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Artigo/Opinião: APAGA-SE MAIS UMA ESTRELA *

 

 

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

APAGA-SE MAIS UMA ESTRELA

 

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

 

O imprevisível ronda o planeta da política. Quando menos se espera, chega devastador, trazendo consigo o poder de gerar perplexidade, assustar, causar comoção. Poder que se expande às alturas quando o ator é um candidato ao posto mais alto da nação, esbanjando jovialidade, vitalidade, dinamismo, confiança, e desaparece de cena vitimado por uma tragédia aérea.

A morte de Eduardo Campos, no fatídico 13 de agosto – a mesma data em que faleceu seu avô Miguel Arraes, em 2005 –, é um forte golpe na fisionomia política brasileira, eis que o perfil do ex-governador, estruturado sobre uma sólida, coerente e vitoriosa carreira pública, reunia potencial para puxar o cordão de mudanças no processo político nos próximos anos.

Um quadro da geração pós-64 (nasceu em 1965), alimentava um sonho, confessado a este escriba há cerca de dois anos, em Comandatuba, na Bahia, por ocasião de um evento reunindo empresários e políticos.

Dizia: “Meu sonho é reunir a geração pós-64 (chegou a citar alguns nomes de grupos e partidos diferentes), fazer uma grande aliança e tomar as rédeas do país, deixando os nossos mais velhos, que já deram sua cota de sacrifício, descansando com sua aposentadoria”. O tom da conversa, incisivo, não deixava dúvidas. Campos achava viável agrupar os representantes de sua geração, compor um formidável programa de mudanças, realizar um pacto com o sistema produtivo e incentivar o ingresso dos jovens na política.

A mudança dos costumes políticos tinha de vir de baixo, pela via da formação da juventude, e não por decreto. Ele mesmo, em Pernambuco, diferentemente da escola de seu avô, implantara uma metodologia de gestão voltada para resultados e promovendo, segundo ele, “revolucionária” política educacional. Parecia comprometido com um diferenciado modus faciendi na administração pública.

O fato de ter procurado Marina Silva para compor sua chapa, na condição de candidata a vice-presidente da República, revela a inclinação por perfis inovadores, mesmo sabendo que o escopo da sustentabilidade, defendido com vigor pela ex-senadora, constitui um cardápio pouco palatável ao gosto das massas. A parceria construída expressava avanço e coerência. Ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, essa semente haveria de frutificar, na onda da conscientização sobre o planeta sustentável.

Dito isso, vem a interrogação: e agora, o que acontecerá com a moldura eleitoral, saindo o terceiro grande competidor do pleito presidencial?

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

Resta, ao final, a impressão de que o país perde uma das alavancas de sua modernização institucional. E, assim, a campanha mais contundente de nossa contemporaneidade perde um dos seus três maiores guerreiros.

O fato é que, se quiser preservar parte do seu legado, o PSB terá de pedir a Marina que segure a onda e torne viável a terceira via. Qualquer outro caminho será mais estreito.

 

gaudencio torquato jornalista

 

* Autor; Gaudêncio Torquato – Jornalista – Artigo publicado originalmente no jornal O Tempo,de Belo Horizonte.

Poesia/Homenagem: Tributo a Eduardo Campos – Por Núbia Cavalcanti *

Eduardo Campos - * 10.08.1965  + 13.08.2014

Eduardo Campos – * 10.08.1965 + 13.08.2014

A dor da perda. Renata e os filhos...

A dor da perda. Renata e os filhos…

Eduardo Campos

(in memoriam)

 

O Brasil está de luto!
E Pernambuco inteiro chora
A morte repentina e precoce
De seu ilustre filho querido
Que deixa um imenso vazio
E uma saudade infinita
No coração de toda a nação
Pela sua trágica e inesperada partida!

Homem simples e humilde
Representava a esperança de um povo sofrido
E lutava contra as desigualdades sociais
Que oprime o pequeno proletário
Negando-lhes direitos e deveres
Que infringe a Constituição Federal
Onde reza a Lei de que todos somos iguais
Não importa a condição social.

Sua partida abrupta
Deixou toda a nação órfã!
Perdemos uma grande referência
No cenário político brasileiro
Mas seu desejo jamais será esquecido
E faremos da sua luta, a nossa luta
Porque “NÃO VAMOS DESISTIR DO BRASIL”
Essa será a nossa missão, EDUARDO CAMPOS!

 

Nubia Cavalcante dos Santos foto 3

 

* Autora: Núbia Cavalcanti  –  Núbia Cavalcanti dos Santos é sanharoense, servidora público municipal, colaboradora do OABLEHUDO, cronista, contista e poetisa.

Artigo/Opinião: Carta Aberta de Antonio Campos

 (LANÇANDO MARINA SILVA)

 

Os irmãos Antonio e Eduardo Campos

Os irmãos Antonio e Eduardo Campos

 

 

carta aberta Ant Campos

Editorial: Eduardo Campos *

 

EDUARDO CAMPOS 

 

 

Morte do candidato do PSB retira da campanha presidencial um dos maiores fatores de renovação do cenário eleitoral brasileiro

Morte do candidato do PSB retira da campanha presidencial um dos maiores fatores de renovação do cenário eleitoral brasileiro

 

“O lastro de herdeiro de Arraes não o impediu de procurar caminhos próprios na cena pernambucana do mesmo modo que, ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, percebeu que suas perspectivas seriam limitadas caso seu partido, o PSB, se mantivesse por mais tempo à sombra do situacionismo petista.”

Na violência cega de um acidente aéreo, perdeu-se uma das personalidades mais promissoras da vida política nacional.

Aos 49 anos, Eduardo Campos vinha de uma bem avaliada gestão no governo de Pernambuco para representar, na disputa à Presidência da República, o difícil e estimulante papel de alternativa à tradicional polarização entre petistas e tucanos no plano federal.

Seu perfil o habilitava de forma singular para esse desafio, embora a própria campanha –tragicamente interrompida– tivesse ainda de desenhá-lo com mais nitidez.

Neto, por parte de mãe, do mitológico líder esquerdista Miguel Arraes, de quem foi secretário da Fazenda nos anos 1990, Campos tinha, pelo lado paterno, ligações com os setores mais conservadores da política local.

O lastro de herdeiro de Arraes não o impediu de procurar caminhos próprios na cena pernambucana do mesmo modo que, ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, percebeu que suas perspectivas seriam limitadas caso seu partido, o PSB, se mantivesse por mais tempo à sombra do situacionismo petista.

Escorado nos altos índices de crescimento econômico obtidos em seu período como governador, bem como numa visão administrativa sem ranços ideológicos, Campos procurou aproximar-se do empresariado, adiantando-se em relação ao mineiro Aécio Neves (PSDB) na disputa pelo campo de oposição à presidente Dilma Rousseff (PT).

Ao mesmo tempo, sua candidatura buscava desvincular-se de uma imagem excessivamente industrialista, dada a presença de Marina Silva como vice.

Para a postulação de Eduardo Campos confluíam tendências diversas, capazes de consolidar seu nome como fator de inovação diante dos dilemas nos quais se tem debatido a política brasileira nas últimas décadas. Capazes também, todavia, de minar a própria coerência interna de sua campanha e de um eventual governo.

A tragédia de ontem –que vitimou outras seis pessoas– impõe, naturalmente, uma dor e um choque sem limites a familiares e amigos do candidato. Pai de cinco filhos, um dos quais nascido há pouco mais de seis meses, Campos aparentava possuir, mesmo para o grande público, os sinais inconfundíveis do bom humor, da disposição e da felicidade pessoal.

Na política, ficam irrespondidas as perguntas sobre seu futuro e sobre a forma final que assumiria a candidatura pessebista no espectro ideológico.

O próprio PSB, agora, colocado ante a escolha de Marina Silva, que soa óbvia, e a de um nome mais ligado à cúpula do partido, terá de haver-se com encruzilhadas e definições que a hábil empatia de Eduardo Campos provavelmente lhe permitia postergar.

* Fonte: Editorial da Folha de São Paulo

Artigo/Homenagem: Pernambuco perde seu maior Líder – Por Sebastião Fernandes *

PERNAMBUCO PERDE

SEU LÍDER MAIOR

 

 

EC datas nasc e dead

 

 – A Tragédia tira de cena nossa maior esperança! Esperança de um Brasil renovado, de um país politizado, mas carente de líderes do quilate de um Eduardo Campos. Político jovem, dinâmico, ético e trabalhador, obstinado pela grandeza e crescimento do seu Estado e do seu País. Esperança que se esvai de água a baixo porque a nação brasileira terá de aguardar – lamentavelmente -, o surgimento de um novo líder com a personalidade, o carisma e a credibilidade capaz de mudar para melhor os desmandos provocados por políticos de mau caráter e aproveitadores, que vivem a explorar a boa fé do povo usando de todos os artifícios imagináveis e possíveis para manterem-se no poder, e tornarem-se senhores de patrimônios vultosos. Sua história de vida começa no dia 10 de agosto de 1965 quando vem ao nosso planeta.

Termina no dia 13 de agosto de 2014 quando um acidente fatal o leva de volta para sua verdadeira morada… Dia 13 de agosto de 2014 marcará para sempre a história politica de Pernambuco e do Brasil. Os brasileiros e em particular os pernambucanos ficaram estarrecido, perplexos com a notícia do acidente que teve como consequência a morte de 7 pessoas dentre elas nosso ex-governador e Presidente licenciado do PSB Dr. Eduardo Henrique Accioly Campos. Candidato a Presidente da República. Expectativa de uma revolução, para melhor na política mesquinha e perniciosa vivida no País hoje.

Eduardo Campos tinha em mente transformar o Estado brasileiro, que hoje vive no marasmo e a caminho da hiperinflação, dos abusos de ordem social, politica e econômica. Contudo, para conseguir bons resultados tinha como entendimento que um futuro promissor estava na amarração de ações e atitudes criteriosa e dinâmica que pudesse acicatar o desenvolvimento socioeconômico e político, em favor melhoria do povo conseguindo de um nível de vida em que a dignidade e o bem-estar viessem a fazer parte da vida de cada cidadão (â) desta terra que amamos tanto.

Tinha consciência de que a corrução é uma das maiores chagas, dentre tantas outras que persegue a todos nós. Sabia que a política viciosa praticada nestes últimos anos não atende a necessidade e os anseios da sociedade, do povo por melhores dias. Pautou sua vida em princípio, como estudante, graduando-se em economia. Neste período desenvolve suas habilidades política na militância como presidente do Diretório Acadêmico em 1985.

Pernambucano da gema. Neto do ex-governador Miguel Arras e Alencar. Em 1990 filia-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), sendo eleito deputado estadual. Em 1994 é eleito deputado federal, secretário de governo e secretário da Fazenda. Reeleito deputado federal em 1998. Seu terceiro mandado como deputado federal foi até 2002, quando se tornou um dos principais articuladores do governo Lula. No ano seguinte assume o ministério da Ciência e Tecnologia, e em 2005 com a morte de seu avô Miguel Arraes, assume a presidência do seu partido o PSB. Em 2006 concorre ao governo de Pernambuco, sendo eleito e reeleito nas eleições de 2010.

Comandou o Estado até abril deste ano, abdicando do cargo para poder se candidatar a Presidente da Republica. Tendo como objetivo mudar a história politica, social e econômica, em favor do homem e da mulher deste solo pátrio. O Brasil de todos os brasileiros. Como vemos o jovem político Eduardo Campos não foi só um político habilidoso, mas um gestor voltado para o desenvolvimento do nosso Estado, pois, Pernambuco jamais alcançou em tão pouco tempo um crescimento em todos os níveis de atividades que estimularam o progresso e a esperança em dia melhores para todos os pernambucanos.

Liderança que despontava como um futuro estadista de comprovada capacidade administrativa, político hábil, arrojado e consciente do seu papel como gestor e líder. De uma inteligência vivaz e ardorosa que acreditava no ser humano desde que educado para o exercício do bem comum. Colocava em prática princípios que norteavam atitudes voltadas para a satisfação pela dos direitos e dos deveres dos cidadãos.

Foi um exemplo de esposo e de pai. Assim procurou conduzir a administração pública. Onde a moral, a ética e a valorizado do individuo estava acima de quaisquer circunstâncias. Acredito Eduardo que cada um de nós tem uma missão a cumprir e quando as realizamos chega o tempo de voltarmos ao nosso verdadeiro lugar. Que o bom Deus te proteja, bem como àqueles que contigo desencarnaram todos vocês encontrem o caminho mais breve possível do NIRVANA.

Meus pesares às famílias enlutadas!

Viva Pernambuco viva o Brasil!

Sebastião Gomes Fernandes de Jaquetão

Pesqueira – PE, 13 de agosto de 2014.

* Autor: Sebastião Fernandes – Sebastião Gomes Fernandes  Sociólogo, colaborador do OABELHUDO, Escritor, Poeta e Cronista. É presidente da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Movimento Cultural/Homenagem: João Cabeleira, meu Pai – Por Angela Maria *

Homenagem a meu pai

João Cabeleira

 

joao cabeleira dias atuais

João-Cabeleira-ainda-moçojoao cabeleira com Lula presidente

 

PAPAI

 

 

 

Quantas coisas tivemos que viver
Para chegarmos a conclusão
Que pai e filhos são eternos
Mesmo querendo ou não
São essências nas artérias
Pulsantes do coração.

Falhamos um com o outro
Choramos sentindo dor
Fomos algumas vezes omissos
Por um orgulho opressor
Mas nunca arrancamos do peito
Algo chamado amor.

E cada um do seu jeito
Amava sem descrição
Nós somos tão evidentes
Em prantos, versos e emoção
Formamos o casal de poetas
Do nosso amado sertão.

Juntinhos já recitamos
As mais belas poesias
Já cantei lindas canções
Enquanto você fazia
Sua viola chorar
De prazer e alegria.

Já fui muito criticada
Quando de te não cuidei
Disto muito me arrependo
Pois eu sei o quanto errei
Mas agradeço a Deus
Porque o erro consertei.

Hoje estás tão distante
Mas podes de mim lembrar
Sabendo que entre nós
Não há o que perdoar
Pois o amor que nos une
Nada o consegue abalar.

 

Serás sempre o meu orgulho
Descrito em literatura
O que herdei de você
Levarei pra sepultura
Papai,saiba que te amo
Com alma serena e pura.

Te desejo saúde e felicidade
Meu velho papai querido
E apesar da distância
Com a qual eu tenho sofrido
És por mim muito amado
E jamais serás esquecido.

 

 

Angela Lucena de perfil

 

* Autora: Angela Lucena  –  Angela Maria de Melo Lucena é professora, colaboradora do OABELHUDO, poetisa, cronista e contista. É filha do grane poeta e repentista João Cabeleira.

Movimento Cultural/Homenagem: Meu Pai. O Vencedor! – Por Núbia Cavalcanti *

Meu Pai. O Vencedor!

 

 

Sebastião da farinha Papai - Batizado de Nick.

 

– Ao meu querido pai, Sebastião

Ferreira dos Santos.(In memoriam)

 

 

 

 

 

 

 

Lembro da minha infância
Vivida com muito sacrifício
Em uma humilde casinha
Que ficava ao pé da serra
Ao lado de um frondoso juazeiro
Cercada por mandacarus
À beira de um riacho
Bem no meio da caatinga.

Eu era apenas uma criança
Mas ainda guardo na lembrança
A imagem do meu paizinho
Que saia bem cedinho
Antes do raiar da aurora
Para a roça capinar
Não importava se o dia fosse de sol
Ou se caísse uma chuva torrencial.

 

Com a enxada em uma das mãos
Na outra levava uma rapadura
E uma moringa de barro
Que enchia d’água lá no barreiro
Que ficava bem no meio da ladeira
Para saciar a sede voraz
Enquanto capinava a lavoura
Debaixo do sol escaldante.

Alimentar tantas bocas
Tarefa fácil não era
Para quem tinha que tirar da terra
Quase todo o sustento
Mas, o pão nosso de cada dia
Ele sempre nos trazia
E também não nos deixava faltar
Uma roupinha de chita.

 

Enquanto papai trabalhava na roça
Mamãe, sempre paciente
Da casa tentava cuidar
Em meio à algazarra
Que a criançada fazia
Mas nada ficava no lugar
E era um Deus nos acuda
Ter que cuidar de tanta gente.

Assim que o tique-taque do relógio
Anunciava o meio dia
Minha mãe corria para a janela
Que ficava em direção ao roçado
Fechando-a em seguida
Porque esse era o sinal combinado
De que o almoço já estava pronto
E papai já poderia descer a serra.

 

Eu e os meus irmãos saíamos em alvoroço
E descíamos a ladeira correndo
Ao encontro de papai
Que, ao nos avistar
Abria um enorme sorriso
Enquanto segurava com carinho
O filho mais novo nos braços
E seguíamos para nossa humilde casinha.

Enfrentamos tempos difíceis
Quando não chovia o suficiente
E a seca assolava o sertão
Secando os leitos dos rios
E também as nascentes d’água
Deixando a terra rachada
E a lavoura não vingava
Secava e morria.

 

Homem de caráter idôneo
E de coração bondoso
Pra ele não tinha tempo ruim
Mesmo levando a vida com sacrifício
Para sustentar seus dez filhos
Que era motivo de orgulho
E sua felicidade maior
Seria ver todos vencerem na vida.

E assim, a vida ia passando
Enquanto nós crescíamos
E ajudávamos nosso pai na agricultura
Plantando e colhendo o milho e o feijão
Que saciava nossa fome
Mas sem deixarmos de frequentar a escola
Porque ele sempre dizia
Que na educação estaria o nosso futuro.

 

Graças ao seu esforço e dedicação
Mesmo sendo um homem simples e humilde
De pouca leitura, sem nenhuma formação
Pois nunca teve tempo para frequentar uma escola
Mas sempre priorizou a educação
Na vida de cada um de nós
E sua luta não foi em vão
Porque soube fazer-nos vencedores.

Lembro do orgulho dele
Nos encontros em família e com os amigos
Ao falar de cada um de nós
Como se fôssemos tesouros valiosos
Que, mesmo estando todos crescidos
Vivendo nossas vidas independentemente
Ele estava sempre presente
E também na vida dos seus netos.

 

Hoje, meu paizinho já não está mais entre nós
E a falta que ele nos faz é colossal
Mas sei que, onde quer que ele esteja
Estará olhando e guiando os passos
De cada um de nós
Para que não percamos o rumo
E continuemos a andar no caminho do bem
O caminho que ele nos ensinou a trilhar.

 

Nubia Cavalcante dos Santos foto 3

 

* Autora: Núbia Cavalcanti  –  Núbia Cavalcanti dos Santos é sanharoense, servidora público municipal, colaboradora do OABELHUDO, poetisa, cronista e contista.

Movimento Cultural/Homenagem: Meu Pai! – Por Gera Santana *

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Meu Pai

 

 

Oh! Meu pai…
Por que partistes da minha vida?
Eu tinha tantas coisas pra te falar
Eu precisava falar muito mais com você
Como gostaria de contar contigo agora…

Sabe papai,
Eu tenho muito orgulho de ser teu filho
Fico muito feliz quando alguém se lembra de você
Pra mim você é muito mais do que alguém imagine
Afinal, graças a você eu sou uma vida…

Olha papai,
Você foi o idealizador do meu projeto vida
Foi o responsável pelo meu vir ao mundo
Foi o guia e herói da minha infância
Foi o amigo confidente da minha adolescência…

 

Papai,
Eu gostaria muito de ter o meu pai amigo na maturidade
Eu adoraria no meu hoje te abraçar e passear contigo
Seria maravilha bater longos papos contigo na varanda lá de casa
Mesmo que fosse só pra jogar conversa fora e rirmos um do outro…

Eu sonho
Com a emoção de vê-lo brincar com os meus filhos, que são teus
Entregar-me a ti confiando os meus problemas
Concentrar-me no ouvir os teus conselhos
Rir das nossas mancadas que um dia cometemos…

Ah! Papai,
Gostaria de te dar tudo que não pude e agora posso
Eu devia ter-te amado muito mais, pois sempre mereceste
Gostaria de ter contribuído para a realização dos teus sonhos
E andar lentamente abraçado contigo e mamãe…

 

Sabe papai,
Eu tinha tanto pra te dar e a vida não nos deu tempo
Tantas vezes queria te abraçar e via que estavas cansado
Você trabalhou duro para dar o melhor para a nossa família
Tantas vezes quis dormir com a cabeça em teu colo e não dormir
Outras vezes precisei chorar no teu peito e não chorei
E tantas vezes quis gritar ao mundo o quanto te amo e não gritei…

Oh! Meu Pai,
Por que partistes tão cedo da minha vida?
Eu te amei, te amo e sempre vou te amar
O que me consola meu pai é que te vejo sempre
Apoiando-me, guiando-me e corrigindo-me
E com aquele doce e franco sorriso
Caminhando ao meu lado.

Obrigado meu Pai!

 

 

 

Gera Santana e Gorete Siqueira

 

* Autor: SanGer – José GERALDO Tenório SANTANA é pesqueirense, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta, radialista, cerimonialista e acadêmico da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Pesqueira/Homenagem: Novos Acadêmicos da APLA – Por Zélia Costa *

Homenagem aos novos membros da
Academia Pesqueirense de Letras e Artes

Instante da poesse dos novos acadêmicos em solenidade no Hotel Estação/Cruzeiro

Instante da poesse dos novos acadêmicos em solenidade no Hotel Estação/Cruzeiro

 

 

“Quem de palavras tem experiência sabe que delas se deve esperar tudo”. José Saramago.

 

A convivência de vocês, caros novos acadêmicos, com o uso da palavra trouxe-os até a Academia Pesqueirense de Letras e Artes. Uma concretização dos sonhos, que talvez, mas com certeza, fruto dessa “convivência” com a palavra. Como diz a companheira, Jacqueline Torres em seu livro, “cosendo palavras soltas”, seja na literatura ou na arte de representar.

Em nome da SOPOESPES – Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira e representando sua Presidente, Maria Rita, eu os parabenizo. Sejam bem-vindos a APLA. Sintam-se à vontade nas cadeiras que a que tiveram acesso e que merecidamente lhes pertencem, novos guardiões da nossa cultura. Flávio Casimiro de Abreu, Maria José Torres Klimsa, nosso carinho e nossa admiração. Geraldo Santana, Edmilton Torres, Maria José Gomes, a vocês um carinho especial, já que a emoção aflora profunda, pois o nosso caminhar lado a lado na SOPOESPES, nos torna mais sensíveis. Somos uma família e é gostoso, gratificante apreciar e participar do crescer de cada um de vocês, que nos são caros. Porém a todos quero lembrar: a responsabilidade de vocês aumentou.

Hoje, como sérios acadêmicos deverão trabalhar com amor e afinco em prol da cultura. Deverão guardá-la, desenvolvê-la e divulgá-la. E vejam que a sociedade, o nosso povo carece de conhecer, amar e viver a cultura. E vocês precisam fazer esse trabalho como missão.

De alguém da literatura e que no momento me foge o nome , li a expressão: ‘não é possível estar dentro da civilização e fora da arte’. De Rui Barbosa admiro o pensamento: “a palavra é o instrumento irresistível de conquista da liberdade”. Entende-se aí, a liberdade de expressão em qualquer campo da vida. Para nós, a liberdade de criar, recriar, poetizar, representar, enfim, fazer cultura. E vocês conquistaram essa liberdade de fazer valer a cultura.

Lutem pela realização dos seus ideais e sonhos dentro da Academia Pesqueirense de Letras e Artes. Que o trabalho de vocês na APLA seja sério e verdadeiro, sobretudo, o façam com AMOR, fazendo valer a “imortalidade” que conquistaram.

 

“Deus marcou um tempo para todos”. (Eclesiastes 3,11)

Finalizo SOPOÉTICAMENTE, como sempre diz Maria Rita, presidente da SOPOESPES:

 

 

Bem-vindos, ó imortais
Pra cultura eternizar
Escrevam pelos murais
Que é lindo poetizar!

Transformem a vida em arte
Nos palcos representar
Coser palavras a parte
E a cultura divulgar!

Cantando a liberdade
De viver e de sonhar
Na APLA não tem idade
É só com AMOR trabalhar!

 

 

 

 

*

* Autora: Zélia Costa –  Zélia Costa Cavalcanti é pesqueirense, professora, nova colaboradora doZelia Costa foto pequena  digitalizar0001, cronista e poetisa. A autora representou a SOPOESPES (Sociedade dos Poetas e Escritores Pesqueirenses) na solenidade de posse dos novos acadêmicos em 26/07/2014.

Movimento Cultural/Poesia: Ao Mestre… – Por Robson Aquino *

Ariano na cadeira de balanço

Ao Mestre

 

 

Uma carroça, uma estrada
Uma arupemba, uma espiga
Um alvoroço, uma briga
A pedra, o dedo, a topada
Depois da queda a risada
O fogo, a lenha, o abano
Boneca feita de pano
Céu, inferno, terra, mundo
É um mergulho profundo
No reino de Ariano

 

Um coronel afobado
Um cangaceiro valente
Grilo que fala e que mente
A rudia, o pote, o quengo
Um soldado mulherengo
Fulano irmão de sicrano
Vento que segue soprando
Tristeza ao oco do mundo
É um mergulho profundo
No reino de Ariano

 

Gato descome dinheiro
Chocalho bento que cura
Uma pureza tão pura
Que até pecar é bonito
Comédia cheia de grito
Sagrados versos profanos
Sotaque pernambucano
Trazido bem lá do fundo
É um mergulho profundo
No reino de Ariano

 

Padeiro que é traído
A morte sendo vencida
A fé na Compadecida
A saga do sertanejo
A maçã, o mel, o beijo
Jesus um tanto africano
Um canto gregoriano
De uma sanfona, oriundo
É um mergulho profundo
No reino de Ariano

 

Quem passou por essa vida
Com a luta qu’ele lutou
Não morre nem se acabou
Seu corpo só tá ausente
E o mundo “chei” de semente
Plantadas por suas mãos
Não larga o olho do chão
Querendo colher seu fruto
Não vejo substituto
Pra Ariano, tem não!

 

 

 

   Robson-Aquinonuma adega 0001

* Autor: Robson Aquino – Antonio Robson Maciel Aquino é sanharoense, escritor, poeta, colaborador do OABELHUDO, cronista e autor de dois livros – Miolo de Pote (com os irmãos Braúnas) e o romance – Sanharó 5 Homens e um Caçuá de Discussão.