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História: Banco do Brasil em Arcoverde – Por Pedro Salviano Filho (*)

Agência do Banco do Brasil de Arcoverde, 068-X, fez 93 anos. Foto Jornal de Arcoverde, outubro 2016. goo.gl/4WBcgt

 

Procurando dar visibilidade a um importante acontecimento histórico de Arcoverde, apresentamos mais alguns dados sobre a vila Rio Branco. Em 1923 o distrito de Pesqueira vivia uma fase de expansão econômica iniciada 11 anos atrás com a chegada da ferrovia e incentivada pelas feiras de gado, pela implantação da SANBRA, pelo seu comércio crescente, novas estradas etc. E foi nesse cenário que o Banco do Brasil instalou sua agência n. 0068-X, goo.gl/mwkP4U , em 18-07-1923, a primeira no interior de Pernambuco. E numa vila de Pesqueira! Naquele ano também instalou a segunda do interior, que começou a funcionar no final do ano, 28-11-1923, em Garanhuns, a 0067-1, goo.gl/KPtdbR.
Assim, apesar de um pequeno período de interrupção de funcionamento, cerca menos de dez anos, a agência já completou 93 anos, sendo, portanto, a mais antiga do interior de Pernambuco. Saliente-se que a primeira agência do Banco do Brasil em Pernambuco foi a da av. Rio Branco, a 0007-8, no Recife, em 12-08-1913, goo.gl/wtFdCE.

A história do Banco do Brasil já está bem pesquisada, inclusive com publicações na web. Ex.: História do Banco do Brasil, Volumes 1 a 4: goo.gl/jgOF3h, goo.gl/Kc5YgE , goo.gl/A7OXfG e goo.gl/aB9Yqq. História do Banco do Brasil 1906 a 2011, de Fernando Pinheiro: goo.gl/c3x6fP

A história do Banco do Brasil em Pernambuco mostra que a implantação da sua primeira agência começou em 1912, como revelam jornais da época:
04-11-1912- A Noite- RJ, goo.gl/Ch5z8T, 1ª col.: «O sr. Cunha Rabello apresentou requerimento pedindo informações sobre a criação de uma caixa filial do Banco do Brasil em Pernambuco.»
17-06-1913 – A Província, goo.gl/c8399q, 6ª col.: «Agência do Banco do Brasil. Vindo do Rio de Janeiro, a bordo do paquete S. Paulo, acha-se nesta cidade, desde ontem, o dr. Velloso Pederneiras, cujo fim é instalar nesta cidade uma agência do Banco do Brasil. É agente o dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade.»
12-08-1913 – A Província, goo.gl/y644ww , 2ª col. «De dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade e Francisco Velloso Pederneiras, pedindo registro de suas nomeações de gerente e contador da agência do Banco do Brasil, neste estado – registrem-se.»
O livro “O Banco do Brasil na história do Recife”, gentilmente nos enviado pelo autor, sr. Carlos Eduardo Carvalho Santos, 2013, página 74: «O jornal “A República”, do Recife, noticiou em sua edição de 12 de agosto de 1913 a inauguração, muito embora fosse o evento o resultado da incorporação do Banco de Pernambuco pelo Banco do Brasil. Abria-se solenemente o que então se chamava a Filial de Pernambuco. Por sua significação histórica transcrevemos a nota: “No prédio 125 da antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, será inaugurada hoje nesta cidade a filial do Banco do Brasil, importante estabelecimento bancário da praça do Rio de Janeiro. Agradecemos a comunicação que a este respeito nos faz o ilustre Dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade, gerente neste estado da referida empresa.»

13-08-1913 – A Província. goo.gl/F2oZ7w , 2ª col. «Agência do Banco do Brasil. Pedem-nos para noticiar – sob a afirmativa de podermos faze-lo com toda segurança – que o deputado federal dr. José Vicente Meira de Vasconcelos, não se entendeu com o conselheiro João Alfredo, a respeito da agência do Banco do Brasil nesta praça, nem sequer teve ensejo, no corrente ano, de falar ao mesmo conselheiro fosse sobre que assunto fosse.»

15-08-1913 – A Província. goo.gl/bdltWm, 2ª col. «Foi-nos mostrado ontem o seguinte telegrama: “Dr. Milet – Recife – Revoltante falsidade telegrama “Tempo” dizendo estive João Alfredo Banco Brasil procurando impedir criação agência banco. Este ano nem uma só vez estive conselheiro. Há nesta notícia equívoco ou infame perversidade. Publique. Meira».
21-08-1913 – Jornal do Recife, goo.gl/0ZhOOs , 1ª col.: «Foram arquivados os Estatutos do Banco do Brasil para abrir uma agência neste Estado.»
22-08-1913 – A Província, goo.gl/Q25HGa , 4ª. col.: «[…] Foram arquivados os estatutos do Banco do Brasil, para abrir uma agência neste estado.»
04-10-1913 – A Província, goo.gl/nwDSyH , 4ª col.: «Necrologia. Faleceu anteontem e enterrou-se ontem o sr. Jorge Pedro da Silva Rosa, tesoureiro da agência do Banco do Brasil com sede nesta cidade. O estimável cavalheiro cuja morte noticiamos, era um dos dignos empregados do Banco do Brasil onde começou a trabalhar como ajudante de caixa e prestou relevantes serviços na agência de Manaus, que exerceu interinamente tendo recusado a nomeação efetiva. O seu enterramento foi bastante concorrido e sobre seu ataúde estavam duas coroas – uma de sua virtuosa esposa e outra do gerente contador e mais empregados, seus companheiros de trabalhos. Pêsames à sua família.» Mais: curioso leilão da viúva: goo.gl/G4rtuY,1ª col.).
18-07-1923 – Jornal do Recife, goo.gl/84Fkhl, 1ª col.: «O Banco do Brasil em Rio Branco. O governo federal, em boa hora, atendeu à criação de uma agência do Banco do Brasil, na vila Rio Branco, deste Estado. Providência de alta significação econômica para os interesses comerciais do sertão, de quantas cidades do interior existam, importantes pelo seu desenvolvimento, nenhuma ultrapassa, naquela finalidade, a populosa vila. Quando “a reunião última do nosso poder legislador, em nome dos habitantes dali, apresentamos um extenso memorial em que pleiteávamos a sua independência municipal, houve da parte de uma facção político-local, célebre pelos processos da mentira e da intriga, a alegação idiota de que Rio Branco não estava em condições de suportar as exigências de uma vida própria. E, como argumento sádico, citavam os inimigos da causa rio-branquense a transitoriedade de sua atuação econômica nos destinos da vida sertaneja pela circunstância da estrada de ferro, que ali tem seu ponto terminal. Não há como destruir o absurdo de tão errôneo conceito. Nos detalhes da demonstração com que batemos às portas do Congresso do Estado, aliás publicada no órgão oficial, expusemos documentadamente os recursos em que se apoiava Rio Branco para a sua vida independente. Pondo à margem o fato, politicamente sintomático, de municípios circunvizinhos como Pesqueira, Buíque e Alagoa de Baixo cederem tratos de seus territórios para constituição da incipiente comuna, a Rio Branco sobravam para viver elementos de riqueza local, na sua indústria pastoril, no seu fomento agrícola procedente das serras que o contornam, além do seu estupendo comércio ribeirinho, não só proveniente dos limites paraibanos, como do espantoso tráfico sertanejo, do alto. Mas os cegos da paixão partidária, não são aliás os de pior cegueira, não viam nada disto em Rio Branco. Nunca vislumbraram sequer a evidência desta verdade. Os inimigos de minha terra permaneciam na ignorância de que ela possui 49 quilômetros quadrados, sitos numa zona criadora e fertilíssima; que possui uma poderosa fábrica de beneficiamento de algodão, cujas transações avultam numa estimativa de sete mil contos anuais; que tem dez mil e seiscentos e poucos habitantes e renda superior a quarenta contos por orçamento rigorosamente arrecadado. Não veem, nunca viram nada. Enxergam apenas os seus interesses políticos, sobremodo mesquinhos como objetivo administrativo, pois é o próprio município de Pesqueira, de que se vai desmembrar Rio Branco, que vem de encontro aos legítimos desejos de emancipação daquela gente. Em teoria, em direito público, nenhum fenômeno de vida constitucional é mais interessante que este, comentado pelos constitucionalistas pátrios e estrangeiros. Bryce escreve numerosas páginas a respeito, em apoio da tese, e entre nós, Castro Nunes, numa monografia brilhante, estuda o aspecto jurídico-social da questão considerando que os organismos políticos da vida das nacionalidades repousam evolutivamente nesses movimentos de independência comunais. No Brasil, talvez por inópia mental, se condena a criação de núcleos municipais. Por amor à verdade, seria melhor dizer: no Brasil destas bandas setentrionais, porque no sul, onde a ideia do progresso constitucional já entrou para o patrimônio jurídico dos seus homens públicos, tal fenômeno não tem mais a importância das coisas discutíveis. Ano a ano S. Paulo permite o alargamento da sua rede comunal que é sombra dos próprios valores da cooperação econômica, constitui o elemento sinérgico da vitabilidade paulista. Felizmente, para bem das minhas ilusões jurídicas, que de todo ainda persistem em se conservarem vivas, a atual administração de Pernambuco, tem a larga noção do liberalismo. O exmo. sr. dr. Sérgio Loreto, governador do Estado, é bem um cultor do direito. Neste particular deu provas de sua visão clara acerca do municipalismo, prestando o seu apoio sancionador aquelas altas ideias, condenadas praticamente na lei ordinária que criou o município de Floresta dos Leões. Sobre Rio Branco não me pareceu antipática de s. exc. a opinião a respeito da sua independência, o que me valeu a esperança de continuar a bater-me pela causa. O recente ato da criação da agência do Banco do Brasil naquela localidade, tão digna de estimular fortes, é bem significativo da boa vontade dos poderes públicos para com o progresso dali. Com os aplausos a efetivação dos desejos dos meus conterrâneos que devem estar de parabéns, resta pedir aos deuses e aos homens de que dependem as coisas humanas, na terra, um sopro de proteção para o município de Rio Branco. Santos Leite – N.da.R – Reproduzido por ter saído com incorreções. NOTA CORRIGIDA em goo.gl/FXKeE3 , 5ª.col.»
28-11-1923 – A Noite, goo.gl/vRQbQe , 4ª col. «Inauguração, em Garanhuns, de uma agência do Banco do Brasil. Garanhuns (Pernambuco), 26 (Serviço Especial de A NOITE) – Com grande solenidade, inaugurou-se a agência local do Banco do Brasil, da qual são gerente e contador, respectivamente, os Srs. Audifax Aguiar e Álvaro Peçanha. Ao ato compareceram as autoridades civis e eclesiásticas, representantes do comércio e da lavoura locais e grande número de populares, tendo o gerente Audifax proferido um discurso expondo os fins e vantagens do novo estabelecimento, cuja instalação muito tem agradado aos habitantes, principalmente aos comerciantes deste município.»

 

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Do “Álbum de Pesqueira, adm. Cândido Cavalcanti de Brito 1923/1925”,  o registro da existência da filial do B. Brasil. Foto, cortesia de Marcelo Oliveira, de Pesqueira.

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07-1924 – Ilustração Brasileira,  goo.gl/hp8HFm . Agências do Banco do Brasil no país.

24-09-1925 – Jornal do Recife, goo.gl/gjvMBg  , 1ª col.: «De Manoel Gregório Teixeira da Lapa. Informações diversas de Rio Branco sobre Lampião, Banco do Brasil, incêndios e festa de N.S. Livramento. “ […] Banco do Brasil – Este estabelecimento suspendeu todas as operações de crédito nesta praça; isto vale por dizer: apertou a corda ao comércio leader do partido republicano enforcado. Vimos uma legião de pedintes no balcão da agência local, a quem o gerente dizia, em dias da semana atrasada, com esse seu sorriso francófilo; “Perdoe, em nome da Casa Matriz que assim o ordena!” E afinando nesse “Deus vos favoreça” principiamos o mês de setembro cujos últimos dias se avizinham mais tétricos, mais sombrios, tanto que por iniciativa do sr. Cícero Ferreira foi transmitido à Matriz do Banco, na Guanabara futurista, o seguinte despacho telegráfico firmado por onze das mais importantes firmas desta praça: “Satélite – Rio – Informados gerente Banco Brasil nesta vila essa Matriz ordenou suspensão todas operações crédito aqui, justamente quando mais precisamos assistência financeira afim não sermos arrastados pela tremenda crise reinante, vendo paralisados nossos negócios e sobremodo depreciados nossos principais produtos, especialmente algodão constitui vida nossos sertões, apelamos essa Matriz sentido revogar ou sequer restringir aflitiva providência. Tudo esperamos vosso patriotismo, Saudações. Entretanto, até agora não “choveu no roçado”; e os matutos não sabem se foi com medo de Isidoro, com receio de Lampião ou temendo a própria crise, que o Banco do Brasil lançou essa última pá de cal sobre o cadáver do comércio. A coisa chegou ao ponto de um viajante comercial não conseguir passar para a sua casa, pelo Banco, cerca de quatro contos de réis recebidos na jornada cobradora. Tudo porque o Banco “estava suspenso” de ordens. Ouvimos até que ia ser raspado o cofre, e a “raspinha seria encaixotada e recambiada para Recife! Foi quando o Agostinho balbuciou, desolado e quase naturalizado húngaro: “Vae victis!” Esse Jornal, arauto de todas as conquistas liberais, defensor estrênuo do povo deprimido e espoliado, seja o cursor das nossas necessidades e diga: “Das duas uma: Ou Rio Branco sem banco, ou Banco sem Rio Branco!” Se não derem o dinheiro aos matutos, não nos livrarão da pasmaceira que é meio caminho andado para a miséria. Valorize-se o nosso direito, já que algodão não vale nada.»

1927 – Almanak Adm., Merc. e Ind. RJ, goo.gl/wq8e80, pág. 1012, vol.III. 3ª col. «Estado de Pernambuco – municípios Barão do Rio Branco. Vila e sede do 7º distrito do município de Pesqueira, ponto final da estrada de ferro da Great Western of Brazil Railway Co. da linha partindo do Recife da estação de Cinco Pontas. […] – Banco: Banco do Brasil (filial). Gerente: Álvaro Câmara Pinheiro

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05-02-1928 – Diario da Manhã, bit.ly/1ybp6Lh  , 3ª col.: «O chefe da insegurança pública escapou milagrosamente de uma emboscada do célebre bandido “Lampião”. As últimas proezas do bandido em território pernambucano. (foto R. Branco = pág. 189 Município de Arcoverde (Rio Branco), com a legenda: Casas comerciais de Rio Branco, na atual avenida Antônio Japiassu, em 1927. Na primeira casa, à esquerda, esteve durante muitos anos a agência de nosso correio “Chico Numerador”).»

17-10-1930 – Jornal do Recife, goo.gl/c7BceF , 5ª coluna: «Banco do Brasil. Será reaberto hoje o Banco do Brasil que havia deixado de funcionar desde o advento da Revolução. Com essa medida, a que não foi estranho o governo central, volta aquele estabelecimento bancário à normalização de sua vida mercantil.” 6ª col.: “De Rio Branco – Comunico vossência chegado tenente Bernardino Maia que assumiu funções de legado. Cidade completa calma, Banco do Brasil reabriu, comércio funcionando regularmente. Tenho empregado máximo esforço sentido plena execução ideias governo revolucionário, atenciosas saudações. Dr. Luís Coelho, prefeito provisório.»

21-01-1932 – Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , 4ª col.: «As rendas da União. […] – 4º . Que no Estado de Pernambuco o Banco do Brasil tem agências nesta capital e nas cidades de Garanhuns e Rio Branco;”  Mais: 27-01-1932 – Jornal do Recife , goo.gl/HXTYxJ, 3ª col.: As rendas da União. “[…] todas as rendas arrecadadas por esta coletoria, à Agência do Banco do Brasil, nesta capital, ou as das cidades de Garanhuns e Rio Branco […].»

No livro História do Banco do Brasil, 2. ed. rev. Belo Horizonte: Del Rey, Fazenda Comunicação & Marketing, 2010. goo.gl/gUSvvJ   e goo.gl/oW2BPy, encontramos na página 130: «Enquanto criava agências na Argentina e no Uruguai, o Banco continuou abrindo suas filiais no interior do país. So? no ano de 1923 foram inauguradas 22. Outras estavam em trabalhos de instalação definitiva ou em fases preliminares. No início de maio de 1924, o número chegava a 74. Havia, ainda, deficiências em algumas agências, que a diretoria procurava sanar sem retardar o progresso do banco.” Página 149: “Em 15 de julho de 1937, a diretoria resolveu estabelecer cursos de aperfeiçoamento, a nível superior, para os funcionários. Nessa época, o Banco ainda não se dispusera a expandir a implantação de agências no interior do país. O número das filiais era de 90 no ano de 1938.” Pág.160: “O movimento de instalação de filiais, que estava estagnado, acelerou-se depois de 1939, sob a presidência de Marques dos Reis. Em 31 de dezembro de 1940, o número de agências e subagências subiu a 139. No final de 1941, ja? havia em funcionamento ou em instalação 261 agências e subagências. Em 1942, entraram em operação mais de 62 subagências e uma agência. A cotação das ações do Banco na Bolsa subiu, em fins de 1942, para Cr$ 588,00. O número de funcionários, que cresceu moderadamente ate? chegar a 3.866, em 1940, dai? por diante aumentou mais rapidamente, chegando a 6.396, em 1942.»

Mais: goo.gl/c3x6fP.

26-04-1942 – O sr. Antônio Augusto Pacheco (Recife) nos informou sobre a agência do B. Brasil de Rio Branco (ver também goo.gl/XggCjX): Envio do livro “O Banco do Brasil na História de Pernambuco (Notas sobre o sistema bancário)”, de autoria de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, 2ª edição, de 1986, páginas 168 e 169, as informações a seguir: “Na década de 30 [20?] o Banco iniciou sua interiorização, instalando suas primeiras agências. Rio Branco – hoje denominada Arcoverde – foi a primeira, seguindo-se Garanhuns, Palmares, Goiana, Vitória e Limoeiro”. “Notar-se-á, entretanto, que o Banco sofreu revezes, chegando ao fechamento desta subagência , em vista da crise que se abateu sobre o mundo capitalista na década de 30”. Na página 170, diz o autor: “Na década de 20 o Banco do Brasil se fez presente em Rio Branco, não sendo possível o levantamento detalhado dos elementos históricos até os presentes dias, em que pese  o grande empenho do atual Gerente Odon Porto de Almeida junto a historiadores locais. Notas de Waldemar Napoleão Arcoverde nos indicam que a subagência funcionava durante a época  da Revolução de 1930 na casa nº 455 da atual Avenida Coronel Antônio Japiassu. Conta-se até, singular acontecimento, quando uma Coluna, proveniente da Paraíba, acercou-se da cidade. Cauteloso, o então Gerente Paulo Ribeiro, fechou o Banco, entregou as chaves a um auxiliar da loja de ferragens de Sálvio Napoleão Arcoverde, dispensou os cinco funcionários e foi refugiar-se  no morro do Serrote de onde, com um binóculo, passou mais de dois dias observando o procedimento dos revolucionários e, felizmente, não houve o saque que esperava, voltando o Banco à plena normalidade tão logo afastaram-se as forças militares….Já com a denominação de Arcoverde, o Banco reinaugurou sua filial em 26 de abril de 1942, funcionando na antiga Av. João Pessoa, 242, sob a gerência de Moacyr Piauhyense de Carvalho e Contador Arthur Vieira de Azevedo, prédio de propriedade do advogado José Ciríaco das Neves Bezerra”.

No Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , a agência do Banco do Brasil de Rio Branco aparece em atividade ainda em 21-01-1932.

No livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas, Luís Wilson, Recife, 1982, pág. 159, sobre o ano de 1941, diz: “Rio Branco volta a ter, também, naquele ano, uma agência do Banco do Brasil”. Na pág. 115, sobre o ano 1927 e citando os estabelecimentos comercias de então: “[…] Noé Nunes Ferraz (Salão de Bilhar e Bar Confiança), Banco do Brasil, Manuel Cavalcanti de Araújo (seu Santinho), secos e molhados, Abdias Ferreira dos Santos (tecidos), Augusto Magalhães Porto (secos e molhados), Sebastião Franklin Cordeiro, […].”

Em busca de mais informação, além da que está em seu livro Arcoverde. História político-administrativa, Brasília, 1995, que cita à pág.102: “Também nessa administração [do tenente Olímpio Marques de Oliveira – 1939-1943], o município volta a ter uma agência do Banco do Brasil”,  o sr. Sebastião Calado Bastos gentilmente nos disse: “Na época procurei a filha do tenente Olímpio para obter também informações da administração do seu pai. Consegui muitos documentos oficiais, pois ele era um homem hiper organizado. Mas sobre o Banco do Brasil a D. Verônica reafirmou que o município “voltara a ter” sua agência. Na insistência ela disse que a única coisa de que lembrava era de ouvir isso: “voltou a ter”. Conversando com Elizeu Tito (Elizeu Marques Magalhães – falecido há pouco tempo), homem conhecedor das coisas e combativo vereador, ele me disse peremptoriamente que Rio Branco tinha tido mesmo uma agência do Banco do Brasil e que a mesma funcionou na casa que conhecíamos como a de seu Luís da Singer».

12-1946 – Ilustração Brasileira (RJ), goo.gl/z8OWZW,  «Agências do Banco do Brasil no país, 1946.»

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Agência nº 0088 do Banco do Brasil – Foto de 12-12-1951. Do livro Ícones. Patrimônio cultural de Arcoverde, de Roberto Moraes, Recife, 2008, pág. 72

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Funcionários da agência do Banco do Brasil de Arcoverde, em confraternização, provável década de 50. A partir da esquerda: Maurício Ferraz, desconhecido, Mário Hipólito Cavalcante, Oscar Olímpio de Araújo, Agenor Lafayette (em pé), desconhecido, José Danilo Rubens Pereira  e Raimundo Britto. Foto do álbum da família Britto. (Raimundo Brito, com 95 anos, reside em Recife).

(*) Autor: Pedro Salviano Filho – É arcoverdense, historiador, pesquisador e cronista. É ex-aluno do Colégio Cardeal Arcoverde, médico/cirurgião, residente em Ivaiporã-PR.

 

 

Movimento Cultural/Homenagem: Enéas Freire – O criador do Galo da Madrugada – Por Walter Jorge Freitas *

UM FREVO PARA ENÉAS

 

 

 

PREZADO ENÉAS A TUA PARTIDA
DESTA PARA OUTRA VIDA
FEZ O RECIFE PARAR
FIQUE SABENDO QUE A EMOÇÃO FOI TANTA
SENTI UM NÓ NA GARGANTA
E VONTADE DE CHORAR
O FOLIÃO JAMAIS TE ESQUECE
PERNAMBUCO TE AGRADECE
E O MUNDO TE APLAUDIU
É POR ISTO QUE EU SEMPRE FALO
QUEM NUNCA FREVOU NO GALO {BIS NASCEU, MAS NÃO EXISTIU

ANTÔNIO MARIA
NELSON FERREIRA E EDGARD
ORGANIZARAM UMA GRANDE FESTA
COM BELOS FREVOS
DE ANTIGOS CARNAVAIS
LUIZ BANDEIRA E O BOM SEBASTIÃO
MESTRES DE CERIMÔNIA
DA GRANDE RECEPÇÃO
ESTÃO FELIZES COM A CHEGADA
DE QUEM DEU A SUA VIDA {BIS
AO GALO DA MADRUGADA

VEM FOLIÃO, VEM PESSOAL
HOMENAGEAR ENÉAS
QUE VIVEU PRO CARNAVAL
VEM FOLIÃO, VEM PESSOAL
HOMENAGEAR ENÉAS
QUE VIVEU PRO CARNAVAL.

 

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador assíduo do OABELHUDO, cronista, poeta compositor e pesquisador musical>

Movimento Cultural/Soneto: Pecados Capitais – INVEJA – Colaboração Marco Soares *

I N V E J A

 

 

Não se pode roubar a luz do pirilampo
que cada vagalume tem a sua
Que iria um rato fazer com o brilho de outrem
se não iluminar o próprio rabo?

Assim como vitórias são de vencedores
não se pode beber da glória alheia
Se não és capaz de brilhar entre os que ascendem
contenta-te com teu triste destino.

Pois o segredo da vida se resume
em tirar alegria do que é simples
Infeliz de quem, por pura inveja,
sendo rato, sofre em não brilhar qual pirilampo.

 

 

* Autor: Nelson Padrella – Nelson Padrella (Rio de Janeiro, 1938) é um pintor, desenhista e escritor brasileiro estabelecido no Paraná.

Crônica/Protesto: A Dissolução da Nossa Banda de Música – Por Walter Jorge Freitas *

A DISSOLUÇÃO DA

NOSSA BANDA DE MÚSICA

(Banda de música maestro José Bevenuto de Pesqueira, nos seus áureos tempos…Foto:Arquivo do autor)

 

 

Li no Pesqueira em Foco, blog do amigo Geraldo Magela, uma interessante matéria sobre a visita que fez a Pesqueira, o professor Thomas Scott, da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, que veio a convite da conceituada escritora Ana Lígia Lira, cuja intenção era levá-lo a conhecer parte dos elementos que contribuem para a musicalidade de nossa gente e ver de perto as principais manifestações culturais da terra de Anísio Galvão.

No texto, a nossa conterrânea fala sobre o encontro dela e o professor com o prefeito Evandro Maciel Chacon e de sua surpresa ao saber que a banda de música de sua terra natal foi extinta.

Conta Ana Lígia que a frustração causada pela notícia ruim foi superada pelo encantamento que ela e o amigo norte-americano vivenciaram ao conhecerem a sede do Projeto Sementes do Amanhã, onde Júnior do Cavaco, Fernando Profeta e outros abnegados, ensinam música a mais de uma centena de crianças e jovens, apesar da carência de tudo, inclusive instrumentos.

Amante da música e macaco de auditório das bandas tanto quanto a conterrânea Ana, ressalto que a nossa foi vítima de um longo processo de sucateamento que durou quase três décadas.

A sua decadência foi tema de crônicas escritas pelos renomados jornalistas William Pôrto, Jurandir Carmelo, Francisco Neves e outros apaixonados pela causa. Este modesto rabiscador também escreveu algumas linhas para o Jornal do Commercio, Pesqueira Notícias, Rádio Jornal e alguns blogs, lamentando o que se passava com a banda que tanto nos encantou.

Lembro até que no seu primeiro mandato, o prefeito Evandro Chacon tentou dar um novo impulso à mesma, trazendo o músico pesqueirense Amauri Soares que havia se aposentado do Exército, para reger e formar novos músicos aqui, coisas que ele adorava e sabia fazer como poucos.
Amauri veio, deu uma arrumada na banda, melhorou o seu repertório, conseguiu fardamento novo, injetou motivação nos músicos, mas de repente, resolveu voltar à capital paraibana, sua segunda casa.

Assim, como o Dr. Evandro, os outros prefeitos também ajudaram à nossa banda. Uns mais, outros menos, mas todos colaboraram.
Ocorre que a partir dos anos de 1990, começaram a surgir questões trabalhistas e isto, a meu ver, foi a principal causa de sua ruína, pois, os administradores se descuidaram, os valores das causas foram se avolumando e o resultado é o que todos conhecemos.

Quanto aos instrumentos musicais, convém ressaltar que eles não foram leiloados por nenhum prefeito. A falta de pagamento de dívidas trabalhistas pela maioria dos gestores é que levou a Justiça do Trabalho a leiloá-los.

Por fim, lembro à estimada Ana Lígia, que municípios do porte de Pesqueira não têm mais condições de manter uma banda de música, pois agora, os músicos são admitidos mediante concurso público e percebem salários estabelecidos pelo sindicato da classe.

O que os municípios podem – e alguns já fazem – é destinar verbas no orçamento para ajudar a instituições que estejam legalizadas como sociedades, com estatutos, diretoria e tudo o que é exigido por lei específica.

 

Pesqueira, 01 de dezembro de 2014

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas  –  Walter é pesqueirense, professor, comerciante, colaborador assíduo do OABELHUDO, cronista, contista, poeta e pesquisador musical.

Crônica & Causo: Conversa de bar – Por Seu Rege *

Conversa de Bar

 

 

 

Dois amigos e conterrâneos encontram-se em um boteco:

-Há quanto tempo não nos vemos, até parece que não moramos na mesma cidade!
-Coisa de cidade grande. – Então, vamos tomar uma cerveja e por os assuntos em dia?
– Não estou mais bebendo cerveja!
-Quer dizer que não gosta mais da loirinha?
-Não é bem isso, o caso é que, velho vai constantemente ao banheiro, avalie tomando cerveja.
-Então, pede uma outra bebida e vamos falar sobre a terrinha.
-Meu amigo, por incrível que pareça, eu sou um estranho em minha própria terra.
-Não acontece só com você, comigo é a mesma coisa.
-Que tristeza! Veja que situação, temos vontade de visita-la e lá nos encontramos sozinhos.
-Você está ouvindo esta música que está tocando?
-Estou! Este bolero é bem antigo, é o que chamam de brega.
-Mas interessante como algumas músicas marcam a vida da gente, nos transportam ao passado e estão sempre associadas a um lugar, a uma pessoa.
-E como os sentimentos não mudam, a música nunca envelhece.
-Você parece que mudou!
-Eu não notei muito, mas as pessoas com quem convivo já notaram, mudei sim, não apenas na aparência como também no modo de pensar, de encarar a vida, bem o fato é que a minha cabeça mudou. Estou ficando velho e sempre lembrando o passado.
-É porque o passado não morre nunca.
-Você acredita que completei setenta anos e não lembro de ter vivido todo esse tempo? Tenho um amigo que só veio notar que estava velho quando ao entrar nos ônibus os passageiros se levantavam para lhe dar a cadeira. Somente com a velhice é que notamos como viver é difícil. As vezes pensamos que estamos fazendo o bem e estamos fazendo o mal e vice e versa. E como nos tornamos diferentes da pessoa que planejávamos ser.
-Na juventude sonhamos muito.
-É, sonhar é bom, mas não podemos viver de sonhos e qualquer que seja ele, não podemos esquecer a realidade.
-A esta altura da vida a única certeza que tenho é que não tenho certeza de nada.
-Veja quem está chegando? A quanto tempo não nos vemos? – Como diz o ditado popular: “até as pedras se encontram!”
-Peça uma cadeira, senta e diz o que vai querer beber.
-Vocês parecem que continuam os mesmos! – Que nada, mudamos muito, estávamos conversando sobre isso mesmo.
-Pela forma que estão sorrindo parece que estão em paz.
-Por que em paz?
-Porque dizem que é preciso paz para poder sorrir.
-Você continua um gozador! – Que nada, aprendi apenas que cada um compõe a sua própria estória.
-Você parece que ficou mais sábio?!
-É a velhice! Diz um ditado que o diabo é sabido, não por ser diabo, mas por ser velho.
-Você sempre foi mulherengo, já casou?
-Lá vem a velha conversa. Estou sem ninguém.
-Como você namorou bastante, resta o consolo de ter tentado acertar.
-Somente tive paixão! Devia ter continuado porque afirmam que o amor começa quando a paixão acaba.
-Também sei que a paixão pode levar ao amor como também ao ódio.
-Finalmente, com tanto namoro, o que você procurava?
-Ora, encontrar uma mulher sem defeito.
-É o mesmo que procurar chifre na cabeça de cavalo.
-E aquela morena, boazuda que você dizia gostar tanto?
-Deu um adeus e foi embora. – Talvez seja por este motivo que afirmam que os melhores casos de amos foram aqueles que nunca tivemos.
-Mas você está com saudade? Dizem que saudade é vontade de ver de novo. Parece que gostaria de ver a morena outra vez?
-Bem que gostaria, mas pra que ficar tentando juntar pedacinhos do amor que se acabou, nada mais vai colá-lo.
-Ao meu ver o amor é uma coisa singular. Você pode perguntar a uma pessoa: você gosta de comer feijão? Você gosta de viajar? E ela responder: mais ou menos. Porém quando se trata de amos, você não pode responder assim. Ou gosta ou não gosta.
-Bem, ninguém pode dar aquilo que não tem. E também arriscar o que não pode perder.
-Esta conversa está ficando muito filosófica.
-É a vida amigo, nunca deixamos de filosofar, todavia esta não está parecendo uma conversa de bar.
-É verdade, ainda não falamos palavrões nem contamos anedotas. – Mas a conversa está apenas começando e vai continuar. – Por falar em anedota, vocês conhecem aquela de Eva conversando com a cobra?

-Um momento! Antes de começar vamos pedir uma nova rodada porque os copos já estão vazios. Garçom, por favor uma nova rodada.

Exiba tio regi.jpg na apresentação de slides

* Autor: Seu Rege – Reginaldo Maciel é pesqueirense, economista, colaborador do OABELHUDO, cronista, contista e contador de causos…

Movimento Cultural/Soneto: Certeza – Por Djanira Silva *

(Djanira Silva)

CERTEZA

 

Lágrimas secas de poeira e sal
Transformam tua vida em elegia
O tempo que constrói a alegria
Destrói também o sonho e o ideal

 

Ao terminar a vida, é tudo igual
É tudo igual até chegar o dia
Quando terás teu nome em pedra fria
Escrito apenas com poeira e cal

 

E toda a vã matéria acabará
O tempo pouco a pouco apagará
Um nome escrito em letras garrafais

Apenas restará clara e visível
A marca indelével, imperecível
Da frase impessoal – descanse em paz!

 

 

* Autora: Djanira Silva – Djanira do Rêgo Barros Silva é pesqueirense, poetisa, cronista, contista, escritora e membro efetiva daAPLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes. Está no seu 12º livro publicado. (OABELHUDO) O mais recente SAUDADE PRESA, será lançado em sua terra natal, por ocasião da 1ª Bianel do Livro que ocorrerá nos de 09 a 13 de dezembro.

Movimento Cultural/Cordel: Como os desejos se realizam – Por Edmilton Torres *

Como os desejos se realizam

(Baseado na lenda “Os três Cedros”)

 

I
Conta uma antiga lenda
Que numa floresta havia
Três Cedros exuberantes
Que viviam em harmonia
Compartilhando os desejos
Que cada um possuía

II
Em floresta libanesa
Essas árvores nasceram
E durante suas vidas
Muitos fatos conheceram
Vendo o mundo evoluir
Séculos ali viveram

III
O desejo da primeira
Seria ser transformada
No trono de um grande rei
Para poder ser lembrada
Como símbolo de poder
E sempre ser venerada

IV
A segunda revelou
O seu desejo também
Não tinha ideia precisa
Mas desejava, porém
Que fosse algo que um dia
Transformasse o Mal em Bem

V
A terceira por seu lado
Revelou desejos seus
De se transformar em algo
Que até mesmo os ateus
Quando para ela olhassem
Pudessem pensar em Deus

VI
Algum tempo de passou
E vieram os lenhadores
Os Cedros foram cortados
E por mãos de estivadores
Em navios embarcaram
Comprados por mercadores

VII
Cada um tinha um desejo
Desde a mais tenra idade
Mas seus sonhos se chocaram
Com a dura realidade
Cada Cedro foi usado
Pra outra finalidade

VIII
O primeiro foi usado
Numa simples construção
Para abrigo de animais
E cochos para ração
Também para apoiar feno
Pra sua alimentação

IX
A segunda das três árvores
Em mesa foi transformada
Sem comprador, a terceira,
Foi finalmente cortada
Ficando numa cidade
Muito tempo armazenada

X
Os Cedros eram felizes
Mas lamentavam a sorte
Suas madeiras tão nobres
De consistência tão forte
Não puderam ser usadas
Em algo de melhor porte
Como os desejos se realizam
Autor: Edmilton Torres
(Continuação)

XI
Tempos depois um casal
Em uma noite estrelada
Procurando por refúgio
Do estábulo fez pousada
A mulher estava grávida
Dando à luz na madrugada

XII
E assim depois do parto
O bebê foi colocado
Entre o feno e a madeira
Que servia de estrado
E assim o Cedro teve
Seu sonho realizado

XIII
Agora sua madeira
Madeira nobre, de lei,
Havia se transformado
No trono de um grande Rei
E ela pensou feliz
Lembrada sempre serei

XIV
Anos mais tarde alguns homens
Numa mesa se sentaram
Mas antes que eles comessem
Umas palavras trocaram
Falando de Pão e Vinho
E a Deus glorificaram

XV
O segundo Cedro então
Nesse instante percebeu
Que o seu grande desejo
Finalmente aconteceu
Foi por aquela aliança
Que o Bem, o Mal venceu

XVI
Porém no dia seguinte
Num depósito de madeira
Fizeram uma grande cruz
Com pedaços da terceira
Que depois seria usada
De forma bem traiçoeira

XVII
Aquele homem da Ceia
Que só pregava bondade
E fez aquela aliança
Entre o homem e a divindade
Carregou a cruz nos ombros
Pelas ruas da cidade

XVIII
Horas depois em um monte
Na cruz ele foi cravado
Sem um julgamento justo
Ali foi crucificado
Deixando o terceiro Cedro
Bem triste e horrorizado

XIX
Porém antes de três dias
Daquela barbaridade
O Cedro compreendeu
Pra sua felicidade
A aliança formada
Entre o homem e a divindade

XX
A cruz da sua madeira
Foi, de forma transitória
Instrumento de tortura
Para sinal de vitória
Realizando o seu sonho
E lhe cobrindo de glória

Como os desejos se realizam

XXI
Assim, os Cedros do Líbano
Finalmente festejaram
Pois viram que se cumpriu
O destino que almejaram
Embora não se cumprindo
Da forma que imaginaram

* Autor: Edmilton Torres –Edmilton Bezerra Torres é pesqueirense, poeta, cordelista, colaborador do OABELHUDO, cronista, contista e acadêmico da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e  Artes.

Movimento Cultural/Poesia Homenagem: Revelação – Por Angela Maria *

HOMENAGEM

REVELAÇÃO…

 

 

Eu vi um homem menino
Transbordar de emoção
A todos contagiando
Seus poemas recitando
Com muita apropriação.

Vi lágrimas banhando faces
Aplausos de alegria
Naquele belo evento
E o reconhecimento
Expresso em filosofia

O pequeno,grande poeta
Que com alma e coração
Despede-se da Amaro Soares
Levando para outros ares
A sua revelação….

Sucessos Victor Rogério!!!! Te amo!!!!!!!!!

 

 

* Autora: Angela Maria. – Angela Maria de Melo Lucena é sanharoenses do distrito Jenipapo, poetisa, colaboradora do OABELHUDO, professora municipal e grande incentivadora cultural em nosso município.

Movimento Cultural/Soneto: Vaidade – Por Djanira Silva *

S O N E T O

 

(Djanira Silva é pesqueirense, poetisa, cronista e contista)

VAIDADE

 

 

Não sei se é prêmio ou se será má sorte
Ser condenado à vida sem pedir
E a qualquer hora ter que sucumbir
Sumariamente condenado à morte

Para esta transição, o passaporte
É a vida, com o visto só de ir
Sem que se possa ao menos intervir
Nem alterar a hora do transporte

Por vaidade o homem busca a fama
Cria entidades, nelas se proclama
Um ser notadamente genial

Até que se consume a execução
No peito ostentará um medalhão
Pensando até morrer que é imortal

 

 

* Autora: Djanira Silva (oabelhudo) . Soneto extraído do  livro SAUDADE PRESA que será lançado durante a 1ª Bienal do Livro de Pesqueira que ocorrerá nos dias 09 a 13 de dezembro. 

Movimento Cultural/Poemas: Carlos Sinésio em dois momentos *

Amor nevrálgico

 

 

 

O frio que corre pela espinha
é cinzento (cor de cinza de angico
quando queima na fogueira
do sol do meio dia no verão do sertão).

Parece com aquela emoção
de quem deu o primeiro beijo
ou sentiu o travo do umbu verde
que desbota o dente agrestino.

O frio gélido de inverno siberiano
é calor no coração apaixonado,
quando a mente não se engana
e pensa que o amor é correspondido,
sem carência de perfumarias e afins.

O frio emocional que desliza na espinha
é paixão adolescente que maturou
e se transformou em sentimento
apelidado de amor. Só isso.

 

Cinzas do nada

 

Um pé de parede,
um verso ao canto.
Um suspiro noturno,
um velho espanto.
Castiçais em prata,
velas apagadas…
Do nada,
sobraram cinzas.
Enquanto de tudo,
mais nada.

 

* Autor: Carlos Sinésio (novembro/2014). Carlos Sinésio Araújo Cavalcanti é pesqueirense, jornalista, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta e biógrafo.