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HOMENAGEM: MORRE O ARTISTA PLÁSTICO LUIZ JARDIM – Por Antonio Campos

 

Luiz Jardim entre amigos Antonio Campos

 

LIVRO : Homenagem/SEULAU – Primeira Parte* – Por Leonides Caraciolo

SEULAU, PRIMEIRO PREFEITO
CONSTITUÍDO DE SANHARÓ

SEULAU foi prefeito eleito de Sanharó por duas vezes.

SEULAU foi prefeito eleito de Sanharó por duas vezes.

Laurentino Ventura Caraciolo adquiriu na infância o apelido de Seulau dado por sua mãe – dona Chita. Todos assim o chamavam e assim continuou por toda a sua vida.

Dona Chita – Francisca Ferreira Ventura Caraciolo – era filha do tenente-coronel Laurentino Ferreira da Costa Ventura e de Felícia Ferreira de Carvalho Ventura, e esta irmã do Monsenhor Estanislau Ferreira de Carvalho, (Fundador da cidade de Poção-PE). A família Ferreira de Carvalho tem as suas raízes no município de Monteiro, da Paraíba, que posteriormente passou a ser Ferreira Ventura (ver a segunda parte deste livro).

Monsenhor Estanislau, tio de dona Chita, foi quem levou Seulau para estudar o curso primário no Recife, em 1909. Ele foi morar com o próprio Monsenhor no Pátio do Carmo.
O seu pai, capitão Augusto Rodrigues de Freitas Caraciolo, ao mandar um filho para estudar no Recife costumava dizer que assim o fazia para que ele, pelo menos, aprendesse a dar o laço na gravata.
Seulau tinha uma caligrafia firme e legível e sempre estava verificando as lições e deveres escolares dos filhos. Após o jantar, às 18h, chamava os filhos, um a um, para verificar e cobrar as tarefas escolares. Depois disso, passava a receber os amigos e correligionários para o bate-papo político, da noite.
Seulau começou na política como partidário da Aliança Liberal, depois, filiou-se ao Partido Social Democrático-PSD, de Agamenon Magalhães, no qual permaneceu até a sua extinção pelo movimento de 1964.
A vida de Seulau, ele a usou, para preservar viva a liberdade, prosperidade e dignidade de Sanharó, pois, como filho da terra tudo fez pelo seu desenvolvimento sócio-econômico. Foi vereador à Câmara Municipal de Pesqueira por três legislaturas como representante da então vila de Sanharó
Prefeito por duas vezes de Sanharó, a primeira vez como prefeito constituído, de 25/05/1949 a 25/05/1953 e a segunda vez de 1953 a 1957. Foi um lutador em favor do soerguimento do município. Como o primeiro prefeito constituído, organizou a prefeitura dando-lhe uma estrutura administrativa exemplar e eficiente. Dizia com orgulho: “Sou administrador de um dos menores, porém, dos mais promissores municípios do Estado de Pernambuco”. Fundou escolas, construiu estradas, pavimentou ruas e praças. As suas obras, ainda hoje, estão aí, como por exemplo, o prédio do colégio Nossa Senhora de Fátima, os prédios das escolas rurais de Jenipapo, Mulungu e Sanharó.
Teve a visão de urbanista ao abrir a Rua João Alves Leite, direcionando o crescimento da cidade para um sítio plano e livre das cheias do rio Ipojuca. Criou a primeira escola do Jardim da infância, do Município. Batalhou por mais de 40 anos pelo engrandecimento do Município e afirmou no álbum de sua primeira administração:”Por tudo isto trabalhei com amor e pelo amor que tenho a Sanharó”.
Seulau possuía um amplo patrimônio de terras, parte adquiridas por herança (Malhada, Olho D’água, as maiores e melhores propriedades) e parte, por compras (Água Branca, Jaqueira, Engenho Velho, compradas aos irmãos, Tamanduá e Bom Nome): área acima de mil hectares. No entanto, a partir do momento em que foi prefeito, ou seja, a partir de 1949, ele não mais trabalhou nem cuidou de seus próprios negócios e foi vendendo o patrimônio para investir na política e na manutenção da família. Quando chegou a velhice não mais dispunha de recursos e os filhos passaram a prestar a assistência para a sua própria manutenção.
Um fato curioso ligado à eleição, que eu próprio presenciei e está narrado no livro Sanharó, da Colméia á Cidade, e que aqui transcrevo:
“Em dias de eleições aparecia na casa do velho Seulau uma esperança, inseto semelhante ao grilo, porém, de cor verde. Como o próprio nome sugere, a aparição do inseto é interpretado na crendice popular como o sinal de bons acontecimentos. No caso presente, era o anúncio de que Seulau venceria mais um pleito. A aparição da esperança tornou-se tão corriqueira em dias de eleições que já havia afirmações de que o ortóptero era trazido propositalmente. Contudo, o pessoal da casa ficava alerta e não demorava, lá vinha o grito:

Olhem a esperança!

Mas, chegou o dia em que a esperança não apareceu. E aconteceu o inesperado: Seulau perdeu o pleito”.

Laurentino Ventura Caraciolo nasceu na fazenda Água Branca em 17 de junho de 1898 e faleceu em Sanharó em 03 de março de 1986, com a idade de 87 anos, 8 meses e 14 dias.

* Continua.

AMÉRICA LATINA: O legado de Chávez – Por Rubens Ricupero (*)

(Não compreender por que milhões de venezuelanos rezam por Chávez é repetir a experiência narrada por Ernesto Sabato sobre a queda de Perón em 1955)

(Não compreender por que milhões de venezuelanos rezam por Chávez é repetir a experiência narrada por Ernesto Sabato sobre a queda de Perón em 1955).

Hugo Chávez passará à história como a manifestação mais inconfundível da afirmação de um ator político novo na América Latina: as periferias das metrópoles nascidas da urbanização explosiva das últimas décadas. Ele foi um dos primeiros a intuir que essas periferias não se sentiam representadas pelos partidos tradicionais dado o fracasso destes em melhorar a vida das maiorias. Preenchendo esse vácuo, seu gênio foi tentar dar às periferias expressão própria, canalizando assim o descrédito desses partidos e instituições para um movimento de redistribuição imediata de benefícios tangíveis aos mais carentes: saúde, educação pública, moradia, alimentos.

O tempo histórico de Chávez é diferente do que prejudicou muitos líderes populares anteriores no continente. Ele é o primeiro a surgir após a Guerra Fria e o fim do comunismo. Isso e a concentração estratégica americana no Oriente Médio explicam que os Estados Unidos tenham se acomodado, embora de mau grado, a seu anti-imperialismo.

Sua circunstância nacional também contrasta com a da redemocratização na Argentina, no Brasil e no Chile no início dos anos 1980. Ele não teve de reagir contra uma ditadura militar (a última terminara na Venezuela em 1958). Seu duplo alvo eram os partidos desmoralizados da democracia tradicional e a ortodoxia econômica do Consenso de Washington, que impusera o pacote de ajuste econômico acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) pelo presidente Carlos Andrés Pérez (1989). O violento protesto popular contra o pacote, o “caracazo”, e sua brutal repressão estão na raiz da ascensão que, depois de muitas peripécias, levaria o jovem oficial paraquedista ao poder (1999).

O desaparecimento de Hugo Chávez não significará a extinção do movimento de genuína base social que fundou, da mesma forma que não se apagaram os legados de Getúlio Vargas, Juan Perón ou Haya de La Torre.

Não compreender por que milhões de venezuelanos rezam por Chávez é repetir a experiência narrada por Ernesto Sabato sobre a queda de Perón em 1955. O escritor comemorava com amigos intelectuais e profissionais liberais o fim do ditador que envergonhava a Argentina até que, em certo momento, teve de entrar na cozinha. Lá, todos os empregados choravam…

LEIA A ÍNTEGRA DO ARTIGO

O legado de Chávez

Rubens Ricupero

(*) Autor: Rubens Ricupero | Para o Valor  –  Rubens Ricupero foi ministro da Fazenda (1994) e atualmente é diretor da Faculdade de Economia da Faap

 

HOMENAGEM: 06 de Março – DATA MAGNA DO ESTADO DE PERNAMBUCO *

O "Sacrifício" de Frei Caneca - O Mártir da Revolução Pernambucana.

O “Sacrifício” de Frei Caneca – O Mártir da Revolução Pernambucana.

 

(Revolução de 1817)

06 DE MARÇO foi instituída como “A DATA MAGNA DO ESTADO DE PERNAMBUCO”, por ter sido um Marco Histórico de Libertação de Portugal, (representando o Sentido de Liberdade) do povo pernambucano contra a opressão do domínio português( D. João VI).

Foi um ato que deixou Pernambuco Independente de Portugal. Foi o único Estado Brasileiro a ficar livre do domínio português antes da Independência do Brasil, acontecida em 07 de Setembro de 1822.

A História :

Em 16 de Fevereiro 1800, o antigo Colégio dos Jesuítas, então entregue ao Bispo Diocesano Dom José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho, foi transformado em Seminário, cuja finalidade era dar instruções à mocidade em todos os principais ramos da Literatura, própria não só, de um eclesiástico, mas também, de um grande cidadão que se propõe a servir ao Estado.

Com a chegada do Século XIX, as idéias liberais republicanas, divulgadas pelos teóricos da Revolução Francesa(1789) eram debati das nas sociedades secretas, nos púlpitos das igrejas e entre os alunos no recém-instalado Seminário de Olinda (ONDE AS IDEIAS REVOLUCIONÁRIAS BROTAVAM ).

Uma vez que, o grande acervo literário e cultural e os mais destacados professores, os futuros dirigentes da Revolução encontravam-se no Seminário de Olinda :

-Padre José Ignácio Ribeiro de Abreu e Lima (Padre Roma),

-Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, e

-Padre Miguel Joaquim de Almeida Castro(Padre Miguelinho).

Ensinando Teologia, Filosofia, Geometria, Geografia, Grego, Francez e Belas Artes.

E ao mesmo tempo,

As sociedades secretas (Maçonarias) continuavam sua revolução doutrinária, “a fim de tornar conhecido o estado geral da Europa, os estremecimentos e destroços dos governos absolutos, sob os influxos das idéias democráticas.” Tornando-se verdadeiro celeiro de liberais.

Paralelamente os lentes e seminaristas do Seminário de Olinda se encarregavam de difundir as ideias de Jean Jacques Rousseau e Montesquieu, juntamente com preceitos da Constituição dos Estados Unidos da América e da Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, provocando assim uma verdadeira mudança cultural.

Em 1801, foi descoberta e sustada a misteriosa conspiração dos Suassunas, que tinha por fim, transformar Pernambuco em uma República, sobre a proteção de Napoleão Bonaparte, com a prisão dos irmãos Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, Luis e José,

Estas reuniões realizadas em lojas maçônicas- em suas residências, na cidade de Itambé vamos encontrar Dr.Manoel de Arruda Câmara, em Jaboatão no Engenho dos Suassuna – temos o Sr. Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque (que em 1835 foi Governador em Pernambuco) e a terceira loja maçônica ficava no Pátio do Paraíso, na Atual Av. Dantas Barreto, defronte do prédio INSS.

Nestas reuniões os assuntos eram estritamente nacionalistas, contra o Governo de D. João VI. Nos púlpitos das Igrejas, espalhadas por toda a província, as novas idéias eram propagadas pelos padres recém saídos do Seminário de Olinda, alguns com estudos na Europa, criando um clima, por demais favorável, à revolta; que a tradição popular veio a denominar … a Revolução de Padres. Esse longo processo de mais de 16 anos,veio eclodir em 1817 encabeçada pelo padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, Domingos José Martins e Antonio Gonçalves da Cruz, além de alguns soldados do regimento de primeira linha.

Imediatamente, foram convocados os Oficiais Generais Portugueses, que se encontravam no Recife e, determinada a prisão dos civis e militares envolvidos, entre eles os Capitães de Artilharia Domingos Teotônio Jorge Martins Pessoa, José de Barros Lima(Leão Coroado), Pedro da Silva Pedroso e José Mariano de Albuquerque.

A prisão dos implicados dar-se-ia no dia seguinte, 06 de Março de 1817, tendo se destacado o Marechal José Roberto Pereira da Silva para efetuar a prisão dos civis.

O Brigadeiro Manuel Barbosa de Castro, chefe da Artilharia “português, orgulhoso, altivo, violento, e severo”. Reuniu a tropa e resolveu desacatar os oficiais suspeitos, acusando-os de agitadores.

Domingos Teotônio Jorge o repeliu, tendo o Brigadeiro imediatamente ordenado ao Capitão Antonio José Vitorino que efetuasse a sua prisão na Fortaleza de Cinco Pontas.

De maneira diferente procedeu o Capitão José de Barros Lima, conhecido pela alcunha de “Leão Coroado”, que ao ser intimado da voz de prisão, desembainhou a sua espada e deferiu-a contra o Brigadeiro português, matando-o . Dando assim, início a revolta.

Foi então no dia 06 DE Março, deflagrado o início da “Revolução de 1817”.

(Conhecida como a única revolução brasileira pelo “sentido de liberdade, não por motivos financeiros como todas as demais – a prova disso, foi que a mesma importância em dinheiro encontrada nos cofres, nunca foi tocado. foram devolvidos os mesmos 600.000$000 réis, na rendição). Mostrando a honestidade e seriedade e caráter dos Governantes da Revolução de 1817).

“O então Governador- Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se com seus familiares, no Forte do Brum”.

Foi assinado um ultimato por Domingos Teotônio Jorge, Padre João Ribeiro e Domingos José Martins, este documento foi levado ao governador pelo advogado José Luiz de Mendonça, exigindo a sua rendição, que foi de pronto aceita pelos oficiais portugueses e o governador. Providenciados de imediato o transporte de todos para o Rio de Janeiro.

Às 12hs do dia 07 de Março de 1817, foi constituído o “Primeiro Governo Republicano do Brasil” em Pernambuco, para cuidar da Causa da Pátria.

Foram nomeados 5 Patriotas:

da parte do Eclesiástico ,João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro,

da parte Militar, Capitão Domingos Teotônio Jorge Martins Pessoa,

da parte da Magistratura, José Luiz de Mendonça,

da parte de Agricultura Coronel Manuel Correia de Araújo

e, da parte do Comércio, Domingos José Martins.

Estava, pois, consolidado o movimento que Manuel de Oliveira Lima, veio denominar de a “única Revolução Brasileira” digna desse nome”

De imediato,

– Foi instaurada, a Lei Orgânica de Pernambuco de 1817, um estatuto onde constavam todos os projetos e normas de governar, numa Legislatura em 28 itens.

– Foi oficializada a criação da atual Bandeira de Pernambuco,
e Benta pelo Deão Bernardo Luiz Ferreira Portugal em 02 de Abril de 1817, na igreja do Pátio de São Pedro.

Nas comemorações, o carmelita, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, que mais tarde veio a ser Mártir da Confederação do Equador, fez a distribuição de versos patrióticos, denominados “Canção Pernambucana”

Dos quais, apenas, três estrofes chegaram aos nossos dias;

Cidadãos pernambucanos

Sigamos de Marte a lida;

È triste acabar no ócio,

Morrer pela Pátria é vida.

 

Quando a voz da Pátria chama

Tudo deve obedecer;

Por ela a morte é suave,

Por ela cumpre a morrer.

 

O patriota não morre

Vive além da eternidade

Sua glória, seu renome

São troféus da humanidade.

MORRERAM PELA PÁTRIA !

martires da Revolução pernambucana

 

 

* Casa da Cultura PERNAMBUCO

BRASIL, 1963 – BI CAMPEÃO MUNDIAL DE BASQUETE (*)

50 anos do bicampeonato mundial de basquete ganha documentário

Brasil Bi Campeão Mundial de Basquete 05 03 1963

 

Hoje, 5 de março, será realizada na ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), às 15 horas, um encontro com os bicampeões mundiais de basquete (1959/1963) e a imprensa.

Na ocasião será apresentado o lançamento de um documentário sobre a conquista do bi realizado na cidade do Rio de Janeiro (Maracanãzinho) entre os dias 12 e 25 de Maio de 1963. Como se observa, neste ano de 2013 comemora-se 50 anos daquele feito.

Esse documentário é inédito para o basquete brasileiro, principalmente por tratar-se de um longa-metragem com a representação artística de atores especialmente escolhidos para as cenas interpretativas.

Confesso que ainda não conheço maiores detalhes sobre os trabalhos cinematográficos, pois ainda hoje vamos nos reunir com os produtores do documentário para esclarecer todos os detalhes do projeto para, em seguida, ele ser apresentado à imprensa. Simultaneamente, a ACEESP oferecerá um coquetel para todos os participantes.

Está aí um bom motivo para deixarmos registrado nos anais do esporte brasileiro uma conquista inédita no país. Felizmente, os 50 anos se repetem, pois no dia 31 de janeiro de 2009 pudemos também comemorar a primeira conquista mundial do basquete brasileiro, daquela vez em terras chilenas.

Deixo aqui a relação nominal dos atletas bicampeões :

Amauri Pasos (bi)
Jatir Shall (bi)
Carmo de Souza (Rosa Branca – bi) – Falecido
Waldemar Blatkauskas (bi) – Falecido
Ubiratan Pereira Maciel (Bira) – Falecido
Antonio Salvador Sucar
Luis Claudio Menon
Carlos Domingos Massoni (Mosquito)
Vitor Mirschauska
Fritz Braun
Benedito Cicero Tortelli (Paulista)
Wlamir Marques (bi)

(*) Fonte: Wlamir Marques / ESPN

CANETADAS ON LINE / Odete Andrada Alves – Por Jurandir Carmelo (*)

Professora Odete Andrada Alves.

Professora Odete Andrada Alves.

 

 

Trecho do prefácio do livro “Do âmago da Memória”

Escrito pelo acadêmico Walter Alves Ramalho.

Uma notinha aqui, outra ali, muitas linhas e muitos dias depois, todas elas entrelaçadas pelos personagens comuns ou pelos acontecimentos contemporâneos que lhes dão movimento e colorido, e eis a crônica social gravando, a cada instante que passa, a aventura maior de uma comunidade que vive plenamente, que escolhe os seus caminhos e forja sua cultura.

A morte de dona Odete de Andrada Alves enlutou a família pesqueirense, seus familiares e deixou órfãos corações amigos, como o de dona Zezé França e seu afilhado Aurélio, porque não o de Chico França, que lhe acudiu em pronto momento.

Já havia recebido o livro da escritora Odete de Andrada Alves, lançado no ano de 2003 (Editora Bagaço – Recife / Pernambuco), intitulado “Do Âmago da Memória”. Livro por mim sempre consultado, pois além das anotações de fatos e pessoas de Pesqueira, que retratam pedaços da nossa história da nossa terra, em determinada época, estão inseridas crônicas versando sobre a valoração humana, mostrando caminhos, reabrindo espaços, firmando esperanças. Livro que sempre consultei, nas horas precisas, para uma boa reflexão sobre o Eu, o de dentro de mim, do porque do que vem de dentro da gente que impulsiona as nossas ações nesse mundo exterior, tão cheio de caminhos e descaminhos. Caminhos retilíneos e sinuosos.

Ocorre que um amigo estava precisando de se reencontrar na vida, alguns descaminhos o tiraram da retilínea caminhada. Na sociedade ou no trabalho, ou mesmo na família em que convivia, estavam querendo que Ele não fosse ele, ou seja, que Ele seguisse caminhos indicados pelos outros. É como se me pedissem para que Eu deixasse de ser Eu, como tantas vezes já sugeriram. Fazer o que os outros querem fere a existência da pessoa. Jamais aceitei!

Pediu-me, portanto, o amigo para lhe indicar um livro de alto-ajuda. Ponderei, dizendo-lhe: para ajudar-se a si próprio é preciso conhecer o seu Eu, por dentro. Se não for assim não funciona. Depois é preciso querer mudar o rumo das coisas, da vida entediada daquele instante, das depressões, sobretudo, sociais e familiares. O homem entediado, o homem depressivo, vive com medo, e o medo o remete a mais profunda escuridão.

Disse ao meu interlocutor: Olha amigo o que mais está presente no mercado dos alfarrábios são os tomos de alto-ajuda. Existem centenas deles, milhares deles. Quem sabe, milhões nesse mundo a fora!

Pela beleza de suas expressões, se deles dependesse o caminhar da humanidade, talvez o mundo fosse outro, sem tanta violência, sem desvios de conduta. Seria, quem sabe, um paraíso de bem-aventurança, não esse inferno em que vivemos, vendo o pai matar o filho, a filha matar a mãe e o pai, a bala perdida tirar vida inocente, a torcida de futebol (organizadas ou não) virar espaço de extravasamento de recalques e violências mil, permitindo-nos conviver de forma quase que permanente com um quadro de tão profunda tristeza e de dor.

Mas tenho um livro aqui que não pretendendo ser um livro de alto-ajuda, repassa ao leitor inestimáveis lições que o leva a refletir sobre a vida, a partir do dentro para fora. Do coração e da alma para o mundo exterior das pessoas, levando-as a reflexões que o faz lembrar que Jesus existe. E Jesus é amor, é vida!

Fui à estante e peguei “Do Âmago da Memória”, da escritora Odete de Andrada Alves. Abri o livro na página 27. Estendi-lhe a mão e fiz a entrega do mesmo. Leia com atenção essa crônica escrita no dia 14.09.58, publicada no jornal ERA NOVA – (jornal da Diocese de Pesqueira), intitulada “Conhecer-se a Si Mesmo”, de autoria da professora Odete Marinho de Andrada. Aquela época, ainda solteira, dona Odete usava o sobrenome da mãe e do pai: “Marinho de Andrada”, mais tarde por força do casamento com o mestre Bianor, Odete de Andrada Alves.

O meu interlocutor, encostou-se à cadeira e leu o que estava escrito naquela crônica (transcrição a seguir):

“CONHECER-SE A SI MESMO” (Odete Marinho de Andrada > 14.09.58 – Jornal ERA NOVA)

“Não é difícil um conhecimento de nós mesmos, quando deixamos de ser indulgente com o nosso eu. A tarefa exige um acurado exame de consciência. Se não me conheço é que penso ser a espécie de pessoa que os outros desejariam que eu fosse. Talvez nunca me tenha perguntado se realmente desejo ser aquilo que os outros parecem querer de mim.”

A mentalidade reinante, atualmente, é a de se querer aparecer revestido de uma aparência enganadora, sem, contudo, deixar falar à própria essência. É a vaidade de competição, de ser integrado numa sociedade onde se faz perder a noção do amigo sincero, onde tudo perdeu a finalidade.

O homem foi feito para viver em sociedade.

Que a integre para ser fermento dessa massa heterogênea, dando o seu testemunho para o reajustamento das estruturas sociais mal concebidas.

Sendo outro num meio onde a grita de salvação se faz ecoar, estamos nobilizando o nosso mundo introspectivo, que outra coisa não é senão o conhecimento de nós mesmos.

Seja você mesmo, em qualquer circunstância que se lhe afronte. Aja consoante os ditames de sua consciência, sendo exato no âmbito de suas atividades habituais. E depois, num gesto entusiástico, expresse-se bem alto: O mundo só vai melhorar porque eu vivo, por causa da minha contribuição como verdadeiro cristão – (Jornal Era Nova – Pesqueira, 14.09.1958).

Pois bem, lida a crônica disse-me o interlocutor, com a voz tomada pela emoção, quase que embargada, a caminho de um estágio depressivo. Disse-me mais: É isso que estou procurando. Posso levar este livro? Sim, pode. Conseguirei outro!

Tempos depois, disse-me o amigo: “Tirei cópias xerográficas do livro de dona Odete e repassei a amigos e familiares meus que precisavam de uma ajuda espiritual, humana, materializada tão somente, de forma leve e precisa, do que vem do coração e da alma”.

Relatei esse fato a minha querida e saudosa amiga e sempre professora, dona Odete de Andrada Alves. Pois bem, dias depois Ela veio até a minha casa (no velho bairro do Prado) e trouxe-me um novo exemplar do seu “Do Âmago da Memória”, com a seguinte nota:

Ao amigo Jurandir Carmelo e família, este livro com atenção e amizade, Pesqueira, 27.06.2007.

Ao me fazer a entrega, disse-me: abra na pág. 39. Obra citada. Assim procedi. Há no livro a seguinte anotação: “foram à mesa da comunhão duas das crianças do jornalista Paulo de Oliveira e Sra. Ninfa Araújo Albuquerque. São elas: Paulo Carmelo e Jurandir Carmelo”.

E agora, outro presente. Abra a última página do livro. Assim o fiz. Nela encontrei o santinho de lembrança da primeira comunhão, minha e de Paulo, meu irmão primeiro, com a seguinte anotação.

SALVE 26 DE OUTUBRO DE 1958. “…Só o nome de JESUS, nos dá vida ao coração…”. “Tivemos a sua luz, na primeira comunhão.” Lembrança afetiva dos irmãos Paulo e Jurandir Carmelo Araújo de Oliveira. Ginásio Santa Dorotéia > Pesqueira, 26-10-58.

Sem palavras!

Capa Livro de Odete Andrada Alves  Cópia de Digitalizar0006

Caríssimos leitores de Canetadas.

Essa homenagem, como não poderia ser diferente, vem do tudo que dona Odete escreveu em seu livro, que bem retrata a pessoa exemplar e antes de tudo humana e cristã, que era. Na sua parte preambular, consta:

Do Âmago da Memória

Lembranças as mais sentidas

Testemunhadas pelo íntimo

Essência que se exala

Rememorando o que não se esvaiu

Porque o tempo, na sua magia,

Reconstituiu através do verbo

As memórias que permanecem.

(A autora)

Dona Odete sempre nos saudava com os seus gestos de fina educação e elegância, agasalhados pelo eterno calor que brotava do seu coração e alma. Era uma mulher que vinha de dentro para fora. Tudo nela e dela vinha do coração e da alma, da sua mais profunda essência cristã. Ela se doava às pessoas, compartilhava o bem comum, ajudando sem ver a quem, sem olhar posição social, financeira e/ou econômica. Ela se doava porque se doava, nunca foi o que os outros queriam que ela fosse como bem colocou em seu livro “DO ÂMAGO DA MEMÓRIA” – (pág. 27 – obra citada), crônica acima já citada.

Nascida em Custódia, passou por Amaraji, antes de chegar à Pesqueira, na qual ficou até o último dia 23/02/2013, quando o seu corpo velado na Academia Pesqueirense de Letras e Artes, da qual foi fundadora, membro efetivo, seguiu em cortejo até o Campo Santo, no bairro da Pitanga.

A pág. 245, obra citada, escreveu dona Odete:

Trindade Geográfica

Três cidade para se querer bem,

ao mesmo tempo,

é emoção demais

contida em meu ser,

com toda força afetiva:

uma que me viu nascer – Custódia;

a outra foi berço da infância – Amaraji;

esta completou o ciclo

da minha história de vida – Pesqueira.

O NASCIMENTO. OS AVÓS PATERNOS E MATERNOS; OS PAIS, OS IRMÃOS. OS SOBRINHOS E OUTROS FAMILIARES.

Avós Paternos: Henrique Gomes de Andrada Santos, conhecido por “Seu” Santos e Lídia Guilhermina de Novaes. Avós Maternos: Serapião Domingos de Rezende e Isaura Umbelina Rezende (Dondon).

Odete Marinho de Andrada era filha de José Guilherme de Andrada e Antônia Marinho de Andrada.

SOBRE O PAI: JOSÉ GUILHERME DE ANDRADA nasceu em Floresta – PE, no dia 05.09.1902. Passou a residir em Custódia – PE, no ano de 1922, entrosando-se com o seu irmão Guilherme Ernesto, em atividades comerciais. Casado (08.05.1930) com Antônia Marinho de Rezende, de família ali radicada. Mais tarde Antônia Marinho de Andrada. José Guilherme de Andrada foi nomeado Coletor Estadual de Custódia. Poucos anos depois, em 2ª entrância, exerceu essa função em Amaraji – PE. Transferido para Pesqueira – PE (1ª entrância), em 1944, se fixou com a família até sua morte ocorrida no dia 03.02.1954. É nome de Rua em Pesqueira.

SOBRE A MÃE: ANTÔNIA MARINHO DE ANDRADA Nasceu em Custódia, no dia 28.09.1909. Casada (08.05.1930) com José Guilherme de Andrada, Coletor Estadual em Pesqueira/PE.

Residindo em Pesqueira-PE, para onde o seu marido fora transferido, educou os filhos nos colégios locais, Santa Dorotéia, Cristo Rei e Seminário São José. Após a morte do seu esposo em 03.02.1954, acompanhou os seus filhos para formação superior, em Recife, onde faleceu no dia 15.05.1988. Contemplada “in memoriam” pela Câmara Municipal de Pesqueira, com o seu nome em uma das ruas da cidade.

IRMÃOS E IRMÃS DE ODETE MARINHO DE ANDRADA (ALVES). OUTROS FAMILIARES.

Com exceção de Mário Marinho de Andrada, que nasceu em Pesqueira, os demais irmãos nasceram em Custódia/PE.

TEREZINHA DE ANDRADA CARDOSO (TEREZA). Curso superior de Pedagogia pela UNICAP. Colaborou nos jornais: A Voz de Pesqueira (jornal de Eugênio Chacon), em edições periódicas, Era Nova (jornal da Diocese de Pesqueira), por três anos, com sua coluna “Circulando” e Pesqueira Notícias – (jornal de Chico Neves), em vários números. Prestigiada pela Câmara de Vereadores de Pesqueira, recebeu o título de Cidadania Honorífica, pelos relevantes trabalhos culturais ali prestados. Diretora da Escola de 1º e 2º Grau Fernando Mota, em Recife, aposentada. Foi casada com Ismael Gouveia Cardoso de Morais. São seus filhos:

José Guilherme de Andrada Cardoso, nascido em Pesqueira-PE, engenheiro civil pela UFPE e Lucinéa de Mello, Curso de Direito, exerce a função de Analista Judiciário do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) – 6ª Região. Residência: Recife-PE. Maria Alice de Andrada Cardoso, nascida em Caruaru-PE, pedagoga e funcionária do Departamento de Profissionalização da Cruzada de Ação social (Recife). Filho: Adriano de Andrada Cardoso Alves. Newton de Andrada Cardoso, nascido em Recife-PE, Curso de Direito pela UFPE, exerce a função de Gerente Geral da Financeira Fininvest, em Recife. Casado com Márcia Nóbrega de Andrada. Filhos: Maria Nóbrega de Andrada e Caio Nóbrega de Andrada.

GUILHERME MARINHO DE ANDRADA. Para Pesqueira, simplesmente padre Guilherme. (homem de vasta cultura foi professor do autor de Canetadas, no Ginásio Cristo Rei). De formação filosófica e teológica, com estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (Itália) e, presentemente, professor da Universidade da Paraíba. Casado com Ivanise de Novaes. Seus filhos: Mônica, Pedro, Patrícia e Guilherme, advogado.

OZINALDO MARINHO DE ANDRADA.

Reformado pela PM do Rio de Janeiro como Subtenente. Passou a residir em Pesqueira. Atualmente presta serviços à comunidade local, através da Prefeitura Municipal. Casado com a professora de ensino médio Rozane Maria Freitas Barros de Andrada. Filhos: José Mário e Ana Angélica Freitas Barros de Andrada.

LÍDIA MARIA MARINHO DE ANDRADA.

Grau superior de Assistente Social pela UFPE. Funcionária federal do Centro de Reabilitação Física e Profissional, com uma relevante atividade de reintegração do cliente no mercado de trabalho. Residência: Recife-PE. Sem descendente.

MÁRIO MARINHO DE ANDRADA. Nasceu em Pesqueira, no dia 23.03.1948. Exerceu durante o curto período de vida (26 anos), as funções de advogado. Como homenagem póstuma, prestada pela Câmara de Vereadores, uma das avenidas desta cidade tem o seu nome. Sem descendente.

Nota do autor de Canetadas: Tivemos Mário e Eu, uma infância muito presente na vida de Pesqueira, principalmente na adolescência, mesmo com a diferença de dois anos de idade, o que em determinado momento da vida pesa no “andar da carruagem”. Era com Paulo Carmelo, meu irmão, também nascido em 1948, que ele convivia mais, nas bancas escolares do primário (Grupo Rui Barbosa) e do ginasial (Ginásio Cristo Rei), nos campinhos de futebol (peladas Cristo Rei e Seminário), no futebol de salão (Quadra do Tiro de Guerra), também no futebol amador (Comercial). Entretanto a boemia nos ligou mais do que a Paulo Carmelo, que nunca foi boêmio, principalmente porque começou muito cedo trabalhando (16 anos) no escritório da Fábrica Peixe, sob o enérgico olhar do Dr. Moacyr Britto de Freitas.

Mário tocava bem o seu violão e, juntamente com saudoso Chico Neves (o outro) e Zé Bonga (José Luiz da Silva), entre outros, no Clube dos 50, adentrávamos a madrugada ou varávamos a noite, pelas ruas de Pesqueira, fazendo serenatas (subindo e descendo ladeiras, como o Lira da Tarde) para as namoradas do momento.

Mário, bastante jovem era um verdadeiro cavalheiro, de fina educação, como foram todos os filhos e filhas de dona Toinha e, também, de seu Zé Guilherme, a quem não conhecemos, pois este morreu muito cedo, em 1954, atropelado praticamente na calçada de sua casa, na antiga Rua 15 de Novembro, hoje Dr. Lídio Paraíba.

Mais tarde, a convite do professor Potiguar Matos, trabalhamos juntos no Serviço Social Contra o Mocambo, depois Serviço Social Agamenon Magalhães. Ele jovem advogado dava assistência jurídica ao Departamento de Pessoal, no qual tive a honra a assumir a chefia da pasta.

Em razão das funções que assumíamos, tivemos uma convivência diária. Foi lá no Serviço Social que Mário se sentiu mal pela primeira vez, chegando a desmaiar. Atendido pelo serviço medido interno, lhe foi recomendado descanso e fazer uns exames de saúde. Logo veio a triste notícia: Mário estava com leucemia, forte leucemia, que o levou à morte em tão pouco tempo, na sua tenra idade. Jovem cheio de idealismo, inteligente, o jovem advogado pesqueirense tinha sucesso garantido se a morte não o tivesse levado tão prematuramente.

Não poderia aqui, em Canetadas, quando faço esta homenagem a minha querida professora Odete, deixar de, igualmente, homenagear o Mário Marinho de Andrade. Um amigo do qual, após tantos anos, ainda, sentimos a sua falta, porque como dona Odete, tudo nele e dele vinha do coração e da alma.

ODETE E BIANOR

Dona Odete Marinho de Andrada casou com Bianor Alves da Silva no dia 04 de Janeiro de 1970. Bianor Alves da Silva foi Gerente das Casas José Araújo, em Pesqueira, por 57 anos consecutivos. Seu Bianor recebeu o título de Cidadão Pesqueirense no dia 10.12.1992. Do casamento não resultou filhos, portanto, sem descendentes.

Sobre Bianor Alves da Silva, escreveu a sua amada e autora do livro “Do Âmago da Memória”, pág. 270:

Voce e Eu

A dávida maior

Com que Deus abençoou

Toda a minha vida

É voce, Bianor.

Sua paz e dignidade

Enobrecem os meus sentimentos

E irradiam a alegria no meu constante viver.

Cúmplices dessa felicidade,

Trilhamos unidos,

Vencendo obstáculos

E criando momentos inesquecíveis.

Continuamos

Após 33 anos de convivência,

Mais identificados

E completos.

Obrigada por ter me elegido

E por ser a pessoa que é,

De quem me orgulho

E que reverencio

Com admiração e amor.

ODETE DE ANDRADA ALVES escreveu o padre Expedito Miguel do Nascimento Filho, na primeira orelha do livro “Do Âmago da Memória” – (Editora Bagaço / Recife – 2003).

É como se, de volta ao passado, estivesse eu ainda escrevendo sob o olhar da minha mestra de Admissão ao Ginásio (1961), sempre atenta ao menor deslize literário. Dona Odete fazia-nos trabalhar, com seriedade e constância do começo ao fim da aula. Daí, a primeira grande lição: não desperdiçar o tempo, que é ouro!

Quando a autora rememora nestas páginas, em estilo original, agradável e quase poético, os espaços físicos de sua vida feliz ao lado dos entes queridos, sentimos o pulsar de um coração pleno de amor pela vida e de gratidão.

Suas crônica atraentes, do Era Nova, fazem-nos perceber no talento de Odete Andrada, escritora.

– a filosofa (paixão pela verdade)

– a pedagoga (gosto de ensinar) e a missionária (anseio de evangelizar).

Os temas aí tratados começam por pertinente reflexão do existencial, passando por registro de eventos sociais da época – onde tantos rostos de hoje, marcados pelo tempo, de repente se deparam com os de sua infância ou mocidade – até finalizar por

um breve, mas profundo pensamento de esperança e de otimismo.

ODETE DE ANDRADA ALVES escreveu o professor Osvaldo Bezerra de Oliveira, na segunda orelha do livro “Do âmago da Memória”. (Editora Bagaço / Recife – 2003).

Lendo Do Âmago da Memória, criado e organizado pela mestra Odete Andrada, o leitor não deixa de fazer um retorno do ao tempo. A cidade de Pesqueira escreveu uma bela página da história das comunidades do interior de Pernambuco, no decorrer da segunda metade do século XX, focalizando os fatos marcantes da caminhada dos seus habitantes.

Através do seu livro, presta um inestimável serviço à história dos municípios, ali retratados, perenizando os acontecimentos vivenciados por todos aqueles que protagonizaram a construção da história das nossas cidades. Com sua crônica social, escrita num português castiço e literário, uma boa parte da memória da nossa comunidade é recuperada. Com certeza, muitas outras obras brotarão da mente arguta da nossa acadêmica.

Cultivo, no meu coração, um forte sentimento de gratidão, por ter podido privar da sabedoria desta mulher culta, religiosa e humanista, por onde tem estendido a sua ação benéfica e lúcida. É a contemplação do ontem, mostrando aos seus pósteros a irreversibilidade do quotidiano. (Osvaldo Bezerra de Oliveira – professor).

EMAILS RECEBIDOS SOBRE A MORTE DE DONA ODETE.

WALTER JORGE DE FREITAS noticiando a morte de dona Odete. Junto a Grande Nação Pesqueirense (GNP)

Com tristeza, informo o falecimento da amiga DONA ODETE ANDRADA.

Ela foi encontrada sem vida hoje de manhã e seu corpo foi encaminhado

ao IML – CARUARU – para os procedimentos de praxe.

Por favor, informem aos amigos, pois aqui na padaria, onde estou no momento, a internet é péssima. WALTER.

ISOLDA ASSIS E ROBERTO FARIA repassando a noticia da morte de Dona Odete, e fazendo rápido comentário. Em 23 de fevereiro de 2013. Isolda Assis

Amigos, somente agora foi possível eu repassar esta notícia como Walter me solicitou. Acredito que muitos de nós já estamos cientes desta ida inesperada (para nós), da nossa querida ODETE ANDRADA, para a Casa do Pai.

Foi como viveu: de maneira elegante, serena e com certeza na mesma paz com que sempre se conduziu. Linda existência, linda morte e grande exemplo de vida bem vivida.

Odete, querida, você sempre honrou e honra a Grande Nação Pesqueirense e foi um privilégio ser sua companheira de jornada nestes anos que estivemos juntas neste barco da vida! Para suas irmãs e irmãos nossa solidariedade na dor e na saudade.

Muita LUZ na sua jornada

Isolda, Roberto e família.

ÂNGELA FALCÃO DA ROCHA, ampliando a informação aos pesqueirenses. Hoje, dia 23/02/2013 recebi a notícia do Falecimento de Dona Odete Andrade, Professora da maioria dos pesqueirenses amiga de todas as horas de Tia Nair Falcão. Seu velório será em Pesqueira na sede da Academia de Artes e Letras (no prédio da Antiga Fabrica Rosa) e enterro será amanhã dia 24/02 às 9 horas em Pesqueira.
Grande abraço a todos da família e meus respeitos a Sr. Bianor, seu esposo.

Jurandir Carmelo comunicando a antecipação do sepultamento. Domingo, 24 de Fevereiro de 2013. Por decisão da família o sepultamento de dona ODETE foi antecipado. Assim sendo ocorreu ontem 23/02/2012, pelas cinco horas da tarde. Um bom número de pessoas esteve presente. Diversas foram as saudações à prestigiada professora.

JOSÉ IVO (RIO DE JANEIRO) preocupado a antecipação do enterro. Espero que esta antecipação tenha sido divulgada exaustivamente para permitir o comparecimento das pessoas ao sepultamento, porque sei que Odete sempre prestigiou as famílias, comparecendo ao sepultamento de qualquer pessoa da cidade, logo, mereceria a mesma atenção pelas famílias pesqueirense neste momento de emoção e dor. Abraços > Zé Ivo

FAMÍLIA DE LÍDIO LEAL DE BARROS (Diretor de Produção Cultural da Rádio Difusora de Pesqueira – anos 50/60) comenta a morte de dona Odete. Dona Odete foi um marco de elegância e cultura. Atitude discreta na história da geração que viveu em Pesqueira nas décadas de 50 e 60; lembro-me de Mário com carinho e saudade, lembro-me de Lidia, com admiração e a eles, a certeza do nosso sentimento de pesar, bem como a todos de Pesqueira que com certeza lamentam a perda de uma pessoa tão digna ! Nossos abraços, Johannes Maria Helena e toda a nossa família Belfort Leal de Barros.

PROFESSOR WALTER JORGE DE FREITAS. Em 23/02/2013, escreveu:

Dona Odete, além das qualidades já citadas por vocês, Maria Helena, José Ivo e demais amigos, a solidariedade era uma constante em todas as suas atitudes. Sexta-feira, por volta de oito horas, ao chegar em casa para o café da manhã, escutei Marilita falando ao telefone com uma pessoa. Era Dona Odete querendo falar comigo. Ao iniciarmos a conversa e sem perda de tempo disse que a moça que trabalhava em sua casa havia informado sobre um funeral que havia nas proximidades do Correio e que se tratava de uma pessoa muito querida dela, mas não soube informar o nome. Ela, provavelmente por causa da emoção e sem saber que o funeral era do Sr. Moacir Almeida, imaginou que fosse de uma pessoa bem conhecida cujo nome não vou revelar, mas é nossa colega de SOPOESPES – SOC. DE POETAS ESC. DE PESQUEIRA que também reside ali pertinho e é muito querida dos pesqueirenses. Pediu-me que confirmasse e providenciasse uma homenagem para ela, a companheira e amiga de todos nós. Desfiz o equívoco, ela lamentou pela morte do ilustre filho de Pesqueira e segundo eu soube, passou a tarde no velório e foi ao enterro, já que ela e Anita, eram amigas de longas datas. O presente relato é apenas para mostrar o quanto ela se preocupava com as pessoas que tinham o privilégio de tê-la como amiga. (WALTER)

GLÁUCIA MOTA comenta sobre dona Odete Andrada.

Walter, Odete era tão educada que aguentava as brincadeiras da gente e apenas sorria timidamente. Esclarecendo: Odete estudou o “normal” então resolveu completar o segundo grau entrando no segundo ano do pedagógico exatamente na turma da gente. Ela era reservada, mas não esnobava por saber mais que a gente. Quando ela começou a namorar Bianor aí foi que a gente aperreou e ela só fazia piscar os olhos. Ficamos amigas pra sempre. Glaucia.

LOURDINHA TENÓRIO – LÚ, irmã do professor Aluiz Tenório, comenta sobre a professora Odete Andrada.

Realmente, Odete era tão educada (fina) que as vezes até nos intimidava, muitas vezes queria dizer uma brincadeira e me reprimia em consideração a ela.

Sempre nos tratou com muita alegria e carinho. Só tenho recordações boas dela e vou guardá-las para sempre. Com certeza está num lugar bem privilegiado lá no andar de cima. Um abração para todos. Lú.

DO SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E IMPRENSA DO CABO DE SANTO AGOSTINHO, PERNAMBUCO, JORNALISTA E PESQUEIRENSE CARLOS SINÉSIO ARAÚJO CAVALCANTI, a seguinte mensagem:

Somente agora tomo conhecimento do falecimento de Dona Odete Andrada, pessoa que sempre admirei e de quem fui seu fã, apesar de não ter sido seu aluno. Notícia triste mesmo. Só nos resta rezar por ela e pedir a Deus que lhe dê (e dará) um bom lugar ao lado dos bons. Nossos sentimentos aos familiares e amigos. > Carlos Sinésio.

Prezados Leitores de Canetadas.

Fiz questão de colar essas mensagens, que nos foram enviadas no vai e vem de e-mails, aqui em Canetadas, em razão da demonstração de carinho e respeito de tantos – (permanecerá, em profusão, pois morte) para com a saudosa amiga dona Odete Andrada Aves. Outros emails não os publiquei em razão de espaço.

Mas, ao final destas Canetadas, não poderia deixar de transcrever essa linda matéria, que se segue, escrita por dona Odete, quando do Centenário de Pesqueira, também, publicada no seu livro “Do Âmago da Memória” (págs. 262 e 263).

CENTENÁRIA PESQUEIRA

Eu a imagino pequenina. Recém-formada. Embrião e promessa. Deve ter sido assim: uma meninazinha, misto de índia e português. Olhos claros de noite de luar e escorridos negros cabelos de trevas de noite. Deve ter corrido pelas veredas do mato, descalça e livre, simples e feliz. Assim eu a imagino, a Pesqueira que surge.

Depois, tomou ares de sinhazinha, calçou-se e entrelaçou fitas de ouro de sol pelos cabelos de noite. Pôs um leve e belo vestido branco, cheio de rendas de que é rica e dos bordados que vêm criando suas fadas artesãs.

Buscou ver seus domínios e conhecer seus potenciais. Do seio da terra, vê brotarem os vermelhos frutos cujo sangue transforma em alimento e doces. Vê chegar a violenta, alegre e brilhante revolução dos tachos caseiros às chaminés das fábricas. O odor puro dos frutos da terra enche o ar e cria riqueza para a jovem terra que se veste de vestes múltiplas e se cobre de riquezas.

Assim vai caminhando Pesqueira, de descoberta em descoberta, de produção em produção.

Vejo-a, porém, na sua grandeza maior, os numerosos filhos de valor intelectual e técnico a coroam da glória. O surgimento dos seus colégios a irradiarem a mais preciosa dávida: a dos conhecimentos e do pensamento. A força da idéia e da inteligência.

Agora, não é mais necessário imaginá-la. Aí a temos, diante de nós, a nos contar a sua história centenária. Jovem e sofrida. Jovem e realizadora. O século para uma cidade é tanto e tão pouco! Depende do que ela viveu. De tudo quanto criou e realizou seu povo.

Eis o cântico de glorificação a Deus e a mensagem ao homem. Eis a Pesqueira centenária a nos clamar por um esforço cada vez maior, em prol do seu crescimento, do seu progresso. > (Odete de Andrada Alves).

Estimados leitores

ÚLTIMO RECADO PARA DONA ODETE

À minha querida e saudosa professora dona ODETE DE ANDRADA ALVES, pesqueirense por adoção, licenciada em Pedagogia, que exerceu todo o período de magistério em Pesqueira, educando várias gerações e membro integrante da Academia Pesqueirense de Letras e Artes, em nome de todos os seus ex-alunos, mais ainda, em nome da minha terra Pesqueira, a mais efetiva e afetiva homenagem de Canetadas, que lhe teve, ao longo dos anos, como uma especial e ilustre leitora.

Jurandir Carmelo.

Saudades e descanse em paz!

(*) Autor: Jurandir e Gil Carmelo

HISTÓRIA: O Município da Pedra – Colaboração de Pedro Salviano (*)

O MUNICÍPIO DA PEDRA

Pedra cidade

A partir da fazenda Puxinanã, Manoel Leite da Silva fundou a Pedra. Uma vista panorâmica da cidade para reflexões também sobre seu passado.

O resgate de dados que possam ser somados para a formação de um histórico de uma região sempre deve ser considerado. Já vimos alguns aspectos do município da Pedra (http://bit.ly/X377HK) e agora retomamos o assunto para nos aprofundarmos na segunda metade do século 19 e “sentir” o clima político-social vivido então.

A prepotência de certos políticos pode ser analisada em dois recortes do periódico O LIBERAL (1863 e 1866) e num documento publicado em A PROVÍNCIA de 1878. Estenos mostra a manifestação dos correligionários de um partido político contra o então major Francisco Vaz Cavalcanti (na década seguinte foi o primeiro prefeito da Pedra, já como coronel Chico Vaz – informação no livro A DOCE PEDRA, págs.5 e 92).

Em outro documento, do mesmo jornal A PROVÍNCIA, do ano de 1900,e sempremantida a escrita da época, podemos também ver listadas as personalidades de destaque da Pedra, agora como proprietários de fazendas. Neste edital de citação, o meu tio-avô paterno Joaquim Salviano de Albuquerque, requer a demarcação e divisão da sua propriedade, como também dos pertencentes a cada um dos demais condôminos.
Muitos nomes mostrados nestes documentos estão captados na árvore genealógica que desenvolvo há alguns anos: www.lanta.myheritage.comrevelando, assim, o entrelaçamento de tantas famílias que originaram o povo pedrense.
O LIBERAL – Sabbado 27 de junho de 1863. Anno III Numero 51, pag.1 – http://bit.ly/X365eF
«PUBLICAÇÃO A PEDIDO – VILLA DO BUIQUE
PARA O EXM. SR. PRESIDENTE DA PROVINCIA, CHEFE DE POLICIA E O PUBLICO VEREM.
Tendo o cidadão Joaquim Barbosa de Abreu Cavalcanti apresentado ao juiz municipal do Buique o Dr. Balbino Cezar de Mello, em 31 de Março findo, uma denuncia por crime de morte contra o capitão Francisco Vaz Cavalcanti, 1º. Suplente do delegado d’aquelle termo em exercicio, como mandante de um assassinato, de que foram mandatarios Agostinho de tal e outros o mencionado juiz, em cumprimento de seus deveres, acceitou essa denuncia; no entretanto chegando esse facto ao conhecimento do referido capitão immediatamente dirigiu-se á esta villa do Buique para desfeitaraquelle juiz. … »

O LIBERAL. Serie 1 – N. 6 – Sabbado, 12 de Setembro de 1868. Pag. 3 -http://bit.ly/VDN2H2
e 4http://bit.ly/Yl13YR

«…Na freguesia da Pedra foram cumpridas a vontade do governo e os desejos de sua pandilha.
O capitão Francisco Vaz Cavalcanti, o mesmo que em principios do corrente anno, protegendo e asylando criminosos e designados, resistiu, com dusentos homens armados, ás ordens legaes da autoridade policial; o mesmo que por força e autoridade propria arrogou a si o comando do batalhão nº 30 deste municipio; o capitão Vaz, seu genro Antonio Benicio, subdelegado, e o primeiro supplente Nuno Campello, cercaram as dez horas da noite do dia 6 a matriz com quasi 150 homens armados de bacamarte, entrando neste numero uns quarenta Indios da aldeia de Cimbres, condusidos pelo mesmo Vaz, sem saber-se com que autorização… »

A PROVINCIA – 26 de julho de 1878 – paginas 3 e 4 http://bit.ly/15be1wg
«Illms. Srs. redactores da Provincia –

Os abaixo assignados, adherentes da idéa liberal e residentes na freguezia da Pedra, vindo no conhecimento que o Sr. major Francisco Vaz Cavalcante, sendo conservador de principios, e chefe do partido desse nome nesta localidade, procura, a todo transe, engerir-se na fileira liberal, em preterição ao direito adquirido pelos mesmos abaixo assignados, com vista de os conservar sempre sob seu jugo e exercer a mais encarniçada perseguição, como em tempos idos, veem pelo presente declarar ao publico e especialmente aos illustres membros do digno directorio do partido liberal da provincia, que o referido major Vaz sempre foi, é, e será conservador exaltado e conseguintemente inimigo implacavel da familia liberal no geral, não se fallando na desta freguezia, que na sua mor parte teem sido victima do cutello do Sr. Vaz; e haja vista o estado do penuria a que se acha reduzida a casa da Cachoeira, do sempre lembrado liberal Manoel Vicente Monteiro Cavalcante, seu tio e padrinho a atróz perseguição desenvolvida contra a do Riacho do Pao, do capitão Henrique da Silva Lobato, seu parente, não se fallando em outras, que para poupar espaço, deixa-se de mencionar.

Vêem, pois, os ilustres cavalheiros do directorio, que o Sr. major Vaz, desejando ser admitido no partido liberal, de quem sempre foi algoz, o faz por disfarce, e somente para fins sinistros, não por amor a idea, como quer impingir. Se o Sr. Vaz renegou de seu partido para ser liberal, porque razão não o fez quando mesmo partido estava de cima?

Mais artigos desta coluna: http://bit.ly/ysUcSY

(*) Pedro Salviano, arcoverdense, é médico e escritor. ( grafia original de acordo com a época)

O LIVRO: Biografia e Genealogia – SEULAU – Por Leonides Caraciolo

 

O livro SEULAU é uma espécie de álbum de família, escrito para meus familiares e amigos, com distribuição limitada e gratuita. A sua impressão foi patrocinada pela minha irmã Rosane e seu filho Rhassanno Caraciolo patriota, engenheiro-perito da Policia Federal.

O nosso blog – OABELHUDO – em boa hora, resolveu oferecer aos seus leitores –  “SEULAU” –  o que constitui uma honra para mim e a minha família. Vamos começar com a minha apresentação e o prefacio, escrito pelo amigo da família, Moisés Alves de Siqueira, sócio efetivo da Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

 

capa do livro SEULAU Adigitalizar0001

APRESENTAÇÃO

 

Escrevi este ensaio biográfico tendo em mente não só traçar um ligeiro perfil do meu pai, mas homenagear um cidadão que na vida a sua preocupação maior foi cuidar da instrução dos filhos. Um cidadão político no sentido mais amplo e positivo do termo e, acima de tudo, um homem bom.  Ele possuía o dom de servir.

O deputado federal Nilson Gibson assim se pronunciou a seu respeito, em discurso na Câmara, por ocasião de sua morte.  “Ótimo pai de família, excelente cidadão, grande amigo e notável político. A lacuna que deixa dificilmente será preenchida e durante muitos anos, sua figura será lembrada, em preito de gratidão e à guisa de exemplo para as gerações de políticos que a sucederem”.

Devido às linhas marcantes da personalidade de meu pai não foi difícil em encontrar o título para esta biografia: SEULAU, nome que não precisa de adjetivação nem de complementação. Para mim, essa simples palavra já contém implícito o significado que desejo expressar. É como disse Edilene Freitas: “SEULAU foi uma pessoa no trato da coisa pública acima de tudo honesta”. Só isso é bastante e suficiente para preservar e cultuar sua memória, além de outras qualificações de homem público e cidadão cônscio de seus deveres.

Por outro lado, insiro neste livro as anotações deixadas pelo Monsenhor Estanislau Ferreira de Carvalho pelo seu valor histórico, em que não só a genealogia da sua família é registrada como fatos importantes como a prisão do bispo D. Vital. A genealogia deixada pelo monsenhor abrange o período desde 1780 a 1909 e a complementação até os dias atuais foi feita por mim, na parte que diz respeito à minha família.

LEONIDES CARACIOLO

  PREFÁCIO

 

Para render uma homenagem ao seu ilustre pai, LAURENTINO VENTURA CARACIOLO, SEULAU, o autor LEONIDES DE OLIVEIRA CARACIOLO, produziu mais este livro histórico, “SEULAU BIOGRAFIA E GENEALOGIA”, remontando às origens genealógicas que já havia mostrado personagens singulares, ao longo do tempo, culminando com a figura destacada do MONSENHOR ESTANISLAU FERREIRA DE CARVALHO (1828-1916), pessoa particularmente brilhante, o qual foi ordenado SACERDOTE aos dezenove anos de idade, coisa surpreendente até para os dias de hoje. O Monsenhor Estanislau deixou um relato histórico intitulado NOTICIA no qual registrou, pormenorizadamente, as gerações a partir do casal ANTÔNIO FERREIRA DA COSTA e JOSEFA DE MELO PAES BARRETO, no meado do século XVIII, registrando o nascimento do menino LAURENTINO na seguinte forma, simples e clara: “A 17 de julho desse mesmo ano (1898), nasceu o filho de minha sobrinha FRANCISCA CARACIOLO, que no batismo, recebeu o nome de LAURENTINO VENTURA CARACIOLO.”

O Monsenhor Estanislau, por sua cultura e por sua estatura moral, exercia influência sobre a família, tendo levado o garoto LAURENTINO para o Recife, a fim de fazer o CURSO PRIMÁRIO, em 1909, com onze anos de idade, a pedido do pai, o Capitão Augusto Rodrigues de Freitas Caraciolo que costumava dizer, de forma bem humorada e deliciosa, que “assim o fazia para que ele, pelo menos, aprendesse a dar o LAÇO NA GRAVATA,”

Laurentino Ventura Caraciolo, desde jovem, revelou seus pendores para a Política e para Administração, tendo desempenhado, muito cedo, as funções de JUIZ DE PAZ, na Vila de Sanharó e, a seguir, assumiu as responsabilidades de Administrador da Vila de Sanharó que era, na época, Distrito do Município de Pesqueira. Foi vereador à CÂMARA MUNICIPAL DE PESQUEIRA por três legislaturas como representante da, então, Vila de Sanharó. Ao emancipar-se SANHARÓ, tornando-se CIDADE, no dia 24.12,1948, SEULAU veio a ser o seu primeiro Prefeito Eleito, logo após a curta Administração do Sr, Severiano Aquino, como Prefeito Interino. SEULAU governou o Município de Sanharó por duas vezes como Prefeito constituído: a primeira vez de 1949 a 1953 e a segunda vez, de 1953 a 1957. O Prefeito SEULAU, demonstrando sempre um grande amor por Sanharó, revelando as suas grandes qualidades de Administrador e, também, de Político e, com visão de futuro, fundou ESCOLAS, priorizando, dessa forma, a EDUCAÇÃO do alunado então existente; construiu ESTRADAS para facilitar a Comunicação e acesso entre o Centro da Vila (logradouros, cidade)) e as diversas localidades na periferia de Sanharó; pavimentou RUAS E PRAÇAS para dotar Sanharó de mais beleza e modernidade e, com visão de urbanista, partindo de sua atitude de um verdadeiro bandeirante, ao lado da velha e romântica Sanharó dos tempos inesquecíveis de minha infância, abriu a Avenida JOÃO ALVES LEITE, no sentido Norte, estimulando a construção civil que se desenvolveu tanto nas administrações que o sucederam que nos mostra, hoje, uma Sanharó bela, nova e florescente, de modo que o Prefeito SEULAU de forma imarcescível deixou a sua inconfundível marca de Administrador dinâmico, realizador e honesto e de Político altamente dotado que, com o seu carisma, e com sua habilidade pessoal, sabia conciliar os contrários, tendo levado adiante o seu programa de realizações, tudo em proveito de sua terra que tanto amou e do povo a quem serviu sem reservas.

Ao falecer SEULAU, no dia 03 de Março de 1986, o ilustre Deputado Federal NILSON GIBSON, de quem era correligionário e grande amigo, pronunciou um comovido e emocionado discurso na CÂMARA FEDERAL, no qual ele exalta as altas qualidades de Laurentino Ventura Caraciolo, SEULAU, quais sejam: larga visão, como Administrador, grande bondade, alto espírito público, liderança natural e grande habilidade como Político.
O ilustre Deputado Nilson Gibson assinalou eloquentemente que SEULAU “era pessoa polivalente e íntegra, total e única, cujos traços marcantes caminhavam paralelos, cada um com sua grandeza plena e múltipla”.
Sou muito agradecido ao autor Leonides de Oliveira Caraciolo, meu conterrâneo, por ter-me distinguido com a missão de escrever o PREFÁCIO a este livro cujo conteúdo é tão significativo e o faço cheio de entusiasmo e profunda satisfação pois, sempre fui, desde a infância, um devotado admirador de SEULAU a quem considero como um verdadeiro ÍCONE de Sanharó, figura altamente representativa da nossa terra, o que não vem em demérito de outros políticos e líderes sanharoenses ilustres que atuaram nos vários setores da atividade social, os quais, também, inspirados pela duradoura obra de governo de SEULAU, e pelo seu próprio exemplo pessoal, adotaram uma linha de trabalho no sentido de fazer SANHARÓ cada vez mais próspera e cada vez mais afirmativa, face aos demais municípios do brioso Estado de Pernambuco.
Para corroborar esta minha opinião sobre SEULAU expendida no parágrafo anterior transcrevo, abaixo, alguns tópicos da crônica intitulada de “SEULAU, O AFÁVEL PREFEITO DE SANHARÓ” que escrevi há algum tempo atrás, a qual consta do meu livro de “CRÔNICAS”, o qual pretendo publicar oportunamente:
“Guardo uma grata recordação de SEULAU, desde os meus dez anos de idade (1940) , quando SEULAU era o CHEFE POLÍTICO e, também, o Administrador do Distrito de Sanharó que pertencia à Jurisdição do Município de Pesqueira. Só alguns anos depois, em 25.12.1948, é que Sanharó se emancipou, tornando-se município e adquirindo foro de CIDADE, sendo SEULAU o seu primeiro PREFEITO ELEITO. “Naquele tempo, a partir de 1940, sendo meu pai Arrecadador de Impostos de Sanharó, cargo para o qual fora indicado por seu amigo SEULAU, por força desse relacionamento administrativo entre meu pai e SEULAU, eu fui, muitas vezes, utilizado como portador de correspondência entre os dois. “Eu era recebido carinhosamente por SEULAU que me dizia, sempre umas quantas palavras amáveis e pegava na minha orelha, dizendo: -CABÕCO, CABÕCO!. Foi desses contatos, já, desde a minha infância, que eu guardei de SEULAU a imagem de uma pessoa sumamente agradável, afável, sempre com um sorriso nos lábios que, além de emprestar à sua personalidade um carisma especial, era, sem dúvida, uma arma muito eficaz no trato diário com as pessoas e, também, nas lides políticas”.

Sem dúvida, a figura de SEULAU está perpetuamente ligada a Sanharó no que ela tem de mais autêntica, no que ela tem de melhor.

Recife, 06 de Novembro de 2007.

MOISÉS ALVES DE SIQUEIRA.
Membro da Academia Pesqueirense de Letras e Artes

OSCAR: MAIS DE 1 BILHÃO DE PESSOAS ASSISTEM A MAIOR FESTA DO CINEMA MUNDIAL (*)

Daniel Day-Lewis ganha 3º Oscar e faz história

Day-Lewis ultrapassou lendas de Hollywood ao receber terceiro Oscar. (Reuters)

Day-Lewis ultrapassou lendas de Hollywood ao receber terceiro Oscar. (Reuters)

O britânico Daniel Day-Lewis fez história ao se tornar a primeira pessoa a ganhar o prêmio de melhor ator no Oscar por três vezes.

O ator, que era considerado o favorito, foi recompensado por seu papel em Lincoln, de Steven Spielberg.
“Eu realmente não sei como isso aconteceu. Sei que recebi muito mais do que o meu quinhão de boa sorte em minha vida”, disse ele.
Um filme sobre um resgate coletivo no Irã, o suspense Argo, de Ben Affleck, ganhou o prêmio de melhor filme.

Primeira-dama dos Estados Unuidos Michelle Obama revela vencedor de Oscar de melhor filme.(reuters)

Primeira-dama dos Estados Unuidos Michelle Obama revela vencedor de Oscar de melhor filme.(reuters)

Em uma transmissão ao vivo da Casa Branca, a primeira-dama Michelle Obama se juntou a Jack Nicholson para ajudar a apresentar o prêmio de melhor filme no final da noite.

Argo é o primeiro vencedor de melhor filme desde 1989 a não ter uma indicação simultânea de melhor diretor – o que ocorrera naquele ano com Conduzindo Miss Daisy.
Mas, apesar de omissão de Affleck na categoria de melhor diretor, o filme tinha sido amplamente cotado para levar o prêmio máximo.
Affleck, que tinha ganhado um Oscar em 1997 pelo roteiro de O Gênio Indomável, disse: “Nunca pensei que estaria de volta aqui e eu estou por causa de muitos de vocês que estão aqui hoje à noite”.
Ele acrescentou: “Não importa como você é derrubado na vida, o que importa é como você se levanta”.
Argo também levou a estatueta de melhor roteiro adaptado.

LENDAS

A vitória no Oscar de Daniel Day-Lewis o coloca à frente de lendas de Hollywood como Jack Nicholson, Marlon Brando, Dustin Hoffman e Tom Hanks – todos vencedores de de melhor ator no Oscar por duas vezes.

LEIA A ÍNTEGRA DA FESTA DO OSCAR:

Veja a lista de vencedores do Oscar

(*) Fonte: BBCBrasil /

Homenagem: ODETE DE ANDRADA ALVES – Por Leonides Caraciolo (*)

Odete Andrada Alves. Professora, Membro da Academia Pesqueirense de Letras e Artes e o Lions Club de Pesqueira.

Odete de Andrada Alves. Professora, Membro da Academia Pesqueirense de Letras e Artes e do Lions Club de Pesqueira.

Faleceu ontem (23/02/2013) em Pesqueira ODETE DE ANDRADA ALVES, pesqueirense por adoção e Licenciada em Pedagogia. Exerceu todo o período de magistério em Pesqueira, educando várias gerações. Integrou a equipe docente do Curso Propedêutico do Seminário São José, desde 1993. Jornalista e escritora, membro fundadora, integrante da Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

 

Casada com Bianor Alves da Silva, gerente das Casas José Araújo, por 57 anos. Exerceu o cargo  aqui em Sanharó de gerente da filial-Sanharó. Seu Bianor foi pessoa integrada ao cotidiano da cidade e incentivava a prática de esportes e a vida social da cidade.


Capa Livro de Odete Andrada Alves  Cópia de Digitalizar0006

 

No seu livro DO ÂMAGO DA MEMÓRIA, às páginas 245, sob título Trindade Geográfica, Odete Andrada,  diz:

“Três cidades para se querer bem,
Ao mesmo tempo,
É emoção demais
Contida em meu ser,
Com toda força efetiva:

Uma, que me viu nascer – Custódia;
A outra foi berço da infância – Amaraji;
Esta, completa o ciclo
Da minha história de vida – Pesqueira.

Odete era filha de Antônia Marinho de Andrada e de José Guilherme de Andrada, coletor estadual que exerceu as suas funções nas três cidades citadas acima por Odete.

(*) Leonides é engenheiro, escritor, Historiador/Memorialista, Membro da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes da Academia Belojardinense de Letras e Artes.