Category Archives: Efeméride/Memória

Canetadas/Homenagem – Colégio Santa Doroteia – Por Jurandir Carmelo *

HOMENAGEM AO SANTA DOROTEIA

 

(05 anos depois…)

 

Texto republicado em homenagem aos 95 anos do Colégio Santa Doroteia. Foi postado originalmente no blog do Sinésio em 2009., quando o Colégio completou 90 anos.

 

Quando a Escola das normalistas de ontem chega triunfalmente aos seus 90 anos de existência, não poderíamos deixar de render uma homenagem, mesmo que singela ao nosso Colégio Santa Dorotéia.

Pelas suas bancas, em busca do saber, passaram pessoas nossas, tais como: Dona Ninfa Araújo de Oliveira (minha saudosa Mãe); Dona Maria Olímpia Albuquerque Araújo (minha saudosa tia-mãe); minhas irmãs queridas, Nalise e Yêda Carmelo. Em nova fase as filhas adoradas Micheline Morgana, Fábia Roberta e Izabel Áurea; Por lá, também, passaram minha respeitada cunhada Socorro Melo de Oliveira, esposa de Lídio, meu irmão caçula e, ainda os seus filhos, meus sobrinhos, igualmente, queridos, Paulo Augusto, Huguinho (Hugo Alexandre, prematuramente desaparecido aos 21 anos de idade) e Ana Lídia. Ainda, Rommel e Débora, filhos da minha irmã Yêda Carmelo. Mais tarde teve assento, também, em suas bancas, o meu querido filho e amigo Jurandir Carmelo Junior. Hoje, a família, na sua quarta geração, está representada pela neta VALENTINA CARMELO.

Em tempos idos tivemos a presença e o apoio das irmãs Doroteias, quando presidente da Junta Governativa do Centro Estudantil de Pesqueira – CEP, mais tarde no comando do Clube de Jovens de Pesqueira, ao lado de bons e queridos amigos, tais como: o sempre professor Alder-Júlio Calado (desse não se pode retirar o hífen), uma pessoa de rara inteligência e caráter firme; Adilson Simões Silva, agora Monsenhor, que sempre ostentou um serviço de profunda sensibilidade, seja na educação, seja na evangelização da doutrina de Cristo ao seu rebanho, ou na celebração da Santa Missa; Giovane Siqueira (nosso Diretor de Esporte, prematuramente falecido, jovem idealista e voltado ao fortalecimento dos desportos na nossa terra Pesqueira); Janete Cabral Viana (das terras sanharoenses, jovem possuidora de terna de infinita grandeza, amiga fiel e conselheira); Ivaneide Maia Brito (carinhosamente tratada por Bera Brito, nossa tesoureira, irmã do corajoso amigo-irmão Jonas Brito, que tanto sofreu em defesa da luta estudantil, da democracia e da liberdade); As irmãs Virginia, Neide e Fátima Barbosa (que nos incentivaram a não deixar parar o movimento estudantil, com o fechamento do CEP, fechado que foi, por determinação dos militares, durante a ditadura militar, A primeira Diretora do Departamento Estudantil; a segunda Diretora Secretária do CJP; A terceira, ainda, mocinha, ao lado de Jeane Freitas, administravam o Departamento Social; Norma França, Vice-Presidente (sempre presente nas iniciativas do CEP e do CJP); Tomaz de Almeida Maciel (nosso Diretor Cultural e de Imprensa, que com sensibilidade editava o nosso jornalzinho “O MUNDO JOVEM”).

Naqueles tempos, sob a perversidade do malsinado Decreto 477, nascido nas brenhas e nas moitas do, igualmente, malsinado AI5, que aprisionou sonhos, torturou e matou jovens estudantes, resistíamos à ditadura, que nos impôs o golpe militar de 31 de março de 1964, apoiado pelo fracionamento moral de alguns civis que venderam as suas almas, para se manter no poder político da Nação, fechando o Congresso Nacional, respaldando atos que feriam a dignidade pátria, a exemplo dos Decretos que determinavam o exílio de brasileiros que lutavam pelo restabelecimento do Estado de Direito, pela Liberdade e pela Democracia.

O CEP foi um forte instrumento naquela época. A sua luta era no sentido de manter acessa a chama da esperança dos jovens estudantes pesqueirenses. Era preciso continuar o trabalho de valorosos estudantes que nos antecederam. Fizemos movimentos, fomos às ruas de Pesqueira protestar. Fomos às ruas em defesa da cidadania, da liberdade e da democracia. Saímos às ruas em defesa dos professores do Ginásio Municipal de Pesqueira, que viviam ameaçados, com salários além de aviltados, atrasados. Prenderam-nos dentro do Ginásio. Mais conseguimos sair para ruas rumo à residência do Prefeito, quando protestamos, quando exigimos o devido respeito para com os nossos Mestres. O Sargento Viana, do Tiro de Guerra 171, que antes havia assinado o manifesto em favor dos professores, por ser um dos próprios, colocou a polícia nas ruas para dispersar o movimento dos estudantes, pedindo reforço por sinal ao contingente policial de Garanhuns. Por pouco Pesqueira não vira uma praça de guerra. Estudantes de um lado, policiais do outro, a serviço dos bajuladores de plantão e chaleiras do poder central. Mas entidades como a Associação dos antigos Alunos Cristo Rei – AACR nos ofertou o necessário apoiou com a presença marcante da coragem, de jovens como Silvio Lins, Gabinho, Antonio Torres, Hugo Chacon, entre outros.

Lutamos nas ruas e nas igrejas (orando) pelo nosso companheiro Jonas Brito, que estava preso no Recife, por integrar movimentos estudantis. Resistimos! Nas igrejas rezávamos pela liberdade do Jonas Brito. Havia a manifestação de protestos nas escolas, nas praças, nas ruas, nos bares. Resistimos e resistimos. Jonas Brito, algum tempo depois foi posto em liberdade. Festejamos a sua liberdade, aplaudimos a sua coragem. Jonas foi exemplo de fé, de lealdade, de valentia.

Essas resistências, esses protestos, levaram ao Sargento Viana, do Tiro de Guerra 171, de Pesqueira, apoiado pelo IV Exército, a fechar o CEP. Sim o CEP foi fechado! A sua sede foi desativada por militar e apoiada pelo Juiz da época. Mas continuamos resistindo. Proibiram-nos de promover quaisquer movimentos nos Ginásios e Colégios de Pesqueira, nas suas ruas, nas suas praças. Tentaram de tudo, mas não nos impediram de pensar, de criar caminhos alternativos.

Em importante reunião no COLÉGIO SANTA DOROTEIA com o apoio da sua ilustre e corajosa Diretora IRMÃ LIMA e com o aval e a sensibilidade de MADRE GUEDES, IRMÃ GAZINELLI, IRMÃ GOMES, IRMÃ FREITAS, entre outras, foi criado o CLUBE JOVEM DE PESQUEIRA. As irmãs protestaram! Na reunião dizia a irmã Gazzinelli: “ …os estudantes não podem ficar sem voz. O que eles fazem de mal? ” Irmã Lima, pediu uma audiência com o Senhor Bispo Mariano de Aguiar. Como já era esperado, tivemos o apoio decisivo do Senhor Bispo, que nos cedeu uma ou duas salas, no segundo andar do prédio do então Cine Pesqueira, pertencente à Diocese de Pesqueira. Mais tarde, o Clube Jovem de Pesqueira passou a funcionar na Rua 15 de Novembro (hoje Lídio Paraíba), na antiga sede da Pio União, com os mesmos objetivos do CEP. A sede foi cedida pelos franciscanos.

Deixamos a nossa marca. Criamos o Museu de Arte Sacra de Pesqueira; Criamos a campanha para o assentamento em madeira (taco) da quadra de Esportes do Colégio Santa Dorotéia. Conseguimos com o apoio e a sensibilidade do povo pesqueirense.

Casa para o povo do bairro do Matadouro. O nosso idealista e batalhador maior Adilson Simões Silva, sensibilizou a igreja internacional e conseguimos dá início a obra edificante do Bairro de Santo Antonio (Matadouro), com recursos de diversas comunidades internacionais e o apoio decisivo do Bispo Mariano de Aguiar.

Fomos mais adiante. Realizamos palestras, caminhadas para alertar a juventude pesqueirenses dos perigos que a ditadura militar nos oferecia, na sua essência maligna de perseguir, prender, torturar e matar jovens estudantes nos quadrantes da Pátria Mãe.

Realizamos a CAMINHA DA ESPERANÇA, com o apoio da AACR. Muitos dos lugares a que buscamos para nos reunir foram negados pelos seus proprietários, seus donos, seus diretores, simpatizantes e apoiadores do golpe militar, etc. Mas a coragem de Senhor RAIMUNDO HOLANDA, pai do nosso querido amigo-irmão Bruno Holanda, fez com que o mesmo cedesse a FAZENDA QUATRO CANTOS para o encontro da CAMINHADA DA ESPERANÇA, que objetivava (e objetivou) discutir novos rumos para a nossa juventude. Três palestrantes chaves: Padre Zé Maria, que sempre apoiou os estudantes pesqueirenses; Irmã Lima, então Diretora do Colégio Santa Dorotéia, que nos abria os caminhos; e o Senhor bispo Severino Mariano de Aguiar, com a forte presença no meio estudantil. Foi aí que a coisa ficou PRETA, melhor dizendo: “VERMELHA”. Fomos chamados ao Tiro de Guerra 171. Tínhamos de depor perante o Sargento Viana. As presenças de Padre Zé Maria e, principalmente, do Senhor Bispo Mariano de Aguiar na CAMINHADA DA ESPERANÇA, foram interpretadas como sendo uma afronta aos ditadores de plantão. Saímos pela resistência e pela coragem. Mas ficou a perseguição em escola, na vida enfim. Esse fato foi bem colocado por Alder-Júlio Calado no seu corajoso discurso no dia do ato inaugural do Museu de Arte Sacra. Tanto assim, que tivemos uma audiência especial com dom Hélder Câmara que nos incentivou e encorajou o nosso movimento, logo após a inauguração do nosso museu.

Vamos relatar agora um fato engraçado e interessante. Aliás, esse se tornou perigoso. O então seminarista Adilson Simões, queria dá mais brilho ao ato inaugural do Museu de Arte Sacra, para o qual convidamos o eterno Bispo Vermelho – (Vermelho, que representava o sangue de tantos brasileiros que tombaram no bom combate contra a ditadura, na permanente luta pelo restabelecimento do Estado de Direito, pela Liberdade e pela Democracia). DOM HÉLDER CÂMARA aceitara o nosso convite. Tudo pronto para a chegada do Dom da Paz. (O ato inaugural está registrado no livro PESQUEIRA SECULAR, inclusive ilustrado com foto onde se vê na parte de dentro do museu, o, ainda, universitário Silvio Lins, o então seminarista Adilson Simões e Jurandir Carmelo, àquela época Presidente do CJP. Na parte de fora o Arcebispo dom Hélder Câmara e o quarto bispo de Pesqueira, dom Severino Mariano de Aguiar, cortando a fita inaugural). Pois bem, resolvera Adilson Simões, a título de empréstimo, ir buscar a imagem de Nossa Senhora das Montanhas, na Igreja da Vila de Cimbres. Conseguiu trazê-la. Não passou meia hora no Museu. Os índios da Serra do Ororubá desceram em “revoada”, e na frente do Seminário São José (residência do Bispo) fizeram um protesto, levando de volta a imagem da Santa Padroeira. Adilson levou uma bronca de dom Mariano que com certeza jamais esquecera.

Mas, antecedendo o ato inaugural do Museu de Arte Sacra, Dom Hélder proferiu uma palestra à juventude de Pesqueira, no auditório do então Cinema Moderno, cedido gentilmente por “seu” GILBERTO PITA MACIEL, sob os protestos de alguns senhores e senhoras da cidade, muitos com assento. Mas, a grande força para o sucesso da palestra foi o decisivo apoio do COLÉGIO SANTA DOROTEIA – (o primeiro a apoiar a iniciativa da palestra), principalmente, através de sua então Diretora IRMÃ LIMA. Mais tarde, tivemos o apoio do professor Paulo Melo, então Diretor do Colégio Comercial Municipal de Pesqueira. O auditório esteve lotado, com aplausos e mais aplausos ao eterno HÉLDER CÂMARA

Hoje, quando celebramos os 90 ANOS DO COLÉGIO SANTA DOROTEIA não poderíamos deixar de reconhecer o incentivo e a coragem de IRMÃS DOROTEIAS, na importância da efetiva participação na formação religiosa, educacional, cívico e moral da nossa juventude. Assim homenageamos a cada uma delas, nas pessoas carismáticas e sensíveis de MADRE GUEDES E IRMÃ GAZINELLI, e, especialmente, da IRMÃ LIMA, esteja onde estiver.

Peço licença ao Mestre Potiguar Matos, hoje na sua morada celestial, mas não poderia encerrar estas CANETADAS sem usar uma de suas mais lúcidas expressões sobre o “COLÉGIO SANTA DOROTEIA”, quando em emocionante discurso proferido na Câmara de Vereadores de Pesqueira, nas festividades dos seus 70 ANOS, asseverou:

“…E O COLÉGIO SE FAZ GENEROSO PARA ABRIGAR OS FILHOS DESTA TERRA. ACOLHE-OS NA CERTEZA DE ESTAR ACOLHENDO OS “SONHOS” QUE OS PAIS SONHAM PARA SEUS FILHOS. O SANTA DOROTEIA É, DE FATO, UMA PRESENÇA NA VIDA DESTA CIDADE, NA VIDA DE CADA LAR ONDE SE DESDOBRAM, EM FRUTOS, AS LIÇÕES, OS ENSINAMENTOS, OS IDEAIS ACALENTADOS E RENOVADOS NA RELAÇÃO PEDAGÓGICA DO DIA-A-DIA (…)”.

PARABÉNS AO COLÉGIO SANTA DOROTEIA! PARABÉNS ÀS IRMÃS DOROTEIAS! PARABÉNS A TODOS OS SEUS EX-ALUNOS, MAS, ESPECIALMENTE, ÀS ETERNAS NORMALISTAS, AQUELAS DAS SAIAS PLISSADAS E DAS BLUSAS BRANCAS!

PARABÉNS, ENFIM, A TODOS QUE CONTINUAM ESSA GRANDE OBRA. VIVA OS 95 ANOS DO COLÉGIO SANTA DOROTEIA! VIVA PESQUEIRA!

* Autor: Jurandir Carmelo – Jurandir é pesqueirense, advogado, cronista, colaborador assíduo do OABELHUDO, defensor intransigente de tudo que se refere à história de Pesqueira.

(Obs; Por motivos técnicos o blog não está postando FOTOS ilustrativas ao texto)

Pernambuco/História: Agamenon Magalhães – “A política é a arte de engolir sapos” *

Agamenon Magalhães

 

 

Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães, nasceu em 5/11/1894 e faleceu em 14/8/1952

Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães, nasceu em 5/11/1894 e faleceu em 14/8/1952

“A política é a arte de engolir sapos”.

(Agamenon Magalhães)

…o ex-governador residiu na casa número 141, da rua da Amizade, vizinha à Praça do Entroncamento. E seus inimigos políticos passaram a chamar aquela rua de “rua do Ódio”.

Na madrugada do dia 24 de agosto de 1952, no entanto, aos 58 anos de idade, um enfarte fulminante tira a vida de Agamenon.

 

agamenon magalhaes foto pequena

 

  –  O professor, administrador e político Agamenon Magalhães, que não tinha medo de guerra nem de assombração, sempre costumava dizer:

  –  “O homem é mortal, eis tudo. Eis o limite do seu poder.”

 

No dia 5 de novembro de 1894, na antiga cidade de Vila Bela no sertão pernambucano, hoje Serra Talhada, nascia Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães. Ele vinha de uma família de dez filhos, sendo quatro homens e seis mulheres. Era filho de Antônia de Godoy Magalhães e Sérgio Nunes de Magalhães, um juiz de Direito da Comarca de Jatobá de Tacaratu, futuro município de Petrolândia.

Após a promulgação da Lei Aúrea, mas ainda sob o impacto da Revolução Industrial, viviam-se os tempos das grandes oligarquias rurais e urbanas, da cultura dos bacharéis, onde o Brasil parecia mais um grande feudo, onde o poder se concentrava nas mãos de uma trindade deveras privilegiada: o juiz, o fazendeiro-coronel e o padre.

Tal poder, vale salientar, foi responsável por uma injustiça praticada contra a família Magalhães. O Dr. Sérgio havia assinado um pedido de habeas corpus em favor de Delmiro Gouveia, um industrial que preconizava a industrialização do Nordeste e tinha entrado em conflito com as oligarquias locais. O governador Segismundo Gonçalves, contrariado com tal pedido, colocou o juiz em disponibilidade, deixando-o, além do mais, com apenas uma terça parte dos seus vencimentos.

Diante do ocorrido, a família veio de mudança para o Recife. Na época, Agamenon tinha 11 anos de idade. Adolescente, ele vai estudar no Seminário de Olinda, tentando seguir a carreira eclesiástica, porém, lá não consegue permanecer mais que dois anos. Ingressa no Ginásio Pernambucano (situado à beira do rio Capibaribe, na rua da Aurora), e, depois, na Faculdade de Direito, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1916.

Após a sua formatura em Direito, é nomeado promotor público da comarca de São Lourenço da Mata. Agamenon entra no Partido Republicano Democrata (PRD), elegendo-se deputado estadual em 1918. Aos 29 anos de idade (em 1922), o jovem bacharel passa em um concurso para a cátedra de Geografia e Corografia, no Colégio Estadual, apresentando a tese O Nordeste brasileiro (o habitat e a gens). Portanto, além de advogado ele se torna professor de Geografia, imprimindo a esta disciplina um aspecto mais humano e, renovando-a, por outro lado.

No começo do século XX, o Governo brasileiro construiu as ferrovias e a empresa Great Western, o maior símbolo do capital estrangeiro em todo o Nordeste, ficou a cargo da exploração do transporte de cargas e de passageiros. Naquela época, ninguém ousava questionar a soberania do referido truste inglês.

Em 1928, porém, o deputado Agamenon Magalhães denuncia, como extorsivo, o aumento das tarifas para os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, defendendo o direito dos consumidores recifenses. Tal acréscimo no preço do transporte, que o Governo brasileiro havia aprovado, contribuíra para elevar os preços de alguns produtos fundamentais da cesta básica da população: o bacalhau, a charque, o feijão e a farinha.

Agamenon inscreve-se em outro concurso público, desta vez, em Direito Internacional, faz as provas e volta a se classificar, tornando-se professor no mesmo lugar em que fora aluno: a Faculdade de Direito do Recife. Contando então com uma carreira profissional em plena ascensão, ele se casa, em 16 de junho de 1929, e tem três filhos.

No dia 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas assume o poder, substituindo uma Junta Militar formada pelos Generais Mena Barreto e Tasso Fragoso, além do Almirante Isaías Noronha. Defendendo o sistema parlamentarista, Agamenon participa da Constituição de 1933. Quando a Constituição de 1934 é promulgada, Getúlio o convida para assumir o cargo de Ministro do Trabalho.

Naquela época, cabe salientar, o cenário político se apresentava bastante efervescente, e as oligarquias rurais assinalavam os rumos do País com punhos de ferro.

Leia Íntegra:

http://goo.gl/85yKK0

* Fonte: Portal ONordeste – pesquisaescolar@fundaj.gov.br 

Brasil/História: “Deixo a vida para entrar na História” – 60 anos da morte de Getúlio Vargas *

 

 

 

Suicídio do ex-presidente

Getúlio Vargas completa 60 anos

 

Presidente Getúlio Dornelles Vargas no Palácio do Catete (RJ). Deixou a vida e entrou na História

Presidente Getúlio Dornelles Vargas no Palácio do Catete (RJ). Deixou a vida e entrou na História

getulio vargas fotos de smonkinggetulio e eurico gaspar_dutra_final

(Getúlio Vargas. Foto oficial e com o seu ministro da guerra – Eurico Gaspar Dutra que viria a ser, também, Presidente do Brasil)
 

“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. A frase, uma das mais célebres passagens da história política brasileira, encerra a carta-testamento deixada por Getúlio Vargas. Há 60 anos, no dia 24 de agosto de 1954, o então presidente tirou a própria vida em meio à pior crise enfrentada em seus anos de atuação política.

Uma reunião com os ministros no Palácio do Catete varou a madrugada e decidiu que Getúlio se afastaria do governo por três meses para dar lugar ao vice, Café Filho. Após o fim da discussão, já com o dia claro, o político se recolheu ao seu aposento. Por volta das 8h35, o barulho de um tiro ecoou pelo palácio. Seu filho Lutero correu para o quarto, seguido pela esposa de Vargas, Darcy, e a filha Alzira.

“Getúlio estava deitado, com meio corpo para fora da cama. No pijama listrado, em um buraco chamuscado de pólvora um pouco abaixo e à direita do monograma GV, bem à altura do coração, borbulhava uma mancha vermelha de sangue. O revólver Colt calibre 32, com cabo de madrepérola, estava caído próximo à sua mão direita”.  É assim que o biógrafo Lira Neto descreve o cenário da morte de Vargas no terceiro volume da série Getúlio.

A carta-testamento de Getúlio Vargas, que seria lida durante aquele dia pelas rádios em todo o território nacional, foi encontrada em um envelope, encostada ao abajur da mesinha da cabeceira da cama do então presidente. Nos apontamentos do biógrafo, o texto, originalmente esboçado por Getúlio, teve sua versão final passada na máquina de escrever pelas mãos de um amigo, José Soares Maciel Filho, já que o ex-presidente não sabia datilografar. O rascunho da carta havia sido encontrado no dia 13 de agosto pelo major-aviador Hernani Fittipaldi, um dos ajudantes de ordem de Getúlio, enquanto arrumava a mesa do presidente.

Assustado com o conteúdo do manuscrito, ele entregou o papel à Alzira, que questionou o pai. “Não é o que estás pensando, minha filha. Não te preocupes, foi um desabafo”, se esquivou Vargas. Essa porém não foi a primeira vez que Getúlio fez menção ao suicídio. Em suas anotações pessoais, ele já havia cogitado tirar a vida em outros momentos de sua jornada política.

A primeira delas foi quando chegou ao poder em 1930. Naquela data, enquanto se encaminhava para a sede do governo, se disse disposto a não retornar com vida ao Rio Grande do Sul caso não obtivesse sucesso na empreitada. Era a primeira anotação pessoal que fazia no diário que carregou para o resto da vida. Lira Neto considera que a diferença em 1954 é que Getúlio se viu encurralado e não conseguiu contornar a crise, como das outras vezes.

Depois de chegar ao poder na liderança do movimento que ficou conhecido como Revolução de 1930, o político gaúcho Getúlio Dornelles Vargas exerceu o governo no país de forma ininterrupta até 1945. De 1930 a 1934 ele foi chefe do governo provisório. Em 1934 foi eleito presidente da República pela Assembleia Nacional Constituinte e exerceu o Governo Constitucional até 1937, quando, por meio de um golpe, instaurou a ditadura do Estado Novo, que durou até 1945. Retirado do comando do país por um golpe militar, se recolheu à cidade natal, São Borja (RS), de onde articulou a volta ao poder pela via democrática nas eleições presidenciais de 1950, cujo mandato não conseguiu completar.

* Fonte; AEB/Leandro Melito – Repórter do Portal EBC

Movimento Cultural/Crônica: Meu pé de Carambola – Por Margarida Maciel *

O pé de carambola, a menina. a vida, o sonho, a crônica, a emoção...

O pé de carambola, a menina. a vida, o sonho, a crônica, a emoção…

O meu pé de Carambola

 

“…de tanto fazê-lo, eu sabia exatamente onde colocar os pés, alternando com as mãos, pegando os galhos mais fortes até encontrar aquele “galhão” achatado onde me sentava e, sentada na “poltrona da minha sala”, ficava a chupar as doces carambolas naquele pedacinho de céu, só meu.”

“…Que lindo quando chegavam algumas borboletas ou bem-te-vis para beijar as flores, eu mal respirava para não afugentá-los e desfrutar também daquele momento mágico, quase divino.”

“…O meu pé de carambola era o meu grande amigo e confidente, o meu refúgio, o meu lar encantado. Lá, também, eu ia estudar e inventar canções na minha meninice…”

“…Meu pé de carambola foi arrancado até a raiz, na realidade, foi o meu primeiro sonho desfeito, assim como tantos outros que nos são arrancados pela vida afora…”

No quintal da minha casa tinha um frondoso pé de carambola. Essa árvore é portanto, “a cara” da minha infância. Acredito que quase todos têm uma história com árvore para contar do tempo de criança.

Lembro bem dos tempos de safra, quando mamãe nos mandava (eu e minha irmã Mirian que éramos as mais corajosas) tirar as belas espécies, maduras ou inchadas para dar as amigas e também a Tadeu da carroça de confeitos para ele vender. Sobrava ainda para dar a toda vizinhança. Era um prazer, quase uma festa, levar as carambolas para todos e ouvir: “Diga a Carmen que muito obrigada, minha filha”.

Mamãe aproveitava para fazer “ponche”, tendo o cuidado de tirar a parte fininha de cima dos seus gomos que deixam “ranço”. Fazia também um doce muito saboroso no qual as carambolas ficavam parecendo uma ameixona preta no mel queimado.

Aquela caramboleira foi palco das minhas brincadeiras. Brincava de fazer remédios, perfumes, cigarro, etc. com as suas folhas que também, dependendo da cor, servia de dinheiro e troco na minha vendinha imaginária, onde despachava a preços variados, a mercadoria as minhas freguesas: as galinhas, que também faziam parte do quintal. Faziam fileiras com os besouros chamados “soldadinho”, formando um batalhão e tantas outras brincadeiras do imaginário fértil de toda criança.

Para descer ao quintal, tinha uma porteira de arame. Para ir lá, primeiro eu tinha que pedir a papai para prender “um tal” galo branco que compraram, brabo que só ele. Tinha uns esporões que davam medo e que só respeitava “Seu Hilson”, como ele mesmo dizia. O galo era um verdadeiro bandido na minha cabecinha cheia de cenas de filmes de “Farwest”.

O lavador de roupas, embaixo do pé de carambola ficava lá em baixo, quando eu, lá em cima, alcançava o topo da árvore. Era uma verdadeira escalada para chegar até lá, porém, de tanto fazê-lo, eu sabia exatamente onde colocar os pés, alternando com as mãos, pegando os galhos mais fortes até encontrar aquele “galhão” achatado onde me sentava e, sentada na “poltrona da minha sala”, ficava a chupar as doces carambolas naquele pedacinho de céu, só meu.

Era gostoso quando o vento balançava. Quando isso não acontecia, eu mesma fazia o papel do vento e assobiava, assobiava para que ele viesse. Que lindo quando chegavam algumas borboletas ou bem-te-vis para beijar as flores, eu mal respirava para não afugentá-los e desfrutar também daquele momento mágico, quase divino.

Certo dia, convidei minha prima Giselda para “escalar a montanha” comigo. Como ali as horas passavam sem se perceber, chegou o entardecer, foi quando nos apercebemos da hora. Ao chegar em sua casa ela encontrou a família aflita a sua procura.

Tinha uma galha enorme que dava para o telhado do vizinho. Eu, imitando a macaca Chita do Tarzan, atravessava o telhado. De repente ouvia: Tum!… Era uma telha quebrando, e eu, desconfiada que só, procurava consertar colocando um caco por cima do outro e, mais cuidadosamente, prosseguia minha jornada até chegar em cima da parede do portão grande que dava acesso para a Rua Barão de Vila Bela, ou “Rua de Trás” onde morava a maioria das minhas amigas.

cademia e a menina brincando amarelinha

Dali podia ver as pessoas passando e na maioria das vezes o “meu diabinho” me tentava e eu começava a atirar pedrinhas soltas da parede nas pessoas que passavam. Sem que soubesse de onde vinham, ficavam procurando. Aquilo era pura emoção! Podia ver ainda um montão de coisas: A janela onde, lá dentro, estavam D,Diva e Judite costurando; a casa de Paulo de Oliveira onde D Ninfa e “tia” Maria Olímpia sempre estavam atrás de Jurandir Carmelo e irmãos; Clarice voltando dos Correios; as janelas verdes da casa de Vó Anunciada, tia Quita (braba que só ela) e a linda Tia Gustinha (minhas espiãs); a casa de grade de D. Maria de Severino Duda, Luis Barrão chegando do sítio com pencas de bananas do sítio, etc. Via também se minha turminha estava jogando “queimado”, pulando corda ou “academia”. Caso estivessem, eu descia correndo para lá.

O meu pé de carambola era o meu grande amigo e confidente, o meu refúgio, o meu lar encantado. Lá, também, eu ia estudar e inventar canções na minha meninice. Mas, como tudo na vida tem um fim, também num dia nefasto, mamãe disse que era preciso cortá-lo para aproveitar o terreno e construir um escritório de Contabilidade para meu irmão Jorge, mais que não fosse em tempo de safra para não “doer” muito. Era para uma boa e justa causa. A partir dali, eu olhava minha caramboleira com um enorme nó na garganta e uma imensa saudade antecipada. Me despedia dele abraçando-o e beijando as suas folhas.

Seus galhos e seu grande tronco escuro no chão ainda estão gravados na minha retina e memória, bem como as lágrimas que apressadas corriam na minha face corada de criança ao ver, persistentes, algumas florzinhas inocentes que seriam minhas futuras carambolas, agarradas nos ramos. Nem sei quanto tempo passei sem ir novamente ao quintal.

Meu pé de carambola foi arrancado até a raiz, na realidade, foi o meu primeiro sonho desfeito, assim como tantos outros que nos são arrancados pela vida afora. Mas, mesmo assim, minha doce caramboleira continua enraizada, eternizada e “grudada” na minha existência, relembrando quando mamãe dizia ao anoitecer: “Margarida, vem tomar banho! Vê se “desgruda” desse Pé de Carambola!”.

  MARGARIDA MACIEL RAMALHO nova foto

* autora: Margarida Maciel  –  Margarida Maciel Ramalho é pesqueirense, professora, colaboradora do OABELHUDO, cronista, poetisa, compositora e cantora.

Recife, Antigo & Cultural: Hotel Central – Tombamento à vista *

Hotel Central

Tombamento à vista

HOTEL  CENTRAL  foto antiga  1910hotel central foto da fachada ao longe

PATRIMÔNIO Hotel Central, na Boa Vista, tem estrutura física avaliada. Se o pedido for aprovado, será mais fácil restaurar o edifício

Há 74 anos ocupando a esquina da Avenida Manoel Borba com a Rua Gervásio Pires, na Boa Vista, Centro do Recife, o Hotel Central está mais perto de ter sua fachada restaurada. Com o processo de tombamento iniciado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) desde 2010, o imóvel que já chegou a hospedar Getúlio Vargas e Carmem Miranda agora passará por um exame técnico que irá precisar as condições da estrutura física. O parecer é decisivo para aprovar a proteção do prédio pelo Estado.

Mesmo sem a conclusão do processo, o hotel já está protegido, garante a Fundarpe. “Com o início das etapas do tombamento o imóvel já fica sob proteção. O parecer técnico será uma avaliação conclusiva para então ser encaminhado ao conselho de cultura, que irá decidir sobre o tombamento”, explica a chefe da unidade de preservação da Fundarpe, Rosa Bonfim.

Hotel Central na Av Manoel Borba - 74 anos de história

Hotel Central na Av Manoel Borba – 74 anos de história

Segundo ela, já existe um material de estudo sobre as condições estruturais e características do hotel, mas ainda é preciso uma avaliação minuciosa que pode revelar, inclusive, a cor original da fachada, hoje cor-de-rosa. O exame técnico, no entanto, não tem prazo para ser concluído, já que a Fundarpe precisa atender outros imóveis que também estão em processo de tombamento.

Com a aprovação do tombamento, será mais fácil levantar recursos públicos e privados para restaurar o prédio, que hoje apresenta infiltração nas paredes. Com o apoio do produtor cultural Saturnino Araújo, o proprietário do imóvel, Kerginaldo Magalhães, solicitou R$ 250 mil ao Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) para as primeiras intervenções de restauro da fachada. Posteriormente eles também pretendem restaurar o interior do imóvel, mas com apoio privado através da Lei Rouanet.

HISTÓRIA

Com quase dois mil metros quadrados de área construída distribuídos em oito pavimentos, o Hotel Central chegou a ser o prédio mais alto da cidade. Sua fachada foi criada num estilo eclético e a arquitetura unia azulejos alemães e espelhos ingleses. Sua construção durou 12 anos, sendo inaugurado em dezembro de 1939.

No início da sua história, era destino certo de grandes personalidades que vinham ao Recife, inclusive estrangeiros, como o cineasta americano Orson Welles. Hoje o hotel possui 58 quartos disponíveis para hóspedes, na maioria estudantes, concurseiros e pacientes do interior do Estado.

* Fonte: JC/Domingo-Cidades

Crônica:”Ai que saudade que eu tenho/das noites tão brasileiras…” – Por Seu Regi *

São João do Carneirinho

 

sao joao do carneirinho

trio forró-pe-de-serraFogueira

 

 

Tradicional festa de Pesqueira, o São João era a festa tão esperada, porque era a festa do povo. A cidade com uma população relativamente pequena, em que quase todos se conheciam, consequentemente quase todos participavam. A festa se estendia por todas as ruas, em todas havia fogueiras, bandeirolas, barracas cobertas com folhas de bananeiras e quase todas tinham suas quadrilhas formadas por velhos, rapazes e moças. Era uma noite em que o pipocar dos fogos soava como música vindos de todas as direções. A meninada soltando estrelinhas e os mais velhos soltando peido de velha, rojão e foguetes.

Como era bonito ver os balões coloridos pelo céu. Também neste dia as moças casadeiras procuravam segundo a tradição enfiar uma faca virgem em uma bananeira ou mesmo deixar cair pingos de vela em uma bacia com água para ver se formando o nome dos seus futuros maridos o que era motivo de muitas gargalhadas ou frustrações para aquelas em cujos pingos não formavam nome algum. As famílias tinham a maior satisfação em receber em suas residências os parentes e amigos para comer os pratos da época: canjica, bolo de milho,pamonha, cuscus de coco bolo de pé de moleque ou massa de mandioca.

Para os homens nada melhor que uma garrafada feita a base de mel de abelha e cachaça. Era uma verdadeira romaria de casamento matuto com noivo e noiva, cada um se enfeitando de modo que parecessem o mais amatutado possível, montados em cavalos, jumentos, charretes ou mesmo carro de bois. As noivas vestidas de chita, saia de armação e muito batom e ruge na cara, enquanto os rapazes vestiam uma calça remendada, uma camisa xadrez e pronto estavam todos caprichosamente preparados para brincar e dançar a noite inteira. Havia de tudo e para todos os gostos, festas nos clubes, nas ruas ou nas próprias casas. As quadrilhas marcadas por Salvador das Montanhas que se esforçava para organiza-las o que era uma tarefa impossível pois muitos não tinham a menor idéia do que fazer diante do comando do caminho daa roça, anarriê, o túnel, etc. E a confusão era grande, mais motivo pra piadas e muita risada.

No prado, o coco de roda do Mestre Dodo e Mané Dotô, o que a todos alegrava e fazia o suor pingar em pleno inverno. E a festa entrava de noite a dentro. As ruas disputando qual receberia a taça que na verdade era apenas um incentivo.

(Noites brasileira) Gonzagão/Gonzaguinha e Fagner)

Havia a corrida da fogueira geralmente constituída por soldados do tiro de guerra. Os doidos que geralmente há em toda parte, ficavam pulando as fogueiras enquanto eram realizados os famosos ”batizados da fogueira” em que os afilhados conservavam o apadrinhamento mesmo depois de passadas as festividades. Era o São João da minha terra onde todos se confraternizavam também através da dança das quadrilhas onde a troca de par permitia que todos se tocassem, numa euforia contagiante, sem distinção de sexo, idade ou classe social.

Não havia palco, microfone ou artistas de fora, era tudo na base da garganta. Os sanfoneiros eram quase que recrutados, bastando saber tocar uma sanfona, um triangulo ou um bombo e estava formado o trio que tinham os nomes mais sugestivos, como um que se chamava “Dois com fome e um com sede”, Esse era o São João da minha terra que tanta saudade deixava quando o dia amanhecia e quase todos se retiravam, ficando sempre aqueles que já devidamente “chumbados” se preocupavam e gritavam: –

Façam o que quiserem, mas não acordem o São João do Carneirinho. Deixe ele dormir, porque se ele acordar não vai haver mais festa nos anos seguintes. Mas infelizmente parece que São João acordou.

Reginaldo Maciel Almeida Pesqueira

 

 

* Autor: Seu Regi  –  Reginaldo Maciel de Almeida é pesqueirense, economista, cronista, colaborador do OABELHUDO e servidor estadual aposentado.

Economia & Negócios: Aguardente Pitú, 76 anos – De Pernambuco para o Mundo *

 

Pitú agora tem um

Centro de Visitação

Maria das Vitórias Cavalcanti é diretora de produtos e relações internacionais, mestre cachaceira e quinta geração de herdeiros da Pitú – Fotos: Dayvison Nunes/JC Imagem

Maria das Vitórias Cavalcanti é diretora de produtos e relações internacionais, mestre cachaceira e quinta geração de herdeiros da Pitú – Fotos: Dayvison Nunes/JC Imagem

 

Maria das Vitórias Cavalcanti faz parte da quinta geração de herdeiros de uma marca que é a cara de Pernambuco, a Pitú. Mestre cachaceira, formada em química, ela conhece a história da empresa com a palma da mão. E não só isso, sabe omo ninguém sobre todo o processo de fabricação das cachaças produzidas na fábrica, em Vitória de Santo Antão. E não é coisa simples não. O processo passa por inúmeras etapas. Nesta terça-feira, Vitória convidou a imprensa para conhecer o Centro de Visitação da Pitú.

Centro de Visitação da Pitú

Centro de Visitação da Pitú

A História contada em fotos - Painel cronológico

A História contada em fotos – Painel cronológico

Na Zona da Mata pernambucana, às margens da BR 232, a Engarrafamento Pitu foi fundada em 1938. O local recebe constantemente turistas nacionais e internacionais interessados em saber como é feita a branquinha. Para recepcioná-los melhor, a Pitú criou um espaço de 200 m² idealizado pela arquiteta Tereza Bandeira que conta sobre os 76 anos de vida da famosa bebida pernambucana.

Vídeo de sete minutos conta a história da empresa com o ator Cláudio Ferrário

Vídeo de sete minutos conta a história da empresa com o ator Cláudio Ferrário

Logo na entrada, o visitante se depara com o primeiro alambique utilizado na preparação da cachaça, um carro de boi antigo e plantações de cana que remetem à herança histórica não só da Pitú, mas também da região. Na parte interna há um grande painel e uma sala para exibição de um vídeo de sete minutos que conta toda a história da empresa familiar.  A primeira garrafa, o primeiro rótulo, o surgimento do slogan “mania de brasileiro”, tudo isso está nas apresentações. No meio de tudo, há degustações e loja com os produtos e souvenirs da empresa.

Pitu Golden. Muito consumida na europa

Pitu Golden. Muito consumida na europa

Fábrica em Vitória de Santo Antão

Fábrica em Vitória de Santo Antão

Distribuição para muitos países

Distribuição para muitos países

O Centro de Visitação da Pitú funciona de terça a domingo, das 9h às 16h30. Agendamentos podem ser feitos pelo telefone (81) 3523.8066

  * Fonte: Social1/

Pesqueira/História: Quantos anos realmente tem Pesqueira? *

Quantos anos tem Pesqueira?

 

 

Pesqueira capa do livro pesqueira secularSenado de Cimbres 600079_339573652790452_1674022860_n

(Pesqueira em dois momentos: 1 – Capa do livro Pesqueira Secular, publicado em homenagem ao 100 anos. – 2 – Casa do antigo Senado de Cimbres que existe h,a 250 anos)

O tema a ser tratado é simples, porém, por incrível que pareça, ainda gera embaraços até mesmo nas autoridades e políticos locais.

Pode-se dizer que, como unidade política, a Pesqueira atual surgiu em 13 de maio de 1836, quando a Lei Provincial Nº 20 transferiu a sede da Vila de Cimbres para a povoação ao pé da serra, que naquela época já fazia vários anos que sediava as atividades da Comarca. A antiga sede, por ficar no alto da serra, oferecia acesso difícil. Já Pesqueira, embora fizesse poucos anos que não passava de uma fazenda de criação, além de oferecer fácil chegada, já tinha alcançado grande desenvolvimento. Para alguns, o capitão-mor Manoel de Siqueira tinha construído sua fazenda Poço Pesqueiro em 1800 propositadamente para o que ela se tornou. E por pouco o velho fundador não viu a fazenda virar sede da vila de Cimbres, pois morreu em 1831, cinco anos antes.

A Lei Nº 20/1836 não fala em Pesqueira se tornar vila, fala apenas na transferência da sede de Cimbres. Entenda-se que Cimbres mudava de endereço, tudo que funcionava lá devia passar a funcionar oficial e definitivamente na povoação ao pé da serra do Ararobá. É com essa lei que a povoação recebe oficialmente o nome de “Pesqueira” e, podemos deduzir, é transformada automaticamente em vila, já que se torna sede de uma unidade política.

Já em 20 de abril de 1880, a Lei Nº 1484, assinada por Adelino de Lima Freire, vice-presidente de Pernambuco, elevou a vila de Pesqueira à categoria de cidade. A publicação confirma ainda o que já havia sido deduzido antes: Pesqueira já era vila em 13 de maio 1836, e acabara de se tornar a 15ª cidade da Província e a primeira de todo o sertão. A próxima elevação de vila a cidade só ocorreria 15 anos depois, com Petrolina em 1895.

O texto da Lei segue abaixo:

LEI Nº 1.484, DE 20 DE ABRIL DE 1880

O Bacharel ADELINO ANTONIO DE LUNA FREIRE, Oficial da Imperial Ordem da Rosa, Juiz de Direito e Vice-Presidente da Província de Pernambuco.

Faço saber a todos os habitantes os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a resolução seguinte:

Art. 1º – Fica elevada à cathegoria de cidade a villa de Santa Águeda de Pesqueira, sob a mesma denominação.

Art. 2º – Ficam revogadas as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da presente resolução pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nella se contêm.

O secretário da Presidência desta Província a faça imprimir, publicar e correr.

Palácio da Presidência de Pernambuco, 20 de abril de 1880, 59º da Independência e do Império.

(a) ADELINO ANTONIO DE LIMA FREIRE

Algumas cidades, a exemplo de São Bento do Una e Serra Talhada, comemoram seus aniversários nas datas referentes à criação de suas vilas, ou, de forma geral, à sua emancipação política, já que na época do Império era essa a denominação das sedes municipais.

São Bento do Una, se tornou vila em 30 de abril de 1860, quando obteve emancipação de Garanhuns, e foi elevada a cidade pela Lei Estadual nº 440 em 8 de Junho de 1900. Serra Talhada emancipou-se de Flores em 6 de junho de 1851, quando tornou-se vila.

Seguindo esse pensamento, Pesqueira deveria ter comemorado, no último 13 de maio, 175 anos de idade, mas comemorou 131 anos de elevação à categoria de cidade em 20 de abril, como tem sido todos os anos.

Os mais desavisados hão de pensar que as duas importantes cidades citadas como exemplo são mais velhas que Pesqueira. No entanto, como explicado, a realidade é o contrário: Pesqueira, seja como vila ou seja como cidade, é mais antiga que ambas.

Na opinião de Gilvan de Almeida Maciel (ver Crônicas da Pátria Pesqueirense, 2008, EDUFERPE), que é também a minha, a data magna de Pesqueira devia ser o 13 de maio e não o 20 de abril.

É importante lembrar que para Pesqueira jamais houve emancipação política. E, embora a sede da vila (sede do município) tenha sido transferida, o nome não fora mudado de imediato. Tudo que era assinado em Pesqueira era com o nome de Cimbres, esse permaneceu como o nome do município até 1913, quando por uma decisão local, passou a ser “Pesqueira”.

O assunto vila-município-comarca será tratado com mais ênfase posteriormente, pois é motivo de grande confusão entre a maioria dos leitores. Uma abordagem com mais detalhes, acredito, valerá a pena.

 

marcelo do nascimento Oliveira

 

* Fonte/Autor: blogspot – Pesqueira Histórica/Marcelo Oliveira do Nascimento (Editor do blog)

(Matéria publicada originalmente em 22 de junho de 2011)

Artigo/História: Gregório Bezerra – Como era um militante de esquerda no século 20 *

 

DEPUTADO GREGÓRIO,

PRESENTE!

 

deputado Gregorio Bezerra

 

 

Como era um militante

de esquerda no século 20

 

 

 

Gregório Bezerra ganhou as eleições para deputado federal e pouco antes de assumir o mandato deparou-se com um problema: não tinha roupa adequada para tomar posse nem o dinheiro para comprar a passagem para o Rio, então capital federal. Fizera campanha com apenas uma calça e uma camisa, que ganhara de um amigo, e um par de sapatos usados, que lhe fora doado por outro. A calça, a camisa e os sapatos chegaram ao fim da campanha em estado lastimável. Os sapatos, por exemplo, estavam estourados de um lado e furados na sola.

Gregório fora preso em novembro de 1935, após o episódio que ficou conhecido como Intentona Comunista, e solto quase 10 anos depois, em abril de 1945, com a anistia concedida pelo governo Getúlio Vargas. Em 2 de dezembro de 1945 foi eleito deputado federal pelo PCB, em Pernambuco – o mais votado no Grande Recife e o segundo no estado.

Em janeiro de 1946 estava eleito, mas precisando de roupa e de passagem. E aí o que houve? O PCB era um partido cujos principais integrantes haviam acabado de sair da prisão – e, além do mais, tratava-se de um partido tradicionalmente pão-duro em termo de gastos com os seus militantes. Claro que, apesar disso, iria acabar providenciando os meios necessários para a posse e a viagem do deputado pernambucano – mas antes que isso acontece um grupo de eleitores cotizou-se, comprou a passagem e encaminhou Gregório para um bom alfaiate recifense, que lhe tirou as medidas e fez três “ternos de deputado”. Além disso, o grupo comprou três camisas, três cuecas, três pares de meia, duas gravatas e um um bom par de sapatos. Em suas memórias Gregório diz que em sua vida inteira nunca tivera tanta roupa, e de tão boa qualidade.

Não teve muito tempo para usá-las. Em maio de 1947 o Tribunal Superior Eleitoral cassou o registro do PCB. Em janeiro de 1948 Gregório e todos os parlamentares eleitos pelo partido foram cassados. Uma semana depois de cassado ele foi preso no Rio, acusado de ter incendiado um quartel do Exército – uma acusação falsa, que não resistiu ao julgamento, mas que custou dois anos e três meses de prisão para ele.

Vejam que coisa: em janeiro de 1945 Gregório está mofando na prisão. Em janeiro de 1946 está eleito deputado federal, com grande votação. Em janeiro de 1948 está cassado e preso. Esses acontecimentos, em tão curto período de tempo, mostram a gangorra que foi a vida de Gregório Bezerra – o militante político brasileiro mais torturado de nossa história, e o que passou mais tempo na prisão, cerca de 22 anos (para efeito de comparação: Nelson Mandela passou 27). Nasceu miserável (em Panelas, em 1900) e morreu pobre, em São Paulo, doente, em 23 de outubro de 1983. Deixou o exemplo de um militante inabalável em suas convicções revolucionárias e de uma vida dedicada ao que ele considerava ser o melhor para o povo.

A gangorra da vida dele teve novo impulso ontem, quando em iniciativa proposta pelo deputado Waldemar Borges, líder do PSB, a Assembleia Legislativa de Pernambuco fez ato em homenagem à restituição simbólica do seu mandato. Gregório nunca foi deputado estadual; a sessão no legislativo pernambucano entra na categoria do simbolismo do gesto. A restituição do mandato dele na Câmara Federal – e dos outros 13 deputados federais do PCB, cassados em 1948, entre eles Jorge Amado e Marighella – aconteceu em 18 de agosto do ano passado, por meio de projeto da deputada federal Jandira Feghalli (PCdoB-RJ).

O ato não implica nenhuma indenização nem pagamento de quaisquer vencimentos (a propósito, a família de Gregório nunca recebeu nenhuma reparação econômica da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, diferentemente do que aconteceu com a família de outros líderes comunistas, como Luiz Carlos Prestes e Marighella. Em agosto do ano passado o juiz federal Francisco Alves dos Santos Júnior, da 2ª Vara de Pernambuco, condenou a União a pagar R$ 1,1 milhão aos familiares dele, como indenização por danos morais. O caso ainda está na esfera judicial).

Sim, a restituição do mandato de Gregório Bezerra não tem desdobramentos indenizatórios, mas seu caráter simbólico não tem preço. Faz a correção de um erro histórico e serve de alerta às novas gerações para que nossas divergências não sejam resolvidas tentando calar quem pensa diferente de nós.

Vandeck Santiago

 

* Fonte/Autor: Diário de Pernambuco/Vandeck Santiago – é pesqueirense, jornalista, colunista especial do DP. Colabora eventualmente com o  oabelhudo.

Canetadas/Pesqueira: O Trem, a Great Western e Zeferino Galvão – Por Jurandir Carmelo *

 CANETADAS

 

O Trem, a Great Western e Zeferino Galvão

 

 

Crônica publicada originalmente no blog do Sinésio. Hoje republicamos a mesma em homenagem aos 150 ANOS DO NASCIMENTO DO ESCRITOR ZEFERINO GALVÃO, O HOMEM QUE COM A SUA “GAZETA DE PESQUEIRA” LUTOU CONTRA A PODEROSA GREAT WESTERN E VENCEU A PARADA, FAZENDO COM QUE O TREM VIESSE POR PESQUEIRA E NÃO PELA PARAÍBA, A PARTIR DE SANHARÓ.

 

A antiga  estação ferroviária de Pesqueira. Hoje ainda mantém sua linha arquitetônica original

A antiga estação ferroviária de Pesqueira. Hoje ainda mantém sua linha arquitetônica original

 

Pesqueira - feira na praça central em frente a igreja

Pesqueira – feira na praça central em frente a igreja

 

 

 

 

O TREM: CEM ANOS DEPOIS AINDA

PROVOCA EFEITOS EM PESQUEIRA!

 

estaçao ferrea de pesqueira visão lda praça em frente 091estaçao ferroviaria de Pesqueira visao de frente

 

 

Pesqueirenses, pesqueiristas e amigos de Pesqueira!

Encontro casualmente o escritor e professor de geografia Paulo Melo na manhã do domingo de 04 de março de 2007 quando do passeio matinal que sempre faço pelas ruas de Pesqueira, após uma rápida passagem por uma das missas celebradas no Convento dos Franciscanos, no bairro do Prado, ou na Catedral de Santa Águeda, na praça dom José Lopes.

Estava conversando com a professora e escritora pesqueirense Odete Andrada, quando o professor Paulo Melo, dirigindo o seu carro, passava sentido Rua Barão de Cimbres, onde se localiza a sua residência, marco de eternas lembranças do seu filho Bráulio (amanhã dia 14 de abril de 2007, mais um aniversário da morte do jovem “Bráulio”) e aconchego de uma das mais belas histórias de amor e convivência que conheci vivida por Paulo Melo e dona Carminha, sua sempre lembrada e saudosa esposa, quando de repente parou e desceu do carro, vindo em nossa direção.

Paulo nos cumprimenta e dirigi-nos a palavra, interrogando: QUAL O DIA E MÊS QUE COMPLETAM OS CEM ANOS DA CHEGADA DO PRIMEIRO TREM À PESQUEIRA?

Dona Odete olha para Paulo e exclama: “agora você me pegou”! Paulo olha para mim e repete a pergunta. Respondo: “não sei professor, mas vou pesquisar, tenho dados em casa”!

Continuo o meu passeio matinal até voltar para casa, pelas onze horas, onde me espera a professora Gilcéia, minha companheira de todas as horas.

Há por todo esse tempo, a famosa galinha do domingo (tradição de Dona Ninfa, minha saudosa mãe, e de outros quatro irmãos: Nalise, Paulo, Ieda e Lídio que formam os “Carmelos” de Pesqueira), já está no fogo. A antártica geladinha na geladeira, me esperando para viver o primeiro dia da semana, segundo a ordem católica apostólica romana.

Sempre entendi que o domingo é dia de ficar em casa, receber os filhos – aqui em Pesqueira sempre almoçam comigo o Jurandir Junior e a Dra. Micheline Morgana; e quase sempre as filhas que residem em Recife, Fábia Roberta e Izabel Áurea, além de alguns amigos, que ainda conservo, com grande carinho e respeito! É o que faço, normalmente, aos domingos, após a minha caminhada matinal!

Mas, naquele domingo, a convocação do professor Paulo Melo me fez fazer uma avaliação sobre Pesqueira e chegar a seguinte conclusão:

A memória da nossa terra não está sendo valorizada, não está sendo respeitada, não está sendo lembrada. O Centro da cidade está, a cada dia que passa, sendo mutilado. A sua arquitetura está sendo substituída por um novo conceito arquitetônico que não diz a que veio. E assim, aos poucos, Pesqueira está sendo vítima de um modernismo exagerado, palco das vaidades de uns e incúria de administrações que se sucedem. E assim vão sepultando, para sempre, sem nenhum respeito a história da nossa terra e do nosso povo, enfim, a nossa própria história.

Tanto isto é verdade que as datas dos maiores feitos de Pesqueira, estão sendo esquecidas, colocadas de lado. Agora mesmo, temos o 1º Centenário da chegada do primeiro trem a Pesqueira, e nada se inclui na programação do aniversário da cidade.

Logo mais, no mês de junho, o SEMINÁRIO DE SÃO JOSÉ completa 60 anos da sua edificação e inauguração pelo segundo Bispo de Pesqueira, dom Adalberto Sobral, nenhuma palavra.

Nas nossas escolas ninguém sabe sobre a história da própria escola e dos seus patronos, com um agravante, se muda nome de escolas, como foi feito com o Grupo Escolar Rui Barbosa, ou de ruas, homenagem da cidade a ilustres pesqueirenses e/ou pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da terrinha, como a Rua Major Panta, em total desrespeito a história da nossa terra. O major Panta representou Pesqueira na Guerra do Paraguai, foi herói de Guerra, homem simples, nascido em Pesqueira. Voltou médico prático e exerceu a medicina ajudando aos pobres da nossa terra, em sua residência na Pitanguinha.

O professor Paulo Melo veio a tempo. Não podíamos permitir que não se fizesse reverência a essas datas. A chegada do Trem a Pesqueira foi marco decisivo para o seu desenvolvimento.

Aqui, ao cumprir a minha promessa ao professor Paulo Melo, se bem que não passa essa crônica de uma simples homenagem à história do TREM em Pesqueira, faço um apelo aos organizadores das comemorações do aniversário da cidade, no próximo dia 20 de abril, que incluam um pouco da história do trem, que entendo deve a ser bem mais ampla, e já conta a ideia com a simpatia do empresário Airon Araújo, pois o seu Hotel tem o Nome de Estação Cruzeiro, numa homenagem a Estação do trem de Pesqueira.

Quero aqui trazer algumas lembranças sobre o TREM, a GREAT WESTERN E PESQUEIRA.

A CHEGADA DO TREM EM PESQUEIRA, PELOS TRILHOS DA GREAT WESTERN, DEU-SE A 14 DE ABRIL DE 1907.

AMANHÃ 14 DE ABRIL DE 2007, COMPLETAM-SE, PORTANTO, CEM ANOS DO PRIMEIRO SILVO, ANUNCIANDO A CHEGADA DO TREM NA NOSSA TERRA.

Maria fumaça na estaçãoMaria Fumaça no museu do trem

(Máquina chamada de “Maria Fumaça” em operação e no Museu do Trem. Ajudou a impulsionar o progresso de Pesqueira e da região)

SOBRE ESSE IMPORTANTE FATO HISTÓRICO, RESTA AQUI PELO MENOS UMA PALAVRA, graças a pergunta do Professor Paulo Melo.

Segundo o saudoso escritor Luiz Wilson de Sá Ferraz, em sua obra intitulada ARAROBÁ, LENDÁRIA E ETERNA – (Notas para a história de Pesqueira) > página 377, conta sobre o jornal “GAZETA DE PESQUEIRA”, de propriedade do pesqueirense Sebastião José Bezerra Cavalcanti, mais tarde do escritor Zeferino Galvão:

Em destaque, diz o Dr. Luiz Wilson que fora publicado na A GAZETA DE PESQUEIRA, edição do 30.07.1905 a seguinte nota:

“…TERÃO COMEÇO DENTRO DE POUCO TEMPO OS TRABALHOS DA VIA FÉRREA NO TRECHO QUE FICA ENTRE SANHARÓ E ESTA CIDADE…”.

Em 1906, transferiu Sebastião Cavalcanti direção e propriedade da GAZETA DE PESQUEIRA para Zeferino Galvão.

Na edição da GAZETA DE PESQUEIRA de 14.04.1907, a sensacional notícia: “OS TRILHOS DA OUTRORA “GREAT WESTERN” CHEGAM À PESQUEIRA”, nesta data de 14.04.1907. Página 375.

Nas págs. 378/379 do livro de Luiz Wilson, mais notícias: Na mesma edição de a GAZETA DE PESQUEIRA, que circulou no 14.04.1907, a outra notícia sensacional: “Nesta data se concretiza a abertura do tráfego ferroviário de PESQUEIRA-RECIFE”.

E continua (obra citada)

A chegada do trem à “cidadezinha” como a outras do interior do Estado, acelerou o ritmo do seu progresso. Abriram-se ali novas fábricas de doce multiplicaram-se seus pequeninos hotéis e casa de comércio.

Em consequência novos hábitos urbanos trazidos pelo trem (escreve Hilton Sette, em tese de concurso para provimento efetivo da Cátedra de Geografia do Brasil no Colégio Estadual de Pernambuco).

Também na mesma edição de a GAZETA DE PESQUEIRA, ressalta “Sobre a luta de Zeferino Galvão e a Great Western” para que os trilhos de nossa Estrada de Ferro não prosseguissem de Sanharó, pelo Estado da Paraíba, mas por Pesqueira, a vilazinha de Olho d’água dos Bredos (depois “Rio Branco” e hoje Arcoverde), para o interior do Estado de Pernambuco, v. alguns números da GAZETA de 1908 e ainda a monografia de Hilton Sette, a que fizemos referência.

Venceu o solitário (ZEFERINO GALVÃO) da outrora Atenas do Sertão, mas o prolongamento da Estrada de Ferro Central do Estado para o povoadozinho de Olho D’água dos Bredos marcou o começou do fim da era comercial de Pesqueira, salva de irremediável decadência, ou ao menos da estagnação, por suas indústrias de doces.

É lamentável, que Pesqueira com uma história tão rica seja esquecida pelos seus filhos com total irresponsabilidade dos poderes público. Ah, Pesqueira!

OBS: Republicada em homenagem ao grande escritor ZEFERINO GALVÃO que, se vivo fosse (impossível viver 150 anos), teria completado no DIA 09 DE MAIO DE 2014 os seus 150 ANOS DE NASCIMENTO, como completou no DIA 02 DE FEVEREIRO DE 2014, 90 ANOS DO SEU FALECIMENTO.

A HOMENAGEM QUE PRESTARAM AGORA EM 2014 AO ZEFERINO GALVÃO, PELO MENOS QUE SE TEM NOTÍCIA, POR TUDO QUE FEZ POR PESQUEIRA, principalmente pela sua luta contra a companhia das linhas ferroviárias de Pernambuco para que o TREM viesse por Pesqueira, e a contribuição deixada para elevar o nome de Pesqueira no campo da cultura, em diversas obras, sendo o primeiro representante de Pesqueira na Academia Pernambucano de Letras, foi permitir que a fundação que levava seu nome encerrasse as suas atividades, com o agravante de que o seu honrado nome fosse parar nas prateleiras da Justiça, em razão de processos judiciais, pois diversas irregularidades, inclusive por ofensa ao princípio da moralidade, existiam na citada FUNDAÇÃO. Com certeza ZEFERINO GALVÃO não merecia tamanha desfeita. Ah, Pesqueira!

Jurandir Carmelo foto 2

* Autor: Jurandir Carmelo – Jurandir Carmelo de Oliveira é pesqueirense, advogado,  jornalista, colaborador-mor do OABELHUDO, cronista, e militante juramentado das causas em defesa de Pesqueira.