Category Archives: Crônica/Conto

CONTO: A Descoberta da Roda(*) – Colaboração de Ducarmo Leite Calado.

Todo ser humano passa por turbulências em sua vida. A alguns falta o pão na mesa; a outros, a alegria na alma. Uns lutam para sobreviver. Outros são ricos e abastados, mas mendigam o pão da tranquilidade e da felicidade.

Que pão falta em sua vida?

Quando o homem explorar intensamente o pequeno átomo e o imenso espaço e disser que domina o mundo, quando conquistar as mais complexas tecnologias e disser que sabe tudo, então ele terá tempo para se voltar para dentro de si mesmo. Nesse momento descobrirá que cometeu um grande erro. Qual?

Compreenderá que dominou o mundo de fora, mas não dominou o mundo de dentro, os imensos territórios da sua alma. Descobrirá que se tornou um gigante na ciência, mas que é um frágil menino que não sabe navegar nas águas da emoção e que desconhece os segredos que tecem a colcha de retalhos da sua inteligência.

Quando isso ocorrer, algo novo acontecerá. Ele encontrará pela segunda vez a sua maior invenção: a roda. A roda? Sim, só que dessa vez será a roda da emoção. Encontrando-a, ele percorrerá territórios pouco explorados e, por fim, encontrará o que sempre procurou: o amor, o amor pela vida e pelo Autor da vida.

Ao aprender a amar, o homem derramará lágrimas não de tristeza, mas de alegria. Chorará não pelas guerras nem pelas injustiças, mas porque compreendeu que procurou a felicidade em todo o Universo e não a encontrou. Perceberá que Deus a escondeu no único lugar em que ele não pensou em procurá-la: dentro de si mesmo.

(*) : Você é Insubstituível – Augusto Cury)

ARTIGO: BILA UM (F)ELIZARDO. Por Cláudio Almeida*

ELIZARDO - Bila. O Pesqueirense do CavaquinhoELIZARDO – Bila, o Pesqueirense do Cavaquinho...A justeza de uma homenagem

No Domingo de Carnaval de 1979 fui pela primeira vez à casa do grande Edgard Moraes. Ele já falecido, mas vivo na minha memória. Eu o havia visto uma só vez, tocando violão, com o meu amigo Bila – genro dele (casado com Naná). Era um encontro familiar na casa de Dulce e Telmo (ambos cantores e ela irmã de Bila).

O convite histórico para ir a Campo Grande trouxe grandes momentos de emoção com os frevos-de-bloco do Mestre, autor da clássica Valores do Passado. A família o reverenciava ouvindo e cantando as suas músicas. Era um acerto de alma.

Esse ritual durou anos e fazia parte da espera da chegada do Bloco da Saudade – um sonho do compositor e concretizado graças a Marcelo Varella e ao grande violonista e arranjador Zoca Madureira, responsável pela orquestra.

A minha ligação com os frevos de bloco é de berço, pois o meu pai Osvaldo, clarinetista, saxofonista e trombonista, era um fã incondicional desse gênero. A primeira que ficou na minha memória ainda foi em Pesqueira – Evocação no. 1, de Nelson Ferreira. Lembro-me como se fosse hoje. Ele lendo a partitura e elogiando a melodia e a letra.

Como conterrâneos e ligados a mesma arte eu e Bila fizemos uma grande amizade logo que cheguei por aqui – mais de 10 anos depois dele.
De uma geração anterior à minha ele foi baterista da Natambijara – orquestra da Rádio Difusora de Pesqueira. Não o vi se apresentando. No entanto, sabia do seu talento nesse primeiro instrumento.

Mas, foi como cavaquinista, que Bila fez sua fama. Dono de um ouvido privilegiadíssimo e de uma simplicidade cativante, era respeitado e querido em todas as tribos.

Com ele, participei na TV Universitária como convidado de um programa semanal de músicas de seresta de Jaime Ubiratan. Mesmo me achando verde e com outras atividades profissionais sempre que possível fazia parte desse conjunto informal. E isso me fez aprender bastante. Estar ao lado de Tonhé, por exemplo, era um privilégio. Afinal ele também tocou com o meu pai e era um dos maiores violonistas de Pernambuco. Como se não bastasse, ainda faziam parte da linha de frente Marco César (já despontando como um dos melhores bandolinistas do Brasil) e Bila (muito requisitado para encontros musicais). Nós quatro, além de tudo, nascidos em Pesqueira.

O Conjunto Pernambucano de Choro estava alicerçado com esse trio de ouro. Logo depois, veio a única componente: Valéria Moraes com sua flauta. Filha de Bila, neta de Edgard e, então, noiva de Marco César. Os percussionistas Geraldo e Aloísio se uniram depois ao grupo. Por onde passou foi sucesso e até hoje é uma referência nacional.

Do Carnaval da casa de Edgard, além de tantas coisas boas que me inspiraram, uma merece destaque: em 1985, eu e Humberto Vieira compusemos Alegorias. Lembrei de Edgard e sugeri uma letra que fizesse uma grande homenagem ao Mestre e, consequentemente, ao Bloco da Saudade.

Sob a competente batuta de Marco César e tendo Tonhé ao violão, Bila ao cavaquinho e as vozes das netas e filhas do grande compositor, surgiu o Coral Edgard Moraes como um desdobramento natural do Pernambucano de Choro. E está aí, atraindo multidões por onde se apresenta e com um excelente CD lançado.

No dia 19 de julho do ano passado, quando eu ia saindo para fazer uma apresentação, eis que tomo conhecimento da morte de Bila, através de Moacir, percussionista e filho dele. Ninguém imaginava que agora em 2011, a folia seria sem a presença física dele.

Era uma pessoa de espírito jovem e nunca o vi se lamentando ou falando de tristeza. Músico de rara sensibilidade, era também excelente como filho, irmão, pai, marido e amigo.

Portanto, agora é hora de relembrá-lo com alegria, música, risos, flabelos, frevos e cavaquinhos.

E por que (f)elizardo? Felizardo ele sempre foi, todos sabem. Em todos os campos. Pouca gente, no entanto, pronunciava o seu nome real: Elizardo. E nem precisava.

» Claudio Almeida é compositor
Fonte: JC

NOTA DO BLOG: Este editor teve oportunidade de trazer Bila e o conjunto no qual se apresentava com Beto do Bandolim e a grande cantora Dalva Torres. Uma na festa de formatura de André Muniz em 06 de setembro de 1998 e a outra numa festa realizada em prol do Bloco da Saudade de Edna, no carnaval de 2002. O autor da crônica é nosso amigo desde os áureos tempos dos nossos conjuntos: Os Rebeldes aqui e Os Admiráveis, em Pesqueira. Cláudio Almeida é um  exímio violonista dos mais requisitados no nosso estado.

O grande Violonista CLÁUDIO ALMEIDA. De Pesqueira para o Mundo.

TEXTO: MULHER MADURA(*) – Colaboração de Cacá Maciel.

Sharon Stone. Linda, Madura, Sensual...

A INCOMPARÁVEL BELEZA DA MULHER MADURA!!!


Quando resolvi escrever sobre a MULHER MADURA, pensei em mim e em todas as mulheres de trinta, quarenta, cinquenta…não importa a idade, claro, não desmerecendo as mais novas, até porque, pretendo falar de toda vivacidade que elas possuem. A MULHER MADURA tem um jeito todo especial de ser. MULHER MADURA não é ventania, ela é ar em movimento. Ela possui uma beleza peculiar que não se iguala a nenhuma outra. Pena daqueles que não sabem percebê-las!!!

A MULHER MADURA não PEGA, ela TOCA.

A MULHER MADURA não come, ela se ALIMENTA.

A MULHER MADURA não provoca, ela já é PROVOCANTE.

A MULHER MADURA não é inteligente, ela é SÁBIA.

A MULHER MADURA não se insinua, ela mostra o CAMINHO sutilmente.

A MULHER MADURA não se precipita, ela espera o MOMENTO CERTO.

A MULHER MADURA não nada, ela NAVEGA.

A MULHER MADURA não voa, ela FLUTUA.

A MULHER MADURA não pensa em quantidade, ela prefere QUALIDADE.

A MULHER MADURA não vê, ela OBSERVA.

A MULHER MADURA não anda, ela CAMINHA.

A MULHER MADURA não deita, ela ADORMECE.

A MULHER MADURA não é pretensiosa, ela simplesmente se GOSTA.

A MULHER MADURA não julga, ela ANALISA.

A MULHER MADURA não compara, ela ASSIMILA.

A MULHER MADURA não consola, ela ACALENTA.

A MULHER MADURA não acorda, ela DESPERTA.

A MULHER MADURA não coloca algemas, ela os deixa LIVRE.

A MULHER MADURA não enfeitiça, ela ENCANTA.

A MULHER MADURA não é decidida, ela apenas sabe O QUE QUER.

A MULHER MADURA não é exigente, ela é SELETIVA.

A MULHER MADURA não se senti velha, ela se considera EXPERIENTE.

A MULHER MADURA não se lamenta, ela tenta fazer DIFERENTE.

A MULHER MADURA não tem medo, ela tem RECEIOS.

A MULHER MADURA não faz juras, ela deixa por conta do TEMPO.

A MULHER MADURA não tira conclusões, ela faz SUPOSIÇÕES.

A MULHER MADURA “não desce do salto”, ela tem “JOGO DE CINTURA”.

A MULHER MADURA não brilha, ela é ILUMINADA.

A MULHER MADURA não dá tchau, ela ACENA.

A MULHER MADURA não gosta de ser vigiada, ela prefere ser ESCOLTADA.

A MULHER MADURA não é moderna, ela é ELEGANTE.

A MULHER MADURA não quer ser cobiçada, ela prefere ser DESEJADA.

A MULHER MADURA não possui sombras, ela tem AURA.

A MULHER MADURA não adivinha, ela tem PERCEPÇÃO.

A MULHER MADURA não faz sexo, ela é mestre na ARTE DE AMAR.

A MULHER MADURA não fica, ela se ENVOLVE.

A MULHER MADURA não é fácil, ela é FLEXÍVEL.

A MULHER MADURA não manda, ela ADMINISTRA.

A MULHER MADURA não aflora, ela é um constante FLORESCER.

Enfim, a MULHER MADURA é um conjunto de todas as belezas possíveis. É MULHER sensível, mas ao mesmo tempo uma verdadeira guerreira, é forte, mas é feminina, porém, muitos não possuem sensibilidade para perceber tal beleza, mas aqueles que descobrem…preferem morrer nos braços dessa tal mulher, que não é DOCE, mas que, simplesmente é puro MEL.

(*) autora: Vanessa Pena

CONTO: CARROÇA VAZIA, OU… – Colaboração de Ducarmo Leite Calado.

Conta uma história que um avô e seu neto ficavam sentados na beira de uma estrada, observando as carroças passar. Durante muito tempo os dois ficavam ali. Dias e mais dias iam se passando e, os dois, apenas observavam. Depois de muito tempo, o menino intrigado com o passar das carroças, perguntou ao avô o porquê eles estavam ali. Seu avô, muito sábio, disse: Ouça o barulho
Sem entender muito bem, o menino passou a prestar mais atenção no barulho que as carroças faziam. Passado mais algum tempo, o menino disse: “Vovô, noto que as carroças vazias passam por essa estrada e fazem um barulho enorme. Além disso, observei que as carroças que vêm cheias, não fazem barulho algum, ou, se fazem, é um barulho quase imperceptível.
O avô, muito feliz, disse ao menino: “Sim, é isso mesmo que eu gostaria que você aprendesse…” O menino, meio intrigado perguntou por que seu avô não havia dito aquilo antes, pois, agora, já tinha entendido a mensagem.
Mas, novamente, o avô o surpreende perguntando: “meu neto, o que você entendeu para a sua vida sobre isso que me disse ter aprendido?” O menino, receoso, disse: “bem, nada né vovô, estamos falando sobre carroças”.
Então, o avô lhe diz o seguinte: “Meu neto, meu nobre neto; a carroça vazia representa as pessoas inteligentes, que falam bastante, mas, são vazias por dentro, são arrogantes, soberbas, falam mal da empresa na qual trabalham, falam mal dos vizinhos, dos seus pares, acreditam que são sempre melhor do que as outras. São pessoas que não entenderam que o Criador nos deu dois olhos, dois ouvidos e apenas uma boca, justamente para que vejamos e ouçamos mais do que falamos. Essas pessoas, que são as “carroças vazias”, julgam, condenam, gritam, esbravejam, são pessoas negativas, pessimistas. São chefes que soterram a criatividade dos empregados, pois não permitem que eles deem opinião, não aceitam suas ideias, pois se julgam superiores. Mesmo sendo vazias, o que elas mais fazem é barulho, todavia, um barulho que não se faz ouvir dentro delas mesmas.”

E as carroças cheias, vovô, o que elas representam?”, pergunta o compenetrado menino. “Bem, meu neto, meu nobre neto, as carroças cheias são as pessoas sábias, que ouvem, veem, aplaudem o sucesso dos outros, ficam felizes quando seus pares conquistam bens, quando crescem espiritualmente. São pessoas que se ajudam nas empresas, trabalham em equipe, reconhecem o valor do ser humano no espetáculo que é a Terra. Essas pessoas são sábias, pois não condenam nem julgam, mas orientam e cooperam. São positivas, otimistas e preenchem o mundo com o seu jeito encantador de dar atenção aos outros. Pensam em crescer sim, ter riquezas, mas, por onde passam, deixam suas indeléveis marcas de amor, fé, alegria. São líderes que valorizam os liderados, e não gerentes que massacram seus subordinados. Eles elevam o moral da equipe e das pessoas, e não menosprezam, humilham quem lhes apóia. As carroças cheias, meu neto, observe, não fazem nenhum ou fazem pouco barulho, mas estão cheias de coisas boas para transmitir ao mundo”.
O menino e o avô se abraçam e juntos, continuam observando o passar das carroças… e o das pessoas.

E você, caro leitor, que tipo de carroça é você?

João Alves Leite – II – A saga de um revolucionário.

O blog dá continuidade ao artigo de Leonides Caraciolo, constante no seu livro “Sanharó da Colméia a Cidade“. O presente texto é em homenagem a Data Magna de Pernambuco que é o 06 de Março de 1817.Boa leitura!


 

JOÃO ALVES LEITE II

 

João Alves Leite, todavia, conseguiu escapar dos algozes e as “idéias francesas” continuaram a circular até a implantação definitiva da República.

          Entre os filhos de João Alves Leite  ( dez ao todo ) estava o capitão Manoel Leite Torres Galindo que , por sua vez, deixou 14 filhos, entre os quais, o Major Sátiro Leite ( o 13º filho, v. o quinto capítulo). João Alves Leite também foi pai do comendador João Torres Galindo, combatente  e chefe de guerrilha na “cabanada” de Panelas de Miranda  (v. segundo capítulo).

João Alves Leite era neto de dona Suzana da Silva , priora do Carmo no Recife  (v. terceiro capítulo),  e filho de Inácia Maria e Antônio Alves dos Passos, casal que fundou as fazendas Água Fria e Sapato. Faleceu em 1855 com 90 anos de idade deixando os seguintes filhos:

Major Joaquim Severiano Galindo

Antônio Leite Torres Galindo

Comendador João Leite Torres Galindo

Tenente-coronel José Claudino Leite

Capitão Francisco Leite Torres Galindo

Capitão Manoel Leite Torres Galindo

Maria Benedita

Tereza Florentina

Izabel Alexandrina

Francisca Joaquina Leite.

Suponho não haver naquela época lei que disciplinasse os assentamentos do registro civil, por isso essa diversidade nos apelidos dos filhos de João Alves Leite, cada um adotando um sobrenome ao seu bel-prazer. Os  Torres Galindo,  de Sanharó, surgiram mais ou menos cem anos antes dos de Alagoinha e  não havia e nem há qualquer parentesco entre as duas famílias. Assim como também não há entre os Torres Galindo daqui com os de Bonito e os de Bezerros. Os de Sanharó, como vimos, procederam de João Alves Leite, os de Alagoinha, das irmãs Ana e Inês Bernarda, da família Torres Galindo, de Vitória de Santo Antão. Em Sanharó não prevaleceu nos descendentes de João Alves Leite o apelido Torres Galindo. O que existe hoje no município é uma extensa família Leite.

Leonides de Oliviera Caraciolo – Engenheiro e escritor

 

 

Crônica: Morreu o pé de castanhola

Atendendo a pedidos de amigos/colaboradores, vamos postar no abelhudo, algumas crônicas que foram divulgadas pelo sanharonews.

(Crônica oferecida aos amigos Helena e Leonan Tenório)

 

 

Quase tive um choque ! Ao chegar à casa de papai vi que faltava algo  que me pareceu estranho! Havia sumido, desaparecida aquela árvore que como guardiã daquele lar, estava ali fincada há décadas, muito antes da construção daquela nossa nova casa.

 

Fui então informado de que o nosso pé de castanholas havia morrido. Sucumbira ao tempo, deixando órfãos os animais que por muitas décadas se abrigaram à sua sombra, além dos veículos que ali também faziam pouso.

Aquela castanhola era co-irmã de outras dezenas que permearam as nossas ruas. Principalmente a nossa Coronel Júlio Nunes. Essa rua era repleta de pés de ficus e de castanholas, a saber: Havia pés de ficus nas casas de Antônio Avelino, no armazém de Zé Monteiro, na casa de Totô Batista, na fábrica de Aristides Guimarães, na casa de Sebastião Porfírio e na bodega de meu pai, Paulo Muniz. Representava a metade linear da rua. A outra metade era repleta de castanholas. Salvo engano, essa falecida, representava um dos últimos espécimes que ainda resistiam às intempéries do tempo.

 

A nossa cidade é muito pobre em arborização. Do tempo que me entendo como gente, reconheço as árvores que já encontrei, basicamente, castanholas e ficus. Lembro que Erivaldo Monteiro, quando prefeito, mandou arborizar com algaroba, isso na década de setenta. Mais de vinte anos depois, Geovane Leite, disseminou o plantio de sombreiros que hoje embelezam principalmente a sua rua, Dr. Benjamim Caraciolo. A rua que hoje eu moro, a Jurandir de Brito, é a recordista da cidade por metro quadrado sem ter árvore alguma. Uma pena!

 

À sombra daquele pé castanholas, papai conseguira com seu fiel amigo  João do Grupo, um banco de praça. Esse banco é remanescente daquela primeira praça erigida por volta dos anos cinqüenta. Formavam uma excelente dupla. Esse velho banco, viúvo da castanhola, certamente terá muita paciência para esperar o crescimento desse novo amigo – um sombreiro que minha irmã, Frai, o adotou.

 

 

 

Muitos hão de se lembrar do flamboyant que ficava em frente à bodega de Sebastião Simão e da casa de dona Regina, mãe de Vavá Frazão. Era um dos veteranos, cuja beleza foi incorporada a paisagem bucólica da nossa Praça capitão Augusto Rodrigues. Desafiou o tempo a florir nos finais de ano.

Até que alguém, impiedosamente, mandou ceifá-lo. Primeiro pelas picaretas e machados. Como resistia bravamente, parecia até que quanto mais o maltratavam mais ele se agarrava à terra que lhe viu nascer e florescer. Foi enfim acorrentado e puxado pela força de um trator sob os olhares complacentes dos que viram e calaram. Em seu lugar foi plantado um pé de não sei o quê. Até hoje, já se passaram alguns anos e o infeliz ocupante, não deu ar de sua graça. Bem feito!

 

Fico a imaginar quais mãos abençoadas plantaram essas árvores e outras mãos que as regaram e fizeram-nas tão resistentes. O pé de figo em frente à minha antiga casa foi nossa paixão, até ser trocado por essa castanhola, quando nos mudamos do número 132 para 158 da mesma rua que nos viu crescer.

 

As árvores, como as flores e as pessoas, também vivem de amor. Sem a pieguice do saudosismo, devemos nos sentir donos daquilo que nos pertence, ainda que seja historicamente. Vejo certa preocupação com o novo. O centro da cidade foi todo desfigurado. As fachadas das casas foram literalmente modificadas. Enfearam a Casa Paroquial com aquelas janelas horríveis de basculhantes retirando as de postigos. O Mesmo fez dona Sônia de Joel. A casa de Mariolinda foi ultrajada pela ganância de certo comerciante. A única coisa bonita que existia no prédio da prefeitura, eram dois pinheiros que o prefeito à época, numa atitude insana, mandou cortá-los. Não devemos esquecer do prédio do nosso antigo cinema. Não merece qualquer comentário. Resta o quê? A casa de dona Aliete que mudou o muro original, era todo ondulado, a casa, hoje, de Leonides que mudou a concepção das portas e janelas e vai, vai, chega-se ali na casa onde mora Aiá Ledo. Essa, acho eu, é das últimas que não sofreu nenhuma mutilação física. Sua fachada é a mesma desde quando a sua esquerda funcionava a Sede que antecedeu o nosso Clube Lítero Recreativo. Há ainda uma outra com bom aspecto arquitetônico que é a casa dos herdeiros de João Avelino.

 

A fachada da antiga coletoria estadual, hoje, sede do Conselho Tutelar é também remanescente dos anos sessenta e mantém a sua originalidade. Outra mudança negativa ocorreu no muro da Escola Nossa Senhora de Fátima. Era ondulado e combinava com o arco do portal de entrada. Faltou competência ou bom gosto para saber mantê-los.

 

Creio que a única construção no centro da cidade que ainda se mantém fiel as origens é a “casinha” do antigo motor-da-luz, ali junto ao nosso Clube. Quem sabe se pudesse ser tombada e se transformar num espaço ligado à cultura e a história do município. Há de se ressaltar o trabalho de restauro dos prédios que serviram a Refesa, hoje pertencentes ao município, e que agora têm serventia ao tímido movimento da nossa cena cultural.

 

Lembrar os pinheiros que embelezaram a nossa praça principal. Nasceram no início dos anos setenta, quando da administração do então prefeito Paulo Foerster, cuja obra de maior destaque foi a construção da nova praça. Diga-se de passagem, que essa obra foi motivo de orgulho para todos. Recordo, no período natalino, quando as luzes nos pinheiros formavam um belo conjunto, pareciam Árvores de Natal. Infelizmente, faltou zelo e atenção e as lindas araucárias, não resistiram às pragas e tiveram que ser dizimadas. Lamentável!

 

Faz bem aos nossos olhos, os pinheiros que imponentes, decoram a frente do Hospital João XXIII. Há outros, juntamente com belas palmeiras no antigo Colégio Pio XII e Escola Normal Emilia Câmara. Árvores essas remanescentes das ações prioritárias do saudoso e inesquecível Padre Heraldo Cordeiro de Barros.

 

Fico imaginando, onde foi parar o pé de romã de dona Sinhá? Ressurgiu. Foi estoicamente resgatado graças à verve do nosso conterrâneo, os grande Carlos Elder e seu irmão Romerão, em brilhante composição.

 

Quem nos dera que houvesse uma campanha para se resgatar a mata ciliar do rio ipojuca, ainda que contemplasse apenas o perímetro onde ele, feito uma cobra, passa silente pela zona urbana da nossa cidade. O rio está com a sua calha totalmente assoreada e, hoje, representa um risco muito grande em períodos chuvosos.

 

Mas, voltando a minha tristeza pela perda do pé de castanholas. Conforta-me saber que outras pessoas também o admiravam. Alguém, no afã de me conformar, falou – “ora Paulinho, isso tava muito velho”. Lembrei-me de que o mesmo eu ouvira quando da retirada do flamboyant da praça. Pensei com os meus botões, qual sorte daremos as coisas que estão ficando velhas ?

Mesmo sendo um vegetal, que tal transferir o exemplo para o ser humano? O que faremos com os nossos velhos e o que farão conosco dentro de alguns anos? Lembrei-me de um pensamento do grande poeta Fernando Pessoa: O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem – por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”.

 

Dom Pablito