Category Archives: Homenagem

Crônica / Homenagem : 20 de Outubro. dia do Poeta – Por Sebastião Gomes Fernandes *

DIA DO POETA

20 DE OUTUBRO

 

Homenagem ao Dia do Poeta

 

 

 

EXALTAÇÃO A CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

 

 

Poeta é aquele que faz versos, que escreve poesias.

A poesia, ou gênero lírico, ou lírica é uma das sete artes tradicionais, uma forma de linguagem. A poesia é uma linguagem verbal criativa. Uma arte de escrever em versos. Uma forma de se expressar e transmitir sentimentos e pensamentos.
Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isso, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.

Prestemos nossas homenagens alguns poetas de renome nacional, dentre tantos outros.
Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Patativa do Assaré, ( Antonio Gonçalves da Silva – Ceará), Vinícius de Morais, Cecília Meireles, Mário Quintana, Manuel Bandeira, Cação o Poeta do Pajeú (João Batista de Siqueira).

 

Drumnond partiste!
Mas deixaste plantada
E em plena frutificação
A árvore que espelha
E inspira a cultura brasileira.

 

Poeta dos poetas,
Que se imortaliza
Quando em teus versos e poemas
Contas, descreves e polemizas
As mais variadas questões
Vividas pelos homens,
Nesta terra de meu Deus!

 

Por mais incrédulo que pareça,
Foste mais um dentre tantos outros,
Um benfeitor da humanidade,
Pois, a que foi dada a oportunidade
De conhecer tua obra,
Sentir a sonoridade de teus versos
E a seriedade de tuas colocações,
Jamais duvidará do esplendor e da riqueza
De que é portadora a mente humana,
Quando bem explorada.

 

Em vida, foste o mestre
Que nos legou
O que de mais puro e sensível
Se faz possível descrever
Em prosa e versos,
Quando se quer externar sentimentos
Que elevam o espírito do homem.
Foste o inspirador de novos talentos
Na literatura dos brasileiros
E de outros plagas.

 

Tua morte nos deixa um vazio,
Quando nos referimos à pessoa física de Drummond,
Mas fica na consciência
E na imagem a certeza
De que tuas idéias e pensamentos frutificarão para sempre.

 

 

Sebastião Gomes Fernandes sorrindo SAM_1084

 

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes – É escritor, cronista, contista e poeta. Acadêmico e presidente da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Crônica / Homenagem – O Rádio e a sua Magia – Por Walter Jorge de Freitas *

O RÁDIO

 

Rádios antigos ou não, são eternos companheiros...

Rádios antigos ou não, são eternos companheiros…

 

 

Sempre gostei muito de ouvir rádio. Mesmo quando não tinha em casa, tive a sorte de morar perto de alguém que possuía um exemplar da invenção do cientista italiano Marconi e sendo eu, um menino de razoável comportamento, desfrutava do privilégio de poder junto aos adultos, escutar os bons programas que eram apresentados.

Guardo ainda na minha memória de 65 MB, os primeiros programas radiofônicos que ouvi: Jararaca e Ratinho, Pernambuco Você é Meu, do inconfundível Aldemar Paiva e um com instrumentistas e violeiros na Rádio Borborema de Campina Grande, onde desfilavam o sanfoneiro Ogildo (Ogírio) Cavalcanti, os repentistas Pinto do Monteiro, Os Irmãos Batista, e outros.
Acompanhei também pelo rádio, a inauguração da Rádio Difusora de Pesqueira. Guardo bem vivas as vozes de Jackson do Pandeiro e sua Almira.
Com o passar do tempo fui trabalhar numa loja que vendia rádios e consegui descobrir várias emissoras de outras cidades e acabei ficando familiarizado com os seus programas.

Saudade dos "postais sonoros" da Rádio Difusora de Pesqueira

Saudade dos “postais sonoros” da Rádio Difusora de Pesqueira

Na Rádio Globo do Rio, gostava de ouvir Luiz de Carvalho, Adelzon Alves, Luciano Alves, Waldir Amaral, Jorge Cury e Haroldo de Andrade.

Na Nacional, também do Rio, os programas César de Alencar e Manoel Barcellos (auditório) e Balança, Mas Não Cai (humorístico).
Na Rádio Clube de Pernambuco, Pernambuco Você é Meu, Atrações do Meio-Dia, Caixinha de Pedidos e Quem Manda é o Freguês.
Na Rádio Jornal, além do Repórter Esso, havia bons programas, despontando Manoel Malta e Fernando Castelão (auditório). A parte esportiva era de primeira linha, pois reunia Luiz Cavalcante, Barbosa Filho, Fernando Ramos, Ivan Lima, José Santana e outros. Rossini Moura, Marcos Macena e Fernando Freitas, foram nomes de destaque na emissora de F. Pessoa de Queiroz. De hora em hora, acontecia o REPETECO de uma música, normalmente de boa qualidade.
A Bandeirantes (SP) – da qual possuo uma carteira de sócio do clube de ouvintes emitida na década de 60 – tinha uma equipe esportiva da melhor qualidade. Mário de Moraes, Mauro Pinheiro, Fiori Gigliotti, Ênio Rodrigues, Silvio Luiz, Alexandre Santos, Édson Leite.

Destaques também para Luiz Aguiar, Moraes Sarmento com o programa Almoço À Brasileira, Enzo de Almeida Passos apresentando Altemar Dutra, nas segundas-feiras e Antônio Carvalho que há décadas mantém no ar o seu Arquivo Musical, nas manhãs de domingo.
Na Difusora de Pesqueira, além de Postais Sonoros, ouvíamos Almoço Musical Peixe, Você Faz o Programa, com Arnóbio Marques, Turma da Velha Guarda (serestas), resenhas esportivas, programas de auditório e até novelas escritas pelos irmãos Roberto e Nelson Valença, interpretadas por atores locais.
Na Rádio Olinda, os preferidos eram Lelino Manzela e Geraldo Leal. Na Mayrink Veiga (Rio) o bom era A Turma da Maré Mansa, humorístico.

Um dos programas de grande audiência era Manhã da Saudade, ao microfone da Rádio Tamandaré – Recife – com excelente seleção musical.

Na Rádio Tupy, do Rio, Coli Filho era o carro-chefe de audiência.

Os programas musicais eram bem melhores de que os atuais, pois estes, na maioria são feitos pelos ouvintes via telefone, fator que os torna ruins e repetitivos.

 

walter-J-Freitas II

* Autor : Walter Jorge de Freitas – Walter é  pesqueirense, professor, comerciante, cronista, contista, poeta e pesquisador musical.

Movimento Cultural / MPB : Poeta popular, Vinicius de Moraes foi um intelectual de múltiplas facetas *

VINÍCIUS DE MORAES

 

Centenário de nascimento do "poetinha" Vinícius de Moraes

Centenário de nascimento do “poetinha” Vinícius de Moraes

Poeta popular, Vinicius de Moraes foi um intelectual de múltiplas facetas

 

Uma das personalidades da cultura brasileira de maior projeção popular, Vinicius de Moraes, cujo centenário o país celebra neste sábado, foi muito mais do que o poeta de primeira linha e o letrista de músicas que há cinco décadas são executadas e regravadas em todo o mundo. O Poetinha, como ele mesmo – que cultivava os diminutivos como forma de carinho – gostava de ser chamado, foi um intelectual de múltiplas facetas.

Formado em direito e diplomata de carreira até ser aposentado compulsoriamente em 1969, pela ditadura militar, Vinicius foi também cronista e escreveu para jornais e revistas reportagens cheias de lirismo sobre as cidades onde viveu. Exerceu a crítica de cinema, com análises aprofundadas sobre filmes e cineastas dos anos 40 e 50, e foi um importante autor teatral.

Foi exatamente essa última faceta – a de dramaturgo – que motivou a aproximação do poeta, para quem a vida era “a arte do encontro”, com Antonio Carlos Jobim, em 1956. O encontro, fundamental na trajetória de ambos e um marco na cultura brasileira, aconteceu porque Vinicius estava à procura de um compositor para as músicas de sua peça Orfeu da Conceição, que pretendia encenar no Theatro Municipal do Rio.

Definida pelo autor como “tragédia carioca em três atos”, a peça é uma transposição da história do mito grego de Orfeu para uma favela do Rio de Janeiro. Escrito em 1954, o texto também estava sendo adaptado para o cinema, com o título de Orfeu Negro, pelo cineasta francês Marcel Camus. O filme, que ficou pronto em 1959, ganhou – como produção francesa – a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro.

A parceria com Tom, iniciada com as canções para a peça – as mais conhecidas são Se Todos Fossem Iguais a Você e Lamento no Morro, deu início a um movimento de renovação da música popular brasileira. Dois anos depois, em 1958, com João Gilberto e a sua inovadora batida no violão, e o lançamento do LP Canção do Amor Demais, com Elizeth Cardoso interpretando composições da dupla, esse movimento, que começava a ganhar forma, logo iria ser chamado de Bossa Nova.

“Vinicius de Moraes foi um divisor de águas na história da música popular brasileira. Um poeta de livro que de repente se torna letrista e traz para as letras da música brasileira uma grande densidade poética”, define o crítico musical Tárik de Souza. Mais do que parceiros, Vinicius de Moraes colecionou amigos, companheiros de boemia e da vida cotidiana. A troca ia muito além das rimas e notas musicais.

exposição sobre vinicius de moraes

Para Tárik, que apresenta na Rádio MEC FM o programa Bossamoderna, Vinicius exerceu um papel de catalisador na música popular, estimulando o surgimento de novos compositores. “Ele foi o primeiro parceiro do Edu Lobo, o primeiro parceiro do João Bosco, incentivou o Francis Hime e vários outros artistas a se dedicarem realmente à música, a partir de parcerias com ele. Vinicius tinha essa generosidade de lançar artistas e de abrir novas frentes, como ele fez com Toquinho, que foi o seu último grande parceiro

É grande a lista. Além dos já citados, inclui Carlos Lyra, Baden Powell (que formavam, juntamente com Tom, o que o poeta chamava de sua “santíssima trindade”), Chico Buarque e muitos outros. Lyra, um dos integrantes da “trindade” de Vinicius, conta como foi seu primeiro contato com o poeta. “Liguei para a casa dele: ‘Vinicius de Moraes? Aqui é o Carlos Lyra”.. e ele, com aquela mania de diminutivos, respondeu: ‘Ah, Carlinhos, ouvi muito falar de você. O que você quer de mim?’ E eu: ‘quero umas letrinhas…’. E ele:’então venha já pra minha casa’. E aí começou a amizade e a parceria”.

Vinicius fez letras também para o clássico choro Odeon, de Ernesto Nazareth (1863-1934), e para duas composições de Pixinguinha (Lamentos e Mundo Melhor). Na área da música erudita, Cláudio Santoro e Edino Krieger tiveram versos de Vinicius para composições suas. A obra do “Poetinha” inclui ainda canções em que ele foi autor de letra e música, dispensando as parcerias, como Pela Luz dos Olhos Teus, Serenata do Adeus e Rancho das Flores. E poemas seus, publicados anteriormente em livros, ganharam música, como os sonetos da Separação, musicados por Tom Jobim, e da Fidelidade, pelo pernambucano Capiba. O poema Rosa de Hiroxima ganhou nos anos 70 música de Gerson Conrad, líder da banda Secos e Molhados, de estrondoso sucesso na época em que lançou o cantor Ney Matogrosso.

LEIA TAMBÉM:

Transição de livro para letrista de música foi natural

Amigos que conviveram com Vinicius relembram histórias
* Fonte: Agência Brasil

Sanharó – Homenagem : Alda Fernandes, uma Vida dedicada à Educação *

ALDA ADELAIDE FERNANDES

 

Alda Fernandes discursando em evento no Grupo Escolar Benjamim Caraciolo

Alda Fernandes discursando em evento no Grupo Escolar Benjamim Caraciolo

 

Hoje, Sanharó ficou mais pobre. Perdeu uma das suas ilustres figuras. Alda Adelaide Fernandes, ou simplesmente, dona Alda, despediu-se dos seus conterrâneos, depois de cumprir, religiosamente, sua missão entre nós.

Vinda de Pesqueira, aqui aportou desde os anos 50. Foi professora e depois a diretora do então, Grupo Escolar Doutor Benjamim Caraciolo. Exerceu esse honroso cargo, por décadas com imensa dedicação e apurado zelo com a educação das nossas crianças.
Era extremamente organizada e disciplinadora. Mantinha a sua escola como uma jóia. Ativa e compenetrada, com o mesmo zelo na parte disciplinar, redobrava sua atenção à parte pedagógica. Acompanhava par e passo todas as suas professoras, com respeito, mas, sem intimidade, e com ênfase à presença física. Ninguém gazeava aula: nem aluno e muito menos as professoras.
Gozava da amizade e do grande respeito de todos. Tinha na figura do zelador João do grupo, um excelente auxiliar. Nada escapava aos olhos de lince daqueles dois.

Alda (já aposentada) entre colegas no 50º aniversário do Colégio Benjamim Caraciolo

Alda (já aposentada) entre colegas no 50º aniversário do Colégio Benjamim Caraciolo

No início dos anos 60, permitiu que o saudoso Padre Heraldo, implantasse o ginásio e a escola normal nas dependências do seu grupo.

O esmero que dedicava a escola foi a principal exigência feita ao padre Heraldo que transmitiu esse rigor aos novos alunos que iniciavam no Ginásio Comercial Pio XII e na Escola Normal Emília Câmara.

Aniversário com os filhos, Silvio e Tácio, o esposo Manoel e a amiga Albertina Didier

Aniversário com os filhos, Silvio e Tácio, o esposo Manoel e a amiga Albertina Didier

Na sua longa e vitoriosa trajetória na educação dos sanharoenses, essa pesqueirense de nascimento e sanharoense de alma e profissão, não deixou que os muros a separassem da sua vocação. Construiu pontes. Muitas pontes. Passados já tantos anos da sua aposentadoria, seu nome jamais foi esquecido por alunos e colegas professores. Essa mesma dedicação e ainda com mais rigor, como disse Kant: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, exigiu dos seus dois filhos: Silvio Romero e Sávio Tácio. Formou junto com esposo, Manuelzinho Fernandes, os dois. Silvio é engenheiro mecânico e Tácio é geólogo.

Sanharó dedicou-lhe, através da câmara de vereadores um título honorífico de Cidadã, pelos seus prestimosos inestimáveis méritos.

No sonho e no subconsciente de cada uma daquelas crianças, sempre estará reservado um espaço para lembrar-se de dona Alda Fernandes. Escreveu Coelho Neto: “É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais”. Até quando a força e o pensamento ela pode dominar, essa virtude a consagrou.

Alda Adelaide Fernandes – Uma vida dedicada à educação!

Deus conforte todos os seus familiares.

Dom Pablito
Editor do blog

Crônica/Homenagem : “Professor, estudar pra quê”? – Por Walter Jorge de Freitas *

A MELHOR DAS PROFISSÕES

 

Com mais de 60 anos. Prédio do antigo Comercial, hoje, Cacilda Almeida em Pesqueira

Com mais de 60 anos. Prédio do antigo Comercial, hoje, Cacilda Almeida em Pesqueira

 

 

No ano de 1970, a convite do diretor Paulo Melo, ingressei no quadro de professores do Colégio Comercial Municipal de Pesqueira, criado por Luiz de Oliveira Neves, na sua primeira gestão como prefeito.

Em 1971, eu mais alguns colegas, fomos contratados pela Secretaria Estadual de Educação, mediante convênio com a Prefeitura. Em 2003, aposentei-me por tempo de serviço como professor da rede estadual. Durante as três décadas em que lecionei, ouvi várias perguntas dos alunos e tentei responder a todas, na hora, ou depois de consultar um colega mais graduado ou de pesquisar sobre o assunto.

Ainda hoje, guardo na memória uma indagação feita por um jovem adolescente que demonstrou ser um contumaz leitor de jornais, numa fase de fartas notícias sobre os marajás e o empreguismo que era praticado pelos políticos, os seus altos salários, as manipulações de verbas, o nepotismo direto, o nepotismo cruzado e outras mutretas.

O atualizado aluno me dirigiu a seguinte pergunta: “Professor estudar pra quê”? Para cada resposta minha, ele tinha um argumento bem arrazoado e bastante conhecido por pessoas habituadas a ler jornais e a assistir o Jornal Nacional.
Sou do tempo em que o rapaz ou a moça apenas com o curso ginasial, se submetia e passava em concursos do Banco do Brasil ou do Nordeste, na Caixa, nas repartições públicas e nos escritórios das fábricas.

Se concluísse o Magistério, o Curso de Técnico em Contabilidade, Técnico Agrícola ou similar, estava capacitado para concursos públicos e vestibulares, sem precisar dos “pistolões” ou do sistema de cotas criado ultimamente, quando o ideal, seria melhorar a qualidade do ensino.

Imagino, agora, esse ex-aluno já na condição de pai e cidadão experiente, envergonhado, escondendo de seus filhos os jornais com as notícias atuais sobre os aumentos salariais dos parlamentares, aposentadorias de ex-governadores, ex-deputados, ex-vereadores, que além de não precisarem de 30 ou 35 anos para adquirir esse direito, são eles que determinam com quantos reais vão contar no final de cada mês, ao abandonarem a política ou o povo não suportá-los mais.

Diante desses fatos e de outros que não chegam ao nosso conhecimento, facilmente concluímos que a melhor profissão no Brasil é a de político.

 

Walter Freitas e a sua esposa

 

]

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, professor, comerciante, cronista, contista, poeta e pesquisador musical.

Movimento Cultural/Homenagem : O Amor Incondicional a Jenipapo – Por Angela Melo *

Jenipapo vista de longe

jenipapo Bandeira ou símbolo

AMOR INCONDICIONAL…

 

 

Oh! Que saudades que tenho
Do meu tempo de criança
E não me sai da lembrança
Os momentos que vivi
Entre sonhos e brincadeiras
Dificuldades e dores…
Colhi, espinhos e flores

E em meio a isso cresci.

Respirando o ar saudável

Do meu lindo vilarejo
Que hoje em dia o vejo
Envolvido de tristeza
Já não existe a beleza
Da usina, do bangalô,
Nem a casa de farinha,
Pelos negros construída
Tudo isso em minha vida
Recordo com grande dor.
Tinha a ponte de madeira,

A saudosa bulandeira

Pra se chegar ao cacimbão
O olho d’água, a goiabeira
Eram fontes verdadeiras
Que saciava o povão.
Mas, aqui ainda existe
Uma a relíquia preciosa
Uma obra valiosa
Que é o belo casarão
Peço encarecidamente
Por Deus do céu minha gente
Não deixem que a nossa história
Perca a sua tradição.
Oh! Jenipapo querido

Como eu tenho sofrido
Pra te ver valorizado
O teu hino escrevi
Graças a Deus Já ouvi
Em flauta, ele ser tocado
Só me resta esperar

Com muito amor confiar
Que tu sejas consagrado.

 

 

Angela Lucena

 

Autora: Angela Maria de Melo. É sanharoense de Jenipapo, professora, poetisa e contista. É filha do grande violeiro e repentista João Cabeleira.

Homenagem / Movimento Cultural – Viagem a Sanharó – Por Margarida Maciel Ramalho *

HOMENAGEM A SANHARÓ

Sanharó e a Praça da Matriz nos anos 60...

Sanharó e a Praça da Matriz nos anos 60…

VIAGEM A SANHARÓ

 

 

 

Olha meu rincão querido
Sanharó , meu doce alento
Teu nome é feito mel
Meu pedacinho de céu
Trás de volta o nosso tempo.

 

Já ouço longe um apito
Agora sou uma criança
É o trem que vem chegando
Nele vou logo embarcando
Carregado de lembranças.

 

Agora já posso ver
Rua Sete e da Fumaça
Da turma sou maioral
vou no cavalo de pau
Ser cowboy feliz na praça

 

Lembro o professor Ulisses
Regendo com esplendor
A banda Santa Cecília
Na retreta tanto brilha
Quero escutar Sonhador

 

Vejo procissão passando
Com o Coração de Jesus
Ouço sinos repicando
E os fogos que vão saudando
A cidade é festa e luz.

 

Vou correndo lá prá ponte
Tomar meu banho no rio
Jogar com a bola de meia
Caçar com baleadeira
Faça calor, faça frio.

 

Dia útil vou prá escola
Domingo é só emoção
No futebol deito e giro
E no cinema de Miro
Me arrebenta o coração.

 

Berço que embalou meus sonhos
Como posso te esquecer?!
Em ti tenho minha herança
Sou laçado em tuas tranças
És parte do meu viver.

 

 

Margarida Maciel Ramalho

 

* Autora: Margarida Maciel Ramalho – Margarida é pesqueirense, professora, compositora, cantora, musicista, e poetisa…

Dedicatória – Para os meus queridos sanharoenses Joãozinho (que tem a minha cara de pesqueirense), e meu netinho Cainho , bem como os demais conterrâneos…

Beijoooooo

Margarida Maciel Ramalho

 

NOTA DO BLOG

Margarida é casada com o sanharoense João (Capri) Ramalho. Atendeu em boa hora a nosso convite e vai juntar-se a uma plêiade de eméritos colaboradores que fazem desse sítio um trincheira na defesa da nossa cultural.

Obrigado!

BRASIL : 25 Anos da Constituição do Brasil – “…documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil” *

 

25anosConstituinteBanner1

Marco entre a ditadura e a democracia, Constituição de 1988 completa 25 anos

 

“Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”, disse há 25 anos o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal, em vigor até hoje. O Brasil rompia de vez com a Constituição de 1967, elaborada pelo regime militar que governou o país de 1964 até 1985.

O trabalho que resultou na “Constituição Cidadã” começou muito antes da Assembleia Constituinte e o fim da ditadura. A luta para acabar com o chamado “entulho autoritário” ganhou força com a derrota da Emenda das Diretas-Já, ou Emenda Dante de Oliveira, rejeitada por faltarem 22 votos, no dia 25 de abril de 1984.

Passadas duas décadas dos militares no Poder, com a restrição de vários direitos e depois da derrota na votação que instituiria o voto direto para presidente da República, lideranças políticas, como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Luiz Inácio Lula da Silva, Miguel Arraes, Fernando Henrique Cardoso e muitos outros percorreram o Brasil para tentar unir a sociedade com o ideal de pôr um fim ao regime autoritário.

Eleito indiretamente após 20 anos de ditadura, Tancredo Neves morre em 21 de abril de 1985.

Eleito indiretamente após 20 anos de ditadura, Tancredo Neves morre em 21 de abril de 1985.

Com a impossibilidade de eleições diretas, o então governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, passou a articular a disputa da eleição presidencial no Colégio Eleitoral, formado por deputados e senadores. Até então, só os militares participavam do processo. Tancredo convenceu os aliados, deixou o governo de Minas e se tornou o candidato das oposições. Uma das suas promessas de campanha era a convocação da Constituinte. Na disputa, o ex-governador mineiro venceu Paulo Maluf, candidato oficial dos militares.

Com a eleição de Tancredo, estava cada vez mais próxima a possibilidade do país deixar para trás os anos de ditadura e avançar para o regime democrático. Mas o sonho, no entanto, se viu ameaçado com a impossibilidade de Tancredo tomar posse em 15 de março de 1985, em virtude de uma crise de diverticulite. Internado às pressas no Hospital de Base do Distrito Federal, o presidente eleito fez uma cirurgia de emergência. No dia seguinte à sua internação, subiu a rampa do Palácio do Planalto o vice-presidente José Sarney. Com a morte de Tancredo, em 21 de abril de 1985, Sarney foi efetivado e deu andamento ao processo de transição.

Em 28 de junho de 1985, Sarney cumpriu a promessa de campanha de Tancredo e encaminhou ao Congresso Nacional a Mensagem 330, propondo a convocação da Constituinte, que resultou na Emenda Constitucional 26, de 27 de novembro de 1985. Eleitos em novembro de 1986 e empossados em 1º de fevereiro de 1987, os constituintes iniciaram a elaboração da nova Constituição brasileira. Ao todo, a Assembleia Constituinte foi composta por 487 deputados e 72 senadores.

A intenção inicial era concluir os trabalhos ainda em 1987. No entanto, as divergências entre os parlamentares, especialmente os de linha conservadora e os considerados progressistas, quase inviabilizaram o resultado da Constituinte e provocaram a dilatação do prazo. Foram 18 meses de intenso trabalho, muita discussão e grande participação popular até se chegar ao texto promulgado em 5 de outubro de 1988, por Ulysses Guimarães. Foi a primeira vez na história do país que o povo participou efetivamente da elaboração da Constituição. Além da apresentação direta de sugestões, a população acompanhou da galeria do plenário da Câmara os trabalhos dos constituintes.

A participação popular neste momento histórico da política brasileira pode ser traduzido em números: foram apresentadas 122 emendas, dessas 83 foram aproveitadas na íntegra ou em parte pelos constituintes na elaboração do texto final da Constituição. As emendas foram assinadas por 12.277.423 de brasileiros.

Leia Mais:

Em 25 anos, Constituição Cidadã foi modificada 80 vezes

As conquistas sociais e econômicas da Constituição Cidadã

* Fonte: Agência Brasil / Iolando Lourenço e Ivan Richard

Movimento Cultural: Reflexões em forma de Poesia – A Minha Idade – Por Walter Jorge de Freitas *

Oscar Niemeyr frase sobre idade

A MINHA IDADE

 

I
Muita gente se preocupa
Com a idade cronológica
Como se esse detalhe
Tivesse a menor lógica

II
Existem velhos bem moços
E moços já bem surrados
Quero ver alguém ser velho
Tendo no banco uns trocados

III
Vou revelar com orgulho
Um segredo de estado
Bem no início de julho
Fico um pouco mais rodado

IV
Se me perguntam a idade
Não me faço de rogado
Uso da sinceridade
Aos que me tem indagado

V
Faço um esforço imenso
E pra responder me empenho
Tenho a idade que penso
E não a idade que tenho

VI
E antes que eu esqueça
Do que estava falando
Vejam na minha cabeça
O topete desbotando

VII
Não vou pintar o cabelo
Com esse rosto enferrujado
Pensem num desmantelo
Um velho recauchutado

VIII
Mas vamos ao que interessa
Àqueles mais fofoqueiros
Não sei pra que tanta pressa
Em saber dos meus janeiros

IX
Já fiz todo o possível
Pra não fugir do assunto
Idade é coisa indizível
E a de ninguém eu pergunto

X
Não sou velho, nem sou novo
Digo que estou meio usado
Se for na onda do povo
Vou ficar complexado

XI
Se digo tenho oitenta
Vão me achar conservado
Mas se falo em sessenta
Exclamam tais acabado!

XII
No ano em que nasci
Mudaram o nosso dinheiro
E logo que eu cresci
Conheci o tal Cruzeiro

 

 

XIII

Prestei serviço ao TG

Em  ano dos mais fajutas

Jânio resolver “correr”

Culpando asforças ocultas”. 

 

 

 

Walter Freitas e a sua esposa

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – É pesqueirense, comerciante, professor, escritor, poeta, cronista e pesquisador musical

Cidadania & Estilo : IDOSO! Quase um Pária da Sociedade. Cadê seus Direitos? *

IDOSO 

QUEM O PROTEGE?

 

Dez anos depois da instituição do Estatuto do Idoso, o balanço da aplicação da lei continua a ter mais peso simbólico do que prático

Dez anos depois da instituição do Estatuto do Idoso, o balanço da aplicação da lei continua a ter mais peso simbólico do que prático

 

 

“No Disque 100, criado para receber denúncias, os casos de abandono de idosos respondem por 70% dos telefonemas”

“No decreto que criou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, a política do idoso não aparece entre as atribuições da pasta

 

“Há um descaso absoluto, mas o maior problema, o porquê de não funcionar, é que tudo no texto é genérico, não tem o como”

“Não se justifica a existência de preconceitos, nem de privilégios para os idosos, pois eles não vivem isolados na sociedade”

 

A partir de terça-feira, serão realizados em todo o Brasil eventos com o objetivo de destacar o papel da pessoa idosa na sociedade. Em outubro é assim. Desde 2006, o dia 1º desse mês é dedicado à valorização do idoso. Até então, comemorava-se a data em 27 de setembro. Depois de o Estatuto do Idoso ter se transformado na lei 10.741 nesse dia do ano de 2003, decidiu-se mudar a data nacional e adequar o calendário ao da Organização das Nações Unidas (ONU) que, há 22 anos, instituiu a celebração como um marco internacional em sua política de ações para o envelhecimento. A assinatura do Estatuto encontrou o motivo simbólico para a criação no país do Dia do Idoso. A questão é que, dez anos depois, o balanço da aplicação da lei continua a ter mais peso simbólico do que prático. O debate, entre especialistas no tema, provocado pela efeméride, apesar de divergências de pontos de vista, chega a um conhecido consenso sobre legislação e democracia: a sociedade, muitas vezes, está despreparada para acompanhar no mesmo ritmo o avanço da lei.

Com 118 artigos, o Estatuto do Idoso sempre foi considerado peça sócio-jurídica indispensável na defesa dos direitos da população idosa. A dinâmica demográfica brasileira foi apenas uma das justificativas para a lei 10.741/2003. O país vive um envelhecimento populacional em ritmo acelerado. Em 2001, as pessoas com 60 anos ou mais representavam 9% do total da população. Em 2011, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou um salto para 12,1%, que, em números absolutos, significa aumento de 15,5 milhões para 23,5 milhões de idosos em uma década. As projeções apontam para uma proporção, em 2030, superior a 14% – parâmetro usado pela ONU para definir uma sociedade como envelhecida.

LEIA A ÍNTEGRA:

Acaba sendo a pior idade

* Fonte : Valor Econômico / Por Jorge Felix