Category Archives: Poema / Soneto

Movimento Cultura/Poema: Devolvo-te… – Por Angela Maria *

DEVOLVO-TE…

 

 

 

Das lágrimas
Sorrisos
Das dores
Compreensão
Dos maus tratos
Dos desprezos
Apenas a compaixão
Por ver jogado ao relento
O mais belo sentimento
Por causa de traição
Só não posso devolver-te
O meu terno coração
Porque ele foi moldado
E por ti foi ensinado
A tomar a decisão
De querer se for querido
De amar se for amado
De sepultar um amor
Se por ventura não for
Recíproco,valorizado
Bons sentimentos devolvo-te
Para que possas entender
Que não quero a tua morte
Que eu te desejo sorte
Por todo o teu viver
Saiba que a felicidade existe
Mas,tem que por ela procurar
Porque ninguém é obrigado
Nem pode ser condenado
A conviver sem amar…

 

 * Autora: Angela Maria  –  Angela Maria de Melo Lucena é sanharoense do distrito Jenipapo, professora, colaboradora do blog OABELHUDO, cronista, poetisa e romancista. É filha do grande poeta e repentista João Cabeleira.

Movimento Cultural: O Presente e o Passado – Por Edmilton Torres *

O presente não esquece o passado

 

 

 

 

Por um instante voltei no tempo
Na velha sala já muito modificada
Trocaram-se os móveis, a pintura, as cortinas…
Mas as lembranças continuam…
Num retrato na parede…
Nos ecos das nossas vozes que ainda ecoam na minha mente
Trazendo de volta imagens confusas…
Dos almoços aos domingos…
Casa cheia… mesa farta…
Um vinho… uma cerveja… uma cachaça…
Conversa em dia… conversa fora…
A discussão do futebol…
O jogo na televisão…
As trilhas sonoras na velha vitrola…
LPs… compactos simples… compactos duplos…
Conversa em dia… conversa fora…
Muito amor e amizade; no abraço… no aperto de mão…no beijo carinhoso… no olhar cheio de cumplicidade…
Do até logo que um dia se tornou adeus
Do adeus que se tornou saudade
Da saudade que feriu e que se tornou cicatriz
Que já não dói, mas que não se deixa esquecer
Lembranças… saudade…
Saudade… lembranças…
O passado presente…
O presente que não esquece o passado.

 

 

* Autor:  – Edmilton Torres – Edmilton Bezerra Torres é pesqueirense, cronista, colaborador do OABELHUDO, poeta e membro da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes e da SOPOESPES.

Movimento Cultural/Poema: Luz Intensa – Por Zélia Costa Cavalcanti *

luz intensa de teus olhos

Luz Intensa

 

 

 

Uma luz intensa vejo

Vertendo do teu olhar

No teu coração… Desejo

Deste meu corpo abraçar

 

Luz que emana do peito

Da volúpia do amar

Quanto erotismo há no leito

Quando enfim o amor se dá

 

Do leito essa Luz Intensa

Dos corpos nus um rubor

Cumplicidade imensa

Há nesse ninho de amor.

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* Autora: Zélia Costa Cavalcanti – Zélia é pesqueirense, professora, colaboradora do OABELHUDO, cronista, poetisa e integrante do famosíssimo conjunto musical O Uirapurú, formada por ex-alunas do Colégio Santa Dorotéia.

Movimento Cultural/Poema: O Bem – Por Francisco Aquino *

O bem e a rosa de celio guima

O BEM

 

 

 

 

O vento sopra

Trazendo brisa

Lavando as mazelas

Da alma em agonia.

 

Vamos limpar a vida

Purificando a alma

Pra vivermos a plenitude

Dos dias.

 

Seja um construtor do bem

Pra você e demais.

Não viva criando problemas

Que não satisfaz.

 

Seja um arauto do bem

Pivô de união e felicidade

Com alegria.E jamais ponto de discórdia e desunião.

 

Vamos fazer o bem

Sem olhar a quem

para nos realizarmos também.

 

Porque seja como for

Vale a pena praticar o bem.

Partilhar pela vida a bondade

Dando e recebendo amor.

 

Sinta a ventania contagiante

Soprando a seu favor

Trazendo bons fluídos

Como Jesus mandou.

 

Viva prazerosamente com emoção e alegria a felicidade.

Porque por merecimento foste contemplado com o sopro da vida

Que pulsa em ti e contagia

Todos com fervor.

Por isso pratique o bem.

 

Francisco Chico Aquino sozinho de azul

 

* Autor: Francisco Aquino  –  Francisco de Assis Maciel Aquino é pesqueirense, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta, teatrólogo e comentarista esportivo.

Movimento Cultural/Soneto: A Metáfora da Vida – Por Edmilton Torres *

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A metáfora da vida

 

 

Nossa vida é uma estrada sinuosa
Com paisagens diversas dos dois lados
Exigindo de nós alguns cuidados
Nos trechos que a tornam perigosa

Curvas e declives acentuados
Poderão assustar os viajantes
Mas, também, há paisagens deslumbrantes
Que os irão deixar extasiados

Mesmo a estrada parecendo segura
E o cenário bonito de se ver
Viajar será sempre uma aventura

Com final impossível de prever
Descuidar pode ser uma loucura
Que fatalmente nos fará sofrer.

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* Autor: Edmilton Torres – Edmilton Bezerra Torres é pesqueirense, poeta, cronista, contista, colaborador do OABELHUDO e membro da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Movimento Cultural/Poema livre: Domador de Mim – Por Edmilton Torres *

Domador de mim

 

 

 

Fui jogado no dorso da vida
Sem sela e sem arreios
Pelo no pelo, mão na crina,
Num rodeio feroz
A angústia não dissipou o medo
O medo não evitou as quedas
Lágrimas e poeira embaçaram o meu futuro
Mas o chão não é o meu lugar
A cada tombo, uma vontade férrea de montar,
Que nem as dores arrefeciam
E assim, aprendi a domar a vida
Cavalguei a passo, a trote e a galope
Fui da agonia ao êxtase
Até deparar-me com um novo desafio
Foi fácil domar a vida
Difícil é domar a mim mesmo

 

 

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* Autor: Edmilton Torres  –  EDMILTON BEZERRA TORRES é pesqueirense, cronista, poeta, colaborador do OABELHUDO, graduado em Administração de Empresas pela UFPE, funcionário aposentado da Caixa Econômica Federal e membro recém empossado da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Movimento Cultural/Poema: A Lua e você – Por SanGer *

Lua enquadrada em foto

 

A lua e você

 

 

 

A noite derramou o seu manto
Espraiou beleza e doce fantasia
Nossos corpos sentiram o encanto
Nossas almas se entregaram no amor…

Surgiram estrelas belíssimas
Num toque de beleza cativante
Num manto noturno aconchegante
Num luar belo, majestoso e deslumbrante…

Aí você surgiu...

Divina e maravilhosa na sacada do sobrado
Vestida com a cor do gostoso pecado
Estava tão linda, tal qual o amor
E a lua de ficou de ti com ciúme ficou…

As estrelas brilharam intensamente
Extasiado, hipnotizado a contemplar
Agradecido pela oportunidade única
De ver, sentir e amar…

O mais belo dos sonhos em encontro
A lua e você, você e o luar!
A lua e você.

 

 

Gera Santana pesqueira

 

* Autor: SanGer – Geraldo Santana é pesqueirense, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta, radialista e cerimonialista.

Movimento Cultural/Soneto: O Imaginário…”…Um tudo que não é nada…” – Por Carlos Sinésio *

estrada imaginaria CS sinesio

Soneto da mente imaginária

 

 

 

Uma velha e extensa estrada

Sem fim, metade ou começo

Sem número nem endereço

Nem luz acesa ou apagada

 

Um abismo sem beirada

Piso que não tem chão

Corpo gigante sem coração

Um tudo que não é nada

 

Um pecado sem pecador

Um jardim que não há flor

Um vácuo já escurecido

 

Ausência de qualquer cor

Paixão procurando amor

Eita universo desconhecido!

 

Em 03 de julho de 2014.

Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti de camisa em foto boa

 

 

* Autor: Carlos Sinésio  –  Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti é pesqueirense, jornalista, colaborador do OABELHUDO, poeta, cronista e escritor.

 

Movimento Cultural/Soneto: Saúde – O Ingrediente da Vitalidade – Por Sebastião Gomes Fernandes *

vida saudavel

SAÚDE

O INGREDIENTE DA VITALIDADE

 

 

 

Acredite vida próspera, exige cuidados e boa saúde.
Saúde ingrediente substancial e saudável!
Devemos cultivar sempre a vitalidade…
A alma e o espírito cheio de esperanças agradecem.

 

Saúde o ingrediente da vitalidade…
Se nos sentimos varonis crescemos em amor e bondade…
Uma vez bons, certamente seremos agraciados por Deus.
A saúde nos fortalece e nos faz amigáveis e bons!

 

Acredite o viver é uma dádiva divina…
É presente do Criador para suas criaturas…
É amor sem limite e que nos aguça a bem aventurança…

 

Aventura essência que nos acompanha,
Ontem, hoje e sempre!…
Saúde ingrediente da vitalidade.

 

Olinda – PE, 05-06-2014

Sebastião Gomes Fernandes sorrindo SAM_1084

 

 

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes. Sebastião é sociólogo, escritor, cronista, colaborador do OABELHUDO, poeta e acadêmico, presidente da APLAS – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

Movimento Cultural/Literatura: Sonetos Antológicos * – Colaboração de Carlos Sinésio

Bernardo Vieira de Melo - Herói da história de Pernambuco

Soneto que Bernardo Vieira mandou

para seu irmão, Padre Antônio Vieira:

Se queres ver do mundo um novo mapa,
oitenta anos atende desta cepa

por onde ramos a cobiça trepa,

e emaranhada faz do tronco lapa.


Morde com dentes por não ter mais papa;

com língua fere, com as mãos decepa;

soldado e povo livra da carepa,

que na tarde e manhã raivoso rapa;


olhos de água, as faces de tulipa;

cada pé de joanete uma garlopa;

com um só corpo de chalupa.


O bofe muito, e muito pouco a tripa,

é a minha musa; porque nela topa

em apa, epa, ipa, opa, upa.

 

padre antonio vieira gravura pintura

 

 

Resposta do Padre Antônio Vieira, pelos mesmos consoantes:

 

Vê, Bernardo, da eternidade o mapa
deixa do velho Adão a geral cepa,

pelo lenho da cruz ao Empírio trepa,

começando em Belém da pobre lapa.


Mais que rei pode ser, e mais que papa,

quem de seu coração vícios decepa;

que a grenha de Sansão toda é carepa,

e a guadanha da morte tudo rapa.


A dor da vida se é na cor tulipa,

de seus anos também se faz garlopa,

que os corta, como o mar corta a chalupa.


Não há mister que o ferro corte a tripa,

se na parte vital o fado topa,

em apa, epa, ipa, opa, upa.

 

 

gregorio de matos pintura gravura

 

Soneto

Por consoantes que me deram forçados

Gregório de Mattos e Guerra, o “Boca do Inferno”, entra na conversa:

 

Neste mundo é mais rico o que mais rapa;
quem mais limpo se faz, tem mais carepa;

com sua língua, ao nobre o vil decepa;

o velhaco maior sempre tem capa.


Mostra o patife da nobreza o mapa;

quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;

quem menos falar pode, mais increpa;

quem dinheiro tiver, pode ser Papa.


A flor baixa se inculca por tulipa;

bengala hoje na mão, ontem garlopa;

mais isento se mostra o que mais chupa;


para a tropa do trapo vão a tripa,

e mais não digo; porque a Musa topa

em apa, em epa, em ipa, em opa, em upa.

 

Autores: 

 

 * Bernardo Vieira de Melo – Bernardo Vieira de Melo foi um sertanista e administrador colonial luso-brasileiro. Nascido na freguesia de Muribeca, hoje município de Jaboatão dos Guararapes em 1658, era filho do Capitão de Ordenança, … Wikipédia

* Autores: Padre Antônio Vieira (1608-1697), jesuíta, natural de Lisboa, foi o maior orador sacro da língua portuguesa. Passou a maior parte de sua vida no Brasil, deixando 200 sermões e mais de 500 cartas.

* Gregório de Mattos e Guerra (1633-1696) nasceu na Bahia, estudou humanidades e direito em Portugal ; advogou em Lisboa; aos 47 anos voltou ao Brasil. É considerado o primeiro escritor de humor e sátiras brasileiro. Aqui, ele mete o bedelho nos sonetos de Bernardo e Padre Antônio Vieira, mostrando sua genialidade.