Category Archives: Movimento Cultural

Movimento Cultural/Crônica: Mandacaru tem Flor * – Colaboração de Fátima Canejo

MANDACARU TEM FLOR

“Mandacaru tem flor, é vermelha, é azul, é uma cor de toda cor a flor do mandacaru. Quando chove é jardim, mas se chuvisca brota enfim o que mais parece jasmim. Na ensolarada dos dias, em meio a lamentos e agonias, ninguém mais enxerga a flor na dor do mandacaru.”

 

 

 

 

Mandacaru tem flor. Floresce mandacaru!

Tanta sina, tanta vida, tanto destino de desalento e solidão, esperança petrificada desse sertão. Povo faminto, povo tão nu, esperando a flor do mandacaru.

Tempo aberto, sol escaldante, calango passando, cobra sumindo debaixo da macambira, um tatu e um preá, tudo nesta vida e nela tudo que há. Nas pedreiras o urubu, espante o bicho mandacaru!

Alvorece, vem o dia, a tarde chega escaldante, um entardecer num rompante caminhando para o anoitecer. Tudo passa sempre assim, sem revoada ou pio de passarim, sem nuvem ao norte, sem nuvem ao sul. Floresce mandacaru!

Maria foi passear, tomou o destino do mato, cortou vereda e caminho, pisou em ponta de pedra, pisou em ponta de espinho, mas seguia sem destemor tentando encontrar a flor. No cansaço que chegou, sentou no chão e chorou, queria apenas a flor, a cor do mandacaru!

Gavião ronda a magreza, urubu vem rastejante, imagina que num instante o bezerro vai cair, o bezerro vai morrer, e a carniça a lhe sorrir. Enquanto a morte não vem, enquanto a danada não grita, o carnicento faz seu voo e pousa no mandacaru. Os olhos avermelhados na flor do mandacaru!

Menino sertanejo danado, traquina de descampado, quando se vê aperreado corre pro mato em fuga. Como não tem com o que brincar, pula e pega o sol com a mão, e nele dá um chutão rumo ao mandacaru. A ponta do espinho no sol explode em girassol, a flor do mandacaru!

Mandacaru tem flor, é vermelha, é azul, é uma cor de toda cor a flor do mandacaru. Quando chove é jardim, mas se chuvisca brota enfim o que mais parece jasmim. Na ensolarada dos dias, em meio a lamentos e agonias, ninguém mais enxerga a flor na dor do mandacaru.

Depois da molhação da trovoada, enchendo tanque, alagando estrada, a caatinga se transforma. Faz festa a bicharada, a mata toda animada louvando a graça divina, e o mandacaru com a sina de agradecer ao Senhor. Abre os braços numa prece, em cada lado uma flor!

Sertanejo agoniado, catando comida pro gado, corta palma e capim, corta mato e o que encontrar, num desespero sem fim. Desce o machado em tudo, derruba até aroeira pra fugir da desgraceira que é a fome do bicho. Só não corta o espinhento, altivo e arreliento, a flor do mandacaru.

A Velha Sinhá se alevanta, mija em riba da planta que é pra ela não morrer. Depois abre a porta da frente, já sentindo o bafo quente do sol mais perto da terra. Eleva a Deus uma prece, numa fé que não esmorece, desejando boa sorte. Ergue o olhar para o norte, no piado da nambu, e os olhos pensam avistar uma flor no mandacaru!

* Autor: Rangel Alves da Costa – Editor do blogspot Ser tão Sertão – Escritor, cronista  e poeta – http://blograngel-sertao.blogspot.com.br/

FLIPORTO : 10ª Festa Literária Internacional de Pernambuco – Convidados *

Fliporto

 

10ª Festa Literária

Internacional de Pernambuco

 

 

 

 

Pesqueira: Colégio Santa Doroteia é homenageado pelos 95 anos *

Colégio Santa Doroteia 

Muitas Vidas e Uma Só História

Sessão Solene
Casa Anísio Galvão

Colégio Santa Dorotéia – 95 anos –

 

(Momento em que a professora Marcirajara pronunciava seu discurso agradecendo a homenagem da Câmara de Vereadores de Pesqueira, pelos 95 anos do Colégio Santa Doroteia)

 

                Este cenário não se improvisou. A Casa Anísio Galvão, hoje, mais do que nunca assume o seu propósito: constituir verdadeira moradia de sonhos.Sonhos estes, que são como o vento, você o sente, mas não sabe de onde ele vem e nem para onde vai, tamanha a sua finalidade. Ele inspira o poeta,abre a inteligência do cientista, dá ousadia ao líder.

                Os sonhos inspiram-nos a criar, animam a superar, encorajam-nos a conquistar. Moisés, Sócrates, Lincoln, Gandhi, Zilda Arns, Ir.Dorothy, Paula Frassinetti e muitos outros e outras foram grandes sonhadores.

                Estes homens e mulheres mudaram a história porque tiveram grandes projetos, grandes sonhos. Seus sonhos aliviaram dores,trouxeram conhecimentos e esperanças,renovaram forças,promoveram desenvolvimento.

                Um dia, uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe; Que tamanho tem o universo  ? Acariciando-lhe a cabeça,ele olhou para o infinito e respondeu: ”O universo tem o tamanho do seu mundo.”Perturbada,ela perguntou e novamente indagou:”Que tamanho tem o meu mundo?” O pensador respondeu: ”Tem o tamanho dos seus sonhos.”

                Assim pensamos Pesqueira, pensamos nesta Casa de Sonhos que abriga tantos líderes que acreditam nos sonhos de uma cidade cada vez mais próspera e feliz

            É assim que pensamos os nossos Colégios Santa Doroteia,Cristo Rei,Comercial-hoje,Cacilda Almeida, Instituto Federal e tantas outras escolas que acreditam que a educação é a chave mestra do desenvolvimento, a alma do dinamismo social,centro civilizatória,fonte de evangelização.

            Voltemos a Casa dos Sonhos, a casa\dos nobres legisladores.Lembremos-nos de Beethoven que mesmo surdo,aprendeu a ouvir com o coração.Martin Luther King, o grande sonhador dos direitos civis. Quão famoso foi o seu inflamado discurso,intitulado ”Eu tenho um sonho.”

           Finalmente,reportemo-nos ao maior vendedor dos sonhos da história,expressão usada pelo famoso escritor, Augusto Cury: Jesus Cristo que estendeu seus sonhos , no forte convite que hoje se estende aos nobres vereadores, lideranças,educadores aqui presentes: “Vinde após mim que eu vos farei pescadores de homens.” O Mestre da vida foi fiel as suas palavras,viveu o seu discurso. É nessa Escola que devemos aprender o fundamento da convivência humana,da arte de relacionar-se e construir uma sociedade mais digna e feliz.

          Felizes e esperançosas em continuar fiel a missão do exercício do magistério,comemorando os nossos 95 anos de história,congratulamo-nos com os colegas educadores das outras Instituições e expressamos o nosso reconhecimento e gratidão aos diletos vereadores por esta atenção  especial, querendo firmar nesta data um compromisso coletivo:de mãos dadas e corações abertos a novos sonhos que se  tornarão projetos  e realizações,continuemos firmes  trabalhando pela conquista da felicidade de nossas crianças e jovens.Como dizia Paulo Freire: Para que serve a utopia? Para caminhar…

Encerrando  com as palavras de Luther King em seu discurso citado:”Graças a Deus todo poderoso.”

(O Vereador Wagner Cordeiro entregando o diploma a diretora Marcirajara em nome da Câmara de Vereadores de Pesqueira)

* Discurso proferido pela professora Marcirajara Freitas Ramos, diretora do Colégio Santa Doroteia na Sessão Solene da Câmara de Vereadores de Pesqueira – Casa Anísio Galvão, no último dia 30 de outubro , pelos 95 do Colégio e quando se iniciava o jubileu de prata da Festa do ex-aluno de Pesqueira.

Movimento Cultural/Soneto: Passarela – Por Djanira Silva *

(a autora exuberantemente linda...)

PASSARELA

 

 

Meus passos hoje têm o som do nada
Qual sombra estéril que desliza fria
Pelos cantos da casa empoeirada
Cheia de tanta coisa e tão vazia

Se é tão vazia hoje, a meninada
Outrora na algazarra e na euforia
De uma infância fugaz e descuidada
De cores e de luz a casa enchia

 

Hoje o silêncio ocupa a passarela
A minha casa não é mais aquela
A amplidão que me restou me assombra

Ela é tão grande e às vezes tão pequena
No palco, agora, só restou em cena
Eu, a tristeza a solidão e a sombra

* Autora: Djanira Silva – Djanira do Rego Barros Silva é pesqueirense, poetisa, colaboradora eventual do OABELHUDO, escritora, acadêmica, membro da APLA – Academia Pesqueirense de letras e Artes. Acaba de lançar o seu 12º livro – Saudade Presa.

Pernambuco/Cultura: Spokfrevo Orquestra Conquista Nova York de vez *

 

 / Foto: Ricardo B. Labastier / JC Imagem

MAESTRO Spok / ENTREVISTA

Spok Maestro :

“O frevo entrou em  Nova

Iorque Pela Porta da Frente “

O músico Faz hum Balanço da Segunda turnê da SFO Nos EUA

 

 

“Eu quero é o frevo em Nova Iorque”, preconizou o compositor Carlos Fernando, numa entrevista concedida ao Caderno C, em 1982. O frevo tocou em Nova Iorque 30 anos depois, timidamente, é certo, na primeira turnê americana da Spokfrevo Orquestra, que, em 2012, passou por mais cinco cidades dos EUA. Domingo, a SFO encerrou em St Louis, Missouri, a segunda turnê pelos Estados Unidos,com quatro concertos, numa das salas mais requintadas do país, ano Lincoln Center, e se apresentou em outros quatro estados, num total de dez shows, e ainda confirmou participação no Rock in Rio USA, em maio de 2015. 

No ônibus, que levava a orquestra de Iowa ao Missouri, para o final da Turnê USA 2014, o maestro Spok, via Gmail, concedeu entrevista sobre a turnê, a importância de entrar  no mercado americano com uma música que até no Brasil ainda é pouco conhecida, os próximos planos da orquestra, terminando a conversa, com versos improvisados em decassílabos, mostrando sua veia para a cantoria de viola, uma de suas paixões.

JORNAL DO COMMERCIO – Spok, qual o balanço que você faria desta segunda turnê americana?

 SPOK – O resultado está sendo excelente, combinando palcos consolidados como a Berklee School of Music em Boston e o Jazz at Lincoln Center em Nova Iorque, com locais menores como Iowa City. Independente do lugar, a reação das pessoas tem sido sempre excelente.

 JC – A turnê de 2012, foi mais ou menos o começo desbravamento de um mercado fechado. Nao apenas fechado, mas bastante seletivo. Como vocë compararia as duas turnês?

 Spok – Eu diria que a primeira turnê foi um ensaio pra uma jornada que está ainda começando. Nessa segunda, tivemos oportunidade de tocar em palcos extremamente importantes, como os mencionados anteriormente. Acho que demos uma passo a frente de um caminho ainda longo a ser percorrido.

JC – A orquestra já esteve até na China, Índia, participou de eventos importante, e de grandes festivais na Europa. Mas lembro você comentando que seria realizar o grande sonho ter acesso ao mercado da música nos Estados Unidos.

 Spok – Sem dúvida, tocar nos EUA sempre foi um sonho meu e de todos da orquestra. Aqui é o berço do jazz, das escolas que sempre estudamos e admiramos, então, tocar para uma plateia acostumada a ver apresentações instrumentais e causar o impacto que acreditamos estar causando é maravilhoso. Carlos Fernando dizia que o frevo deveria chegar a Nova Iorque. Eu entendo o que ele quis dizer. Acho que desta vez, acho que o frevo foi pra Nova Iorque pela porta da frente.

 JC – Wynton Marsalis, foi quem abriu as portas para a SFO nos EUA. Não lhe pareceu que a primeira turnê foi como se ele pretendesse que a orquestra fizesse uma espécie de estágio, tocando em lugares menos badalados?

 Spok – Não sei se isso foi uma intenção de Marsalis, mas é fato que, para a montagem da segunda turnê, recebemos uma carta de recomendação dele e do Jazz at Lincoln Center, o que nos abriu muitas portas para o fechamento das datas que estamos fazendo. O respaldo de uma instituição como a dele foi fundamental, porque, como você mesmo disse, o mercado americano é muito fechado e seletivo. Desta vez, tocamos numa das salas principais do Jazz at Lincoln Center e pudemos ensaiar lado a lado com a Orquestra da casa e de Marsalis. Inclusive, estávamos ensaiando na sala ao lado da deles e fomos convidados para assistir ao ensaio, assim como eles iam nos assistir no intervalo. Tudo isso é muito bacana. O mesmo aconteceu nos dias do show – estávamos tocando simultaneamente em salas no JALC e sempre nos cruzávamos, e tivemos oportunidade de conversar. Os músicos da orquestra do Lincoln Center e Wynton Marsalis chegaram a tocar para nós no backstage. E estamos felizes em poder recebê-los no Recife, o que vai acontecer em abril de 2015, fechando o ciclo.

(O trompetista sanharoense Niraldo Melo e Nova Expressão Fazer o Instrumento consagrado músico Wynton Marsalis)

JC – Então os quatro shows no Lincoln Center foi como se a SFO marcasse seu lugar no circuito musical americano?

Spok – Eu não diria que tanto assim, mas com certeza abriram-se várias janelas. Tivemos uma excelente repercussão na mídia, com crítica positiva de mais de meia página no New York Times, fomos vistos por músicos como George Coleman e Will Calhoum, isso tudo é uma prova que estamos conquistando nosso espaço e despertando curiosidade sim no circuito americano, mas não diria que já temos um lugar marcado, seria muita pretensão de nossa parte achar que sim.

 JC – Mas vocês já começaram tocando para uma plateia seleta, de músicos e estudantes da Berkelee, foi uma estreia emblemática. Como a plateia de especialistas reagiu diante do frevo da SFO?

 Spok – É muito curioso ver a reação inicial das plateias americanas, até as mais especializadas, ao nosso show. Nossa formação é de uma big band, então eu acho que eles esperam ouvir um tipo de música que não é a que nós tocamos. Quando começamos as apresentações, com dois frevos fortes (Spokiando eMoraes é Frevo), a impressão que eu tenho é que as pessoas ficam surpresas. Tipo, “meu Deus, isso é uma big band, mas que música é essa? De onde veio?” À medida que o show progride, notamos que as pessoas vão interagindo mais com a música, ao mesmo tempo que a orquestra vai ficando mais à vontade. Especificamente sobre a apresentação na Berklee, foi muito emocionante para nós, que sempre sonhamos em tocar e estudar em uma instituição como aquela. Após a apresentação, fomos abordados por diversos professores que vieram perguntar sobre o frevo.

Maravilhoso a sensação ouvir de todas das pessoas que assistem às apresentações e nos abordam depois do show dizendo que estão com vontade de ir ao Recife conhecer o frevo. Esse despertar da curiosidade é muito bacana e importante.

JC – A orquestra costuma receber convidados nos shows no exterior, mas como foi receber um gigante do jazz, como o trombonista Wycliffe Gordon? Ele apreendeu o frevo de cara, ou precisou de algumas aulas pra entender o espírito da coisa?

 Spok – Antes de qualquer coisa, assim que soubemos que iríamos tê-lo como convidado no nosso show, foi uma felicidade geral, todos sempre fomos fãs dele. Músicos como Wycliffe Gordon não precisam de muita coisa pra pegar o espírito de qualquer tipo de música. É um caso de um talento diferenciado, de um cara que não precisa de muitas “aulas” pra aprender nenhum tipo de música. Agora, a colaboração entre ele e a orquestra foi maravilhosa. Um músico com a estrada e o talento que ele tem, nos leva a descobrir novos horizontes da liberdade musical, de que não é preciso necessariamente ser metódico para se enquadrar num gênero específico, mesmo no frevo. Ele é o tipo de músico que preza pela liberdade, no momento que ele entendeu a linguagem, ele vai embora sozinho. E um músico do naipe dele não precisa de muitos ensaios pra chegar nesse ponto. No show foi assim: ele nos levava e a gente levava ele. Incrível.

* Fonte: JC / Caderno C

Evento/Cultura: 10 Anos da Fliporto *

 

FLIPORTO

10 Anos

 

Ingessos Gratuitos

Pesqueira/Crônica: Saudade! Como ficam os exilados? – Por Seu Regi *

Crônica para um exilado

Crônica de memórias (Seu Regi)

 

Nos anos 50/60, o mundo foi palco de grandes transformações em tosas as esferas, principalmente na área cultural de todas as classes sociais. Foi a época da contra-cultura, o reinado da minissaia, da revolução hippie, dos Beatles, jovem guarda, do vestido tubinho e tomara que caia, da calça boca de sino e do rock and roll. Naquela época, apesar dos precários meios de comunicação, pesqueira foi paulatinamente arrastada pelo movimento e embora atrasada, aderiu à onda. Coincidentemente, a minha geração saindo da adolescência, sem noção do mundo real, foi sendo introduzida nos meios sociais, em que a princípio se sentia um estranho em um mundo em que antes tudo lhe era proibido.

Era uma rapaziada tímida uma vez que haviam sido educados a não participar das conversas dos mais velhos e que menina brincava com menina e menino se relacionava apenas com menino. Entretanto essa abertura fora como se estivesse levantando as cortinas de um teatro antes inacessível, em que ele era convidado a participar. O mais interessante é que passamos a observar as meninas com outros olhos e notar que aquelas que havíamos conhecido brincando de roda haviam se transformado e agora tinham um corpo de mulher. Algumas ficaram bonitas, outras nem tanto, porém todas alegres, sedutoras e perigosas uma vez que haviam se tornado caçadoras de possíveis maridos. Mas na verdade era a natureza procurando dar continuidade à espécie humana. Apesar desse deslumbramento, começamos a ver os nossos sonhos juvenis se desmoronando e passamos a conhecer sentimentos inusitados, mas que iriam nos acompanhar por toda existência, como a paixão, o amor, o ódio,sem considerar as decepções.

Contudo, a vida transcorria normalmente, já havíamos aderido à vida social, já havíamos concluído o curso ginasial, servido ao TG-171, quando estimulados pela família, nos deslocamos para o Recife a fim de fazer o curso científico e posteriormente um curso superior. O motivo alegado: a terrinha não oferecia um futuro promissor. Assim, deixando para trás a família, os amigos, as namoradas, as festas e finalmente tudo aquilo que estávamos familiarizados, para enfrentar um mundo desconhecido. Foi quando passamos a tomar conhecimento de mais um sentimento: a saudade. Acredito que foi o pior de todos.

Os primeiros meses foram terríveis, sentíamos que estávamos sozinhos, faltando tudo e só a perseverança nos fazia ficar, coisa que alguns não resistiram, abandonaram tudo e voltaram à terrinha. Na capital, alguns ficaram hospedados em casas de parentes, porém a maioria foi direcionada a “Casa do Estudante de Pernambuco”, onde fazíamos apenas as refeições e por isso éramos chamados de “xepeiros”. Na realidade morávamos em pensões localizadas na Rua Paissandu quando confraternizávamos com colegas de diversas cidades do interior e formávamos um grupo unido, capaz de enfrentar as adversidades.

Diante da dificuldade de comunicação com a terrinha, os pesqueirenses radicados na capital, se reuniam impreterivelmente, a partir das l9 horas na cabeceira da ponte Duarte Coelho, em local conhecido como ”quem-me quer” que funcionava como um consulado e ali tomávamos conhecimento do que havia ocorrido em Pesqueira na semana anterior.

Todavia, o tempo passou, muitos concluíram o curso superior em diversas profissões, alguns apenas arrumaram empregos, e agora, já idosos, lembram com saudade daqueles tempos difíceis e das aventuras e brincadeiras que só acontece na juventude. Agora quando nos encontramos e recordamos histórias que fazem lembrar outras e vão surgindo outras que já havíamos esquecido, muitas vezes com amigos que já se foram, mas que deixaram saudade.

Finalmente esta crônica é dedicada a todos aqueles que pelos mais diversos motivos, não retornaram à terrinha e que por este motivo se sentem exilados, guardando a lembrança de uma cidadezinha, pequena, mas aconchegante em que cada casa tinha um nome: o nome da família pesqueirense.

Fica, entretanto, a pergunta: será que existe vida imbecil em outros planetas?

Exiba tio regi.jpg na apresentação de slides

* Autor: Reginaldo Maciel é pesqueirense, economista e um “exilado” incidental…Colaborador do OABELHUDO.

Crônica/Homenagem: O Reencontro – O 25º – Por Walter Jorge de Freitas *

O REENCONTRO 

 

 

 

Aproxima-se mais uma FESTA DO EX-ALUNO. Para quem gosta de emoções, não há melhor oportunidade para vivenciá-las com tanta intensidade como esses momentos de saudosismo puro que o reencontro nos proporciona.

Iniciado há 25 anos, com a finalidade de trazer de volta ao convívio, apenas ex-alunos do Ginásio Cristo Rei, o evento foi tomando corpo e despertando o interesse de ex-alunos de outros educandários e o resultado está aí: adesão maciça e espontânea dos pesqueirenses e pesqueiristas hoje espalhados pelos mais longínquos recantos do país.

Se nós que jamais saímos daqui, sentimos satisfação em rever os amigos de ontem, os que voltam, certamente, experimentam outro tipo de emoção: pisar o solo da terra que lhe serviu de berço ou acolheu, rever amigos, parentes, constatar as mudanças impostas pelo tempo e pela ação dos que tiveram a missão de governá-la com erros e acertos, mas todos imbuídos do desejo de torná-la melhor.

Não importa o fato de não sermos mais os mesmos no tocante ao aspecto físico. As cabeleiras já não são tão vastas como antes; os rostos estão marcados pela ação impiedosa do tempo e as pernas já não caminham no ritmo e firmeza dos tempos de juventude. Estamos todos bem diferentes daqueles moços e moças de andar faceiro, charmoso, atraente e provocador de suspiros.

Os corações – antes maltratados pelas cargas emotivas a que foram expostos –, por certo não têm tanta impetuosidade para novas empreitadas. Agem com mais cautela.

Amores incompreendidos, deslizes cometidos na juventude, repercutem hoje no jeito de ser, de falar e até nos ensinaram a encarar aventuras ou amizades com mais prudência, compreensão e de forma mais seletiva. Dizem que estamos mais experientes. Ainda bem! Adquirimos um novo tipo de beleza: A BELEZA INTERIOR, que só o tempo é capaz de nos mostrar o seu real valor.

De uma coisa, devemos nos convencer: tudo foi válido. Por isto, podemos comemorar cada momento desse período festivo que vamos vivenciar, abraçando os conhecidos, os desconhecidos, ex-colegas, ex-amigos (as), ex-namorados (as) e todas as pessoas que tivermos oportunidade, pois só assim, a festa será completa e cada um de nós se sentirá recompensado por renovar e conquistar amizades. Existe coisa melhor?

Lembremo-nos de que são poucas as cidades que têm esse privilégio de receberem os seus filhos todos os anos para uma confraternização.

Não nos esqueçamos dos ausentes. Àqueles que “partiram”, dediquemos as nossas preces. Para os que não puderem comparecer, procuremos fazer com que se sintam presentes, mandando notícias, fazendo com que a saudade adentre aos seus corações provocando alegrias, em vez de tristezas, despertando a incontida vontade de voltar, tão logo seja possível.

 

Pesqueira, outubro de 2014.

* Autor; Walter Jorge de Freitas é pesqueirense/pesqueirista, comerciante, professor, colaborador do blog OABELHUDO, cronista, poeta e pesquisador musical.

 

Movimento Cultural/Soneto: Baque – Por Francisco Aquino *

BAQUE

 

 

 

 

Caiu pela vida

diante dos fracassos amargados

e pela falta de deferência humana.

Caiu diante das violências

vividos por milhares

que sofrem dilacerando os corações.

 

Caiu da calçada abaixo

num verdadeiro baque

sobre os olhares curiosos dos que passam e apenas olham sem ajudar.

Vendo levantar e prosseguir na labuta diária.

Caiu diante de tantos obstáculos

que aflora o ser buscando guarita na fé e oração.

 

Caiu pela vida quando buscava acertar tendo solidez humana e honradez.

Caiu na esquina diante dos traumas vividos

tentando superar tristezas e feridas abertas

com o aniquilamento do ser humano.

 

Caiu diante da vida e da morte se distanciando da sorte

que assola o ser errante entristecendo o viver.

Caiu pelo o tempo perdendo os reflexos e memória

ficando a mercê do outro pela história.

Caiu pela falta de saúde que vai nutrindo a vida

atingindo sua essência de vitalidade.

 

Caiu pelas feridas da alma suando sangue

ficando renegado pelos cantos

buscando ser notado e procurando ninho para descansar e realizar.

Assim vive diante de tantas caídas e baques pela vida

que decidiu reunir forças e levantar-se de vez

nutrindo uma vivência salutar

com a vida voltando a pulsar de cheia de esperança e amor

para realizar-se

como ser criado

para viver e vencer.

 

 

* Autor: Francisco Aquino  –  Francisco de Assis Maciel Aquino é pesqueirense, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta e comentarista esportivo.

Rio Branco(Arcoverde)/História: Outros Causos do Sertão – Por Pedro Salviano *

Alguns causos do sertão

(Capitão Budá – 1821-1870 – Foto do livro de Luís Wilson Roteiro de velhos e grandes sertanejos, 1º volume, pág.265.)
Hoje já se pode navegar pela web por muitos municípios pernambucanos (e de quase todo o mundo) pelo Google Street View (ex.http://www.instantstreetview.com/ ). Para usar esta ferramenta basta clicar e arrastar o mouse e, assim, visitar tantas cidades, localidades e estradas, sem se levantar da cadeira, tendo-se vistas panorâmicas de 360° na horizontal e 290° na vertical. Lançado em 2007 (no Brasil em 2010), este recurso que já colocamos alguns links em artigos anteriores já chegou à Pedra (http://goo.gl/dU8h1h) permitindo aos saudosistas e curiosos, uma viagem virtual por aqueles lugares que há tempos não são visitados. A casa, a escola, as ruas… Como estão agora?
Aproveitando a carona deste modernismo, que tal uma visita também aos velhos tempos do desbravamento dessa região sertaneja, dos quais alguns historiadores puderam registrar alguns dos tantos fatos pitorescos? Assim, muitos causos (aquela pequena história, nem sempre verídica…) estão espalhados por muitas obras, num resgate da cultura popular.
Mais com a ideia de provocar, de atiçar a curiosidade de leitores para a história da nossa região, pinçamos alguns causos.
Do autor Ulisses Lins de Albuquerque (1889-1979), entre suas obras (várias facilmente adquiríveis, por ex. emhttp://goo.gl/VQu1Ho Um sertanejo e o sertãohttp://goo.gl/lXtdMI – Três ribeiras e http://goo.gl/Tw6RX1 Moxotó brabo ) reproduzimos de Um sertanejo e o sertão – 2a edição, Rio 1976 – pág.107, um pequeno texto sobre o português Pantaleão de Siqueira Barbosa, mestre de campo, fundador do povoado de Jeritacó (http://goo.gl/xiz8Q9 ) , célebre pelas sesmarias e fortuna que deixou.
« Pantaleão de Siqueira mereceu a alcunha de “Pica-enxu”, pelo seguinte episódio : uma tarde, nos arredores de Jeritacó encontrou um “enxu verdadeiro” (vespa) e, indo tocá-lo, foi ferroado por um enxame de abelhas que protestaram contra a sua curiosidade em examiná-lo. Então, o português puxou do espadagão e espatifou o “enxu”, bradando — é o que dizem os seus descendentes: “O diavos! Benham de uma em uma mas não de binte em binte!” Ficou sem enxergar — tal a inchação do rosto, com as picadas das abelhas — e, chegando em casa, com dificuldade, teve de recorrer ao clássico purgante de cabacinho. Ficou conhecido por “Pica-enxu” — denominação que, por ironia, é dada ainda hoje aos seus descendentes. 
 
Este episódio me era contado por minha mãe e outras pessoas da família, mas sempre supus tratar-se de uma lenda! Entretanto, quando em 1922 fui ao Jeritacó, conversando com o velho Joaquim Inácio de Siqueira Cavalcanti com 96 anos mas completamente lúcido, bastante inteligente —, bisneto do português Pantaleão, disse-me ele que a história era verdadeira, pois a ouvira do pai e do avô. E narrou-me outros feitos de Pantaleão, inclusive a luta por ele travada com uma onça-pintada o tigre sertanejo — a qual era conhecida entre os vaqueiros como a “papa-úbere”, porque, matando as novilhas, só lhes comia o úbere. . .
 
Encontrando-se com a onça, o português gritou para o seu cachorro Touro, açulando-o contra a fera e o enorme cão a enfrentou, com ela se engalfinhando. De vez em quando Pantaleão bradava: “Segura a onça, Touro!” Mas, ao verificar que o cão estava muito ferido e não podia vencer a batalha, segurou a onça pela cauda e passou a vibrar-lhe golpes sobre golpes com o seu espadagão, até abatê-la. Cortando-lhe uma das mãos, nas raízes de uma caraibeira, conhecida por “craibeira dos herdeiros” e que depois passou a chamar-se “craibeira do tigre”, levou-a para casa e de lá mandou buscar o Touro que, de tão ferido, não pudera acompanhá-lo — extenuado da luta. E quando lhe perguntaram por que não matou logo a onça, para evitar o sacrifício do cão, ele respondeu que “foi porque queria ber qual dos dois era o mais balente».
O episódio do enxu também mereceu do autor Nelson Barbalho (Caboclos de Urubá, Recife, 1977, pág. 101) uma versão à moda lusa: « – Ô diavos dos seiscentos! Benham d ?uma em uma, não de binte em binte, suas cubardes, ora pois pois!” 
Já Luís Wilson, em Minha cidade, minha saudade, Recife, 1972, pág. 90, conta estes causos do famoso capitão Budá (que também é nome de rua em Arcoverde http://goo.gl/NbOvXC ), tantas vezes já mencionado nesta coluna. Sua famosa fazenda Fundão (porém, ao que parece, pouco explorada turisticamente) pode ser vista, de longe, pelo StreetView (http://goo.gl/zyuJuK).
«O capitão Budá (Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti) (…) era, no entanto, sob certos aspectos, um homem imprevisível e formidável. Uma tarde, atiraram em Budá na fazenda Fundão. Ele pegou o cabra, meteu-o no “tronco” e foram 9 dias de sofrimento, em frente à casa grande da fazenda. Soltou depois o sujeito e mandou-o embora.
(Fazenda Fundão, na atualidade, vista da estrada 424 (Arcoverde-Pedra).)
(A casa da fazenda Fundão, palco de muitos acontecimentos. Fotos PSF.)
 
O homem pediu para ficar, alegando que não tinha para onde ir e que havia compreendido, durante aqueles dias, no pátio da fazenda Fundão, que Budá era um homem bom, adiantando que se ele fosse o capitão o teria matado.
 
Budá deixou, então, o homem ficar, em sua fazenda, e ele foi, dali por diante, o cabra de sua confiança, em suas viagens ou por onde anda ele andava.
 
Em outra ocasião, chegou no Fundão e pediu emprego. O Cap. Antônio Francisco mandou o homem trabalhar.
 
Uma semana mais tarde, apareceu uma onça, na fazenda, e os escravos e empregados começaram a persegui-la, até que, à noitinha, ela se meteu em uma das furnas existentes naquela redondeza. A onça já estava acostumada a, vez por outra, pegar uma criação de Budá.
 
Cercaram a loca, a até que, logo depois chegou o Capitão. – “Essa onça, ainda hoje, ou amanhã, ou daqui a 3 dias tem de sair deste buraco e nós matamos”, disse um dos empregados.
 
Pediu, então, o homem, para lhe amarrarem os pulsos com uns pedaços de pano velho e com uma pistola e um facão emburacou na furna em que estava a onça. Um segundo depois, só se ouvia o barulho lá dentro, aparecendo enfim, o caboclo na boca da loca, alguns instantes mais tarde, com a onça morta. Sangravam. ambos, da cabeça aos pés.
 
Budá levou o homem para casa, tratou-o e, quando ele estava curado, disse-lhe o seguinte: – “Você não vai ficar mais no Fundão. Vou lhe pagar, vou gratificá-lo bem, e mando deixá-lo onde você quiser. É só você dizer para onde quer ir”.
 
 Mas, Capitão — perguntou o caboclo surpreso — eu fiz alguma coisa que desagradasse ao senhor?
 
— Não — respondeu Budá — mas aqui você não fica mais. Não quero na minha fazenda um homem mais valente do que eu. E, na realidade, pagou ao cabra, gratificou-o e mandou-o embora. 
 
Assim era o Cap. Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti, homem bonito, de feição fidalga, serena, e de quem ainda hoje se fala no mundo em que ele outrora viveu».
Com o nome “Demitindo um cabra macho”, e com uma outra versão, a história foi repetida no livro Baboseiras (1991, pág45), pelo autor Waldemar Arcoverde.
O historiador Luís Wilson, no citado livro, prossegue com outro causo do famoso capitão:
«Entre as muitas histórias que contam de Budá (algumas, evidentemente, inventadas pelo povo), há também a seguinte: Um dia, o capitão chegando em casa, do roçado, encontrou, no alpendre, um indivíduo, com uma viola, identificando-se como violeiro profissional e dizendo que ia tocar numa festa na Pedra, ou ali perto.
 
Budá não podia compreender ou admitir que um homem, em vez de trabalhar na agricultura, por exemplo, fosse violeiro de profissão. Mandou servir almoço ao cabra e boto-o, em seguida, para tocar, o que envaideceu, sem dúvida, o pobre tocador.
 
Depois de uma ou duas horas, o sujeito já estava de dedos doídos e quis parar. – “Não senhor”, disse o cap. Budá, “a sua profissão é tocar viola e o senhor vai tocar mais um bocado”. Para encurtar a história, o homem acabou de dedos pegando fogo».
Para os leitores que desejarem acessar as matérias já apresentadas nesta seção desde 2009, apresentamos os links encurtados. Para fazer o download, clicar no ícone do canto inferior direito.


2009:

Memória do rádio: http://goo.gl/G61zQV Outubro.

2010:

Olhando para trás. http://goo.gl/6NAEX1 Março.
Vaquejada: http://goo.gl/T6CgtN Maio/junho.
Os filhos de Francisco: http://goo.gl/syuQ6v Julho.
Sertânia no tempo de Alagoa de Baixo: http://goo.gl/V24sfo Agosto/setembro.
A Great Western: http://goo.gl/qXlTJR Outubro.
Documentos em registros de cartórios e assuntos afins: http://goo.gl/Y9YsHA Novembro/dezembro.

2011:

Controvérsias no histórico de Arcoverde: http://goo.gl/Bs4gCt Janeiro/fevereiro.
Qual foi o berço de Arcoverde: http://goo.gl/X6TAJB Março/abril.
Médicos de bem antigamente: http://goo.gl/H27zui Maio/junho.
Contribuições para um novo histórico de Arcoverde: http://goo.gl/pQEBLC Julho/agosto.
Nossa Senhora da Conceição da Pedra: http://goo.gl/LTy4pW Setembro/outubro.
A vida nas fazendas primitivas do sertão pernambucano: http://goo.gl/6wfWBn Novembro/dezembro.

2012:

Muirá-Ubi. Quem?: http://goo.gl/NkkOkl Janeiro/fevereiro.
Bicentenário de Olho d ?Água dos Bredos. Um século da ferrovia a Rio Branco: http://goo.gl/sJpidP Março/abril.
A vida no sertão nordestino no início do século 19: http://goo.gl/mURAOk Maio/junho.
Primórdios do sertão nordestino: http://goo.gl/t3SHu1 Julho/agosto.
Pesqueira. Terra do doce: http://goo.gl/HRIvj5 Setembro/outubro.
Cimbres. O começo de tudo: http://goo.gl/HiI8Dt Novembro/dezembro.

2013:

Mais algumas informações sobre a antiga Pedra: http://goo.gl/YsqayC Janeiro/fevereiro.
Cine teatro Rio Branco: http://goo.gl/irNlDe Março/abril.
As irmãs do cardeal Arcoverde: http://goo.gl/EueUGN Maio/junho.
Mais anotações sobre o histórico de Arcoverde: http://goo.gl/DviX8B Julho/agosto.
Retratando Arcoverde: http://goo.gl/nSzHLa Setembro/outubro.
Brito-Freire. Gente braba: http://goo.gl/AENvtP Novembro/dezembro.

2014:

Mapas antigos: http://goo.gl/QA7XVP Janeiro/fevereiro.
Posse do primeiro prefeito eleito de Rio Branco: http://goo.gl/5ws8pV Março/abril.
O historiador Luís Wilson: http://goo.gl/LjOAPj Maio/Junho.
A ascendência nordestina: http://goo.gl/1J8AlC Julho/agosto.

* Autor: Pedro Salviano Filho – Salviano é arcoverdense, ex-aluno do Colégio Cardeal Arcoverde, médico, cirurgião, residente na cidade Ivaporã-PR. –  (Coluna Histórias da Região – edição de setembro/outubro de 2014 – Jornal de Arcoverde)