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Editorial: Limite de Idade para Imputação Criminal. Fora da Realidade *

 

 

 

Fora da realidade

TEMA EM DISCUSSÃO: Limite de idade para imputação criminal

 

 

 

 

O arrastão que levou pânico a praias da Zona Sul do Rio, num domingo de verão fora de época, duas semanas atrás, terminou com mais de 50 pessoas detidas. Entre os envolvidos encaminhados à delegacia, a grande maioria era de menores de idade.

Juntaram-se, no episódio, os elementos de um enredo batido. Além de os ladrões terem se aproveitado do imperdoável relaxamento das autoridades com o policiamento, para agir em áreas onde, previsivelmente, haveria grande concentração de banhistas, repetiu-se o igualmente conhecido script das ações em que há prisão de suspeitos com menos de 18 anos: apenas seis deles, maiores de idade, ficaram efetivamente presos, e dois adolescentes, apreendidos, foram transferidos para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Os demais, meia centena de delinquentes envolvidos em atos ilegais, alguns de forma violenta, sequer esquentaram a cadeira na DP; liberados, voltaram para as ruas, seguramente para praticar outros delitos.

Esse movimento de prende e solta, algo como enxugar gelo, é um dos aspectos resultantes de uma legislação esquizofrênica no que diz respeito à responsabilidade penal de jovens que, a despeito de terem plena consciência dos atos ilegais que praticam, são declarados inimputáveis. A lei, no caso o Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece em 18 anos o limite a partir do qual alguém pode ser alcançado pelo Código Penal, está a um ano de completar um quarto de século desde que foi instituída.

Leia a Íntegra:

 

Dar opções em vez de punir

TEMA EM DISCUSSÃO: Limite de idade para imputação criminal

 

Respeito quem se posicione a favor da redução da maioridade penal, pois não sou o dono da verdade. Mas noto que, geralmente, esse discurso repressivo se baseia em argumentos frágeis. Primeiramente, a redução da criminalidade não pode ser feita através do terror e do medo da pena. Até porque, ao contrário do senso comum, o Brasil não é o país da impunidade. Somos o quarto país do mundo com o maior número de presos.

Punimos muito e punimos mal, pois a quase totalidade dos presos é constituída de miseráveis, que praticaram os crimes patrimoniais mais toscos, como pequenos roubos e o tráfico de drogas. A sensação de impunidade nada tem a ver com a concreta aplicação das penas, pois as pessoas comuns não estudam estatísticas criminais e a parte oportunista da mídia somente tem o interesse em vender notícias bombásticas, desinformando e aterrorizando a população. Nossas prisões já estão superlotadas, os presos vivem em condições subumanas e sem qualquer controle estatal. Com isso, os presos foram obrigados a se organizar e surgiram as chamadas facções, como o PCC, em São Paulo.

Em vez de reduzir o crime, nosso sistema penal tem transformado um monte de pés-rapados em uma criminalidade muito pior e organizada. Ou seja, em lugar de diminuir a criminalidade, a política repressiva é uma de suas causas. Incluir os jovens nas prisões é aumentar o número de soldados à disposição das organizações criminosas.

Leia a Íntegra:

Outra opinião: dar opções em vez de punir


* Autor: Filipe Fialdini é advogado

* Fonte: O Globo

Editorial: As inverdades dos filmetes do PT para ludibriar o eleitor de Marina *

 

 

Propaganda de Dilma

ultrapassa limites

Ameaça de Marina leva a campanha do PT e a própria candidata a mandar às favas os escrúpulos e a fazer acusações muito além do aceitável

Antigas armas têm sido acionadas pelos marqueteiros petistas. A do medo, até mesmo usada contra Lula em 2002, logo foi colocada para funcionar. 

O maniqueísmo e a dose de inverdades contidas no filmete produzido para atacar a proposta de Marina de autonomia formal do Banco Central são exemplares do vale-tudo petista

 

A entrada de Marina Silva nas eleições presidenciais de maneira fortuita, devido à morte trágica de Eduardo Campos, era tudo o que o PT não queria. Não interessava aos petistas que a ex-ministra e senadora conseguisse constituir seu partido, a Rede, a tempo de entrar na disputa de 2014. Ninguém esquecera os 20 milhões de votos arrebanhados por Marina em 2010.

Parece ter faltado competência aos marineiros para conseguir todas as 492 mil assinaturas de eleitores e registrar a Rede nos prazos legais. Mas, embora reclamações tenham sido arquivadas, sempre existirão suspeitas de interferências alopradas em cartórios eleitorais do ABC, onde milhares de assinaturas foram glosadas.

Uma trapaça do destino colocou Marina na corrida presidencial, na cabeça da chapa do PSB, e o medo petista se confirmou. Como reza a tradição da legenda, o partido preparou agressiva campanha contra Marina. Mas ultrapassou todos os limites: da ética, da seriedade, do cinismo.

Antigas armas têm sido acionadas pelos marqueteiros petistas. A do medo, até mesmo usada contra Lula em 2002, logo foi colocada para funcionar. Marina se esquivou com agilidade, ao se comparar a Lula, a quem defendeu naquela campanha, quando era militante petista, futura ministra do meio ambiente.

Mas o rolo compressor petista cresceu, tão logo foi constatado que manobras que funcionaram contra tucanos — apresentados pelo PT como perigosos “privatistas” — seriam inócuas contra a ambientalista e ex-petista.

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O maniqueísmo e a dose de inverdades contidas no filmete produzido para atacar a proposta de Marina de autonomia formal do Banco Central são exemplares do vale-tudo petista. A decisão da campanha de Dilma e da própria candidata de mandar às favas os escrúpulos fica exposta em vários aspectos deste e outros ataques a Marina.O primeiro, que a própria Dilma, na campanha de 2010, apoiou a autonomia formal do BC.

O filmete panfletário diz que, num governo Marina, “banqueiros” controlarão o BC e, assim, farão desaparecer a comida da mesa do povo. Ora, o mesmo não acontece nos EUA, Inglaterra, Japão, Alemanha etc. — onde há BCs autônomos. E se algum banqueiro dirigiu o BC, foi nos governos Lula, quando o ex-CEO do Bank Boston, Henrique Meirelles, presidiu a instituição.

Justifica-se, então, o parecer do Procurador-Geral da União, Rodrigo Janot, junto ao TSE, pela suspensão da propaganda, por “criar estados mentais, emocionais ou passionais” nos eleitores. Ministro do Tribunal, Herman Benjamin disse, ao vetar outra publicidade, esta do PSDB, que um pecado mortal dessas peças de propaganda eleitoral é confundir o eleitor. De fato. Mas a última pesquisa Ibope/Rede Globo demonstrou que o dom de iludir desta campanha não tem produzido o efeito desejado pelos marqueteiros. A Justiça e o MP precisam estar ainda mais atentos.

* Fonte: O Globo/Editorial

Editorial: Eduardo Campos *

 

EDUARDO CAMPOS 

 

 

Morte do candidato do PSB retira da campanha presidencial um dos maiores fatores de renovação do cenário eleitoral brasileiro

Morte do candidato do PSB retira da campanha presidencial um dos maiores fatores de renovação do cenário eleitoral brasileiro

 

“O lastro de herdeiro de Arraes não o impediu de procurar caminhos próprios na cena pernambucana do mesmo modo que, ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, percebeu que suas perspectivas seriam limitadas caso seu partido, o PSB, se mantivesse por mais tempo à sombra do situacionismo petista.”

Na violência cega de um acidente aéreo, perdeu-se uma das personalidades mais promissoras da vida política nacional.

Aos 49 anos, Eduardo Campos vinha de uma bem avaliada gestão no governo de Pernambuco para representar, na disputa à Presidência da República, o difícil e estimulante papel de alternativa à tradicional polarização entre petistas e tucanos no plano federal.

Seu perfil o habilitava de forma singular para esse desafio, embora a própria campanha –tragicamente interrompida– tivesse ainda de desenhá-lo com mais nitidez.

Neto, por parte de mãe, do mitológico líder esquerdista Miguel Arraes, de quem foi secretário da Fazenda nos anos 1990, Campos tinha, pelo lado paterno, ligações com os setores mais conservadores da política local.

O lastro de herdeiro de Arraes não o impediu de procurar caminhos próprios na cena pernambucana do mesmo modo que, ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, percebeu que suas perspectivas seriam limitadas caso seu partido, o PSB, se mantivesse por mais tempo à sombra do situacionismo petista.

Escorado nos altos índices de crescimento econômico obtidos em seu período como governador, bem como numa visão administrativa sem ranços ideológicos, Campos procurou aproximar-se do empresariado, adiantando-se em relação ao mineiro Aécio Neves (PSDB) na disputa pelo campo de oposição à presidente Dilma Rousseff (PT).

Ao mesmo tempo, sua candidatura buscava desvincular-se de uma imagem excessivamente industrialista, dada a presença de Marina Silva como vice.

Para a postulação de Eduardo Campos confluíam tendências diversas, capazes de consolidar seu nome como fator de inovação diante dos dilemas nos quais se tem debatido a política brasileira nas últimas décadas. Capazes também, todavia, de minar a própria coerência interna de sua campanha e de um eventual governo.

A tragédia de ontem –que vitimou outras seis pessoas– impõe, naturalmente, uma dor e um choque sem limites a familiares e amigos do candidato. Pai de cinco filhos, um dos quais nascido há pouco mais de seis meses, Campos aparentava possuir, mesmo para o grande público, os sinais inconfundíveis do bom humor, da disposição e da felicidade pessoal.

Na política, ficam irrespondidas as perguntas sobre seu futuro e sobre a forma final que assumiria a candidatura pessebista no espectro ideológico.

O próprio PSB, agora, colocado ante a escolha de Marina Silva, que soa óbvia, e a de um nome mais ligado à cúpula do partido, terá de haver-se com encruzilhadas e definições que a hábil empatia de Eduardo Campos provavelmente lhe permitia postergar.

* Fonte: Editorial da Folha de São Paulo

Editorial: Adulteração difamatória feita dentro do Palácio do Planalto *

Aloprados agora atacam

do Planalto

 

 

Teriam acessado os perfis dos jornalistas no Wikipédia no intuito  de difamá-los

Teriam acessado os perfis dos jornalistas no Wikipédia no intuito de difamá-los

 

 

A adulteração difamatória dos perfis no Wikipedia de Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, feita de dentro do Palácio, tem de ser investigada com seriedade

 

 

O termo foi lançado com propriedade pelo próprio presidente Lula, quando, na campanha para a reeleição, em setembro de 2006, petistas foram presos pela Polícia Federal, em São Paulo, quando se preparavam para comprar um dossiê falso contra a candidatura de José Serra ao governo paulista. Um bando de “aloprados”, tachou Lula, até como forma de manter distância daquela operação atrapalhada de sabotadores incautos. Entre os “aloprados”, estavam pessoas próximas a ele e de sua campanha.

O tempo correu, o PT ampliou o exército de militantes na internet, e cresceu, também, o número de sites/blogs chapas-brancas, bancados com dinheiro público, até que, na campanha presidencial seguinte, em 2010, soube-se de nova operação aloprada. No ano anterior, o sigilo fiscal do candidato tucano, adversário de Dilma Rousseff, José Serra, fora quebrado na agência da Receita Federal em Mauá, na Grande São Paulo. Arquivos com informações pessoais, sigilosas, sob a guarda do Estado, haviam sido invadidos. E também de familiares do candidato.

A atuação do PT na internet é ponto forte do partido. Mérito dele. O problema é a atuação criminosa na rede de computadores a serviço de interesses partidários.

A mais recente ação aloprada foi cometida a partir do Palácio do Planalto, de onde acessaram-se os perfis no Wikipedia dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, para difamá-los. Por uma dessas irônicas coincidências, trabalha hoje no Planalto, como ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, presidente do PT em 2006, e acusado por Lula, na época, de ter escolhido aqueles “aloprados” para trabalhar na sua campanha.

A seriedade do fato, agravada pelo local em que ocorreu, exige investigação profunda, séria. O governo, pela secretaria de Comunicações do Planalto, lamentou o uso da rede do Palácio para o ataques aos profissionais, porém alegou ser impossível localizar-se os registros dos acessos, feitos em 2013, para se identificar o(s) culpados(s).

Há controvérsias. Técnicos garantem que as informações podem ser resgatadas dos servidores de Palácio. E, se lá não estiverem, a identidade de quem as retirou terá ficado gravada.

Mais este escândalo reafirma a incapacidade de militantes que chegaram ao poder em 2003 de conviver com a independência e diversidade de pensamento. Portanto, com o jornalismo profissional. Na sua intolerância, agem como fascistas. Por isso, constituem ameaça à democracia.

O fato denuncia, também, o fácil trânsito em palácios desses agentes do autoritarismo. Nada surpreende, nem a constatação de que este é mais um ataque de aloprados mantidos nas cercanias dos poderosos do turno, como ferozes cães de guerra. Tudo faz parte de uma mesma cultura política, partidária e ideológica que não tem pudor de mobilizar todos os meios para se manter nos aparelhos instalados dentro do Estado.

* Fonte: O Globo

Editorial: Ganhamos na Copa e Perdemos no jogo *

Ganhamos na Copa e

perdemos no jogo

 

Equipa da Alemanha - ganhou ao planejamento, a organização e a disciplina - Tetra no Brasil

Equipa da Alemanha – ganhou ao planejamento, a organização e a disciplina – Tetra no Brasil

taça da Fifa c fundo escuroFIFA word 2014

12 de junho de 2014, depois de um alarido tamanho do mundo, descobrimos que podíamos acreditar que o nosso país iria fazer bonito na maior festa do planeta. Sempre um “se” em cada história ou muitos “ses”, o nosso começa no show de abertura que podemos sintetizar que foi muito ligeiro e pouco entendido. Depois veio o jogo inicial, quando vencemos o time da Sérvia por 3×1 e ali, já demonstramos nosso cacoete de expertise quando o atacante que nunca atacou – Fred – encenou uma falta que redundou num pênalti e este em gol.

Do dia 13 de junho, portanto há um mês, 63 jogos, com o de hoje, foram realizados por esse Brasil afora, cada um fazendo mais sucesso do que outro. Sucesso absoluto! De público, de estrutura, de festas e, menos um pouco, de mobilidade urbana, mais todos ou quase, chegaram aos estádios para assistir aos tais jogos.

De fato essa performance em todas as doze cidades que realizaram os eventos tornou-se para nós, o nosso principal cartão de visitas. O Brasil recebeu em torno de setecentos mil visitantes, diretamente para os jogos da Copa. O que se via era a maioria dessas pessoas brincando e sorrindo. A convivência com os nativos foi significativa, deixando evidente a hospitalidade e a alegria contagiante dos brasileiros com o evento e, principalmente, com os que vieram de longe para prestigiá-la.

Claro que foram registradas algumas arruaças, por excessos de bebidas ou de coisa muito parecida. Nada que possa ser considerado anormal, em se tratando de evento dessa magnitude.

Por que foi fácil encontrar um título para nominar esse editorial? Ganhamos sim! Ganhamos a Copa da Fifa de Manaus a Porto Alegre ou de Natal a Cuiabá, passando por Brasilia, Rio, São Paulo, Recife, Salvador, Curitiba, Fortaleza e Belo Horizonte. E por falar na capital mineira foi lá que passamos a maior vergonha e humilhação que o nosso escrete canarinho já passou nos seus 100 de existência que se completam esse mês.

Parecia uma morte previamente anunciada. Noves fora às bravatas e fanfarrices do nosso técnico Luiz Felipe Scolari. O azedume e a omissão do Carlos Alberto Parreira, bastava entender o mínimo de futebol para ver que a gente estava mais para enganar do que pra jogar.

Nesse quesito deu palpite simples. Amargamos um honroso quarto lugar, com pouco merecimento. Tomamos dez gols em duas partidas, sendo que, os 7×1 para a hoje campeã – Alemanha jamais possam ou devem ser esquecidos. Alguém falou a seguinte: “O Brasil tem Neymar, Portugal tem CR7, Argentina tem Messi e a Alemanha tem um time”. Nada a acrescentar.

Assim cumprimos, historicamente, uma passagem marcante na vida do Brasil contemporâneo. Depois de sessenta e quatro anos voltamos a realizar uma Copa do Mundo e o fizemos com maestria. Com grandeza de espírito e, principalmente, com esmera hospitalidade.

Fosse eu aqui e agora apontar pontos negativos, poderia dizer que dois momentos servem para refletirmos: 1 – a vaia dada durante a execução do Hino Nacional do Chile; e 2 –  os impropérios dirigidos à presidente Dilma que, aliás, foram repetidos mais de uma vez, inclusive, hoje, no maracanã.

Que se há de fazer? Quem iria conter uma multidão enfurecida ou agitada por tantos e tantos problemas que aconteceram antes da Copa? Se a presidente perdoou quem sou eu para ficar atiçando fogo numa hora dessas?
Nós nos aprovamos pela média e considero que o desempenho pode ser considerado bom.

A hora é de mudanças. Várias seleções deixaram boas lições. Não faltaram recursos para a nossa seleção. O planejamento, se é que existiu, foi falho e inoperante. As seleções vitoriosas – Argentina e Alemanha, demonstraram serem peritas na arte de planejar e executar. Os valores individuais dos nossos craques, não foram bem aproveitados. Estamos pobres, talvez até paupérrimos em estratégias de jogo ou como diz o comentarista revoltado – cadê a nossa tática?

Decerto é que deixamos passar uma grande oportunidade de resgatarmos o “maracanaço” de 1950. Impusemos a nós mesmo, outro adjetivo que nivela lá por baixo, nosso tão profanado futebol. Agora adicionamos o tal do “mineiraço”!

Em 2018 tem mais uma Copa do Mundo. Dessa vez será na Rússia. Quem sabe até se a gente não tira o pé da lama e dá, de fato, a volta por cima…

Parabéns a Argentina que foi um adversário brioso e competente. Parabéns a Alemanha que foi um time organizado, brioso, disciplinado e mais competente.

 

Paulinho Portal Sanharó

 

* Autor: Paulinho Muniz – Editor do blog

Editorial: Luto no OABELHUDO – O Adeus de Fernando Valença

Fernando Valença de paletó e gravata

 

Quando tento escrever essas maltraçadas linhas,  tomando pela emoção que se apossou de mim, desde ontem à noite, quando soube através de Denise Zepter, sua filha, que o estimado amigo e emérito colaborador do OABELHUDO, um grande caririzeiro Fernando Valença, falecera.

Fernando chegou apossou-se de seu alugar aqui conosco, através de sua prima, Leonor Medeiros, quando esta leu no blog, algo concernente a esse projeto, interminável, do Canal da Transposição do Rio São Francisco. Como num passe de mágica, aqui estava Fernando Valença – FV, descrevendo sobre o projeto que conhecia como poucos. Alimentava um sonho. Tomaria banho numa bica em plena praça pública da sua Caraúbas, quando as águas lá chegassem e alimentassem a perenização do Rio Paraiba.

Fez mais: vendeu seu casarão de grande estimação, no bairro da Várzea em Recife, e transportou-se de “mala e cuia” para a cidade que mais amava na sua vida – Caraúbas. Fia uma “viagem” pelo seu acervo aqui no blog e constatei as dezenas de artigos, exemplarmente redigidos, sobre esse assunto. Tratou de outras coisas, superficialmente.

O foco da sua luta e da sua obstinação era o tal e infindável Canal. Dizia claramente que em dezembro de 2012, data prevista para que o Paraiba recebesse as águas do Velho Chico, que a partir dali, sua vida estaria completa. Seus desejos estariam realizados e o seu sonho se concretizado.

Relatava nas suas escritas o que vira enquanto criança e adolescente – a peregrinação de famintos tangidos pela seca. levas e levas de pessoas abandonadas e castigadas por esse fenômeno climático que assola há séculos ou até milênios a região nordeste e, em particular, ao seu sofrido cariri paraibano.

O ano passado teve que se submeter a cirurgias dos olhos e esse afetou-o profundamente. Diminuiu sensivelmente a leitura através da tela do computador o que o deixou muito infeliz.

Interessante, nunca nos encontramos pessoalmente. No máximo trocamos alguns telefonemas e no mais nos correspondíamos por e-mails. Nem por isso diminuiu a minha tristeza. Confesso que me bateu um grande arrependimento de não ter provocado um encontro pra contamos, pelo menos, quem tinha cabelos brancos. Agora é tarde. O tempo e a distância se encarregou de fazê-lo.

Em agosto do ano passado ele, quando tomou conhecimento, da morte de Leonides Caraciolo fez contato para se solidarizar comigo e com o nosso blog. Conhecia e admirava os trabalhos da lavra de Caraciolo, era assim que o tratava e lamentou profundamente a sua inesperada perda.

Agora chegou a sua vez, meu caro Fernando. Advogado, jornalista, cronista e caririzeiro…Era isso mais alguma coisa que ilustrava o roda-pé dos seus artigos. De nossa parte fica um abissal vazio que jamais será preenchido. O nosso blog irá continuar, mesmo desfalcado dessa figura de destaque que foi você ao longo desses últimos anos. Nossa legião de grandes colaboradores continuarão a nos dar o prazer de ler os seus escritos. Fica a saudade! Essa não tem substituto para ela.

Agradeço a Deus. Agradeço a prima Leonor. Agradeço aos seus filhos e, em particular a Denise que lembrou-se de mim e se dispôs a tornar-se, tal você, colaboradora do oabelhudo.

Seu enterro ocorrerá às 16:30, na sua Caraúbas. Siga em paz e que sua alma seja acolhida dentre àqueles que lutaram por mundo mais justo ou menos injusto…Nossas lágrimas têm uma forte razão de ser.

 

Paulo Muniz/Dom Pablito

Editor, em nome de todos os abelhudenses…

P.S. – Em sua homenagem e de seus filhos, transcrevo aqui abaixo um de seus artigos.

 

 

Rio Paraiba - temporário e sofrido. Aguarda as águas do velho Chico. FV não suportou a longa espera...

Rio Paraiba – temporário e sofrido. Aguarda as águas do velho Chico. FV não suportou a longa espera…

 

 

“EXTINÇÃO INEXORÁVEL DO RIO SÃO FRANCISCO”…

 

Curitiba-PR., 31 de dezembro de 2012; caros leitores do OABELHUDO, aceitem meus sinceros votos de FELIZ ANO NOVO! Quase noite onde estou, em Curitiba, reprimindo uma vontade INFANTIL de botar um calção de banho e, de pé no chão, esgueirar-me, sorrateiramente por entre paredes e postes e tomar A BELA CHUVA que cai aqui, agora!…

Muitos de vocês não são patrícios nordestinos, sertanejos caririzeiros que nem eu e, por isso, não sabem o que significa tal fato: um Filho de Deus já aposentado, chegado ontem do seco Cariri da Paraíba, (à hoje bem chovida terra de Curitiba, e antes mesmo de desatacar as alpercatas), ter a sorte de ver e SENTIR uma vontade abençoada de tomar um banho de chuva, como já o fizera há mais de meio século… naquelas bandas do semiárido do NORDESTE DO BRASIL; isto, minha gente, é de outro plano! Palavras não dizem; só o sentir expressa, o significado dessas lembranças.

Não vou “pedir” à minha memória que me leve àquele passado, menos pelo “endereço” (Cariri seco…) e mais por que, eu era criança, não chorava por emoção..., diferente do que sou hoje: não um velho ”choroso”, mas o pranto me vem, como agora, só por lembrar e, por não poder mudar a história que, hoje, dói demais! Vocês que não sabem o que é padecer fisicamente por Irregularidade de Chuva, e constatar que não lhe é dado o direito de viver e morrer, normalmente, na sua amada terra, não podem avaliar a dor física, e a humilhação moral que é ver a Natureza mirrada sem uma folha verde; os reservatórios de água esgotados com restos de peixe se debatendo, os animais domésticos desabando, literalmente, no campo, sem forças para se levantar, devido a fome e a sede; seus parentes e às vezes você próprio, cambaleando de fome… e de sede e até animais silvestres, morrendo, devido a falta de água: é o Flagelo da Seca que sempre acomete o semi árido do NE setentrional… Trata-se da tortura mais perversa contra a Vida!

O diabo é que, de repente, verifico que não adianta ter nascido aqui, sido criado no cariri mais seco do mundo, Caraúbas- PB, ter migrado aos 14 anos, servir às Forças Armadas com idade “alterada”, ter sido trabalhador de obra, chofer de caçamba, vendedor, monitor, assistente de vendas, chefe, assessor, etc., nem ter-me formado em Direito, e em Radialismo e ter tirado brevet de Piloto e estudado Jornalismo e ser treinador de pessoal se, após aposentado, [mais de 60 anos depois daquela origem], ao me oferecer para Defender Incondicionalmente, gratuitamente, o Projeto São Francisco (Transposição em geral (Eixos Norte e Leste) e PERENIZAÇÃO do Rio Paraíba, em particular), ao Governo Federal, sem lhe cobrar nada; e mais: participando de debates em rádios e televisões, concedendo entrevistas, escrevendo para 5 jornais, atendendo a convites para proferir palestras com material de projeção fornecido pelo Exército e pelo ministério da Integração Nacional, sem jamais cobrar cachê de ninguém, e até atendi apelo do Gov. Federal], para ser o “único” defensor do programa Projeto São Francisco, no “Roda Viva”, da TV Cultura (SP), ante o então governador da Bahia (Ago/2005), tendo o Gov.Federal mandado dizer, depois,“Você deu uma aula de como o Governo deve defender a Transposição: com conhecimento e veemência”foi o que me disse o Ciro Gomes, então ministro da integração.

Caro leitor, permita-me dizer-lhe que não quero nada, agora, senão desabafar, assim: dada a minha origem, estando ainda vivo, tive a oportunidade de –perto do final de minha vida- voltar ao Cariri onde tudo o disse acima sucedeu. Saiba que sou um sentimental que sempre quis fazer algo em favor dessa pobre gente, desta querida e “amarga” terra, o Cariri da Paraíba! De 1938 para cá…. são 75 anos, dos quais mais de 60 passei fora. Nunca deixei de dar um pulo cá, mas meu desejo sempre foi adquirir QUALIFICAÇÃO pessoal para ser útil à minha gente! Só depois de ouvir o Ex. Min. Aluízio Alves é que fiquei sabendo do magnífico Projeto São Francisco. Década de 80 ainda trabalhava, mas comecei a escrever, ler e ouvir palestras a respeito da Transposição. Fiquei encantado e decidi que “iria” defender a Transposição, assim que deixasse o trabalho. Está lá no GOOGLE, na Internet, (no Arquivo do MIN-www.mi.gov.br) todo o rol de matérias que escrevi, a favor da Transposição. Tenho um velho PC com o qual vivo atracado, dia e noite: é meu sinal de vida.

Sem ligação com ong, clube social, Religião, Sindicato, Ideologia , política, nada. Hei de ver a água do ”Velho Chico” PERENIZAR o Rio Paraíba, para que a tragédia do FLAGELO DA SECA que está voltando!…, seja eliminada da gente que está no caminho do rio. O péssimo engraxate que antecedeu a Presidente da República enganou aos caririzeiros quando deixou rolar, dentro do Planalto, em SETEMBRO de 2010, a informação de que seu ÚLTIMO ATO OFICIAL como Presidente da República do Brasil, seria no DIA 31 DE DEZEMBRO DE 2010 na cidade de Monteiro-PB. No entanto, traiu aos sertanejos e a todo POVO porque, hoje é 30 de Janeiro de 2013, e aquele picareta jamais veio pedir perdão pela covardia, frouxidão e falta de palavra… coisas de gatuno que, segundo uma deputada do Rio, é própria de todo brasileiro, disse ela, em Sessão Plenária: “…Todo brasileiro tem o DNA de ladrão”! Este fato, dentre tantos que hoje a Nação conhece, cometidos pelo antecessor da atual Presidente, esmaga a esperança do Povo que é titular absoluto do GOVERNO. Do Patrimônio, do Capital, das Armas, do Poder e da Força. Nossa população não sabe que o GOVERNO é virtual. Quem é REAL é o POVO que pare o Governo, compõe-no, sustenta-o e pode PUNI-LO, derrubá-lo, etc., quando o Governo errar. O POVO é superior ao Governo que existe para servi-lo, para garantir a Paz Social, a Ordem e o Progresso, obrigatoriamente. Mas nós, que somos Pai e Mãe do governo, quando assumimos uma função de governo, nos transformamos… De cara, cada um de nós vira ladrão…. devido o “DNA”? Vemos a frequência com que muitos de nossos filhos, irmãos, pais, mães, amigos e inimigos, que viraram governo, foram condenados por “Enriquecimento ilícito” e ficamos assistindo a um absurdo: a burocracia do mecanismo dos “recursos judiciais”, transformando as condenações num processo “masturbativo” interminável que desfigura o perfil da Justiça, tornando-a mais do que CEGA,: injusta… E nada fazemos, isto é, não punimos o governo. . . Inventamo-lo, compomo-lo, sustentamo-lo, concedemos-lhe Autoridade, Poder e Força porém escafedemos, covardemente; omitimos-nos do DEVER punir o Governo quando ele erra e, absurdo maior, nos comportamos, imbecilmente, feito uns vagabundos irresponsáveis, fugimos precisamente quando era mais importante uma ação de união fraterna de todo o POVO para punir, até para derrubar o Governo que, a seguir assim, levará todo o POVO, [se não obrigar os políticos a mudarem a maneira de fazer política no Brasil], à fatalidade de ser vítima da POROROCA SOCIAL, o tipo mais cruel de guerra, a guerra entre irmãos, que o emérito General João Batista Figueiredo vaticinou, em Nogueira-RJ, no Sítio do Dragão, quando me recebeu após ter deixado Brasília-DF e abraçou-me, chorando.

Não é pessimismo: tudo suscita que será inevitável tal sacrifício, considerado nosso dia-a-dia nacional.

 

FV de camisa

 

* Autor: Fernando Valença/ Advogado, jornalista, escritor, piloto, radialista, treinador de pessoal.

Editorial: Quem acredita em Limitação dos Gastos de Campanha Eleitoral? *

 

A falácia da limitação do

financiamento de campanha 

...cada um real gasto por empresas em campanhas eleitorais rende R$ 8,50 em contratos com o poder público. Só o tráfico de drogas pode render tanto.

…cada um real gasto por empresas em campanhas eleitorais rende R$ 8,50 em contratos com o poder público. Só o tráfico de drogas pode render tanto.

 

Levantamento feito pelo GLOBO e publicado terça-feira dimensiona o peso descomunal da contribuição de empresas para as campanhas eleitorais. Considerando que a proibição do financiamento de pessoas jurídicas a políticos e partidos, decidida mas ainda não proclamada pelo Supremo, só entre em vigor no próximo pleito, o municipal de 2016, empresas, com destaque para grandes empreiteiras, serão a fonte de mais de 70% do dinheiro gasto na campanha deste ano. Pelo menos, foi esta a estrutura de arrecadação em 2010.

É muito dinheiro. Os três principais concorrentes na luta pelo Planalto — PT, PSDB e PSB — calculam um gasto total, este ano, de meio bilhão de reais, aproximadamente o dobro da despesa em 2010.

Artigo do economista Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, também na edição de terça, informa que, nos últimos quatro anos, a política movimentou R$ 9,5 bilhões, de forma legal, no “caixa 1”. Mais que os R$ 8,1 bilhões orçados para as 45 obras de mobilidade urbana previstas pelo projeto da Copa, compara Castello Branco.

O economista cita o Instituto Kellog como fonte do cálculo de que, em geral, cada um real gasto por empresas em campanhas eleitorais rende R$ 8,50 em contratos com o poder público. Talvez só o tráfico de drogas consiga competir com esta taxa de lucro.

Diante de tudo isso, a mais sensata conclusão é que se trata de medida ilusória a supressão legal das pessoas jurídicas do financiamento de campanhas. Seu peso é tão grande nas finanças da política que elas continuarão a fazer este “investimento” por meio do “caixa 2”, como era no passado. Sem qualquer constrangimento de lado a lado, políticos e financiadores.

A proibição baixada pelo STF, numa decisão tomada a partir de ação de declaração de inconstitucionalidade movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), inspira discursos de saudação do retorno à moralidade — e tudo continuará na mesma. Uma “aplicação” tão rentável como esta estimula a que fornecedores clássicos de bens e serviços a governos continuem a bancar candidatos e partidos, só que por baixo do pano. Cassada a permissão a que pessoas jurídicas contribuam para a política, concedida em nome da transparência, volta-se à obscuridade do passado.

Seria melhor aumentar a transparência e dar mais poderes à Justiça e Ministério Público eleitorais para punir abusos. No final das contas, ganha quem, como o PT, deseja limitar o financiamento privado de campanhas, para viabilizar a estatização absoluta das finanças da política, mais um peso sobre o já assoberbado contribuinte.

O financiamento público total se encaixa à perfeição ao voto em lista fechada — pois passa a ser possível quantificar com exatidão o número de candidatos —, outro ponto da agenda petista, cujo resultado é ampliar o poder das caciquias partidárias. Trata-se de uma antirreforma política.

* Fonte: O Globo

Editorial/Internacional: Jornal Financial Times compara presidente Dilma a “grupo de palhaços” *

 

 

 

Para ‘Financial Times’, Dilma

tem aura eficiente, mas

performance de palhaços

 

 

Citando atrasos nas obras da Copa e da Olimpíada e a desaceleração da economia brasileira, o jornal britânico Financial Times (FT) comparou na sua edição de segunda-feira a performance do governo Dilma Rousseff na área de implementação de projetos às apresentações de um grupo de palhaços do cinema.

 

Para Financial Times, governo de Dilma foi uma "decepção"

Para Financial Times, governo de Dilma foi uma “decepção”

 

 

 

Em um editorial publicado nesta segunda-feira, o FT diz que Dilma tem uma “tediosa aura de eficiência, semelhante à da (chanceler alemã) Angela Merkel, mas que a implementação de seus projetos parece obra “dos irmãos Marx” – comediantes que ganharam fama na primeira metade do século 20 nos Estados Unidos.

Jornal inglês em atitude menor compara a presidente Dilma aos Irmãos Max que fizeram sucesso no cinema, fazendo graça...

Jornal inglês em atitude menor compara a presidente Dilma aos Irmãos Marx que fizeram sucesso no cinema, fazendo graça…

Segundo o FT, o Brasil precisa de um “choque de credibilidade”, e o jornal sugere que os brasileiros cobrarão isso nas urnas.
Se a senhora Rousseff não conseguir (promover esse choque), as eleições presidenciais de outubro o farão”, afirma o jornal.
Desafios
Em seu editorial, o FT cita três desafios que, na sua avaliação, o governo brasileiro precisará enfrentar nos próximos meses: o escândalo de corrupção na Petrobras, o “crescente risco” de falta de energia, e a possibilidade de que sejam organizados grandes protestos durante o Mundial.
“Seria ainda pior para a senhora Rousseff se a equipe do Brasil não for bem”, opina o FT. “Os brasileiros podem admitir os custos do evento se vencerem, mas não se falharem em obter uma performance respeitável – digamos, chegando ao menos às semifinais.”

Onda negativa

O editorial do FT é mais um em uma série de matérias, reportagens e artigos opinativos negativos sobre o Brasil e o governo brasileiro que vêm sendo publicados na imprensa internacional desde 2012 – quando ficou claro que a economia do país não retomaria o ritmo de crescimento acelerado da década passada.

Até então, o tom do noticiário sobre o Brasil parecia ser bastante positivo – principalmente em publicações econômicas como o FT e a revista britânica The Economist.

Leia a Íntegra:

FT: Dilma tem aura eficiente, mas performance de palhaços

* Fonte: BBCBrasil

Editorial/1964 : Jornal Folha de São Paulo Justifica apoio ao Golpe de 1964 *

1964

 

 

anos de chumbo foto conjunta

 

 

 

 

Aos olhos de hoje, apoiar a ditadura militar foi um erro, mas as opções de então se deram em condições bem mais adversas que as atuais

Às vezes se cobra, desta Folha, ter apoiado a ditadura durante a primeira metade de sua vigência, tornando-se um dos veículos mais críticos na metade seguinte. Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro.

Este jornal deveria ter rechaçado toda violência, de ambos os lados, mantendo-se um defensor intransigente da democracia e das liberdades individuais.

O regime militar (1964-1985) tem sido alvo de merecido e generalizado repúdio. A consolidação da democracia, nas últimas três décadas, torna ainda mais notória a violência que a ditadura representou.

Violência contra a população, privada do direito elementar ao autogoverno. E violência contra os opositores, perseguidos por mero delito de opinião, quando não presos ilegalmente e torturados, sobretudo no período de combate à guerrilha, entre 1969 e 1974.

Aquela foi uma era de feroz confronto entre dois modelos de sociedade –o socialismo revolucionário e a economia de mercado. Polarizadas, as forças engajadas em cada lado sabotavam as fórmulas intermediárias e a própria confiança na solução pacífica das divergências, essencial à democracia representativa.

A direita e parte dos liberais violaram a ordem constitucional em 1964 e impuseram um governo ilegítimo. Alegavam fazer uma contrarrevolução, destinada a impedir seus adversários de implantar ditadura ainda pior, mas com isso detiveram todo um impulso de mudança e participação social.

Parte da esquerda forçou os limites da legalidade na urgência de realizar, no começo dos anos 60, reformas que tinham muito de demagógico. Logo após 1964, quando a ditadura ainda se continha em certas balizas, grupos militarizados desencadearam uma luta armada dedicada a instalar, precisamente como eram acusados pelos adversários, uma ditadura comunista no país.

As responsabilidades pela espiral de violência se distribuem, assim, pelos dois extremos, mas não igualmente: a maior parcela de culpa cabe ao lado que impôs a lei do mais forte, e o pior crime foi cometido por aqueles que fizeram da tortura uma política clandestina de Estado.

Isso não significa que todas as críticas à ditadura tenham fundamento. Realizações de cunho econômico e estrutural desmentem a noção de um período de estagnação ou retrocesso.

Em 20 anos, a economia cresceu três vezes e meia. O produto nacional per capita mais que dobrou. A infraestrutura de transportes e comunicações se ampliou e se modernizou. A inflação, na maior parte do tempo, manteve-se baixa.

Todas as camadas sociais progrediram, embora de forma desigual, o que acentuou a iniquidade. Mesmo assim, um dado social revelador como a taxa de mortalidade infantil a cada mil nascimentos, que era 116 em 1965, caiu a 63 em 1985 (e melhorou cada vez mais até chegar a 15,3 em 2011).

No atendimento às demandas de saúde e educação, contudo, a ditadura ficou aquém de seu desempenho econômico.

Sob um aspecto importante, 1964 não marca uma ruptura, mas o prosseguimento de um rumo anterior. Os governos militares consolidaram a política de substituição de importações, via proteção tarifária, que vinha sendo a principal alavanca da industrialização induzida pelo Estado e que permitiu, nos anos 70, instalar a indústria pesada no país.

A economia se diversificou e a sociedade não apenas se urbanizou (metade dos brasileiros vivia em cidades em 1964; duas décadas depois, eram mais de 70%) mas também se tornou mais dinâmica e complexa. Metrópoles cresceram de modo desordenado, ensejando problemas agudos de circulação e segurança.

O regime passou por fases diferentes, desde o surto repressivo do primeiro ano e o interregno moderado que precedeu a ditadura desabrida, brutal, da passagem da década, até uma demorada abertura política, iniciada dez anos antes de sua extinção formal, em 1985.

As crises do petróleo e da dívida externa desencadearam desarranjos na economia, logo traduzidos em perda de apoio, inclusive eleitoral. O regime se tornara estreito para uma sociedade que não cabia mais em seus limites. Dissolveu-se numa transição negociada da qual a anistia recíproca foi o alicerce.

Às vezes se cobra, desta Folha, ter apoiado a ditadura durante a primeira metade de sua vigência, tornando-se um dos veículos mais críticos na metade seguinte. Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro.

Este jornal deveria ter rechaçado toda violência, de ambos os lados, mantendo-se um defensor intransigente da democracia e das liberdades individuais.

É fácil, até pusilânime, porém, condenar agora os responsáveis pelas opções daqueles tempos, exercidas em condições tão mais adversas e angustiosas que as atuais. Agiram como lhes pareceu melhor ou inevitável naquelas circunstâncias.

Visto em perspectiva, o período foi um longo e doloroso aprendizado para todos os que atuam no espaço público, até atingirem a atual maturidade no respeito comum às regras e na renúncia à violência como forma de lutar por ideias. Que continue sendo assim.

* Fonte: Folha de São Paulo –

Editorial: Sanharó: O Baile Municipal – A Festa do ano! *

 

 O BAILE MUNICIPAL DE SANHARÓ

Fragmentos

 

Alegria, fantasias e frevos a tônica da noite do Baile Municipal de Sanharó

Alegria, fantasias e frevos a tônica da noite do Baile Municipal de Sanharó

 

Edna Lourdinha BM 01 WP_001325Coca e Graça no BM foto 02 boa WP_001359 (1)

 

Realizou-se nesse sábado, 01 o tradicional Baile Municipal de Sanharó. Pelo quinto ano seguido, tivemos a participação da Orquestra Super Oara que a cada ano anima cada vez mais. Comandada por Elak Amaral a Oara se esmera em agradar o folião sanharoense e esse ano deu um show a mais. Parabéns pra ele extensivo aos seus integrantes.

O Baile – Organização

O baile foi bem organizado, contudo permitiu alguns erros ou até absurdos, como deixar o bar sem o serviço de garçons. Um erro imperdoável da Prefeitura em permitir que esse fato acontecesse. Não há desculpas e muito menos justificativas.

Outro ponto negativo que foi quase que de imediato combatido, foi à colocação de bebidas no piso do salão de danças. Abominável sob qualquer aspecto. Adultos, “maloqueiros”, claro, que estupidamente teimam em frequentar um lugar que não lhes cabem. Em sendo uma festa da família sanharoense e de convidados, o que danado vai fazer um sujeito que teima em ser um pária da sociedade. Por pouco não acontece algo mais sério. Acho que dentre as providências, a organização da festa tem que contratar alguns seguranças para maior proteção dos presentes.

Bebidas expostas no piso do salão de festas. Atitude de quem tem pouco respeito pelos outros

Bebidas expostas no piso do salão de festas. Atitude de quem tem pouco respeito pelos outros

A organização acertou quando diminuiu o número de mesas vendidas e isso permitiu uma regular movimentação que foi acrescentada pela, repito, estúpida falta de garçons. O salão esteve sempre cheio e deu pra sentir que o folião ama de fato o seu Baile Municipal.

Mesmo tendo sido oferecido uma quantidade menor de mesas, o clube da ACIAS lotou. Que bom estar numa festa e reencontrar ou rever tantos bons amigos. Noves fora os que já são figuras carimbadas das nossas festas, vi muitos outros que são mais caseiros e quase que não os vejo em festas. Vislumbro com bons olhos, o nascimento de uma nova sociedade composta por dezenas de comerciantes, servidores públicos, prestadores de serviços que se juntam aos mais tradicionais e dão uma nova cara às festas.

Gustavo e Gracinha BM WP_001340Beba e Flavio no BM  WP_001361

Feliz em reencontrar meus contemporâneos de escola e de conjunto – Os Rebeldes – Gustavo Tadeu e Flávio Melo, acompanhados de suas esposas; Gracinha e Beta, respectivamente. Alegre em rever alguns conterrâneos que residem em outras cidades, mas que não deixam de curtir o calor humano do seu torrão natal.

Enfim, falar de nomes é correr um risco enorme. Quem foi está contemplado. Ah, lembrei-me que dois amigos da terra e que são vereadores em Pesqueira, estiveram presentes: Wagner e Nelmon. Da nossa cidade, afora o prefeito Fernando e o vice-prefeito Artur esteve presente o vereador Sergio Adriano – Diano.

Edna e Gorete Bem BM WP_001343Tania Galvão no BM WP_001364joana darc BM  WP_001362Dihomar no BM WP_001354

Edna no salão BM WP_001345WP_001366Orquestra Oara BM WP_001335caboclinhos BM WP_001320

Tenho por hábito não me reportar a quem não foi à festa. Um nome, porém, foi lembrado por muitos amigos; Leonides Caraciolo. Este dispensa comentários.

Ouvi de alguns dos presentes que a banda Eduardo Melo/Dudu o (Fofinho do arrocha) deveria abrir a noitada e tocar por duas horas e só aí a Oara entraria e iria até o final. Incorporei a sugestão e me alio aos que assim pensam. Também seria sugestiva a colocação de uma atração tipo Nonô Germano, Almir Rouche, ou André Rio que certamente daria mais empolgação à festa.

Finalizo essas mal traçadas fazendo um elogio às fantasias. Permearam entre bonitas e lindas. Um bom gosto a toda prova, principalmente, das mulheres. Um deslumbramento! Mais um quesito que não ficamos devendo homenagem a nenhuma outra festa. Vale ressaltar também a bela decoração do clube.

Uma palavra de carinho para o Grupo de Jovens que se apresentou na abertura da festa, coordenados pelo professor Charles. De muito bom gosto tanto nos Caboclinhos como na apresentação do nosso Frevo. Sugiro que para o ano melhorem a iluminação para que as pessoas apreciem melhor. O show teve um tempo correto e as coreografias foram bem definidas. Parabéns pra todos!

E concluindo, o  blog reverencia a todos que com dedicação, brilho, talento, alegria e jovialidade ajudaram à compor uma festa primorosa –  o nosso Baile Municipal.

E…Até o próximo!

 

Paulinho Portal Sanharó

 

Dom Pablito – Editor Geral