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Artigo/Opinião: A Arte de Escrever – Salve 25 de Julho – Por Sebastião Fernandes *

25 de julho dia do Escritor Nacional

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Alguém já disse: “Escrever é dar margem aos pensamentos”.

 

 

Mais, na verdade o que é e o que faz de importante o Escritor? Ora. Tem este ser uma função de grande relevância para a cultura das nações, do mundo, do local onde vive! Já imaginou a vida sem a figura do Escritor?! É por meio deste ofício que o homem – ser humano -, se compraz e se deleita. É ele quem cria personagens, imagens, fantasias e ainda nos leva a percorrer, tomar conhecimentos das historias de vidas legítimas ou arquitetadas, liberando as palavras. Que muitas vezes nos leva ao êxtase. Quer sejam alegres quer sejam cheias de amarguras! É através desta figura que o homem se comunica e se entende.

Neste dia 25 de julho chega o momento de agradecermos a estes arautos da cultura, do desenvolvimento e do crescimento intelectual da humanidade. São eles que nos proporcionam sonhos e viagens nos momentos mais raros e excêntricos, quando estamos a divagara em nossas incertezas. Por estas e outras razões é que devemos agradecer por nos agraciar com momentos prazerosos, ajudando-nos a fugir das tristezas e dos presságios da vida. Reverenciar nossos escritores é dever de todos nós.

Neste ano temos motivos os mais expressivos possíveis para prestarmos nossa homenagem a um grande homem que esteve até pouco tempo conosco e que nos legou uma das mais expressivas narrativas que nos encantou a todos. Homem este que nos deixou seguindo os preceitos e axiomas que lhe é peculiar: fazer sua viagem de volta a sua origem. Evidente que após ter cumprido seu dever como cidadão e homem predestinado a servir e ser melhor do que fora no passado.

O mestre, escritor, dramaturgo, poeta, romancista, Ariano Vilar Suassuna. “Perdemos, acima de tudo, um grande professor da ternura e da simplicidade humana. Num mundo contemporâneo maculado pelo analfabetismo afetivo, as aulas-espetáculo do mestre Suassuna eram refúgios de conhecimento e de afeto que misturavam assuntos teóricos com fábulas da cultura brasileira.” Professor Ricardo Barberena, da PUCRS. Espero, Ariano Suassuna, que você continue nesta nova etapa de sua vida a contribuir com a cultura, a família, com o ser humano para que sejam melhores hoje quanto foram ontem. Sabemos que a vida não se extingue com a morte do corpo! Somos eternos!… Exaltar, reverenciar homens e mulheres que se dedicaram e se dedicam as letras e as artes pelos seus relevantes serviços prestados e pelos resultados positivos a favor da cultura e da arte é dever da sociedade é nosso dever. Como vivemos em sociedade e tivemos a graça de nascermos e ou sermos filhos adotivos desta nossa querida Pesqueira, terra do doce, da renda e da graça, não podemos esquecer-nos dos nossos mais destacados escritores, poetas, romancistas, cronistas e contistas.

Como exemplo as figuras de: Tomás de Aquino Almeida Maciel – filho adotivo, pois nasceu em Brejo da Madre de Deus; escritor e poeta. O Pesqueirense Zeferino Cândido Galvão Filho, jornalista, romancista, poeta, linguista, filósofo dicionarista, lexicógrafo e historiador; Anísio Galvão, jornalista, escritor e orador de primeira linha. José de Almeida Maciel, historiador, jornalista, professor; professor, jornalista, cronista, articulista e poeta; Frederico Bezerra Maciel – Padre, escritor e historiador e ficcionista; Augusto de Souza Duque, jornalista, cronista; Luiz Cristóvão dos Santos, escritor, jornalista e comentarista; Audálio Alves, escritor e poeta exímio artesão das palavras, nos versos livres ou nos sonetos, segundo nosso escritor Gilvan de Almeida Maciel; Luiz de Oliveira Neves, jornalista, escritor e cronista; Moacir Britto de Freitas, Agrônomo, empresário e escritor destacando-se na literatura específica da sua área de formação. Deixando-nos legados de grande expressão para o desenvolvimento da agropecuária pesqueirense, pernambucana e brasileira; José de Sá Bezerra Cavalcanti, jornalista e cronista. Alípio Cordeiro Galvão, escritor, poeta, cronista e violonista. Leonides de Oliveira Caraciolo, engenheiro, escritor, cronista e ex-presidente da APLA.

Artista ligado a música, tocando diversos instrumentos de sopro, mas destacou-se ao tocar violino seu instrumento predileto. Grande compositor de musicas clássica e popular; Eliseu Magalhães Araújo, escritor e poeta. Não esquecendo nossos escritores, poetas, cronistas e jornalistas que hoje cultuam esta magnifica arte! Felizes são aqueles que tiveram e têm a sorte de ter convivido com tantos talentos que se dedicaram a estudar e a explorar a cultura e arte em favor daqueles que carecem da mais importante ação em favor da educação formadora da construção do ser humano, como elemento peculiar ao processo de evolução que lhe é próprio.

 

 

Sebastião Gomes sorrindo  academia-320x2002

Pesqueira, 25 de julho de 2014.

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes, Sociólogo, escritor, colaborador do OABELHUDO, poeta e cronista. Membro efetivo e presidente da Academia Pesqueirense de Letras e Artes – APLA. (Fotos: Escritores citados na homenagem: Zeferino Galvão; Moacyr de Freitas Britto e Leonides de Oliveira Caraciolo)

Crônica/Homenagem: (Dia do Escritor) Por Edmiltom Torres *

Dos alfarrábios aos e-books

 

 

dia do escrito 25 de julho maquina de escrever

No sossego do sofá da minha casa, com um instrumento mágico nas mãos, viajei por mundos fantásticos; reais e imaginários. Conheci seres igualmente fantásticos, presenciei épicas batalhas e fui testemunha privilegiada de grandes amores e de terríveis tragédias.

Segui de perto os passos da humanidade na busca da superação das suas imperfeições, até atingir um estágio de evolução que, se ainda não ideal, já lhe permite uma melhor qualidade de vida física e espiritual.

Acompanhei grandes desbravadores por regiões inóspitas, desde as profundezas abissais dos oceanos, até as longínquas e misteriosas amplitudes intergalácticas.

Chorei de emoção e ri de contentamento, conforme me sensibilizavam as cenas que vislumbrava durante a minha magnífica jornada.

O instrumento maravilhoso que me permitiu viver tamanhas aventuras e emoções é uma das mais belas invenções da humanidade e o seu criador, um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. São, respectivamente, o livro e o escritor.

Desde os antigos alfarrábios até os modernos e-books, criador e criatura continuam a nos encantar, instruir e enternecer, pois é através da leitura que refletimos e formamos opinião sobre as coisas e os fatos, além de conseguirmos estimular a nossa criatividade.

Pelo Dia Nacional do Escritor, que é celebrado em 25 de julho, minha homenagem a todos os escritores; os que já se foram, deixando-nos um grande legado cultural, e aos contemporâneos, que mantêm viva a chama que eterniza o saber.

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  * Autor: Edmilton Torres  – Edmilton Bezerra Torres é pesqueirense, cronista, poeta, colaborador do OABELHUDO, graduado em Administração de Empresas pela UFPE, funcionário aposentado da Caixa Econômica Federal e membro da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Evento/São Bento do Una: 17ª Festa da Galinha atrai milhares de pessoas * – Colaboração de Lidinho Cintra

São Bento do Una promove 17ª

edição da Corrida da Galinha

“São Bento do Una é o maior produtor de ovos do Nordeste, tendo chegado a produzir 2,7 milhões de ovos por dia e 350 mil frangos por semana. No ranking nacional o município está na 17ª colocação.”

 

Galinhódromo da Corrida da Galinha, em São Bento do Una. Dezenas de milhares de turistas visitam a cidade na semana de festas

Galinhódromo da Corrida da Galinha, em São Bento do Una. Dezenas de milhares de turistas visitam a cidade na semana de festas

 

Com o objetivo de divulgar o maior potencial econômico da cidade, São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco, lança a 17ª edição da Corrida da Galinha, que vai ser realizada de 28 de julho a 03 de agosto de 2014. O evento foi inspirado na fama do município como um dos principais produtores de ovos e frangos do Nordeste. A avicultura industrial pernambucana, atualmente, é o segmento mais importante do seu agronegócio, sendo responsável por 28% do PIB da atividade e 2,53% do PIB estadual. Pernambuco é o maior produtor de ovos do Nordeste seguido pelo Ceará. Neste contexto, São Bento do Una é o maior produtor de ovos do Nordeste, tendo chegado a produzir 2,7 milhões de ovos por dia e 350 mil frangos por semana. No ranking nacional o município está na 17ª colocação.

Pegando o mote da Copa do Mundo, com o tema “Depois da Copa tem a canja da galinha”, essa edição do evento traz na sua programação shows, atividades culturais e as bem humoradas competições. Criado em 1993 pelos irmãos conterrâneos Marcos e Marcelo Valença, a Corrida da Galinha mantém suas características, tendo como ponto alto da festa a competição de galos e galinhas. “O evento vem crescendo a cada edição e a disputa atrai diversos competidores que se deslocam para a cidade atraídos pelo clima festivo e descontraído das brincadeiras”, observa Marcos Valença.

Como uma espécie de paródia da Fórmula 1, a Corrida da Galinha apresenta os ícones do circuito automobilístico, com direto a prêmios para os três primeiros e últimos lugares e até placa na calçada da fama . A pista em circuito fechado chamada de Galinhódromo tem 88 metros de extensão sendo protegida por um tela e instalada em local amplo para dar mais espaço e segurança aos pilotos e suas máquinas “voadoras”. A estrutura ainda conta com o espaço “Pinto stop”; o Poleiro, arquibancada com capacidade para 2 mil espectadores e a Torre de Comando onde é feita a transmissão da corrida com narração exclusiva do Galão Bueno e respectivos comentaristas.

Outras competições também fazem parte da programação como o Ovo ao Alvo, Segura nos Trinta, Coma seu Frango, Engula o Ovo, Canto do Galo, Cocoricó da Galinha e Penas, Plumas e Paetês. As inscrições para entrar nas brincadeiras são gratuitas e podem ser realizadas no Galinhódromo.

Além das brincadeiras, o evento promove também diversas atividades culturais e educativas. No Terreiro de Palestras vão ser realizadas oficinas e apresentações de projetos culturais. Para promover os artistas locais, o Terreiro Cultural vai receber apresentações musicais da terra. O evento também conta com um Polo Gastronômico localizado ao lado do Galinhódromo com praça de alimentação para os visitantes conhecerem as comidas regionais.

Para participar das competições e conferir as atrações do evento são esperadas esse ano cerca de 50 mil pessoas por dia. Mais de 2 mil empregos diretos e indiretos são gerados. “O evento tem uma grande importância para São Bento do Una porque movimenta a economia da cidade e dá visibilidade para nosso grande potencial na avicultura”, afirma Débora Almeida, prefeita de São Bento do Una.

CARNAGALINHA – Além das competições, a programação da Corrida da Galinha também conta com shows gratuitos em trios elétricos, que está com novo percurso, saindo da Avenida Osvaldo Maciel. De sexta (01) a domingo (03), 15 atrações vão se apresentar no corredor da folia, montado no Centro da Cidade. Entre as bandas que vão animar o Carnagalinha, Aline Rosa, Babado Novo, Parangolé, Asas da América, Gabriel Diniz e Luan e Forró Estilizado. Na programação do sábado também há saída de blocos como o Galo Belo, com escola de samba, orquestra de frevo e maracatus. No mesmo dia, a diversão das crianças está garantida como Bloco Infantil Pintinho Sapeka saindo com a Banda A Barca Maluka.

SÃO BENTO DO UNA – Localizado a 206 km do Recife, é composto pelos distritos sede e Espírito Santo, além dos povoados de Jurubeba, Pimenta, Queimada Grande, Maniçoba e Gama. População de 54 mil habitantes.

PROGRAMAÇÃO DE SHOWS

 

SEXTA-FEIRA- 01/03

ALINE ROSA

FORRÓ DA PEGAÇÃO

ASAS DA AMÉRICA

PIERRE

 

SÁBADO – 02/03

BABADO NOVO

ASAS DA AMÉRICA

BICHO DO MATO

PARANGOLÉ

VIRADOS DO FORRÓ

 

DOMINGO – 03/03

SAIA ELÉTRICA

SINAL FECHADO

ASAS DA AMÉRICA

GABRIEL DINIZ

LUAN FORRÓ ESTILIZADO

http://www.aviculturaindustrial.com.br/boletim/20140723093324_W_305

* Fonte: Boletim Avicultura Industrial de 23/07/14

Posse na APLA/Discurso do Novo Acadêmico – Por Gera Santana *

Discurso proferido por ocasião da posse como membro da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes

 

Geraldo o empossado, com a esposa Gorete e o filho Paulo Santa. Momento sublime...

Geraldo o empossado, com a esposa Gorete e o filho Paulo Santa. Momento sublime…

Gera Santa discursando na APLAGera Santana e Gorete SiqueiraGera Santana prestando juramento APLAGera Santana e Paulo o filho

 

Um momento Único

ALFREDO BEZERRA DE ARRUDA CÂMARA nasceu em Afogados da Ingazeira, Sertão de Pernambuco. Formou-se em Direito Canônico em 1925. Fez doutorado em Filosofia na Academia de São Tomás de Aquino, em Roma, onde se ordenou Sacerdote e em Teologia Dogmática, pela Universidade Gregoriana. Foi Constituinte em 1934. Diretor e Vice-Presidente da Caixa Econômica de Pernambuco, em 1938. Um dos fundadores do Partido Democrata Cristão, pelo qual se elegeu constituinte e deputado federal em 1946. Em 1948, recebeu o título de Monsenhor. Foi reeleito mais quatro vezes pelo PDC, e duas pela ARENA. Faleceu no Rio de Janeiro, em 21 de fevereiro de 1970. Sua atividade parlamentar foi marcada pela defesa do regime parlamentarista, a adoção do ensino religioso nas escolas e a concessão do direito de voto a todos. Com a fundação da ACADEMIA PESQUEIRENSE DE LETRAS E ARTES em 2001 teve o seu nome indicado e aprovado para Patrono da cadeira Nº 39.

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Cadeira esta que foi ocupada por Israel Ventura de Medeiros. Nascido em 29 de novembro de 1918, na cidade de São Sebastião do Umbuzeiro – Paraíba. Filho de Sebastião Bezerra de Medeiros e Rosa Ferreira Ventura. A família morou em Arcoverde, Caruaru e em 1932 se fixou para Pesqueira. Israel cresceu e aos 14 anos trabalhou na Loja Paulista na função de caixa. Convidado a trabalhar na Loja Santa Águeda, aceitou e ali o proprietário, Escritor, Historiador e Jornalista JOSÉ DE ALMEIDA MACIEL o incentivou a escrever. Anos depois assumiu a gerencia da filial de Alagoinha onde conheceu e casou com Maria Edízia Galindo e tiveram quatro filhos; Geraldo, Rosa Maria, Luiz Carlos e Carlos Alberto. Membro da AIP – Associação de Imprensa de Pernambuco. Israel dedicou a sua vida à cultura da região. Acadêmico da APLA, dizia ser o seu maior orgulho.

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Aqui estou; José Geraldo Tenório de Santana, (Gera Santana) filho de Sebastião Manuel e Benedita; Irmão de Carminha, Irene, Socorro, Antonio, Fátima, Jorge, Conceição e Sebastião Filho; Casado com Maria Gorete a companheira de todas as horas e meus queridos filhos Fernando Henrique, Paulo André e Luis Gustavo. Meus sobrinhos e sobrinhas, cunhados e o amigo de todas as horas e irmão de todas as vidas Paulo Teixeira de Lima.

Agradeço aos meus pais que mesmo com as dificuldades que a vida lhes impôs nos incentivou e nos educou de maneira correta e exemplar.

Presto homenagem ao homem de grande visão Luiz de Oliveira Neves que edificou o Portal educacional Social de Pesqueira ao criar o Colégio Comercial. Ali as portas do mundo foram abertas para os que tinham ânsia por aprender. Luiz Neves presenteou o mundo com bons profissionais que contribuíram para a edificação de uma sociedade mais qualificada, justa e igual. Eu fui aluno do Colégio Comercial e muito me orgulho.

Para ser justo e correto com todos que tiveram papéis importantes na minha vida, permitam-me não mais citar nomes e sim agradecer o conviver com os amigos, fotógrafos e cineastas, fizemos boas parcerias em vários vídeos, comerciais e filmagens da história de nossa cidade e cidades outras. Com Músicos e compositores na parceria em letras e músicas. Com Teatrólogos, atrizes e atores no aprendizado em escrever e encenar peças teatrais. Com os amigos/irmãos Professores e os nossos alunos/ atletas, na educação, amizade, companheirismo e cidadania. Com meus mestres e Mestras, na formação educacional e de vida. Com os funcionários e professores dos Colégios Cristo Rei, Dorotéia e Comercial no contributivo em formar cidadãos e cidadãs para o mundo. Com os agentes sócios educativos do SESI no trabalho social e lazer da classe operária de nossa cidade. Com os companheiros do Sistema Jornal do Comércio de Comunicação no correto trabalho sócio-educativo através da comunicação radiofônica.

Ciente estou da responsabilidade em me tornar Acadêmico.

Tenho pouco mais que uma dúzia de escritos, entre romances, contos e poesias, carecendo de ajustes para edição e lançamento, além de pouco mais de uma dezena de peças teatrais. Alimento a esperança de ampliar o acervo convivendo com os Acadêmicos e trabalhando forte para elevar com responsabilidade o nome da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes. Aos Membros da Academia, agradeço a confiança dizendo que honrado estou, por adentrar este seleto quadro onde com certeza aprenderei muito com os Guardiões da Cultura e das Artes.

A missão é forte e também muito atrativa!

A responsabilidade é grande e desafiadora!

Sou filho da coragem, da garra e da fibra de um casal que nos ensinou que o respeito, o trabalho, a honradez, a humildade e o AMOR são os pilares básicos para todas as lutas e conquistas e, sobretudo, para o BEM VIVER neste mundo tão desigual; e é exatamente por isso, tão atrativo e beneficamente desafiador.

Aqui e agora confesso estar vivendo um momento emocionalmente único e tão especial que me transporta ao conviver com a minha doce família, ao casamento com a mulher amada, aos nascimentos dos meus filhos e as broncas educativas que sempre culminaram com os abraços amorosos do meu pai e da minha mãe.

Que tenhamos simplicidade ao semear e muita humildade para aprender com todos.

Com a graça de Deus vamos trabalhar unidos e fortes! Pesqueira cultural, que sempre foi e será a ATENAS DO SERTÃO, merece.

Ela, PESQUEIRA, é maior que todos nós!

  Gera Santana pesqueira

Obrigado!

Gera Santana.

Luto/Ariano Suassuna – Pernambuco se despede do Mestre, em grande estilo *

Luto »

Corpo de Ariano Suassuna é

velado no Campo das Princesas

 

Autoridades e amigos receberam o caixão do escritor em Palácio para o velório

Autoridades e amigos receberam o caixão do escritor em Palácio para o velório

Sob aplausos, o caixão com o corpo do escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna adentrou o Palácio Campo das Princesas às 22h55 desta quarta-feira (23). Carregado pelo governador João Lyra Neto, pelo presidenciável Eduardo Campos e pelos netos, o ataúde foi colocado na sede do Governo de Pernambuco para ser velado por familiares, amigos e milhares de fãs do autor. O sepultamento está marcado para as 16h desta quinta-feira (24), no Cemitério Morada da Paz, no Paulista, Região Metropolitana do Recife.

Ainda na noite desta quarta, foi realizada uma celebração de corpo presente pelo frei Aloísio Fragoso. A cerimônia foi restrita para a família e amigos do escritor.

Muitos visitantes aguardavam o corpo do dramaturgo para prestar-lhe a última homenagem

Muitos visitantes aguardavam o corpo do dramaturgo para prestar-lhe a última homenagem

Cinco lanceiros do regimento Dias Cardoso compõem a Guarda Fúnebre e ficarão posicionados ao lado do corpo durante o velório. A honraria é concedida pela Polícia Militar para autoridades.

Até o momento acredita-se que a visitação para o público seja prorrogada.

Saiba mais sobre a vida e a obra de Ariano Suassuna

Saiba mais…

Ariano: “Eu sei que vou morrer, mas todos os meus personagens ficarão”

* Fonte: Diário de PE

Pesqueira/APLA: Discurso de Posse do novo acadêmico – Por Edmilton Torres *

A P L A 

 

O novo acadêmico Edmilton Torres é um dos colaboradores do OABELHUDO

O novo acadêmico Edmilton Torres é um dos colaboradores do OABELHUDO

Discurso de posse do acadêmico Edmilton Bezerra Torres na Academia Pesqueirense de Letras e Artes, APLA, em 19 de julho de 2014.

Excelentíssimo presidente da Academia Pesqueirense de Letras e Artes, Sr. Sebastião Gomes Fernandes.
Ilustres componentes da mesa.
Autoridades presentes.
Senhoras e senhores acadêmicos.
Queridos familiares e amigos.
Minhas senhoras, meus senhores.
Boa noite e obrigado pela presença de cada um de vocês.

Senhoras e senhores,

Dizem que a melhor parte de um discurso é quando ele acaba, inclusive para quem discursa. Por isso lhes peço um pouco de paciência antes de podermos saborear esse momento.

Muitas coisas boas aconteceram na minha vida de forma não planejada. A minha entrada na Academia Pesqueirense de Letras e Artes é a mais recente.

Até a divulgação do edital para ocupação das cadeiras vagas na academia, eu nunca havia ambicionado concorrer a uma delas, porque, apesar de escrever poemas e eventualmente algumas crônicas, não me sentia qualificado para tal.

Há cerca de três anos, também sem nenhum planejamento prévio, tornei-me membro da Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira, onde comecei a divulgar os meus poemas, e foi a partir daí, que passei a receber incentivos, tanto por parte de membros da APLA, como de colegas da SOPOESPES, para candidatar-me a uma das cadeiras vagas, quando fosse deflagrado o processo de provimento. Os incentivos aumentaram após a publicação do edital, mesmo assim eu hesitava, aceitando inscrever-me nos momentos finais do prazo. Inscrevi-me, mas não esperava ser um dos escolhidos, pois julgava que havia candidatos mais qualificados do que eu.

Uma vez escolhido, procurei reprimir a vaidade, pois senti o peso da responsabilidade de ter sido selecionado entre outros candidatos que, imagino, eram bastante qualificados.

Neste momento de honra e orgulho para mim, em que tomo posse na Academia Pesqueirense de Letras e Artes, faço uma breve homenagem, ainda que postumamente, à pessoa que mais contribuiu para a minha formação moral e intelectual, pela sua determinação e pelo seu exemplo. Um matuto lá do Sítio Capim Grosso, chamado Martinho Firmino Torres – O meu pai.

Nascido no comecinho do século 20, numa época em que, mesmo para os habitantes da cidade, estudar era um privilégio de poucos, imaginem para um agricultor que nasceu e residiu grande parte da sua vida na zona rural.
Entretanto, o meu pai venceu vários obstáculos e, de forma praticamente autodidata, instruiu-se a ponto de não passar vergonha diante de nenhum interlocutor.

Quando nasceram os seus primeiros filhos, mudou-se para a cidade a fim de que os mesmos pudessem estudar, e como assalariado da Fábrica Peixe, mesmo passando diversas privações, não recuou do objetivo de educar uma família bem numerosa, 11 filhos, chegando até a vender o sítio para ajudar nas despesas.

Dele herdei, além de honra e caráter, o dom e o gosto pela poesia. O meu pai foi o primeiro poeta que eu conheci.
Se hoje vivo estivesse, sei que ele estaria muito orgulhoso por ver-me ocupar uma cadeira nesta conceituada entidade cultural, assim como estão orgulhosos, a minha amada família e os queridos amigos que aqui vieram me prestigiar.
Porém, maior que a vaidade pessoal de ocupar uma cadeira nesta academia, deve ser a responsabilidade por fazer parte desta plêiade. Aqueles que ambicionarem fazer parte desta instituição devem ter sempre presentes, o dever e a responsabilidade por um projeto permanente de desenvolvimento cultural da sociedade em que ela se insere, mas para isso, é necessário que nós acadêmicos, assumamos uma postura proativa, emprestando o nosso gosto pela cultura e as nossas energias, em defesa da cultura pesqueirense.

Doravante, passarei a ocupar a cadeira nº 8 da APLA, comprometido desde já, a ser um soldado desse exército cultural.
A Cadeira nº 8 da Academia Pesqueirense de Letras e Artes tem como patrono, o professor, geógrafo e literato Hilton Sette, nascido no Recife em 30/07/1911 e falecido em 20/12/1997 aos 86 anos.

Se eu fosse falar, neste momento, sobre a vida e a obra desse grande homem, sem omitir fatos relevantes da sua trajetória, não me sobraria tempo para abordar outros temas , por isso farei um breve resumo, pois foram quase 86 anos de um trabalho profícuo em prol do magistério, da literatura e da pesquisa científica.

Filho do escritor Mario Sette e de Maria Laura Maia Sette, desde menino já escrevia histórias que eram publicadas na revista infantil carioca “O Tico-tico” e no “Recreio da Petizada”, a sua congênere recifense.

Graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, mas nunca exerceu a carreira jurídica, pois sua verdadeira vocação sempre foi o magistério. Foi funcionário público, professor, autor de livros didáticos e de divulgação científica, geógrafo e escritor ficcionista.

Como professor de geografia e história, lecionou em quase todos os colégios particulares do Recife e nas mais importantes faculdades e universidades de Pernambuco.

De professor a autor de livros didáticos foi um passo, escrevendo e publicando junto com Manoel Correia de Andrade, vários compêndios de Geografia Geral e Geografia do Brasil.

Participou de várias pesquisas no campo geográfico, que serviram de base para publicação de diversos ensaios geográficos e em 1956, lançou a Tese com a qual conquistou a vaga de Efetivo da Cadeira de Geografia do Brasil do Colégio Estadual de Pernambuco, intitulada: “Pesqueira – Aspectos de sua Geografia Urbana e de suas Inter-relações Regionais”.
Em 16/11/1987 foi eleito para a Cadeira nº 9 da Academia Pernambucana de Letras, tomando posse em 04/02/1988.
Como literato ficcionista, apesar de graves problemas de visão, publicou diversas obras, sendo a última “Restos de Tacho”, uma coleção de contos dedicados à sua companheira Lúcia, em 1995, profetizando, talvez, com esse título, que essas seriam suas últimas histórias.

Considerando a exuberante bagagem intelectual de Hilton Sette, comprovada de forma inconteste na sua vasta obra literária, tendo, inclusive, contribuído para a divulgação dos aspectos geográficos da cidade de Pesqueira, a sua escolha para patrono da Cadeira nº 8 da Academia Pesqueirense de Letras e Artes, foi mais do que merecida e queira Deus, os seus ocupantes possam receber as bênçãos espirituais desse mestre, para dignificar a sua ocupação.

Senhoras e senhores.

Dos cinco novos acadêmicos que hoje serão empossados, serei o único a ocupar uma cadeira, cujo antecessor não é falecido – o jornalista, consultor de comunicação e marketing, ensaísta, crítico literário, filólogo, escritor e poeta Flavio Ricardo Chaves Gomes, que abdicou em vida, do direito que lhe fora outorgado.

Flávio Chaves iniciou a vida literária aos 25 anos, quando publicou o livro de poesias “Digitais do Coração”. Desde então teve diversos trabalhos publicados regularmente em jornais e revistas do país.
É filiado à União Brasileira de Escritores – Secção de Pernambuco, onde exerceu a presidência por oito anos e é membro de várias academias de letras, entre elas, a Academia Pernambucana de Letras, a Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro e a Academia Recifense de Letras.

Publicou diversas obras literárias, em sua maioria livros de poesia, recebendo várias condecorações de órgãos ligados à cultura e às artes, pela qualidade da sua obra.
Além dos cargos ocupados na UBE/PE, ocupou cargos de destaque na FUNDARPE, na Associação de Imprensa de Pernambuco, no Sindicato dos Escritores e Secretaria de Governo do estado.
Também foi fundador e editor de jornais e colunista do Jornal do Comércio e Diário de Pernambuco, além de ter sido vice-prefeito de Carpina/PE, sua cidade natal, de 1997 a 2000.

Como acabamos de ouvir, senhoras e senhores, o ex-acadêmico pesqueirense Flávio Chaves, tem um currículo invejável. É um homem de múltiplas tarefas e, talvez por isso, não tenha conseguido conciliar as suas diversas atribuições, com as de membro desta academia, o que justificaria o seu afastamento.
Mas isto é passado, agora estou eu aqui assumindo a responsabilidade de substituir esse grande vulto da literatura pernambucana, com um currículo modestíssimo se comparado ao dele. Mas eu nunca pretendi comparar-me a qualquer pessoa. O que me trouxe a esta digna instituição foi esse meu modesto currículo.

Vós, ilustres acadêmicos, me escolhestes pelo que sou; um esforçado aprendiz de poeta, reconhecendo mérito nos meus escritos, e sou-vos grato por terdes confiado os vossos votos a mim, para ombrear com os confrades e confreiras neste templo cultural.

Ocupando a Cadeira nº 8 da Academia Pesqueirense de Letras e Artes, não ostentarei o brilho curricular do meu antecessor nem do meu patrono, mas colocarei a minha inteligência e as minhas energias para dignificar os votos recebidos e lutar pelo engrandecimento desta instituição.

Muito obrigado pela atenção.

 

Edmilton Torres-poeta-pesqueira-DSC_0441-150x150

 

* Autor: Edmilton Bezerra Torres – Novo acadêmico da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes

Movimento Cultural/Poesia: Homenagem a Lula Torres – Por José Eulâmpio de Souza *

 

 

LULA TORRES

SAUDADES ROTARIANAS

 

Lula torres com pedrinho e paulo irmãosLuiz torres e a esposa

 

 

poesia de jose eulampio Lula Torres - Pesqueira

 

 

* Autor: JES: José Eulâmpio de Souza  –  Colaboração de Ciro de Brito Miranda.

Garanhuns: Celebridades do Forró fazem justa homenagem a mestre Dominguinhos no FIG 2014 *

FIG – Festival de Inverno de Garanhuns
faz homenagem ao Mestre Dominguinhos

 

Celebridades do forró fazem  homenagem ao mestre Dominguinhos durante o FIG 2014.

Celebridades do forró fazem homenagem ao mestre Dominguinhos durante o FIG 2014.

 

 

A segunda noite do Festival de Inverno de Garanhuns ficará na memória dos pernambucanos. Grandes nomes da música brasileira realizaram uma homenagem especial, na noite da sexta-feira (18/07), a José Domingo de Moraes, o Mestre Dominguinhos, na antiga Esplanada Guadalajara, hoje a praça tem o nome do cantor falecido ano passado. Para o governador João Lyra Neto, que acompanhado de diversas autoridades, prestigiou o encontro, Dominguinhos foi um “competente representante da música brasileira e suas composições vão ficar para sempre nos corações dos que o acompanhavam”.

“Essa homenagem é extremamente justa e eu fico muito feliz em participar deste momento“, completou o governador, enfatizando a importância do Festival de Inverno de Garanhuns para a divulgação da cultura pernambucana e movimentação da economia local. “Temos um evento diverso no aspecto cultural e também responsável por promover um ânimo no comércio e no turismo da região”, disse o governador.

Durante o show de homenagem, as composições do artista garanhuense foram interpretadas por Elba Ramalho, Mariana Ayda, Nádia Maia, Guadalupe, viúva de Dominguinhos, e Liv Moraes, que é filha do homenageado. “Foi emocionante ver o público participando e cantando as composições de meu pai”, disse a cantora Liv Moraes, bastante emocionada, enfatizando que a produção artística rompeu fronteiras e tocou o Brasil.

Além do show produzido para homenagear o Mestre Dominguinhos, o palco principal recebeu a dupla Azulão e Azulinho e o sanfoneiro Waldonys. O Festival de Inverno de Garanhuns segue até o dia 26 e estima atrair 500 mil pessoas durante os 10 dias de festival. O evento é uma realização do Governo de Pernambuco, em parceria com a prefeitura do município e chega a sua 24ª edição com 17 polos multiculturais.

* Fonte: Imprensa Casa Civil – PE

Foto: Paulo Sérgio Sales/SEI

Crônica/Homenagem: Salve o 20 de Julho – Dia do Amigo – Por Francisco Aquino *

SALVE OS VERDADEIROS

AMIGOS

 

 

dia DOS AMIGOS 20 DE JULHO

Como é bonito ver o espetáculo da vida pulsando nos verdadeiros encontros de amigos.

Estando todos envolvidos nos bons e maus momentos apoiando um ao outro como deve ser a vivência humana.

Salve as boas amizades que nos trás discernimento para aconselhar e chamar atenção quando precisar alertando dos perigos que há.

Não deixe nada macular uma grande amizade porque ela contribui e muito para uma construção salutar da vida que lógico deve ser vivida com intensidade. Cheia de atitudes dignas de felicidades.

O amigo que é amigo está sempre ao lado contribuindo para uma vida bem alicerçada e feliz. Porque o mesmo blinda o outro os protegendo dos perigos da vida.

Amigos são companheiros sempre dos momentos vividos, podendo até discordar mais jamais ficar magoado porque sabe com alegria, superar traumas e intempéries da vida. Tornando a vida mais suave e com leveza ser conduzida para o bem estar comum.
viva bem e deixe viver todo e qualquer ser que conheceste. Os quais os chamamos de amigos.

Porque se queres fazer algo por alguém que faça agora e não espere o mesmo baixar a sepultura quando só precisará das suas orações. Pois grandes conquistas merecem comprometimento e esforços desprendidos com total determinação e foco nos objetivos a serem alcançados.

Por isso parabéns todos aqueles que lutam juntamente com seus amigos com dignidade por uma vida feliz.

Porque não devemos deixar os nossos sonhos se acabarem sem ter lutado para conquistá-los.

Avante guerreiros amigos formando uma verdadeira legião porque as grandes conquistas os esperam e o Ser Supremo estará sempre no comando e conosco na caminhada da vida nos abençoando em todos os momentos da sonhada vida plena e em construção.

(A Lista – Oswaldo Montegro) Youtube/Google

Salve o dia do amigo pessoa de grande valor nas nossas vidas.

 

Francisco Chico Aquino sozinho de azul

 

* Autor: Francisco Aquino – Francisco de Assis Maciel Aquino é pesqueirense, professor, teatrólogo, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta membro da SOPOESPES e comentarista esportivo.

Canetadas/Homenagem: Zezita Torres e o seu “Vitrais da Palavra” – Por Jurandir Carmelo *

Zezita Torres e o

livro Vitrais da Palavra

Maria José Torres Klimsa autora e acadêmica da APLAS -

Maria José Torres Klimsa autora e acadêmica da APLAS –

 

capa do livro Vitrais da Palavra0001

Não poderia melhor celebrar a volta de Canetadas, depois de um breve recesso, se não fosse escolhendo um tema leve para escrever, sobre o qual, teimosamente, busco rabiscar algumas considerações, principalmente, depois de ler a apresentação do professor Antonio Guinho e o posfácio da poetisa Djanira Silva, ambos no rol dos melhores da nossa literatura, da nossa poesia.

É, portanto, enorme desafio deste jornalista matuto falar sobre a história de uma menina, por ela mesma contada, nas páginas do seu livro “VITRAIS DA PALAVRA”.

Maria José Torres Klimsa, ou, carinhosamente Zezita Torres, nascida nas brenhas campesinas de Pesqueira, na casa grande da Fazenda Santa Fé, de seus saudosos pais Celestino e Maria Torres, em cujas paredes de seus quartos permanecem o cheiro de maternidade, como diz a autora, à fl. 69 do seu livro: (…) “O quarto dos pais ainda tem cheiro de maternidade: ali vieram à luz todos os filhos” (…), nos brinda com uma obra que nos remete à vida de menino, na saudável convivência com a infância e com as travessuras de criança.

É a história de uma menininha matuta, que guardando na sua memória os caminhos percorridos da infância e adolescência, depois de se tornar mulher, professora, poeta e escritora, resolveu contar, creio, com pedaços de vidros coloridos arrancados com os olhos da alma e do coração, das molduras assentadas no alto das paredes da Igreja da Imaculada Conceição, do convento dos frades, ou da Igrejinha de Nossa Senhora Mãe dos Homens, também, conhecida por igrejinha do bispo, da terra que lhe serviu de berço, para assentar no papel, em preto e branco, juntando os cacos da história, em forma de letras, palavras e escritos, tal qual uma operária do saber, para a construção do seu livro “VITRAIS DA PALAVRA”.

O livro “VITRAIS DA PALAVRA” dispensaria maiores comentários, principalmente, depois da apresentação feita por um cidadão de reconhecida e rara sensibilidade no campo das letras, seja como escritor, poeta, professor, psicólogo, psicanalista de jovens e crianças, enfim, um Homem completo no campo do saber, de alma e coração infanto-juvenil da qualidade de ANTONIO GUINHO. Pessoalmente não o conheço, mas já li muita coisa da sua obra, do seu trabalho, podendo, portanto, afirmar que se trata de uma sumidade em matéria de cultura.

Na sua exposição intitulada de “O DRAGÃO DOMADO”, escreve o professor Antonio Guinho, operário maior da “Oficina de Construção de Textos”, na qual a nossa amiga e professora Zezita Torres, foi se descobrindo escritora. O livro de Zezita é um misto de histórias e poesias, de contos e sentimentos, de palavras leves como os vitrais, de abraços apertados na sua infância e juventude.

Vejamos o que escreveu o professor Antonio Guinho sobre “VITRAIS DA PALAVRA”, aqui transcrito na íntegra (não dá para publicá-lo pela metade, em pedaços, se assim fosse seria um pecado…):

O DRAGÃO DOMADO

Quando Maria José Klimsa chegou ao Jardim Literário – nome que atribuímos à oficina de construção de textos que ministramos de 2006 a 2010 -, profetizamos que a aluna teria mais dificuldades com a escrita criativa do que os demais, por uma simples razão: Mazé tinha o completo domínio da língua. Professora de Língua Portuguesa e de redação, revisora, perfeccionista, tanto nos textos quanto na vida, haveria para ela um imenso desafio: soltar a criatividade, o que significa entregar-se às forças do inconsciente sem censura.

Como fazer isso sob o julgo ditatorial de um censor severo, vigilante da ortografia, isto, da escrita correta?

Como se entregar ao furor da criação, soltando-se na louca solta fantasia, com uma voz superegoica a todo momento, indagando inquisitorialmente: isso está certo? É assim mesmo que se escreve? Esta é a melhor forma de se expressar?

A profecia cumpriu-se à risca. Dava pena ver Maria José lutando contra a perfeição. Mas aguerrida que é, lutou e lutou até subjugar o dragão. Um São Jorge de saia, montado num cavalo de letras, palavras e textos, eis que temos agora uma escritora completamente solta, viajando nas asas da fantasia. Senhora do dragão e não sua escrava.

Agora, a então inimiga, a escritora correta, torna-se a sua melhor amiga. Escrever corretamente é mais do que desejável quando não se constitui num obstáculo.

Assim, tivemos o primeiro voo, ancorada ainda no verismo da biografia do prestigiado tio padre, com o livro “Padre Olímpio Torres, pelas veredas da serra” que, apesar de biográfico, já vemos Maria se soltando na prosa poética.

Agora, com “Vitrais da Palavra”, o dragão tornou-se um gatinho, sob o completo domínio da escritora e seu fiel servidor.

Parabéns Mazé! E como diz Buzz, o herói de Toy Story, “Ao infinito e além”. (Antonio Guinho)

Caríssimos leitores de Canetadas

Depois do exórdio de Antonio Guinho, nada mais teria a acrescentar sobre o livro de Maria José Torres Klimsa, ou simplesmente Zezita Torres, ou agora “MAZÉ”, como quer o mestre Guinho. Mas, como sou teimoso, insisto entre esses dragões da literatura, mesmo sabendo que o perfeito conhecimento de mim próprio, limita a vontade de melhor descrever o que penso o que solto nestas linhas desencontradas.

E como se não bastasse o texto de Antonio Guinho, ainda, por cima, e após tudo, vem o POSFÁCIO assinado por Djanira, essa outra pesqueirense (de quem sou eterno apaixonado) que nos encanta com as suas poesias, marcadas pela “seiva da terra” que lhes corre as veias, como diria o Mestre Potyguar Matos.

Vem Djanira e diz: “Em nada me surpreende a escrita e a criatividade de Maria José Torres Klimsa, qualidades reconhecidas na Oficina de Antônio Guinho, onde contos e crônicas, apresentados, por ela, despertavam a atenção e o interesse do mestre. Estamos, dizia ele, diante de uma escritora”.

Sobre o livro “VITRAIS DA PALAVRA”, anota a poetisa e acadêmica pesqueirense, e de outras academias mundo afora, às fls. 151/152:

(…) “As narrativas fluem sem tropeços, sem medos. Não teme a palavra. Usa o termo certo na hora exata. Pouco importa que possa parecer estranho. Cabe na medida do texto”. (…)

Adiante, acentua a filha de seu Carlos Silva e dona Antônia: (…) Há um profundo conhecimento dos mistérios de quem mergulha em si mesma, para salvar tudo quanto possa e trazer à tona as histórias encravadas na memória, orquestradas pelo tempo e pela vida, prontas para serem contadas. Uma realidade vestida de fantasia que, aos poucos, vai nos envolvendo e transformando no que é, no que parece ser, na verdade que precisa ser vista e acreditada. Descobrir estes caminhos, é mister do escritor.”

Lá mais frente, acrescenta Djanira:

(…) Ouvi, certa vez, de um escritor renomado, que o artista não tem compromisso com a realidade. E, é nesse descompromisso, que ela nos entrega crônicas como Diário de uma jovem ânsia, Recortes de festa, Da cor da Raiva, além de poemas feitos com os cheiros e os sabores da vida.

Canetadianos e Canetadianas (agora vão dizer: endoidou de vez…)

O livro de Zezita Torres retrata em cores vivas como o colorido dos vitrais, mesmo que em preto e branco, pedaços de sua história de menina, de adolescente, de mulher extraordinária que é; também, fala com carinho de seu pai Celestino, de sua mãe Maria, de seus irmãos Antonio, Fernando e Rita, todos de sobrenome Teixeira Torres, nascidos na Casa Grande da Fazenda Santa Fé, fincada na zona rural do município de Pesqueira. Foram eles caminhantes na trilha ladeada pelo aveloz, que para chegar à cidadezinha enfrentavam ora o sereno da aurora, ora o castigante sol do meio-dia ou a escuridão reinante das noites sem luar, ou embaixo da chuva que molhava a vontade de vencer, mas que não impedia o caminhar rumo à vitória. E foi assim, por muitos anos, até tomarem assento na civilização urbana, a Cidade de Pesqueira.

No início destas notas, quase alfarrábios de um jornalista matuto, provinciano mesmo, por prolixo que sou, tomara não enfadonho, afirmei ser o livro de Zezita, tão leve como os vitrais que ela carrega em si, desde os tempos de criança (Menina de trança, não é mais criança…), tanto assim que o livro “VITRAIS DA PALAVRA” inicia com os versos do poema MEMÓRIA, que Drummond nos brindou nessa quase oração:

Amar o perdido

deixa confundido

este coração.

Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.

As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão.

Mas as coisas findas,

muito mais que lindas,

essas ficarão.

Drummond é Drummond… Fim de papo!

Zezita Torres insiste e vai buscar em Drummond a sua inspiração maior para contar a sua história de vida, de menina, demonstrando a ansiedade que teve de enfrentar nos preparativos que antecediam do dia da sua primeira comunhão.

Observa-se pelo dito da autora, que vivia ela um estágio de ansiedades mil, misturado com a angústia; a ânsia para usar o vestido branco e os seus adornos, que a deixava quase uma “noivinha”, sem pecados é claro, a “torturava”.

A ânsia, contada por ela própria, dos preparativos para a sua Eucaristia, se nos apresenta como que remetia Zezita a conflitos internos na sua cabecinha de criança, pois tinha de se ver doutrinada sobre os mistérios de Deus, ao tempo que tinha de fazer exame de consciência, sem ter a consciência, aos sete anos de idade, do que era pecado. Mas, juntando todos esses fatores a soma era de felicidade.

Vejamos o que diz Zezita (págs. 27/28/29): (…) Aproximava-se o dia. O vestido, costurado pela madrinha (arrisco: quem sabe se não foi a minha saudosa amiga da Rua Barão de Vila Bela, dona Obdúlia Soares?) estava quase pronto. A felicidade se costurando no corpo, alma se apertando, prestes a entrar na berlinda do confessionário. (…) Oito dias antes, a temida confissão. Angústia e alegria se digladiando. Quantos pecados conseguira pôr na lista do exame de consciência? Enfim, juntei as raivas com a mãe – que me tirava da melhor hora de brincar – e umas arengas com os irmãos. Só com isso, o rol continuava pequeno. Será que o frade, gringo brabo, iria brigar?

“Dor de barriga chegou o momento. Ajoelhei-me. Olho grelado, ouvido encostado na treliça de madeira do confessionário. O coração mais parecia que acabara de pular corda no terreiro, quase a sair junto com o que nem chegava a ser uma lista. (…) De penitência, rezar ave-marias, disse o confessor. Esqueci o número, fui generosa para ter a sensação de me livrar da culpa. De quê?”.

(…) “Antes, a tortura para arranjar pecados; agora, para não cometê-los” (…).

Em tempo: A minha mãe Dona Ninfa Araújo, disse-me certo momento: “no dia da sua primeira confissão, com Padre Noval, você foi acometido de uma gagueira impressionante, que chegou a ser tratada por Dr. Lídio Paraíba”. Logo pensei: com oito (8) anos de idade não podia ter tantos pecados. Se não eram os pecados era medo do padre Noval. Não conheci até hoje uma criança de Pesqueira que não tivesse medo de padre Noval. Existiam crianças que se escondiam ao avistar o pároco geral da Catedral de Santa Águeda. Ainda bem que Zezita teve a sorte de ter um frade, gringo brabo, como o seu confessor. Mas mesmo assim foi lhe perguntar se ela ficou gaga.

Respeitados leitores de Canetadas

O livro de Maria José Torres mexe com o leitor, levando-o ao túnel do tempo, revivendo os caminhos percorridos, mesmo que não fosse o caminho da terra nua, dos cipós e fechada lateralmente pelo aveloz que interligava a Fazenda Santa Fé à cidadezinha de Pesqueira.

O livro “VITRAIS DA PALAVRA” não dá para ser lido pela metade. Ele tem uma espécie de ímã que nos prende à cada página, título, assunto, e tem um efeito de carrinho de rolimã ou de rolamentos, que sai deslizando como de ladeira abaixo, até a última página. É o livro que todos gostariam de escrever, contando a sua infância, buscando as suas raízes, observando as travessuras que fazia.

Mas, como em todo livro, há capítulos que deixam o leitor ainda mais apaixonado, se bem que no livro de Zezita tudo nos seduz.

Lá pras bandas das páginas 93/94, a escritora da Fazenda Santa Fé, nos brinda com o texto musical de Cláudio Almeida, uma espécie de pesqueirense porreta, no sentido positivo da palavra, revelando-o um homem bom, alto astral, legal, camarada, bacana, com a letra e música de sua autoria, denominada “FESTA DE SANT’ÁGUEDA”, uma homenagem à Padroeira da nossa terra Pesqueira. Vamos Conferir:

Festa de Sant’Águeda

(Cláudio Almeida)

Festa de Sant’Águeda

Eu vejo agora a infância

Voltando com a tradição

Festa de Sant’Águeda

Eu vejo aquela criança

Sozinha com a multidão

Festa de Sant’Águeda

A ingenuidade de ontem

Só hoje me faz revelar

Tanta alegria que existia

Naquele espetáculo que a terra

Tinha a me mostrar

Lembro da Zabumba de Honorato

Dos fogos de Tibila

Da Banda e a Procissão

Lembro das corridas lá nos parques

E eu com aqueles trajes

Ah! Que tanta emoção

Lembro da Turma da Velha Guarda

Animando a barraca com suas belas canções

E o Pastoril com a Diana

As Pastoras e o velho

Muitas arrematações

Nunca o meu hoje vai ser ontem

Lá ficou a minha infância

E a festinha foi morar

Na minha memória, do lado da história

Que cada um de nós tem pra contar.

(Um tempo para o autor de Canetadas, sem segundo tempo nem prorrogação…): Sempre considerei a música de Cláudio Almeida o mais sentimental e profundo relatório sobre a Pesqueira de ontem e de hoje, o qual nos revela, com muita tristeza, a decadência de um povo, de uma terra, com a morte prematura de uma das suas mais efetivas tradições, a FESTA DE SANT’ÁGUEDA.

Com o fim da festa da padroeira, aquela criança ficou mais sozinha, pois foi a multidão; a ingenuidade de ontem não mais revela a alegria que existia, pois não tem mais o espetáculo que a terra tinha para mostrar; A Zabumba de Honorato, silenciou; os fogos de Tibila, não ecoam mais os seus estampidos; a banda parou de tocar; só a procissão ficou, graças aos céus, para saudar a nossa padroeira; os parques não foram mais armados, a roda gigantes deixou de girar e quem estava embaixo não mais subia, que estava em cima não mais descia, hoje todos no chão…; Para que mais trajes, meu amigo Cláudio, se já não existe mais emoção. A Turma da Velha Guarda restou na lembrança, hoje sem músicos, sem instrumentos, sem melodia… Talvez seja melhor assim, pois não temos mais a barraca para animar, com belas canções. E o pastoril com a Diana e as pastoras, por onde andam? Será que o velho cansou? Nem mesmo as arrematações para colher dinheiro com o Peru de Dona Marieta Pitta, para renovar as cores da igreja catedral, tem mais sentido. Cláudio Almeida tem razão: (…) Nunca o meu hoje vai ser ontem; Lá ficou a minha infância; E a festinha foi morar; Na minha memória, do lado da história; Que cada um de nós tem pra contar. (…)

Canetadianos e Canetadianas (Parece até Walter Ramalho, fazendo a apresentação do encontro da Colônia – GNP > Colonianos e Colonianas).

“VITRAIS DA PALAVRA”, com riqueza de detalhes não fala apenas da Festa de Santa Águeda da autora, de seus irmãos. Ela diz da festa que foi a grande alegria de toda criança pesqueirense, viesse ela do mato, dos distritos, dos povoados, os dos bairros da cidade.

Os dois capítulos contidos às páginas 73/74 (TERREIRO, A ANTESSALA DA FESTA DA PADROEIRA) e 75/94 (RECORTES DA FESTA DE SANTA ÁGUEDA) mexem com a estrutura emocional de cada um de nós, quando assevera:

(…) Anunciando a festa da padroeira, cedo começava a advertência materna. Saia desse sol, menina, senão você vai ficar muito queimada pra Festa de SANT’ÁGUEDA!

O dilema se instalava: deixar as brincadeiras suadas, a companhia dos amigos, a descontração do terreiro ou obedecer à mãe? Cruel decisão. Somada ano após ano, essa conta a santa ainda me deve. Retirava-me com a pele não tostada, mas com o coração abrasado pelo sol do afeto daqueles que lá ficavam ignorando o porquê da minha chateação. E eu tentava acatar as preocupações que não eram minhas. Minhas eram as fantasias sobre a festa (…).

(…) E lá estava eu a me questionar: minha pele estaria muito queimada, Sant’Águeda? Um ano de preparação em troca de cinco noites de folguedos sob os olhos cerrados da Serra do Ororubá (…).

E Zezita, para nossa alegria e recordações mil, sabe bem cacetear as nossas emoções, pô-las em efusão, como na pia batismal. Sabe prender o leitor. Ela, em festa de Santa Águeda, quando inseriu na sua obra, talvez não tomasse conhecimento de que esse gesto representa o mais efetivo protesto pelo fim dos “folguedos” das cinco noites a que tão bem se referiu, com o agravante de que a Serra do Ororubá desviou o seu olhar, fechou o olho para não ver a festa acabar.

E quando a menina da Fazenda Santa Fé começa à fl. 75, avança “Descortinando a cidade”, não dá tréguas para que o leitor, pesqueirense ou não, possa enxugar as lágrimas da saudade, imorredoura saudade, da terra amada de ontem, da Festa, da banda, da Zabumba de Honorato, dos namoros conquistados ou dos namoros acabados, da Turma da Velha Guarda, lembranças tão vivas na nossa memória, ou como disse Cláudio Almeida: (…) na minha memória, do lado da história; Que cada um de nós tem pra contar (…).

Com riqueza de sentimento d’alma, a sempre menina de seu Celestino Torres, mostrou que Pesqueira é um pedaço do agreste e que abre as portas dos sertões de Euclides da Cunha; que Pesqueira nasceu junto aos pescadores, em torno de um poço, que o capitão fundador mandou furar, não esquecendo que a serra sempre majestosa foi reduto e voltou a ser dos Xucurus.

Zezita falou da produção de frutas e verduras, da riqueza natural da região, não dispensando registrar o casario e os templos bem cuidados da cidade diocesana.

Como professora que foi que é (eterna), não importando as mais salas de aulas, por onde passou, transmitindo o saber, adentra na educação e diz: (…) Na educação foi destaque quando o acesso ao estudo era difícil para os jovens vindos do alto sertão. Nela encontraram respeitáveis mestres e ensino de qualidade. Tempo dos internatos: Cristo Rei (masculino). Colégio Santa Dorotéia (feminino) e o Seminário São José, robustecido de vocações para o sacerdócio (…).

E lá vai Maria, ou Zezita, ou Mazé, como Antonio Guinho a denominou, na sua oficina de construção de textos, descortinando cada pedaço da nossa terra Pesqueira, chamando-a de novo de Terra do Doce, lembrando o notável império industrial, das fábricas todas, dos operários todos, dos industriais todos, também, das safras, da fumaça das chaminés, tudo simbolizado pelo tempo de cheiros.

Declama: (…) A cidade tinha o cheiro quente adocicando o ar, lambuzando o olfato com a goiaba mexida nos tachos. (…)

Protestou, quando tinha de protestar: (…) o cheiro acre do tomate também se misturava ao do suor operário. Operário que, embora tenha honrado a dignidade de muitos lares, também espalhou o cheiro da injustiça social que experimentou. (…)

Ao mesmo tempo, em VITRAIS DA PALAVRA, soube a escritora pesqueirense elevar o encanto da geleia de goiaba e da goiabada, nobres sobremesas que atravessaram mares, alcançando continentes fazendo de Pesqueira uma terra conhecida e do seu povo uma gente respeitada pela pujança do seu trabalho.

Reconhecendo o crescimento das nossas indústrias e a importância disso tudo. Disse à fl. 76: (…) O crescimento do parque industrial – Fábrica Peixe, Rosa, Tigre –, ofereceu à terra elementos que a distinguiram das demais localidades vizinhas e levou o nome de Pesqueira a distantes regiões, inclusive para o além Brasil (…).

Com cara de tristeza por certo, escreveu sobre a decadência da terra-mãe: (…) A decadência aconteceu, tirou a característica de Cidade do Doce e nada mais resta daquela doçura. Só a que permanece na lembrança dos que fizeram parte da história. Por isso, alguns saudosistas conseguiram que a sirene onde funcionou a Peixe continue a tocar nos antigos horários. Toque inconfundível de uma época. Tocou para ficar.

Na mesma página 76, Maria José Torres Klimsa, por certo, voltou a sorrir. Se as fábricas fecharam, se o doce de goiaba e o extrato de tomate não exalam mais os seus cheiros, se os bueiros não expelem mais as suas fumaças, se as ruas perderam o colorido dos macacões vistosos dos seus operários, resta-nos viver, com a devida bênção de Santa Águeda, uma nova fase, a da Renda e a da Graça, como conta Mazé: (…) Cidade da Renda Renascença. Renda que aí se firmou graças a qualidade do trabalho das artesãs que têm enobrecido a terra com o esmero de suas produções, dentro e fora do território nacional. Por último, o batismo de Cidade da Graça devido ao santuário dedicado a Nossa Senhora, no Sítio Guarda, Cimbres, alto da Serra do Ororubá, e para onde se deslocam constantes romarias. Nessa região privilegiada pela natureza, Maria teria aparecido a humildes serranos, conta a tradição. (…)

Queridos leitores de Canetadas

No livro “VITRAIS DA PALAVRA” Maria José Torres Klimsa, vai e volta quantas vezes vai e volta, percorrendo a trilha do aveloz, do cipó, que dá passagem ao seu chão primeiro, a Fazenda Santa Fé. E quando vai e volta com os seus pais e irmãos, carrega em si, como a madrugada, a aurora que, ainda hoje, sinalizou o cantar dos pássaros, o cheiro do esterco vindo dos currais, os seus mistérios, que ela guardou consigo, para desenterrar mais tarde, no agora, no hoje, no sempre.

Ora, na Fazenda Santa Fé, não esqueceu nem mesmo Maçunila (págs. 55/57) para sobre ela contar alguma coisa…, “Meus primos, angu? Nem no céu!”.

Lindo! É a isso a que chamo de ornamento da palavra, que lhe dá sentido e forma, beleza, buscando sempre o baú das coisas guardadas. E as coisas guardadas na memória do baú de inteligências mil da autora de “VITRAIS DA PALAVRA”, são buscadas em um passado distante, ou quase que distante, porque vividas na menina de ontem, ou quase de ontem, de sempre.

Zezita, em “VITRAIS DA PALAVRA”, faz uma convocação geral, sentimental; vão todos buscar os seus pedaços de histórias: as suas fantasias, ou contos, ou escritos, ou poemas, mas não deixem de contá-los, de senti-los, de revivê-los, de vivê-los novamente. É lá atrás que está o hoje, com certeza o amanhã. Ninguém vive sem os apegos ao ontem, sem o carinho eterno do pai e da mãe, da velha casa em que nasceu do dividir o berço com quantos sejam os irmãos.

Zezita assevera com a autoridade de mestra, de escritora e poeta (não gosto do termo poetisa…), agora maior, depois do reconhecimento de Antonio Guinho e Djanira Silva:

(…) Comecei, então, uma viagem de retorno a casa-mãe, não mais levada somente pelo desejo de descrevê-la, mas revivê-la. Percebi o quanto dela trago comigo: “suas relíquias e lembranças” (…).

Estimados leitores de Canetadas

E assim vou ficando por aqui. São 152 páginas numeradas, em frente e verso, do livro VITRAIS DA PALAVRA. Já as li e reli. Recomendo. Esse livro de Zezita é fruta braba, é coisa rara de acontecer. Ele dá caldo grosso que serve para desentupir as artérias mais fechadas do coração de qualquer pesqueirense.

Sobre Zezita Torres

Maria José Torres Klimsa é natural de Pesqueira/PE. Bacharelado e Licenciatura em Letras, Formação Psicanalista. Atuou como professora da rede estadual e particular. Participou da Oficina de Textos de Antônio Guinho. Trabalha com revisão e oficina de textos. Publicações: Jornal Nova Era (extinto). Coloniano e Pesqueira Notícias – veículos de comunicação dos pesqueirenses. Comunica, jornal virtual do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Ação Paroquial (extinto), periódico da Paróquia da Madalena, Recife/PE. Fez parte da pesquisa na obra Lusíadas no Recife, de Joel Pontes, Gabinete Português de Leitura. Coautora em Contos de Natal, Editora Nova Presença (2003) e linguagens, interfaces com a língua, a literatura e a cultura, Libertas Editora (2013). Com Antônio Teixeira Torres publicou a obra biográfica Padre Olímpio Torres – pelas veredas da Serra, Libertas Editoras (2009).

Essas Canetadas têm muito de especial, porque a publico hoje, 19/07/2017, dia da posse da escritora Maria José Torre Klimsa, na Academia Pesqueirense de Artes e Letras – APLA, pelas 20 horas, no Salão Nobre do Hotel Cruzeiro de Pesqueira.

Parabéns a minha querida conterrânea, amiga e professora Zezita Torres, agora imortalizada pelas letras.

Jurandir Carmelo foto  3

* Autor: Jurandir Carmelo – é pesqueirense, advogado, escritor, colaborador do OABELHUDO, cronista, comentarista e defensor intransigente das coisas de Pesqueira.