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Movimento Cultural/Crônica: Dia da Música. Vamos Comemorar? – Por Walter Jorge Freitas *

VAMOS COMEMORAR?

 

 

(João Nogueira e Paulo César Pinheiro – Súplica. –  …Venha a mim, óh, música
Vem no ar/Ouve de onde estás a minha súplica/Que eu bem sei talvez não seja a única/Venha a mim, oh, música
Vem secar do povo as lágrimas/Que todos já so…..frem de……mais/E ajuda o mundo a viver em paz)

 

 

No dia 22 de novembro, no Brasil, comemora-se O DIA DA MÚSICA. Na mesma data, presta-se homenagem à protetora dos músicos – Santa Cecília.

Segundo os entendidos, a música é a arte de combinar os sons. Isto, se feito com harmonia, resulta em composições melódicas. Muitas delas são acrescidas de letras, fato que permite que as mesmas ganhem mais admiradores, principalmente se transmitirem mensagens de amor.

Tenho a impressão de que 99,9% dos habitantes do nosso Planeta gostam de música. Não é por acaso quer as pessoas românticas relacionam suas relações amorosas com uma canção.
Atualmente, os pediatras já recomendam que os pais coloquem um aparelho de som com o volume bem baixinho no quarto do recém-nascido. O grande filósofo grego Aristóteles sugeriu que a música fosse ensinada às crianças, por ela ter grande influência na formação do caráter.

Por sua vez, o eminente pensador chinês Confúcio, disse o seguinte: “Se alguém desejar saber se um reino é bem ou mal governado, se sua moral é boa ou má, examine a qualidade de sua música que obterá a resposta”.

É de Dorival Caymmi, compositor baiano, o samba cuja letra diz: “Quem não gosta de samba/bom sujeito não é/ ou é ruim da cabeça/ou doente do pé”.

O exímio instrumentista e compositor paraibano Sivuca, em brilhante participação numa homenagem aos cem anos de Pixinguinha, falou: “Não existe música velha, nem nova. Existe música boa e música ruim. A ruim, o povo esquece rapidamente e a boa, é eterna e sempre lembrada”.

Há poucos dias, encontrei esta frase em algum lugar: “A música é o amor à procura de uma voz”. Infelizmente, ainda não sei quem é o seu autor.
Assim, aqui e acolá, encontramos opiniões ou palpites de quem gosta de música.

Eu por exemplo, sou arriado os quatro pneus por música. Mas confesso que sou meio exigente, mesmo sem entender muito da arte. Mas, de uma forma ou de outra, devemos aproveitar a data e procurar escutar uma boa composição, seja cantada ou apenas instrumental, pois só assim, tornaremos o nosso dia mais agradável.

Devemos, portanto, render nossas homenagens aos autores, intérpretes, arranjadores, instrumentistas e, ao mesmo tempo, agradecer às emissoras de rádio que ainda se preocupam em dedicar parte de sua programação à música de boa qualidade.

Pesqueira, 22 de novembro de 2014

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas. Walter é pesqueirense, professor, comerciante, colaborador assíduo do OABELHUDO, cronista poeta e pesquisador musical

Crônica/Cultura Viva: Cais do Sertão – Por Carlos Sinésio * (Exclusivo para oabelhudo)

Cais do Sertão:

beleza e riqueza cultural do interior

 

 

 

 

 

O Museu Cais do Sertão, no Recife Antigo (Cais do Porto), é um lugar único e mágico, onde o imaginário popular nos leva a viajar pelo coração do Nordeste. Sua beleza e sua riqueza cultural encantam qualquer pessoa que tenha sensibilidade suficiente para valorizar e admirar a rica cultura nordestina.

No último sábado à tarde, voltamos ao lugar para novamente apreciarmos um pouco mais a nossa cultura interiorana de Pernambuco, tão parecida com a de todo o semi-árido do Nordeste. Afinal, uma ida apenas ao local pode ser pouco para quem quer conhecer melhor, apreciar ou reviver mais algumas tradições da região.

Quem não foi ainda ao Cais do Sertão, inaugurado em abril deste ano pelo então governador Eduardo Campos, deve se programar para apreciar bastante algumas das melhores tradições do nosso povo. O museu está instalado no antigo Armazém 10 do porto, tem cerca de 2 mil m2 de área em dois pisos. Nele foram investidos R$ 97 milhões do Ministério da Cultura e do Governo de Pernambuco.

O espaço conta com uma exposição sobre o Rio São Francisco (um pequeno rio com peixes de verdade simboliza o Velho Chico). Também dispõe de estúdios de gravação e salas para quem quer se arriscar no Karaokê. Há oficinas de instrumentos musicais (há sanfona, zabumba, triângulo, violão, etc) para quem quiser fazer um som, além de discografia e parte da obra do Rei do Baião Luiz Gonzaga.

Um dos diferenciais do espaço cultural é uma sala de exibição de vídeos, onde, sentados em tamboretes de madeira, os visitantes assistem filmes sobre a vida dos sertanejos. A sala é coisa de cinema, diferente de tudo que existe por aqui nessa área. Também uma réplica de uma moradia de taipa com seus utensílios tradicionais (candeeiros, panelas de barro, fogão a lenha e a decoração característica da área rural) chama a atenção.

Para acompanhar os visitantes, um grupo de monitores bilíngues está à disposição sempre. Os ingressos custam R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia para estudantes). Nas terças-feiras, o museu é aberto gratuitamente das 14h às 21h. Nas segundas-feiras, o Cais do Sertão fecha para manutenção. Outras informações, é só acessar o face (caisdosertao) ou ligar (81) 3089-2974.

* Autor: Por Carlos Sinésio,  –  Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti é pesqueirense, jornalista, colaborador ocasional do OABELHUDO, poeta, e escritor.

Movimento Cultural/Homenagem: Cartola – Por Walter Jorge de Freitas *

CARTOLA

 

Cordas de aço –

O compositor, cantor e instrumentista Angenor de Oliveira, nasceu no bairro do Catete – Rio de Janeiro, no dia 11/10/1908. Tinha oito anos de idade quando sua família se mudou para as Laranjeiras. Aos onze, passou a viver no morro da Mangueira.

Aprendeu a tocar cavaquinho com o pai e ainda menino, já animava festas de rua. Terminou o curso primário com quinze anos, depois de passar por várias escolas. Com a morte de sua mãe, deixou a escola e a família e iniciou a sua vida de boêmio.
Trabalhou em várias tipografias e depois virou pedreiro. Por usar um chapéu para evitar que o cimento sujasse a sua cabeça, ganhou o apelido de Cartola.

Fundou em 1925 com Carlos Cachaça (seu mais constante parceiro) e alguns amigos, o Bloco dos Arengueiros. A fusão desse bloco com outros em atividade no morro, resultou na fundação em 28 de abril de 1928, da Estação Primeira de Mangueira, escola de samba que seria a segunda do Rio de Janeiro, cujo nome e cores foram sugeridos por ele. O samba Chega de Demanda, que compôs messe mesmo ano, foi escolhido para o primeiro desfile da escola.

Em 1931 vendeu os direitos de gravação do samba Que Infeliz Sorte a Mário Reis, que nem chegou a gravá-lo, cabendo a Francisco Alves a sua gravação. O mesmo Francisco Alves comprou mais alguns sambas seus.

Em 1941, fundou com Paulo Portela e Heitor dos Prazeres o Conjunto Carioca que durante um mês, fez apresentações em São Paulo. Nessa mesma época sumiu, só sendo redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema, onde à noite, trabalhava como vigia de edifícios.

O cronista levou-o a cantar na Rádio Mayrink Veiga. Conseguiu também um emprego no jornal Diário Carioca.
A partir de 1961, passou a viver com Eusébia Silva do Nascimento – Zica – com quem casou mais tarde. Sua casa tornou-se um ponto de encontro de sambistas. Em 1964, ele e Zica resolveram abrir o restaurante Zicartola, que além de oferecer boas comidas, tinha a presença constante dos maiores representantes do samba de morro.

Apesar da boa qualidade de suas músicas, só em 1974, perto de completar 66 anos, conseguiu gravar o seu primeiro LP – Cartola – na etiqueta Marcos Pereira, disco que lhe rendeu vários prêmios. Em 1976, veio o seu segundo LP, também chamado Cartola, no qual incluiu As Rosas Não Falam uma de suas mais famosas criações. Em 1977, a Rede Globo dedicou-lhe um programa com o nome Brasil Especial. Em 1978, fez o seu primeiro show individual.

Em 1979, lançou seu quarto LP- Cartola 70 anos -, época em que descobriu que estava com câncer, doença que lhe tiraria a vida em 30 de novembro de 1980.

Seus maiores sucessos foram As Rosas não Falam, Tive Sim, Alvorada, O Mundo é um Moinho, Peito Vazio, Divina Dama e Acontece.
Elton Medeiros, um de seus parceiros, em depoimento ao programa Sarau, disse que certo dia, um crítico duvidou que fosse deles, um samba que cantaram em um bar. Lá mesmo, a título de desafio, eles compuseram em 40 minutos, o samba O Sol Nascerá, que não só serviu para provar a capacidade deles como autores e parceiros, como também alcançou enorme sucesso.

 

Pesqueira, 11 de outubro de 2010.

* Autor: Walter Jorge de Freitas

Movimento Cultural/Recife: O IRB está entre os 25, Mais Importantes do Mundo *

 

 

INSTITUTO RICARDO BRENNAND

IRB, ENTRE OS MAIS IMPORTANTES

MUSEUS DO MUNDO

 

 

Na sua página da Internet de ontem, o jornal “O Estado de S. Paulo” anuncia o INSTITUTO RICARDO BRENNAND (Recife) entre os melhores museus de todo mundo, segundo avaliação dos leitores e usuários do site TripAdvisor:

Brasil tem dois museus entre os 25 melhores do mundo; veja ranking

INSTITUTO RICARDO BRENNAND e o INHOTIM foram bem avaliados pelos usuários do site TripAdvisor

Dois museus brasileiros estão entre os 25 melhores do mundo segundo um prêmio do site de viagens TripAdvisor. O Instituto Ricardo Brennand, no Recife, ficou em 17º lugar, enquanto Inhotim, em Minas Gerais, ficou na 23° posição. O instituto recifense está acima do Louvre, em Paris, um dos mais famosos do mundo, que atingiu a 19°posição. O Art Institute of Chicago garantiu o 1° lugar mundial.

O Travelers’ Choice Museus 2014, que reconhece os melhores museus do mundo de acordo com a opinião dos 280 milhões de usuários mensais do site, será anunciado globalmente nesta terça-feira, 16. No total, 509 museus foram classificados.
TripAdvisor/Divulgação:

Instituto Ricardo Brennand é um dos melhores museus do mundo

Na América do Sul, o Instituto Ricardo Brennand e Inhotim ficaram em 1° e 2° lugar, respectivamente, superando os resultados de 2013. No ano passado, a instituição mineira aparecia apenas em 3° lugar, atrás do Museu do Ouro, em Bogotá, e do Museu Larco, em Lima. O Instituto Ricardo Brennand nem constava nos melhores do continente. Entre os dez melhores, ainda aparece o Museu da Língua Portuguesa em 4°, a Pinacoteca de São Paulo em 7°, o Museu do Futebol em 9° e o Catavento em 10°.

A cidade de São Paulo teve cinco representantes entre os top 10 brasileiros.

Veja os rankings:

MUNDO

1) Art Institute of Chicago (Chicago, Estados Unidos)
2) Museo Nacional de Antropologia (Cidade do México, México)
3) State Hermitage Museum and Winter Palace (São Petesburgo, Rússia)
4) The Getty Center (Los Angeles, Estado Unidos)
5) Galleria dell’Accademia (Florença, Itália)
6) Musée d’Orsay (Paris, França)
7) The Metropolitan Museum of Art (Nova York, Estados Unidos)
8) The Acropolis Museum (Atenas, Grécia)
9) Museo Nacional del Prado (Madri, Espanha)
10) Yad Vashem Holocaust Memorial (Jerusalém, Israel)
11) The National WWII Museum (Nova Orleans, Estados Unidos)
12) National Gallery (Londres, Inglaterra)
13) Vasa Museum (Estocolmo, Suécia)
14) National Gallery of Art (Washington, Estados Unidos)
15) British Museum (Londres, Inglaterra)
16) Hagia Sophia Museum (Istambul, Turquia)
17) INSTITUTO RICARDO BRENNAND (RECIFE)
18) Galleria Borghese (Roma, Itália)
19) Musée du Louvre (Paris, França)
20) The Rijksmuseum – National Museum (Amsterdã, Holanda)
21) Smithsonian National Air and Space Museum (Washington, Estados Unidos)
22) The Museum of Qin Terracotta Warriors and Horses (Xi’an, China)
23) Inhotim (Brumadinho, Brasil)
24) Museum of New Zealand – Te Papa Tongarewa (Wellington, Nova Zelândia)
25) Museo del Oro (Bogotá, Colômbia)

BRASIL

1) Instituto Ricardo Brennand (Recife)
2) Inhotim (Brumadinho)
3) Museu da Língua Portuguesa (São Paulo)
4) Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo)
5) Museu do Futebol (São Paulo)
6) Museu Imperial (Petrópolis)
7) Catavento Cultural (São Paulo)
8) Museu de Ciências e Tecnoligia da PUCRS (Porto Alegre)
9) Museu da Gente Sergipana (Aracaju)
10) Museu da TAM (São Carlos)

 

* Fonte: Estadão/Por Mônica Reolom – O Estado de S. Paulo 16 Setembro 2014 | 07h 00

Pernambuco/Homenagem: Mestre Camarão – Patrimônio Vivo. O Homem e seu Instrumento *

mestre

Camarão:

67 anos de sanfona

Apelido, dado pelo músico Jacinto Silva, vem das buchechas rosadas do músico, considerado Patrimônio Vivo de Pernambuco

 

 

mestre camarao 2 c sanfonamestre camarao 5 tocando sanfona

Ele nasceu na véspera de São João, 23 de junho. E parece até que este é o motivo de sua estrela abrilhantar o período junino. Acordeonista de primeira, a sua geração deixou uma marca pronfunda na música popular brasileira, mostrou para o Brasil, e para o mundo, a simplicidade complexa do forró. Nascido em Fazendo Velha, no município de Brejo da Madre de Deus, Agreste pernambucano, seu nome é Reginaldo Alves Ferreira, mas as pessoas o conhecem como Mestre Camarão.

Foi observando o pai, Antônio Neto, que Camarão aprendeu o ofício. Desde menino, seu interesse sempre foi pela sanfona e outros instrumentos de fole. Porém, houve um período em tocou teclado, e uma de suas bandas desta fase foi a Los Marines, com quem chegou a gravar um disco. “Naquela época, tocávamos muito em bailes, tanto no interior, como nas capitais”, conta o sanfoneiro.

Entretanto, o marco dessa história foi aos 18 anos, quando conheceu Luiz Gonzaga. “Eu trabalhava na Rádio Jornal do Commércio, em Caruaru, e ele me ouviu tocando com uma banda de metais. Já admirava-o mesmo antes de conhecê-lo, e por estarmos no mesmo meio a amizade fluiu mais facilmente”, lembra Camarão.

O homem: Reginaldo Alves Ferreira - O artista Mestre Camarão

O homem: Reginaldo Alves Ferreira – O artista Mestre Camarão

Apadrinhado pelo Inventor do Nordesteo sanfoneiro conta que o rei do Baião colocava os músicos que ele achava promissores “embaixo da asa” e que a sombra de Luiz Gonzaga é tão grande e forte que até hoje as festas usam o nome dele.

Em 1961, a convite do prefeito de Brasília, Paulo de Tarso, Camarão e mestre Vitalino representaram Pernambuco no aniversário do Distrito Federal. No período, fizeram uma turnê pelas cidades satélites da capital federal. O mestre sanfoneiro conta que, durante a viagem, o engraçado era a reação das pessoas que estavam a tanto tempo longe de casa, que sentiam como se fossem vizinhos dos representantes do seu Estado de origem.

mestre Camarao 4 mensagem

 

 

Escute as músicas do mestre

https://soundcloud.com/salatieldecamarao

Contemporâneo de Dominguinhos, Arlindo dos 8 baixos e outros grandes acordeonistas, Camarão toca de tudo com sua sanfona: xote, xaxado, baião, forró. E, por quê não, frevo? E, mantém, na frente de casa, a Escola Acordeão de Ouro – para os sanfoneiros que querem aprimorar sua técnica. Ele já perdeu as contas dos músicos que passaram por lá. Dentre eles, está Cezzinha.

“Fui criado ouvindo os discos dele, que sempre incluiu os metais e o frevo em seu repertório. Eu tive a honra de ser amigo, conviver e estudar com ele. Ele é muito importante para sanfona e ainda tem muito o que ensinar”, fala Cezzinha sobre o mestre.

Outro aluno aplicado é seu filho Salatiel, que é cantor. Pai e filho já tiveram a oportunidade de se apresentar juntos inúmeras vezes. Sobre o filho, Camarão conta que “É um dos maiores batalhadores que conheço. Baterista, cantor, aluno”.

Ele lembra com saudosismo da vez que viu o filho se apresentar no restaurante Arriégua, localizado na Zona Oeste do Recife: “Gravamos um disco juntos, com a participação de vários artistas forrozeiros. Mas eu acho que ele tem mesmo é futuro como professor, ele é um estudioso. Gosta de saber a origem dos instrumentos e dos ritmos”.

Durante a conversa com o Portal LeiaJá, o acordeonista mostrou estar indignado com a falta de organização da classe e do egoísmo de muitos músicos, que não ajudam os mais novos ou menos conhecidos. “O que falta nos dias atuais é vontade de ensinar e de aprender com os antigos, de se aprimorar”, lamenta o mestre.

Patrimônio Vivo de Pernambuco

Em maio de 2002, Camarão recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, através da Lei estadual n° 12.196.

Acervo do mestre Camarão. Cada instrumento um tanto da sua trajetória

Acervo do mestre Camarão. Cada instrumento um tanto da sua trajetória

* Fonte: LeiaJá/portal

Movimento Cultural/Ensaio biográfico: O Historiador Luís Wilson de Sá Ferraz ** – Por Pedro Salviano *

LUÍS WILSON DE SÁ FERRAZ

O Historiador

 

A foto da formatura do Dr. Luís Wilson, em 1940, no Recife. Especializou-se em oftalmologia.

A foto da formatura do Dr. Luís Wilson, em 1940, no Recife. Especializou-se em oftalmologia.

 

 

Em 2017 acontecerá o centenário de nascimento de Luís Wilson de Sá Ferraz. Ele foi um pesquisador incansável e deixou um legado de muitos registros históricos para a nossa região, hoje base fundamental para pesquisas.
           
Filho do legendário Manuel (Noé) Nunes Ferraz, figura pitoresca, destacando-se como fazedor de frases de efeito que espalhava pelos seus negócios, despertando a admiração dos fregueses e visitantes.
           
Boa parte dos 70 anos que viveu, Luís Wilson os dedicou a uma apaixonante pesquisa histórica da região, documentada nos seus muitos e importantes livros:
Minha Cidade, Minha Saudade” (1972),
Vila Bela – Os Pereira e Outras Histórias” (1974),
Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos” (3 volumes, 1978),
 “Ararobá, Lendária e Eterna – Notas para a História de Pesqueira” (1980),
Município de Arcoverde, cronologia e outras notas” (1982),
Roteiro de Velhos Cantadores e Poetas Populares do Sertão, Estado de Pernambuco” (1985) e
Anísio Galvão e Outras Notas para a História de Pesqueira” (1986).
Foto no Diário de Pernambuco (dia 26 de outubro de 1978, secção C, pág.1), por ocasião do lançamento do 3o. volume do "Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos".

Foto no Diário de Pernambuco (dia 26 de outubro de 1978, secção C, pág.1), por ocasião do lançamento do 3o. volume do “Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos”.

 

Manuel (Noé) Nunes Ferraz, figura popular de Arcoverde, pai do Dr. Luís Wilson.

Manuel (Noé) Nunes Ferraz, figura popular de Arcoverde, pai do Dr. Luís Wilson.

Encontramos raras fotos do Luís Wilson. A primeira apareceu nesta coluna em 2011: http://goo.gl/Bs4gCt. As imagens mostradas nesta matéria foram gentilmente obtidas junto ao seu irmão Dr. Cleomadson Ferraz (com 87 anos de idade e residindo em Recife, em junho 2014).
           
Diferentemente de Noé Nunes Ferraz, a quem Arcoverde prestou devidas homenagens comnome de rua http://goo.gl/2fte5a, restaurante do SESC com o nome Restaurante seu Noé http://goo.gl/xnHvF9 (reinaugurado em julho de 2012)  e nome de escola http://goo.gl/WJ7KzQ ehttp://goo.gl/92WvWo, o seu filho Luís Wilson, tem em Arcoverde, apenas a denominação do praticamente desconhecido “Campus Universitário historiador Luís Wilson de Sá Ferraz”, da AESA – Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde,  homenagem da Prefeitura e Câmara Municipalhttp://goo.gl/WyH7ZY. Já a Prefeitura e Câmara Municipal de Pesqueira o homenagearam com a Rua Historiador Luiz Wilson de Sá Ferraz, no Bairro Pedra Redonda, enquanto em Recife o Centro de Estudos de História Municipal da F.I.A.M., em 22 de maio de 1992, colocou-o na galeria dos historiadoreshttp://goo.gl/YxHZAr. Em 29 de novembro de 1989, através da Lei 15.298, ele recebia outra homenagem póstuma com o Posto de Saúde Deputado Luís Wilson, também em Recife.
           
Em 1992, cinco anos após sua morte, 34 pessoas colaboraram para a escrita da sua biografia, num livro organizado por José Otávio Cavalcanti, intitulado “Luís Wilson. Uma biografia”.
           
Da matéria “Luís Wilson. Um personagem”, deste livro e também do mencionado José Otávio destacamos alguns textos:
            
«…Seu falecimento ocorrido em 7 de dezembro de 1987, foi profundamente lamentado por toda a sociedade pernambucana. especialmente no meio intelectual, por ter fartamente enriquecido com um sem número de contribuições. (…) Luís Wilson nasceu em 18 de agosto de 1917, em Vila Bela, antiga denominação da atual cidade de Serra Talhada. Esse era o nome da montanha cortada a prumo, pertencente ao sistema da Borborema, à margem direita do Rio do
Feiticeiro (o Rio Pajeú) e da velha fazenda do português Agostinho Nunes de Magalhães, origem daquela tradicional cidade.
           
Seus pais Manuel Nunes Ferraz e Maria Licor Pereira Ferraz mudaram-se para Arcoverde, então conhecida pelo nome de Rio Branco, fazendo-se acompanhar dos filhos, inclusive Luís Wilson.
Dr. Luís Wilson, sua mãe Maria Licor Pereira Ferraz e o primo Benedito Ferraz (falecido há 2 anos).

Dr. Luís Wilson, sua mãe Maria Licor Pereira Ferraz e o primo Benedito Ferraz (falecido há 2 anos).

O velho Manuel Nunes Ferraz instalou a princípio, a Padaria Confiança, e posteriormente, o Bar e Sorveteria Confiança. O bar tinha uma feição original, com as paredes cheias de frases engraçadas, o que aliado ao espirito comunicativo do dono, sempre tendo uma rápida e espirituosa solução para qualquer problema, tornou-o figura popular na cidade e circunvizinhanças, ficando conhecido pelo apelido de “Seu” Noé. (…)           
A verve era muita, porém escassa a pecúnia. Aquele tipo de comércio numa longínqua cidade do interior, e sobretudo. numa tão remota época, era de precária rentabilidade. Nessas condições, a formação letiva e profissional de Luís Wilson foi muito custosa para as modestas posses dos pais; conta-se que numa de suas férias escolares, sua mãe, D. Licor, temendo a descontinuidade dos estudos do filho, desfez-se de um dos poucos e pequenos imóveis que possuía.
           
Em seguida à sua alfabetização, foi para o Colégio Diocesano de D. José Antônio de Oliveira Lopes, 1° Bispo de Pesqueira, onde fez o curso primário. Estudou o curso secundário no Instituto Carneiro Leão, no Recife, e parte desse curso no Ginásio Diocesano de Garanhuns.
           
Ingressou na Faculdade de Medicina do Recife. tendo sido concluinte da Turma de 1940.
           
Iniciou a atividade médico-profissional em Sertânia, antiga Alagoa de Baixo, pelo breve espaço de 5 a 6 meses, para em seguida se transferir para Pesqueira, onde clinicou de 1941 a 1947.
           
Daí veio para o Recife, onde após vários cursos, adotou a oftalmologia como sua atividade profissional.
Nesse campo teve grande interesse pelo tracoma, para o que esteve no Rio de Janeiro, onde frequentou curso de especialização a respeito, e sobre o que escreveu vários trabalhos. A incidência maior dessa infecção se fazia principalmente, nas populações pobres do Sertão, talvez a razão primordial do seu interesse, já que seu labor médico esteve sempre voltado para os desafortunados.            
Do seu currículo médico ainda constam, entre outros, os de Oftalmologista do Departamento de Saúde Pública, de Diretor do Sanatório Padre Antônio Manuel.
           
Nesse saudoso companheiro integravam pari passu, o escritor, o pesquisador, o genealogista, o folclorista e o telúrico».
           
Ainda no “Luís Wilson. Uma biografia”, pág.44.  Fernandes Viana define:
            
«Seu estilo objetivo e ameno retrata o amorável daquele mundo e de sua gente. Feliz a terra que possui um filho para cantá-la. Se todas tivessem um Luís Wilson, o Brasil seria ainda maior e mais integrado. Seu livro vale o esforço com que você o plasmou. Ambos – você e Arcoverde, estão de alvíssaras».
           
Mais artigos desta colunahttp://goo.gl/lWA4Hv
Pedro Salviano Filho
* Fonte e Autor: Por: Pedro Salviano Filho, – Salviano é arcoverdense, escritor, cronista, colaborador do OABELHUDO, médico, cirurgião e reside na cidade Ivaiporã-PR.
** (Coluna Histórias da Região – edição maio/junho de 2014  – Jornal de Arcoverde)

Crônica/Homenagem: Evocações num Centenário – Por Jarival Cordeiro do Amaral *

Crônica 

Evocações num Centenário

*Autor: Jarival Cordeiro do Amaral

Jarival no bonde, final dos anos 50. Na foto o ex-prefeito Ésio Araújo, Luiz Neves...

Jarival no bonde, final dos anos 50. Na foto o ex-prefeito Ésio Araújo, Luiz Neves…

 

Já disse – que muitas vezes – que desde criança sou admirador profundo dos pássaros. Por eles nutro uma amizade imensa e ou estima maior. Sinto, na sua presença e no seu canto, sejam quais forem a plumagem e melodia, uma mensagem da natureza, parecida com aquela de Salomão, se referindo aos lírios do campo.

Sou um passeante das manhãs, ou viajor de quase madrugadas. Bermuda, sandálias, bem à vontade, juntamente com Suzuki, cadela de estimação, saio de casa e me dirijo para os campos do Seminário, onde estudei e devo a minha formação maior. Ali caminho uma hora, diariamente, fazendo, também, exercícios respiratórios para, contemplando a natureza e tudo de belo que ela possui, evocar, os meus tempos de criança, de cócoras, de alçapão armado ou de arapuca, esperar a queda do passarinho, outro amigo que vai conviver comigo, cantando, amenizando angústias, solidão e saudade.

E, naquele passeio que tem gosto de amenidades, contemplo, ainda, com doçura e enlevo o riacho que rola da cachoeira, que ontem tinha o nome de “aripuá”, com águas azuis brilhante, quando as manhãs eram de sol. E por incrível que pareça, vejo refletidos nessas águas azuis muito por de sol e muitas auroras, muitas esperanças e muitos desencantos, um turbilhão de coisas que fazem da minha vida entre ascética e metropolitana. E ali, ainda vejo tudo, sem azedume do mundo, que os outros veem, porque, talvez, não se dispuseram a contemplar a natureza em todos os seus ângulos ou matrizes, em todas as suas forças ou belezas. E nessa airosa contemplação me sinto cavaleiro do mundo e não passo por túneis escuros porque toda paisagem que descortino tem o sabor transcendental.

Mas, falava de amores, de estimas, de amizades pelos pássaros e fiz uma digressão, embora proposital.

É que, nesses passeios da alma, do espírito, da sensibilidade e do amor, antes, muito antes mesmo, via o que não vejo hoje: várias espécies de passarinhos, não mais enfeitando a paisagem das nossas várzeas, dos nossos campos. Estão desaparecidos. Morreram? Foram banidos? Partiram para outras plagas? Enfim, o que aconteceu? Confesso, não sei explicar. Sei, apenas, que não ouço mais o cantar dos bentevis, dos canários da terra, dos pintassilgos, dos azulões, dos golinhas, das rolinhas – caldo-de-feijão, cafofa e branca e até do papa-capim. Isto me trás uma solidão e uma saudade porque nos meus tempos de criança, ouvia-os constantemente, naquela sinfonia de trinados maviosos, alentando meu espírito e o meu ser integral já voltados para a natureza, embora, ainda, não soubesse compreender melhor a sua maravilha e o seu Criador.

Sim, ia me esquecendo da “lavandeira”. Tão pequena, sem cantar, mais tão bonita que os mais velhos diziam que elas lavavam a roupa de Nossa Senhora. Desapareceram de igual modo. Uma ou outra em solidão, quando andavam em bando na beira dos riachos…

Agora chegou um estrangeiro chamado Pardal. Não sei de onde, nem como aqui aportou, multiplicando-se com tanta facilidade. Centenas dessa espécie vivem em constante revoada pela cidade. Não se explica, assim, porque não gostam do campo, que tem mais flores, mais beleza, mais acolhimento. Um experiente passarinheiro me diz que eles espantam, afugentam as outras aves. São egoístas. Querem viver sozinhos.

Será essa a chave do problema? Quem sabe? Lamentavelmente a gente tira uma lição dessa história do pardal. A humanidade está cheia de pardais. Pardais que não cantam porque não sabem cantar e por isso afugentam os cantores. Pardais que pensam que o mundo é seu. Que podem viver felizes sozinhos. Que ecumenismo é uma farsa e que fraternidade universal é uma proposição falsa, o que vale dizer: não somos irmãos.

Pobres pardais! Pobre gente! E viva e sorria a natureza!

Nos campos do Seminário, pela manhã cedinho, vejo o mundo nas águas dos riachos e a grandeza de Deus passando ao meu lado, e essas viagens da manhã têm sabor de infinito.

Casal Paula e Jarival acompanhados do artista/chargista e poeta José Célio Guimarães em foto recente.(foto de Olindina Guimarães)

Casal Paula e Jarival acompanhados do artista/chargista e poeta José Célio Guimarães em foto recente.(foto de Olindina Guimarães)

Nota do blog

A crônica escrita por Jarival, foi publicada no livro – PESQUEIRA SECULAR – Crônicas da Velha Cidade, lançado em 1980, por ocasião do Centenário de Pesqueira. É a nossa homenagem a esse velho e experiente cronista que marcou época na Radio Difusora de Pesqueira com sua Crônica do almoço, quando brindava os ouvintes com assuntos os mais diversos que repercutissem interesses na sua Pesqueira, no estado ou na país. Que falassem sobre mortos ou exaltassem vivos elogiando-os ou criticando-os de forma cavalheira, porém direta e com endereço certo. Jarival deixa uma lacuna que jamais será preenchida. E como se isso não bastasse era um gentlemam na medida exata dessa palavra. Um fidalgo no trato com os seu semelhantes e um humilde perante os mais fracos.

Paulo Muniz (Colaboração do meu compadre Cloves Soares de Freitas)

Editor do Blog

Pesqueira/História: Quantos anos realmente tem Pesqueira? *

Quantos anos tem Pesqueira?

 

 

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(Pesqueira em dois momentos: 1 – Capa do livro Pesqueira Secular, publicado em homenagem ao 100 anos. – 2 – Casa do antigo Senado de Cimbres que existe h,a 250 anos)

O tema a ser tratado é simples, porém, por incrível que pareça, ainda gera embaraços até mesmo nas autoridades e políticos locais.

Pode-se dizer que, como unidade política, a Pesqueira atual surgiu em 13 de maio de 1836, quando a Lei Provincial Nº 20 transferiu a sede da Vila de Cimbres para a povoação ao pé da serra, que naquela época já fazia vários anos que sediava as atividades da Comarca. A antiga sede, por ficar no alto da serra, oferecia acesso difícil. Já Pesqueira, embora fizesse poucos anos que não passava de uma fazenda de criação, além de oferecer fácil chegada, já tinha alcançado grande desenvolvimento. Para alguns, o capitão-mor Manoel de Siqueira tinha construído sua fazenda Poço Pesqueiro em 1800 propositadamente para o que ela se tornou. E por pouco o velho fundador não viu a fazenda virar sede da vila de Cimbres, pois morreu em 1831, cinco anos antes.

A Lei Nº 20/1836 não fala em Pesqueira se tornar vila, fala apenas na transferência da sede de Cimbres. Entenda-se que Cimbres mudava de endereço, tudo que funcionava lá devia passar a funcionar oficial e definitivamente na povoação ao pé da serra do Ararobá. É com essa lei que a povoação recebe oficialmente o nome de “Pesqueira” e, podemos deduzir, é transformada automaticamente em vila, já que se torna sede de uma unidade política.

Já em 20 de abril de 1880, a Lei Nº 1484, assinada por Adelino de Lima Freire, vice-presidente de Pernambuco, elevou a vila de Pesqueira à categoria de cidade. A publicação confirma ainda o que já havia sido deduzido antes: Pesqueira já era vila em 13 de maio 1836, e acabara de se tornar a 15ª cidade da Província e a primeira de todo o sertão. A próxima elevação de vila a cidade só ocorreria 15 anos depois, com Petrolina em 1895.

O texto da Lei segue abaixo:

LEI Nº 1.484, DE 20 DE ABRIL DE 1880

O Bacharel ADELINO ANTONIO DE LUNA FREIRE, Oficial da Imperial Ordem da Rosa, Juiz de Direito e Vice-Presidente da Província de Pernambuco.

Faço saber a todos os habitantes os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a resolução seguinte:

Art. 1º – Fica elevada à cathegoria de cidade a villa de Santa Águeda de Pesqueira, sob a mesma denominação.

Art. 2º – Ficam revogadas as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da presente resolução pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nella se contêm.

O secretário da Presidência desta Província a faça imprimir, publicar e correr.

Palácio da Presidência de Pernambuco, 20 de abril de 1880, 59º da Independência e do Império.

(a) ADELINO ANTONIO DE LIMA FREIRE

Algumas cidades, a exemplo de São Bento do Una e Serra Talhada, comemoram seus aniversários nas datas referentes à criação de suas vilas, ou, de forma geral, à sua emancipação política, já que na época do Império era essa a denominação das sedes municipais.

São Bento do Una, se tornou vila em 30 de abril de 1860, quando obteve emancipação de Garanhuns, e foi elevada a cidade pela Lei Estadual nº 440 em 8 de Junho de 1900. Serra Talhada emancipou-se de Flores em 6 de junho de 1851, quando tornou-se vila.

Seguindo esse pensamento, Pesqueira deveria ter comemorado, no último 13 de maio, 175 anos de idade, mas comemorou 131 anos de elevação à categoria de cidade em 20 de abril, como tem sido todos os anos.

Os mais desavisados hão de pensar que as duas importantes cidades citadas como exemplo são mais velhas que Pesqueira. No entanto, como explicado, a realidade é o contrário: Pesqueira, seja como vila ou seja como cidade, é mais antiga que ambas.

Na opinião de Gilvan de Almeida Maciel (ver Crônicas da Pátria Pesqueirense, 2008, EDUFERPE), que é também a minha, a data magna de Pesqueira devia ser o 13 de maio e não o 20 de abril.

É importante lembrar que para Pesqueira jamais houve emancipação política. E, embora a sede da vila (sede do município) tenha sido transferida, o nome não fora mudado de imediato. Tudo que era assinado em Pesqueira era com o nome de Cimbres, esse permaneceu como o nome do município até 1913, quando por uma decisão local, passou a ser “Pesqueira”.

O assunto vila-município-comarca será tratado com mais ênfase posteriormente, pois é motivo de grande confusão entre a maioria dos leitores. Uma abordagem com mais detalhes, acredito, valerá a pena.

 

marcelo do nascimento Oliveira

 

* Fonte/Autor: blogspot – Pesqueira Histórica/Marcelo Oliveira do Nascimento (Editor do blog)

(Matéria publicada originalmente em 22 de junho de 2011)

CANETADAS/Homenagem: História da Aviação Pesqueirense – Por Jurandir Carmelo *

TUDO SOBRE A AVIAÇÃO CIVIL EM PESQUEIRA

ANO I – Nº I – FOLHA DE PESQUEIRA, EDIÇÃO DE 27 DE ABRIL DE 1947.

O AERO CLUBE DE PESQUEIRA empenha-se para que seja, em breve, oficialmente inaugurado o campo de aviação.

Toma vulto o movimento aviatório – Os aviões “Pesqueira” e “D. José Lopes”.

Inauguração do hangar do novo Aeroclube de Pesqueira

Inauguração do hangar do novo Aeroclube de Pesqueira

Iniciativa das mais notáveis da hora presente foi a que dotou Pesqueira de um campo de aviação. O transporte aéreo em nossa terra já não é mais problema a resolver. É uma realidade. E para essa realidade não faltaram o entusiasmo e a decisão firme do Dr. Armando Pita Brito. Deve-se a esse espírito de moço dinâmico e atilado às boas conquistas, a existência do nosso campo de pouso. A grande área de terreno é uma das mais importantes faixas de terra adaptadas à aterrissagem de aviões, até mesmo de certa classe.

Esse empreendimento do Dr. Armando Brito foi recebido por elementos representativos das classes conservadoras do município, sendo de destacar o concurso dos Srs. Carlos de Britto S/A e Cia., que proporcionaram todas as facilidades para a objetivação do campo de pouso de Pesqueira. E não tiveram os Srs. Carlos de Britto & Cia., mão a medir às despesas que patrocinaram.

Outros elementos de projeção nas atividades da indústria e do comércio da cidade foram também ao encontro de tão valiosos melhoramentos, como os Srs. José Didier & Cia. Ltda., Casas José Araújo S/A e outros, cujos nomes escaparam a esta reportagem.

Por seu lado, os poderes municipais, então à frente da edilidade o ex-prefeito Arruda Marinho, cooperaram nos trabalhos de construção do campo. E atacado o serviço, com vontade e segurança, teve Pesqueira, em pouco tempo, realizado esse notável melhoramento.

Autoridades do estado prestigiaram o grandioso evento e inauguração do hangar de campo de pouso de Pesqueira

Autoridades civis e militares do estado prestigiaram o grandioso evento e inauguração do hangar de campo de pouso de Pesqueira

O AVIÃO “PESQUEIRA”.

O trabalho do campo de pouso nasceu de uma conversação improvisada entre figuras locais, nela a ideia de ser adquirido um aparelho teco-teco. E logo um grupo composto dos Srs. Armando Pita Britto, Antonio Magalhães Araújo, Jurandir Brito de Freitas, Agostinho Bezerra Cavalcanti, José Pita, Carlos Silva e o piloto Severino, entraram em entendimento e, naquele instante, logo foi subscrita importância necessária à aquisição de um pequeno aparelho de aviação. Dentro de pouco mais de um mês, recebia a cidade o seu primeiro teco-teco.

Feito isto foi, também, ao mesmo tempo, fundado o Aéreo Clube de Pesqueira e eleita a sua primeira diretoria, regularizada sua situação no ministério da Aeronáutica, e escolhido presidente o Sr. Armando Pita Brito. E o avião “Pesqueira” já hoje vem prestando relevantes serviços, fazendo intercâmbio de viagens entre Recife Monteiro e Campina Grande, além de um curso de pilotagem para o qual se inscreveram diversas pessoas desta cidade, inclusive senhoritas de nosso escol social.

UMA OFERTA DO BISPO DIOCESANO AO AÉRO CLUBE DE PESQUEIRA

O Senhor Bispo diocesano, d. Adalberto Sobral, num gesto dignificante, e assim prestando sua melhor solidariedade ao empreendimento que deu a Pesqueira o seu campo de pouso, ofereceu ao Aéreo Clube desta cidade, um avião que receberá o nome do inolvidável Dom José Lopes, 1º bispo desta diocese.

Essa oferta do ilustre antístite pesqueirense, hoje eleito arcebispo do Maranhão, foi recebida com a maior simpatia.

PARA BREVE A INAUGURAÇÃO DO CAMPO – O AERO CLUBE DE PERNAMBUCO ENVIARÁ UMA ESQUADRILHA, DE NO MÍNIMO, DEZ AVIÕES – UM ENCONTRO, EM RECIFE, COM O SR. MÁRIO PENA E LIGEIRA PALESTRA COM O SR. ARMANDO PITA BRITO.

Palestrando há dias com o Sr. Armando Pita Brito, informou-nos o presidente do nosso Aero Clube que logo passada a estação invernosa, que já se prenuncia, será marcado o dia da inauguração oficial e solene de todas as instalações do campo de “Cachoeira”, adiantando-nos que participarão dessa festividade representações do Aero Clube do Recife, João Pessoa e Campina Grande, sendo de esperar a presença de vários aviões que sobrevoarão a cidade.

Soubemos, em Recife, num encontro acidental da reportagem deste jornal com o Sr. Mário Pena, presidente do Aéro Clube de Pernambuco, que na inauguração do nosso campo de pouso, virá uma esquadrilha de, no mínimo, dez aviões, um dos quais será pilotado pelo próprio Sr. Mário Pena.

E aquele ilustre homem de projeção dos mais altos círculos econômicos do Estado, falou com a mais viva simpatia sobre a feliz iniciativa do Sr. Armando Pita Brito.

Momento sublime a recepção do avião e a inauguração. O mundo elegante pesqueirense se fez presente

Momento sublime a recepção do avião e a inauguração. O mundo elegante pesqueirense se fez presente

FOLHA DE PESQUEIRA – ANO I – Nº 9. PESQUEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 1947 – DIRETOR PAULO DE OLIVEIRA.

Uma vitória da aviação civil.

Causou um acontecimento marcante de entusiasmo a vinda a esta cidade de um DOUGLAS, das Forças Aéreas Brasileiras.

A aterrizagem do importante aparelho verificou-se de modo magnífico. Numa simples manobra, muito naturalmente, o bimotor desceu no campo de pouso, ante o entusiasmo da população, calculada em cerca de três mil pessoas, que tinha até ali ido assistir ao embarque do ex-bispo de Pesqueira, Dom Adalberto Sobral.

“Ótimo campo”, respondeu-nos o tenente-coronel aviador Vitor Barcelos, quando o interpelamos. Acrescentando que tinha feito sua aterrissagem sem a menor preocupação e sem o menor incidente, tanto assim que aterrissara em posição contrária, tal a confiança que lhe inspirou a segurança do campo, já anteriormente inspecionado. Suas declarações foram assistidas pelo colega, tenente-coronel Balloussier, comandante do DOUGLAS.

A tripulação do DOUGLAS DC 3, além daqueles dois oficiais da FAB, era completada pelo sargento-mecânico David e sargento-telegrafista Laurindo.

O referido bimotor pertence ao 2º Grupo de Transportes da FAB.

FOLHA DE PESQUEIRA, EDIÇÃO DE 27 DE MARÇO DE 1949 – (PÁGINA 3).

Aéro Clube de Pesqueira.

Submetidos à vistoria os aviões: “Pesqueira” e “D. José Lopes” – Intensificado o curso de pilotagem.

No dia 13 do corrente, foram submetidos à vistoria os aviões: “Pesqueira” e “D. José Lopes”, do Aéro Clube desta cidade. A inspeção dessas unidades de nossa aviação civil, procedida por uma comissão de oficiais do Ministério da Aeronáutica que veio diretamente do Rio para, em Recife, no Aéro Clube de Pernambuco, desempenhar-se daquele exame. A aludida comissão julgou os aviões “Pesqueira” e “D. José Lopes” em ótimas condições de navegabilidade, com os seus motores em perfeita ordem e as demais instalações daqueles aparelhos.

INTENSIFICADO O CURSO DE PILOTAGEM.

O Aéreo Clube de Pesqueira vem intensificando o curso de pilotagem que está sendo praticado pelos alunos Estanislau Ventura, Horácio Campelo, Libério Martins, Nelson Avelar e Horácio Silva, tendo como instrutor o piloto Genú Rodrigues dos Santos. Esse curso de pilotagem é feito no avião “paulistinha” – Dom José Lopes.

Pesqueira era assim, cinco seis homens sentavam em um lugar qualquer e compravam um teco-teco. Hoje 100 deles sentam e não compram um velocípede. Ah, Pesqueira!

Jurandir Carmelo foto 2

 

 

* Autor: Jurandir Carmelo – Jurandir é pesqueirense, advogado, colaborador pioneiro do OABELHUDO, jornalista, cronista, debatedor e defensor intransigente da coisa e dos interesses pesqueirenses. (Obs: Algumas palavras estão grafadas originalmente como se escreviam à época)

Movimento Cultural: 15 Filmes Inesquecíveis *

15 filmes que são diamantes para o cérebro

 

 

 

15 Filmes  considerados  “diamantes para o cérebro”...

15 Filmes considerados “diamantes para o cérebro”…

Recentemente, o jornalista Euler de França Belém, ao elaborar uma lista com sugestões de livros para o Natal, defendeu a tese de que bons livros são, na verdade, “diamantes para o cérebro”. Acredito que essa premissa — com a qual concordo inteiramente — possa ser estendida também para o cinema. Talvez com muito mais razão para o cinema, forma de expressão que, posto que goze de amplo apelo popular, tem perdido progressivamente a pretensão do “fazer artístico”, a privilegiar-se a lógica da produção em escala industrial de blockbusters. Com isso, cada vez mais temos cinéfilos autodeclarados que desprezam a leitura da Pauline Kael (às vezes, nunca ouviram falar dela), mas não hesitam em cultuar bobagens infantis. O resultado é o declínio da inteligência do público que, perdido no meio de tantas referências esparsas, ou simplesmente influenciado por críticos de cinema de pouca credibilidade intelectual, passa a absolver a pobreza narrativa fílmica, entretido com efeitos especiais mirabolantes, muitos dos quais a causar uma sutil, porém agressiva, paralisia cerebral.

Essa introdução serve para justificar a presente lista. Trata-se de uma tentativa de orientar o leitor da Bula — por certo, alguém que preza pelo que há de mais refinado no campo da cultura — no mar de referências cinematográficas. Como sói acontecer, a lista é estritamente pessoal: ela elenca obras que agradam ao meu gosto estético na arte cinematográfica. Basta pensar que, tivesse outro autor assinado a lista, as referências decerto mudariam (talvez ele viesse a público afirmar que “Curtindo a Vida Adoidado”, do diretor John Hughes, é superior aos filmes do Godard, opinião que eu nunca endossaria). A lista também é limitada: são apenas 15 filmes, o que incontornavelmente deixará de fora muitas obras relevantes (inclusive procurei misturar obras canônicas, sempre referidas, a outras mais atuais, como sugestões incomuns ao leitor da Bula). O que importa é que são quinze bons filmes que, da mesma maneira que os bons livros, podem muito bem servir como generosos diamantes para o cérebro.

Casablanca, de Michael Curtiz

 

 

Casa blanca cartaz

 

 

A história de encontros e reencontros da vida retratada com uma beleza poética indescritível. Um amor genuíno, que a guerra separou em Paris, tem a chance de acertar as contas em Casablanca (Marrocos). Rick, o insensível proprietário do bar, defronta-se com a amargura do amor perdido, que torna a assombrá-lo com a volta de Ilsa, que ele descobre casada com Victor Laszlo, o líder da resistência que planeja escapar à perseguição nazista. Estaria Rick disposto a ajudar Laszlo, mesmo que isso acarretasse a perda do amor de sua vida? É o tipo de pergunta que só pode ser respondida em “Casablanca” ao som de “As Time Goes By”.

 

 

 

 

 

 

 

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15 filmes que são diamantes para o cérebro

* Fonte; Revista BULA