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História: Banco do Brasil em Arcoverde – Por Pedro Salviano Filho (*)

Agência do Banco do Brasil de Arcoverde, 068-X, fez 93 anos. Foto Jornal de Arcoverde, outubro 2016. goo.gl/4WBcgt

 

Procurando dar visibilidade a um importante acontecimento histórico de Arcoverde, apresentamos mais alguns dados sobre a vila Rio Branco. Em 1923 o distrito de Pesqueira vivia uma fase de expansão econômica iniciada 11 anos atrás com a chegada da ferrovia e incentivada pelas feiras de gado, pela implantação da SANBRA, pelo seu comércio crescente, novas estradas etc. E foi nesse cenário que o Banco do Brasil instalou sua agência n. 0068-X, goo.gl/mwkP4U , em 18-07-1923, a primeira no interior de Pernambuco. E numa vila de Pesqueira! Naquele ano também instalou a segunda do interior, que começou a funcionar no final do ano, 28-11-1923, em Garanhuns, a 0067-1, goo.gl/KPtdbR.
Assim, apesar de um pequeno período de interrupção de funcionamento, cerca menos de dez anos, a agência já completou 93 anos, sendo, portanto, a mais antiga do interior de Pernambuco. Saliente-se que a primeira agência do Banco do Brasil em Pernambuco foi a da av. Rio Branco, a 0007-8, no Recife, em 12-08-1913, goo.gl/wtFdCE.

A história do Banco do Brasil já está bem pesquisada, inclusive com publicações na web. Ex.: História do Banco do Brasil, Volumes 1 a 4: goo.gl/jgOF3h, goo.gl/Kc5YgE , goo.gl/A7OXfG e goo.gl/aB9Yqq. História do Banco do Brasil 1906 a 2011, de Fernando Pinheiro: goo.gl/c3x6fP

A história do Banco do Brasil em Pernambuco mostra que a implantação da sua primeira agência começou em 1912, como revelam jornais da época:
04-11-1912- A Noite- RJ, goo.gl/Ch5z8T, 1ª col.: «O sr. Cunha Rabello apresentou requerimento pedindo informações sobre a criação de uma caixa filial do Banco do Brasil em Pernambuco.»
17-06-1913 – A Província, goo.gl/c8399q, 6ª col.: «Agência do Banco do Brasil. Vindo do Rio de Janeiro, a bordo do paquete S. Paulo, acha-se nesta cidade, desde ontem, o dr. Velloso Pederneiras, cujo fim é instalar nesta cidade uma agência do Banco do Brasil. É agente o dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade.»
12-08-1913 – A Província, goo.gl/y644ww , 2ª col. «De dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade e Francisco Velloso Pederneiras, pedindo registro de suas nomeações de gerente e contador da agência do Banco do Brasil, neste estado – registrem-se.»
O livro “O Banco do Brasil na história do Recife”, gentilmente nos enviado pelo autor, sr. Carlos Eduardo Carvalho Santos, 2013, página 74: «O jornal “A República”, do Recife, noticiou em sua edição de 12 de agosto de 1913 a inauguração, muito embora fosse o evento o resultado da incorporação do Banco de Pernambuco pelo Banco do Brasil. Abria-se solenemente o que então se chamava a Filial de Pernambuco. Por sua significação histórica transcrevemos a nota: “No prédio 125 da antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, será inaugurada hoje nesta cidade a filial do Banco do Brasil, importante estabelecimento bancário da praça do Rio de Janeiro. Agradecemos a comunicação que a este respeito nos faz o ilustre Dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade, gerente neste estado da referida empresa.»

13-08-1913 – A Província. goo.gl/F2oZ7w , 2ª col. «Agência do Banco do Brasil. Pedem-nos para noticiar – sob a afirmativa de podermos faze-lo com toda segurança – que o deputado federal dr. José Vicente Meira de Vasconcelos, não se entendeu com o conselheiro João Alfredo, a respeito da agência do Banco do Brasil nesta praça, nem sequer teve ensejo, no corrente ano, de falar ao mesmo conselheiro fosse sobre que assunto fosse.»

15-08-1913 – A Província. goo.gl/bdltWm, 2ª col. «Foi-nos mostrado ontem o seguinte telegrama: “Dr. Milet – Recife – Revoltante falsidade telegrama “Tempo” dizendo estive João Alfredo Banco Brasil procurando impedir criação agência banco. Este ano nem uma só vez estive conselheiro. Há nesta notícia equívoco ou infame perversidade. Publique. Meira».
21-08-1913 – Jornal do Recife, goo.gl/0ZhOOs , 1ª col.: «Foram arquivados os Estatutos do Banco do Brasil para abrir uma agência neste Estado.»
22-08-1913 – A Província, goo.gl/Q25HGa , 4ª. col.: «[…] Foram arquivados os estatutos do Banco do Brasil, para abrir uma agência neste estado.»
04-10-1913 – A Província, goo.gl/nwDSyH , 4ª col.: «Necrologia. Faleceu anteontem e enterrou-se ontem o sr. Jorge Pedro da Silva Rosa, tesoureiro da agência do Banco do Brasil com sede nesta cidade. O estimável cavalheiro cuja morte noticiamos, era um dos dignos empregados do Banco do Brasil onde começou a trabalhar como ajudante de caixa e prestou relevantes serviços na agência de Manaus, que exerceu interinamente tendo recusado a nomeação efetiva. O seu enterramento foi bastante concorrido e sobre seu ataúde estavam duas coroas – uma de sua virtuosa esposa e outra do gerente contador e mais empregados, seus companheiros de trabalhos. Pêsames à sua família.» Mais: curioso leilão da viúva: goo.gl/G4rtuY,1ª col.).
18-07-1923 – Jornal do Recife, goo.gl/84Fkhl, 1ª col.: «O Banco do Brasil em Rio Branco. O governo federal, em boa hora, atendeu à criação de uma agência do Banco do Brasil, na vila Rio Branco, deste Estado. Providência de alta significação econômica para os interesses comerciais do sertão, de quantas cidades do interior existam, importantes pelo seu desenvolvimento, nenhuma ultrapassa, naquela finalidade, a populosa vila. Quando “a reunião última do nosso poder legislador, em nome dos habitantes dali, apresentamos um extenso memorial em que pleiteávamos a sua independência municipal, houve da parte de uma facção político-local, célebre pelos processos da mentira e da intriga, a alegação idiota de que Rio Branco não estava em condições de suportar as exigências de uma vida própria. E, como argumento sádico, citavam os inimigos da causa rio-branquense a transitoriedade de sua atuação econômica nos destinos da vida sertaneja pela circunstância da estrada de ferro, que ali tem seu ponto terminal. Não há como destruir o absurdo de tão errôneo conceito. Nos detalhes da demonstração com que batemos às portas do Congresso do Estado, aliás publicada no órgão oficial, expusemos documentadamente os recursos em que se apoiava Rio Branco para a sua vida independente. Pondo à margem o fato, politicamente sintomático, de municípios circunvizinhos como Pesqueira, Buíque e Alagoa de Baixo cederem tratos de seus territórios para constituição da incipiente comuna, a Rio Branco sobravam para viver elementos de riqueza local, na sua indústria pastoril, no seu fomento agrícola procedente das serras que o contornam, além do seu estupendo comércio ribeirinho, não só proveniente dos limites paraibanos, como do espantoso tráfico sertanejo, do alto. Mas os cegos da paixão partidária, não são aliás os de pior cegueira, não viam nada disto em Rio Branco. Nunca vislumbraram sequer a evidência desta verdade. Os inimigos de minha terra permaneciam na ignorância de que ela possui 49 quilômetros quadrados, sitos numa zona criadora e fertilíssima; que possui uma poderosa fábrica de beneficiamento de algodão, cujas transações avultam numa estimativa de sete mil contos anuais; que tem dez mil e seiscentos e poucos habitantes e renda superior a quarenta contos por orçamento rigorosamente arrecadado. Não veem, nunca viram nada. Enxergam apenas os seus interesses políticos, sobremodo mesquinhos como objetivo administrativo, pois é o próprio município de Pesqueira, de que se vai desmembrar Rio Branco, que vem de encontro aos legítimos desejos de emancipação daquela gente. Em teoria, em direito público, nenhum fenômeno de vida constitucional é mais interessante que este, comentado pelos constitucionalistas pátrios e estrangeiros. Bryce escreve numerosas páginas a respeito, em apoio da tese, e entre nós, Castro Nunes, numa monografia brilhante, estuda o aspecto jurídico-social da questão considerando que os organismos políticos da vida das nacionalidades repousam evolutivamente nesses movimentos de independência comunais. No Brasil, talvez por inópia mental, se condena a criação de núcleos municipais. Por amor à verdade, seria melhor dizer: no Brasil destas bandas setentrionais, porque no sul, onde a ideia do progresso constitucional já entrou para o patrimônio jurídico dos seus homens públicos, tal fenômeno não tem mais a importância das coisas discutíveis. Ano a ano S. Paulo permite o alargamento da sua rede comunal que é sombra dos próprios valores da cooperação econômica, constitui o elemento sinérgico da vitabilidade paulista. Felizmente, para bem das minhas ilusões jurídicas, que de todo ainda persistem em se conservarem vivas, a atual administração de Pernambuco, tem a larga noção do liberalismo. O exmo. sr. dr. Sérgio Loreto, governador do Estado, é bem um cultor do direito. Neste particular deu provas de sua visão clara acerca do municipalismo, prestando o seu apoio sancionador aquelas altas ideias, condenadas praticamente na lei ordinária que criou o município de Floresta dos Leões. Sobre Rio Branco não me pareceu antipática de s. exc. a opinião a respeito da sua independência, o que me valeu a esperança de continuar a bater-me pela causa. O recente ato da criação da agência do Banco do Brasil naquela localidade, tão digna de estimular fortes, é bem significativo da boa vontade dos poderes públicos para com o progresso dali. Com os aplausos a efetivação dos desejos dos meus conterrâneos que devem estar de parabéns, resta pedir aos deuses e aos homens de que dependem as coisas humanas, na terra, um sopro de proteção para o município de Rio Branco. Santos Leite – N.da.R – Reproduzido por ter saído com incorreções. NOTA CORRIGIDA em goo.gl/FXKeE3 , 5ª.col.»
28-11-1923 – A Noite, goo.gl/vRQbQe , 4ª col. «Inauguração, em Garanhuns, de uma agência do Banco do Brasil. Garanhuns (Pernambuco), 26 (Serviço Especial de A NOITE) – Com grande solenidade, inaugurou-se a agência local do Banco do Brasil, da qual são gerente e contador, respectivamente, os Srs. Audifax Aguiar e Álvaro Peçanha. Ao ato compareceram as autoridades civis e eclesiásticas, representantes do comércio e da lavoura locais e grande número de populares, tendo o gerente Audifax proferido um discurso expondo os fins e vantagens do novo estabelecimento, cuja instalação muito tem agradado aos habitantes, principalmente aos comerciantes deste município.»

 

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Do “Álbum de Pesqueira, adm. Cândido Cavalcanti de Brito 1923/1925”,  o registro da existência da filial do B. Brasil. Foto, cortesia de Marcelo Oliveira, de Pesqueira.

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07-1924 – Ilustração Brasileira,  goo.gl/hp8HFm . Agências do Banco do Brasil no país.

24-09-1925 – Jornal do Recife, goo.gl/gjvMBg  , 1ª col.: «De Manoel Gregório Teixeira da Lapa. Informações diversas de Rio Branco sobre Lampião, Banco do Brasil, incêndios e festa de N.S. Livramento. “ […] Banco do Brasil – Este estabelecimento suspendeu todas as operações de crédito nesta praça; isto vale por dizer: apertou a corda ao comércio leader do partido republicano enforcado. Vimos uma legião de pedintes no balcão da agência local, a quem o gerente dizia, em dias da semana atrasada, com esse seu sorriso francófilo; “Perdoe, em nome da Casa Matriz que assim o ordena!” E afinando nesse “Deus vos favoreça” principiamos o mês de setembro cujos últimos dias se avizinham mais tétricos, mais sombrios, tanto que por iniciativa do sr. Cícero Ferreira foi transmitido à Matriz do Banco, na Guanabara futurista, o seguinte despacho telegráfico firmado por onze das mais importantes firmas desta praça: “Satélite – Rio – Informados gerente Banco Brasil nesta vila essa Matriz ordenou suspensão todas operações crédito aqui, justamente quando mais precisamos assistência financeira afim não sermos arrastados pela tremenda crise reinante, vendo paralisados nossos negócios e sobremodo depreciados nossos principais produtos, especialmente algodão constitui vida nossos sertões, apelamos essa Matriz sentido revogar ou sequer restringir aflitiva providência. Tudo esperamos vosso patriotismo, Saudações. Entretanto, até agora não “choveu no roçado”; e os matutos não sabem se foi com medo de Isidoro, com receio de Lampião ou temendo a própria crise, que o Banco do Brasil lançou essa última pá de cal sobre o cadáver do comércio. A coisa chegou ao ponto de um viajante comercial não conseguir passar para a sua casa, pelo Banco, cerca de quatro contos de réis recebidos na jornada cobradora. Tudo porque o Banco “estava suspenso” de ordens. Ouvimos até que ia ser raspado o cofre, e a “raspinha seria encaixotada e recambiada para Recife! Foi quando o Agostinho balbuciou, desolado e quase naturalizado húngaro: “Vae victis!” Esse Jornal, arauto de todas as conquistas liberais, defensor estrênuo do povo deprimido e espoliado, seja o cursor das nossas necessidades e diga: “Das duas uma: Ou Rio Branco sem banco, ou Banco sem Rio Branco!” Se não derem o dinheiro aos matutos, não nos livrarão da pasmaceira que é meio caminho andado para a miséria. Valorize-se o nosso direito, já que algodão não vale nada.»

1927 – Almanak Adm., Merc. e Ind. RJ, goo.gl/wq8e80, pág. 1012, vol.III. 3ª col. «Estado de Pernambuco – municípios Barão do Rio Branco. Vila e sede do 7º distrito do município de Pesqueira, ponto final da estrada de ferro da Great Western of Brazil Railway Co. da linha partindo do Recife da estação de Cinco Pontas. […] – Banco: Banco do Brasil (filial). Gerente: Álvaro Câmara Pinheiro

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05-02-1928 – Diario da Manhã, bit.ly/1ybp6Lh  , 3ª col.: «O chefe da insegurança pública escapou milagrosamente de uma emboscada do célebre bandido “Lampião”. As últimas proezas do bandido em território pernambucano. (foto R. Branco = pág. 189 Município de Arcoverde (Rio Branco), com a legenda: Casas comerciais de Rio Branco, na atual avenida Antônio Japiassu, em 1927. Na primeira casa, à esquerda, esteve durante muitos anos a agência de nosso correio “Chico Numerador”).»

17-10-1930 – Jornal do Recife, goo.gl/c7BceF , 5ª coluna: «Banco do Brasil. Será reaberto hoje o Banco do Brasil que havia deixado de funcionar desde o advento da Revolução. Com essa medida, a que não foi estranho o governo central, volta aquele estabelecimento bancário à normalização de sua vida mercantil.” 6ª col.: “De Rio Branco – Comunico vossência chegado tenente Bernardino Maia que assumiu funções de legado. Cidade completa calma, Banco do Brasil reabriu, comércio funcionando regularmente. Tenho empregado máximo esforço sentido plena execução ideias governo revolucionário, atenciosas saudações. Dr. Luís Coelho, prefeito provisório.»

21-01-1932 – Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , 4ª col.: «As rendas da União. […] – 4º . Que no Estado de Pernambuco o Banco do Brasil tem agências nesta capital e nas cidades de Garanhuns e Rio Branco;”  Mais: 27-01-1932 – Jornal do Recife , goo.gl/HXTYxJ, 3ª col.: As rendas da União. “[…] todas as rendas arrecadadas por esta coletoria, à Agência do Banco do Brasil, nesta capital, ou as das cidades de Garanhuns e Rio Branco […].»

No livro História do Banco do Brasil, 2. ed. rev. Belo Horizonte: Del Rey, Fazenda Comunicação & Marketing, 2010. goo.gl/gUSvvJ   e goo.gl/oW2BPy, encontramos na página 130: «Enquanto criava agências na Argentina e no Uruguai, o Banco continuou abrindo suas filiais no interior do país. So? no ano de 1923 foram inauguradas 22. Outras estavam em trabalhos de instalação definitiva ou em fases preliminares. No início de maio de 1924, o número chegava a 74. Havia, ainda, deficiências em algumas agências, que a diretoria procurava sanar sem retardar o progresso do banco.” Página 149: “Em 15 de julho de 1937, a diretoria resolveu estabelecer cursos de aperfeiçoamento, a nível superior, para os funcionários. Nessa época, o Banco ainda não se dispusera a expandir a implantação de agências no interior do país. O número das filiais era de 90 no ano de 1938.” Pág.160: “O movimento de instalação de filiais, que estava estagnado, acelerou-se depois de 1939, sob a presidência de Marques dos Reis. Em 31 de dezembro de 1940, o número de agências e subagências subiu a 139. No final de 1941, ja? havia em funcionamento ou em instalação 261 agências e subagências. Em 1942, entraram em operação mais de 62 subagências e uma agência. A cotação das ações do Banco na Bolsa subiu, em fins de 1942, para Cr$ 588,00. O número de funcionários, que cresceu moderadamente ate? chegar a 3.866, em 1940, dai? por diante aumentou mais rapidamente, chegando a 6.396, em 1942.»

Mais: goo.gl/c3x6fP.

26-04-1942 – O sr. Antônio Augusto Pacheco (Recife) nos informou sobre a agência do B. Brasil de Rio Branco (ver também goo.gl/XggCjX): Envio do livro “O Banco do Brasil na História de Pernambuco (Notas sobre o sistema bancário)”, de autoria de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, 2ª edição, de 1986, páginas 168 e 169, as informações a seguir: “Na década de 30 [20?] o Banco iniciou sua interiorização, instalando suas primeiras agências. Rio Branco – hoje denominada Arcoverde – foi a primeira, seguindo-se Garanhuns, Palmares, Goiana, Vitória e Limoeiro”. “Notar-se-á, entretanto, que o Banco sofreu revezes, chegando ao fechamento desta subagência , em vista da crise que se abateu sobre o mundo capitalista na década de 30”. Na página 170, diz o autor: “Na década de 20 o Banco do Brasil se fez presente em Rio Branco, não sendo possível o levantamento detalhado dos elementos históricos até os presentes dias, em que pese  o grande empenho do atual Gerente Odon Porto de Almeida junto a historiadores locais. Notas de Waldemar Napoleão Arcoverde nos indicam que a subagência funcionava durante a época  da Revolução de 1930 na casa nº 455 da atual Avenida Coronel Antônio Japiassu. Conta-se até, singular acontecimento, quando uma Coluna, proveniente da Paraíba, acercou-se da cidade. Cauteloso, o então Gerente Paulo Ribeiro, fechou o Banco, entregou as chaves a um auxiliar da loja de ferragens de Sálvio Napoleão Arcoverde, dispensou os cinco funcionários e foi refugiar-se  no morro do Serrote de onde, com um binóculo, passou mais de dois dias observando o procedimento dos revolucionários e, felizmente, não houve o saque que esperava, voltando o Banco à plena normalidade tão logo afastaram-se as forças militares….Já com a denominação de Arcoverde, o Banco reinaugurou sua filial em 26 de abril de 1942, funcionando na antiga Av. João Pessoa, 242, sob a gerência de Moacyr Piauhyense de Carvalho e Contador Arthur Vieira de Azevedo, prédio de propriedade do advogado José Ciríaco das Neves Bezerra”.

No Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , a agência do Banco do Brasil de Rio Branco aparece em atividade ainda em 21-01-1932.

No livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas, Luís Wilson, Recife, 1982, pág. 159, sobre o ano de 1941, diz: “Rio Branco volta a ter, também, naquele ano, uma agência do Banco do Brasil”. Na pág. 115, sobre o ano 1927 e citando os estabelecimentos comercias de então: “[…] Noé Nunes Ferraz (Salão de Bilhar e Bar Confiança), Banco do Brasil, Manuel Cavalcanti de Araújo (seu Santinho), secos e molhados, Abdias Ferreira dos Santos (tecidos), Augusto Magalhães Porto (secos e molhados), Sebastião Franklin Cordeiro, […].”

Em busca de mais informação, além da que está em seu livro Arcoverde. História político-administrativa, Brasília, 1995, que cita à pág.102: “Também nessa administração [do tenente Olímpio Marques de Oliveira – 1939-1943], o município volta a ter uma agência do Banco do Brasil”,  o sr. Sebastião Calado Bastos gentilmente nos disse: “Na época procurei a filha do tenente Olímpio para obter também informações da administração do seu pai. Consegui muitos documentos oficiais, pois ele era um homem hiper organizado. Mas sobre o Banco do Brasil a D. Verônica reafirmou que o município “voltara a ter” sua agência. Na insistência ela disse que a única coisa de que lembrava era de ouvir isso: “voltou a ter”. Conversando com Elizeu Tito (Elizeu Marques Magalhães – falecido há pouco tempo), homem conhecedor das coisas e combativo vereador, ele me disse peremptoriamente que Rio Branco tinha tido mesmo uma agência do Banco do Brasil e que a mesma funcionou na casa que conhecíamos como a de seu Luís da Singer».

12-1946 – Ilustração Brasileira (RJ), goo.gl/z8OWZW,  «Agências do Banco do Brasil no país, 1946.»

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Agência nº 0088 do Banco do Brasil – Foto de 12-12-1951. Do livro Ícones. Patrimônio cultural de Arcoverde, de Roberto Moraes, Recife, 2008, pág. 72

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Funcionários da agência do Banco do Brasil de Arcoverde, em confraternização, provável década de 50. A partir da esquerda: Maurício Ferraz, desconhecido, Mário Hipólito Cavalcante, Oscar Olímpio de Araújo, Agenor Lafayette (em pé), desconhecido, José Danilo Rubens Pereira  e Raimundo Britto. Foto do álbum da família Britto. (Raimundo Brito, com 95 anos, reside em Recife).

(*) Autor: Pedro Salviano Filho – É arcoverdense, historiador, pesquisador e cronista. É ex-aluno do Colégio Cardeal Arcoverde, médico/cirurgião, residente em Ivaiporã-PR.

 

 

Movimento Cultural/Homenagem: Enéas Freire – O criador do Galo da Madrugada – Por Walter Jorge Freitas *

UM FREVO PARA ENÉAS

 

 

 

PREZADO ENÉAS A TUA PARTIDA
DESTA PARA OUTRA VIDA
FEZ O RECIFE PARAR
FIQUE SABENDO QUE A EMOÇÃO FOI TANTA
SENTI UM NÓ NA GARGANTA
E VONTADE DE CHORAR
O FOLIÃO JAMAIS TE ESQUECE
PERNAMBUCO TE AGRADECE
E O MUNDO TE APLAUDIU
É POR ISTO QUE EU SEMPRE FALO
QUEM NUNCA FREVOU NO GALO {BIS NASCEU, MAS NÃO EXISTIU

ANTÔNIO MARIA
NELSON FERREIRA E EDGARD
ORGANIZARAM UMA GRANDE FESTA
COM BELOS FREVOS
DE ANTIGOS CARNAVAIS
LUIZ BANDEIRA E O BOM SEBASTIÃO
MESTRES DE CERIMÔNIA
DA GRANDE RECEPÇÃO
ESTÃO FELIZES COM A CHEGADA
DE QUEM DEU A SUA VIDA {BIS
AO GALO DA MADRUGADA

VEM FOLIÃO, VEM PESSOAL
HOMENAGEAR ENÉAS
QUE VIVEU PRO CARNAVAL
VEM FOLIÃO, VEM PESSOAL
HOMENAGEAR ENÉAS
QUE VIVEU PRO CARNAVAL.

 

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador assíduo do OABELHUDO, cronista, poeta compositor e pesquisador musical>

Crônica/Protesto: A Dissolução da Nossa Banda de Música – Por Walter Jorge Freitas *

A DISSOLUÇÃO DA

NOSSA BANDA DE MÚSICA

(Banda de música maestro José Bevenuto de Pesqueira, nos seus áureos tempos…Foto:Arquivo do autor)

 

 

Li no Pesqueira em Foco, blog do amigo Geraldo Magela, uma interessante matéria sobre a visita que fez a Pesqueira, o professor Thomas Scott, da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, que veio a convite da conceituada escritora Ana Lígia Lira, cuja intenção era levá-lo a conhecer parte dos elementos que contribuem para a musicalidade de nossa gente e ver de perto as principais manifestações culturais da terra de Anísio Galvão.

No texto, a nossa conterrânea fala sobre o encontro dela e o professor com o prefeito Evandro Maciel Chacon e de sua surpresa ao saber que a banda de música de sua terra natal foi extinta.

Conta Ana Lígia que a frustração causada pela notícia ruim foi superada pelo encantamento que ela e o amigo norte-americano vivenciaram ao conhecerem a sede do Projeto Sementes do Amanhã, onde Júnior do Cavaco, Fernando Profeta e outros abnegados, ensinam música a mais de uma centena de crianças e jovens, apesar da carência de tudo, inclusive instrumentos.

Amante da música e macaco de auditório das bandas tanto quanto a conterrânea Ana, ressalto que a nossa foi vítima de um longo processo de sucateamento que durou quase três décadas.

A sua decadência foi tema de crônicas escritas pelos renomados jornalistas William Pôrto, Jurandir Carmelo, Francisco Neves e outros apaixonados pela causa. Este modesto rabiscador também escreveu algumas linhas para o Jornal do Commercio, Pesqueira Notícias, Rádio Jornal e alguns blogs, lamentando o que se passava com a banda que tanto nos encantou.

Lembro até que no seu primeiro mandato, o prefeito Evandro Chacon tentou dar um novo impulso à mesma, trazendo o músico pesqueirense Amauri Soares que havia se aposentado do Exército, para reger e formar novos músicos aqui, coisas que ele adorava e sabia fazer como poucos.
Amauri veio, deu uma arrumada na banda, melhorou o seu repertório, conseguiu fardamento novo, injetou motivação nos músicos, mas de repente, resolveu voltar à capital paraibana, sua segunda casa.

Assim, como o Dr. Evandro, os outros prefeitos também ajudaram à nossa banda. Uns mais, outros menos, mas todos colaboraram.
Ocorre que a partir dos anos de 1990, começaram a surgir questões trabalhistas e isto, a meu ver, foi a principal causa de sua ruína, pois, os administradores se descuidaram, os valores das causas foram se avolumando e o resultado é o que todos conhecemos.

Quanto aos instrumentos musicais, convém ressaltar que eles não foram leiloados por nenhum prefeito. A falta de pagamento de dívidas trabalhistas pela maioria dos gestores é que levou a Justiça do Trabalho a leiloá-los.

Por fim, lembro à estimada Ana Lígia, que municípios do porte de Pesqueira não têm mais condições de manter uma banda de música, pois agora, os músicos são admitidos mediante concurso público e percebem salários estabelecidos pelo sindicato da classe.

O que os municípios podem – e alguns já fazem – é destinar verbas no orçamento para ajudar a instituições que estejam legalizadas como sociedades, com estatutos, diretoria e tudo o que é exigido por lei específica.

 

Pesqueira, 01 de dezembro de 2014

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas  –  Walter é pesqueirense, professor, comerciante, colaborador assíduo do OABELHUDO, cronista, contista, poeta e pesquisador musical.

Hoje na História: Teotônio Vilela – O Pregador das Liberdades * –

Teotônio Vilela

Menestrel de Alagoas 

Morreu ouvindo o cantar do canário…

(Teotônio Vilela, então senador, com lideranças do PMDB. Na foto Marcos Freire e Jarbas Vasconcelos que faziam parte do grupo dos Autênticos)

 

O rompimento com a Arena ocorrera pouco antes, quando foi presidente da Comissão Mista que apreciou o projeto da anistia, enviado pelo Presidente João Figueiredo ao Congresso. Teotônio foi acusado de buscar as manchetes, com as visitas a presos políticos que promovia. Já na Oposição, esteve ao lado de trabalhadores nas greves do ABC paulista, e percorreu a região do Araguaia, estudando os conflitos de terra”.

 

As janelas do quarto estavam abertas e o canário que pertenceu à sua mulher, Helena, novamente cantava. Foi neste cenário que morreu no fim da tarde o ex-Senador Teotônio Vilela, 67 anos, de câncer, após três dias de inconsciência. A vontade de morrer em Maceió, pedido feito à família, foi cumprida.

O pregador das liberdades

De vaqueiro a liberal, assim foi a trajetória de Teotônio Vilela. Filho de usineiro, dono de boiada, deputado pela antiga UDN e boêmio até quando a cirrose permitiu, Teotônio, depois de ter apoiado o Golpe de 1964, deu dignidade à dissidência, ao transformar-se na voz solitária que, na extinta Arena, pregava a volta à democracia. A partir daí, abriu caminho para a Oposição, que o recebeu como senador e o fez vice-presidente nacional do PMDB. Por vontade paterna, ele, que era um dois oito filhos do usineiro alagoano Elias Vilela, teria sido militar. Depois de cursar o Colégio Nóbrega, em Recife, foi despachado do engenho da família, em Viçosa, para o Colégio Militar do Rio. Desligado de lá, por responder a um tenente, que o advertia por estar usando um chapéu de jornal na formatura da companhia, Teotônio, que provava o gosto da boemia carioca, voltou para Viçosa. Comprou uma boiada e se descobriu. Acompanhou vaqueiros nas feiras de Sergipe e Bahia, passou noites em conversas ao redor da fogueira e lançou-se com todo vigor na peleja das vaquejadas.

Teotônio Vilela, por Chico Caruso. Reprodução

Casado com Dona Helena – que faleceu quase dois anos antes de sua morte – teve sete filhos: José Aprígio, Teotônio Filho, Elias, Rosana, Helena, Fernanda e Janice. A admiração por Carlos Lacerda e pelo Brigadeiro Eduardo Gomes o levou para a UDN, pelas mãos do sogro, Quintela Cavalcanti. Lacerda não entendia como um vaqueiro pudesse demonstrar intimidade tão grande com os clássicos. Desconhecia que Teotônio era um devorador dos autores ingleses e alemães, que abarrotavam a biblioteca herdada do sogro.

A carreira parlamentar começoue em 1954, com a eleição para a Assembléia Legislativa alagoana. Vice-Governador de Luis Cavalcanti em 1962. Chegaria a Brasília quatro anos depois, ao derrotar Silvestre Péricles na disputa pelo Senado. Signatário do documento de parlamentares da Arena ao Presidente Costa e Silva, de protesto contra a decretação do AI-5, recolheu-se a um silêncio prudente e atravessou o Governo Médici. Quando o General Ernesto Geisel assumiu a presidência,em 1974, inaugurando a distensão política, sentiu-se à vontade para iniciar a crítica do regime autoritário.

Leia a Íntegra:

27 de novembro de 1983: Teotônio Vilela morre ouvindo pássaro cantar

* Fonte: CPDocJB

Pernambuco: Assembléia Legislativa homenageia os constituintes nos 25 anos da Carta Magna Estadual *

 

Constituintes e servidores recebem

medalha comemorativa dos 25 anos

da Carta Magna Estadual

 

A comenda foi criada por meio da Resolução 1.268/14 e se destina a homenagear os 25 anos da Constituição do Estado.

 

 

 

 

Com o Plenário e galerias lotados, a Casa de Joaquim Nabuco comemorou em Reunião Solene, na noite desta quarta (19 de novembro), os 25 anos de promulgação da Constituição Estadual, promovendo a entrega de medalha comemorativa. Foram homenageados os 57 parlamentares constituintes de 1989, além de dois servidores do Legislativo Estadual que participaram da redação da Carta Magna.

O presidente da Assembleia, deputado Guilherme Uchoa, do PDT, comandou a solenidade, ao lado do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Frederico Neves, do presidente em exercício do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Carlos Porto, e do vereador Aderaldo Pinto, que representou a Câmara Municipal do Recife.

Uchoa lembrou que, em cinco de outubro de 1989, ocorreu a promulgação da Constituição. Ele destacou que o documento simboliza o espírito democrático de Pernambuco, seguindo o exemplo do Congresso Nacional, que havia concluído a redação da Carta brasileira no ano anterior. O presidente da Alepe ressaltou que o período teve como marca o alto nível do debate democrático. Segundo o parlamentar, a Assembleia Constituinte refletiu a altivez e a luta do povo pernambucano, travada sem armas, e somente no campo das ideias e ideais.

A medalha comemorativa concedida pela Alepe foi instituída por meio de resolução e a comissão organizadora da solenidade contou com a participação dos deputados André Campos e Raquel Lyra, ambos do PSB, e Tony Gel, do PMDB. Dourada e com gravações em bronze, a medalha estampa a fachada do Museu Palácio Joaquim Nabuco de um lado e traz, no outro, em alto relevo, a imagem dos deputados constituintes.

A Constituição do Estado foi promulgada um ano depois da Constituição Federal e teve como relator o então deputado Marcus Cunha (PMDB).

Dos 49 constituintes da época, apenas três continuam na Assembleia: Henrique Queiroz (PR), Marcantônio Dourado (PSB) e Maviael Cavalcanti (DEM).

São falecidos: João Ferreira Lima (que presidiu a Constituinte), Felipe Coelho, Argemiro Pereira, Arthur Correia de Oliveira, João Lyra Filho, José Antonio Liberato, José Cardoso da Silva, Luiz Epaminondas (Luizito), Manoel Ramos de Almeida, Manoel Tenório de Luna, Murilo Paraíso, Osvaldo Rabelo, Sérgio Guerra e Vanildo Ayres e José Amorim.

Estão vivos, porém fora da Casa: Carlos Lapa, Humberto Barradas, Geraldo Barbosa, Gilvan Coriolano, Manoel Ferreira, Marcus Cunha, Ademir Cunha, Adolfo José, Álvaro Ribeiro, Antonio Mariano, Carlos Porto, Roberto Fontes, Clodoaldo Torres, Eduardo Araújo, Fausto Freitas, Fernando Pessoa, Cintra Galvão, Garibaldi Gurgel, Geraldo Pinho Alves Filho, Geraldo Coelho, Inaldo Lima, Ivo Amaral, José Ramos, Joel de Holanda, José Aglailson, José Áureo, Humberto de Moura Cavalcanti, Mendonça Filho, Manoel Alves, Lúcia Heráclio, Newton Carneiro, Paulo Guerra Filho, Pedro Eurico, Ranilson Ramos, Roldão Joaquim, Severino Almeida Filho, Severino Cavalcanti, Valdemar Ramos e Vital Novaes.

* Fonte: Portal da ALEPE

Crônica/Cultura Viva: Cais do Sertão – Por Carlos Sinésio * (Exclusivo para oabelhudo)

Cais do Sertão:

beleza e riqueza cultural do interior

 

 

 

 

 

O Museu Cais do Sertão, no Recife Antigo (Cais do Porto), é um lugar único e mágico, onde o imaginário popular nos leva a viajar pelo coração do Nordeste. Sua beleza e sua riqueza cultural encantam qualquer pessoa que tenha sensibilidade suficiente para valorizar e admirar a rica cultura nordestina.

No último sábado à tarde, voltamos ao lugar para novamente apreciarmos um pouco mais a nossa cultura interiorana de Pernambuco, tão parecida com a de todo o semi-árido do Nordeste. Afinal, uma ida apenas ao local pode ser pouco para quem quer conhecer melhor, apreciar ou reviver mais algumas tradições da região.

Quem não foi ainda ao Cais do Sertão, inaugurado em abril deste ano pelo então governador Eduardo Campos, deve se programar para apreciar bastante algumas das melhores tradições do nosso povo. O museu está instalado no antigo Armazém 10 do porto, tem cerca de 2 mil m2 de área em dois pisos. Nele foram investidos R$ 97 milhões do Ministério da Cultura e do Governo de Pernambuco.

O espaço conta com uma exposição sobre o Rio São Francisco (um pequeno rio com peixes de verdade simboliza o Velho Chico). Também dispõe de estúdios de gravação e salas para quem quer se arriscar no Karaokê. Há oficinas de instrumentos musicais (há sanfona, zabumba, triângulo, violão, etc) para quem quiser fazer um som, além de discografia e parte da obra do Rei do Baião Luiz Gonzaga.

Um dos diferenciais do espaço cultural é uma sala de exibição de vídeos, onde, sentados em tamboretes de madeira, os visitantes assistem filmes sobre a vida dos sertanejos. A sala é coisa de cinema, diferente de tudo que existe por aqui nessa área. Também uma réplica de uma moradia de taipa com seus utensílios tradicionais (candeeiros, panelas de barro, fogão a lenha e a decoração característica da área rural) chama a atenção.

Para acompanhar os visitantes, um grupo de monitores bilíngues está à disposição sempre. Os ingressos custam R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia para estudantes). Nas terças-feiras, o museu é aberto gratuitamente das 14h às 21h. Nas segundas-feiras, o Cais do Sertão fecha para manutenção. Outras informações, é só acessar o face (caisdosertao) ou ligar (81) 3089-2974.

* Autor: Por Carlos Sinésio,  –  Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti é pesqueirense, jornalista, colaborador ocasional do OABELHUDO, poeta, e escritor.

Rio Branco(Arcoverde)/História: Outros Causos do Sertão – Por Pedro Salviano *

Alguns causos do sertão

(Capitão Budá – 1821-1870 – Foto do livro de Luís Wilson Roteiro de velhos e grandes sertanejos, 1º volume, pág.265.)
Hoje já se pode navegar pela web por muitos municípios pernambucanos (e de quase todo o mundo) pelo Google Street View (ex.http://www.instantstreetview.com/ ). Para usar esta ferramenta basta clicar e arrastar o mouse e, assim, visitar tantas cidades, localidades e estradas, sem se levantar da cadeira, tendo-se vistas panorâmicas de 360° na horizontal e 290° na vertical. Lançado em 2007 (no Brasil em 2010), este recurso que já colocamos alguns links em artigos anteriores já chegou à Pedra (http://goo.gl/dU8h1h) permitindo aos saudosistas e curiosos, uma viagem virtual por aqueles lugares que há tempos não são visitados. A casa, a escola, as ruas… Como estão agora?
Aproveitando a carona deste modernismo, que tal uma visita também aos velhos tempos do desbravamento dessa região sertaneja, dos quais alguns historiadores puderam registrar alguns dos tantos fatos pitorescos? Assim, muitos causos (aquela pequena história, nem sempre verídica…) estão espalhados por muitas obras, num resgate da cultura popular.
Mais com a ideia de provocar, de atiçar a curiosidade de leitores para a história da nossa região, pinçamos alguns causos.
Do autor Ulisses Lins de Albuquerque (1889-1979), entre suas obras (várias facilmente adquiríveis, por ex. emhttp://goo.gl/VQu1Ho Um sertanejo e o sertãohttp://goo.gl/lXtdMI – Três ribeiras e http://goo.gl/Tw6RX1 Moxotó brabo ) reproduzimos de Um sertanejo e o sertão – 2a edição, Rio 1976 – pág.107, um pequeno texto sobre o português Pantaleão de Siqueira Barbosa, mestre de campo, fundador do povoado de Jeritacó (http://goo.gl/xiz8Q9 ) , célebre pelas sesmarias e fortuna que deixou.
« Pantaleão de Siqueira mereceu a alcunha de “Pica-enxu”, pelo seguinte episódio : uma tarde, nos arredores de Jeritacó encontrou um “enxu verdadeiro” (vespa) e, indo tocá-lo, foi ferroado por um enxame de abelhas que protestaram contra a sua curiosidade em examiná-lo. Então, o português puxou do espadagão e espatifou o “enxu”, bradando — é o que dizem os seus descendentes: “O diavos! Benham de uma em uma mas não de binte em binte!” Ficou sem enxergar — tal a inchação do rosto, com as picadas das abelhas — e, chegando em casa, com dificuldade, teve de recorrer ao clássico purgante de cabacinho. Ficou conhecido por “Pica-enxu” — denominação que, por ironia, é dada ainda hoje aos seus descendentes. 
 
Este episódio me era contado por minha mãe e outras pessoas da família, mas sempre supus tratar-se de uma lenda! Entretanto, quando em 1922 fui ao Jeritacó, conversando com o velho Joaquim Inácio de Siqueira Cavalcanti com 96 anos mas completamente lúcido, bastante inteligente —, bisneto do português Pantaleão, disse-me ele que a história era verdadeira, pois a ouvira do pai e do avô. E narrou-me outros feitos de Pantaleão, inclusive a luta por ele travada com uma onça-pintada o tigre sertanejo — a qual era conhecida entre os vaqueiros como a “papa-úbere”, porque, matando as novilhas, só lhes comia o úbere. . .
 
Encontrando-se com a onça, o português gritou para o seu cachorro Touro, açulando-o contra a fera e o enorme cão a enfrentou, com ela se engalfinhando. De vez em quando Pantaleão bradava: “Segura a onça, Touro!” Mas, ao verificar que o cão estava muito ferido e não podia vencer a batalha, segurou a onça pela cauda e passou a vibrar-lhe golpes sobre golpes com o seu espadagão, até abatê-la. Cortando-lhe uma das mãos, nas raízes de uma caraibeira, conhecida por “craibeira dos herdeiros” e que depois passou a chamar-se “craibeira do tigre”, levou-a para casa e de lá mandou buscar o Touro que, de tão ferido, não pudera acompanhá-lo — extenuado da luta. E quando lhe perguntaram por que não matou logo a onça, para evitar o sacrifício do cão, ele respondeu que “foi porque queria ber qual dos dois era o mais balente».
O episódio do enxu também mereceu do autor Nelson Barbalho (Caboclos de Urubá, Recife, 1977, pág. 101) uma versão à moda lusa: « – Ô diavos dos seiscentos! Benham d ?uma em uma, não de binte em binte, suas cubardes, ora pois pois!” 
Já Luís Wilson, em Minha cidade, minha saudade, Recife, 1972, pág. 90, conta estes causos do famoso capitão Budá (que também é nome de rua em Arcoverde http://goo.gl/NbOvXC ), tantas vezes já mencionado nesta coluna. Sua famosa fazenda Fundão (porém, ao que parece, pouco explorada turisticamente) pode ser vista, de longe, pelo StreetView (http://goo.gl/zyuJuK).
«O capitão Budá (Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti) (…) era, no entanto, sob certos aspectos, um homem imprevisível e formidável. Uma tarde, atiraram em Budá na fazenda Fundão. Ele pegou o cabra, meteu-o no “tronco” e foram 9 dias de sofrimento, em frente à casa grande da fazenda. Soltou depois o sujeito e mandou-o embora.
(Fazenda Fundão, na atualidade, vista da estrada 424 (Arcoverde-Pedra).)
(A casa da fazenda Fundão, palco de muitos acontecimentos. Fotos PSF.)
 
O homem pediu para ficar, alegando que não tinha para onde ir e que havia compreendido, durante aqueles dias, no pátio da fazenda Fundão, que Budá era um homem bom, adiantando que se ele fosse o capitão o teria matado.
 
Budá deixou, então, o homem ficar, em sua fazenda, e ele foi, dali por diante, o cabra de sua confiança, em suas viagens ou por onde anda ele andava.
 
Em outra ocasião, chegou no Fundão e pediu emprego. O Cap. Antônio Francisco mandou o homem trabalhar.
 
Uma semana mais tarde, apareceu uma onça, na fazenda, e os escravos e empregados começaram a persegui-la, até que, à noitinha, ela se meteu em uma das furnas existentes naquela redondeza. A onça já estava acostumada a, vez por outra, pegar uma criação de Budá.
 
Cercaram a loca, a até que, logo depois chegou o Capitão. – “Essa onça, ainda hoje, ou amanhã, ou daqui a 3 dias tem de sair deste buraco e nós matamos”, disse um dos empregados.
 
Pediu, então, o homem, para lhe amarrarem os pulsos com uns pedaços de pano velho e com uma pistola e um facão emburacou na furna em que estava a onça. Um segundo depois, só se ouvia o barulho lá dentro, aparecendo enfim, o caboclo na boca da loca, alguns instantes mais tarde, com a onça morta. Sangravam. ambos, da cabeça aos pés.
 
Budá levou o homem para casa, tratou-o e, quando ele estava curado, disse-lhe o seguinte: – “Você não vai ficar mais no Fundão. Vou lhe pagar, vou gratificá-lo bem, e mando deixá-lo onde você quiser. É só você dizer para onde quer ir”.
 
 Mas, Capitão — perguntou o caboclo surpreso — eu fiz alguma coisa que desagradasse ao senhor?
 
— Não — respondeu Budá — mas aqui você não fica mais. Não quero na minha fazenda um homem mais valente do que eu. E, na realidade, pagou ao cabra, gratificou-o e mandou-o embora. 
 
Assim era o Cap. Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti, homem bonito, de feição fidalga, serena, e de quem ainda hoje se fala no mundo em que ele outrora viveu».
Com o nome “Demitindo um cabra macho”, e com uma outra versão, a história foi repetida no livro Baboseiras (1991, pág45), pelo autor Waldemar Arcoverde.
O historiador Luís Wilson, no citado livro, prossegue com outro causo do famoso capitão:
«Entre as muitas histórias que contam de Budá (algumas, evidentemente, inventadas pelo povo), há também a seguinte: Um dia, o capitão chegando em casa, do roçado, encontrou, no alpendre, um indivíduo, com uma viola, identificando-se como violeiro profissional e dizendo que ia tocar numa festa na Pedra, ou ali perto.
 
Budá não podia compreender ou admitir que um homem, em vez de trabalhar na agricultura, por exemplo, fosse violeiro de profissão. Mandou servir almoço ao cabra e boto-o, em seguida, para tocar, o que envaideceu, sem dúvida, o pobre tocador.
 
Depois de uma ou duas horas, o sujeito já estava de dedos doídos e quis parar. – “Não senhor”, disse o cap. Budá, “a sua profissão é tocar viola e o senhor vai tocar mais um bocado”. Para encurtar a história, o homem acabou de dedos pegando fogo».
Para os leitores que desejarem acessar as matérias já apresentadas nesta seção desde 2009, apresentamos os links encurtados. Para fazer o download, clicar no ícone do canto inferior direito.


2009:

Memória do rádio: http://goo.gl/G61zQV Outubro.

2010:

Olhando para trás. http://goo.gl/6NAEX1 Março.
Vaquejada: http://goo.gl/T6CgtN Maio/junho.
Os filhos de Francisco: http://goo.gl/syuQ6v Julho.
Sertânia no tempo de Alagoa de Baixo: http://goo.gl/V24sfo Agosto/setembro.
A Great Western: http://goo.gl/qXlTJR Outubro.
Documentos em registros de cartórios e assuntos afins: http://goo.gl/Y9YsHA Novembro/dezembro.

2011:

Controvérsias no histórico de Arcoverde: http://goo.gl/Bs4gCt Janeiro/fevereiro.
Qual foi o berço de Arcoverde: http://goo.gl/X6TAJB Março/abril.
Médicos de bem antigamente: http://goo.gl/H27zui Maio/junho.
Contribuições para um novo histórico de Arcoverde: http://goo.gl/pQEBLC Julho/agosto.
Nossa Senhora da Conceição da Pedra: http://goo.gl/LTy4pW Setembro/outubro.
A vida nas fazendas primitivas do sertão pernambucano: http://goo.gl/6wfWBn Novembro/dezembro.

2012:

Muirá-Ubi. Quem?: http://goo.gl/NkkOkl Janeiro/fevereiro.
Bicentenário de Olho d ?Água dos Bredos. Um século da ferrovia a Rio Branco: http://goo.gl/sJpidP Março/abril.
A vida no sertão nordestino no início do século 19: http://goo.gl/mURAOk Maio/junho.
Primórdios do sertão nordestino: http://goo.gl/t3SHu1 Julho/agosto.
Pesqueira. Terra do doce: http://goo.gl/HRIvj5 Setembro/outubro.
Cimbres. O começo de tudo: http://goo.gl/HiI8Dt Novembro/dezembro.

2013:

Mais algumas informações sobre a antiga Pedra: http://goo.gl/YsqayC Janeiro/fevereiro.
Cine teatro Rio Branco: http://goo.gl/irNlDe Março/abril.
As irmãs do cardeal Arcoverde: http://goo.gl/EueUGN Maio/junho.
Mais anotações sobre o histórico de Arcoverde: http://goo.gl/DviX8B Julho/agosto.
Retratando Arcoverde: http://goo.gl/nSzHLa Setembro/outubro.
Brito-Freire. Gente braba: http://goo.gl/AENvtP Novembro/dezembro.

2014:

Mapas antigos: http://goo.gl/QA7XVP Janeiro/fevereiro.
Posse do primeiro prefeito eleito de Rio Branco: http://goo.gl/5ws8pV Março/abril.
O historiador Luís Wilson: http://goo.gl/LjOAPj Maio/Junho.
A ascendência nordestina: http://goo.gl/1J8AlC Julho/agosto.

* Autor: Pedro Salviano Filho – Salviano é arcoverdense, ex-aluno do Colégio Cardeal Arcoverde, médico, cirurgião, residente na cidade Ivaporã-PR. –  (Coluna Histórias da Região – edição de setembro/outubro de 2014 – Jornal de Arcoverde)

Crônica/Efemérides: Dr. Tonico – “esse menino de Amaro vai longe” – Por Marco Soares *

O GAROTO E O MAGISTRADO

 

(1ª praça de Sanharó. Lá no meio existia um caramanchão que todos chamavam-no de coreto. Era o ponto de bate-papos…)

 

Nos anos 1960/1970 a Praça Capitão Augusto Rodrigues de Freitas, em Sanharó-PE, , em frente à igreja matriz, era o principal ponto de encontro da cidade. Bem arborizada, bem iluminada, muitas flores, muitos bancos, um coreto realçado por plantas trepadeiras, ladeada por casarões de arquitetura antiga, era o cartão postal da cidade.

Ali se iniciavam namoros, casais desfilavam ao longo dos seus passeios, encontros de amigos eram promovidos, acontecimentos da cidade e do mundo eram discutidos, os principais eventos festivos eram realizados.

Não raro, lá apareciam figuras respeitadas da cidade, como o professor Amaro Soares e o Dr. Antônio de Pádua Caraciolo (Tonico), que se misturavam aos jovens e promoviam verdadeiras aulas ao ar livre de vivência e sabedoria. Ouvidos com toda a atenção e respeito, quase sempre só eram interrompidos para esclarecer dúvidas ou para manifestações de concordância e assentimento às suas opiniões.

Mas sempre há um dia em que algo diferente pode acontecer. Uma exceção , um lampejo ousado, daqueles que desconcerta, emudece, surpreende.

Tonico, que além de professor era magistrado, começou a tecer comentários sobre os meandros da justiça e os descaminhos que o país estava tomando. De conversa bem sustentada tecnicamente e de um humor contagiante (suponho que as aulas espetáculo de Ariano Suassuna foram copiadas de Tonico) prendia a plateia por horas seguidas em torno de suas argumentações.

Neste exato dia se insurgiu um garoto com seus prováveis quinze anos, leitor assíduo de jornais e também de revistas da época, ouvinte atento, que aproveitou uma tomada de fôlego do magistrado e sapecou: “Doutor, o problema do Brasil é a impunidade”.

Tonico ajeitou o bigode, esboçou um sorriso e devolveu: “Esse menino de Amaro vai longe” (gargalhada geral).

E saiu, como que procurando evitar polemizar ou se comprometer, sem mais nada dizer.

Quase cinquenta anos depois, pode ter mudado a praça, os bancos, os jardins; não temos mais o coreto, nem Amaro, nem Tonico. Mas o menino, que buscou estas memórias em um passado tão distante e que muito longe já foi – consideradas as suas origens – sabe que lamentavelmente algo permanece: a impunidade, que a cada dia amplifica mais os problemas do Brasil.

* Autor: Por Marco Soares  –  Marco Aurélio Ferreira Soares é sanharoense, engenheiro civil, professor, cronista, colaborador PIONEIRO do blog OABELHUDO, escritor com oito livros publicados e poeta.

Movimento Cultural/Crônica: Os Anos Dourados e o Clube dos Radicais – Por Walter Freitas *

OS CLUBES SOCIAIS

DOS ANOS DOURADOS

 CLUBE DOS RADICAIS

 

 

A sociedade pesqueirense teve o privilégio de contar com vários clubes sociais entre as décadas de quarenta e oitenta, período em que as fábricas estavam em pleno funcionamento e o comércio era bem movimentado. Havia boa oferta de empregos e existiam clubes para todos os gostos e posses.

Quem vivenciou esse período, certamente desfrutou dos bons e inesquecíveis momentos proporcionados pelas festas e encontros sociais realizados pelos clubes da época, a saber: Radicais, Clube dos 50, União, Atlético, Comercial, SESI, BNB e Clube de Campo.

Das associações acima, guardo recordações bem marcantes do simpático CLUBE DOS RADICAIS, por ter sido nele que iniciei ainda quase garoto, a minha participação em eventos sociais. Isto na condição de convidado, pois a minha idade não permitia que me associasse, segundo os estatutos.

(Posse da diretoria do Radicais em 1961)

Em todos, era praxe exigir-se dos frequentadores que os mesmos fossem sócios. O Clube dos Radicais não fugia à regra. Para fazer parte do seu quadro social, o rapaz era apresentado por um  sócio, que ficava responsável pelo seu comportamento durante um determinado tempo.

Decorrido esse período de experiência em que o convidado tinha os seus “passos” devidamente observados pela diretoria, o seu nome era submetido à apreciação pela comissão de sócios, em reunião específica e sigilosa.

Se a proposta fosse aprovada, o seu signatário recebia um ofício comunicando a sua admissão no quadro social. Caso contrário, a secretaria do clube mandava o que se chamava de “bilhete azul”, informando que o mesmo não podia mais frequentar as suas dependências. Essa situação constrangedora se aplicava normalmente àquele que durante o período de experiência cometera algum deslize. Guardava-se rigoroso sigilo.

Quando demonstrei interesse em tomar parte nas festas do referido clube, um amigo me fez uma recomendação: “trate logo de mandar fazer um uniforme”. É que nos bailes, inclusive festas juninas, o uso o “terno” era imprescindível naquela época.

Outro detalhe interessante é que por ocasião das festas não havia a hoje indispensável bilheteria. Os cavalheiros cientes de suas obrigações pecuniárias com o clube procuravam espontaneamente dar a sua colaboração. Aqueles que eram conhecidos como “escorões”, um membro da diretoria discretamente convidava para contribuir com a famosa “cota” para pagar à orquestra.

O fato de ser localizado no centro da cidade- a exemplo do Clube dos 50– fez com que o Clube dos Radicais fosse bem frequentado todas as noites por jovens que se reuniam para conversar, assinar o ponto no bar ou ouvir jogos de futebol no velho rádio, salvo engano, da marca Mullard. Existiam até ouvintes cativos do programa A Voz do Brasil..

Lembro, ainda, de uma grande programação social realizada no final da década de 50, nos seus salões: uma festa denominada de GRANDE NOITE INTERNACIONAL, se não me falha a memória (quem se lembrar, pode corrigir). Sua finalidade era apresentar ritmos de vários países e para tal, foram convidados os melhores dançarinos da cidade e da região. Naquela noite memorável, o SAMBA, o bolero, o twist. a rumba, o mambo, o tango e outros gêneros, tiveram em Lenildo Martins, Galego de Moacir, Milton Cadengue, Luiz Carlos (Leça) e mais alguns pés-de-valsa, os seus mais dignos representantes. Foi um sucesso! Deixo de citar os nomes das damas que embelezaram a festa por não estar devidamente autorizado, visto que o evento ocorreu há mais ou menos cinquenta anos.

Das manhãs-de-sol, guardo bem viva na lembrança uma que aconteceu no dia 29 de junho de l958, quando o Brasil conquistou o primeiro título de Campeão Mundial de Futebol. Dá para esquecer?

Ainda hoje tenho a impressão de que estou ouvindo LIU e VENÂNCIO (afinadíssimos) tocando aquelas belas músicas que apesar do tempo, permanecem presentes em minha memória.

E nas festas de São João, era o excelente conjunto de Jorge da Sanfona quem enchia de alegria o coração da moçada. O sempre sorridente Mané Piaba era um cantor e pandeirista que sempre fazia parte do animado grupo musical.

Ah! Quanta saudade! Em outra oportunidade, falarei dos outros clubes.

 

Pesqueira, março de 2006. (Essa crônica foi postada pelo OABELHUDO em 08 de novembro de 2013)

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta e pesquisador musical.

 

Sanharó/Homenagem: Morre o Sanharoense Severino xique-xique… *

 

SANHARÓ DE LUTO

Acabamos de ser informados de  que faleceu em Guarulhos-SP, o sanharoense SEVERINO AQUINO MONTEIRO. Popularmente conhecido por Severino Xique-xique notabilizou-se como um defensor intransigente dos valores da nossa Sanharó. Mesmo morando tão longe por mais de 50 anos, nunca esqueceu seu torrão natal. Esteve aqui há dois anos…Veio pra o enterro do irmão Fabiano e ficou quase um ano, só voltou apulso…

Orador nato, adorava fazer uso desse expediente. Que o diga o nosso padre Nilson (Jose Gomes de Melo) das tantas vezes que ele bobeava e “xique-xique” já estava com a palavra…

É uma perda lamentável sob todos os aspectos. Severino ajudou muitos conterrâneos que o procuravam lá nas “terras do sul”…Tinha muito orgulho da sua raiz e principalmente por ser filho do estimado casal – Maria Pacífica e Ernesto Monteiro.

O blog OABELHUDO, através de Leonides Caraciolo o homenageou em crônica postada em 17 de novembro de 2010. (leia abaixo). A revista Veja cita-o em edição de 1976, quando disputou a prefeitura de Guarulhos e fazia campanha montado num jegue. O jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, presta uma singela homenagem quando o retrata como a Personalidade do Mês – Personagem do mês  –  Severino Xique-Xique, um pernambucano arretado à serviço de Guarulhos.

Aos familiares e amigos nossas condolências e o desejo de que Deus, na sua infinita bondade, conforte a todos.

 

 

 

SEVERINO AQUINO MONTEIRO

ou SEVERINO XIQUE-XIQUE.

 

 



Ernesto Monteiro, casado com Maria Pacifica, filha de Clara Pacifica Leite e de Joaquim Francisco de Assis Aquino (Pai Joaquim) deixou a sucessão:
Rafael, Pacífica, Inês, Anunciada, Ermano, Alzira, Francisco, Judite, Severino, apelidado de Severino Xique-Xique, Fabiano, Paulo e José Monteiro.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/Severino de Aquino Monteiro –

Por Leonides de Oliveira Caraciolo. (Postado em 17 de novembro de 2010)

SEVERINO XIQUE-XIQUE

Luiz de Salvo Neto (Titico) em uma reportagem no Jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos-SP, escreve:
“O ex-subdelegado do Trabalho de Guarulhos, Severino Xique-Xique, que do alto dos seus 86 anos ainda mantém intacta a sua lucidez, como também conserva seu espírito patriótico e amor ao povo brasileiro, com um carinho especial aos seus irmãos nordestinos. Como se diz no Nordeste, é um cabra arretado, ou seja, firme, disposto e pau pra toda obra.
Praticamente não existe uma só pessoa em Guarulhos que não conheça, nunca viu ou pelo menos nunca ouviu falar em Severino Xique-Xique. Figura folclórica, principalmente quando foi candidato a prefeito e saía montado em seu jegue pelas ruas da cidade, Severino é uma das pessoas mais respeitada pelo seu carisma e por ter sido por muitos anos subdelegado do Trabalho em Guarulhos.

Na Subdelegacia do Trabalho, Severino faz questão de ressaltar: “Minha assinatura está no registro profissional de muitas pessoas influentes na cidade. Sempre procurei respeitar o trabalhador, que é quem movimenta este País. Sofri muito na minha vida e sei como é difícil conseguir alguma coisa. Sou do tempo do pau de arara, foi como vim para São Paulo, e dói saber que muitos nordestinos ainda fazem esta jornada”.

Política – Fã incondicional de Getúlio Vargas – “foi o maior brasileiro que este País já teve”, diz – Severino é categórico: “Se houvesse realmente democracia plena, não teríamos tantos escândalos, como colocar dinheiro na cueca. A verdadeira democracia vai aparecer quando o trabalhador for maioria nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional”.

Casado e pai de sete filhos homens (todos “cabras machos”), Severino Aquino Monteiro ou simplesmente “Xique-Xique”, como gosta de ser chamado, nasceu em 16 de março de 1924 na pequena cidade de Sanharó, no interior pernambucano. Veio para São Paulo e se instalou em Guarulhos.
Trabalhou por 17 anos na Subdelegacia do Trabalho (12 anos como subdelegado e cinco respondendo pelo expediente) e atualmente está aposentado.
Hoje, aos 86 anos de idade e mesmo doente (está com Mal de Parkinson e Alzheimer), Severino Xique-Xique continua percorrendo as ruas de Guarulhos, parando a todo instante para conversar. O calor das pessoas, com sua honestidade e simplicidade, faz bem para a alma… É um homem calejado, folclórico, mas um amigo para todas as horas”.

Severino Xique-Xique, para os paulistas de Guarulhos.

REVISTA VEJA.

Na Edição n° 0415 de 18 de agosto de 1976, páginas 20 e 21, no texto referente a matéria de Capa, lê-se:

“Em Guarulhos, cidade de 400.000 habitantes e 150.000 eleitores, Severino “Xique-Xique”, segue à risca as instruções do seu padroeiro e fala numa linguagem impressionante. ”Cabra que ouviu falar de Lampião, Maria Bonita Chumbinho e Doroteu; que já tomou banho no Rio São Francisco, no Pajeú de fulo e no Capibaribe; sabendo o que é uma baraúna, um pé de angico e que já comeu pirão no dedo da mãe tirado de alguidar de barro, não vai deixar de pensar em Severino”. Reza ele à sua plateia. Aos 52 anos, com seu 1,80 de altura, Severino se transformou no mais popular dos seis candidato a prefeitura de Guarulhos. Com as amizades que fez na Delegacia Regional do Trabalho, onde tem um emprego, ele conhece palmo a palmo o operariado local,  gaba-se de ter conseguido, nos últimos três meses, empregos ou pelo menos indicações de empregos para uns 11.000 desempregados, quase todos nordestinos como ele.

Leonides Caraciolo.

Fotos de Cláudio Omena (Jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos)