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Artigo – As Secas Fazem Sérios Estragos… E o Governo o que Faz? – Por Walter Jorge de Freitas *

MAIS UMA RESENHA DA SECA

 

Juscelino Kubitschek + açude orós

 

No ano de 1958, segundo do governo Juscelino Kubistchek, o DNOCS autorizou a construção de uma barragem no Rio Jaguaribe, localizado no município de Orós – Estado do Ceará, com a finalidade de minimizar os problemas causados pelas estiagens que de tempos em tempos, flagelavam a região, como também, possibilitar a exploração de várias atividades econômicas ao longo daquela bacia hidrográfica.

Entretanto, uma fatalidade alterou completamente os planos do governo e deixou inúmeras famílias desabrigadas. Depois de períodos com chuvas escassas, o ano de 1960 ficou na história pela grande enchente que ocorreu com o rompimento parcial da barragem de Orós na madrugada do dia 26 de março, devido às fortes precipitações pluviométricas verificadas em pequeno espaço de tempo. Essa catástrofe foi assunto nos meios de comunicação tanto no país como no exterior e provocou grande mobilização popular, no sentido de ajudar aos flagelados.

Como poeta não perde oportunidade, Waldeck Artur de Macedo (Gordurinha) e Nelinho, compuseram a canção Súplica Cearense, que alcançou grande sucesso em gravações feitas pelo próprio Gordurinha e em seguida, por Ary Lobo, Luiz Gonzaga, Fagner e outros.

Medidas adotadas pelos engenheiros e técnicos, evitaram que a obra fosse totalmente destruída e graças à pronta intervenção do Presidente Juscelino, que se empenhou na sua reconstrução, a mesma inaugurada no dia 11 de janeiro de 1961.

As chuvas continuaram irregulares no Nordeste. Em 1962, o Jornal do Comércio do dia 18 de abril publicou o seguinte: O governador Cid Sampaio solicitou ao DNOCS, a liberação de verba no valor de 80 milhões de Cruzeiros em caráter de urgência, para a construção de várias obras no Estado, principalmente açudes. Essas obras irão proporcionar empregos para os agricultores prejudicados com a seca que castiga o sertão.

No dia 05 de maio do mesmo ano, o JC noticiou: A cidade de Pesqueira, no Agreste, pode ser invadida pelos flagelados da seca na próxima quarta-feira, dia de feira. O alerta foi dado pelo prefeito Luiz Neves, que enviou telegrama ao governador e ao Jornal do Comércio, pedindo ajuda para enfrentar o grupo. Os comerciantes temem prejuízos.

Jornal do Comércio, edição de 10/05/1962: Os governadores do Nordeste participaram da última reunião da SUDENE e demonstraram preocupação com a seca e as consequências dela na região. No Rio Grande do Norte, não é possível plantar nem mesmo cereais. Todos concordaram que esta seca está sendo pior que a de 1932.

Diário de Pernambuco – 13/0/5/1962 – Em mensagem à Assembleia Legislativa, o governador Cid Sampaio solicitou autorização daquele poder para aplicar 170 milhões de cruzeiros na execução de providências visando a oferecer trabalho aos flagelados e a compra de gêneros alimentícios para regularização do abastecimento público, e ainda para a aquisição, requisição ou desapropriação de qualquer espécie de rações ou forragem necessárias à subsistência dos rebanhos para revenda a preço justo.

Jornal do Comércio – 18/05/1962 – Chuvas abundantes estão caindo em todas as zonas do Estado. A SUDENE recebeu comunicado do 3º Distrito do DNOCS, em Arcoverde, de que ontem, caíram aguaceiros no Agreste e parte do Sertão.

Conforme se comprova, os períodos de estiagem mesmo sendo previsíveis, continuam fazendo estragos no Nordeste porque as ações governamentais são insuficientes para abrandar os seus efeitos, diferentemente do que ocorre em outros países onde esse fenômeno climático tem maior intensidade, mas seus governantes são mais cuidadosos e responsáveis.

 

Walter Jorge Freitas

 

Pesqueira, 29 de maio de 2013.

* Autor: Walter Jorge de Freitas. – Comerciante, escritor, cronista e pesquisador musical.

 

 

 

NOTA DO BLOG

 

Caro Walter.

 

Dom Severino Mariano de Aguiar

 

por essa mesma época, governo do presidente Juscelino Kubitschek, o então bispo da diocese de Pesqueira – Dom Severino Mariano de Aguiar,(foto) encetou uma campanha pela construção da barragem do Bituri, em Belo Jardim, cuja água serviria pra atender as cidade de Belo jardim, Tacaimbó, Sanharó, Pesqueira, Cachoeirinha e Lajedo. 

Livro/Homenagem: Famílias Pinto Bezerra & Foerster (continuação IV) – Por Paulo José Elias Foerster *

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Família Pinto Bezerra

 

No livro Pesqueira e o Antigo Termo de Cimbres, Volume I, de autoria do grande historiador pesqueirense José de Almeida Maciel, há citações sobre dois Pinto Bezerra. O primeiro, Joaquim José Pinto Bezerra, é citado por duas vezes (folhas 87 e 188). Primeiramente, Joaquim José Pinto Bezerra é tido como um dos assinantes, em 20 de agosto de 1823, do Termo de juramento de fidelidade à Sua Majestade Imperial e adesão à Causa do Brasil.

A segunda citação consta que Joaquim José Pinto Bezerra é pai de uma das afilhadas de Tereza de Jesus Leite, viúva do Capitão Mor Antonio Coelho, fundador de Jenipapo, para quem deixou no seu inventário a quantia 100$00.

O segundo Pinto Bezerra (folha 95) refere-se a Antonio Pinto Bezerra, que em 02.05.1838 é citado em um termo de conciliação como pagador da quantia de 2$000. Neste mesmo termo de conciliação, Felix da Costa Monteiro, neto do capitão-mor Manoel Monteiro da Rocha, paga igual quantia.

Não existem, até então, anotações precisas da linha sucessória dos Pinto Bezerra. Conforme informações fornecidas por Dolores Pinto Bezerra ou Dolores Bezerra Ledo (nome de casada), falecida há alguns anos e por mim anotadas existiam dois irmãos Pinto Bezerra que deram origem a diferentes famílias na atualidade em Sanharó. Joaquim Pinto Bezerra, José Pinto Bezerra, além de José Latão, o mesmo era irmão só por parte de pai. Latão, segundo informações obtidas, era apelido adotado por parte da família Monteiro. José Latão era pai de Tereza, esta por sua vez mãe de Regina, e avó de Osvaldo Frazão (Vavá).

Por ocasião dos casamentos de João Avelino Bezerra Filho (descendente de José Pinto Bezerra) com Amélia Pacífica de Aquino e José Avelino Bezerra com Joanna Filomena Bezerra, ocorridos em sete de novembro de 1915, consta como uma das testemunhas dos dois casais, o nome de Abel Pinto Bezerra, na época solteiro, com 26 anos e residente em Sanharó. Inquestionavelmente, trata-se de um membro da família Pinto Bezerra, porém não conhecemos nenhum dos seus descendentes, bem como nunca ouvimos referências sobre o mesmo.

Ao se confrontar as informações de Dolores com a certidão de nascimento de Olindina (filha de Joaquim) conclui-se que os dois irmãos (Joaquim e José) eram filhos de Antonio Pinto Bezerra e de Joaquina Maria da Conceição.

Provavelmente, em razão dos idênticos períodos vivenciados, o Antonio Pinto Bezerra, citado no livro José de Almeida Maciel, é o mesmo Antonio Pinto Bezerra pai de Joaquim e José Pinto Bezerra e José Latão.

Os Bezerra do Sítio das Moças, Sanharó, têm a mesma origem, como também alguns Bezerra da Vila de Cimbres.

Joaquim Pinto Bezerra

                 (pequena biografia)

 

Joaquim era casado com a Águeda Maria da Conceição, filha de Manoel da Costa Monteiro e Maria Isabel da Conceição.

 

Joaquim Pinto Neto

Joaquim Pinto Neto

Casal Tula e Joaquim Pinto Neto

Casal Tula e Joaquim Pinto Neto

 

 

 

              É fato conhecido, no seio dos atuais descendentes, que Joaquim e Águeda eram parentes. Provavelmente, o parentesco esteja relacionado com as mães dos casais. Joaquina Maria da Conceição e Maria Isabel da Conceição, ao que tudo indica eram  irmãs.

              Correlacionando-se este vínculo familiar, conclui-se que Antônio Pinto Bezerra e Manoel Costa Monteiro além de pais do casal, eram  entre si concunhados.

             Partindo dessa premissa e  considerando que Antonio Pinto Bezerra e Felix da Costa Monteiro  participaram juntos de um termo de conciliação e leva-se  a crer que Manoel Monteiro da Costa,  Félix da Costa Monteiro, que têm sobrenomes em comum,  tenham uma relação familiar muito próxima.

              Joaquim Pinto Bezerra foi proprietário das Fazendas: Pé de Serra, atual Canaã; Lagoa Verde que após a sua morte passou a pertencer ao Dr. Osvaldo Lima, ambas em Sanharó; Estrela Dalva, na Paraíba, que pertenceu a Dr. André Bezerra do Rego Barros: Queimada da Onça, no município de Rio Branco, atual Arcoverde a qual após a sua morte passou a pertencer ao seu genro Cícero Monteiro de Melo;  Fazenda Varas, no município de Arcoverde, da qual se desfez antes de morrer. Foram de sua propriedade em Sanharó a atual Casa Paroquial, a residência  de Sônia Foerster e a casa que pertence à família  de João Avelino Bezerra.

  Em Pesqueira, possuía duas casas situadas na atual rua Barão de Vila Bela. Mantinha intensas relações comerciais, de amizade  e religiosa chegando a doar parte da madeira para a construção do Convento de São Francisco.

              A fazenda Estrela Dalva foi negociada, pouco antes da morte de  Joaquim Pinto, e  conforme comentários dos seus descendentes, o comprador não chegou a quitar legalmente o restante do  débito aos herdeiros.

              A fazenda Lagoa Verde foi adquirida pelo advogado Dr. Osvaldo Lima, sendo parte paga em forma de prestação de serviço pelo seu trabalho como advogado no processo de inventário. Essa  fazenda, situada na região dos Brejos, em Sanharó, era utilizada para  a plantação de café. Lá  existe uma casa de fazenda  com arquitetura semelhante à da antiga casa sede da fazenda Canaã, de onde se pode concluir que provavelmente ambas foram construídas pelo mesmo proprietário.

               Após a colheita do café, os grãos eram trazidos para a Fazenda Canaã, onde eram secados em um grande terreiro com o piso revestido de tijolo, ali ainda existente. Após a secagem, o café era estocado nos armazéns em grandes  caixões   de madeira.

               A Fazenda Queimada da Onça era utilizada para a criação de bovino e caprino/ovino. Tanto na fazenda Canaã, onde residia com a família,  como em Queimada da Onça, o excesso da produção de leite era transformado em  queijo.

                  Na fazenda Canaã existe um conjunto de tanques, um dos maiores da região, também denominado de caldeirões, cavados na rocha, que serviam para armazenar água da chuva, a qual seria utilizada  para o consumo ao longo do ano.

              A água para o consumo animal  era proveniente do rio Ipojuca e  de um açude, ainda  existente, e que foi construído por Joaquim Pinto. A construção do açude levou vários anos e era feita manualmente com utilização de picaretas e pás e o transporte da terra era realizado com auxilio  de  bois puxando o barro sobre couro seco de boi.

  No processo do inventário a Fazenda Pé de Serra, a atual Canaã, coube a uma de suas filhas, Olindina, já viúva e com dois filhos.

              O nome de Fazenda Canaã foi sugerido pelo então  Padre Sales, pároco da Igreja da Soledade em Recife, amigo de Olindina  e seus filhos, onde anualmente passava suas férias.

             Joaquim Pinto comercializava, inicialmente no lombo de burros, os produtos produzidos em suas fazendas (café, algodão, etc.), diretamente na praça do Recife. Do Recife trazia gêneros de primeira necessidade como açúcar, sal etc. Cheguei a conhecer e tomar banho em uma grande bacia que Joaquim Pinto utilizava, durante as viagens ao Recife para dar água a tropa (cavalos).

              Ouvi várias vezes de Joaquim Pereira, criado por Joaquim Pinto  e posteriormente vaqueiro de Canaã, que cada tropa tinha um número e estalo produzido pelo  rei (chicote que açoitava os cavalos) se  identificava o número da tropa e por conseguinte  proprietário dos animais.

Após a chegada do trem em Sanharó, em 1906, as grandes viagens de Joaquim Pinto mudaram radicalmente.  Ao se deslocar para a Fazenda Queimada da Onça, no município de  Arcoverde, por exemplo,  colocava seu cavalo arreiado e sem freio,  no vagão do trem  destinado a animais e embarcava no carro de passageiros. Ao chegar a Arcoverde, naquela época conhecida como Rio Branco, descia juntamente com a montaria e seguia a viagem para  Queimada da Onça. As viagens que levavam  dois dias passaram a ser realizadas em horas.

Em pesquisa realizada no livro de registro de óbitos – 1915 jan. – 1935, Nov. II, do Cartório de Registro de Sanharó, constamos, através da descrição de uma ata, que  Joaquim Pinto havia participado como membro efetivo de uma  mesa eleitoral, para escolha de um Senador Estadual, no então povoado de Sanharó. Lembramos que naquele período não era facultado o direito de voto às mulheres.

Ata de instalação da mesa eleitoral da 11ª Secção do Município de Pesqueira do Estado de Pernambuco.

            Aos vinte e nove do mês de janeiro de mil novecentos e quinze, as dez horas da manhã no edifício em que funciona a escola pública Municipal do povoado de Sanharó, previamente designado para funcionar a mesa eleitoral da 11ª Secção do Município de Pesqueira do Estado de Pernambuco reuniram-se os cidadãos Cel. Augusto Rodrigues de Freitas Caraciolo, Iziquio Vilella da Silva, Pedro José da Silva Pacheco, Joaquim Pinto Bezerra, José Leite Calado, membros efetivos da mesa eleitoral, os quais em tempo haviam sido nomeados e elegeram ente si a pluralidade votos o seu presidente Cel. Augusto Rodrigues de Freitas Caraciolo. Este logo depois de eleito designou a mim Iziquio Vilella da Silva, abaixo assinado, para Secretario e para fazer a chamada dos eleitores, e o mesário Joaquim Pinto Bezerra para examinar os títulos dos eleitores e mesário José Leite Calado para verificar a regularidade dos eleitores e declarou instalada a mesa para eleição que há de ter lugar amanhã para um  Senador Estadual na vaga do  Dr. Arthur Henrique de Albuquerque e Mello. Do que para constar levarei a presente ata  que lida e achada conforme vai por todos assignada. Eu Izíquio Vilella da Silva Secretário e subscrevo.

    Augusto Rodrigues de Freitas Caraciolo

Presidente

Izíquio Vilella da Silva

Secretário

Jose Leite Calado

Mezário

                                     Joaquim Pinto Bezerra

Mezário

 

 

 

Joaquim Pinto faleceu em 08.08.1928. Águeda nasceu em 29.05.1853, vindo a  falecer em 28.04.1933, cujo corpo foi sepultado, junto ao esposo, no cemitério de Pesqueira. Eram irmãos de Águeda: José Malungo Monteiro, vaqueiro de confiança de Joaquim e responsável pela fazenda  Queimada da Onça; Maria Joaquina da Conceição, casada com Severino Bezerra de Mello (“Bio”),  mãe de Maria Bezerra de Freitas (Maria Zuca) matriarca da família Américo de Freitas de Sanharó, e Joana Teixeira, que segundo meu pai Paulo Foerster, era uma mulher corajosa e valente, casada com Manoel Monteiro de Mello, residia próximo à Vila de Cimbres, e mãe de Palmira, casada com  Serafim de Brito da Ipojuca.

 

 Desde do início da década de 50, uma das artérias de Sanharó que dá acesso a Fazenda Canaã, leva o nome de Rua Joaquim Pinto.

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*Autor: PAULO JOSÉ ELIAS FOERSTER – É médico veterinário, membro da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária, escritor. cronista e Pesquisador Histórico…

 

HISTÓRIA & Curiosidades : Não saiu de graça A Independência do Brasil. Custou um dinheirão *

O Brasil tornou-se devedor da

Inglaterra durante muito tempo

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  Nossa independência custou dois milhões de libras

 

Engana-se quem pensa que bastou um grito para o Brasil garantir soberania como nação. Três anos de diplomacia – e muitas libras – foram necessários para que Portugal reconhecesse a nova condição da antiga colônia.

A aceitação lusitana era essencial para que o resto da Europa também respeitasse e fizesse transações comerciais com o jovem Império. Para isso, contamos com uma mão britânica – ou mais que isso.

O Tratado de Paz e Aliança, arranjado pela Inglaterra em 29 de agosto de 1825, definia que o governo brasileiro pagasse dois milhões de libras esterlinas como uma espécie de indenização à antiga metrópole. É de se imaginar quem emprestaria essa quantia para o pagamento.

No fim das contas, o dinheiro nem saiu da terra da rainha, pois Portugal já devia isso para os ingleses. A dívida foi apenas transferida e fez o império brasileiro perpetuar por um bom tempo a relação de devedor com a Inglaterra.

SAIBA MAIS:

História da Independência do Brasil, de Josué Montello

(Casa do Livro, 1972)

*Fonte: Almanaque Brasil

BRASIL NA HISTÓRIA : 23 de maio de 1932: MMDC – Mártires da Resistência *

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932,

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932,

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932, quando um grupo de populares participava de uma manifestação em oposição ao governo, na Praça da República: Mário Martins de Almeida, 31 anos, solteiro, fazendeiro, nascido em São Manoel (SP); Euclydes Bueno Miragaia, 21 anos, solteiro, auxiliar de Cartório, nascido em S. José dos Campos(SP); Dráusio Marcondes de Souza, 14 anos, ajudante de farmácia, nascido em São Paulo; Antonio Américo de Camargo Andrade, 30 anos, casado, 3 filhos, comerciário, nascido em São Paulo.

Por trás da reivindicação de uma nova constituição, havia a questão da política do café-com-leite, com a qual São Paulo sentia-se desprestigiada desde a Revolução de 30, com o golpe que impediu a posse de Julio Prestes.

O incidente deu origem ao Movimento MMDC, organização civil clandestina que concentrou o alistamento voluntário para quem depois oferecia treinamento militar, e foi o estopim para a revolução constitucionalista. A força de resistência constituída posicionou-se em frentes de combate nas divisas de São Paulo com Minas Gerais, com o Paraná e no vale do Paraíba. E no dia 9 de julho de 1932 deu-se início o conflito armado contra a ditadura. Intelectuais, industriais e estudantes, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático, excluído do governo por Vargas, pegaram em armas para lutar por São Paulo. Aguardaram em vão o apoio de outros estados. No dia 3 de outubro, as tropas paulistas se renderam diante da superioridade das forças federais.

Os rapazes tornaram-se mártires da revolta e anos mais tarde, o 23 de maio passou a constar no calendário oficial do estado paulista como Dia da Juventude Constitucionalista, em alusão à participação dos jovens na revolução.

Getulio Vargas 1945

Em 1930, Getúlio Vargas deu um golpe de Estado e assumiu a Presidência, em caráter provisório, mas com amplos poderes. O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e até as Câmaras Municipais foram fechadas. Os governadores dos Estados foram substituídos por interventores nomeados por Vargas. Nessa época São Paulo, que havia rompido com Minas a política do café-com-leite e que havia sido a principal base política do regime da Primeira República, era encarado como um foco oposicionista.

*Fonte: JB/Hoje na História

Homenagem: JOÃO SOARES SOBRINHO – O Homem e o Político

JOÃO SOARES SOBRINHO

"Deus é Fiel" - João Soares Sobrinho

“Deus é Fiel” – João Soares Sobrinho

Nascido na velha Capivara em 16 de maio de 1926, faria hoje, 87 anos. João ou Danda, pras os de casa era um predestino a quem Deus, na sua infinita sabedoria, deu-lhe o dom da diplomacia.

Fazenda Capivara de Pedro Soares de Siqueira

Foi vereador em dois mandatos, vice-prefeito duas vezes e prefeito por três mandatos.
Tem seu nome escrito na história da sua Sanharó como um homem digno e honesto.
Dedicou-se de corpo e alma e tinha grande zelo pela coisa pública. Foi um benemérito e um grande humanista. Na época em que se podia nomear sem concurso, foi através desse humanismo que empregou muitas pessoas. Alguns desses superfavorecidos depois lhes viraram às costas, numa demonstração de falta de gratidão e principalmente, de falta de caráter.

João Soares sempre foi maior do que tudo isso. Um homem sem mágoas e com total desapreço ao mercantilismo. Saiu da política maior do entrou em dignidade e honradez. Contudo, não fora a modestíssima aposentadoria como auxiliar administrativo da secretária estadual da fazenda e como salário mínimo do INSS, nada mais tinha de patrimônio físico/financeiro.

Nunca o vi reclamar de nada disso. Sobrava-lhe bom humor e amor ao próximo como exercício diário para superar algum desânimo que pudesse lhe abater.

João Soares - Danda. Amado pela família respeitado e admirado pelos amigos

João Soares – Danda. Amado pela família respeitado e admirado pelos amigos

A cidade por que tanto fez e amou ainda não lhe fez jus ao auferir uma obra pública que levasse seu honrado. Certamente que o tempo, senhor da razão, se encarregará disso. Aliás, esse desapreço por figuras importantes da história de Sanharó é algo abjeto. Mesquinho e injusto. Afora João Soares Sobrinho, outras figuras marcantes estão condenadas ao esquecimento por erro, omissão e má fé  dos que não deveriam cometê-lo.

Diz o dito popular: “Morre o Homem e fica a fama”. O valor dessa fama é intrinsecamente inferior, igual ou superior ao que efetivamente a pessoa faz jus. João Soares é detentor de qualidades que permitem que ele se inscreva na galeria das maiores figuras públicas do município de Sanharó.

Um Causo

De repente aparece Ramos (motorista) com alguns papeis à mão e o procura: “seu João. Me dê a chave do seu carro pra eu ir ali no posto de Serafim levar esses papeis para ele assinar. João, na tranquilidade que estava, continuo e apenas respondeu: ” de jeito nenhum. O carrim (opala verde) tá cansado. Chegou agora de Caruaru e tá ali descansando debaixo daquela algaroba e não sai dali pra ninguém. Se vire e procure outro”. Esse era o nosso João.

Dom Pablito
Editor

RESENHA : O Drama da Seca – Por Walter Jorge de Freitas *

UMA RESENHA DA SECA

 

O Arretirante retratado nos anos 50 no filme Vidas Secas. Hoje os Programas Sociais evitam o êxodo.

O Arretirante retratado nos anos 50 no filme Vidas Secas. Hoje os Programas Sociais evitam o êxodo.

Mesmo sem entender de que se tratava, cresci ouvindo o meu pai falando sobre a seca. Lembro-me, também, de seus comentários sobre o inverno, a colheita e a intensidade das chuvas, sempre fazendo comparações com os anos anteriores.

As irregularidades pluviométricas verificadas no Nordeste, levaram o governo federal a criar no início do século XX, o Polígono das Secas e o DNOCS. Foram, também, iniciadas as construções de grandes barragens na Região.

Luiz Gonzaga, já quase famoso, começa a propagar os efeitos da seca cantando Asa Branca de sua autoria e Humberto Teixeira, A Volta da Asa Branca, Vozes da Seca e Acauã, todas feitas em parceria com Zé Dantas, se assemelham a orações.

A Triste Partida, toada de Patativa do Assaré, foi gravada por Gonzagão já como Rei do Baião e atingiu em cheio os sofridos corações nordestinos.

O Jornal do Commercio do dia 14 de dezembro de 1957 divulga nota em que o DNOCS anuncia para janeiro de 1958, a inauguração do Açude Poço da Cruz, com capacidade para armazenar 500 milhões de metros cúbicos de água.

Deu no JC do dia 14 de abril de 1958: Chove forte desde ontem nos municípios agrestinos de Pesqueira, Caruaru e Garanhuns, segundo informações do DPV – Departamento de Produção Vegetal. Diante disso, os agricultores iniciam nos próximos dias, o plantio de milho e feijão.

o governo evita a fome com o Bolsa Família. Esqueceu do produtor rural e o gado morreu de fome...

o governo evita a fome com o Bolsa Família. Esqueceu do produtor rural e o gado morreu de fome…

O rebanho bovino do agreste foi quase que dizimado...

O rebanho bovino do agreste foi quase que dizimado…

O JC também noticiou no dia 02 de maio do mesmo ano: O governador Cordeiro de Farias viaja hoje para o Agreste a fim de verificar uma praga que vem atacando as plantações. Essa praga aconteceu após as fortes chuvas na região, principalmente em Pesqueira, estragando a plantação do tomate. O governador viaja em companhia de agrônomos do IPA e passará cerca de uma semana na região.

No mesmo ano, no dia 10 de junho, o JC publicou: Agricultores de Pesqueira estão preocupados e pedem ajuda ao governo estadual, para o combate da praga de gafanhotos nas plantações do tomate. O município é o maior plantador do tomate e os plantadores temem prejuízo total. O governo prometeu pulverizar as plantações que atingem mais de 500 hectares.

Nota-se, nas canções gravadas por Gonzagão o teor de tristeza em suas melodias e as lamentações contidas nas letras. Uma, porém, se destaca por condenar a prática de assistencialismo implantada já naquele tempo, quando o governo mandava alistar as pessoas atingidas pelas calamidades a fim de lhes enviar ajuda.

Em Vozes da Seca, os autores “puxam as orelhas” dos políticos com esses versos: “Seu doutor uma  esmola/a um homem que é são/ou lhe mata de vergonha/ou vicia o cidadão”.

Infelizmente, as advertências dos poetas e o clamor dos cidadãos, não comoveram os governos e estes, pouco realizaram para amenizar os efeitos da falta de chuvas numa região onde a agricultura, a pecuária e a agroindústria eram as principais atividades econômicas.

Resta-nos perguntar aos governantes de plantão: até quando as secas continuarão fazendo as suas vítimas e ao mesmo tempo, servindo de trampolim para os caçadores de votos?

Brevemente voltaremos a abordar o assunto, com dados mais atuais.

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* Autor: Walter Jorge de Freitas. Comerciante, escritor, poeta e pesquisar musical.

Pesqueira, 14 de maio de 2013.

Homenagem : O DIA DAS MÃES – Por Sebastião Gomes Fernandes *

Rosas em três cores

MÃE EXEMPLO DE AMOR E FÉ

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

 

Expressar gratidão a sua Mãe é necessário e indispensável. Mas, que aconteça todos os dias, com muito carinho e afeto! Como a expressão desse amor carecia de uma comemoração mais aplausiva e festiva criou-se o Dia específico dedicado as Mães.

A história relata que a mais remota comemoração do dia das Mães é mitológica. A entrada da primavera na antiga Grécia era festejada em honra a Rhea, esposa de Cronus e mãe de Zeus, considerada a Mãe dos Deuses.

No início do século XVII, a Inglaterra elegeu o quarto domingo da Quaresma dedicando-o às mães das operárias inglesas.

Este dia tornou-se público como o Mothering Sunday (Domingo das Mães). As trabalhadoras tinham folga para ficar em casa com as mães e levavam o mothering cake, um bolo, de presente para elas.

Os Estados Unidos, através das ideias de Julia Ward Howe, autora do hino do país, sugerindo uma data para a celebração do Dia das Mães em 1872. Seria, na concepção dela, um dia dedicado à paz.

Mas foi outra americana, Ana Jarvis, da Filadelfia, que em 1907 iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães.

Com a morte de sua mãe ficou em grande depressão. Inquietadas com aquele sofrimento algumas amigas tiveram a ideia de eternizar a memória de sua mãe com uma festa.

Pouco tempo depois a comemoração se alastrou por todo o país e, em 1914, sua data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson: dia 9 de maio, o segundo domingo de maio.

Em Portugal, ouve um tempo em que o Dia das Mães era comemorado a 8 de Dezembro, mas atualmente o “Dia das Mães é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria, Mãe de Cristo”.

No Brasil, o Dia das mães foi inserido pela Associação Cristã de Moços (ACM), em maio de 1918, mas, somente em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio e, em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.

Ser mãe é um privilégio que o Criador com sua admirável sabedoria concede a todas as mulheres. Todavia aquelas que são impossibilitadas de gerar em seu ventre uma criança lhes conferiram a graça e a capacidade de amarem incondicionalmente através do instinto materno de criar e amar os filhos de outras mães como se seus o fossem.

É a maternidade para a mulher um dom que a faz feliz, mas ao mesmo tempo, a torna responsável pela progressão da sua prole…

É você mamãe um ser bendito e carismático. Capaz de todo sacrifício em favor do bem-estar do filho (a) amado (a)! Você que não mede esforços no sentido de acompanhar, ver e sentir o pulsar vital daquele (a) que emanou de suas entranhas.

Mãe você é a mola mestra, o sustentáculo, o equilíbrio da vida familiar! Evidente que não importa a condição de mãe genitora ou de mãe que adota um filho (a) e que assumi o (a) criar, ordenar e satisfazer as necessidades básicas e necessárias à formação ética, moral, política e religiosa dos seus filhos. E olhe que tamanha carga! É evidente que a condição de família – marido – mulher, vida em comum -, não seja condição indispensável para o equilíbrio e o rumo que deverá ser orientado a seus filhos, mas sem sombra de dúvida é na família constituída e harmônica onde se conhece o amor maternal, o filial, o paternal, o fraternal, onde se concretiza o desejo de senti-los predestinados ao bem, tendo como alvo o de elevar e fazer crescer o outro, sem preconceitos nem inveja, mas, seguindo aquele princípio que Jesus Cristo nos deixou, “Ame a teu próximo como a ti mesmo e não faça aos outros o que não quer que façam contigo”.

Ser mãe ainda é cuidar, educar, corrigir, amar, disciplinar e, acima de tudo está pronta para sofrer, para suportar, a se doar sem nada pedir em troca, visando apenas o bem-estar e a segurança de um outro ser – o filho.

É na família onde se aprende a mais pura lição do amor de Deus, concebido no amor de mãe. E você mãe é merecedora de todo o carinho, de todo o amor e respeito não só no dia que lhe é dedicado, mas todos os dias, porque você é a incansável e brava mulher que parece ter fôlego de gato, você é forte como uma leoa quando em estado de fome ou na defesa de sua prole.

Por esta e outras razões é que os filhos têm não só o dever, mas a obrigação de agradecer, amparar, cuidar e supri todas as suas necessidades materiais e espirituais! Todos os dias de sua vida e em particular no Dia que lhe é dedicado.

É bom que se veja que o maior presente não está naquele de ordem material, mas certamente na maneira carinhosa, amável, afável e meiga com que se deve tratar nossa querida mãezinha!

Parabéns neste seu Dia!!!

Sebastião Gomes Fernandes de Jaquetão

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes, Escritor, Poeta e Cronista.

Presidente da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Efemérides da MPB: O silêncio da Divina Elizeth Cardoso *

A Divina Elizeth Cardoso

A Divina Elizeth Cardoso

“Até as deusas podem morrer. A ausência de Elizeth Cardoso silencia uma das mais belas vozes de nossa música popular, um oceano pacífico que por mais de 50 anos encharcou seus fãs de poesia e majestade. Foi única, não por se esforçar numa frenética busca de originalidade, vício de muita cantora atual, mas simplesmente porque imprimia em sua voz de contralto, arranhada de prussianos erres, a mesma fibra do caráter com que encarou a juventude pobre e os amores falidos”. Jornal do Brasil de 08 de maio de 1990.

Manchete de Elizeth Cardoso 07 de maio de 1990

A cantora Elizeth Cardoso, 69 anos, morreu numa clínica em Botafogo, no Rio, onde estava em tratamento de um câncer de estômago, doença contra a qual lutou nos últimos três anos. Velada no Teatro João Caetano, a portelense e flamenguista pediu que sobre seu caixão repousasse uma bandeira rubro-negra e outra do Cordão do Bola Preta. Assim se fez.

Uma das mais belas vozes da MPB, nasceu no Rio em 1920. Os fãs da boa música devem eterna gratidão a Jacob do Bandolin, que a descobriu 16 anos depois. O sucesso chegou com a gravação de Canção de Amor (1949). Em 54 anos de carreira, a dama que esbanjava classe nos palcos, gravou mais de 60 LPs, imortalizando composições de grandes nomes da MPB, como Ary Barroso, Cartola, Lamartine Babo, Noel Rosa e Paulinho da Viola.

Precursora da invenção da Bossa Nova

Foi em uma de suas fases românticas que Elizeth contribuiu para deflagrar o movimento musical que sairia das salas dos apartamentos da Zona Sul carioca para ganhar o mundo: a Bossa Nova. Misturando sua interpretação com a poesia delirantemente apaixonada de Vinicius de Moraes, as melodias e os arranjos de Tom Jobim, e a batida diferente de João Gilberto, lançou Canção do amor demais. Estranha a princípio, a combinação insólita se transformou num clássico. Era o anúncio da chegada de um samba diferente que encantaria com sua harmonia sintetizada na voz e no violão.

Para ver imagens históricas de Elizeth Cardoso, é só curtir a;

Fan Page do CPDoc JB!

*Fonte : Jornal do Brasil – Hoje na História/Lucyanne Mano

Livro/Homenagem; Famílias Pinto Bezerra & Foerster * – Por Paulo J E Foerster

 

 

 

Famílias Pinto Bezerra &  

Foerster

 Da Fazenda Pé de Serra A Canaã

 

 

 (Foto da Família Pinto Bezerra – apenas foram identificados o casal Joaquim/Águeda e o filho Manoel)

Apenas foram identificados o casal Joaquim-Águeda e o filho Manoel. Capa-do-livro-1-paulinho-Foersterdigitalizar0001-e1343776813183

(Registros do Livro)

F654f   FOERSTER, Paulo José Elias. Famílias

Pinto Bezerra  & Foerster:  da   Fazenda

Pé de Serra  a Canaã. Recife:s.e., 2011.

72p.;Il.

Inclui fotografias

  1. Genealogia

CDU-920

Introdução

 Conheço relativamente bem os últimos cem anos de história de Sanharó.  A segunda metade do século XX eu a vivenciei intensamente e a primeira metade da centúria tomei conhecimento através das narrações do meu pai, e do velho Joaquim Pereira, “moleque” criado pelo meu bisavô Joaquim Pinto, o qual posteriormente passou a ser vaqueiro do meu pai, Paulo Foerster.

Joaquim Pereira - "Moleque". Contador de estórias e causos...

Joaquim Pereira – “Moleque”. Contador de estórias e causos…

 

No início das noites frias de Canaã e de Sanharó, sentávamos em volta ao velho Pereira para ouvirmos as suas estórias de trancoso, ou estórias dos antigos costumes, das primeiras casas construídas em Sanharó, ou ainda das matas fechadas existentes nas redondezas, onde abundavam a baraúna, angelim, jucá, cabraíba, mororó, rabo de cavalo, cedro, freijó, aroeira, pau d’arco, jatobá, sem falar da jurema preta, rasga beiço e marmeleiro.

 

 Falava sobre as pescarias no rio Ipojuca, onde se pescava traíra, carito, jundiá, curimatã, piaba, e das brigas dos touros, quando o gado dos fazendeiros se encontrava no “Cote”,  bebedouro existente no leito rio Ipojuca.

 

Falava sobre a beleza do canto da passarada: pintasilgo, golinha, papa-capim, guriatã, sanhaçu, xexéu, canário, galo de campina, rolinha cafofa, caldo de feijão e fogo-pagou. Contava estória da onça que pegava os bodes, das raposas que comiam as galinhas, do guará que chupava cana e do gato – maracajá que pegava os pintos. Nos contava como se seguia as abelhas e como se tirava o mel das  mandaçaia, jandaia, uruçu, tubiba e jataí.

 

Hoje, onde  estão as matas? O homem derrubou para vender dormentes para a linha de trem da Great Western e plantar  pastos. Onde estão os peixes? Acabaram. Onde estão animais selvagens (onça, raposa, guará, os gatos – do – mato)? Desapareceram. Onde estão os pássaros?  Foram extintos. Onde estão as abelhas? Migraram.

Creio que uma das  mais importantes famílias, que partiu definitivamente de nossas terras foi a Apydae, cuja  espécie Trigona silvestriana, vulgarmente conhecida  por “Cú de Vaca” ou Sanharã ou ainda Sanharó. Palavra de origem tupi que significa zangado.

 Essa espécie de abelha é a nossa principal referência, mesmo emprestando o seu nome para nossa cidade  foi impiedosamente dizimada, porém continua a existir em outras regiões da América Latina.

 Junto com quase toda  flora e fauna, várias famílias sanharoenses de antepassados se  extinguiram  como: Torres Galindo, Cordeiro Fonseca, Pinto Bezerra e mais recentemente Nunes de Arruda, Guimarães, Pereira e os Carolina, das quais restam raros remanescentes.

 Provavelmente inúmeros sanharoenses, que por necessidade deixaram a mãe terra, carreguem no peito saudades das nossas tradições, do nosso passado, e por certo na solidão das noites, a dezenas de “léguas” de distância do torrão natal, transformam junto ao seu travesseiro, essas inquietantes recordações em solitárias lágrimas.

 Do Pereira, filho de ex-escravo, que tanto amou Sanharó, e de suas estórias, só nos restaram as lembranças, saudades e uma placa fixada com  seu nome em uma das ruas de Sanharó.

 As minhas saudades  levavam a reflexões sobre a nossa Sanharó, sobre as antigas casas de fazendas, suas famílias, tradições e costumes. No meu raciocínio, sonhei por perpetuar esses sentimentos através da escrita, para que as novas gerações saibam de onde viemos, quem somos e para onde vamos.

Fragmentos desses sentimentos estão aqui resumidos, através de famílias das quais me originei: Monteiro da Costa, Pinto Bezerra, Foerster, Cordeiro da Fonseca, Cordeiro de Farias, Cordeiro Valença, Almeida Valença, Medeiros, etc.

 

 

A Canaã de Ontem e de Hoje – Autor: Paulo J. E.Foerster

 

Era sabiá, craúna, galo de campina,

Pintassilgo, golinha, papa capim,

Azulão, asa branca, vim-vim,

Juriti, anum, arribaçã, cravina.

Era Xexéu, sanhaçu, caboclinho,

Rolinhas branca, cafofa, cardo d`feijão,

 Casaca de couro, tisiu, salta caminho,

Papa arroz e lagarta, canário, cancão

Guriatã, joão de barro, corduniz,

  Nambu, chorrochó e concriz.

Que bom, tanta passarada

A cantar na mata fechada

De cabraíba, angelim, juazeiro,

Feijó, rabo de cavalo, mulungu,

Angico, quixaba, jatobá, facheiro,

Mororó, marmeleiro, mandacaru,

Rasga beiço, trapiá, catingueira,

Canafista, pau d’arco e aroeira,

Hoje…. tudo, tudo se foi,

     Até a seriema e o sangue de boi

As matas se tornaram campina,

 Só restou pela providência divina

   Umbuzeiro, cedro, jurema, baraúna, jucá,

                 E lavandeira e rouxinol que continuam a cantá.

 

* Continuação

Paulinho Foerster em Amsterdan

 

Autor: Paulo José Elias Foerster.  Sanharoense. Alem deste escreveu As Famílias de Boa Vontade, É membra da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária.

Arcoverde: CINE TEATRO RIO BRANCO. 96 Anos – Colaboração de Pedro Salviano Filho *

Cine Teatro Rio Branco

O cine teatro Rio Branco após sua primeira restauração que aconteceu em 1941, quando passou a dispor de um serviço de alto falantes para propaganda interna, e 500 cadeiras. Foto do livro ÍCONES – Patrimônio Cultural de Arcoverde, de Roberto Moraes, 2008, pág. 62

O cine teatro Rio Branco após sua primeira restauração que aconteceu em 1941, quando passou a dispor de um serviço de alto falantes para propaganda interna, e 500 cadeiras. Foto do livro ÍCONES – Patrimônio Cultural de Arcoverde, de Roberto Moraes, 2008, pág. 62

Cinema Rio Branco como era  Cine Rio Branco como está

O cinema em Rio Branco teve início em 1917 por iniciativa de Augusto Cavalcanti ou Augusto Mouco como era mais conhecido. O historiador Luís Wilson o considera “o maior benfeitor, talvez, da cidadezinha de Rio Branco da sua época” (Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos, volume 1, de Luís Wilson, pág.363). Afinal foi ele quem proporcionou, em 1917, pela primeira vez, a luz elétrica, além do cinema. E a cidade o reverencia com nome de uma das suas ruas: http://bit.ly/12vRABX.

O Cel. Augusto (de Albuquerque) Cavalcanti (Augusto Mouco) e sua esposa Teodolina Freire, casados em 13 de novembro de 1919.  Fotos do livro Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos, de Luís Wilson, 1978, pág. 365 e 367.

O Cel. Augusto (de Albuquerque) Cavalcanti (Augusto Mouco) e sua esposa Teodolina Freire, casados em 13 de novembro de 1919. Fotos do livro Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos, de Luís Wilson, 1978, pág. 365 e 367.

Mas quem foi mesmo esse Augusto Cavalcanti?

Para precisar mais informações sobre ele, encontramos no livro de Registro de Matrimônios do cartório de Registro Civil do município de Rio Branco http://bit.ly/15v6uvxalguns dados desconhecidos ou pouco divulgados: Augusto Cavalcanti de Albuquerque(filho de André Cavalcanti de Albuquerque e Maria Emília de Albuquerque Cavalcanti – na ocasião já falecida), nasceu em 1882, e seu novo casamento, como viúvo, aconteceu no dia 13 de novembro de 1919, na Fazenda Tamboril, tendo como testemunhas os majores Tito Magalhães da Silva Porto e Joaquim de Albuquerque Cavalcanti Filho. Então com 37 anos de idade, casava-se com Teodolina Freire, solteira de 17 anos, filha do já falecido Antônio Freire e de Maria Pacifica de Souza Freire. Neste documento ficou declarado que todos os seus bens passavam para o casal, com exceção de uma parte da Usina Maria das Mercês (município do Cabo-PE) que, após sua morte, ficaria para suas sobrinhas solteiras.

O historiador Luís Wilson registrou no já citado livro, sobre Augusto Cavalcanti: “Falecido aos 45 ou 50 anos de idade, em 1921, no Recife, para onde viajara doente de Rio Branco, acompanhado do seu primo e velho amigo Dr. Leonardo Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti. Conta-se que foi envenenado depois que ingeriu, em casa, certa porção de cerveja, com algum alimento, dado por uma pessoa da família da moça bonita (dizem que a moça mais bonita que viveu naquele mundo). O velho apaixonou-se perdidamente e com ela se casou”. Confrontando os dados do registro, desconhecidos pelo historiador mencionado, ele deveria ter em torno de 39 anos quando morreu. Como curiosidade, encontra-se no mencionado livro de matrimônios, no dia 25 de agosto de 1917, na mesma residência no Tamboril, o casamento de sua irmã Teonila Freire, de 21 anos de idade, com João Santa Cruz. Anexo ao registro um documento http://bit.ly/11rFMhJ,

Certidão com ação de desquite, “já que Teonila Freire Santa Cruz entregou-se a prática de atos deponentes com vários indivíduos, inclusive José Mariano da Silva e que, por ciúme a sua esposa resolveu assassinar este. 12 de maio de 1941.”No Diário Oficial de abril de 1946 (Seção I 5458): “Teonila Freire Santa Cruz já cumpriu mais de 6 anos e 3 meses da pena de 24 anos de reclusão...”.Teolina e Teodolina também eram irmãs de Teodomira, Teodoreto, Teódulo, Teobaldo, Teoplisto, Teófilo e Teopompo Freire, como vimos, filhos do Antônio Freire (irmão de Severiano José Freire, de Ildefonso Freire etc. mais nomes de ruas de Arcoverde).

Com Teodolina teve um filho, André (http://bit.ly/13PxRjA), mas, porém, antes de chegar a Rio Branco, em 1915 ou 1916, como revela Luís Wilson, teve mais filhos: “Não sei se Augusto Cavalcanti deixou filhos com a alemã com a qual casou no Rio de Janeiro, tendo deixado de Teodolina um único filho (André), e com Francisca Josefa Maia… quatro filhos, criados pelos irmãos do coronel”… Já Teodolina casou, em segunda núpcia, com João Falcão e teve três filhos; e em terceira núpcia, com o cônsul do Uruguai,Antônio Melo Barreto (Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos. Vol. 3, Luís Wilson, 1978, pág. 1292).

O seu pai, André Cavalcanti de Albuquerque, nasceu em 1845. “Vivia já em Ipojuca [município no litoral], licenciado da Magistratura, quando veio a República e, por influência de D. Joaquim Arcoverde, naquela época Bispo do Rio de Janeiro (em 11 de dezembro de 1905 foi escolhido Cardeal Presbítero da Santa Igreja Católica Apostólica Romana), foi nomeado por Prudente de Morais, chefe da polícia da capital.Quando Campos Sales subiu ao poder, sendo indicado Sampaio Ferraz para a Chefia de Polícia, ainda por iniciativa de D. Joaquim, foi nomeado André Cavalcanti para a primeira vaga do Supremo Tribunal Federal”,conta-nos Luís Wilson.

O português Pantaleão de Siqueira Barbosa nasceu em 1716, chegou a Pernambuco em 1739 falecendo em 1785 (Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Luís Wilson, 1982, pág. 42).Teve seis filhos, o último deles Joaquim Inácio de Siqueira Barbosa que, casado com Maria de Jesus Bezerra Cavalcanti, tiveram 20 filhos (“Os 20 de Pesqueira”). Um dos filhos era José Camelo Pessoa de Siqueira Cavalcanti, pai do Ministro André Cavalcanti. Cita-se que José Camelo Pessoa de Siqueira Cavalcanti casou-se com Maria da Penha Cavalcanti, irmã de Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque Arcoverde, tornando-se pai do capitão Budá e avô do Cardeal Arcoverde.

O coronel Augusto Cavalcanti chegou a Rio Branco em 1915. “Em 1917, graças ao dinamismo e operosidade do Sr. Augusto Cavalcanti, é fundado o serviço de Iluminação Pública e Particular por eletricidade, realizando-se, assim, a concretização de um sonho por todos almejado, e um passo a mais no caminho do futuro” (O Município de Arcoverde – Teófanes Chaves Ribeiro, 1961: http://bit.ly/of9Jn6 pág. 3)

Os primeiros cinemas de Pernambuco começaram a funcionar em Recife: em 27 de julho de 1909, o “Pathé”, na Rua Barão de Vitória (Rua Nova), nº 45. Apareceriam depois o “Royal”, também na Rua Nova (dia 6 de novembro), o “Helvética”, na Rua da Imperatriz (março de 1910), o “Moderno” (1913)…
Em 1913 os cinemas já começavam a funcionar no interior: Palmares, Caruaru, Bezerros, Gravatá, Jaboatão, Barreiros, Garanhuns etc., como nos mostra o jornal A PROVÍNCIA.

Um cine-theatro Rio Branco também funcionou em Caruaru, naquela época.

Um cine-theatro Rio Branco também funcionou em Caruaru, naquela época.

Um cine-theatro Rio Branco também funcionou em Caruaru, naquela época.

O Cel. Augusto Cavalcanti era o proprietário da obra e encarregou Antônio Napoleão Pacheco de Albuquerque da administração e da construção do referido cine teatro que foi inaugurado numa sexta feira, dia 18 de maio de 1917 (Muirá Ubi. Arcoverde. Tradução, trajetória e talentos, Roberto Moraes, 2004, pág.52). Naquele dia os filmes anunciados para Recife eram:

Filmes anunciados para o Recife nessa data.

Filmes anunciados para o Recife nessa data.

Em 1919, o dono do cineteatro Rio Branco recebe a visita do seu pai, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Cavalcanti http://bit.ly/11WU2jJ. “Foi para receber o pai que o Coronel mandou construir [em 1918] uma de nossas mais belas casas de residência, algum tempo depois vizinha à feira de gado do Tamboril e onde esteve entre os anos de 1932 e 1936, em Rio Branco, as Obras Contra Secas.” (Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Luís Wilson, 1982, pág. 93).

Um movimento para a emancipação de Rio Branco do município de Pesqueira já estava se estabelecendo. “Assim, a começar do ano de 1919, uma plêiade de homens de boa vontade se movimenta, no sentido de emancipar o distrito, desligando-o e tornando-o independente. No cine local houve uma sessão muito agitada, tendo todos os presentes, que eram na sua maioria elementos do comércio, se comprometido a não mais pagar impostos ao município de Pesqueira. Jornais da capital do país publicaram notícias desse movimento emancipacionista, enviadas pelo então correspondente dos órgãos A NOITE e O JORNAL – Sr. Antônio Napoleão Arcoverde” (O Município de Arcoverde, 1961 – Teófanes Chaves Ribeiro, pág.4: http://bit.ly/of9Jn6 ).

Proprietários do Cine Rio Branco:

1917 – Cel. Augusto de Albuquerque Cavalcanti (Augusto Mouco).
1921 – Médico Dr. Leonardo Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.
1934 – José Cavalcanti de Araújo (Zezé de “seu” Santino).
1942 – Dentista Dr. Pedro de Albuquerque Pedrosa.
1957 – Químico industrial Prof. Nilson Magalhães de Oliveira
1978 – Henrique Napoleão Arcoverde
1998 – Centro de Apoio Comunitário de Arcoverde (CEACA)
2010 – Prefeitura Municipal de Arcoverde

Com a morte de Augusto Cavalcanti, o seu primo e velho amigo Dr. Leonardo Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti passa a ser o novo proprietário do cineteatro, que o arrendou a Sebastião Bezerra (http://bit.ly/oBR7Zf).

Os filmes exibidos, os atores, as séries, as companhias de teatro, o comportamento dos rio-branquenses no cinema, a preferência dos lugares, a animação dos filmes mudos pelo piano e flauta e tantos outros aspectos pitorescos estão bem registrados nos livros de Luís Wilson, alguns já citados aqui.

Foi no dia 23 de dezembro de 1934 que o cinema falado chegou ao Rio Branco. O exibido foi o filme musical inglês “Viena de Meus Amores” (Magic night), 1932 ,com Jack Buchanan (http://bit.ly/13FBZyV ) e Anna Neagle http://bit.ly/13FC7hD , e substituiu a anunciada comédia musical “O Meu Boi Morreu” (The Kid from Spain), de 1932, com Eddie Cantor e Lyda Roberti (http://bit.ly/13rUXZK ) .

Depois vieram as cores, novos sons e imagens, reformas etc. Na década de 30 tomou o nome de cine Globo por um período.
O Cine Rio Branco era também teatro até 1938 ou 1940”. (Minha Cidade, Minha Saudade – Luís Wilson, 1972, pág. 269).

Somente em 1º de junho de 1947 é que foi inaugurado o Cine Bandeirante (Cine Bandeirante. Histórias que o vento não levou. Fernando Figueiredo. 2012, pág. 23), quando o Cine Rio Branco já tinha completado suas três décadas.

Esta coluna, que teve seu início em 2009, com um texto “Memória do rádio” (http://bit.ly/13G1vUw), retoma o assunto CINEMA para acrescentar mais esclarecimentos, especialmente algumas compilações do importante historiador arcoverdense Luís Wilson, que tanta dedicação demonstrou nos seus livros ao “meu cine Rio Branco”, como ele costumava dizer.
Vale lembrar que, com o proprietário Nilson Magalhães de Oliveira http://bit.ly/ZXpU4O tivemos pela primeira vez um CINEMA DE ARTE em Arcoverde, numa parceria de sucesso com o programa da RÁDIO BANDEIRANTE DE ARCOVERDE (depois Rádio Cardeal Arcoverde) CINEMA NO RÁDIO.

Uma edição deste programa (de 27-2-1966) pode ser escutada em http://bit.ly/4wAq4F.No livro Baboseiras, de Waldemar Arcoverde, 1991, pág. 111 a 114, alguns comentários para aquele programa radiofônico. O Cinema de Arte funcionava nas manhãs dos domingos. Panfletos com a ficha técnica e a avaliação artística de “filmes de arte”, selecionados pela crítica, eram distribuídos na entrada do cinema e os espectadores apoiaram a iniciativa por um bom tempo.Nos anos 60 funcionavam três cinemas na cidade: http://bit.ly/12yeJTn .

A atual reestruturação desta especial casa de espetáculos permite que o Cine Teatro Rio Branco continue sendo o mais idoso (em funcionamento) da América Latina e, ao mesmo tempo, vem torná-lo um dos mais modernos, inclusive mantendo o seu perfil inicial de também apresentar peças de teatro, resgatando o grande carinho que seus espectadores sempre lhes dedicaram.

Mais artigos desta coluna: http://bit.ly/ysUcSY

*Fonte: Coluna Histórias da Região – Edição de Março/Abril de 2013 – Jornal de Arcoverde