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História: Banco do Brasil em Arcoverde – Por Pedro Salviano Filho (*)

Agência do Banco do Brasil de Arcoverde, 068-X, fez 93 anos. Foto Jornal de Arcoverde, outubro 2016. goo.gl/4WBcgt

 

Procurando dar visibilidade a um importante acontecimento histórico de Arcoverde, apresentamos mais alguns dados sobre a vila Rio Branco. Em 1923 o distrito de Pesqueira vivia uma fase de expansão econômica iniciada 11 anos atrás com a chegada da ferrovia e incentivada pelas feiras de gado, pela implantação da SANBRA, pelo seu comércio crescente, novas estradas etc. E foi nesse cenário que o Banco do Brasil instalou sua agência n. 0068-X, goo.gl/mwkP4U , em 18-07-1923, a primeira no interior de Pernambuco. E numa vila de Pesqueira! Naquele ano também instalou a segunda do interior, que começou a funcionar no final do ano, 28-11-1923, em Garanhuns, a 0067-1, goo.gl/KPtdbR.
Assim, apesar de um pequeno período de interrupção de funcionamento, cerca menos de dez anos, a agência já completou 93 anos, sendo, portanto, a mais antiga do interior de Pernambuco. Saliente-se que a primeira agência do Banco do Brasil em Pernambuco foi a da av. Rio Branco, a 0007-8, no Recife, em 12-08-1913, goo.gl/wtFdCE.

A história do Banco do Brasil já está bem pesquisada, inclusive com publicações na web. Ex.: História do Banco do Brasil, Volumes 1 a 4: goo.gl/jgOF3h, goo.gl/Kc5YgE , goo.gl/A7OXfG e goo.gl/aB9Yqq. História do Banco do Brasil 1906 a 2011, de Fernando Pinheiro: goo.gl/c3x6fP

A história do Banco do Brasil em Pernambuco mostra que a implantação da sua primeira agência começou em 1912, como revelam jornais da época:
04-11-1912- A Noite- RJ, goo.gl/Ch5z8T, 1ª col.: «O sr. Cunha Rabello apresentou requerimento pedindo informações sobre a criação de uma caixa filial do Banco do Brasil em Pernambuco.»
17-06-1913 – A Província, goo.gl/c8399q, 6ª col.: «Agência do Banco do Brasil. Vindo do Rio de Janeiro, a bordo do paquete S. Paulo, acha-se nesta cidade, desde ontem, o dr. Velloso Pederneiras, cujo fim é instalar nesta cidade uma agência do Banco do Brasil. É agente o dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade.»
12-08-1913 – A Província, goo.gl/y644ww , 2ª col. «De dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade e Francisco Velloso Pederneiras, pedindo registro de suas nomeações de gerente e contador da agência do Banco do Brasil, neste estado – registrem-se.»
O livro “O Banco do Brasil na história do Recife”, gentilmente nos enviado pelo autor, sr. Carlos Eduardo Carvalho Santos, 2013, página 74: «O jornal “A República”, do Recife, noticiou em sua edição de 12 de agosto de 1913 a inauguração, muito embora fosse o evento o resultado da incorporação do Banco de Pernambuco pelo Banco do Brasil. Abria-se solenemente o que então se chamava a Filial de Pernambuco. Por sua significação histórica transcrevemos a nota: “No prédio 125 da antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, será inaugurada hoje nesta cidade a filial do Banco do Brasil, importante estabelecimento bancário da praça do Rio de Janeiro. Agradecemos a comunicação que a este respeito nos faz o ilustre Dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade, gerente neste estado da referida empresa.»

13-08-1913 – A Província. goo.gl/F2oZ7w , 2ª col. «Agência do Banco do Brasil. Pedem-nos para noticiar – sob a afirmativa de podermos faze-lo com toda segurança – que o deputado federal dr. José Vicente Meira de Vasconcelos, não se entendeu com o conselheiro João Alfredo, a respeito da agência do Banco do Brasil nesta praça, nem sequer teve ensejo, no corrente ano, de falar ao mesmo conselheiro fosse sobre que assunto fosse.»

15-08-1913 – A Província. goo.gl/bdltWm, 2ª col. «Foi-nos mostrado ontem o seguinte telegrama: “Dr. Milet – Recife – Revoltante falsidade telegrama “Tempo” dizendo estive João Alfredo Banco Brasil procurando impedir criação agência banco. Este ano nem uma só vez estive conselheiro. Há nesta notícia equívoco ou infame perversidade. Publique. Meira».
21-08-1913 – Jornal do Recife, goo.gl/0ZhOOs , 1ª col.: «Foram arquivados os Estatutos do Banco do Brasil para abrir uma agência neste Estado.»
22-08-1913 – A Província, goo.gl/Q25HGa , 4ª. col.: «[…] Foram arquivados os estatutos do Banco do Brasil, para abrir uma agência neste estado.»
04-10-1913 – A Província, goo.gl/nwDSyH , 4ª col.: «Necrologia. Faleceu anteontem e enterrou-se ontem o sr. Jorge Pedro da Silva Rosa, tesoureiro da agência do Banco do Brasil com sede nesta cidade. O estimável cavalheiro cuja morte noticiamos, era um dos dignos empregados do Banco do Brasil onde começou a trabalhar como ajudante de caixa e prestou relevantes serviços na agência de Manaus, que exerceu interinamente tendo recusado a nomeação efetiva. O seu enterramento foi bastante concorrido e sobre seu ataúde estavam duas coroas – uma de sua virtuosa esposa e outra do gerente contador e mais empregados, seus companheiros de trabalhos. Pêsames à sua família.» Mais: curioso leilão da viúva: goo.gl/G4rtuY,1ª col.).
18-07-1923 – Jornal do Recife, goo.gl/84Fkhl, 1ª col.: «O Banco do Brasil em Rio Branco. O governo federal, em boa hora, atendeu à criação de uma agência do Banco do Brasil, na vila Rio Branco, deste Estado. Providência de alta significação econômica para os interesses comerciais do sertão, de quantas cidades do interior existam, importantes pelo seu desenvolvimento, nenhuma ultrapassa, naquela finalidade, a populosa vila. Quando “a reunião última do nosso poder legislador, em nome dos habitantes dali, apresentamos um extenso memorial em que pleiteávamos a sua independência municipal, houve da parte de uma facção político-local, célebre pelos processos da mentira e da intriga, a alegação idiota de que Rio Branco não estava em condições de suportar as exigências de uma vida própria. E, como argumento sádico, citavam os inimigos da causa rio-branquense a transitoriedade de sua atuação econômica nos destinos da vida sertaneja pela circunstância da estrada de ferro, que ali tem seu ponto terminal. Não há como destruir o absurdo de tão errôneo conceito. Nos detalhes da demonstração com que batemos às portas do Congresso do Estado, aliás publicada no órgão oficial, expusemos documentadamente os recursos em que se apoiava Rio Branco para a sua vida independente. Pondo à margem o fato, politicamente sintomático, de municípios circunvizinhos como Pesqueira, Buíque e Alagoa de Baixo cederem tratos de seus territórios para constituição da incipiente comuna, a Rio Branco sobravam para viver elementos de riqueza local, na sua indústria pastoril, no seu fomento agrícola procedente das serras que o contornam, além do seu estupendo comércio ribeirinho, não só proveniente dos limites paraibanos, como do espantoso tráfico sertanejo, do alto. Mas os cegos da paixão partidária, não são aliás os de pior cegueira, não viam nada disto em Rio Branco. Nunca vislumbraram sequer a evidência desta verdade. Os inimigos de minha terra permaneciam na ignorância de que ela possui 49 quilômetros quadrados, sitos numa zona criadora e fertilíssima; que possui uma poderosa fábrica de beneficiamento de algodão, cujas transações avultam numa estimativa de sete mil contos anuais; que tem dez mil e seiscentos e poucos habitantes e renda superior a quarenta contos por orçamento rigorosamente arrecadado. Não veem, nunca viram nada. Enxergam apenas os seus interesses políticos, sobremodo mesquinhos como objetivo administrativo, pois é o próprio município de Pesqueira, de que se vai desmembrar Rio Branco, que vem de encontro aos legítimos desejos de emancipação daquela gente. Em teoria, em direito público, nenhum fenômeno de vida constitucional é mais interessante que este, comentado pelos constitucionalistas pátrios e estrangeiros. Bryce escreve numerosas páginas a respeito, em apoio da tese, e entre nós, Castro Nunes, numa monografia brilhante, estuda o aspecto jurídico-social da questão considerando que os organismos políticos da vida das nacionalidades repousam evolutivamente nesses movimentos de independência comunais. No Brasil, talvez por inópia mental, se condena a criação de núcleos municipais. Por amor à verdade, seria melhor dizer: no Brasil destas bandas setentrionais, porque no sul, onde a ideia do progresso constitucional já entrou para o patrimônio jurídico dos seus homens públicos, tal fenômeno não tem mais a importância das coisas discutíveis. Ano a ano S. Paulo permite o alargamento da sua rede comunal que é sombra dos próprios valores da cooperação econômica, constitui o elemento sinérgico da vitabilidade paulista. Felizmente, para bem das minhas ilusões jurídicas, que de todo ainda persistem em se conservarem vivas, a atual administração de Pernambuco, tem a larga noção do liberalismo. O exmo. sr. dr. Sérgio Loreto, governador do Estado, é bem um cultor do direito. Neste particular deu provas de sua visão clara acerca do municipalismo, prestando o seu apoio sancionador aquelas altas ideias, condenadas praticamente na lei ordinária que criou o município de Floresta dos Leões. Sobre Rio Branco não me pareceu antipática de s. exc. a opinião a respeito da sua independência, o que me valeu a esperança de continuar a bater-me pela causa. O recente ato da criação da agência do Banco do Brasil naquela localidade, tão digna de estimular fortes, é bem significativo da boa vontade dos poderes públicos para com o progresso dali. Com os aplausos a efetivação dos desejos dos meus conterrâneos que devem estar de parabéns, resta pedir aos deuses e aos homens de que dependem as coisas humanas, na terra, um sopro de proteção para o município de Rio Branco. Santos Leite – N.da.R – Reproduzido por ter saído com incorreções. NOTA CORRIGIDA em goo.gl/FXKeE3 , 5ª.col.»
28-11-1923 – A Noite, goo.gl/vRQbQe , 4ª col. «Inauguração, em Garanhuns, de uma agência do Banco do Brasil. Garanhuns (Pernambuco), 26 (Serviço Especial de A NOITE) – Com grande solenidade, inaugurou-se a agência local do Banco do Brasil, da qual são gerente e contador, respectivamente, os Srs. Audifax Aguiar e Álvaro Peçanha. Ao ato compareceram as autoridades civis e eclesiásticas, representantes do comércio e da lavoura locais e grande número de populares, tendo o gerente Audifax proferido um discurso expondo os fins e vantagens do novo estabelecimento, cuja instalação muito tem agradado aos habitantes, principalmente aos comerciantes deste município.»

 

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Do “Álbum de Pesqueira, adm. Cândido Cavalcanti de Brito 1923/1925”,  o registro da existência da filial do B. Brasil. Foto, cortesia de Marcelo Oliveira, de Pesqueira.

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07-1924 – Ilustração Brasileira,  goo.gl/hp8HFm . Agências do Banco do Brasil no país.

24-09-1925 – Jornal do Recife, goo.gl/gjvMBg  , 1ª col.: «De Manoel Gregório Teixeira da Lapa. Informações diversas de Rio Branco sobre Lampião, Banco do Brasil, incêndios e festa de N.S. Livramento. “ […] Banco do Brasil – Este estabelecimento suspendeu todas as operações de crédito nesta praça; isto vale por dizer: apertou a corda ao comércio leader do partido republicano enforcado. Vimos uma legião de pedintes no balcão da agência local, a quem o gerente dizia, em dias da semana atrasada, com esse seu sorriso francófilo; “Perdoe, em nome da Casa Matriz que assim o ordena!” E afinando nesse “Deus vos favoreça” principiamos o mês de setembro cujos últimos dias se avizinham mais tétricos, mais sombrios, tanto que por iniciativa do sr. Cícero Ferreira foi transmitido à Matriz do Banco, na Guanabara futurista, o seguinte despacho telegráfico firmado por onze das mais importantes firmas desta praça: “Satélite – Rio – Informados gerente Banco Brasil nesta vila essa Matriz ordenou suspensão todas operações crédito aqui, justamente quando mais precisamos assistência financeira afim não sermos arrastados pela tremenda crise reinante, vendo paralisados nossos negócios e sobremodo depreciados nossos principais produtos, especialmente algodão constitui vida nossos sertões, apelamos essa Matriz sentido revogar ou sequer restringir aflitiva providência. Tudo esperamos vosso patriotismo, Saudações. Entretanto, até agora não “choveu no roçado”; e os matutos não sabem se foi com medo de Isidoro, com receio de Lampião ou temendo a própria crise, que o Banco do Brasil lançou essa última pá de cal sobre o cadáver do comércio. A coisa chegou ao ponto de um viajante comercial não conseguir passar para a sua casa, pelo Banco, cerca de quatro contos de réis recebidos na jornada cobradora. Tudo porque o Banco “estava suspenso” de ordens. Ouvimos até que ia ser raspado o cofre, e a “raspinha seria encaixotada e recambiada para Recife! Foi quando o Agostinho balbuciou, desolado e quase naturalizado húngaro: “Vae victis!” Esse Jornal, arauto de todas as conquistas liberais, defensor estrênuo do povo deprimido e espoliado, seja o cursor das nossas necessidades e diga: “Das duas uma: Ou Rio Branco sem banco, ou Banco sem Rio Branco!” Se não derem o dinheiro aos matutos, não nos livrarão da pasmaceira que é meio caminho andado para a miséria. Valorize-se o nosso direito, já que algodão não vale nada.»

1927 – Almanak Adm., Merc. e Ind. RJ, goo.gl/wq8e80, pág. 1012, vol.III. 3ª col. «Estado de Pernambuco – municípios Barão do Rio Branco. Vila e sede do 7º distrito do município de Pesqueira, ponto final da estrada de ferro da Great Western of Brazil Railway Co. da linha partindo do Recife da estação de Cinco Pontas. […] – Banco: Banco do Brasil (filial). Gerente: Álvaro Câmara Pinheiro

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05-02-1928 – Diario da Manhã, bit.ly/1ybp6Lh  , 3ª col.: «O chefe da insegurança pública escapou milagrosamente de uma emboscada do célebre bandido “Lampião”. As últimas proezas do bandido em território pernambucano. (foto R. Branco = pág. 189 Município de Arcoverde (Rio Branco), com a legenda: Casas comerciais de Rio Branco, na atual avenida Antônio Japiassu, em 1927. Na primeira casa, à esquerda, esteve durante muitos anos a agência de nosso correio “Chico Numerador”).»

17-10-1930 – Jornal do Recife, goo.gl/c7BceF , 5ª coluna: «Banco do Brasil. Será reaberto hoje o Banco do Brasil que havia deixado de funcionar desde o advento da Revolução. Com essa medida, a que não foi estranho o governo central, volta aquele estabelecimento bancário à normalização de sua vida mercantil.” 6ª col.: “De Rio Branco – Comunico vossência chegado tenente Bernardino Maia que assumiu funções de legado. Cidade completa calma, Banco do Brasil reabriu, comércio funcionando regularmente. Tenho empregado máximo esforço sentido plena execução ideias governo revolucionário, atenciosas saudações. Dr. Luís Coelho, prefeito provisório.»

21-01-1932 – Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , 4ª col.: «As rendas da União. […] – 4º . Que no Estado de Pernambuco o Banco do Brasil tem agências nesta capital e nas cidades de Garanhuns e Rio Branco;”  Mais: 27-01-1932 – Jornal do Recife , goo.gl/HXTYxJ, 3ª col.: As rendas da União. “[…] todas as rendas arrecadadas por esta coletoria, à Agência do Banco do Brasil, nesta capital, ou as das cidades de Garanhuns e Rio Branco […].»

No livro História do Banco do Brasil, 2. ed. rev. Belo Horizonte: Del Rey, Fazenda Comunicação & Marketing, 2010. goo.gl/gUSvvJ   e goo.gl/oW2BPy, encontramos na página 130: «Enquanto criava agências na Argentina e no Uruguai, o Banco continuou abrindo suas filiais no interior do país. So? no ano de 1923 foram inauguradas 22. Outras estavam em trabalhos de instalação definitiva ou em fases preliminares. No início de maio de 1924, o número chegava a 74. Havia, ainda, deficiências em algumas agências, que a diretoria procurava sanar sem retardar o progresso do banco.” Página 149: “Em 15 de julho de 1937, a diretoria resolveu estabelecer cursos de aperfeiçoamento, a nível superior, para os funcionários. Nessa época, o Banco ainda não se dispusera a expandir a implantação de agências no interior do país. O número das filiais era de 90 no ano de 1938.” Pág.160: “O movimento de instalação de filiais, que estava estagnado, acelerou-se depois de 1939, sob a presidência de Marques dos Reis. Em 31 de dezembro de 1940, o número de agências e subagências subiu a 139. No final de 1941, ja? havia em funcionamento ou em instalação 261 agências e subagências. Em 1942, entraram em operação mais de 62 subagências e uma agência. A cotação das ações do Banco na Bolsa subiu, em fins de 1942, para Cr$ 588,00. O número de funcionários, que cresceu moderadamente ate? chegar a 3.866, em 1940, dai? por diante aumentou mais rapidamente, chegando a 6.396, em 1942.»

Mais: goo.gl/c3x6fP.

26-04-1942 – O sr. Antônio Augusto Pacheco (Recife) nos informou sobre a agência do B. Brasil de Rio Branco (ver também goo.gl/XggCjX): Envio do livro “O Banco do Brasil na História de Pernambuco (Notas sobre o sistema bancário)”, de autoria de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, 2ª edição, de 1986, páginas 168 e 169, as informações a seguir: “Na década de 30 [20?] o Banco iniciou sua interiorização, instalando suas primeiras agências. Rio Branco – hoje denominada Arcoverde – foi a primeira, seguindo-se Garanhuns, Palmares, Goiana, Vitória e Limoeiro”. “Notar-se-á, entretanto, que o Banco sofreu revezes, chegando ao fechamento desta subagência , em vista da crise que se abateu sobre o mundo capitalista na década de 30”. Na página 170, diz o autor: “Na década de 20 o Banco do Brasil se fez presente em Rio Branco, não sendo possível o levantamento detalhado dos elementos históricos até os presentes dias, em que pese  o grande empenho do atual Gerente Odon Porto de Almeida junto a historiadores locais. Notas de Waldemar Napoleão Arcoverde nos indicam que a subagência funcionava durante a época  da Revolução de 1930 na casa nº 455 da atual Avenida Coronel Antônio Japiassu. Conta-se até, singular acontecimento, quando uma Coluna, proveniente da Paraíba, acercou-se da cidade. Cauteloso, o então Gerente Paulo Ribeiro, fechou o Banco, entregou as chaves a um auxiliar da loja de ferragens de Sálvio Napoleão Arcoverde, dispensou os cinco funcionários e foi refugiar-se  no morro do Serrote de onde, com um binóculo, passou mais de dois dias observando o procedimento dos revolucionários e, felizmente, não houve o saque que esperava, voltando o Banco à plena normalidade tão logo afastaram-se as forças militares….Já com a denominação de Arcoverde, o Banco reinaugurou sua filial em 26 de abril de 1942, funcionando na antiga Av. João Pessoa, 242, sob a gerência de Moacyr Piauhyense de Carvalho e Contador Arthur Vieira de Azevedo, prédio de propriedade do advogado José Ciríaco das Neves Bezerra”.

No Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , a agência do Banco do Brasil de Rio Branco aparece em atividade ainda em 21-01-1932.

No livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas, Luís Wilson, Recife, 1982, pág. 159, sobre o ano de 1941, diz: “Rio Branco volta a ter, também, naquele ano, uma agência do Banco do Brasil”. Na pág. 115, sobre o ano 1927 e citando os estabelecimentos comercias de então: “[…] Noé Nunes Ferraz (Salão de Bilhar e Bar Confiança), Banco do Brasil, Manuel Cavalcanti de Araújo (seu Santinho), secos e molhados, Abdias Ferreira dos Santos (tecidos), Augusto Magalhães Porto (secos e molhados), Sebastião Franklin Cordeiro, […].”

Em busca de mais informação, além da que está em seu livro Arcoverde. História político-administrativa, Brasília, 1995, que cita à pág.102: “Também nessa administração [do tenente Olímpio Marques de Oliveira – 1939-1943], o município volta a ter uma agência do Banco do Brasil”,  o sr. Sebastião Calado Bastos gentilmente nos disse: “Na época procurei a filha do tenente Olímpio para obter também informações da administração do seu pai. Consegui muitos documentos oficiais, pois ele era um homem hiper organizado. Mas sobre o Banco do Brasil a D. Verônica reafirmou que o município “voltara a ter” sua agência. Na insistência ela disse que a única coisa de que lembrava era de ouvir isso: “voltou a ter”. Conversando com Elizeu Tito (Elizeu Marques Magalhães – falecido há pouco tempo), homem conhecedor das coisas e combativo vereador, ele me disse peremptoriamente que Rio Branco tinha tido mesmo uma agência do Banco do Brasil e que a mesma funcionou na casa que conhecíamos como a de seu Luís da Singer».

12-1946 – Ilustração Brasileira (RJ), goo.gl/z8OWZW,  «Agências do Banco do Brasil no país, 1946.»

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Agência nº 0088 do Banco do Brasil – Foto de 12-12-1951. Do livro Ícones. Patrimônio cultural de Arcoverde, de Roberto Moraes, Recife, 2008, pág. 72

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Funcionários da agência do Banco do Brasil de Arcoverde, em confraternização, provável década de 50. A partir da esquerda: Maurício Ferraz, desconhecido, Mário Hipólito Cavalcante, Oscar Olímpio de Araújo, Agenor Lafayette (em pé), desconhecido, José Danilo Rubens Pereira  e Raimundo Britto. Foto do álbum da família Britto. (Raimundo Brito, com 95 anos, reside em Recife).

(*) Autor: Pedro Salviano Filho – É arcoverdense, historiador, pesquisador e cronista. É ex-aluno do Colégio Cardeal Arcoverde, médico/cirurgião, residente em Ivaiporã-PR.

 

 

Hoje na História: Teotônio Vilela – O Pregador das Liberdades * –

Teotônio Vilela

Menestrel de Alagoas 

Morreu ouvindo o cantar do canário…

(Teotônio Vilela, então senador, com lideranças do PMDB. Na foto Marcos Freire e Jarbas Vasconcelos que faziam parte do grupo dos Autênticos)

 

O rompimento com a Arena ocorrera pouco antes, quando foi presidente da Comissão Mista que apreciou o projeto da anistia, enviado pelo Presidente João Figueiredo ao Congresso. Teotônio foi acusado de buscar as manchetes, com as visitas a presos políticos que promovia. Já na Oposição, esteve ao lado de trabalhadores nas greves do ABC paulista, e percorreu a região do Araguaia, estudando os conflitos de terra”.

 

As janelas do quarto estavam abertas e o canário que pertenceu à sua mulher, Helena, novamente cantava. Foi neste cenário que morreu no fim da tarde o ex-Senador Teotônio Vilela, 67 anos, de câncer, após três dias de inconsciência. A vontade de morrer em Maceió, pedido feito à família, foi cumprida.

O pregador das liberdades

De vaqueiro a liberal, assim foi a trajetória de Teotônio Vilela. Filho de usineiro, dono de boiada, deputado pela antiga UDN e boêmio até quando a cirrose permitiu, Teotônio, depois de ter apoiado o Golpe de 1964, deu dignidade à dissidência, ao transformar-se na voz solitária que, na extinta Arena, pregava a volta à democracia. A partir daí, abriu caminho para a Oposição, que o recebeu como senador e o fez vice-presidente nacional do PMDB. Por vontade paterna, ele, que era um dois oito filhos do usineiro alagoano Elias Vilela, teria sido militar. Depois de cursar o Colégio Nóbrega, em Recife, foi despachado do engenho da família, em Viçosa, para o Colégio Militar do Rio. Desligado de lá, por responder a um tenente, que o advertia por estar usando um chapéu de jornal na formatura da companhia, Teotônio, que provava o gosto da boemia carioca, voltou para Viçosa. Comprou uma boiada e se descobriu. Acompanhou vaqueiros nas feiras de Sergipe e Bahia, passou noites em conversas ao redor da fogueira e lançou-se com todo vigor na peleja das vaquejadas.

Teotônio Vilela, por Chico Caruso. Reprodução

Casado com Dona Helena – que faleceu quase dois anos antes de sua morte – teve sete filhos: José Aprígio, Teotônio Filho, Elias, Rosana, Helena, Fernanda e Janice. A admiração por Carlos Lacerda e pelo Brigadeiro Eduardo Gomes o levou para a UDN, pelas mãos do sogro, Quintela Cavalcanti. Lacerda não entendia como um vaqueiro pudesse demonstrar intimidade tão grande com os clássicos. Desconhecia que Teotônio era um devorador dos autores ingleses e alemães, que abarrotavam a biblioteca herdada do sogro.

A carreira parlamentar começoue em 1954, com a eleição para a Assembléia Legislativa alagoana. Vice-Governador de Luis Cavalcanti em 1962. Chegaria a Brasília quatro anos depois, ao derrotar Silvestre Péricles na disputa pelo Senado. Signatário do documento de parlamentares da Arena ao Presidente Costa e Silva, de protesto contra a decretação do AI-5, recolheu-se a um silêncio prudente e atravessou o Governo Médici. Quando o General Ernesto Geisel assumiu a presidência,em 1974, inaugurando a distensão política, sentiu-se à vontade para iniciar a crítica do regime autoritário.

Leia a Íntegra:

27 de novembro de 1983: Teotônio Vilela morre ouvindo pássaro cantar

* Fonte: CPDocJB

Pernambuco: Assembléia Legislativa homenageia os constituintes nos 25 anos da Carta Magna Estadual *

 

Constituintes e servidores recebem

medalha comemorativa dos 25 anos

da Carta Magna Estadual

 

A comenda foi criada por meio da Resolução 1.268/14 e se destina a homenagear os 25 anos da Constituição do Estado.

 

 

 

 

Com o Plenário e galerias lotados, a Casa de Joaquim Nabuco comemorou em Reunião Solene, na noite desta quarta (19 de novembro), os 25 anos de promulgação da Constituição Estadual, promovendo a entrega de medalha comemorativa. Foram homenageados os 57 parlamentares constituintes de 1989, além de dois servidores do Legislativo Estadual que participaram da redação da Carta Magna.

O presidente da Assembleia, deputado Guilherme Uchoa, do PDT, comandou a solenidade, ao lado do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Frederico Neves, do presidente em exercício do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Carlos Porto, e do vereador Aderaldo Pinto, que representou a Câmara Municipal do Recife.

Uchoa lembrou que, em cinco de outubro de 1989, ocorreu a promulgação da Constituição. Ele destacou que o documento simboliza o espírito democrático de Pernambuco, seguindo o exemplo do Congresso Nacional, que havia concluído a redação da Carta brasileira no ano anterior. O presidente da Alepe ressaltou que o período teve como marca o alto nível do debate democrático. Segundo o parlamentar, a Assembleia Constituinte refletiu a altivez e a luta do povo pernambucano, travada sem armas, e somente no campo das ideias e ideais.

A medalha comemorativa concedida pela Alepe foi instituída por meio de resolução e a comissão organizadora da solenidade contou com a participação dos deputados André Campos e Raquel Lyra, ambos do PSB, e Tony Gel, do PMDB. Dourada e com gravações em bronze, a medalha estampa a fachada do Museu Palácio Joaquim Nabuco de um lado e traz, no outro, em alto relevo, a imagem dos deputados constituintes.

A Constituição do Estado foi promulgada um ano depois da Constituição Federal e teve como relator o então deputado Marcus Cunha (PMDB).

Dos 49 constituintes da época, apenas três continuam na Assembleia: Henrique Queiroz (PR), Marcantônio Dourado (PSB) e Maviael Cavalcanti (DEM).

São falecidos: João Ferreira Lima (que presidiu a Constituinte), Felipe Coelho, Argemiro Pereira, Arthur Correia de Oliveira, João Lyra Filho, José Antonio Liberato, José Cardoso da Silva, Luiz Epaminondas (Luizito), Manoel Ramos de Almeida, Manoel Tenório de Luna, Murilo Paraíso, Osvaldo Rabelo, Sérgio Guerra e Vanildo Ayres e José Amorim.

Estão vivos, porém fora da Casa: Carlos Lapa, Humberto Barradas, Geraldo Barbosa, Gilvan Coriolano, Manoel Ferreira, Marcus Cunha, Ademir Cunha, Adolfo José, Álvaro Ribeiro, Antonio Mariano, Carlos Porto, Roberto Fontes, Clodoaldo Torres, Eduardo Araújo, Fausto Freitas, Fernando Pessoa, Cintra Galvão, Garibaldi Gurgel, Geraldo Pinho Alves Filho, Geraldo Coelho, Inaldo Lima, Ivo Amaral, José Ramos, Joel de Holanda, José Aglailson, José Áureo, Humberto de Moura Cavalcanti, Mendonça Filho, Manoel Alves, Lúcia Heráclio, Newton Carneiro, Paulo Guerra Filho, Pedro Eurico, Ranilson Ramos, Roldão Joaquim, Severino Almeida Filho, Severino Cavalcanti, Valdemar Ramos e Vital Novaes.

* Fonte: Portal da ALEPE

Rio Branco(Arcoverde)/História: Outros Causos do Sertão – Por Pedro Salviano *

Alguns causos do sertão

(Capitão Budá – 1821-1870 – Foto do livro de Luís Wilson Roteiro de velhos e grandes sertanejos, 1º volume, pág.265.)
Hoje já se pode navegar pela web por muitos municípios pernambucanos (e de quase todo o mundo) pelo Google Street View (ex.http://www.instantstreetview.com/ ). Para usar esta ferramenta basta clicar e arrastar o mouse e, assim, visitar tantas cidades, localidades e estradas, sem se levantar da cadeira, tendo-se vistas panorâmicas de 360° na horizontal e 290° na vertical. Lançado em 2007 (no Brasil em 2010), este recurso que já colocamos alguns links em artigos anteriores já chegou à Pedra (http://goo.gl/dU8h1h) permitindo aos saudosistas e curiosos, uma viagem virtual por aqueles lugares que há tempos não são visitados. A casa, a escola, as ruas… Como estão agora?
Aproveitando a carona deste modernismo, que tal uma visita também aos velhos tempos do desbravamento dessa região sertaneja, dos quais alguns historiadores puderam registrar alguns dos tantos fatos pitorescos? Assim, muitos causos (aquela pequena história, nem sempre verídica…) estão espalhados por muitas obras, num resgate da cultura popular.
Mais com a ideia de provocar, de atiçar a curiosidade de leitores para a história da nossa região, pinçamos alguns causos.
Do autor Ulisses Lins de Albuquerque (1889-1979), entre suas obras (várias facilmente adquiríveis, por ex. emhttp://goo.gl/VQu1Ho Um sertanejo e o sertãohttp://goo.gl/lXtdMI – Três ribeiras e http://goo.gl/Tw6RX1 Moxotó brabo ) reproduzimos de Um sertanejo e o sertão – 2a edição, Rio 1976 – pág.107, um pequeno texto sobre o português Pantaleão de Siqueira Barbosa, mestre de campo, fundador do povoado de Jeritacó (http://goo.gl/xiz8Q9 ) , célebre pelas sesmarias e fortuna que deixou.
« Pantaleão de Siqueira mereceu a alcunha de “Pica-enxu”, pelo seguinte episódio : uma tarde, nos arredores de Jeritacó encontrou um “enxu verdadeiro” (vespa) e, indo tocá-lo, foi ferroado por um enxame de abelhas que protestaram contra a sua curiosidade em examiná-lo. Então, o português puxou do espadagão e espatifou o “enxu”, bradando — é o que dizem os seus descendentes: “O diavos! Benham de uma em uma mas não de binte em binte!” Ficou sem enxergar — tal a inchação do rosto, com as picadas das abelhas — e, chegando em casa, com dificuldade, teve de recorrer ao clássico purgante de cabacinho. Ficou conhecido por “Pica-enxu” — denominação que, por ironia, é dada ainda hoje aos seus descendentes. 
 
Este episódio me era contado por minha mãe e outras pessoas da família, mas sempre supus tratar-se de uma lenda! Entretanto, quando em 1922 fui ao Jeritacó, conversando com o velho Joaquim Inácio de Siqueira Cavalcanti com 96 anos mas completamente lúcido, bastante inteligente —, bisneto do português Pantaleão, disse-me ele que a história era verdadeira, pois a ouvira do pai e do avô. E narrou-me outros feitos de Pantaleão, inclusive a luta por ele travada com uma onça-pintada o tigre sertanejo — a qual era conhecida entre os vaqueiros como a “papa-úbere”, porque, matando as novilhas, só lhes comia o úbere. . .
 
Encontrando-se com a onça, o português gritou para o seu cachorro Touro, açulando-o contra a fera e o enorme cão a enfrentou, com ela se engalfinhando. De vez em quando Pantaleão bradava: “Segura a onça, Touro!” Mas, ao verificar que o cão estava muito ferido e não podia vencer a batalha, segurou a onça pela cauda e passou a vibrar-lhe golpes sobre golpes com o seu espadagão, até abatê-la. Cortando-lhe uma das mãos, nas raízes de uma caraibeira, conhecida por “craibeira dos herdeiros” e que depois passou a chamar-se “craibeira do tigre”, levou-a para casa e de lá mandou buscar o Touro que, de tão ferido, não pudera acompanhá-lo — extenuado da luta. E quando lhe perguntaram por que não matou logo a onça, para evitar o sacrifício do cão, ele respondeu que “foi porque queria ber qual dos dois era o mais balente».
O episódio do enxu também mereceu do autor Nelson Barbalho (Caboclos de Urubá, Recife, 1977, pág. 101) uma versão à moda lusa: « – Ô diavos dos seiscentos! Benham d ?uma em uma, não de binte em binte, suas cubardes, ora pois pois!” 
Já Luís Wilson, em Minha cidade, minha saudade, Recife, 1972, pág. 90, conta estes causos do famoso capitão Budá (que também é nome de rua em Arcoverde http://goo.gl/NbOvXC ), tantas vezes já mencionado nesta coluna. Sua famosa fazenda Fundão (porém, ao que parece, pouco explorada turisticamente) pode ser vista, de longe, pelo StreetView (http://goo.gl/zyuJuK).
«O capitão Budá (Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti) (…) era, no entanto, sob certos aspectos, um homem imprevisível e formidável. Uma tarde, atiraram em Budá na fazenda Fundão. Ele pegou o cabra, meteu-o no “tronco” e foram 9 dias de sofrimento, em frente à casa grande da fazenda. Soltou depois o sujeito e mandou-o embora.
(Fazenda Fundão, na atualidade, vista da estrada 424 (Arcoverde-Pedra).)
(A casa da fazenda Fundão, palco de muitos acontecimentos. Fotos PSF.)
 
O homem pediu para ficar, alegando que não tinha para onde ir e que havia compreendido, durante aqueles dias, no pátio da fazenda Fundão, que Budá era um homem bom, adiantando que se ele fosse o capitão o teria matado.
 
Budá deixou, então, o homem ficar, em sua fazenda, e ele foi, dali por diante, o cabra de sua confiança, em suas viagens ou por onde anda ele andava.
 
Em outra ocasião, chegou no Fundão e pediu emprego. O Cap. Antônio Francisco mandou o homem trabalhar.
 
Uma semana mais tarde, apareceu uma onça, na fazenda, e os escravos e empregados começaram a persegui-la, até que, à noitinha, ela se meteu em uma das furnas existentes naquela redondeza. A onça já estava acostumada a, vez por outra, pegar uma criação de Budá.
 
Cercaram a loca, a até que, logo depois chegou o Capitão. – “Essa onça, ainda hoje, ou amanhã, ou daqui a 3 dias tem de sair deste buraco e nós matamos”, disse um dos empregados.
 
Pediu, então, o homem, para lhe amarrarem os pulsos com uns pedaços de pano velho e com uma pistola e um facão emburacou na furna em que estava a onça. Um segundo depois, só se ouvia o barulho lá dentro, aparecendo enfim, o caboclo na boca da loca, alguns instantes mais tarde, com a onça morta. Sangravam. ambos, da cabeça aos pés.
 
Budá levou o homem para casa, tratou-o e, quando ele estava curado, disse-lhe o seguinte: – “Você não vai ficar mais no Fundão. Vou lhe pagar, vou gratificá-lo bem, e mando deixá-lo onde você quiser. É só você dizer para onde quer ir”.
 
 Mas, Capitão — perguntou o caboclo surpreso — eu fiz alguma coisa que desagradasse ao senhor?
 
— Não — respondeu Budá — mas aqui você não fica mais. Não quero na minha fazenda um homem mais valente do que eu. E, na realidade, pagou ao cabra, gratificou-o e mandou-o embora. 
 
Assim era o Cap. Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti, homem bonito, de feição fidalga, serena, e de quem ainda hoje se fala no mundo em que ele outrora viveu».
Com o nome “Demitindo um cabra macho”, e com uma outra versão, a história foi repetida no livro Baboseiras (1991, pág45), pelo autor Waldemar Arcoverde.
O historiador Luís Wilson, no citado livro, prossegue com outro causo do famoso capitão:
«Entre as muitas histórias que contam de Budá (algumas, evidentemente, inventadas pelo povo), há também a seguinte: Um dia, o capitão chegando em casa, do roçado, encontrou, no alpendre, um indivíduo, com uma viola, identificando-se como violeiro profissional e dizendo que ia tocar numa festa na Pedra, ou ali perto.
 
Budá não podia compreender ou admitir que um homem, em vez de trabalhar na agricultura, por exemplo, fosse violeiro de profissão. Mandou servir almoço ao cabra e boto-o, em seguida, para tocar, o que envaideceu, sem dúvida, o pobre tocador.
 
Depois de uma ou duas horas, o sujeito já estava de dedos doídos e quis parar. – “Não senhor”, disse o cap. Budá, “a sua profissão é tocar viola e o senhor vai tocar mais um bocado”. Para encurtar a história, o homem acabou de dedos pegando fogo».
Para os leitores que desejarem acessar as matérias já apresentadas nesta seção desde 2009, apresentamos os links encurtados. Para fazer o download, clicar no ícone do canto inferior direito.


2009:

Memória do rádio: http://goo.gl/G61zQV Outubro.

2010:

Olhando para trás. http://goo.gl/6NAEX1 Março.
Vaquejada: http://goo.gl/T6CgtN Maio/junho.
Os filhos de Francisco: http://goo.gl/syuQ6v Julho.
Sertânia no tempo de Alagoa de Baixo: http://goo.gl/V24sfo Agosto/setembro.
A Great Western: http://goo.gl/qXlTJR Outubro.
Documentos em registros de cartórios e assuntos afins: http://goo.gl/Y9YsHA Novembro/dezembro.

2011:

Controvérsias no histórico de Arcoverde: http://goo.gl/Bs4gCt Janeiro/fevereiro.
Qual foi o berço de Arcoverde: http://goo.gl/X6TAJB Março/abril.
Médicos de bem antigamente: http://goo.gl/H27zui Maio/junho.
Contribuições para um novo histórico de Arcoverde: http://goo.gl/pQEBLC Julho/agosto.
Nossa Senhora da Conceição da Pedra: http://goo.gl/LTy4pW Setembro/outubro.
A vida nas fazendas primitivas do sertão pernambucano: http://goo.gl/6wfWBn Novembro/dezembro.

2012:

Muirá-Ubi. Quem?: http://goo.gl/NkkOkl Janeiro/fevereiro.
Bicentenário de Olho d ?Água dos Bredos. Um século da ferrovia a Rio Branco: http://goo.gl/sJpidP Março/abril.
A vida no sertão nordestino no início do século 19: http://goo.gl/mURAOk Maio/junho.
Primórdios do sertão nordestino: http://goo.gl/t3SHu1 Julho/agosto.
Pesqueira. Terra do doce: http://goo.gl/HRIvj5 Setembro/outubro.
Cimbres. O começo de tudo: http://goo.gl/HiI8Dt Novembro/dezembro.

2013:

Mais algumas informações sobre a antiga Pedra: http://goo.gl/YsqayC Janeiro/fevereiro.
Cine teatro Rio Branco: http://goo.gl/irNlDe Março/abril.
As irmãs do cardeal Arcoverde: http://goo.gl/EueUGN Maio/junho.
Mais anotações sobre o histórico de Arcoverde: http://goo.gl/DviX8B Julho/agosto.
Retratando Arcoverde: http://goo.gl/nSzHLa Setembro/outubro.
Brito-Freire. Gente braba: http://goo.gl/AENvtP Novembro/dezembro.

2014:

Mapas antigos: http://goo.gl/QA7XVP Janeiro/fevereiro.
Posse do primeiro prefeito eleito de Rio Branco: http://goo.gl/5ws8pV Março/abril.
O historiador Luís Wilson: http://goo.gl/LjOAPj Maio/Junho.
A ascendência nordestina: http://goo.gl/1J8AlC Julho/agosto.

* Autor: Pedro Salviano Filho – Salviano é arcoverdense, ex-aluno do Colégio Cardeal Arcoverde, médico, cirurgião, residente na cidade Ivaporã-PR. –  (Coluna Histórias da Região – edição de setembro/outubro de 2014 – Jornal de Arcoverde)

Artigo/Homenagem: João Eudes – O Resgate Político de Pesqueira – Por Sebastião Gomes Fernandes *

PESQUEIRA TEM SEU

DEPUTADO ESTADUAL

APÓS 44 ANOS!

 

JOÃO EUDES – 27.660 votos.

O nosso deputado estadual

 

 

 

Parabéns João Eudes. Parabéns, Pesqueira e cidades que contribuíram para eleição do nosso deputado! Parabéns povo pernambucano pelo grande desempenho e pelo nível de consciência política que demonstrou nesta eleição. A história vai registrar para sempre este grande feito. Dar condições para que Pernambuco continuar crescendo, Pesqueira se engaja nesse processo e o Brasil sai das mãos daqueles que só pensam no venha a nós e vosso reino nada!…

Século XXI, Pesqueira elege seu representante na câmara legislativa. Nosso deputado que com certeza estará a defender, buscar e liderar em busco da satisfação de nossas necessidades… Depois de 44 anos. João Eudes ainda passa a ser representante e defensor dos interesses dos municípios que o apoiaram. Pesqueira nesta eleição fez – cabelo, barba e bigode -, o pesqueirense deu um grande exemplo e cidadania, de vontade própria, e determinação ao rejeitar sem parcimônia àqueles “Cururus de trovoada”, que vêm abocanhar, a cada quatro anos votos e depois, olvidam os compromissos politiqueiros que armam com um único fim. Serem eleitos.

Deputado João Eudes nós o conhecemos, sabemos do seu potencial, da sua obstinação por tudo que faz. Portanto, estamos confiantes, tranquilos, por que temos ciência de que você irá fazer uso do seu mandato em defesa da hora, da dignidade e da defesa dos interesses do povo de Pesqueira e região.

João Eudes, você nasceu predestinado a ser líder, administrador e como tal, faça por onde seus correligionários sintam-se orgulhosos e satisfeitos por terem tido a graça e a determinação de colocar no lugar certo o homem certo. Mostre a que veio, faça por onde todos nós sintamos orgulho de termos feito a escolha certa! Temos consciência de que sua tarefa não é nada fácil, mas com sua habilidade, com sua disposição para o trabalho – coisa que faz parte da sua índole -, conseguirás realizar o que de melhor seja para atender as necessidades e aspirações dos seus liderados e dos Municípios que estiveram ao seu lado neste pleito.

Desejo a você, a sua família e a seus correligionários que alegremente brindaram e bridarão sua vitória e que certamente ainda o farão por muito tempo. Muitas felicidades e muita paz.

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes, Sociólogo, Escritor, colaborador do blog OABELHUDO, Poeta e Cronista. Membro efetivo e Presidente da Academia Pesqueirense de Letras e Artes – APLA.

Crônica/Efemérides: Dr. Tonico – “esse menino de Amaro vai longe” – Por Marco Soares *

O GAROTO E O MAGISTRADO

 

(1ª praça de Sanharó. Lá no meio existia um caramanchão que todos chamavam-no de coreto. Era o ponto de bate-papos…)

 

Nos anos 1960/1970 a Praça Capitão Augusto Rodrigues de Freitas, em Sanharó-PE, , em frente à igreja matriz, era o principal ponto de encontro da cidade. Bem arborizada, bem iluminada, muitas flores, muitos bancos, um coreto realçado por plantas trepadeiras, ladeada por casarões de arquitetura antiga, era o cartão postal da cidade.

Ali se iniciavam namoros, casais desfilavam ao longo dos seus passeios, encontros de amigos eram promovidos, acontecimentos da cidade e do mundo eram discutidos, os principais eventos festivos eram realizados.

Não raro, lá apareciam figuras respeitadas da cidade, como o professor Amaro Soares e o Dr. Antônio de Pádua Caraciolo (Tonico), que se misturavam aos jovens e promoviam verdadeiras aulas ao ar livre de vivência e sabedoria. Ouvidos com toda a atenção e respeito, quase sempre só eram interrompidos para esclarecer dúvidas ou para manifestações de concordância e assentimento às suas opiniões.

Mas sempre há um dia em que algo diferente pode acontecer. Uma exceção , um lampejo ousado, daqueles que desconcerta, emudece, surpreende.

Tonico, que além de professor era magistrado, começou a tecer comentários sobre os meandros da justiça e os descaminhos que o país estava tomando. De conversa bem sustentada tecnicamente e de um humor contagiante (suponho que as aulas espetáculo de Ariano Suassuna foram copiadas de Tonico) prendia a plateia por horas seguidas em torno de suas argumentações.

Neste exato dia se insurgiu um garoto com seus prováveis quinze anos, leitor assíduo de jornais e também de revistas da época, ouvinte atento, que aproveitou uma tomada de fôlego do magistrado e sapecou: “Doutor, o problema do Brasil é a impunidade”.

Tonico ajeitou o bigode, esboçou um sorriso e devolveu: “Esse menino de Amaro vai longe” (gargalhada geral).

E saiu, como que procurando evitar polemizar ou se comprometer, sem mais nada dizer.

Quase cinquenta anos depois, pode ter mudado a praça, os bancos, os jardins; não temos mais o coreto, nem Amaro, nem Tonico. Mas o menino, que buscou estas memórias em um passado tão distante e que muito longe já foi – consideradas as suas origens – sabe que lamentavelmente algo permanece: a impunidade, que a cada dia amplifica mais os problemas do Brasil.

* Autor: Por Marco Soares  –  Marco Aurélio Ferreira Soares é sanharoense, engenheiro civil, professor, cronista, colaborador PIONEIRO do blog OABELHUDO, escritor com oito livros publicados e poeta.

Movimento Cultural/Crônica: Os Anos Dourados e o Clube dos Radicais – Por Walter Freitas *

OS CLUBES SOCIAIS

DOS ANOS DOURADOS

 CLUBE DOS RADICAIS

 

 

A sociedade pesqueirense teve o privilégio de contar com vários clubes sociais entre as décadas de quarenta e oitenta, período em que as fábricas estavam em pleno funcionamento e o comércio era bem movimentado. Havia boa oferta de empregos e existiam clubes para todos os gostos e posses.

Quem vivenciou esse período, certamente desfrutou dos bons e inesquecíveis momentos proporcionados pelas festas e encontros sociais realizados pelos clubes da época, a saber: Radicais, Clube dos 50, União, Atlético, Comercial, SESI, BNB e Clube de Campo.

Das associações acima, guardo recordações bem marcantes do simpático CLUBE DOS RADICAIS, por ter sido nele que iniciei ainda quase garoto, a minha participação em eventos sociais. Isto na condição de convidado, pois a minha idade não permitia que me associasse, segundo os estatutos.

(Posse da diretoria do Radicais em 1961)

Em todos, era praxe exigir-se dos frequentadores que os mesmos fossem sócios. O Clube dos Radicais não fugia à regra. Para fazer parte do seu quadro social, o rapaz era apresentado por um  sócio, que ficava responsável pelo seu comportamento durante um determinado tempo.

Decorrido esse período de experiência em que o convidado tinha os seus “passos” devidamente observados pela diretoria, o seu nome era submetido à apreciação pela comissão de sócios, em reunião específica e sigilosa.

Se a proposta fosse aprovada, o seu signatário recebia um ofício comunicando a sua admissão no quadro social. Caso contrário, a secretaria do clube mandava o que se chamava de “bilhete azul”, informando que o mesmo não podia mais frequentar as suas dependências. Essa situação constrangedora se aplicava normalmente àquele que durante o período de experiência cometera algum deslize. Guardava-se rigoroso sigilo.

Quando demonstrei interesse em tomar parte nas festas do referido clube, um amigo me fez uma recomendação: “trate logo de mandar fazer um uniforme”. É que nos bailes, inclusive festas juninas, o uso o “terno” era imprescindível naquela época.

Outro detalhe interessante é que por ocasião das festas não havia a hoje indispensável bilheteria. Os cavalheiros cientes de suas obrigações pecuniárias com o clube procuravam espontaneamente dar a sua colaboração. Aqueles que eram conhecidos como “escorões”, um membro da diretoria discretamente convidava para contribuir com a famosa “cota” para pagar à orquestra.

O fato de ser localizado no centro da cidade- a exemplo do Clube dos 50– fez com que o Clube dos Radicais fosse bem frequentado todas as noites por jovens que se reuniam para conversar, assinar o ponto no bar ou ouvir jogos de futebol no velho rádio, salvo engano, da marca Mullard. Existiam até ouvintes cativos do programa A Voz do Brasil..

Lembro, ainda, de uma grande programação social realizada no final da década de 50, nos seus salões: uma festa denominada de GRANDE NOITE INTERNACIONAL, se não me falha a memória (quem se lembrar, pode corrigir). Sua finalidade era apresentar ritmos de vários países e para tal, foram convidados os melhores dançarinos da cidade e da região. Naquela noite memorável, o SAMBA, o bolero, o twist. a rumba, o mambo, o tango e outros gêneros, tiveram em Lenildo Martins, Galego de Moacir, Milton Cadengue, Luiz Carlos (Leça) e mais alguns pés-de-valsa, os seus mais dignos representantes. Foi um sucesso! Deixo de citar os nomes das damas que embelezaram a festa por não estar devidamente autorizado, visto que o evento ocorreu há mais ou menos cinquenta anos.

Das manhãs-de-sol, guardo bem viva na lembrança uma que aconteceu no dia 29 de junho de l958, quando o Brasil conquistou o primeiro título de Campeão Mundial de Futebol. Dá para esquecer?

Ainda hoje tenho a impressão de que estou ouvindo LIU e VENÂNCIO (afinadíssimos) tocando aquelas belas músicas que apesar do tempo, permanecem presentes em minha memória.

E nas festas de São João, era o excelente conjunto de Jorge da Sanfona quem enchia de alegria o coração da moçada. O sempre sorridente Mané Piaba era um cantor e pandeirista que sempre fazia parte do animado grupo musical.

Ah! Quanta saudade! Em outra oportunidade, falarei dos outros clubes.

 

Pesqueira, março de 2006. (Essa crônica foi postada pelo OABELHUDO em 08 de novembro de 2013)

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta e pesquisador musical.

 

Canetadas/Homenagem – Colégio Santa Doroteia – Por Jurandir Carmelo *

HOMENAGEM AO SANTA DOROTEIA

 

(05 anos depois…)

 

Texto republicado em homenagem aos 95 anos do Colégio Santa Doroteia. Foi postado originalmente no blog do Sinésio em 2009., quando o Colégio completou 90 anos.

 

Quando a Escola das normalistas de ontem chega triunfalmente aos seus 90 anos de existência, não poderíamos deixar de render uma homenagem, mesmo que singela ao nosso Colégio Santa Dorotéia.

Pelas suas bancas, em busca do saber, passaram pessoas nossas, tais como: Dona Ninfa Araújo de Oliveira (minha saudosa Mãe); Dona Maria Olímpia Albuquerque Araújo (minha saudosa tia-mãe); minhas irmãs queridas, Nalise e Yêda Carmelo. Em nova fase as filhas adoradas Micheline Morgana, Fábia Roberta e Izabel Áurea; Por lá, também, passaram minha respeitada cunhada Socorro Melo de Oliveira, esposa de Lídio, meu irmão caçula e, ainda os seus filhos, meus sobrinhos, igualmente, queridos, Paulo Augusto, Huguinho (Hugo Alexandre, prematuramente desaparecido aos 21 anos de idade) e Ana Lídia. Ainda, Rommel e Débora, filhos da minha irmã Yêda Carmelo. Mais tarde teve assento, também, em suas bancas, o meu querido filho e amigo Jurandir Carmelo Junior. Hoje, a família, na sua quarta geração, está representada pela neta VALENTINA CARMELO.

Em tempos idos tivemos a presença e o apoio das irmãs Doroteias, quando presidente da Junta Governativa do Centro Estudantil de Pesqueira – CEP, mais tarde no comando do Clube de Jovens de Pesqueira, ao lado de bons e queridos amigos, tais como: o sempre professor Alder-Júlio Calado (desse não se pode retirar o hífen), uma pessoa de rara inteligência e caráter firme; Adilson Simões Silva, agora Monsenhor, que sempre ostentou um serviço de profunda sensibilidade, seja na educação, seja na evangelização da doutrina de Cristo ao seu rebanho, ou na celebração da Santa Missa; Giovane Siqueira (nosso Diretor de Esporte, prematuramente falecido, jovem idealista e voltado ao fortalecimento dos desportos na nossa terra Pesqueira); Janete Cabral Viana (das terras sanharoenses, jovem possuidora de terna de infinita grandeza, amiga fiel e conselheira); Ivaneide Maia Brito (carinhosamente tratada por Bera Brito, nossa tesoureira, irmã do corajoso amigo-irmão Jonas Brito, que tanto sofreu em defesa da luta estudantil, da democracia e da liberdade); As irmãs Virginia, Neide e Fátima Barbosa (que nos incentivaram a não deixar parar o movimento estudantil, com o fechamento do CEP, fechado que foi, por determinação dos militares, durante a ditadura militar, A primeira Diretora do Departamento Estudantil; a segunda Diretora Secretária do CJP; A terceira, ainda, mocinha, ao lado de Jeane Freitas, administravam o Departamento Social; Norma França, Vice-Presidente (sempre presente nas iniciativas do CEP e do CJP); Tomaz de Almeida Maciel (nosso Diretor Cultural e de Imprensa, que com sensibilidade editava o nosso jornalzinho “O MUNDO JOVEM”).

Naqueles tempos, sob a perversidade do malsinado Decreto 477, nascido nas brenhas e nas moitas do, igualmente, malsinado AI5, que aprisionou sonhos, torturou e matou jovens estudantes, resistíamos à ditadura, que nos impôs o golpe militar de 31 de março de 1964, apoiado pelo fracionamento moral de alguns civis que venderam as suas almas, para se manter no poder político da Nação, fechando o Congresso Nacional, respaldando atos que feriam a dignidade pátria, a exemplo dos Decretos que determinavam o exílio de brasileiros que lutavam pelo restabelecimento do Estado de Direito, pela Liberdade e pela Democracia.

O CEP foi um forte instrumento naquela época. A sua luta era no sentido de manter acessa a chama da esperança dos jovens estudantes pesqueirenses. Era preciso continuar o trabalho de valorosos estudantes que nos antecederam. Fizemos movimentos, fomos às ruas de Pesqueira protestar. Fomos às ruas em defesa da cidadania, da liberdade e da democracia. Saímos às ruas em defesa dos professores do Ginásio Municipal de Pesqueira, que viviam ameaçados, com salários além de aviltados, atrasados. Prenderam-nos dentro do Ginásio. Mais conseguimos sair para ruas rumo à residência do Prefeito, quando protestamos, quando exigimos o devido respeito para com os nossos Mestres. O Sargento Viana, do Tiro de Guerra 171, que antes havia assinado o manifesto em favor dos professores, por ser um dos próprios, colocou a polícia nas ruas para dispersar o movimento dos estudantes, pedindo reforço por sinal ao contingente policial de Garanhuns. Por pouco Pesqueira não vira uma praça de guerra. Estudantes de um lado, policiais do outro, a serviço dos bajuladores de plantão e chaleiras do poder central. Mas entidades como a Associação dos antigos Alunos Cristo Rei – AACR nos ofertou o necessário apoiou com a presença marcante da coragem, de jovens como Silvio Lins, Gabinho, Antonio Torres, Hugo Chacon, entre outros.

Lutamos nas ruas e nas igrejas (orando) pelo nosso companheiro Jonas Brito, que estava preso no Recife, por integrar movimentos estudantis. Resistimos! Nas igrejas rezávamos pela liberdade do Jonas Brito. Havia a manifestação de protestos nas escolas, nas praças, nas ruas, nos bares. Resistimos e resistimos. Jonas Brito, algum tempo depois foi posto em liberdade. Festejamos a sua liberdade, aplaudimos a sua coragem. Jonas foi exemplo de fé, de lealdade, de valentia.

Essas resistências, esses protestos, levaram ao Sargento Viana, do Tiro de Guerra 171, de Pesqueira, apoiado pelo IV Exército, a fechar o CEP. Sim o CEP foi fechado! A sua sede foi desativada por militar e apoiada pelo Juiz da época. Mas continuamos resistindo. Proibiram-nos de promover quaisquer movimentos nos Ginásios e Colégios de Pesqueira, nas suas ruas, nas suas praças. Tentaram de tudo, mas não nos impediram de pensar, de criar caminhos alternativos.

Em importante reunião no COLÉGIO SANTA DOROTEIA com o apoio da sua ilustre e corajosa Diretora IRMÃ LIMA e com o aval e a sensibilidade de MADRE GUEDES, IRMÃ GAZINELLI, IRMÃ GOMES, IRMÃ FREITAS, entre outras, foi criado o CLUBE JOVEM DE PESQUEIRA. As irmãs protestaram! Na reunião dizia a irmã Gazzinelli: “ …os estudantes não podem ficar sem voz. O que eles fazem de mal? ” Irmã Lima, pediu uma audiência com o Senhor Bispo Mariano de Aguiar. Como já era esperado, tivemos o apoio decisivo do Senhor Bispo, que nos cedeu uma ou duas salas, no segundo andar do prédio do então Cine Pesqueira, pertencente à Diocese de Pesqueira. Mais tarde, o Clube Jovem de Pesqueira passou a funcionar na Rua 15 de Novembro (hoje Lídio Paraíba), na antiga sede da Pio União, com os mesmos objetivos do CEP. A sede foi cedida pelos franciscanos.

Deixamos a nossa marca. Criamos o Museu de Arte Sacra de Pesqueira; Criamos a campanha para o assentamento em madeira (taco) da quadra de Esportes do Colégio Santa Dorotéia. Conseguimos com o apoio e a sensibilidade do povo pesqueirense.

Casa para o povo do bairro do Matadouro. O nosso idealista e batalhador maior Adilson Simões Silva, sensibilizou a igreja internacional e conseguimos dá início a obra edificante do Bairro de Santo Antonio (Matadouro), com recursos de diversas comunidades internacionais e o apoio decisivo do Bispo Mariano de Aguiar.

Fomos mais adiante. Realizamos palestras, caminhadas para alertar a juventude pesqueirenses dos perigos que a ditadura militar nos oferecia, na sua essência maligna de perseguir, prender, torturar e matar jovens estudantes nos quadrantes da Pátria Mãe.

Realizamos a CAMINHA DA ESPERANÇA, com o apoio da AACR. Muitos dos lugares a que buscamos para nos reunir foram negados pelos seus proprietários, seus donos, seus diretores, simpatizantes e apoiadores do golpe militar, etc. Mas a coragem de Senhor RAIMUNDO HOLANDA, pai do nosso querido amigo-irmão Bruno Holanda, fez com que o mesmo cedesse a FAZENDA QUATRO CANTOS para o encontro da CAMINHADA DA ESPERANÇA, que objetivava (e objetivou) discutir novos rumos para a nossa juventude. Três palestrantes chaves: Padre Zé Maria, que sempre apoiou os estudantes pesqueirenses; Irmã Lima, então Diretora do Colégio Santa Dorotéia, que nos abria os caminhos; e o Senhor bispo Severino Mariano de Aguiar, com a forte presença no meio estudantil. Foi aí que a coisa ficou PRETA, melhor dizendo: “VERMELHA”. Fomos chamados ao Tiro de Guerra 171. Tínhamos de depor perante o Sargento Viana. As presenças de Padre Zé Maria e, principalmente, do Senhor Bispo Mariano de Aguiar na CAMINHADA DA ESPERANÇA, foram interpretadas como sendo uma afronta aos ditadores de plantão. Saímos pela resistência e pela coragem. Mas ficou a perseguição em escola, na vida enfim. Esse fato foi bem colocado por Alder-Júlio Calado no seu corajoso discurso no dia do ato inaugural do Museu de Arte Sacra. Tanto assim, que tivemos uma audiência especial com dom Hélder Câmara que nos incentivou e encorajou o nosso movimento, logo após a inauguração do nosso museu.

Vamos relatar agora um fato engraçado e interessante. Aliás, esse se tornou perigoso. O então seminarista Adilson Simões, queria dá mais brilho ao ato inaugural do Museu de Arte Sacra, para o qual convidamos o eterno Bispo Vermelho – (Vermelho, que representava o sangue de tantos brasileiros que tombaram no bom combate contra a ditadura, na permanente luta pelo restabelecimento do Estado de Direito, pela Liberdade e pela Democracia). DOM HÉLDER CÂMARA aceitara o nosso convite. Tudo pronto para a chegada do Dom da Paz. (O ato inaugural está registrado no livro PESQUEIRA SECULAR, inclusive ilustrado com foto onde se vê na parte de dentro do museu, o, ainda, universitário Silvio Lins, o então seminarista Adilson Simões e Jurandir Carmelo, àquela época Presidente do CJP. Na parte de fora o Arcebispo dom Hélder Câmara e o quarto bispo de Pesqueira, dom Severino Mariano de Aguiar, cortando a fita inaugural). Pois bem, resolvera Adilson Simões, a título de empréstimo, ir buscar a imagem de Nossa Senhora das Montanhas, na Igreja da Vila de Cimbres. Conseguiu trazê-la. Não passou meia hora no Museu. Os índios da Serra do Ororubá desceram em “revoada”, e na frente do Seminário São José (residência do Bispo) fizeram um protesto, levando de volta a imagem da Santa Padroeira. Adilson levou uma bronca de dom Mariano que com certeza jamais esquecera.

Mas, antecedendo o ato inaugural do Museu de Arte Sacra, Dom Hélder proferiu uma palestra à juventude de Pesqueira, no auditório do então Cinema Moderno, cedido gentilmente por “seu” GILBERTO PITA MACIEL, sob os protestos de alguns senhores e senhoras da cidade, muitos com assento. Mas, a grande força para o sucesso da palestra foi o decisivo apoio do COLÉGIO SANTA DOROTEIA – (o primeiro a apoiar a iniciativa da palestra), principalmente, através de sua então Diretora IRMÃ LIMA. Mais tarde, tivemos o apoio do professor Paulo Melo, então Diretor do Colégio Comercial Municipal de Pesqueira. O auditório esteve lotado, com aplausos e mais aplausos ao eterno HÉLDER CÂMARA

Hoje, quando celebramos os 90 ANOS DO COLÉGIO SANTA DOROTEIA não poderíamos deixar de reconhecer o incentivo e a coragem de IRMÃS DOROTEIAS, na importância da efetiva participação na formação religiosa, educacional, cívico e moral da nossa juventude. Assim homenageamos a cada uma delas, nas pessoas carismáticas e sensíveis de MADRE GUEDES E IRMÃ GAZINELLI, e, especialmente, da IRMÃ LIMA, esteja onde estiver.

Peço licença ao Mestre Potiguar Matos, hoje na sua morada celestial, mas não poderia encerrar estas CANETADAS sem usar uma de suas mais lúcidas expressões sobre o “COLÉGIO SANTA DOROTEIA”, quando em emocionante discurso proferido na Câmara de Vereadores de Pesqueira, nas festividades dos seus 70 ANOS, asseverou:

“…E O COLÉGIO SE FAZ GENEROSO PARA ABRIGAR OS FILHOS DESTA TERRA. ACOLHE-OS NA CERTEZA DE ESTAR ACOLHENDO OS “SONHOS” QUE OS PAIS SONHAM PARA SEUS FILHOS. O SANTA DOROTEIA É, DE FATO, UMA PRESENÇA NA VIDA DESTA CIDADE, NA VIDA DE CADA LAR ONDE SE DESDOBRAM, EM FRUTOS, AS LIÇÕES, OS ENSINAMENTOS, OS IDEAIS ACALENTADOS E RENOVADOS NA RELAÇÃO PEDAGÓGICA DO DIA-A-DIA (…)”.

PARABÉNS AO COLÉGIO SANTA DOROTEIA! PARABÉNS ÀS IRMÃS DOROTEIAS! PARABÉNS A TODOS OS SEUS EX-ALUNOS, MAS, ESPECIALMENTE, ÀS ETERNAS NORMALISTAS, AQUELAS DAS SAIAS PLISSADAS E DAS BLUSAS BRANCAS!

PARABÉNS, ENFIM, A TODOS QUE CONTINUAM ESSA GRANDE OBRA. VIVA OS 95 ANOS DO COLÉGIO SANTA DOROTEIA! VIVA PESQUEIRA!

* Autor: Jurandir Carmelo – Jurandir é pesqueirense, advogado, cronista, colaborador assíduo do OABELHUDO, defensor intransigente de tudo que se refere à história de Pesqueira.

(Obs; Por motivos técnicos o blog não está postando FOTOS ilustrativas ao texto)

Movimento Cultural/Livros: Livro revela a história das pontes do Recife *

Livro revela a história das pontes do Recife

 

“Pontes do Recife: a construção da mobilidade”.

Autor: José Luiz da Mota Menezes

Pontes de Recife - Ponte da Boa Vista Vista (antiga)

Pontes de Recife – Ponte da Boa Vista Vista (antiga)

 

 

 

Construídas com materiais e estilos arquitetônicos diferentes, as pontes do Recife atraem olhares de turistas, estudantes, pesquisadores, arquitetos e da comunidade em geral. Além de cartões postais, essas construções constituem um rico acervo do patrimônio material de Pernambuco. No entanto, a literatura existente, retrata as pontes de maneira superficial, necessitando de uma pesquisa mais consistente e rica em informações e detalhes. Com base nessa carência, o pesquisador e arquiteto José Luiz Mota Menezes, que preside o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), lançou ontem (20), com incentivos do Governo do Estado, através da Fundarpe, o livro “Pontes do Recife: a construção da mobilidade”.

Com 73 páginas e um rico conteúdo, a publicação retrata a história das pontes da cidade, ressaltando os traços arquitetônicos, detalhes da construção, informações históricas, curiosidades e a importância para o crescimento econômico e cultural do Recife. O livro é ilustrado com imagens, mapas e desenhos antigos, além de fotografias atuais de diversas pontes do Recife, hoje consideradas patrimônio material do estado de Pernambuco.

O livro acompanha um CD com áudio-descrição, importante ferramenta de acessibilidade comunicacional para pessoas com deficiência visual. O lançamento do livro acessível no IAHGP integra-se às ações de promoção de acessibilidade cultural da instituição, visto que, seu museu já dispõe de plataforma elevatória, piso podotátil, guia balizadora, auditório e banheiros acessíveis e está finalizando a instalação da sinalização em braile de todo o acervo da exposição.

Para o autor, as pontes do Recife sempre representaram um papel essencial ao crescimento da cidade, desde sua parte mais antiga até a arquitetura moderna. Erguidas em estilos e épocas diferentes, as construções representam símbolos marcantes da história, tendo uma profunda identificação com o cotidiano da cidade.

O livro tem tiragem de mil exemplares, sendo 450 destinados à distribuição gratuita em escolas e bibliotecas públicas, universidades, Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (SEAD) e associações de pessoas com deficiência visual. O livro será vendido por R$ 25,00 nas livrarias.

Sobre o autor – Pesquisador e arquiteto por formação, José Luiz Mota Menezes é professor do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia e Conservação do Patrimônio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); é presidente do IAHGP e membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Tem vários livros e artigos publicados no Brasil e no exterior, como o Atlas Histórico e Cartográfico do Recife.

 

 

* Fonte: Secretaria de Cultura de Pernambuco/Fundarpe
Ilustração: Divulgação

Pernambuco/História: Agamenon Magalhães – “A política é a arte de engolir sapos” *

Agamenon Magalhães

 

 

Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães, nasceu em 5/11/1894 e faleceu em 14/8/1952

Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães, nasceu em 5/11/1894 e faleceu em 14/8/1952

“A política é a arte de engolir sapos”.

(Agamenon Magalhães)

…o ex-governador residiu na casa número 141, da rua da Amizade, vizinha à Praça do Entroncamento. E seus inimigos políticos passaram a chamar aquela rua de “rua do Ódio”.

Na madrugada do dia 24 de agosto de 1952, no entanto, aos 58 anos de idade, um enfarte fulminante tira a vida de Agamenon.

 

agamenon magalhaes foto pequena

 

  –  O professor, administrador e político Agamenon Magalhães, que não tinha medo de guerra nem de assombração, sempre costumava dizer:

  –  “O homem é mortal, eis tudo. Eis o limite do seu poder.”

 

No dia 5 de novembro de 1894, na antiga cidade de Vila Bela no sertão pernambucano, hoje Serra Talhada, nascia Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães. Ele vinha de uma família de dez filhos, sendo quatro homens e seis mulheres. Era filho de Antônia de Godoy Magalhães e Sérgio Nunes de Magalhães, um juiz de Direito da Comarca de Jatobá de Tacaratu, futuro município de Petrolândia.

Após a promulgação da Lei Aúrea, mas ainda sob o impacto da Revolução Industrial, viviam-se os tempos das grandes oligarquias rurais e urbanas, da cultura dos bacharéis, onde o Brasil parecia mais um grande feudo, onde o poder se concentrava nas mãos de uma trindade deveras privilegiada: o juiz, o fazendeiro-coronel e o padre.

Tal poder, vale salientar, foi responsável por uma injustiça praticada contra a família Magalhães. O Dr. Sérgio havia assinado um pedido de habeas corpus em favor de Delmiro Gouveia, um industrial que preconizava a industrialização do Nordeste e tinha entrado em conflito com as oligarquias locais. O governador Segismundo Gonçalves, contrariado com tal pedido, colocou o juiz em disponibilidade, deixando-o, além do mais, com apenas uma terça parte dos seus vencimentos.

Diante do ocorrido, a família veio de mudança para o Recife. Na época, Agamenon tinha 11 anos de idade. Adolescente, ele vai estudar no Seminário de Olinda, tentando seguir a carreira eclesiástica, porém, lá não consegue permanecer mais que dois anos. Ingressa no Ginásio Pernambucano (situado à beira do rio Capibaribe, na rua da Aurora), e, depois, na Faculdade de Direito, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1916.

Após a sua formatura em Direito, é nomeado promotor público da comarca de São Lourenço da Mata. Agamenon entra no Partido Republicano Democrata (PRD), elegendo-se deputado estadual em 1918. Aos 29 anos de idade (em 1922), o jovem bacharel passa em um concurso para a cátedra de Geografia e Corografia, no Colégio Estadual, apresentando a tese O Nordeste brasileiro (o habitat e a gens). Portanto, além de advogado ele se torna professor de Geografia, imprimindo a esta disciplina um aspecto mais humano e, renovando-a, por outro lado.

No começo do século XX, o Governo brasileiro construiu as ferrovias e a empresa Great Western, o maior símbolo do capital estrangeiro em todo o Nordeste, ficou a cargo da exploração do transporte de cargas e de passageiros. Naquela época, ninguém ousava questionar a soberania do referido truste inglês.

Em 1928, porém, o deputado Agamenon Magalhães denuncia, como extorsivo, o aumento das tarifas para os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, defendendo o direito dos consumidores recifenses. Tal acréscimo no preço do transporte, que o Governo brasileiro havia aprovado, contribuíra para elevar os preços de alguns produtos fundamentais da cesta básica da população: o bacalhau, a charque, o feijão e a farinha.

Agamenon inscreve-se em outro concurso público, desta vez, em Direito Internacional, faz as provas e volta a se classificar, tornando-se professor no mesmo lugar em que fora aluno: a Faculdade de Direito do Recife. Contando então com uma carreira profissional em plena ascensão, ele se casa, em 16 de junho de 1929, e tem três filhos.

No dia 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas assume o poder, substituindo uma Junta Militar formada pelos Generais Mena Barreto e Tasso Fragoso, além do Almirante Isaías Noronha. Defendendo o sistema parlamentarista, Agamenon participa da Constituição de 1933. Quando a Constituição de 1934 é promulgada, Getúlio o convida para assumir o cargo de Ministro do Trabalho.

Naquela época, cabe salientar, o cenário político se apresentava bastante efervescente, e as oligarquias rurais assinalavam os rumos do País com punhos de ferro.

Leia Íntegra:

http://goo.gl/85yKK0

* Fonte: Portal ONordeste – pesquisaescolar@fundaj.gov.br