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Causo: O Bodegueiro confundiu Lampião com um Fiscal… – Por Antonio Morais *

Que tempos, que costumes! 

 

 

Foto de 1930 - Lampião e Maria Bonita

Foto de 1930 – Lampião e Maria Bonita

Todo matuto tem horror aos que em razão do oficio, são severos na aplicação das leis. Conta-se que um dos muitos fiscais do consumo que vive a percorrer a terra e que, de posse de um mandato de segurança e um ordenado fabuloso, foi esbarrar em Várzea-Alegre. Um conterrâneo não podia transportar um saquinho de arroz num jumento que era taxado de contrabandista e intimado a recolher o imposto. A derramar o terror pelo sertão, andava também o rei do cangaço, o famigerado Lampião, o qual havia se hospedado em Juazeiro do Norte com honras de capitão da legalidade. Que tempos, que costumes.

O nosso matuto, fazendo uma negociação clandestina, enforcava na algembrada de sua casa, uma garrafa que, vista de certa distancia, era um chamariz para os compradores da teimosa. Pois bem, atraído a um destes recantos da fraude e da sonegação do imposto, é que foi até ali um senhor desconhecido. Quem era? Pelos modos, o homem era grande, porque se apresentava altivo, arrogante e de sobrolho carregado. Trazia um bonito chapéu, lenço perfumado, e vários anéis nos dedos. Chega. E como galã de cinema se apeia. E com esses ares de grão-senhor vai logo entrando de bodega adentro. Não diz bom dia. Não dá confiança a ninguém.

No interior da casa, porque se deparasse com duas garrafas de qualquer droga, as quais descansavam em cima de um balcão feito com vigor de pau d’arco, indaga com voz de autoridade: O senhor tem aguardente? Tenho nhor sim, responde com voz soturna o pobre homem. Ah! Ao falar em corda na casa de enforcado, um estranho frio invade a alma do bodegueiro. Todo o seu ser tremeu como se lhe tremesse a própria terra. E desmaiado, voz difícil, começa a defender-se: Meu amigo, tenha pena dos meus filhinhos, Isso aqui que o Senhor está vendo não é bodega, eu só tenho, acredite, essas duas garrafas e esta cestinha de cigarros, porque a roça que botei na quebrada da Serra da Charneca a lagarta comeu. Não me multe, Senhor Fiscal! O interlocutor estranho que já estava de boca aberta em sinal de grande pasmo desata uma bruta gargalhada. Depois, olhando o suplicante sem lhe desfitar os olhos, lhe diz: Quem o Senhor pensa que eu sou? Não rapaz, eu não sou fiscal. Eu sou Lampião.

Lampião!?

O homem ri fazendo uma ligeira contração nos músculos faciais. E voltando a vida, faz camaradagem com Lampião com quem conversa animadamente, graceja, bebe e fuma cigarro sem selo.

E ainda arrematou: Olhe seu lampião, veja se anda com dinheiro que fiado eu não vendo nem a meu pai.

Antonio Morais com a esposa

 

 

* Autor: Antonio Morais – Bancário aposentado, e blogueiro no cariri cearense. É editor geral do blog do Sanharol, na sua Várzea Alegre-CE.

Artigo: O Exercício da Caridade – Por Sebastião Gomes Fernandes *

Fora da caridade não há salvação

O EXERCÍCIO DA CARIDADE

 

 

  “O amor resume toda a doutrina de Jesus, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. (…) …o amor é o requinte dos sentimentos”. (Lazaro – Paris, 1862)

 

Estamos vivendo hoje num mundo cheio de aberrações e sinistros que nos deixam abismados e desorientados sobre como será o dia de amanhã e quanto ao futuro da Humanidade.

Diariamente, estamos sendo bombardeados com fatos que nos surpreendem e mexe com nossa sensibilidade e nossa compreensão de como venha a ser a vida, e como devemos encará-los, e ao mesmo tempo aproveitarmo-nos desses episódios, instrumento capaz de fazer com que a vida seja mais agradável, surpreendente e proveitosa. Basta que os encaremos com responsabilidade, vontade e determinação.
Alan Kardec nos diz: “que sem o exercício da caridade, não haverá salvação”. No entanto, o que temos observado e vivenciado, é o uso do artifício e do desrespeito às leis Divinas e ao bom senso, que deveria ser colocado em funcionalidade, pois sabemos, é dever da cada um exercer com dignidade e procedimento o que lhe fora determinado, já que é preciso consistir em trabalho a ação de cada ser humano neste plano Terreno.

Mas, o que está acontecendo com os homens e as mulheres de hoje? Tudo indica que está havendo ações perversas de feitores espirituais a serviço do mau. (não que em outros tempos idos, isso não tenha feito parte da vida daqueles que se foram). Todavia desde que infiltrados entre nós estão levando as pessoas ao descontrole emocional e a perda da moral e da ética como princípios fundamentais, e ao bom e honrado comprometimento com o desenvolvimento espiritual e material do ser humano e do planeta onde vive, e que lhe concede o meio adequado para poder ser melhor e conquistar harmonia e prosperidade durante sua estada aqui na Terra e no plano celestial. A paz eterna.

Vivemos em uma sociedade política e administrativa fadada ao caos! Fadada porque nossos representantes, gestores e empresários perderam o senso do equilíbrio e da sensatez. Esqueceram e/ou não receberam uma educação voltada para a égide e a grandeza dos valores que dão sustentação e preservação à personalidade, e à grandeza que encerra o ser humano em sua busca à perfeição e à sintonia com o Divino.

Estão a caminho do colapso os planos de Deus para seus filhos? Não, não é possível! Mas, a intransigência que coopta a formação intelectual e ética das pessoas está sendo sugestionada à prática da malandragem, da hipocrisia e da amoralidade. É imprescindível que os homens e mulheres de fé e de boa vontade, os pais e mães de família, invistam com determinação e muito amor na formação educacional da criança e do adolescente. Não esquecendo de levar a mensagem evangélica aos adultos, que estão a carecer de uma boa dose de fraternidade, respeito e compreensão. Só a palavra de Deus será capaz de modificar, clarear este quadro negro que se mostra o cada dia de nossa vida!

Diante dessa situação em que nos encontramos, se faz necessário reavivarmos as principais virtudes como: Caridade, Humildade, Fé, Esperança, Paciência, Diligência, Justiça, Temperança, Tolerância, Generosidade, Serenidade, Respeito, Dignidade, Fortaleza, Moderação, Sinceridade, Franqueza, Lealdade, Solidariedade e Prudência; que se postas em prática, tenho certeza, o mundo seria muito melhor. É bom sabermos que dentre todas estas virtudes a mais fundamental e a mais importante para o crescimento e o desenvolvimento do espírito é sim, a Caridade.

Para que exercitemos a Caridade é imprescindível que elejamos dentre as virtudes acima relacionadas – todas são fundamentais -, mas podemos eleger o Amor, a Humildade e Lealdade, pois se as tomarmos como base para nossa vida vamos alcançar a paz no planeta Terra e a paz de espírito que queremos seja estável!

Dentre tantos conceitos sobre o Amor escolhi este que vamos encontrar no evangelho segundo o espiritismo, obra codificada por Allan Kardek: “O amor resume toda a doutrina de Jesus, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. (…) …o amor é o requinte dos sentimentos”. (Lazaro – Paris, 1862).
“A Humildade – vem do Latim húmus que significa “filhos da terra”. Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas. A Humildade é a virtude que dá o sentimento exato da nossa fraqueza, modéstia, respeito, reverência e submissão. Como virtude, humildade é uma demonstração de respeito para com toda a humanidade. A humildade é uma luz que brilha transpondo o além sem nunca ofuscar o dom de ninguém!” ( E. Mollo)
Lealdade – Estado de ser leal; o propósito ou devoção de fidelidade a alguma pessoa, a uma causa”. ( E. Mello)

Se fossemos comentar sobre as demais virtudes estaríamos sujeitos a ser enfadonho quanto aos objetivos deste trabalho. O importante é que temos assegurado com esses conceitos e princípios acima comentados o fundamento capaz de nos proporcionar esperanças, fé e energias que alimentarão nossa maneira de agir diante os acontecimentos que vem provocando o esfacelamento dos valores morais e éticos que nos foram transmitidos de gerações em gerações…
Não te escuses em fazer parte desses obreiros do bom, do bem e do belo, exercendo a caridade, que se encarregará de alterar a paisagem atual do planeta, de forma a permitir que o amor estabeleça as regras da felicidade que parece tardar entre os homens”. (Joanna de Ângelis)

Ah! se os homens e mulheres acordassem do sono letárgico que os oprimem e destroem! Se tivessem a grandeza de ver no próximo, sua própria imagem, como assim nos disse Jesus: Deus criou o homem, sua imagem e semelhança! Certamente que a vida neste planeta seria mais amena. Ainda há esperança!… que não percamos mais tempo!

Faze silêncio e ama com empenho o serviço fraternal, a fim de ouvires essas estralas fulgurantes que são as vozes dos céus, que ora vêm à Terra buscando erguer o homem. (Joanna de Angelis)

Sebastião Gomes Fernandes de Jaquetão

* Autor – Sebastião Gomes Fernandes, Sociólogo, Escritor, Poeta e Cronista. Membro Titular e Presidente da Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Artigo: Recife – “Minha Terra tem Palmeiras” ** – Por Gustavo Krause *

 

praça do Derby e seus encantos. Sofrendo com devastação...

Praça do Derby e seus encantos. Sofrendo com devastação…

“Mangueiras, jaqueiras, oitizeiros, sapotizeiros, palmeiras, são saudades da refrescante sombra que, outrora, acariciava o cidadão recifense“.

“No Recife, o refrão tem sido assim: são contribuintes otários pagando a crueis sicários para fazer da vida urbana um funesto obituário”.

 

O nome Brasil tem origem, segundo o protesto indignado de Frei Vicente do Salvador, na madeira (Pau-Brasil) de “cor abrasada e vermelha que tinge o pano”.

A natureza rebatizou a “Terra de Santa Cruz”. Sua descoberta fora uma empreitada estatal, militar e religiosa que, na época, eram os ventos poderosos que enfunavam as velas das esquadras portuguesas na aventura dos grandes descobrimentos.

Seria a mudança de nome uma vitória da ideologia da natureza exuberante sobre a ideologia religiosa da Ordem de Cristo?

Desconfio que não. A madeira refletia a identidade mercantilista do projeto. O Pau-Brasil tinha valor comercial e mercado.

De fato, dois olhares coexistiam no ato fundador do Brasil: o olhar renascentista que proclamava a visão edênica do paraíso perdido; o olhar mercantilista que movia o projeto colonial de exploração econômica.

Infelizmente, a evolução histórica certificou: o encantamento fora retórico; a ação, predadora.

De lá para cá, o “progresso” foi movido a “ferro e fogo” (título do livro de Warren Dean sobre a devastação da Mata Atlântica). O desbravamento de matas e florestas era a palavra de ordem dos senhores do mundo novo que se descortinava como grande provedor das cortes dissolutas e perdulárias do velho mundo.

Por um dever de justiça, cabe o registro de lúcidas vozes sobre os efeitos danosos da agressão ao patrimônio florestal brasileiro. Entre elas, é importante destacar o pensamento de José Bonifácio, André Rebouças, Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, Alberto Torres e o mais recente, assumidamente ecologista avant la lettre, Gilberto Freyre, na fascinante obra sociopoética, Nordeste (1937).

Com efeito, estes visionários não tiveram o gosto de ver as questões antecipadas por suas mentes prodigiosas serem assumidas pela humanidade como uma questão central, estratégica para a sobrevivência da vida na Terra, ratificada pela ampliação da consciência universal dos ecocidadãos e incorporada aos marcos legais e institucionais das gestões públicas e privadas.

De outra parte, não tiveram o desgosto de testemunhar a devastação que vêm sofrendo os nossos ecossistemas, em especial, a cobertura vegetal que metaboliza a energia solar e torna viável a vida no Planeta Terra. No atacado e no varejo.

No atacado, basta olhar o que resta de Mata Atlântica, Floresta Amazônica, Cerrado e Caatinga; no varejo, basta ler a manchete da edição do JC, 02 de fevereiro do corrente ano: “Palmeiras-imperiais são cortadas no Derby”.

Cortadas, não! Foram assassinadas! Um assassinato anunciado e que atingiu seres plantados pelas mãos virtuosas do paisagista Burle Max em 1935. Depois de assassinadas, esquartejadas para servir de lenho seco para brincadeiras juninas ou de carvão para animados churrascos. Outras vão morrer asfixiadas pelo pulmão, intestino, estômago, coração, o corpo de uma cidade de cimento, aço, sujeira, violência e desprezo pelo verde, pela história, pela qualidade de vida e sem dar ouvidos aos cientistas que reafirmam a condenação das palmeiras sobreviventes. Mais grave: as autoridades municipais mentem quando alegam que a causa do óbito fora um fungo. Ainda assim, é obrigação municipal tratar preventiva e curativamente a vegetação urbana.

Tudo por conta do Corredor Leste-Oeste, obra urbana estúpida que faz-de-conta que serve aos usuários dos ônibus e faz-de-conta que alivia a cidade mergulhada no caos da imobilidade e da imundície.

É por essas e outras que, farsantes, Brasil afora, tentam juntar no mesmo saco o que é calamidade natural com calamidade política, matando famílias inteiras e soterrando os sonhos das pessoas. Uma é obra do funcionamento ou cobrança da natureza do que lhe foi tomado; a outra é descaso, irresponsabilidade pública, no caso do Recife, brutalidade prosaica, ao trucidar as palmeiras-imperiais, que, generosas, tudo dão e pedem o mínimo para viver e servir. Mangueiras, jaqueiras, oitizeiros, sapotizeiros, palmeiras, são saudades da refrescante sombra que, outrora, acariciava o cidadão recifense.

No Recife, o refrão tem sido assim: são contribuintes otários pagando a crueis sicários para fazer da vida urbana um funesto obituário.

E no Brasil contemporâneo, faltaria inspiração ao grande Gonçalves Dias para compor “A canção do exílio” com palmeiras, bosques e sabiás. Afinal, sem as palmeiras, o exílio é aqui.

Gustavo Krause foto-colunista-62608

* Autor : Gustavo Krause  –  Perfil: Professor Titular da Cadeira de Legislação Tributaria, é ex-ministro de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, no Governo Fernando Henrique, e da fazenda no Governo Itamar Franco, além de já ter ocupado diversos cargos públicos em Pernambuco, onde já foi prefeito da Capital e Governador do Estado

** Este artigo foi publicado no JC. 09/02/11. Torna-se atual. Voltam a massacrar as palmeiras e o verde do Recife. Trata-se de um ecocídio em nome da mentira que é o progresso a qualquer preço.

Movimento Cultural: Sentimentos em Poesia – Por Núbia Cavalcanti *

A POESIA DE NÚBIA…

 

sentimento coração nas mãos

Sentimentos

 

De onde vem esse imenso amor
Que minh’alma invade
E do meu ser toma conta
Como se fosse uma onda colossal
Em meio à tempestade?

 

De onde vem essa saudade
Que me deixa angustiada
Sempre que você se vai
Deixando em seu lugar um grande vazio
Que parece não ter mais fim?

 

De onde vem essa felicidade
Que surge com a tua chegada
Como se fosse um raio de sol
Iluminando e aquecendo a minha vida
E dissipando a melancolia?

 

De onde vem esse sentimento singular
Que desabrocha em meu coração
Assim como desabrocham
As flores primaveris
No limiar da primavera?

 

P.S – Poesia publicada no livro “PrimaVida, PrimaFlores, PrimAmor – Edição Especial.

 

Nubia Cavalcante

 

 

* Autora: Núbia Cavalcanti – Núbia Cavalcanti dos Santos é sanharoense, servidora pública, poetisa e contista…

Movimento Cultural: Soneto da Viagem Derradeira – Por Carlos Sinésio *

derradeira viagem ouj realidade

SONETO DA VIAGEM DERRADEIRA

 

 

Em que modal de transporte algum dia

Seguirá a tua alma rumo ao paraíso?

Saber disso, agora, pode ser preciso

Pra deixar bem pavimentada essa via

 

Viagem em dia quente ou noite fria

Precisa de muito bom planejamento

Para que qualquer reles sofrimento

Não seja capaz de tirar tua alegria

 

Pra viagem distante à Casa do Pai

Prepara o matulão, viajar você vai

Voando, a nado, flutuando ou a pé

 

Não deixe de levar boas lembranças

E como transporte bom nas andanças

Saiba que o melhor será sempre a fé.

 

 

P.S. – (Essa obra faz parte de um livro em processo de gestação)

 

Carlos-Sinésio de Araújo Cavalcante

 

 

*Autor: CARLOS SINÉSIO – Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti é pesqueirense, jornalista, escritor, contista e poeta…

PESQUEIRA: Visita da FUNDAJ Gera Expectativa para a Cidade e para o CONDOMAR *

A visita da FUNDAJ a

Pesqueira e ao CONDOMAR

 

Reunião FUNDAJ e CONDOMAR foi realizada sem público

Reunião FUNDAJ e CONDOMAR foi realizada sem público

 

Na quinta, 03 e na sexta-feira, 04, Pesqueira recebeu uma comitiva da FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco de Estudos sociais, comandada pelo sua atual presidente Fernando Freire. Acompanhavam-no 5 membros do seu staff que é composto de engenheiro, arquiteto, sociólogo e secretária.

A programação foi toda conduzida pela Prefeitura de Pesqueira que destacou o assessor – José Florêncio Neto, para essa missão, já que tinha sido  o próprio que convencera o presidente a vir à Pesqueira.
Em verdade estava implícito dentro do programa, como chamariz, uma reunião do CONDOMAR que aconteceu na sexta-feira, sem qualquer pauta de discussão. Em resumo podemos assegurar que apenas Pesqueira capitalizou em cima dessa visita.

A FUNDAJ é um ente público de pouquíssima visibilidade junto a municípios que não seja de área metropolitana. É órgão meio. Trabalha com dados e estudos e, normalmente, não opera com convênios diretamente com municípios.
Em vista desse pouco conhecimento os prefeitos dos demais municípios que compõem o Consórcio dom Mariano, vieram apenas para escutar. Por exemplo, na reunião que sucedeu nas dependências do Hotel Estação/Cruzeiro, o prefeito de Sanharó fez um convite pra que a Fundação conhecesse o distrito de Jenipapo, e o seu acervo histórico e cultural. Em seu socorro o assessor Florêncio dissertou sobre o lado histórico daquele importante distrito. Falou sobre os dois barões (Vila Bela e Buique) mas não citou que o barão de vila bela foi também Senador do Império e Presidente da Província de Pernambuco.

Padre Cazuza, prefeito de Poção, levou sua fala para descrever a sua aspiração com relação ao Emprego e Renda e que é algo que afeta sobremaneira os jovens da nossa região, em particular, ao seu município de Poção. Deixou de mencionar, por exemplo, o Turismo Religioso e a sua famosa Via Sacra. Isso sim está na abrangência do trabalho da Fundação.

Estiveram presentes os prefeitos de Pesqueira, Evandro Chacom, que preside o CONDOMAR, de Sanharó, Fernando Fernandes, de Arcoverde, Madalena Freire, de poção Padre Cazuza e de Venturosa Ernane Albuquerque. Havia representantes de mais 09 municípios, inclusive, São Bento do Uma que não integra oficialmente o citado consórcio.
Nessa reunião, Florêncio, quando abordou o assunto Jenipapo, falou também sobre a Fazenda Gravatá que pertenceu ao antigo Barão de Cimbres, a Fazenda Santa Rosa que fica entra Tacaimbó e Brejo da Madre de Deus e a Fazenda Fundão entre a Pedra e Arcoverde e que pertenceu à família do Cardeal Arcoverde.

Reunião da Fundaj na Casa Anísio Galvão, primeiro prédio de Pesqueira

Reunião da Fundaj na Casa Anísio Galvão, primeiro prédio de Pesqueira

A comitiva da FUNDAJ visitou todo o acervo cultural de Pesqueira, inclusive, a Vila de Cimbres, onde teve reunião com o povo indígena. Como último programa foi realizado uma reunião com convidados que fazem a cena cultural da cidade. Cerca de 30 pessoas estiveram presentes ao recinto da Câmara de Vereadores de Pesqueira que, de propósito, tendo em vista que o prédio é historicamente citado com a primeira casa construída na antiga vila ou termo. Além de levar o nome de um expressivo representante da cultura Pesqueirense que é jornalista e escritor Anísio Galvão.

Integrantes da cena cultural da cidade prestigiaram a reunião

Integrantes da cena cultural da cidade prestigiaram a reunião

O prefeito Evandro Chacom ressaltou a importância do encontro e disse que vislumbrava uma nova perspectiva já que a Fundação era, antes, “uma entidade eminentemente litorânea e muito elitista”. Fundada desde 1949, é detentora de um senhor acervo dos mais diversificado com ênfase aos trabalhos antropológicos de cunho social. Em suma, fazia fé de que sob a presidência de um arcoverdense, essa interiorização fosse de fato realizada.

Participantes reivindicaram ações que desenvolvam o municíipio

Participantes reivindicaram ações que desenvolvam o municíipio

Várias das pessoas presentes representavam entidades culturais e falaram das suas necessidades e dos seus anseios. Dentre esses cito o pesquisador musical Walter Jorge de Freitas que falou sobre banda de música e o trabalho que é levado pela Cruzada Feminina Galvão; Alexandre Valença, defendeu os interesses da sua entidade a Fundação Zeferino Galvão; Elizeu do Grupo Ororubá; Maria Rita pela APLA – Academia de Letras e Artes e o poeta Ademilton pela Sopoespe (Sociedade dos Poetas).

Afora o presidente da FUNDAJ que falou sobre a possibilidade da instituição fazer algum Termo de Cooperação, para a formação de Gestores Culturais, o vereador Tito França também pediu que a entidade desburocratizasse suas ações para que os projetos tivessem êxito. Algo que foi insistentemente cobrado pelo prefeito que na sua fala enfatizou sua confiança para que as ideias pudessem ser transformadas em projetos viáveis, com ganhos expressivos para a comunidade cultural e a cidade de Pesqueira.

A operadora cultural Silvana Meireles foi quem mais falou pela FUNDAJ. Demonstrou todo o seu cabedal experiência de anos de trabalho no ministério da cultura. Sua abordagem não foi apenas conceitual. Ao contrário, foi a fundo na explicação e mais ainda do que realmente será possível fazer. Projetos tais como de cinema, museu, instrumentos musicais, cursos os mais diversos e ampla divulgação, através da Massangana Mídia que integra a Fundaj.

Em síntese, foi um evento deveras proveitoso em todos os sentidos. Ficou claro, nas palavras da técnica cultural, Silvana Meireles que tem que se ABOLIR essa palavra AJUDA como forma de se conseguir algo do governo. Ao invés dessa penitência tem que se organizar para se fazer bons projetos que é isso que traz recursos para o município e impulsiona seu desenvolvimento. Os projetos requerem PARCERIAS e a FUNDAJ se dispõe a ser esse grande PARCEIRO.

Isso está implícito de que é o caminho para Pesqueira e pra todos os demais integrantes do CONDOMAR – Consórcio Municipal dom Mariano de Aguiar.

* Autor: Dom Pablito / Editor

Movimento Cultural: A Poesia – Pedacinhos de Mim – Por Núbia Cavalcanti *

…Preciso juntar os “pedacinhos de mim” / Que foram ficando pelo caminho / Enquanto eu implorava o teu amor…

 

Pedacinhos de mim

 

 

Solitária, ando pelas ruas desertas
Enquanto toda a cidade dorme
Embalada pelo sussurrar do vento
Açoitando as folhas das palmeiras
E pelo aroma suave que exala
Das flores primaveris.

 

Tudo parece tão igual
Apesar da escuridão imensa
Caindo como um véu negro e funesto
Encobrindo a tênue luz do luar
Que se recolhe lentamente
Por trás de uma nuvem escura.

 

Meus pensamentos voam para bem distante
E se perdem no imenso vazio
Da noite fria e solitária
Povoada por lembranças tristes
Que deixaram marcas profundas
Arraigadas em minha alma
Que chora em silêncio.

 

Preciso juntar os “pedacinhos de mim”
Que foram ficando pelo caminho
Enquanto eu implorava o teu amor
E tentar seguir em frente
Deixando para trás o passado
E apagando todo o amor
Que ainda vive em meu coração.

 

P.S – Poesia publicada na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos – Vol. 105

 

Nubia Cavalcante

 

 

* Autora: Núbia Cavalcanti dos Santos – É sanharoense, servidora municipal, poetisa e contista.

Movimento Cultural/Homenagem : O Amor Incondicional a Jenipapo – Por Angela Melo *

Jenipapo vista de longe

jenipapo Bandeira ou símbolo

AMOR INCONDICIONAL…

 

 

Oh! Que saudades que tenho
Do meu tempo de criança
E não me sai da lembrança
Os momentos que vivi
Entre sonhos e brincadeiras
Dificuldades e dores…
Colhi, espinhos e flores

E em meio a isso cresci.

Respirando o ar saudável

Do meu lindo vilarejo
Que hoje em dia o vejo
Envolvido de tristeza
Já não existe a beleza
Da usina, do bangalô,
Nem a casa de farinha,
Pelos negros construída
Tudo isso em minha vida
Recordo com grande dor.
Tinha a ponte de madeira,

A saudosa bulandeira

Pra se chegar ao cacimbão
O olho d’água, a goiabeira
Eram fontes verdadeiras
Que saciava o povão.
Mas, aqui ainda existe
Uma a relíquia preciosa
Uma obra valiosa
Que é o belo casarão
Peço encarecidamente
Por Deus do céu minha gente
Não deixem que a nossa história
Perca a sua tradição.
Oh! Jenipapo querido

Como eu tenho sofrido
Pra te ver valorizado
O teu hino escrevi
Graças a Deus Já ouvi
Em flauta, ele ser tocado
Só me resta esperar

Com muito amor confiar
Que tu sejas consagrado.

 

 

Angela Lucena

 

Autora: Angela Maria de Melo. É sanharoense de Jenipapo, professora, poetisa e contista. É filha do grande violeiro e repentista João Cabeleira.

História & Curiosidade : Como surgiu o Nome PERNAMBUCO *

SOBRE A ORIGEM DO NOME

“PERNAMBUCO”

 

 

Mapa da então Capitania de Pernambuco de Jan Vingboons

Mapa da então Capitania de Pernambuco de Jan Vingboons

 

 

Os livros escolares explicam o nome de Pernambuco como sendo de origem tupi, a partir da aglutinação dos termos para’nã, que quer dizer “rio grande” ou “mar”, e buka, “buraco”. Assim, Pernambuco seria um “buraco no mar”, referindo-se à abertura que existe nos arrecifes entre Olinda e o Recife (mais provável) ou ao canal de Santa Cruz, mais ao norte, próximo a Itamaracá (menos provável). Isso está documentado no poema épico de Bento Teixeira, A Prosopopeia, de 1601: “Em o meio desta obra alpestre e dura/ Uma bôca rompeu o Mar inchado/ Que na língua dos bárbaros escura/ Paranambuco, de todos é chamado./ De Parana que é Mar, Puca – rotura/ Feita com fúria dêsse Mar salgado/ Que sem no derivar cometer míngua/ Cova do Mar se chama em nossa língua”.

Uma segunda hipótese adviria também do tupi, paranãbuku, isto é, “rio comprido”, uma provável alusão ao rio das capivaras, o Capibaribe. Mapas primitivos do século XVI assinalam um tal “Rio Pernambuco” ao sul do Cabo de Santo Agostinho.

A par destas hipóteses, levantamos outra, a de que o nome provenha de Fernandbourg ou Fernandburg, isto é “fortaleza”, “vila” ou, simplesmente, “terras de Fernando”, lembrando aquele que foi o primeiro arrendatário do Brasil: Fernando de Noronha. Por corruptela, teríamos as variações Fernambouc, Fernambuc, Pernambouc, Pernambuche tão frequentes na cartografia de época. Há, inclusive, um mapa-múndi holandês de 1626, Nova Totius Terrarum Orbis Geographica ad Hydrographica Tabula, que aponta uma curiosa denominação afrancesada, Fernambois, “madeira de Fernando”.

Fernando de Noronha (ou Fernão de Loroña) era um rico comerciante português de provável origem judaica, que adotara o cristianismo nos anos de conversão forçada ao final do século XV. Em 1502, liderando um consórcio de cristãos-novos, alugou as terras recém-descobertas, com interesse na exploração do pau-brasil (conhecida como “madeira-judaica”, tamanha era a presença de israelitas em seu comércio). Entre 1503 e 1515, o grupo renovou quatro vezes o contrato de arrendamento à Coroa Portuguesa. Há até quem afirme que se cogitava estabelecer uma rota de fuga para os judeus da Europa.

Assim, quando em 1535, Duarte Coelho chegou à capitania trazendo família e multidão de colonos, os índios já haviam travado conhecimento com o consórcio judaico, inclusive constituindo mão-de-obra para a derrubada das árvores. Não seria difícil imaginá-los, portanto, fazendo referência às terras de Dom Fernão, Fernanbourg, ou “Pernambuco”, sem conseguirem pronunciar a letra “F”, que não existe no alfabeto tupi. Com este epíteto identificavam o lugar para os que ali chegassem.

O novo donatário não deve ter gostado nem um pouco da ideia de dar às suas terras o nome de outro. A depender dele, a capitania (ou pelo menos sua sede administrativa), deveria ser chamada de Nova Lusitânia. Note-se que na carta de doação do rei de Portugal, Dom João III, o nome Pernambuco sequer é mencionado. E para piorar as coisas, Fernando tinha origem judaica. Portanto, em sendo o nome “Pernambuco” um fato consumado, tratariam de encontrar uma origem tupi para o mesmo.

No excelente livro Pernambucânia, de Homero Fonseca, sobre a toponímia pernambucana, lê-se: “A nomenclatura não é neutra. Carrega em si ideologias, paradigmas, conflitos. Desnuda relações de poder. Omite ou acentua episódios da construção de um país contraditório. Exalta vencedores e esquece vencidos. Expõe preconceitos e abriga contestações”.

Se “Pernambuco” derivasse mesmo do tupi, deveria ser grafado “Paranabuca”, como aconteceu com os nomes dos estados do Pará, Paraíba, Paraná e inúmeras cidades brasileiras (Paranaguá, Paranapanema etc). Poucas vezes a deformação do original teria sido tão intensa (uma síncope do [a] central e duas metafonias, uma de [a] para [e], outra de [a] para [o]). O termo “para’nã” somente virou fernam nas terras de Fernão – seria demasiada coincidência?

Pesa, adicionalmente, em favor da nova hipótese, um mapa de Du Val, do ano de 1679, onde embora já apareçam “Olinde” e “Recif”, vê-se, mais adiante – onde hoje fica o estado de Tocantins – um lugar com o nome Tupinambouc, indicando a possibilidade de que o sufixo bouc tenha sido de fato usado para designar “terras de”, neste caso, “terras dos tupinambás”.

Para concluir, confesso que torço pela versão tupiniquim. Prefiro a tradução do “buraco do mar” à das “terras de Fernando”. É mais romântica, menos capitalista. Mais nativista, menos colonizadora. Mas investigação histórica não deve se ater a vontades. Proceda-se, então, ao debate.

PS: Para o linguista e filólogo Vicente Masip, da Universidade Federal de Pernambuco, a hipótese de o nome do nosso estado derivar de Fernandbourg é plausível, admitindo-se os metaplasmos de permuta de [f] por [p], e de [nd] por [m], neste caso, explicável pela fonética bilabial do [m], assim como a do [b] que lhe sucede, exceto pelo traço de nasalidade. A perda do [r] ao final da palavra se daria por elisão de som vibrante alveolar sonoro, dado que está ao final de sílaba e, em português informal, tende a desaparecer. Na visão do renomado linguista, a parte mais difícil de ser explicada seria a transformação do som [g], oclusivo velar sonoro, em [k], oclusivo velar surdo. Este metaplasmo, contudo, poderia ser explicado pelo sincretismo fonético do tupi com o francês, haja vista a presença maciça de gauleses na costa pernambucana nos primeiros anos do descobrimento, os quais faziam aliança com os índios para a exploração do pau-brasil.

 

Jacques Ribemboim

 

* Autor: Jacques Ribemboim

(*) É Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.

ARTIGO PUBLICADO NA FOLHA DE PERNAMBUCO – RECIFE, NOS DIAS 15 E 17/09/2013
http://jacquesribemboim.com/ultimas/

Crônica: A PA(LAVRA) – Por Padre Aírton Freire *

A PA(LAVRA)

 

“…É preciso que, por razões de planos, em suas mudanças, não venhas tu a te perder. É preciso que o coração esteja preparado e que a razão não sofra sobressaltos acerca daquilo com que não saberá lidar. Há coisas que, uma vez acontecendo, são irreversíveis…”

“Sofre as demoras de Deus, dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme, na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará, orienta bem o teu caminho e espera nele.” (Eclo 2,3-6)

Acontecimentos mudam, planos mudam também. O consentimento, nessa mudança de planos, tem lugar de destaque e com ele precisa se contar para que a uma saída plausível possa se chegar. Mudanças de planos acontecem quando se questionam possibilidades e se escolhe o que traz maiores chances de algo poder se resolver. Todavia, mudanças de planos também podem acontecer quando independem da vontade de quem não vê outra saída senão executar o que tem a fazer. Mudanças de planos acontecem na vida de alguém quando, de repente, algo lhe surge, e não se sabe devido a que ou a quem. Mudanças de planos acontecem e são semelhantes a plantas que fenecem, outras vezes, a plantas que florescem. A questão não está tanto em saber devido a que as mudanças vêm acontecendo, pois nem tudo o que ocorre pode ser compreendido. A questão está em saber o que fazer quando mudanças de planos vêm a acontecer. É preciso, então, estar preparado e colocar-se, de vez, aos divinos cuidados, para aquilo que há de vir. Pois, se não for para construir a partir do que de bom houver, o projeto por inteiro haverá de ruir.

Mudanças de planos acontecem em tua e na vida de qualquer pessoa. Independem, para isto, do teu querer, atingindo o que tenha tua maior ou menor afeição.

É preciso que, por razões de planos, em suas mudanças, não venhas tu a te perder. É preciso que o coração esteja preparado e que a razão não sofra sobressaltos acerca daquilo com que não saberá lidar. Há coisas que, uma vez acontecendo, são irreversíveis. Se mudanças de planos, em tua vida, vierem a acontecer, olha para a frente, encara a situação e guarda, de todo e qualquer passado, apenas a lição. Não sejas saudoso desta ou daquela situação. O teu presente é melhor que qualquer passado. Não te faças de rogado, pois, para ganhar, muitas vezes é preciso ter que perder. Se mudanças, em tua vida, estiverem acontecendo, guarda contigo o que estou te dizendo: não venhas tu a te perder por não saberes como lidar com o que estás a viver. Volto a repetir coisas que, antes de mim, já ouviste dizer: que não venhas tu a te perder nem pela frieza da razão nem pela tirania da paixão, mormente aquelas que acometem os corações.

Confia no Senhor. Coloca nele toda a tua esperança, e ele dará fim a toda ânsia. Se nele, na verdade, vieres a acreditar, tu verás o que o seu amor, em ti, é capaz de realizar.

Acredita no Senhor. Confia no seu amor. A misericórdia do Senhor é um abismo infinito, maior que qualquer grito, mais profundo que o mais profundo dos abismos. Confia no Senhor. Que, em seus braços, queiras tu, em definitivo, lançar-te. Do contrário, por desconfiares, perdas muitas haverás de provar. E se, de repente, fores tu surpreendido por este ou por aquele acontecimento, confia no teu Senhor e estejas preparado tanto para grandes alegrias quanto para expressões de dor, mas jamais saias de seu amor. Pede ao Senhor, tão somente, a graça de permanecer fiel ao seu amor. Confia no Senhor, e mudanças de planos perderão o impacto, não te tirando o equilíbrio que sempre precisarás manter.

 

Padre airton terço da divina Misericórdia

 

 

* Autor: Padre Airton Freire é da Fundação Terra em Arcoverde – Publicado no JC/Cidades-Religiões