Category Archives: Poema / Soneto

Movimento Cultural – Lá Longe/”…A minha joia do agreste”… – A Poesia de Robson Aquino *

Sanharó...Quero ouvir o papagaio Da minha vó, praguejando   Me veste um calção de pano Mostrando minhas vergonhas...

Sanharó…Quero ouvir o papagaio
Da minha vó, praguejando
Me veste um calção de pano
Mostrando minhas vergonhas…

 

 

…Chego a sentir, Sanharó
O passado sendo agora
Qual nada se fosse embora
Nem você, nem mesmo eu…

Lá longe

 

 

Lá longe, bem adiante
Beirando a rede e o jardim
Fincada dentro de mim
Mas exposta além da vista
Entre as serras e suas cristas
Bonita que só a peste
No peito do meu nordeste
Onde o suor é de mel
Pérola rara de anel
A minha joia do agreste

Quando eu me lembro, criança
Correndo entre os seus becos
Pisando seu solo seco
Tostado pelo seu sol
Chego a sentir, Sanharó
O passado sendo agora
Qual nada se fosse embora
Nem você, nem mesmo eu
Que apenas aconteceu
Um descuido de uma hora

 

Daí retomo a história
Antes meio retorcida
Esqueço a triste partida
Finjo que nada mudou
Peço a bênção ao meu avô
Boto meu pinhão no bolso
Vou ver aquele alvoroço
De gente fazendo feira
Subo correndo a ladeira
Mãe me espera pro almoço

 

Minha terra, ninguém sabe
O quanto a gente se gosta!
Vou te fazer uma proposta
Não sei se vais aceitar
Eu faço o tempo parar
Que não dê um passo à frente
Lá na infância, exatamente
Onde tudo acontece
E você, então, promete
Mudar tudo… e não mudar

 

Deixe no mesmo lugar
Todas as casas da rua
Pendure no céu a lua
Com a mesma profundidade
Veja a possibilidade
De o céu pintar-se de brilho
Trace um arco, crie um trilho
E conduza a realeza
Quero ver toda beleza
Da noite em minha cidade

 

 

Traga de volta à paróquia
O querido Padre Bruno
Lá no poço de Raimundo
Deixe a água bem limpinha
Dê um jeito pra Cezinha
Servir um bom tira-gosto
Jogue espinhas no meu rosto
Até isso dá saudade
Marcas da jovialidade
Da velhice, o seu oposto

 

Devolva a velha Jornel
Cantando Jorge Aragão
O velho vendendo pão
Nas ruas, com seu balaio
Quero ouvir o papagaio
Da minha vó, praguejando
Me veste um calção de pano
Mostrando minhas vergonhas
O cheiro da minha fronha
Me protegendo dos raios

 

Meu cavalo nunca mais
Vai deixar de ser de pau
Não saberei o que é mal
Serei eterna criança
Que recebeu de herança
O dom de não mais crescer
Por isso torno a nascer
E em cada mês de verão
Ganho um novo coração
Pulsando essas lembranças.

 

foto de Robson Aquino0001

* Autor: Robson Aquino – Antonio Robson Maciel Aquino é sanharoense, escritor, cronista e poeta. Autor do romance –  Sanharó, Cinco Homens e um Caçuá de Discussão e co-autor junto com  seus irmãos, Carlos Elder, José Romero e João Roberto do livro Miolo de Pote.

Movimento Cultural / Poesia: Quisera Eu, Meu Amor – Por Núbia Cavalcanti *

 

 

Quisera eu, meu amor…

 

 

Quisera eu, meu amor
Transformar esse teu amor leviano
Que só me causa dor
Em um sentimento verdadeiro
Para que eu possa me entregar por inteiro
Libertando-me desse amor insano
Razão de todo o meu sofrimento.

Quisera eu, meu amor
Cessar esse pranto que dos meus olhos jorram
Com a mesma força das águas que transbordam
No leito de um rio turbulento
Inundando minh’ alma em desalento
Que recusa-se a esquecer essa paixão
Que corrói o meu amargurado coração.

 

Quisera eu, meu amor
Encontrar a fórmula da felicidade
Para não mais ter que chorar de saudade
Quando a solidão minh’alma invadir
Cada vez que você partir
Porque eu sei que sempre vou te amar
Por toda a eternidade, eu vou te amar!

Poesia publicana no livro

 

capa Eu Sei que vou te amar Nubia 2

Poesia publicada no livro “Eu sei que vou te amar” – Edição Especial.

Nubia foto 2

*Autora: Núbia Cavalcanti dos Santos – Núbia é sanharoense, servidora público municipal, poetisa, cronista, contista. Tem dezenas de obras publicadas em livros especializados em POESIA…

Movimento cultural / Poema ; Explosão de Amor – Por Núbia Cavalcanti *

Explosão de amor

 

 

 

Chegou como um furacão
Numa doce manhã de verão
Abalou as estruturas do meu coração
E me fez perder o chão.

E eu que já não acreditava mais no amor
Deixei-me envolver pelos seus encantos
Esquecendo-me de todo o dissabor
E das noites que me derramei em prantos.

Espantei o medo de uma nova desilusão
E entreguei-me a esse inesperado amor
E a essa louca paixão
Que me consome com ardor.

Hoje, expulsei o passado da minha mente
Em nome desse amor sublime e puro
E vivo apenas o presente
Sem medo do que me reserva o futuro.

Capa antologia de poemas brasileira Nubia 1

Poema incluído no livro –

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos – Vol. 107.

Nubia foto 2

* Autora: Núbia Cavalcanti dos Santos -Núbia é sanharoense, servidora pública municipal, poetisa, cronista e contista. Tem dezenas de obras publicadas em livros especializados.

Movimento Cultural : Os “Lentos Passos” na Poesia de Célio Guimarães *

LENTOS PASSOS

 

 

Uma jornada.
Um dia especial.
O sol compreendia. Não queimava;
Aquecia, acariciando a pele lisa e fina.

Caminhávamos.
Acompanhava seus lentos passos.
Lembranças, pessoas e detalhes, foram assuntos.
Emoções; três lagrimas resfriavam-lhe um caminho no rosto.

Descansando num porto,
O esquecimento o distanciava de si.
Vivia lucidamente outra realidade;
E na ternura, beleza, no bom – suavemente ria.

Eu não podia alcançá-lo.
Só o conduzia com amor e carinho.
Naquele instante eterno,
Em que mais distante se fazia.

Na noite daquele dia,
Meus passos ligeiros
Acompanhavam o ritmo da sua rápida e ofegante respiração…
Agora, sem pressa, vou ficando lento.

 

celio guimarães pesqueira

 

 

* Autor: José Célio Guimarães – Célio é pesqueirense, chargista, poeta e cronista.

Movimento Cultural: Poema ao Meu Pai, Sebastião… – Por Núbia Cavalcante *

Sebastião da farinha Papai - Batizado de Nick.

AO MEU PAI, SEBASTIÃO F. DOS SANTOS

“In memoriam”

 

 

Simples e humilde

Em suas origens

Buscou semear sempre o bem

Aonde quer que fosse

Solidário e carismático

Tinha um grande dom

Íntegro e leal

Amar e ajudar ao próximo

O seu bem maior.

 

Fantástico ser humano

Em sua trajetória nesta vida

Realizou sonhos importantes

Ricamente arquitetado

E elaborado pelas mãos de Deus

Infinito em Sua bondade

Redentor dos nossos pecados

Amor pleno e incondicional.

Nubia Cavalcante

* Autora: Núbia Cavalcante dos Santos – É sanharoense, servidora pública municipal, cronista e poetisa.

Pesqueira / Movimento Cultural: Impacto = Indústria X Educação – Por Margarida Maciel *

Velhos Tempos / Belos Dias…

 

Pesqueira e a Era industrial. Passou a Era, mas a EDUCAÇÃO ficou...

Pesqueira e a Era industrial. Passou a Era, mas a EDUCAÇÃO ficou…

Áureos tempos onde a indústria era a principal fonte da economia pesqueirense...

Áureos tempos onde a indústria era a principal fonte da economia pesqueirense…

 

 

Impacto: Indústria X Educação

 

 

Amanheceu…
Sirene apitando, operário chamando
Pesqueira acordando à labuta do dia.
Levanta o aluno, acorda professor
Que pra ser um “doutor” é preciso ousadia.

 

E lá das chaminés, o aroma, a fumaça
Abraçando a praça e subindo pra serra.
É tomate é extrato, é goiaba é doce
E a escola inebriou-se com o cheiro da terra.

 

Entardeceu…
Na pausa pro almoço, a caneca, a marmita;
Operário espreguiça…sirene de novo;
A fábrica e a escola retornam à função
Do torno, da esteira, do estudo a lição.

 

Anoiteceu…
Na volta pra casa, adormecer de novo
E o teu doce povo descansa a rezar.
Por teus eruditos te fizeste Atenas,
Atenas tão doce tu és meu altar.

 

Olhe a safra chegando, madrugada aguardando
O operário suando pra renda aumentar.
Ferramenta e caneta, livro e lata de flandre
Operário entende é preciso estudar.

 

Nossos escolas…

Colégio Cristo Rei de Pesqueira +colegio santa doroteia de frente

 

 

Margarida Maciel Ramalho

* Autora: Margarida Maciel – Margarida Maciel Ramalho – É pesqueirense, professora, musicista, cantora, cronista. É casada com o sanharoense/pesqueirense João Capri.

Movimento Cultural : Mulher, Sempre Mulher… – Por Margarida Maciel *

Rosa identificando Mulher

Mulher, mulher.

 

Mulher, mulher!
De onde te vem este dom de guerreira,
De onde te vem este anseio de amar?!
De onde te vem este ar de menina
Que a todos fascina a candura no olhar.

Aonde encontraste esta força e bravura
Vivendo com garra, vivendo a doar?!
De onde retiraste talento e carinho?!
Este poço profundo não vejo secar.

 

Mulher, mulher!
Em qual fonte buscaste resistência pra luta?!
E a bravura que os homens nem vão perceber.
Com teu jeito suave aos poucos tecendo
Na teia da vida este dom de vencer.

Me dá a receita desta iguaria,
Me ensina teu jogo e a tua magia
Esta matemática de origem inata
A dosagem perfeita, esta feitiçaria.

 

Mulher, mulher!
Me diz qual a chave, me conta o segredo
De avançares sem medo com teus ideais.
Me diz de qual seiva alimentas a esperança
Nesta perseverança em busca de paz.

Mulher tu que moras cá dentro de mim
E me deixas assim sempre a meditar
Que nada podemos e que tudo herdamos
Da Virgem Maria por nós a rogar.

 

Margarida Maciel Ramalho

 

 

* Autora: Margarida Maciel – Margarida Maciel Ramalho é pesqueirense, professora, compositora, cronista e musicista.

A Trilogia Cultural de Walter Jorge de Freitas em Homenagem a Pesqueira e ao Coloniano *

PESQUEIRA E A 

XXIV FESTA DOS EX-ALUNOS

 

A virgem Nossa Senhora da Graça abençoa todos que vêm a festa do ex-aluno

A virgem Nossa Senhora da Graça abençoa todos que vêm a festa do ex-aluno

A GRANDE NAÇÃO PESQUEIRENSE

 

 

PESQUEIRENSES DISPERSOS
POR LUGARES DIVERSOS
DESSE IMENSO RINCÃO
LANÇARAM A BOA IDÉIA
E NA PRIMEIRA ASSEMBLÉIA
CRIARAM A GRANDE NAÇÃO

FIÉIS ÀS SUAS RAÍZES
EM DIA DOS MAIS FELIZES
NUM RECANTO RECIFENSE
TODOS SE REGOZIJARAM
E ALI MESMO FUNDARAM
A GRANDE NAÇÃO PESQUEIRENSE

TODO MÊS HÁ UM ENCONTRO
ONDE A TURMA ASSINA O PONTO
PARA MATAR A SAUDADE
É ESTA A MELHOR MANEIRA
DE ACABAR COM A ROEDEIRA
REVIVENDO A MOCIDADE

DENTRO DO MAIOR RESPEITO
LÁ ACONTECE DE TUDO
NÃO EXISTE PRECONCEITO
COM CARECA OU CABELUDO

SEJA BROTINHO, OU COROA
TODOS SÃO BEM RECEBIDOS
TIRAM DE LETRA, NUMA BOA
SE HÁ UM MAL-ENTENDIDO

VAMOS REVER EDVALDO
NILTON ROSA, FAUSTO E SÔNIA
CHICO, WALTER E ARIVALDO
FUNDADORES DA COLÔNIA

EXISTE LÁ UM SENADO
REDUTO DOS LINGUARUDOS
O SEU LIDER É ABELARDO
MACENA SABE DE TUDO

ISOLDA, TÂNIA E ROSÁRIO
SOUZA, CLÁUDIO E O SEU MANO
QUEREM MELHOR COMENTÁRIO?
VEJAM NO COLONIANO.

 

dançando na praça de pesqueira

O PRAZER DO REENCONTRO

Pesqueira, na primeira metade do século XX, contou dois educandários com professores de elevado nível e ainda com a vantagem de manter o sistema de internato, fatores que ensejaram a moças e rapazes de outras cidades, a oportunidade de estudar em ginásios e colégios bons. Sem falar no lendário Grupo Escolar Ruy Barbosa, onde o curso primário era de excelente qualidade e no Seminário São José.
A nossa cidade foi, pelas razões acima citadas, uma referência positiva no campo educacional.

Entre os anos 50 e 60, o Cristo Rei e o Colégio Santa Doroteia passaram por mudanças. Foram extintos os internatos. Em seguida, ambos foram transformados em escolas mistas.

No início da década de 60, o prefeito Luiz Neves sentindo as necessidades do município, fundou o Colégio Comercial Municipal de Pesqueira, criando, a partir desse importantíssimo feito, novas perspectivas para os jovens do município e da região.

Numa época que em os cursos técnicos estavam bastante valorizados, foi grande a procura pelo curso de Técnico em Contabilidade.
Na década de 70, o Cristo Rei é estadualizado, depois das dificuldades enfrentadas pela falta de alunos, cujas famílias tivessem condição econômica que lhes permitisse pagar escola particular para os filhos.

Agora, no limiar do século XXI, quando da realização do 24º reencontro, a cidade tem o privilégio de receber de volta, muitos daqueles que aqui fizeram o seu curso primário, o ginasial, o normal, o pedagógico, o de Técnico em Contabilidade, ou simplesmente deram os seus primeiros passos à procura do saber.

Alguns, já bem rodados, cabelo grisalhos, andar trôpego, fisionomia carimbada pelo passar dos anos, mas que na hora do prazeroso momento de rever os antigos colegas de sala de aula, sentem-se novamente crianças, adolescentes, jovens e, acima de tudo, felizes por terem nascido ou estudado em Pesqueira.

É um instante mágico! Nota-se a alegria no andar apressado para o abraço, no olhar firme para tentar reconhecer aquele ou aquela que não vê há décadas, nas palavras espontâneas e enriquecidas pelas experiências vividas, enfim, é o prazer de estar de volta e fazendo parte dessa história que muitos, infelizmente, não puderam continuar vivenciando. É, pois, a hora do abraço firme e do agradecimento a Deus.

Só quem participa desses reencontros, pode testemunhar a felicidade que é proporcionada tanto a quem vem de outras cidades como àqueles que permaneceram aqui na terrinha, à espera dessa oportunidade ímpar de renovar o espírito através de um simples gesto de amizade e acolhimento.

Somos ex-alunos e não importa de que educandário ou época. O importante é que estamos mais uma vez nos encontrando, celebrando a vida e abraçando a todos que se fizerem presentes em mais esse reencontro de gerações. A recompensa é o sorriso largo pela alegria de rever a cidade que serviu de berço ou ofereceu o aconchego de uma mãe a centenas de jovens que se tornaram seus filhos adotivos, por terem deixado o seu torrão natal e passado parte da juventude frequentando as suas bancas escolares.

FELIZ REENCONTRO PARA TODOS! VIVA A AMIZADE! VIVA PESQUEIRA!

 

Pesqueira O Cruzeiro  e o mirante  305038_135320893298057_486875071_n

PESQUEIRA

 

NASCESTE ÀS MARGENS DE UM POÇO
DA CORAGEM DE UM MOÇO
DESBRAVADOR E VALENTE
QUE TE DEU NOME E FAMA
A TUA HISTÓRIA NÃO MENTE
QUEM TE CONHECE TE AMA
TEU ACONCHEGO IRMANA
E ACOLHE DOCEMENTE

AS TUAS SERRAS TÃO LINDAS
ESSAS LADEIRAS INFINDAS
PARECEM AO CÉU NOS LEVAR
SE ÉS AGRESTE OU SERTÃO
NÃO IMPORTA AO CORAÇÃO
TUDO O QUE EU SEI É TE AMAR

TUAS SERESTAS DE OUTRORA
COM VIOLÕES NOITE AFORA
EMBALANDO CORAÇÕES
VOU VIVENDO E RECORDANDO
NA SOLIDÃO SOLFEJANDO
AQUELAS VELHAS CANÇÕES

RELEMBRO COM EMOÇÃO
NO CLUBE DOS RADICAIS
GRANDES FESTAS DE SÃO JOÃO
COISAS QUE NÃO VOLTAM MAIS

DAS PRECES FEITAS À LUA
NAS NOITES DE BOEMIA
DAQUELAS FESTAS DE RUA
SÓ RESTOU A NOSTALGIA

DOS BAILES E MATINÊS
E ENCONTROS SOCIAIS
E DOS DOMINGOS NA PRAÇA
NÃO ESQUECEREI JAMAIS

RECORDO BELAS CANÇÕES
DE ALGUÉM PARA VOCÊ
ERAM AMORES SECRETOS
AO SOM DO S. A. P.

FALAR DO S. A. P.
É RETORNAR AO PASSADO
É LEMBRAR VELHAS PAIXÕES
É SONHAR, MESMO ACORDADO.

 

Walter Freitas e a sua esposa

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, professor, comerciante, cronista, contista, poeta e pesquisador musical.

Movimento Cultural; O Estatuto do Homem / Por Thiago de Melo. – Colaboração de Carlos Sinésio *

 

ESTATUTO DO HOMEM

(Ato Institucional Permanente)

 

A Carlos Heitor Cony

 

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

 

Thiago Mello  Livro-Poesia-Comprmetida-com-a-Minha-e-a-Tua-Vida-Thiago-de-Mello

 

* Autor: Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964

Crônica / Homenagem : 20 de Outubro. dia do Poeta – Por Sebastião Gomes Fernandes *

DIA DO POETA

20 DE OUTUBRO

 

Homenagem ao Dia do Poeta

 

 

 

EXALTAÇÃO A CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

 

 

Poeta é aquele que faz versos, que escreve poesias.

A poesia, ou gênero lírico, ou lírica é uma das sete artes tradicionais, uma forma de linguagem. A poesia é uma linguagem verbal criativa. Uma arte de escrever em versos. Uma forma de se expressar e transmitir sentimentos e pensamentos.
Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isso, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.

Prestemos nossas homenagens alguns poetas de renome nacional, dentre tantos outros.
Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Patativa do Assaré, ( Antonio Gonçalves da Silva – Ceará), Vinícius de Morais, Cecília Meireles, Mário Quintana, Manuel Bandeira, Cação o Poeta do Pajeú (João Batista de Siqueira).

 

Drumnond partiste!
Mas deixaste plantada
E em plena frutificação
A árvore que espelha
E inspira a cultura brasileira.

 

Poeta dos poetas,
Que se imortaliza
Quando em teus versos e poemas
Contas, descreves e polemizas
As mais variadas questões
Vividas pelos homens,
Nesta terra de meu Deus!

 

Por mais incrédulo que pareça,
Foste mais um dentre tantos outros,
Um benfeitor da humanidade,
Pois, a que foi dada a oportunidade
De conhecer tua obra,
Sentir a sonoridade de teus versos
E a seriedade de tuas colocações,
Jamais duvidará do esplendor e da riqueza
De que é portadora a mente humana,
Quando bem explorada.

 

Em vida, foste o mestre
Que nos legou
O que de mais puro e sensível
Se faz possível descrever
Em prosa e versos,
Quando se quer externar sentimentos
Que elevam o espírito do homem.
Foste o inspirador de novos talentos
Na literatura dos brasileiros
E de outros plagas.

 

Tua morte nos deixa um vazio,
Quando nos referimos à pessoa física de Drummond,
Mas fica na consciência
E na imagem a certeza
De que tuas idéias e pensamentos frutificarão para sempre.

 

 

Sebastião Gomes Fernandes sorrindo SAM_1084

 

* Autor: Sebastião Gomes Fernandes – É escritor, cronista, contista e poeta. Acadêmico e presidente da APLA – Academia Pesqueirense de Letras e Artes.