Category Archives: Painel/Panorama

Movimento Cultural/Homenagem: Enéas Freire – O criador do Galo da Madrugada – Por Walter Jorge Freitas *

UM FREVO PARA ENÉAS

 

 

 

PREZADO ENÉAS A TUA PARTIDA
DESTA PARA OUTRA VIDA
FEZ O RECIFE PARAR
FIQUE SABENDO QUE A EMOÇÃO FOI TANTA
SENTI UM NÓ NA GARGANTA
E VONTADE DE CHORAR
O FOLIÃO JAMAIS TE ESQUECE
PERNAMBUCO TE AGRADECE
E O MUNDO TE APLAUDIU
É POR ISTO QUE EU SEMPRE FALO
QUEM NUNCA FREVOU NO GALO {BIS NASCEU, MAS NÃO EXISTIU

ANTÔNIO MARIA
NELSON FERREIRA E EDGARD
ORGANIZARAM UMA GRANDE FESTA
COM BELOS FREVOS
DE ANTIGOS CARNAVAIS
LUIZ BANDEIRA E O BOM SEBASTIÃO
MESTRES DE CERIMÔNIA
DA GRANDE RECEPÇÃO
ESTÃO FELIZES COM A CHEGADA
DE QUEM DEU A SUA VIDA {BIS
AO GALO DA MADRUGADA

VEM FOLIÃO, VEM PESSOAL
HOMENAGEAR ENÉAS
QUE VIVEU PRO CARNAVAL
VEM FOLIÃO, VEM PESSOAL
HOMENAGEAR ENÉAS
QUE VIVEU PRO CARNAVAL.

 

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador assíduo do OABELHUDO, cronista, poeta compositor e pesquisador musical>

Movimento Cultural/Soneto: Pecados Capitais – INVEJA – Colaboração Marco Soares *

I N V E J A

 

 

Não se pode roubar a luz do pirilampo
que cada vagalume tem a sua
Que iria um rato fazer com o brilho de outrem
se não iluminar o próprio rabo?

Assim como vitórias são de vencedores
não se pode beber da glória alheia
Se não és capaz de brilhar entre os que ascendem
contenta-te com teu triste destino.

Pois o segredo da vida se resume
em tirar alegria do que é simples
Infeliz de quem, por pura inveja,
sendo rato, sofre em não brilhar qual pirilampo.

 

 

* Autor: Nelson Padrella – Nelson Padrella (Rio de Janeiro, 1938) é um pintor, desenhista e escritor brasileiro estabelecido no Paraná.

Crônica/Protesto: A Dissolução da Nossa Banda de Música – Por Walter Jorge Freitas *

A DISSOLUÇÃO DA

NOSSA BANDA DE MÚSICA

(Banda de música maestro José Bevenuto de Pesqueira, nos seus áureos tempos…Foto:Arquivo do autor)

 

 

Li no Pesqueira em Foco, blog do amigo Geraldo Magela, uma interessante matéria sobre a visita que fez a Pesqueira, o professor Thomas Scott, da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, que veio a convite da conceituada escritora Ana Lígia Lira, cuja intenção era levá-lo a conhecer parte dos elementos que contribuem para a musicalidade de nossa gente e ver de perto as principais manifestações culturais da terra de Anísio Galvão.

No texto, a nossa conterrânea fala sobre o encontro dela e o professor com o prefeito Evandro Maciel Chacon e de sua surpresa ao saber que a banda de música de sua terra natal foi extinta.

Conta Ana Lígia que a frustração causada pela notícia ruim foi superada pelo encantamento que ela e o amigo norte-americano vivenciaram ao conhecerem a sede do Projeto Sementes do Amanhã, onde Júnior do Cavaco, Fernando Profeta e outros abnegados, ensinam música a mais de uma centena de crianças e jovens, apesar da carência de tudo, inclusive instrumentos.

Amante da música e macaco de auditório das bandas tanto quanto a conterrânea Ana, ressalto que a nossa foi vítima de um longo processo de sucateamento que durou quase três décadas.

A sua decadência foi tema de crônicas escritas pelos renomados jornalistas William Pôrto, Jurandir Carmelo, Francisco Neves e outros apaixonados pela causa. Este modesto rabiscador também escreveu algumas linhas para o Jornal do Commercio, Pesqueira Notícias, Rádio Jornal e alguns blogs, lamentando o que se passava com a banda que tanto nos encantou.

Lembro até que no seu primeiro mandato, o prefeito Evandro Chacon tentou dar um novo impulso à mesma, trazendo o músico pesqueirense Amauri Soares que havia se aposentado do Exército, para reger e formar novos músicos aqui, coisas que ele adorava e sabia fazer como poucos.
Amauri veio, deu uma arrumada na banda, melhorou o seu repertório, conseguiu fardamento novo, injetou motivação nos músicos, mas de repente, resolveu voltar à capital paraibana, sua segunda casa.

Assim, como o Dr. Evandro, os outros prefeitos também ajudaram à nossa banda. Uns mais, outros menos, mas todos colaboraram.
Ocorre que a partir dos anos de 1990, começaram a surgir questões trabalhistas e isto, a meu ver, foi a principal causa de sua ruína, pois, os administradores se descuidaram, os valores das causas foram se avolumando e o resultado é o que todos conhecemos.

Quanto aos instrumentos musicais, convém ressaltar que eles não foram leiloados por nenhum prefeito. A falta de pagamento de dívidas trabalhistas pela maioria dos gestores é que levou a Justiça do Trabalho a leiloá-los.

Por fim, lembro à estimada Ana Lígia, que municípios do porte de Pesqueira não têm mais condições de manter uma banda de música, pois agora, os músicos são admitidos mediante concurso público e percebem salários estabelecidos pelo sindicato da classe.

O que os municípios podem – e alguns já fazem – é destinar verbas no orçamento para ajudar a instituições que estejam legalizadas como sociedades, com estatutos, diretoria e tudo o que é exigido por lei específica.

 

Pesqueira, 01 de dezembro de 2014

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas  –  Walter é pesqueirense, professor, comerciante, colaborador assíduo do OABELHUDO, cronista, contista, poeta e pesquisador musical.

Brasilia: Governo faz um “agrado” aos parlamentares aumentando recursos para emendas *

Governo amplia verba de

congressista, mas condiciona

à manobra fiscal

 

No decreto, o governo eleva de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,032 bilhões a liberação de recursos, com um aumento de R$ 444 milhões para as chamadas emendas individuais.

(Parlamentares terão como contribuir com os municípios, desde que atenda à manobra fiscal do governo)

 

O Palácio do Planalto publicou nesta segunda-feira (1) um decreto ampliando os limites para a liberação de verbas indicadas por congressistas no Orçamento da União. O texto, no entanto, condiciona expressamente o novo teto à aprovação por deputados e senadores da manobra fiscal a que o governo recorreu para tentar fechar as contas deste ano.

Após uma série de derrotas imposta pela própria base aliada, o Congresso Nacional tem sessão marcada para esta terça-feira (2), quando será feita uma nova tentativa de votar o projeto de lei que autoriza o governo a descumprir a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública em 2014, o chamado superavit primário.

A presidente Dilma Rousseff se reúne no começo da noite desta segunda com líderes da base aliada na Câmara e no Senado. A petista deve fazer um apelo pela aprovação da proposta que é considerada prioridade zero para o Planalto.

No decreto, o governo eleva de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,032 bilhões a liberação de recursos, com um aumento de R$ 444 milhões para as chamadas emendas individuais.

Um dos principais capitais eleitorais dos políticos, as chamadas emendas parlamentares são usadas, geralmente, para bancar obras e investimentos nos redutos eleitorais dos congressistas.

O decreto afirma que a “a distribuição e a utilização do valor da ampliação […] ficam condicionadas à publicação da lei resultante da aprovação do PLN no 36, de 2014 – CN [número do projeto sobre a manobra fiscal], em tramitação no Congresso Nacional“.

E completa: “não aprovado o PLN de que trata o caput, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Ministério da Fazenda elaborarão novo relatório de receitas e despesas e encaminharão nova proposta de decreto”.

MANOBRA

Com as contas no vermelho, o governo enviou ao Congresso um projeto alterando a LDO permitindo ao Executivo descontar dessa espécie de poupança todo o valor gasto no ano com obras do PAC e com as desonerações tributárias.

Com a proposta do governo, a meta fiscal, hoje de ao menos R$ 81 bilhões, deixa na prática de existir, e o governo fica autorizado até mesmo a fechar o ano com as contas no vermelho.

Na semana passada, o Planalto assumiu formalmente que não cumprirá a meta de poupar R$ 80,8 bilhões para o abatimento da dívida. A nova meta de superavit é de pouco mais de R$ 10 bilhões.

O governo prepara medidas de ajuste para conter as despesas nos próximos anos. Serão propostas mudanças nas regras de seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte.

* Fonte: Folha de São Paulo/MÁRCIO FALCÃO DE BRASÍLIA

Brasilia: Armando Monteiro é anunciado oficialmente como novo ministro *

Nota Oficial

Dilma anuncia mais

um nome do novo ministério

 

(Armando Monteiro foi deputado federal e atualmente é senador pelo PTB/PE)

 

A presidenta Dilma Rousseff anuncia, nesta segunda-feira, 1º de dezembro, mais um nome do novo ministério.

O senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE) será o titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O ministro Mauro Borges está deixando a pasta.

Armando Monteiro Neto é senador pelo PTB e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A presidenta Dilma agradece a dedicação e lealdade do ministro Mauro Borges, que permanecerá no ministério até que esteja concluída a transição e a formação da nova equipe.

Secretaria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Leia também:

Crônica & Causo: Conversa de bar – Por Seu Rege *

Conversa de Bar

 

 

 

Dois amigos e conterrâneos encontram-se em um boteco:

-Há quanto tempo não nos vemos, até parece que não moramos na mesma cidade!
-Coisa de cidade grande. – Então, vamos tomar uma cerveja e por os assuntos em dia?
– Não estou mais bebendo cerveja!
-Quer dizer que não gosta mais da loirinha?
-Não é bem isso, o caso é que, velho vai constantemente ao banheiro, avalie tomando cerveja.
-Então, pede uma outra bebida e vamos falar sobre a terrinha.
-Meu amigo, por incrível que pareça, eu sou um estranho em minha própria terra.
-Não acontece só com você, comigo é a mesma coisa.
-Que tristeza! Veja que situação, temos vontade de visita-la e lá nos encontramos sozinhos.
-Você está ouvindo esta música que está tocando?
-Estou! Este bolero é bem antigo, é o que chamam de brega.
-Mas interessante como algumas músicas marcam a vida da gente, nos transportam ao passado e estão sempre associadas a um lugar, a uma pessoa.
-E como os sentimentos não mudam, a música nunca envelhece.
-Você parece que mudou!
-Eu não notei muito, mas as pessoas com quem convivo já notaram, mudei sim, não apenas na aparência como também no modo de pensar, de encarar a vida, bem o fato é que a minha cabeça mudou. Estou ficando velho e sempre lembrando o passado.
-É porque o passado não morre nunca.
-Você acredita que completei setenta anos e não lembro de ter vivido todo esse tempo? Tenho um amigo que só veio notar que estava velho quando ao entrar nos ônibus os passageiros se levantavam para lhe dar a cadeira. Somente com a velhice é que notamos como viver é difícil. As vezes pensamos que estamos fazendo o bem e estamos fazendo o mal e vice e versa. E como nos tornamos diferentes da pessoa que planejávamos ser.
-Na juventude sonhamos muito.
-É, sonhar é bom, mas não podemos viver de sonhos e qualquer que seja ele, não podemos esquecer a realidade.
-A esta altura da vida a única certeza que tenho é que não tenho certeza de nada.
-Veja quem está chegando? A quanto tempo não nos vemos? – Como diz o ditado popular: “até as pedras se encontram!”
-Peça uma cadeira, senta e diz o que vai querer beber.
-Vocês parecem que continuam os mesmos! – Que nada, mudamos muito, estávamos conversando sobre isso mesmo.
-Pela forma que estão sorrindo parece que estão em paz.
-Por que em paz?
-Porque dizem que é preciso paz para poder sorrir.
-Você continua um gozador! – Que nada, aprendi apenas que cada um compõe a sua própria estória.
-Você parece que ficou mais sábio?!
-É a velhice! Diz um ditado que o diabo é sabido, não por ser diabo, mas por ser velho.
-Você sempre foi mulherengo, já casou?
-Lá vem a velha conversa. Estou sem ninguém.
-Como você namorou bastante, resta o consolo de ter tentado acertar.
-Somente tive paixão! Devia ter continuado porque afirmam que o amor começa quando a paixão acaba.
-Também sei que a paixão pode levar ao amor como também ao ódio.
-Finalmente, com tanto namoro, o que você procurava?
-Ora, encontrar uma mulher sem defeito.
-É o mesmo que procurar chifre na cabeça de cavalo.
-E aquela morena, boazuda que você dizia gostar tanto?
-Deu um adeus e foi embora. – Talvez seja por este motivo que afirmam que os melhores casos de amos foram aqueles que nunca tivemos.
-Mas você está com saudade? Dizem que saudade é vontade de ver de novo. Parece que gostaria de ver a morena outra vez?
-Bem que gostaria, mas pra que ficar tentando juntar pedacinhos do amor que se acabou, nada mais vai colá-lo.
-Ao meu ver o amor é uma coisa singular. Você pode perguntar a uma pessoa: você gosta de comer feijão? Você gosta de viajar? E ela responder: mais ou menos. Porém quando se trata de amos, você não pode responder assim. Ou gosta ou não gosta.
-Bem, ninguém pode dar aquilo que não tem. E também arriscar o que não pode perder.
-Esta conversa está ficando muito filosófica.
-É a vida amigo, nunca deixamos de filosofar, todavia esta não está parecendo uma conversa de bar.
-É verdade, ainda não falamos palavrões nem contamos anedotas. – Mas a conversa está apenas começando e vai continuar. – Por falar em anedota, vocês conhecem aquela de Eva conversando com a cobra?

-Um momento! Antes de começar vamos pedir uma nova rodada porque os copos já estão vazios. Garçom, por favor uma nova rodada.

Exiba tio regi.jpg na apresentação de slides

* Autor: Seu Rege – Reginaldo Maciel é pesqueirense, economista, colaborador do OABELHUDO, cronista, contista e contador de causos…

Brasil: Custo da Eleição 2014 foi de quase 5 bilhões *

 

 

Custo de R$ 5 bilhões faz

campanha bater recorde

 

Eleições de 2014 foram as mais caras da história da democracia brasileira

 

Quase 60% dos gastos foram realizados por candidatos de apenas três partidos políticos, PT, PSDB e PMDB

 

 

 

A campanha eleitoral deste ano, a mais cara da história da democracia brasileira, teve um custo total de quase R$ 5 bilhões, dos quais 60% foram gastos por candidatos de apenas três partidos.

As candidaturas do PT, PSDB e PMDB totalizaram despesas de R$ 2,9 bilhões, que se concentraram sobretudo em serviços de publicidade e produção de materiais impressos e dos programas do horário eleitoral.

A conclusão é de levantamento da Folha com base nas prestações finais de contas fornecidas pelas campanhas eleitorais ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A análise considerou as despesas de todos os candidatos, diretórios e comitês, tanto vencedores como derrotados, que concorreram para todos os cargos que tiveram disputa neste ano.

Com o valor total gasto na campanha, de R$ 4,92 bilhões, seria possível construir cerca de 76 mil moradias populares do programa Minha Casa, Minha Vida e quase quatro estádios similares ao Itaquerão, na zona leste da capital paulista.

Em 2010, foram disputadas duas vagas no Senado em cada Estado, o dobro de 2014. Mesmo assim, o custo da campanha eleitoral deste ano foi maior: superou em 2% o total gasto na corrida passada, quando foram investidos R$ 4,83 bilhões, valor corrigido pela inflação do período.

A disputa eleitoral que teve a maior quantia de gastos foi ao cargo de deputado estadual (1,2 bilhão), da qual participaram 17 mil candidatos. Na sequência, as que tiveram mais despesas foram para os cargos de governador (R$ 1,1 bilhão) e de deputado federal (R$ 1 bilhão).

Os gastos em publicidade representaram metade do total investido pelos candidatos na disputa eleitoral deste ano, seguidos por despesas com pagamento de pessoal e com custos de transporte.

DOADORES

Como em campanhas passadas, as grandes empresas foram as maiores financiadoras da disputa eleitoral deste ano. As dez maiores doadoras abasteceram as candidaturas com R$ 1 bilhão, ou seja, financiando um quinto do total de gastos feitos nas eleições.

A campeã foi a JBS, dona do frigorífico Friboi. A empresa, que despontou no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a maior indústria de carnes do mundo, tornou-se a maior financiadora da campanha eleitoral deste ano, com um investimento de R$ 391 milhões.

Na sequência, tiveram destaque o grupo Odebrecht, que controla uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, com R$ 111 milhões, e o Bradesco, que doou R$ 100 milhões aos partidos.

O predomínio de grandes corporações no financiamento de campanhas eleitorais é um dos temas que o governo gostaria de incluir no debate sobre reforma política que promete abrir no próximo ano.

O STF (Supremo Tribunal Federal) julga desde o final do ano passado pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para que seja declarado inconstitucional o financiamento por empresas.

Seis ministros do STF já se manifestaram favoráveis ao veto das contribuições, entre eles o atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), José Dias Toffoli.

A votação já foi interrompida por dois pedidos de vista: um do ministro Teori Zavascki, único que votou contra a proibição, e outro do ministro Gilmar Mendes, que já sinalizou posição também contrária, mas que ainda não declarou o seu voto.

O Congresso Nacional, que é contra a mudança das regras por meio da STF, tem vários projetos sobre o assunto em tramitação atualmente.

Em evento na última quinta-feira (27), o presidente do TSE ressaltou que o Legislativo deve ser o foro para a reforma política e que o Judiciário deve ter a menor interferência possível nos ajustes do atual sistema político.

* Fonte: Folha de São Paulo/GABRIELA TERENZI/RAYANNE AZEVEDO DE SÃO PAULO

Escândalo da Petrobrás: Funcionários “morrem” de vergonha do que vem acontecendo *

 

Investigações constrangem

funcionários da Petrobras

 

 

 

“Para onde vamos?, perguntou o motorista do táxi no Rio. “Para a Petrobras”, respondeu o funcionário de carreira da estatal. “Você está roubando lá também?”, devolveu o condutor, com ironia.

O diálogo causou tamanha indignação que o passageiro pediu que a corrida fosse interrompida imediatamente. A história circula nos corredores da sede da estatal.

O passageiro não é identificado, e não se sabe se o episódio ocorreu exatamente como os funcionários dizem. Mas a história se transformou num símbolo do desgaste sofrido pela empresa desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava Jato.

Trata-se do maior escândalo vivido pela companhia e seus 86 mil funcionários. Para muitos, sobretudo os mais velhos, o orgulho de trabalhar para a empresa deu lugar para o constrangimento.

Há poucos dias, auditores recolheram os telefones celulares da presidente da estatal, Graça Foster, e dos demais integrantes da cúpula da empresa para copiar todo o conteúdo dos aparelhos, incluindo arquivos pessoais.

A ordem era não apagar nada antes de entregar o telefone. “Vão se divertir com os meus vídeos”, disse à Folha um gerente que diz ter cumprido a determinação.

Os auditores confortaram os mais preocupados com sua privacidade dizendo que o sistema que varre o conteúdo dos aparelhos usa palavras-chave para evitar mensagens de caráter íntimo.

Amigos dizem que Graça Foster se fechou desde o início do escândalo e age como se não confiasse em ninguém.Ela determinou que contratos sejam analisados com lupa para evitar novos desvios e autorizou circular interna proibindo que todos os papéis, anotações, documentos e arquivos fossem destruídos.

Auxiliares, porém, dizem que ela está abatida, e citam um episódio de 2012 para ilustrar a relação atávica que Graça tem com a companhia. Lembram que, naquele ano, ela chorou ao anunciar prejuízo no balanço da empresa.

Neste ano, depois que o ex-colega de diretoria Paulo Roberto Costa foi preso e as investigações começaram a revelar a extensão do esquema de corrupção na estatal, Graça voltou a ficar com a voz embargada ao depor à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o caso.

“Quando a gente lê sobre operações criminosas, nós ficamos muito envergonhados só com as suspeitas”, disse ela com os olhos marejados.

VERGONHA

Como costumava dizer o ex-diretor Guilherme Estrella, um veterano que se aposentou recentemente, a Petrobras era como um país e seu crachá, um passaporte para um Brasil que dava certo. Até pouco tempo atrás, os funcionários da estatal ostentavam com orgulho o crachá no pescoço.

Agora, porém, trabalhadores de diversos escalões dizem que, quando passam pela catraca do edifício-sede da empresa no Rio, jogam logo a credencial na bolsa ou no bolso antes de sair para a rua.

Um funcionário da empresa conta que um colega recentemente passou vergonha ao se candidatar a síndico do condomínio em que mora no Rio. Foi cortado da lista de postulantes ao cargo assim que os demais condôminos descobriram que trabalhava para a Petrobras, ele conta.

* Fonte: Folha de São Paulo/Poder – NATUZA NERY DE BRASÍLIA

Movimento Cultural/Soneto: Certeza – Por Djanira Silva *

(Djanira Silva)

CERTEZA

 

Lágrimas secas de poeira e sal
Transformam tua vida em elegia
O tempo que constrói a alegria
Destrói também o sonho e o ideal

 

Ao terminar a vida, é tudo igual
É tudo igual até chegar o dia
Quando terás teu nome em pedra fria
Escrito apenas com poeira e cal

 

E toda a vã matéria acabará
O tempo pouco a pouco apagará
Um nome escrito em letras garrafais

Apenas restará clara e visível
A marca indelével, imperecível
Da frase impessoal – descanse em paz!

 

 

* Autora: Djanira Silva – Djanira do Rêgo Barros Silva é pesqueirense, poetisa, cronista, contista, escritora e membro efetiva daAPLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes. Está no seu 12º livro publicado. (OABELHUDO) O mais recente SAUDADE PRESA, será lançado em sua terra natal, por ocasião da 1ª Bianel do Livro que ocorrerá nos de 09 a 13 de dezembro.

Movimento Cultural/Cordel: Como os desejos se realizam – Por Edmilton Torres *

Como os desejos se realizam

(Baseado na lenda “Os três Cedros”)

 

I
Conta uma antiga lenda
Que numa floresta havia
Três Cedros exuberantes
Que viviam em harmonia
Compartilhando os desejos
Que cada um possuía

II
Em floresta libanesa
Essas árvores nasceram
E durante suas vidas
Muitos fatos conheceram
Vendo o mundo evoluir
Séculos ali viveram

III
O desejo da primeira
Seria ser transformada
No trono de um grande rei
Para poder ser lembrada
Como símbolo de poder
E sempre ser venerada

IV
A segunda revelou
O seu desejo também
Não tinha ideia precisa
Mas desejava, porém
Que fosse algo que um dia
Transformasse o Mal em Bem

V
A terceira por seu lado
Revelou desejos seus
De se transformar em algo
Que até mesmo os ateus
Quando para ela olhassem
Pudessem pensar em Deus

VI
Algum tempo de passou
E vieram os lenhadores
Os Cedros foram cortados
E por mãos de estivadores
Em navios embarcaram
Comprados por mercadores

VII
Cada um tinha um desejo
Desde a mais tenra idade
Mas seus sonhos se chocaram
Com a dura realidade
Cada Cedro foi usado
Pra outra finalidade

VIII
O primeiro foi usado
Numa simples construção
Para abrigo de animais
E cochos para ração
Também para apoiar feno
Pra sua alimentação

IX
A segunda das três árvores
Em mesa foi transformada
Sem comprador, a terceira,
Foi finalmente cortada
Ficando numa cidade
Muito tempo armazenada

X
Os Cedros eram felizes
Mas lamentavam a sorte
Suas madeiras tão nobres
De consistência tão forte
Não puderam ser usadas
Em algo de melhor porte
Como os desejos se realizam
Autor: Edmilton Torres
(Continuação)

XI
Tempos depois um casal
Em uma noite estrelada
Procurando por refúgio
Do estábulo fez pousada
A mulher estava grávida
Dando à luz na madrugada

XII
E assim depois do parto
O bebê foi colocado
Entre o feno e a madeira
Que servia de estrado
E assim o Cedro teve
Seu sonho realizado

XIII
Agora sua madeira
Madeira nobre, de lei,
Havia se transformado
No trono de um grande Rei
E ela pensou feliz
Lembrada sempre serei

XIV
Anos mais tarde alguns homens
Numa mesa se sentaram
Mas antes que eles comessem
Umas palavras trocaram
Falando de Pão e Vinho
E a Deus glorificaram

XV
O segundo Cedro então
Nesse instante percebeu
Que o seu grande desejo
Finalmente aconteceu
Foi por aquela aliança
Que o Bem, o Mal venceu

XVI
Porém no dia seguinte
Num depósito de madeira
Fizeram uma grande cruz
Com pedaços da terceira
Que depois seria usada
De forma bem traiçoeira

XVII
Aquele homem da Ceia
Que só pregava bondade
E fez aquela aliança
Entre o homem e a divindade
Carregou a cruz nos ombros
Pelas ruas da cidade

XVIII
Horas depois em um monte
Na cruz ele foi cravado
Sem um julgamento justo
Ali foi crucificado
Deixando o terceiro Cedro
Bem triste e horrorizado

XIX
Porém antes de três dias
Daquela barbaridade
O Cedro compreendeu
Pra sua felicidade
A aliança formada
Entre o homem e a divindade

XX
A cruz da sua madeira
Foi, de forma transitória
Instrumento de tortura
Para sinal de vitória
Realizando o seu sonho
E lhe cobrindo de glória

Como os desejos se realizam

XXI
Assim, os Cedros do Líbano
Finalmente festejaram
Pois viram que se cumpriu
O destino que almejaram
Embora não se cumprindo
Da forma que imaginaram

* Autor: Edmilton Torres –Edmilton Bezerra Torres é pesqueirense, poeta, cordelista, colaborador do OABELHUDO, cronista, contista e acadêmico da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e  Artes.