sobre os primeiros, os médicos de verdade, quando o povo vai para a rua gritar que não suporta mais, entre tantas outras barbaridades, os crimes diários que são cometidos pelo governo nos serviços públicos de saúde. Os marqueteiros do Palácio do Planalto não fizeram nenhuma pesquisa para saber quantos deles, nestes dias de revolta, estão fervendo com a mesma indignação que foi para a praça pública; acham que é uma “catarse emocional”.

Mas o fato é que dezenas de milhares de médicos em todo o Brasil estão fartos de aguentar calados a prodigiosa incompetência, a mentira em massa e a vadiagem dos responsáveis pela saúde pública brasileira – além de uma ladroagem sem fim na qual se roubam verbas, ambulâncias, sangue e tudo o mais que pode ser rapado pelos amigos do PT e da “base aliada”.

O leitor é convidado, aqui, a ouvir uma dessas vozes. É puro TNT. Vamos ver, então, o que a presidente Dilma acha dessa “catarse”, ou se quer propor um “plebiscito” à doutora Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso, cirurgiã-geral no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Rio de Janeiro. É ela a autora do relato abaixo, publicado na internet com o seguinte título: “O dia em que a “presidenta’”Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370 000 médicos brasileiros”.

LEIAM A ÍNTEGRA:|

‘Doutora Juliana’, por J. R. Guzzo

 

J Roberto Guzzo Veja

 

* Fonte: Revista VEJA – Autor José Roberto Guzzo/Jornalista

 

Artigo; EU PROTESTO! – Por Walter Jorge de Freitas *

EU PROTESTO!

 

“…Artistas de Garanhuns estão se recusando a participar do Festival Inverno, como forma de protestar contra os baixos valores dos cachês…”

 

Protestos pacíficos têm o total apoio da maioria dos brasileiros

Protestos pacíficos têm o total apoio da maioria dos brasileiros

O verbo protestar figura entre os mais conjugados no momento. O cliente do banco esbraveja por causa da fila. O usuário dos transportes públicos chia com o preço da passagem, o tempo de espera nos pontos e a superlotação. O professor faz greve em sinal protesto pelos baixos salários. Os donos dos educandários reclamam do volume de encargos sociais a cumprir. Pais de alunos bradam contra o valor das mensalidades.

Estudantes universitários expõem a falta de ações do Ministério de Educação, que teima em não destinar verbas a fim de tornar os cursos superiores mais eficientes.

Artistas de Garanhuns estão se recusando a participar do Festival Inverno, como forma de protestar contra os baixos valores dos cachês. Músicos e cantores do Recife, sempre protestaram contra os elevados montantes pagos aos astros do eixo Sul-Sudeste.

Brasileiros mais esclarecidos levantam a voz contra os volumosos gastos com estádios e arenas, para sediar eventos que só dão lucro à FIFA, enquanto pessoas carentes reclamam da falta de leitos hospitalares na rede pública de saúde e da demora quando precisam marcar consultas ou cirurgias.

Prefeitos de todo o país, vão a Brasília cobrar mais verbas da União. Chegaram, inclusive, a ensaiar uma vaia na presidente Dilma. Vários deles, pelo que fizeram e mais ainda pelo que deixaram de fazer, também merecem ouvir protestos e serem igualmente vaiados pelos cidadãos que acreditaram em suas promessas.

Moradores das metrópoles já protestaram nas ruas inúmeras vezes denunciando o descaso público e a falta de ações em favor da mobilidade.

Caminhoneiros, aflitos com as péssimas condições das estradas, já bloquearam alguns trechos, mostrando ao povo que o governo pouco faz para melhorar as condições de trabalho de quem transporta quase tudo o que é produzido no nosso setor agrícola.

Ambientalistas denunciam constantemente o descaso governamental verificado nos últimos anos com a Amazônia, área que cada dia, perde parte de sua vegetação.

Devemos também protestar pela falta de água nas torneiras, pela ausência de saneamento e limpeza pública e pela má qualidade do ensino oficial.

E assim, de protesto em protesto, vamos chegando à conclusão de que os nossos políticos, em sua maioria, merecem as vaias e cartazes com manifestações de repúdio que sacolejam as ruas. Mas ninguém deve esquecer que o protesto tem que ser de forma ordeira, do contrário, todos perderão a razão e os direitos.

Se, por acaso, você é tímido como eu, não gosta de se expor, existem outras formas de protestar, como por exemplo, escrever para as redações dos jornais, usar a internet e os blogs. Omitir-se, jamais.

Antes que o espaço acabe, vai um apelo aos aposentados (eu sou um deles), para que não deixem de ir às ruas gritar contra o efeito corrosivo implantado pelo sistema previdenciário brasileiro, que aos poucos, vem reduzindo o valor da nossa já minguada aposentadoria. Por incrível que pareça, vivemos em um país no qual a aposentadoria, em vez de prêmio, vem se transformando em castigo para o trabalhador.

Isto nada resolve, dirão alguns acomodados. Não devemos ir nessa onda. Sejamos contundentes, criemos coragem e respondamos com um NÃO nas urnas a essa turma que está no poder. Aí, sim, eles vão se tocar e descobrir que o povo está despertando. Quem sabe, em pouco tempo, 90% dos atuais ocupantes de cargos eletivos percam seus lugares para os que se mostrarem mais competentes e responsáveis.

 

Walter Freitas e a sua esposa

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Comerciante, escritor, cronista e pesquisador musical.

Artigo: ” O Brasil caminha para uma Sociedade sem Partidos…” – Estamos Virando um Balaio de Gatos… *

Para onde o Brasil caminha?

 

Partidos políticos ou balaios de gatos. O povo sabe o que quer?

Partidos políticos ou balaio de gatos. O povo sabe o que quer?

 

 

 As manifestações e as paralisações recentes proporcionaram variadas análises sobre a atualidade e o futuro do Brasil. Muitos são os otimistas que frisam que o Brasil mudou ou que sofre processo de transformação. Outros afirmam que um novo Brasil já existe. Ambas as assertivas, as quais devem ser consideradas como hipóteses, aparentam ser verdadeiras. Porém, para onde o Brasil caminha?

Observo, com base em dados advindos de pesquisas de opinião pública, que os partidos brasileiros são desacreditados e não possuem vida na sociedade. A vida dos partidos existe apenas na arena parlamentar.

Pesquisa do Ibope divulgada em 10/07/2013 revela que 81% dos brasileiros consideram os partidos políticos corruptos ou muito corruptos. Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN) em junho de 2013 mostra que 49,3% dos recifenses não têm preferência partidária.

De acordo com a citada pesquisa do IBOPE, 72% dos brasileiros consideram que o Congresso Nacional é corrupto ou muito corrupto. Este dado mostra que os brasileiros não confiam e nem acreditam no Parlamento.

Então, se os brasileiros não confiam e nem acreditam nos partidos e nem no Congresso Nacional, como posso falar em instituições parlamentares no Brasil? Tenho a hipótese de que partidos e parlamentos são estorvos para grande parte da opinião pública brasileira.

A pesquisa do IPMN revelou que 89,8% dos recifenses concordam com a seguinte afirmação: “Os políticos brasileiros são corruptos em sua maioria”. Dado preocupante. Se as pesquisas do IBOPE e do IPMN revelam que partidos, parlamentos e políticos são desacreditados, o seguinte problema surge: o que motiva as pessoas a irem votar? Os dados revelam o porquê das abstenções eleitorais.

Um dado curioso revelado pela pesquisa do IPMN: 37,7% dos recifenses consideram a sociedade brasileira corrupta. Portanto, afirmo: a célebre frase de que o povo tem o político que merece é verdadeira para parte do eleitorado brasileiro.

Por outro lado, é falsa a frase de que o povo não sabe votar. Considerando apenas o universo de 37,7% dos que afirmam que a sociedade brasileira é corrupta, concluo que o eleitor, por ser supostamente corrupto, vota em políticos supostamente corruptos.

O Brasil caminha para uma sociedade sem partidos, os quais estão sendo substituídos pelas redes sociais e os órgãos de comunicação. Aliás, há muito tempo, a imprensa brasileira canaliza os variados interesses da população. Neste momento, observo também que as redes sociais são os instrumentos que dão vozes aos diversos desejos da sociedade.

Como bem revelam as pesquisas, o Parlamento, os partidos e os políticos não têm a confiança dos brasileiros. Portanto, o Brasil continua a caminhar, caso o Parlamento, as agremiações partidárias e os políticos não se transformem qualitativamente, para uma democracia despartidarizada e desparlamentarizada.

Adriano-Oliveira

 

*Adriano Oliveira – Professor e Cientista Político.

Artigo: Papa Francisco Lavará a Alma do Brasil – Por Elio Gaspari *

 

Papa Francisco em 04 meses de pontificado já deu grandes lições de ética e respeito ao próximo

Papa Francisco em 04 meses de pontificado já deu grandes lições de ética e respeito ao próximo

 

 

Faltam duas semanas para a chegada do Papa Francisco ao Rio. Ele mostrará ao mundo um Brasil de fé, solidariedade, alegria e paz. Será a primeira viagem de um Pontífice que, em quatro meses de reinado, deu as seguintes lições:

1) Pagou a conta da casa de hóspedes que o abrigou em Roma durante o conclave. (Alô, doutores Henrique Alves, Garibaldi Alves e Renan Calheiros com seus jatinhos da Viúva.)

2) Dispensou o apartamento pontifício de dez aposentos e continuou na Casa Santa Marta, onde ficam os bispos que passam por Roma. (Alô, Eduardo Paes, que em 2010 queria comprar para a prefeitura o palacete dos Guinle na Rua São Clemente. Os donos pediam R$ 10 milhões.)

3) Livrou-se dos paramentos do regalismo medieval de Bento XVI e dos medonhos sapatos vermelhos de seus antecessores.

4) Nomeou uma comissão de cardeais para limpar a estrutura da Cúria e faxinou o Banco do Vaticano.

5) Confessou-se um pecador. (Alô, Lula.)

O Papa Francisco chega ao Brasil com uma Igreja livre de grandes divisões. Não vem hostilizar prelados esquerdistas e, se há na hierarquia brasileira discretos muxoxos (sobretudo por causa da faxina no Banco do Vaticano), eles serão dissimulados.

Se governantes estão com medo do que significará sua visita, ainda têm tempo para ler a inutilidade do mal-estar dos comissários poloneses quando João Paulo II anunciou sua visita a Varsóvia.

Centenas de milhares de peregrinos hospedados em casas alheias celebrando a fé serão uma santa lição num país onde o andar de baixo sabe dividir o que tem, enquanto no de cima não querem nem pagar passagem de avião.

Durante alguns dias, acreditou-se que as multidões que foram às ruas nas últimas semanas prenunciavam apenas badernas. Viu-se, contudo, que o povo como perigo é apenas uma velha fantasia. Francisco mostrará o tamanho da fraternidade nacional, sem caviar no camarote das autoridades.

Nos últimos dias, autoridades federais, estaduais e municipais que torraram bilhões de reais na construção de estádios informaram que não têm dinheiro para cobrir um buraco de R$ 90 milhões para custear despesas da Jornada Mundial da Juventude. Gastaram R$ 1,2 bilhão no Coliseu do Rio.

A viagem da doutora Dilma a Roma para a coroação de Francisco custou perto de meio milhão. Pode-se estimar que o governo federal torre perto de R$ 1 milhão por mês só na JetFAB. De Brasília, saiu o temor de que Francisco seja hostilizado por manifestações de evangélicos. É difícil, pois não há entre os evangélicos o sectarismo dos comissários.

Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, é um homem de boa paz. Se tivesse na alma a lâmina sertaneja de D. Eugenio Salles, mandaria um recado a Brasília, ao governador Sérgio Cabral e ao prefeito Eduardo Paes: “Coletarei a ajuda do povo na esquina da Avenida Rio Branco com Rua do Ouvidor.”

(Bastou uma palavra de D. Eugenio a Fernando Henrique Cardoso para que fossem retirados soldados armados das calçadas por onde passava João Paulo II.)

Os dias do Papa no Brasil serão jornadas de distensão, beleza e fraternidade, sem comércio ou patrocínios. Acima de tudo, serão grátis. Cobrarão apenas fé para aqueles que a têm.

elio-gaspari2

* Fonte: O Globo – Elio Gaspari é jornalista

Crônica: Farsas Sociais – Por Amanda Apolinário *

Farsas Sociais

 

 

 

Não me culpo pela solidão que senti, em meio a tanta gente ao meu lado eu estava só, e de fato, tantos artefatos eu recebi, e hoje nem mesmo vejo-os… Pó! E de tão profunda ingratidão senti-me culpada, eu não sabia como retribuir o que eu não ganhei, e como sentir-me feliz? Achei por muito tempo que gostasse de sofrer, não! Vejo que gosto de ser feliz, apenas sou suficientemente simples para achar-me apenas um labirinto de emoções. Não julgo as pessoas que passaram por mim, apenas encontro-me num patamar que vai além de fins de semana programados para acabar e fantásticas exposições de sorrisos engomados, peles maquiadas pela felicidade que tiraram de prateleiras.

Eu não, eu não combino com hipocrisia, eu combino com a noite e combino com o dia, dependente de meu estado de humor, eu não combino com falsidade, nem com covardia, e por isso tanto tempo sozinha eu me senti. Eu desejo ávida a vida, eu não quero embalagens ou passagens para mundo de ilusões, eu combino com os pés no chão, fincados no solo da minha existência, não há medo quando tudo está transparente nos meus olhos. Eu quero-me hoje e amanhã, descobri que traumas não existem que algemas não existem que seres humanos sim, são de fato cruéis…

Mas eu não sou! Abba! Eu não combino com o mal, não combino com o banal, e isso eu posso escolher. Tenho as heranças de dores que senti, mas elas hoje não tiram mais de mim do que lágrimas de alívio por que fui até onde pude ir, machuquei e errei, mas de tão claro vejo que tinha de ser assim, de tão claro veja-se estou aqui! Justiça da vida, divina ou não, paguei em duras moedas a parte que me coube, e nada mais.

E se posso providenciar um dito popular para misturar-se a minhas palavras faça-se “se não está tudo bem é por que não chegou ao fim” .E meu eu de novo tão humanamente capaz de parafrasear ditados populares, e o que de mal há nisso?! E o que de mal há em não combinar com farsas sociais?

Cansei de ver certos noticiários, seriados, ou novelas? Nãoooo… Essas farsas até que distraem, cansei de sim, de tolerar pessoas me olhando com seus interesses imbecis e molhando de óleo o chão que piso, farsas das esquinas e dos becos dos meus pensamentos.

Limpei os porões e não mais combino com a acinzentada maldade de quem deseja me destruir com sorrisos, ou me derrubar com flores; não há amargura, tenho amigos e respeito aonde eu for, o caminho certo da vida é pra dentro, onde ao encontro do meu melhor encontrei pessoas que combinam comigo e outras raridades como respeito ao ser humano, compaixão e fé.

 

Amanda Apolinário

 

* Autora: Amanda D Apolinário – É Professora e fisioterapeuta.

Artigo: CAIU A FICHA *

ITA escola  X  escola em palha no Maranhão

(Escolas públicas: O ITA, S. José dos Campos-SP e uma Escola no Maranhão)

 

As surpreendentes mobilizações dos últimos dias podem ser explicadas em dez letras: “caiu a ficha”. Não se sabe exatamente o que levou a ficha a cair neste exato momento, mas todos os ingredientes já estavam dados. A maior surpresa foi a surpresa.

Caiu a ficha de que o Brasil ficou rico sem caminhar para a justiça: chegou a ser a sexta potência econômica, mas continua um dos últimos na ordem da educação mundial. Também caiu a ficha de que sem educação não há futuro, e de que, por isso, 13 anos depois de criado, o Bolsa Família continua necessário, sem abolir sua necessidade.

Caiu a ficha de que, em 20 anos de governos social-democratas e dez anos do PT no poder, ampliamos o consumo privado, mas mantivemos a mesma tragédia nos serviços sociais, nos hospitais públicos e nas escolas públicas. Caiu a ficha de que o aumento no número de automóveis em nada melhora o transporte; ao contrário, piora o tempo de deslocamento e o endividamento das famílias.

Caiu a ficha de que o PIB não está crescendo e, se crescesse, não melhoraria o bem-estar e a qualidade de vida. Caiu a ficha de que, no lugar de metrópoles que nos orgulham, temos “monstrópoles” que nos assustam.

Caiu a ficha do repetido sentimento de que a corrupção não apenas é endêmica, ela é aceita; e os corruptos, quando identificados, não são julgados; e, se julgados, não são presos; e, se presos, não devolvem o roubo. E de que os políticos no poder desprezam as repetidas manifestações de vontade popular.

Caiu a ficha de que o povo paga a construção de estádios, mas não pode assistir aos jogos. E de que a Copa não vai trazer benefícios na infraestrutura urbana das cidades-sede como foi prometido. Aos que viajam ao exterior, caiu a ficha da péssima qualidade de nossas estradas, aeroportos e transporte público.

Caiu a ficha de que somos um país em guerra civil, onde 100 mil morrem por ano por assassinato direto ou indireto no trânsito.

Caiu a ficha também de que as mobilizações não precisam mais de partidos que organizem, de jornais que anunciem, de carros de som que conduzam, porque o povo tem o poder de se autoconvocar por meio das mídias sociais. A praça hoje é do tamanho da rede de internet, e é possível sair das ruas sem parar as manifestações e voltar a marchar a qualquer momento. Na prática, caiu a ficha de que é fácil fazer guerrilha cibernética: cada pessoa é capaz de mobilizar milhares de outras de um dia para o outro em qualquer cidade do país.

Mas entre os dirigentes nacionais ainda não caiu a ficha de que mais de 2 milhões de pessoas nas ruas não se contentam com menos que uma revolução. Mais de 2 milhões não param por apenas 20 centavos nas passagens de ônibus. Eles já ouvem as ruas, mas ainda não entendem o idioma da indignação.

Não caiu a ficha de que é preciso fazer uma revolução na educação brasileira, especialmente na educação básica, por meio da federalização. Até porque não é possível oferecer educação de qualidade em municípios tão desiguais. Somente o governo federal poderá oferecer educação de qualidade já ofertada pelas 457 escolas federais (institutos de aplicação e colégios militares) nas mais de 156 mil escolas públicas municipais e estaduais. Assim, mais de 51 milhões de crianças e jovens teriam educação de excelência.

É preciso fazer uma revolução na estrutura, nos métodos e nas organizações da política no Brasil: definir como eleger os políticos, como eles agirão, como fiscalizá-los e puni-los.

cristovam_buarque_002

 

* Autor: – Cristovam Buarque

* Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF.

Artigo: Os Sinais e os Ruídos da Rua. Como Interpretá-los? *

Governo demonstra estar atabalhoado...Sem entender o Sinal e o Ruído

Governo demonstra estar atabalhoado…Sem entender o Sinal e o Ruído

 

O SINAL E O RUÍDO

Recomendo aos analistas e estrategistas que leiam o livro “O sinal e o ruído” de Nater Silver. Após a leitura desta brilhante obra, o leitor descobrirá que sinais são informações que possibilitam análises e prognósticos factíveis. E ruídos são informações que permitem análises e prognósticos não factíveis.

livro Sinal e Ruídos Nater Silver

A recente pesquisa do Datafolha divulgada nos dias 29 e 30 de junho sugere que Dilma Rousseff está enfraquecida para a disputa presidencial, pois 30% dos eleitores aprovam a sua administração. A pesquisa também revela que a presidente tem 30% de intenções de voto e que a possibilidade de segundo turno é iminente. Caso o contexto em que a pesquisa foi realizada seja desprezado, os dados apresentados passam a ser meros ruídos. Eles adquirem capacidade de serem sinais quando se considera que os eleitores, em particular os das capitais, estão inquietos com os governos.

Se os eleitores estão hoje inquietos, isto não significa, necessariamente, que eles continuarão neste estado em 2014. Se o contexto muda, a preferência do eleitor também poderá ser modificada. Portanto, considero que a pesquisa do Datafolha sugere que Dilma tem frágil favoritismo para vencer no primeiro turno a eleição de 2014.

Para que o favoritismo frágil passe a ser sólido, se faz necessário, dentre outras mudanças, que o pessimismo econômico dos brasileiros diminua. A pesquisa do Datafolha revela que: 1) 54% dos eleitores tem a expectativa de que a inflação irá aumentar; 2) 44% acreditam que o desemprego irá crescer; e 3) 38% creem que o poder de compra dos salários irá declinar. Portanto, quadro preocupante.

Mas se existem sinais preocupantes, existem outros que tranquilizam e confortam a presidente Dilma. A parceria entre Lula e Dilma pode trazer benefícios eleitorais para ela. As manifestações podem incentivar sentimentos de mudança em grande parte do eleitorado. E, por consequência, surgir a ressaca eleitoral para com o PT entre os eleitores atualmente dilmistas. Se esta hipótese vier a ser verdadeira, surge a indagação: Qual candidato conquistará os votos dos eleitores que desejam mudança? E qual candidato conquistará os votos dos eleitores que estão ressacados com o PT?

A pesquisa do Datafolha mostrou que nenhum candidato, neste instante, canaliza fortemente o possível desejo de mudança eleitoral (aqui incluso a ressaca com o PT) do eleitor. Marina Silva cresceu eleitoralmente após as manifestações. Ela obteve 23% de intenções de voto. Aécio cresceu, mas não de modo expressivo. O candidato do PSDB conquistou 17% de intenções. Eduardo Campos oscilou positivamente para 7%. Mas se no início de junho 12% dos eleitores, segundo o Datafolha, declararam votar em branco/nulo ou nenhum candidato, desta vez, o percentual foi de 24%. Portanto, concluo que parte dos eleitores de Dilma não fez a opção por nenhum outro candidato.

Então, os sinais são claros: 1) O favoritismo de Dilma para vencer no primeiro turno é frágil, neste instante; 2) Se as manifestações criarem sentimentos de mudança eleitoral, Eduardo e Aécio ainda não representam para o eleitor esta mudança; 3) O percentual de votos obtidos por Marina sugere que ela pode vir a angariar grande parte dos votos dos eleitores que desejam mudança eleitoral, caso esta venha a existir.

Adriano-Oliveira

* Autor : Adriano Oliveira é professor e cientista político.

Crônica: Saudades dos Long Play’s – Por Walter Jorge de Freitas *

ELE TEM QUE VOLTAR!

 

Dois objetos inesquecíveis: a vitrola e o LP

Dois objetos inesquecíveis: a vitrola e o LP

Calma, amigo, não se trata de nenhum político. Pretendo dedicar umas palavrinhas ao charmoso disco Long Play, modalidade de gravação que esteve no auge entre os anos de 1950 a 1970.

Lamentavelmente, não tive como adquirir muitos, pois o seu preço era bastante elevado para o meu poder aquisitivo.

Quem me conhece, sabe que gosto muito de Carnaval. Por isso, todos os anos, procuro decorar o meu estabelecimento comercial para deixá-lo bem no clima carnavalesco, mantenho um aparelho de som tocando músicas do gênero e tenho também uma TV na qual procuro reproduzir DVDs e fitas com imagens da folia de Pernambuco e do Brasil.

As paredes da Padaria estão decorados com as capas de LPs

As paredes da Padaria estão decorados com as capas de LPs

  

No ano passado, tive a ideia de afixar capas de LPs nas paredes revestidas com cerâmica branca da área de vendas da padaria e o invento saiu barato e até que agradou. (fotos)

Neste mês de junho, repeti a dose, utilizando discos gravados por cantores nordestinos e consegui verdadeiras obras de arte do nosso cancioneiro que ainda hoje animam as nossas festas regionais.

Dentre as peças expostas, estão LPs de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Gerson Filho, Marinês, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Ary Lobo e outros.

  

Um passa-disco da marca Gradiente adquirido no ano de 1984, permite a reprodução daqueles que estão em bom estado de conservação.

Foi assim que descobrir mais uma utilidade dos charmosos LPs, que além das canções gravadas, suas capas trazem excelentes textos sobre a obra e se bem utilizadas, servem para decorar ambientes, conforme posso demonstrar nas fotos que estou anexando ao presente texto.

Alguém pode até dizer: Esse cara não tem cura, quanto mais velho, mais besta! Fazer o quê? Não tenho culpa.

Não estou querendo afirmar que em matéria de música tudo o que é velho é bom e atualmente só se faz o que é ruim. Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Flávio José, Xico Bizerra, Santana e Onildo Almeida, gênios da atualidade, estão aí para provar o contrário.

Mas convenhamos, as prefeituras gastam uma nota preta para contratar bandas “estilosas” e talentos duvidosos na tentativa de agradar aos jovens, entretanto, o que estão fazendo, juntamente com a televisão, é afastá-los de suas verdadeiras raízes culturais. Isto, sim, é deseducar, divertindo.

 

Walter Freitas e a sua esposa

 

 

* Autor ; Walter Jorge de Freitas – Comerciante, escritor, cronista e pesquisador musical