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Movimento Cultural/Crônica: Os Anos Dourados e o Clube dos Radicais – Por Walter Freitas *

OS CLUBES SOCIAIS

DOS ANOS DOURADOS

 CLUBE DOS RADICAIS

 

 

A sociedade pesqueirense teve o privilégio de contar com vários clubes sociais entre as décadas de quarenta e oitenta, período em que as fábricas estavam em pleno funcionamento e o comércio era bem movimentado. Havia boa oferta de empregos e existiam clubes para todos os gostos e posses.

Quem vivenciou esse período, certamente desfrutou dos bons e inesquecíveis momentos proporcionados pelas festas e encontros sociais realizados pelos clubes da época, a saber: Radicais, Clube dos 50, União, Atlético, Comercial, SESI, BNB e Clube de Campo.

Das associações acima, guardo recordações bem marcantes do simpático CLUBE DOS RADICAIS, por ter sido nele que iniciei ainda quase garoto, a minha participação em eventos sociais. Isto na condição de convidado, pois a minha idade não permitia que me associasse, segundo os estatutos.

(Posse da diretoria do Radicais em 1961)

Em todos, era praxe exigir-se dos frequentadores que os mesmos fossem sócios. O Clube dos Radicais não fugia à regra. Para fazer parte do seu quadro social, o rapaz era apresentado por um  sócio, que ficava responsável pelo seu comportamento durante um determinado tempo.

Decorrido esse período de experiência em que o convidado tinha os seus “passos” devidamente observados pela diretoria, o seu nome era submetido à apreciação pela comissão de sócios, em reunião específica e sigilosa.

Se a proposta fosse aprovada, o seu signatário recebia um ofício comunicando a sua admissão no quadro social. Caso contrário, a secretaria do clube mandava o que se chamava de “bilhete azul”, informando que o mesmo não podia mais frequentar as suas dependências. Essa situação constrangedora se aplicava normalmente àquele que durante o período de experiência cometera algum deslize. Guardava-se rigoroso sigilo.

Quando demonstrei interesse em tomar parte nas festas do referido clube, um amigo me fez uma recomendação: “trate logo de mandar fazer um uniforme”. É que nos bailes, inclusive festas juninas, o uso o “terno” era imprescindível naquela época.

Outro detalhe interessante é que por ocasião das festas não havia a hoje indispensável bilheteria. Os cavalheiros cientes de suas obrigações pecuniárias com o clube procuravam espontaneamente dar a sua colaboração. Aqueles que eram conhecidos como “escorões”, um membro da diretoria discretamente convidava para contribuir com a famosa “cota” para pagar à orquestra.

O fato de ser localizado no centro da cidade- a exemplo do Clube dos 50– fez com que o Clube dos Radicais fosse bem frequentado todas as noites por jovens que se reuniam para conversar, assinar o ponto no bar ou ouvir jogos de futebol no velho rádio, salvo engano, da marca Mullard. Existiam até ouvintes cativos do programa A Voz do Brasil..

Lembro, ainda, de uma grande programação social realizada no final da década de 50, nos seus salões: uma festa denominada de GRANDE NOITE INTERNACIONAL, se não me falha a memória (quem se lembrar, pode corrigir). Sua finalidade era apresentar ritmos de vários países e para tal, foram convidados os melhores dançarinos da cidade e da região. Naquela noite memorável, o SAMBA, o bolero, o twist. a rumba, o mambo, o tango e outros gêneros, tiveram em Lenildo Martins, Galego de Moacir, Milton Cadengue, Luiz Carlos (Leça) e mais alguns pés-de-valsa, os seus mais dignos representantes. Foi um sucesso! Deixo de citar os nomes das damas que embelezaram a festa por não estar devidamente autorizado, visto que o evento ocorreu há mais ou menos cinquenta anos.

Das manhãs-de-sol, guardo bem viva na lembrança uma que aconteceu no dia 29 de junho de l958, quando o Brasil conquistou o primeiro título de Campeão Mundial de Futebol. Dá para esquecer?

Ainda hoje tenho a impressão de que estou ouvindo LIU e VENÂNCIO (afinadíssimos) tocando aquelas belas músicas que apesar do tempo, permanecem presentes em minha memória.

E nas festas de São João, era o excelente conjunto de Jorge da Sanfona quem enchia de alegria o coração da moçada. O sempre sorridente Mané Piaba era um cantor e pandeirista que sempre fazia parte do animado grupo musical.

Ah! Quanta saudade! Em outra oportunidade, falarei dos outros clubes.

 

Pesqueira, março de 2006. (Essa crônica foi postada pelo OABELHUDO em 08 de novembro de 2013)

 

 

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, comerciante, professor, colaborador do OABELHUDO, cronista, poeta e pesquisador musical.

 

Canetadas/Homenagem – Colégio Santa Doroteia – Por Jurandir Carmelo *

HOMENAGEM AO SANTA DOROTEIA

 

(05 anos depois…)

 

Texto republicado em homenagem aos 95 anos do Colégio Santa Doroteia. Foi postado originalmente no blog do Sinésio em 2009., quando o Colégio completou 90 anos.

 

Quando a Escola das normalistas de ontem chega triunfalmente aos seus 90 anos de existência, não poderíamos deixar de render uma homenagem, mesmo que singela ao nosso Colégio Santa Dorotéia.

Pelas suas bancas, em busca do saber, passaram pessoas nossas, tais como: Dona Ninfa Araújo de Oliveira (minha saudosa Mãe); Dona Maria Olímpia Albuquerque Araújo (minha saudosa tia-mãe); minhas irmãs queridas, Nalise e Yêda Carmelo. Em nova fase as filhas adoradas Micheline Morgana, Fábia Roberta e Izabel Áurea; Por lá, também, passaram minha respeitada cunhada Socorro Melo de Oliveira, esposa de Lídio, meu irmão caçula e, ainda os seus filhos, meus sobrinhos, igualmente, queridos, Paulo Augusto, Huguinho (Hugo Alexandre, prematuramente desaparecido aos 21 anos de idade) e Ana Lídia. Ainda, Rommel e Débora, filhos da minha irmã Yêda Carmelo. Mais tarde teve assento, também, em suas bancas, o meu querido filho e amigo Jurandir Carmelo Junior. Hoje, a família, na sua quarta geração, está representada pela neta VALENTINA CARMELO.

Em tempos idos tivemos a presença e o apoio das irmãs Doroteias, quando presidente da Junta Governativa do Centro Estudantil de Pesqueira – CEP, mais tarde no comando do Clube de Jovens de Pesqueira, ao lado de bons e queridos amigos, tais como: o sempre professor Alder-Júlio Calado (desse não se pode retirar o hífen), uma pessoa de rara inteligência e caráter firme; Adilson Simões Silva, agora Monsenhor, que sempre ostentou um serviço de profunda sensibilidade, seja na educação, seja na evangelização da doutrina de Cristo ao seu rebanho, ou na celebração da Santa Missa; Giovane Siqueira (nosso Diretor de Esporte, prematuramente falecido, jovem idealista e voltado ao fortalecimento dos desportos na nossa terra Pesqueira); Janete Cabral Viana (das terras sanharoenses, jovem possuidora de terna de infinita grandeza, amiga fiel e conselheira); Ivaneide Maia Brito (carinhosamente tratada por Bera Brito, nossa tesoureira, irmã do corajoso amigo-irmão Jonas Brito, que tanto sofreu em defesa da luta estudantil, da democracia e da liberdade); As irmãs Virginia, Neide e Fátima Barbosa (que nos incentivaram a não deixar parar o movimento estudantil, com o fechamento do CEP, fechado que foi, por determinação dos militares, durante a ditadura militar, A primeira Diretora do Departamento Estudantil; a segunda Diretora Secretária do CJP; A terceira, ainda, mocinha, ao lado de Jeane Freitas, administravam o Departamento Social; Norma França, Vice-Presidente (sempre presente nas iniciativas do CEP e do CJP); Tomaz de Almeida Maciel (nosso Diretor Cultural e de Imprensa, que com sensibilidade editava o nosso jornalzinho “O MUNDO JOVEM”).

Naqueles tempos, sob a perversidade do malsinado Decreto 477, nascido nas brenhas e nas moitas do, igualmente, malsinado AI5, que aprisionou sonhos, torturou e matou jovens estudantes, resistíamos à ditadura, que nos impôs o golpe militar de 31 de março de 1964, apoiado pelo fracionamento moral de alguns civis que venderam as suas almas, para se manter no poder político da Nação, fechando o Congresso Nacional, respaldando atos que feriam a dignidade pátria, a exemplo dos Decretos que determinavam o exílio de brasileiros que lutavam pelo restabelecimento do Estado de Direito, pela Liberdade e pela Democracia.

O CEP foi um forte instrumento naquela época. A sua luta era no sentido de manter acessa a chama da esperança dos jovens estudantes pesqueirenses. Era preciso continuar o trabalho de valorosos estudantes que nos antecederam. Fizemos movimentos, fomos às ruas de Pesqueira protestar. Fomos às ruas em defesa da cidadania, da liberdade e da democracia. Saímos às ruas em defesa dos professores do Ginásio Municipal de Pesqueira, que viviam ameaçados, com salários além de aviltados, atrasados. Prenderam-nos dentro do Ginásio. Mais conseguimos sair para ruas rumo à residência do Prefeito, quando protestamos, quando exigimos o devido respeito para com os nossos Mestres. O Sargento Viana, do Tiro de Guerra 171, que antes havia assinado o manifesto em favor dos professores, por ser um dos próprios, colocou a polícia nas ruas para dispersar o movimento dos estudantes, pedindo reforço por sinal ao contingente policial de Garanhuns. Por pouco Pesqueira não vira uma praça de guerra. Estudantes de um lado, policiais do outro, a serviço dos bajuladores de plantão e chaleiras do poder central. Mas entidades como a Associação dos antigos Alunos Cristo Rei – AACR nos ofertou o necessário apoiou com a presença marcante da coragem, de jovens como Silvio Lins, Gabinho, Antonio Torres, Hugo Chacon, entre outros.

Lutamos nas ruas e nas igrejas (orando) pelo nosso companheiro Jonas Brito, que estava preso no Recife, por integrar movimentos estudantis. Resistimos! Nas igrejas rezávamos pela liberdade do Jonas Brito. Havia a manifestação de protestos nas escolas, nas praças, nas ruas, nos bares. Resistimos e resistimos. Jonas Brito, algum tempo depois foi posto em liberdade. Festejamos a sua liberdade, aplaudimos a sua coragem. Jonas foi exemplo de fé, de lealdade, de valentia.

Essas resistências, esses protestos, levaram ao Sargento Viana, do Tiro de Guerra 171, de Pesqueira, apoiado pelo IV Exército, a fechar o CEP. Sim o CEP foi fechado! A sua sede foi desativada por militar e apoiada pelo Juiz da época. Mas continuamos resistindo. Proibiram-nos de promover quaisquer movimentos nos Ginásios e Colégios de Pesqueira, nas suas ruas, nas suas praças. Tentaram de tudo, mas não nos impediram de pensar, de criar caminhos alternativos.

Em importante reunião no COLÉGIO SANTA DOROTEIA com o apoio da sua ilustre e corajosa Diretora IRMÃ LIMA e com o aval e a sensibilidade de MADRE GUEDES, IRMÃ GAZINELLI, IRMÃ GOMES, IRMÃ FREITAS, entre outras, foi criado o CLUBE JOVEM DE PESQUEIRA. As irmãs protestaram! Na reunião dizia a irmã Gazzinelli: “ …os estudantes não podem ficar sem voz. O que eles fazem de mal? ” Irmã Lima, pediu uma audiência com o Senhor Bispo Mariano de Aguiar. Como já era esperado, tivemos o apoio decisivo do Senhor Bispo, que nos cedeu uma ou duas salas, no segundo andar do prédio do então Cine Pesqueira, pertencente à Diocese de Pesqueira. Mais tarde, o Clube Jovem de Pesqueira passou a funcionar na Rua 15 de Novembro (hoje Lídio Paraíba), na antiga sede da Pio União, com os mesmos objetivos do CEP. A sede foi cedida pelos franciscanos.

Deixamos a nossa marca. Criamos o Museu de Arte Sacra de Pesqueira; Criamos a campanha para o assentamento em madeira (taco) da quadra de Esportes do Colégio Santa Dorotéia. Conseguimos com o apoio e a sensibilidade do povo pesqueirense.

Casa para o povo do bairro do Matadouro. O nosso idealista e batalhador maior Adilson Simões Silva, sensibilizou a igreja internacional e conseguimos dá início a obra edificante do Bairro de Santo Antonio (Matadouro), com recursos de diversas comunidades internacionais e o apoio decisivo do Bispo Mariano de Aguiar.

Fomos mais adiante. Realizamos palestras, caminhadas para alertar a juventude pesqueirenses dos perigos que a ditadura militar nos oferecia, na sua essência maligna de perseguir, prender, torturar e matar jovens estudantes nos quadrantes da Pátria Mãe.

Realizamos a CAMINHA DA ESPERANÇA, com o apoio da AACR. Muitos dos lugares a que buscamos para nos reunir foram negados pelos seus proprietários, seus donos, seus diretores, simpatizantes e apoiadores do golpe militar, etc. Mas a coragem de Senhor RAIMUNDO HOLANDA, pai do nosso querido amigo-irmão Bruno Holanda, fez com que o mesmo cedesse a FAZENDA QUATRO CANTOS para o encontro da CAMINHADA DA ESPERANÇA, que objetivava (e objetivou) discutir novos rumos para a nossa juventude. Três palestrantes chaves: Padre Zé Maria, que sempre apoiou os estudantes pesqueirenses; Irmã Lima, então Diretora do Colégio Santa Dorotéia, que nos abria os caminhos; e o Senhor bispo Severino Mariano de Aguiar, com a forte presença no meio estudantil. Foi aí que a coisa ficou PRETA, melhor dizendo: “VERMELHA”. Fomos chamados ao Tiro de Guerra 171. Tínhamos de depor perante o Sargento Viana. As presenças de Padre Zé Maria e, principalmente, do Senhor Bispo Mariano de Aguiar na CAMINHADA DA ESPERANÇA, foram interpretadas como sendo uma afronta aos ditadores de plantão. Saímos pela resistência e pela coragem. Mas ficou a perseguição em escola, na vida enfim. Esse fato foi bem colocado por Alder-Júlio Calado no seu corajoso discurso no dia do ato inaugural do Museu de Arte Sacra. Tanto assim, que tivemos uma audiência especial com dom Hélder Câmara que nos incentivou e encorajou o nosso movimento, logo após a inauguração do nosso museu.

Vamos relatar agora um fato engraçado e interessante. Aliás, esse se tornou perigoso. O então seminarista Adilson Simões, queria dá mais brilho ao ato inaugural do Museu de Arte Sacra, para o qual convidamos o eterno Bispo Vermelho – (Vermelho, que representava o sangue de tantos brasileiros que tombaram no bom combate contra a ditadura, na permanente luta pelo restabelecimento do Estado de Direito, pela Liberdade e pela Democracia). DOM HÉLDER CÂMARA aceitara o nosso convite. Tudo pronto para a chegada do Dom da Paz. (O ato inaugural está registrado no livro PESQUEIRA SECULAR, inclusive ilustrado com foto onde se vê na parte de dentro do museu, o, ainda, universitário Silvio Lins, o então seminarista Adilson Simões e Jurandir Carmelo, àquela época Presidente do CJP. Na parte de fora o Arcebispo dom Hélder Câmara e o quarto bispo de Pesqueira, dom Severino Mariano de Aguiar, cortando a fita inaugural). Pois bem, resolvera Adilson Simões, a título de empréstimo, ir buscar a imagem de Nossa Senhora das Montanhas, na Igreja da Vila de Cimbres. Conseguiu trazê-la. Não passou meia hora no Museu. Os índios da Serra do Ororubá desceram em “revoada”, e na frente do Seminário São José (residência do Bispo) fizeram um protesto, levando de volta a imagem da Santa Padroeira. Adilson levou uma bronca de dom Mariano que com certeza jamais esquecera.

Mas, antecedendo o ato inaugural do Museu de Arte Sacra, Dom Hélder proferiu uma palestra à juventude de Pesqueira, no auditório do então Cinema Moderno, cedido gentilmente por “seu” GILBERTO PITA MACIEL, sob os protestos de alguns senhores e senhoras da cidade, muitos com assento. Mas, a grande força para o sucesso da palestra foi o decisivo apoio do COLÉGIO SANTA DOROTEIA – (o primeiro a apoiar a iniciativa da palestra), principalmente, através de sua então Diretora IRMÃ LIMA. Mais tarde, tivemos o apoio do professor Paulo Melo, então Diretor do Colégio Comercial Municipal de Pesqueira. O auditório esteve lotado, com aplausos e mais aplausos ao eterno HÉLDER CÂMARA

Hoje, quando celebramos os 90 ANOS DO COLÉGIO SANTA DOROTEIA não poderíamos deixar de reconhecer o incentivo e a coragem de IRMÃS DOROTEIAS, na importância da efetiva participação na formação religiosa, educacional, cívico e moral da nossa juventude. Assim homenageamos a cada uma delas, nas pessoas carismáticas e sensíveis de MADRE GUEDES E IRMÃ GAZINELLI, e, especialmente, da IRMÃ LIMA, esteja onde estiver.

Peço licença ao Mestre Potiguar Matos, hoje na sua morada celestial, mas não poderia encerrar estas CANETADAS sem usar uma de suas mais lúcidas expressões sobre o “COLÉGIO SANTA DOROTEIA”, quando em emocionante discurso proferido na Câmara de Vereadores de Pesqueira, nas festividades dos seus 70 ANOS, asseverou:

“…E O COLÉGIO SE FAZ GENEROSO PARA ABRIGAR OS FILHOS DESTA TERRA. ACOLHE-OS NA CERTEZA DE ESTAR ACOLHENDO OS “SONHOS” QUE OS PAIS SONHAM PARA SEUS FILHOS. O SANTA DOROTEIA É, DE FATO, UMA PRESENÇA NA VIDA DESTA CIDADE, NA VIDA DE CADA LAR ONDE SE DESDOBRAM, EM FRUTOS, AS LIÇÕES, OS ENSINAMENTOS, OS IDEAIS ACALENTADOS E RENOVADOS NA RELAÇÃO PEDAGÓGICA DO DIA-A-DIA (…)”.

PARABÉNS AO COLÉGIO SANTA DOROTEIA! PARABÉNS ÀS IRMÃS DOROTEIAS! PARABÉNS A TODOS OS SEUS EX-ALUNOS, MAS, ESPECIALMENTE, ÀS ETERNAS NORMALISTAS, AQUELAS DAS SAIAS PLISSADAS E DAS BLUSAS BRANCAS!

PARABÉNS, ENFIM, A TODOS QUE CONTINUAM ESSA GRANDE OBRA. VIVA OS 95 ANOS DO COLÉGIO SANTA DOROTEIA! VIVA PESQUEIRA!

* Autor: Jurandir Carmelo – Jurandir é pesqueirense, advogado, cronista, colaborador assíduo do OABELHUDO, defensor intransigente de tudo que se refere à história de Pesqueira.

(Obs; Por motivos técnicos o blog não está postando FOTOS ilustrativas ao texto)

Pesqueira/Homenagem: Comercial Esporte Clube – Por Walter Jorge de Freitas *

P E S Q U E I R A

COMERCIAL ESPORTE CLUBE

 

Escudo do Comercial de Pesqueira

 

Diretoria do Comercial de Pesqueira

Diretoria do Comercial de Pesqueira

TIME DO COMERCIAL E. CLUBE (1)FOTO 1 DO TIME QUE DISPUTOU O PRIMEIRO TORNEIO INICIO.

 

 

As décadas de 50 e 60 foram marcadas por acontecimentos sócio-esportivos que permanecem vivos na memória deste modesto rabiscador e certamente de muita gente que vivenciou os grandes momentos dessa época romântica e de muita efervescência social.

A juventude de Pesqueira desfrutava de vários clubes sociais que realizavam além de bailes, matinês, manhãs de sol e até piqueniques para que não faltasse lazer para a moçada.

O União detinha a supremacia nas disputas com o Motorista, Independente, Atlético e SESI, times que apesar de jogarem bom futebol, falhavam nas decisões.
Existiam também as peladas domingueiras, de onde saíram muitos jogadores para os times da Liga e alguns chegaram a brilhar no futebol brasileiro e até no exterior.

A conquista da Copa de 58 na Suécia, provavelmente serviu de motivação para que os jovens tomassem mais gosto pelo futebol. Isto talvez tenha sido uma das causas, juntamente com a vontade de encontrar mais uma forma de distração, que levaram alguns rapazes do comércio a decidirem pela prática desse esporte. Foi mais ou menos assim, que nasceu o COMERCIAL, cuja data de fundação foi oficializada como 05 de abril de 1959.

Participamos da primeira ”vaquinha” para comprar a bola. Em seguida, vieram as reuniões em lugares improvisados.
No ano de 1961, o time disputou o seu primeiro torneio início como filiado à Liga. O resultado não foi expressivo devido à falta de experiência.

Antônio Avelino, o seu mais atuante dirigente não se descuidou da parte social do Clube, realizando grandes bailes nos salões do antigo Armazém Central.

Os nossos primeiros treinadores foram Artur Fon-Fon e Seu Laércio Valença.

O grande desportista Heronides Lopes ajudou bastante ao Comercial.

Daí, para conseguir a sua sede própria, não demorou muito. Para realizar tal feito, a diretoria contou com a colaboração dos prefeitos Luiz Neves, Neco Tenório, Valderique e Eutrópio Monteiro e do deputado Zezé Fernandes, sem falar naqueles admiradores ferrenhos que não mediam esforços para ajudar ao clube.
O futebol do Comercial evoluiu e desbancou o time do União, que até então era imbatível, ostentando, inclusive, a marca de dez campeonatos consecutivos.

O Comercial não só destronou União, como assumiu a hegemonia do futebol pesqueirense e da região por vários anos, graças ao respeitável plantel que conseguiu reunir.
Para não cometer injustiça, evitamos citar os atletas que vestiram e honraram a camisa comercialina, conseguindo títulos e vitórias de grande importância para o clube.

Nas décadas de 70 e 80 tivemos alternância no que tange às conquistas de campeonatos, devido ao equilíbrio de forças entre o União e o Comercial, sendo que o apoio do Grupo Peixe, fez com que o rubro-negro se fortalecesse bastante nesse período.
Mas como nem tudo são flores, o nosso futebol, não suportando a concorrência com a TV e a má gestão de alguns dirigentes, entrou em decadência.

Hoje, os nossos clubes encontram-se ociosos, o que é uma pena, pois os torcedores ficaram privados de bons jogos em que a rivalidade era o principal fator de motivação.
Mesmo assim, a diretoria atual do Comercial, conseguiu ânimo e está comemorando os CINQUENTA ANOS de existência deste que nasceu do sonho de alguns jovens e atingiu feitos memoráveis no futebol e na vida social da cidade.

PARABÉNS AO COMERCIAL PELOS 50 ANOS DE VIDA.

walter-J-Freitas II

Pesqueira, l7 de abril de 2009. (Crônica Republicada a pedidos)

* Autor: Walter Jorge de Freitas – Walter é pesqueirense, ex-jogador  e diretor do Comercial, cronista, colaborador do OABELHUDO, poeta e pesquisador musical.

CANETADAS ON LINE/Republicada a Pedidos – Por Jurandir Carmelo.*

Evandro Chacon e Luciano Benone.(Prefeito e vice-prefeito de Pesqueira)

Evandro Chacon e Luciano Benone.(Prefeito e vice-prefeito de Pesqueira)

OS ENFRENTAMENTOS E DESAFIOS

DO NOVO PREFEITO DE PESQUEIRA…

 

Há uma sensação e expectativa no ar pesqueirense de que a partir de 1º de Janeiro de 2013, com a posse do novo prefeito, tudo vai mudar. E que essa mudança será imediata. Esse é o sentimento maior que norteia a vida da cidade, nesses dias que antecedem a chegada do novo governo.

Puro engano! As coisas não acontecem assim. E quem pensa dessa forma está profundamente equivocado, mesmo que tenha a esperança de ver acontecer profundas e imediatas mudanças, quase que radicais, para resgatar a moralidade pública perdida, no tempo e no espaço.

Até porque são doze anos de descaminhos e desencontros! Não que nada tenha sido feito. Seria injusto assim dizer, mas é que nada foi feito com o coração, por isso sucumbiu, desandou. Em razão disso a nossa terra está necessitando dessas mudanças. Urgentes mudanças! Mudanças que partam, em primeiro momento, do coração e da alma. Da alma e do coração da nossa gente, dos nossos governantes, do nosso legislador, bem assim de todas as autoridades constituídas. Sem isso, não haverá mudanças!

Chega de ficarmos olhando para esse passado tenebroso, cheio de sinuosidades, de desencontros e descaminhos. A ordem é marchar para frente na retomada dos caminhos retilíneos, que nos leve ao reencontro do desenvolvimento da nossa terra, nela fincando melhores dias para o nosso povo, sempre humilde, trabalhador e ordeiro.

Vamos de vez acabar com essa tristeza, esse olhar cabisbaixo, esse olhar de pedinte. Esse olhar pobre diante da riqueza da nossa força produtiva fere os postulados maiores da grandeza da nossa terra. Pesqueira sempre foi altiva e forte. Novamente será! Mas para isso, procuremos na amenidade dos gestos das nossas crianças, dos nossos jovens, do homem e da mulher pesqueirenses, o sentimento maior que povoará os novos tempos.

De nada adianta querermos “caçar bruxas”. Pesqueira não tem essa vocação. A vocação da nossa terra é a da convivência saudável, ordeira, prestimosa. É PESQUEIRA OLHANDO PARA FRENTE! Os erros do passado, os crimes cometidos por um ou outro, deles tomem de conta a Justiça. É o seu papel! A nossa parte já fizemos e fizemô-la com acerto, no momento certo, na hora precisa. Daí ganharmos as eleições.

Unamo-nos, portanto, pelo fortalecimento de Pesqueira, pelo seu desenvolvimento, pelo seu reordenamento moral e cívico. Vamos procurar ajudar o novo prefeito. O Dr. Evandro vai precisar de cada um de nós. Ele não será o prefeito apenas de alguns, mas o prefeito de todos. Sim, porque Pesqueira pertence a todos e, indistintamente, todos têm direitos e deveres.

E é respeitando esses direitos e deveres, respeitando as leis, que confiamos na ação político-administrativa do nosso futuro gestor. E porque assim pensamos? Porque essa convicção vem do quanto Pesqueira conhece o Dr. Evandro, que além ter nascido aqui, sempre residiu e trabalhou em Pesqueira. Aqui, como pediatra cuidou bem das nossas crianças, sendo reconhecidamente um homem sério e honesto, um profissional responsável e competente, e que tem experiência político-administrativa. Foi prefeito por 10 anos de Pesqueira. Sabe, portanto, o que fazer. Ajudá-lo a governar a nossa terra, não será tarefa apenas da sua equipe de trabalho, mas de todos os pesqueirenses e pesqueiristas, dos que aqui estão ou dos que fora vivem, mas que amam Pesqueira, se preocupam com Pesqueira, a exemplo dos nossos conterrâneos que fazem a Grande Nação Pesqueirense, espalhados por esses “brasis” afora.

Será, portanto, a união de todos nós a grande força para reconduzirmos Pesqueira ao seu lugar de destaque no contexto das grandes cidades pernambucanas, quiçar brasileiras.

É preciso assim que tenhamos compreensão, sim, porque muitos que ajudaram na campanha do Dr. Evandro, de uma forma ou de outra, gostariam de ingressar nos quadros funcionais da prefeitura. Mas isso tem limites, limites de ordem moral e de ordem legal. Limites!

Ora, se lutamos por mudanças, temos que ter a compreensão de que essas mudanças passam, inevitavelmente, por profundas transformações administrativas, inclusive no controle dos gastos do município, cujas finanças estão agonizantes. A máquina pública precisa, urgentemente, ser enxugada. Urge a diminuição do número de cargos comissionados, de contratos temporários, de carros agregados, e com isso o fim de privilégios.

Haverá, portanto, um enorme esforço para ajustá-las. E o prefeito sabe disso. Os problemas existem e são enormes. A situação quase que falimentar do Hospital Lídio Paraíba, ensejará, esforço concentrado, a partir de um choque de gestão.

A questão do matadouro e do açougue públicos, aliada ao descaso para com a nossa rodoviária e a limpeza pública carecem intervenções fortes, urgentes. E tudo precisa ser solucionado, resolvido. Mas para que isso ocorra necessário se faz a união de todos os pesqueirenses.

Mais do que isso o prefeito Evandro precisará do apoio do governador, como para resolver a questão da água e de outros setores, igualmente, necessitará. Temos certeza de que o governador Eduardo Campos não vai negar a Pesqueira o que lhe é justo e merecido. Da mesma maneira que não faltará ao prefeito Evandro Chacon, em suas reivindicações.

Deixemo-lo, que decida o que deve fazer e como fazer. Deixemo-lo que tome pé da situação. Deixemo-lo que busque as soluções reclamadas.

Assim, não cabe, portanto, a esse ou aquele barganhar cargos e posições de destaque, buscar no jeitinho brasileiro uma maneira de ver atendidas as suas pretensões. Nem para os que querem entrar nem para os que querem ficar na prefeitura. Os servidores do quadro, esses não. Esses estão garantidos por lei.

Referimo-nos aos cargos de livre escolha e nomeação. Os chamados cargos em comissão. Dos dois lados há gente boa, respeitada, honesta, como há funcionários que, no primeiro momento, sejam necessários em seus cargos. Daí a necessidade da compreensão. Demais disso cabe ao novo prefeito decidir. A livre indicação e nomeação dos cargos é uma prerrogativa sua, é um direito seu intransferível, garantido pela legislação pátria.

No mesmo sentido, essa reflexão cabe aos partidos políticos da base de apoio do prefeito eleito. Os partidos de oposição, temos certeza, não serão contrários aos projetos de interesse coletivo, que busquem melhores condições de vida para a população, que visem o desenvolvimento de Pesqueira. Evidente que farão a sua parte, mas, está na hora de acabar de vez como o toma lá e da cá. Filosoficamente esse não é o papel dos partidos políticos.

Temos que a lição do mensalão criou novos tempos. Temos, igualmente, que as decisões do Supremo Tribunal Federal haverão de acabar de vez com essas pretensões sinuosas, descabidas, ilegais e imorais. Portanto, os ilustres vereadores eleitos e diplomados, que tomarão posse a 1º de janeiro de 2013, haverão de conduzir o legislativo honrando o voto dos seus eleitores e, definitivamente, sem barganhas, votando, pelas suas consciências, o que de melhor for para o Município como um todo.

Até porque a conduta do “jeitinho brasileiro” sempre passa pela ilegalidade dos atos, pela imoralidade das decisões, pela falta da transparência, impedindo a limpidez dos gestos, da ação política e administrativamente correta. Temos a quase certeza de que não haverá no governo do Dr. Evandro Chacon, esses descaminhos e desencontros.

Fiquem certos aqueles que pensam que poderão se locupletar do dinheiro público, que para eles o novo prefeito será enérgico, afastará de forma imediata o infrator, o “esperto”, além de abrir os processos administrativos e judiciais cabíveis. Esse foi o discurso que nos passou o Dr. Evandro, antes durante e depois da campanha. Essa, sem dúvida, será a tônica maior da sua conduta a frente da Prefeitura Municipal de Pesqueira.

De tal modo, que deixemos que o futuro prefeito faça, por si só, a escolha de sua equipe. Se nele votamos, o fizemos pela confiança, o quisemos prefeito porque temos a certeza de que Ele caminhará pela trilha dos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Por outro lado temos a certeza de que Ele saberá contemplar os partidos políticos que o apoiaram, bem como conclamará pessoas que estiveram ao seu lado durante a campanha, mas repetimos, a escolha, a decisão, terá quer ser sua.

POR ÚLTIMO…

Como se não bastassem essas questões, o futuro prefeito terá de enfrentar uma séria turbulência nas finanças do município que refletirá nos caminhos que haverá de percorrer, a partir de janeiro, pois dos descaminhos financeiros da municipalidade pouco Ele sabe, até porque essas comissões de transição sempre brincam entre si, uma pensando que informa e a outra ponderando que recebe as informações.

Na verdade o prefeito eleito só vai conhecer o que realmente existe nas finanças da municipalidade, após a sua posse, quando efetivamente tomar pé da situação, ou seja, quando mandar sem pedir. Por ora, Ele apenas pede quem manda, ainda, é o outro lado, daí ficar a ver navios, em pleno semiárido.

Mas, é bom saber que o sentimento de mudanças está inserido no dia a dia das pessoas, dos pesqueirenses, enfim. É isso é bom, muito bom! Até porque o nosso município está muito debilitado, quase afundado em profundas águas turvas, impedindo a visibilidade precisa para melhor enxergar, para se apurar o que de fato existe de tão podre no “reino da Dinamarca”.

Portanto, ninguém espere que as mudanças tão esperadas pela maioria do nosso povo vão acontecer agora, de forma imediata. Elas virão! Disso temos certeza. E o que nos remete a esse entendimento é saber que o novo prefeito é um Homem honesto, bem intencionado, experiente, e antes de tudo PESQUEIRENSE, que ama a sua terra e a sua gente e, como ele gosta de dizer, as crianças.

A COLUNA CANETADAS, POR SEU AUTOR, DESEJA A TODOS OS SEUS LEITORES UM FELIZ NATAL E UM ANO NOVO CHEIO DE PAZ E PROSPERIDADE.

Jurandir Carmelo.

 

*Autor: (Jurandir Carmelo: pesqueirense, jornalista matuto e advogado)