Category Archives: Personalidades

Hoje na História: Teotônio Vilela – O Pregador das Liberdades * –

Teotônio Vilela

Menestrel de Alagoas 

Morreu ouvindo o cantar do canário…

(Teotônio Vilela, então senador, com lideranças do PMDB. Na foto Marcos Freire e Jarbas Vasconcelos que faziam parte do grupo dos Autênticos)

 

O rompimento com a Arena ocorrera pouco antes, quando foi presidente da Comissão Mista que apreciou o projeto da anistia, enviado pelo Presidente João Figueiredo ao Congresso. Teotônio foi acusado de buscar as manchetes, com as visitas a presos políticos que promovia. Já na Oposição, esteve ao lado de trabalhadores nas greves do ABC paulista, e percorreu a região do Araguaia, estudando os conflitos de terra”.

 

As janelas do quarto estavam abertas e o canário que pertenceu à sua mulher, Helena, novamente cantava. Foi neste cenário que morreu no fim da tarde o ex-Senador Teotônio Vilela, 67 anos, de câncer, após três dias de inconsciência. A vontade de morrer em Maceió, pedido feito à família, foi cumprida.

O pregador das liberdades

De vaqueiro a liberal, assim foi a trajetória de Teotônio Vilela. Filho de usineiro, dono de boiada, deputado pela antiga UDN e boêmio até quando a cirrose permitiu, Teotônio, depois de ter apoiado o Golpe de 1964, deu dignidade à dissidência, ao transformar-se na voz solitária que, na extinta Arena, pregava a volta à democracia. A partir daí, abriu caminho para a Oposição, que o recebeu como senador e o fez vice-presidente nacional do PMDB. Por vontade paterna, ele, que era um dois oito filhos do usineiro alagoano Elias Vilela, teria sido militar. Depois de cursar o Colégio Nóbrega, em Recife, foi despachado do engenho da família, em Viçosa, para o Colégio Militar do Rio. Desligado de lá, por responder a um tenente, que o advertia por estar usando um chapéu de jornal na formatura da companhia, Teotônio, que provava o gosto da boemia carioca, voltou para Viçosa. Comprou uma boiada e se descobriu. Acompanhou vaqueiros nas feiras de Sergipe e Bahia, passou noites em conversas ao redor da fogueira e lançou-se com todo vigor na peleja das vaquejadas.

Teotônio Vilela, por Chico Caruso. Reprodução

Casado com Dona Helena – que faleceu quase dois anos antes de sua morte – teve sete filhos: José Aprígio, Teotônio Filho, Elias, Rosana, Helena, Fernanda e Janice. A admiração por Carlos Lacerda e pelo Brigadeiro Eduardo Gomes o levou para a UDN, pelas mãos do sogro, Quintela Cavalcanti. Lacerda não entendia como um vaqueiro pudesse demonstrar intimidade tão grande com os clássicos. Desconhecia que Teotônio era um devorador dos autores ingleses e alemães, que abarrotavam a biblioteca herdada do sogro.

A carreira parlamentar começoue em 1954, com a eleição para a Assembléia Legislativa alagoana. Vice-Governador de Luis Cavalcanti em 1962. Chegaria a Brasília quatro anos depois, ao derrotar Silvestre Péricles na disputa pelo Senado. Signatário do documento de parlamentares da Arena ao Presidente Costa e Silva, de protesto contra a decretação do AI-5, recolheu-se a um silêncio prudente e atravessou o Governo Médici. Quando o General Ernesto Geisel assumiu a presidência,em 1974, inaugurando a distensão política, sentiu-se à vontade para iniciar a crítica do regime autoritário.

Leia a Íntegra:

27 de novembro de 1983: Teotônio Vilela morre ouvindo pássaro cantar

* Fonte: CPDocJB

Um Homem de sucesso; Samuel Klein/Casas Bahia – “Riqueza do pobre é o nome” *

 

 

Morre Samuel Klein,

o rei do carnê

 

Grande sacada do empresário foi entender como conceder crédito para a população de baixa renda

Divulgação
(Samuel Klein nasceu na Polônia, passou por dois campos de concentração da II Guerra Mundial e chegou ao Brasil em 1952)

 

 

Samuel Klein dizia que pagava bem e não pisava em ninguém. Certa vez, numa entrevista anos atrás, comentou que não queria ser “da elite”, porque a elite só compra de vez em quando, “e pobre compra sempre”. Em 2003, disse para uma apresentadora de TV que, quando começou a trabalhar, nos anos 50, “comprava por 100 e vendia por 200” – uma das frases mais associadas à ele e, para alguns, um dos pilares da estratégia da maior rede de eletroeletrônicos do país, a Casas Bahia. Em fase mais recente, Samuel disse que “quem tem sócio, tem patrão” – frase que anos atrás voltou a ganhar notoriedade após a conturbada fusão de sua rede com o Grupo Pão de Açúcar (GPA). “Sempre ganhei dinheiro sozinho […]. Quero trabalhar até os 120 anos.”

Samuel Klein, o homem que “inventou” o crediário no Brasil, morreu na madrugada de ontem aos 91 anos, de insuficiência respiratória, após 15 dias internado no Hospital Albert Einstein em São Paulo. Ele foi uma das personalidades mais marcantes do varejo brasileiro – e não só pela simplicidade no trato, jeito espontâneo ou carisma (grandes comerciantes têm, naturalmente, essas características). Samuel percebeu antes que pobre gosta de bons produtos e não se importa em pagá-los em 24 vezes – a juros de mercado – em parcelas (quase) a preço de banana.

Ele e seus filhos Michael e Saul montaram uma estrutura de primeira linha, da porta da loja (na relação de confiança que vendedores criavam com os consumidores) ao fundo do estabelecimento, onde ficava a área de pagamento de carnês, estrategicamente localizada para forçar o cliente a passear pelos produtos antes. O layout dos pontos sempre foi simples, para dar a sensação de local espartano, que vende barato porque gasta pouco. As letras garrafais da frase “é só até amanhã”, ainda hoje usada na comunicação da marca, nasceu na Casas Bahia de Samuel Klein.

Para empresários do varejo, a grande sacada de Samuel foi entender como conceder crédito para a população de baixa renda e como ganhar muito dinheiro com isso. Os analistas dizem que, mais do que uma rede de lojas, a Casas Bahia transformou-se, ao longo do tempo, em um banco com uma carteira de crédito de R$ 4,5 bilhões em 2009 e, dizem, até 30 milhões de clientes ativos. Em 2004, negociou parceria com o Bradesco, que se tornou financeira da rede – o que lhe rendeu soma estimada na época em R$ 500 milhões.

Numa operação deste tamanho, era tão difícil saber do empresário a taxa de juros que a rede cobrava ao mês (sempre na média de mercado, na faixa de 5% a 6% hoje), quanto era complicado descobrir a taxa de inadimplência da rede. Quando surgiam comentários no mercado sobre problemas de caixa na empresa, e dívidas em crescimento, como em 1999, Samuel negava. Dizia que pagava tudo o que devia.

Várias lendas surgiram em torno dele ao longo dos anos, como a de que perdoava débitos atrasados de clientes, porque consumidor perdoado volta a comprar na loja. Se isso acontecia, não era, necessariamente, um perdão descompromissado. “Riqueza do pobre é o nome”, dizia. “A gente precisa entender que ninguém consegue nada trabalhando com rico, porque ricos têm poucos e pobres têm muitos. Tem que dançar conforme toca a música. Se você vende para um trabalhador e ele fica desempregado, não tem como pagar a prestação, nós o convidamos para vir fazer algum acordo. Tratamos o cliente bem e depois nós vendemos de novo para ele”, afirmou Klein certa vez numa entrevista.

Leia a Íntegra:

http://www.valor.com.br/compartilhar1/do?share=empresas%2F3787802%2Fmorre-samuel-klein-o-rei-do-carne&ajax=1

 

* Fonte: Valor Econômico/Por Adriana Mattos | De São Paulo

Nobel da Paz: O Mundo está mais Justo e mais Nobre *

 

 

Paquistanesa e indiano

ganham o Nobel da Paz 2014

 

A ativista adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, de 17 anos de idade.

 

(Foto: Luke MacGregor/Reuters A ativista adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, de 17 anos de idade.)

A ativista adolescente paquistanesa Malala Yousafzai e o presidente da Marcha Global contra o Trabalho Infantil, o indiano Kailash Satyarthi, ganharam o Nobel da Paz 2014, informou nesta sexta-feira o Comitê Nobel da Noruega.

O prêmio foi concedido pelo Comitê “por sua luta contra a repressão das crianças e dos jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”.

Nos países mais pobres do mundo, 60% da população é menor de 25 anos, lembrou o júri para afirmar que o respeito aos direitos das crianças e dos jovens é “um pré-requisito para um desenvolvimento global em paz”.

No caso de Kailash Satyarthi, o Comitê destacou seu “grande valor pessoal” que, “na tradição de Gandhi”, o levou a liderar protestos e manifestações, todas pacíficas, para denunciar a exploração infantil.

“Contribuiu além disso para o desenvolvimento de grandes convenções internacionais dos direitos das crianças”, ressaltou, ao argumentar a concessão do Nobel da Paz.

No caso de Malala Yousafzay, que já aparecia como uma das favoritas para ganhar o prêmio em 2013, o Comitê ressaltou que, “apesar de sua juventude, já lutou por vários anos pelo direito das meninas à educação e mostrou com seu exemplo que crianças e jovens também podem contribuir para melhorar a sua própria situação”.

“Ela fez isso nas mais perigosas circunstâncias. Através de sua luta heroica, se transformou em uma porta-voz e líder a favor do direito das meninas à educação“, acrescentou o júri.

Ao premiar um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa, o Comitê também apostou em uma “luta conjunta a favor da educação e contra os extremismos”.

Também foi lembrada a importância do trabalho de todas as pessoas e organizações que atuam contra a exploração infantil. Segundo os números divulgados, é estimado que haja cerca de 168 milhões de crianças que trabalham no mundo, 78 milhões a menos que no ano 2000.

Nascido em 1954 em Vidisha, na Índia, país onde ainda reside, Kailash Satyarthi (foto) é presidente da ONG Marcha Global contra o Trabalho Infantil. Liderou em 1998 uma mobilização civil contra o exploração infantil que reuniu cerca de 7,2 milhões de pessoas e que deu lugar ao nascimento da ONG.

A paquistanesa Malala Yousafzay, nascida em 1997, em Mingora, ficou gravemente ferida há dois anos quando o ônibus escolar em que era transportada foi atacado. Foi transferida para o Reino Unido devido ao temor por sua segurança e foi submetida a várias intervenções.

Malala se tornou nos dois últimos anos um ícone da luta pelos direitos das meninas à educação e foi escolhida em 2013 pela revista Time uma das pessoas mais influentes do mundo.

* Fonte: MSN/Notícias

Crônica/Homenagem; Jorge Baptista da Silva – A morte de um visionário *

 

 

 

JORGE BAPTISTA DA SILVA

Seu Jorge do BANORTE – O banqueiro visionário

 

 

Foto: Jornal do Commercio

 

 

A primeira vez que vi Seu Jorge Baptista da Silva, que faleceu nesta terça-feira 30 de setembro, foi no elevador do Edifício Antônio Barbosa, quando fui ali “fazer um bico” de redator para a assessoria de imprensa do Banorte, dirigida por Isaltino Bezerra. Por um acaso subi no elevador logo com o presidente do banco. Naquele tempo era comum o banco contratar redatores freelances para trabalhos específicos e fora indicado por Ivanildo Sampaio, hoje meu diretor de Redação no JC.

 A morte de um visionário

O curioso é que seu Jorge chegava e saia da sede do Banorte, na Avenida Dantas Barreto, sem seguranças, dando “bom dia” e “boa tarde”, normalmente acompanhado de um diretor da instituição. Vim a saber depois que o seu acompanhante era Nelson da Matta, que mais tarde seria presidente do BNH, depois de ter sido presidente da Abecip.

Nessa época o Recife rodava seus bancos na Rua da Palma, da Concórdia, Marques do Recife e até na Nossa Senhora do Livramento. E era fácil falar com o pessoal da diretoria e checar informação de mercado financeiro na fonte. Sim, de vez em quando a gente “filava uma boia” no Restaurante Leite paga por um diretor do Banorte.

Escrevi, sob o comando de Isaltino Bezerra, a história dos 40 anos do Banorte e a história dos 50, dez anos depois, e acompanhei o drama da intervenção e da complicada negociação como Banco Bandeirantes que, a bem da verdade, era quem deveria ter sido incorporado pelo Banorte.

A diferença de tecnologia embarcada na década de 80 no Banorte e o nível intelectual de seus diretores era tão grande que certo dia perguntei a um diretor do banco porque estava acontecendo aquilo. Não fazia sentido. O Bandeirantes era um amontoado de computadores em São Paulo, tinha um time de gestores que estavam aquém do tipo de negócio que o Banorte praticava no Nordeste. Deu no que deu e o Bandeirante também foi para o espaço.

Mas a história do Banorte e seu pessoal top de RH ficou e está espalhada pelo Brasil até hoje. O que a gente encontra de diretor, presidente e empresário que foi “cria” do Banorte é impressionante. O modelo de negócio e o nível de gestão do Banorte e o do Bompreço, na época de seu João Carlos Paes Mendonça, ainda hoje é referência do setor de gestão de pessoal. Daí o choque com a intervenção.

E o que unia todo esse pessoal? A figura de Seu Jorge. Ele foi, certamente, o primeiro empresário de grande porte que usou a figura do Conselho de Administração para definir políticas e estratégia de negócios bancários. Ele costumava dizer em tom de brincadeira que não era banqueiro era engenheiro. Aliás, engenheiro têxtil formado na Inglaterra. E que tinha virado dono de banco devido às circunstâncias, daí apostar sempre na competência dos seus executivos. Ele estimulava seus gestores e a dirigentes de suas empresas a dirigirem entidades e associações.

Mas sempre era apresentado como “o presidente do Conselho de Administração”, ou seja, o acionista que definia estratégia. O operacional era com a equipe que ele confiava e dava poder de mando. Hoje isso é moderno, mas Seu Jorge praticou isso aqui na década de 80. O que explica a vanguarda que o Banorte sempre teve.

O que explica também sua presença, por três mandatos, no Conselho Monetário Nacional, que na época era presidido por ninguém menos que Mário Henrique Simonsen.

Tem mais: na condição de uma dos Delaer’s, os 12 bancos que definiam as taxas de mercado, ele acabou interlocutor privilegiado com o pessoal do Banco Central. Dezenas de dirigentes do BC vieram ao Recife fazer apresentações sobre o cenário macroeconômico para diretores do banco sem que nós da Imprensa soubéssemos que os caras estavam aqui.

Outra coisa que Seu Jorge gostava era que sua propaganda fosse a mais moderna possível. Claro que Mario Leão Ramos, o mago que criou a Abaeté e inventou uma série de ações, ajudava. Mas o que dizer do Banorte. Um amigo na praça? Certa vez, a agência criou um desses anúncios que ficam como o que marcou inauguração da agência do banco no Mercado de São José. Numa página inteira de jornal, uma foto da agência ao lado do cinema Glória dizia apenas: Na praça do mercado, surge um novo amigo: BANORTE.

Se a gente for falar da contribuição do Banorte a publicidade dá um terabytes. E vai ver gente como Luiz Gonzaga, Quinteto Violado, Banda de Pau Corda. Assim como da contribuição do banco para as artes plásticas. De Francisco Brennand a José Claudio passando por Abelardo da Hora e Cavani Rosas.

Seu Jorge também percebeu que na concentração de bancos que o governo estava fazendo com o Proer haveria pouco espaço para os chamados banco regionais. Disse isso a seus diretores quando o banco fez 50 anos, em 1992, depois de uma festa de gala no Teatro Guararapes.

Mas aí veio a intervenção e depois a liquidação e, anos depois, a liberação de todos os ativos da instituição que estavam indisponíveis por força da intervenção e sem problemas com a Justiça. O tempo passou, a marca Banorte saiu do mercado, mas a mística do banqueiro visionário ficou. E a bem da verdade ficou a imagem do banco nordestino que financiava a produção e o negócio. Que chegava junto com dinheiro. Talvez porque a ordem do dono fosse fazer jus ao slogan que adotara como marketing: Um amigo na praça.

* Fonte/Autor: Fernando Castilho/Jornalista colunista do JC

Sanharó/Homenagem: Morre o Sanharoense Severino xique-xique… *

 

SANHARÓ DE LUTO

Acabamos de ser informados de  que faleceu em Guarulhos-SP, o sanharoense SEVERINO AQUINO MONTEIRO. Popularmente conhecido por Severino Xique-xique notabilizou-se como um defensor intransigente dos valores da nossa Sanharó. Mesmo morando tão longe por mais de 50 anos, nunca esqueceu seu torrão natal. Esteve aqui há dois anos…Veio pra o enterro do irmão Fabiano e ficou quase um ano, só voltou apulso…

Orador nato, adorava fazer uso desse expediente. Que o diga o nosso padre Nilson (Jose Gomes de Melo) das tantas vezes que ele bobeava e “xique-xique” já estava com a palavra…

É uma perda lamentável sob todos os aspectos. Severino ajudou muitos conterrâneos que o procuravam lá nas “terras do sul”…Tinha muito orgulho da sua raiz e principalmente por ser filho do estimado casal – Maria Pacífica e Ernesto Monteiro.

O blog OABELHUDO, através de Leonides Caraciolo o homenageou em crônica postada em 17 de novembro de 2010. (leia abaixo). A revista Veja cita-o em edição de 1976, quando disputou a prefeitura de Guarulhos e fazia campanha montado num jegue. O jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, presta uma singela homenagem quando o retrata como a Personalidade do Mês – Personagem do mês  –  Severino Xique-Xique, um pernambucano arretado à serviço de Guarulhos.

Aos familiares e amigos nossas condolências e o desejo de que Deus, na sua infinita bondade, conforte a todos.

 

 

 

SEVERINO AQUINO MONTEIRO

ou SEVERINO XIQUE-XIQUE.

 

 



Ernesto Monteiro, casado com Maria Pacifica, filha de Clara Pacifica Leite e de Joaquim Francisco de Assis Aquino (Pai Joaquim) deixou a sucessão:
Rafael, Pacífica, Inês, Anunciada, Ermano, Alzira, Francisco, Judite, Severino, apelidado de Severino Xique-Xique, Fabiano, Paulo e José Monteiro.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/Severino de Aquino Monteiro –

Por Leonides de Oliveira Caraciolo. (Postado em 17 de novembro de 2010)

SEVERINO XIQUE-XIQUE

Luiz de Salvo Neto (Titico) em uma reportagem no Jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos-SP, escreve:
“O ex-subdelegado do Trabalho de Guarulhos, Severino Xique-Xique, que do alto dos seus 86 anos ainda mantém intacta a sua lucidez, como também conserva seu espírito patriótico e amor ao povo brasileiro, com um carinho especial aos seus irmãos nordestinos. Como se diz no Nordeste, é um cabra arretado, ou seja, firme, disposto e pau pra toda obra.
Praticamente não existe uma só pessoa em Guarulhos que não conheça, nunca viu ou pelo menos nunca ouviu falar em Severino Xique-Xique. Figura folclórica, principalmente quando foi candidato a prefeito e saía montado em seu jegue pelas ruas da cidade, Severino é uma das pessoas mais respeitada pelo seu carisma e por ter sido por muitos anos subdelegado do Trabalho em Guarulhos.

Na Subdelegacia do Trabalho, Severino faz questão de ressaltar: “Minha assinatura está no registro profissional de muitas pessoas influentes na cidade. Sempre procurei respeitar o trabalhador, que é quem movimenta este País. Sofri muito na minha vida e sei como é difícil conseguir alguma coisa. Sou do tempo do pau de arara, foi como vim para São Paulo, e dói saber que muitos nordestinos ainda fazem esta jornada”.

Política – Fã incondicional de Getúlio Vargas – “foi o maior brasileiro que este País já teve”, diz – Severino é categórico: “Se houvesse realmente democracia plena, não teríamos tantos escândalos, como colocar dinheiro na cueca. A verdadeira democracia vai aparecer quando o trabalhador for maioria nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional”.

Casado e pai de sete filhos homens (todos “cabras machos”), Severino Aquino Monteiro ou simplesmente “Xique-Xique”, como gosta de ser chamado, nasceu em 16 de março de 1924 na pequena cidade de Sanharó, no interior pernambucano. Veio para São Paulo e se instalou em Guarulhos.
Trabalhou por 17 anos na Subdelegacia do Trabalho (12 anos como subdelegado e cinco respondendo pelo expediente) e atualmente está aposentado.
Hoje, aos 86 anos de idade e mesmo doente (está com Mal de Parkinson e Alzheimer), Severino Xique-Xique continua percorrendo as ruas de Guarulhos, parando a todo instante para conversar. O calor das pessoas, com sua honestidade e simplicidade, faz bem para a alma… É um homem calejado, folclórico, mas um amigo para todas as horas”.

Severino Xique-Xique, para os paulistas de Guarulhos.

REVISTA VEJA.

Na Edição n° 0415 de 18 de agosto de 1976, páginas 20 e 21, no texto referente a matéria de Capa, lê-se:

“Em Guarulhos, cidade de 400.000 habitantes e 150.000 eleitores, Severino “Xique-Xique”, segue à risca as instruções do seu padroeiro e fala numa linguagem impressionante. ”Cabra que ouviu falar de Lampião, Maria Bonita Chumbinho e Doroteu; que já tomou banho no Rio São Francisco, no Pajeú de fulo e no Capibaribe; sabendo o que é uma baraúna, um pé de angico e que já comeu pirão no dedo da mãe tirado de alguidar de barro, não vai deixar de pensar em Severino”. Reza ele à sua plateia. Aos 52 anos, com seu 1,80 de altura, Severino se transformou no mais popular dos seis candidato a prefeitura de Guarulhos. Com as amizades que fez na Delegacia Regional do Trabalho, onde tem um emprego, ele conhece palmo a palmo o operariado local,  gaba-se de ter conseguido, nos últimos três meses, empregos ou pelo menos indicações de empregos para uns 11.000 desempregados, quase todos nordestinos como ele.

Leonides Caraciolo.

Fotos de Cláudio Omena (Jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos)

Homenagem: Instituto Maximiano Campos – IMC e Eduardo Campos *

 

HOMENAGEM A

EDUARDO CAMPOS

 

 

 

 

* Fonte: IMC

 

 

 

Brasil/História: “Deixo a vida para entrar na História” – 60 anos da morte de Getúlio Vargas *

 

 

 

Suicídio do ex-presidente

Getúlio Vargas completa 60 anos

 

Presidente Getúlio Dornelles Vargas no Palácio do Catete (RJ). Deixou a vida e entrou na História

Presidente Getúlio Dornelles Vargas no Palácio do Catete (RJ). Deixou a vida e entrou na História

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(Getúlio Vargas. Foto oficial e com o seu ministro da guerra – Eurico Gaspar Dutra que viria a ser, também, Presidente do Brasil)
 

“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. A frase, uma das mais célebres passagens da história política brasileira, encerra a carta-testamento deixada por Getúlio Vargas. Há 60 anos, no dia 24 de agosto de 1954, o então presidente tirou a própria vida em meio à pior crise enfrentada em seus anos de atuação política.

Uma reunião com os ministros no Palácio do Catete varou a madrugada e decidiu que Getúlio se afastaria do governo por três meses para dar lugar ao vice, Café Filho. Após o fim da discussão, já com o dia claro, o político se recolheu ao seu aposento. Por volta das 8h35, o barulho de um tiro ecoou pelo palácio. Seu filho Lutero correu para o quarto, seguido pela esposa de Vargas, Darcy, e a filha Alzira.

“Getúlio estava deitado, com meio corpo para fora da cama. No pijama listrado, em um buraco chamuscado de pólvora um pouco abaixo e à direita do monograma GV, bem à altura do coração, borbulhava uma mancha vermelha de sangue. O revólver Colt calibre 32, com cabo de madrepérola, estava caído próximo à sua mão direita”.  É assim que o biógrafo Lira Neto descreve o cenário da morte de Vargas no terceiro volume da série Getúlio.

A carta-testamento de Getúlio Vargas, que seria lida durante aquele dia pelas rádios em todo o território nacional, foi encontrada em um envelope, encostada ao abajur da mesinha da cabeceira da cama do então presidente. Nos apontamentos do biógrafo, o texto, originalmente esboçado por Getúlio, teve sua versão final passada na máquina de escrever pelas mãos de um amigo, José Soares Maciel Filho, já que o ex-presidente não sabia datilografar. O rascunho da carta havia sido encontrado no dia 13 de agosto pelo major-aviador Hernani Fittipaldi, um dos ajudantes de ordem de Getúlio, enquanto arrumava a mesa do presidente.

Assustado com o conteúdo do manuscrito, ele entregou o papel à Alzira, que questionou o pai. “Não é o que estás pensando, minha filha. Não te preocupes, foi um desabafo”, se esquivou Vargas. Essa porém não foi a primeira vez que Getúlio fez menção ao suicídio. Em suas anotações pessoais, ele já havia cogitado tirar a vida em outros momentos de sua jornada política.

A primeira delas foi quando chegou ao poder em 1930. Naquela data, enquanto se encaminhava para a sede do governo, se disse disposto a não retornar com vida ao Rio Grande do Sul caso não obtivesse sucesso na empreitada. Era a primeira anotação pessoal que fazia no diário que carregou para o resto da vida. Lira Neto considera que a diferença em 1954 é que Getúlio se viu encurralado e não conseguiu contornar a crise, como das outras vezes.

Depois de chegar ao poder na liderança do movimento que ficou conhecido como Revolução de 1930, o político gaúcho Getúlio Dornelles Vargas exerceu o governo no país de forma ininterrupta até 1945. De 1930 a 1934 ele foi chefe do governo provisório. Em 1934 foi eleito presidente da República pela Assembleia Nacional Constituinte e exerceu o Governo Constitucional até 1937, quando, por meio de um golpe, instaurou a ditadura do Estado Novo, que durou até 1945. Retirado do comando do país por um golpe militar, se recolheu à cidade natal, São Borja (RS), de onde articulou a volta ao poder pela via democrática nas eleições presidenciais de 1950, cujo mandato não conseguiu completar.

* Fonte; AEB/Leandro Melito – Repórter do Portal EBC

Artigo/Opinião: APAGA-SE MAIS UMA ESTRELA *

 

 

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

APAGA-SE MAIS UMA ESTRELA

 

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

 

O imprevisível ronda o planeta da política. Quando menos se espera, chega devastador, trazendo consigo o poder de gerar perplexidade, assustar, causar comoção. Poder que se expande às alturas quando o ator é um candidato ao posto mais alto da nação, esbanjando jovialidade, vitalidade, dinamismo, confiança, e desaparece de cena vitimado por uma tragédia aérea.

A morte de Eduardo Campos, no fatídico 13 de agosto – a mesma data em que faleceu seu avô Miguel Arraes, em 2005 –, é um forte golpe na fisionomia política brasileira, eis que o perfil do ex-governador, estruturado sobre uma sólida, coerente e vitoriosa carreira pública, reunia potencial para puxar o cordão de mudanças no processo político nos próximos anos.

Um quadro da geração pós-64 (nasceu em 1965), alimentava um sonho, confessado a este escriba há cerca de dois anos, em Comandatuba, na Bahia, por ocasião de um evento reunindo empresários e políticos.

Dizia: “Meu sonho é reunir a geração pós-64 (chegou a citar alguns nomes de grupos e partidos diferentes), fazer uma grande aliança e tomar as rédeas do país, deixando os nossos mais velhos, que já deram sua cota de sacrifício, descansando com sua aposentadoria”. O tom da conversa, incisivo, não deixava dúvidas. Campos achava viável agrupar os representantes de sua geração, compor um formidável programa de mudanças, realizar um pacto com o sistema produtivo e incentivar o ingresso dos jovens na política.

A mudança dos costumes políticos tinha de vir de baixo, pela via da formação da juventude, e não por decreto. Ele mesmo, em Pernambuco, diferentemente da escola de seu avô, implantara uma metodologia de gestão voltada para resultados e promovendo, segundo ele, “revolucionária” política educacional. Parecia comprometido com um diferenciado modus faciendi na administração pública.

O fato de ter procurado Marina Silva para compor sua chapa, na condição de candidata a vice-presidente da República, revela a inclinação por perfis inovadores, mesmo sabendo que o escopo da sustentabilidade, defendido com vigor pela ex-senadora, constitui um cardápio pouco palatável ao gosto das massas. A parceria construída expressava avanço e coerência. Ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, essa semente haveria de frutificar, na onda da conscientização sobre o planeta sustentável.

Dito isso, vem a interrogação: e agora, o que acontecerá com a moldura eleitoral, saindo o terceiro grande competidor do pleito presidencial?

A morte de Eduardo Campos mexe com o ânimo de múltiplas plateias, inclusive a que não o admirava.

Resta, ao final, a impressão de que o país perde uma das alavancas de sua modernização institucional. E, assim, a campanha mais contundente de nossa contemporaneidade perde um dos seus três maiores guerreiros.

O fato é que, se quiser preservar parte do seu legado, o PSB terá de pedir a Marina que segure a onda e torne viável a terceira via. Qualquer outro caminho será mais estreito.

 

gaudencio torquato jornalista

 

* Autor; Gaudêncio Torquato – Jornalista – Artigo publicado originalmente no jornal O Tempo,de Belo Horizonte.

Artigo/Opinião: Carta Aberta de Antonio Campos

 (LANÇANDO MARINA SILVA)

 

Os irmãos Antonio e Eduardo Campos

Os irmãos Antonio e Eduardo Campos

 

 

carta aberta Ant Campos

Editorial: Eduardo Campos *

 

EDUARDO CAMPOS 

 

 

Morte do candidato do PSB retira da campanha presidencial um dos maiores fatores de renovação do cenário eleitoral brasileiro

Morte do candidato do PSB retira da campanha presidencial um dos maiores fatores de renovação do cenário eleitoral brasileiro

 

“O lastro de herdeiro de Arraes não o impediu de procurar caminhos próprios na cena pernambucana do mesmo modo que, ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, percebeu que suas perspectivas seriam limitadas caso seu partido, o PSB, se mantivesse por mais tempo à sombra do situacionismo petista.”

Na violência cega de um acidente aéreo, perdeu-se uma das personalidades mais promissoras da vida política nacional.

Aos 49 anos, Eduardo Campos vinha de uma bem avaliada gestão no governo de Pernambuco para representar, na disputa à Presidência da República, o difícil e estimulante papel de alternativa à tradicional polarização entre petistas e tucanos no plano federal.

Seu perfil o habilitava de forma singular para esse desafio, embora a própria campanha –tragicamente interrompida– tivesse ainda de desenhá-lo com mais nitidez.

Neto, por parte de mãe, do mitológico líder esquerdista Miguel Arraes, de quem foi secretário da Fazenda nos anos 1990, Campos tinha, pelo lado paterno, ligações com os setores mais conservadores da política local.

O lastro de herdeiro de Arraes não o impediu de procurar caminhos próprios na cena pernambucana do mesmo modo que, ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, percebeu que suas perspectivas seriam limitadas caso seu partido, o PSB, se mantivesse por mais tempo à sombra do situacionismo petista.

Escorado nos altos índices de crescimento econômico obtidos em seu período como governador, bem como numa visão administrativa sem ranços ideológicos, Campos procurou aproximar-se do empresariado, adiantando-se em relação ao mineiro Aécio Neves (PSDB) na disputa pelo campo de oposição à presidente Dilma Rousseff (PT).

Ao mesmo tempo, sua candidatura buscava desvincular-se de uma imagem excessivamente industrialista, dada a presença de Marina Silva como vice.

Para a postulação de Eduardo Campos confluíam tendências diversas, capazes de consolidar seu nome como fator de inovação diante dos dilemas nos quais se tem debatido a política brasileira nas últimas décadas. Capazes também, todavia, de minar a própria coerência interna de sua campanha e de um eventual governo.

A tragédia de ontem –que vitimou outras seis pessoas– impõe, naturalmente, uma dor e um choque sem limites a familiares e amigos do candidato. Pai de cinco filhos, um dos quais nascido há pouco mais de seis meses, Campos aparentava possuir, mesmo para o grande público, os sinais inconfundíveis do bom humor, da disposição e da felicidade pessoal.

Na política, ficam irrespondidas as perguntas sobre seu futuro e sobre a forma final que assumiria a candidatura pessebista no espectro ideológico.

O próprio PSB, agora, colocado ante a escolha de Marina Silva, que soa óbvia, e a de um nome mais ligado à cúpula do partido, terá de haver-se com encruzilhadas e definições que a hábil empatia de Eduardo Campos provavelmente lhe permitia postergar.

* Fonte: Editorial da Folha de São Paulo