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POESIA/CORDEL – O SUSTO QUE CHOROSA DEU EM JOÃO BRAÚNA – Por João Roberto Maciel Aquino.

CHOROSA X BRAÚNA

A cena: "Chorosa" arrepiou o João Braúna



João Medeiros ou João Braúna

Como é conhecido mais,

Passou dos 80 anos

Deixou as farras pra trás,

Mas foi cabra cachaceiro,

Dançador, raparigueiro,

No tempo que era rapaz.

Forró no clube, na rua,

Sitio, fazenda, arruado,

Onde tivesse uma festa

Tava ele lá animado

Brilhantina de primeira,

Um sapato lavandeira,

Terno de linho engomado.

Em festa de padroeira,

Carnaval, arrasta pé,

Reisado, coco de roda,

Vaquejada, cabaré,

Teve furdunço e cachaça,

Tava ele lá, dando a graça,

Era um boêmio de fé.

Certa vez, teve uma festa

Lá pras bandas do Pagão,

Ele arrumou-se pra ir,

Chamou Ventura, Tião,

Bebé, os filhos de Totô,

Quando o forró começou.

Já estavam lá no salão.

A festa foi afracando,

Ele cismou de ir embora.

Ninguém quis voltar com ele,

Mas João não teve demora,

Tomou mais uma brejeira,

Botou na cinta a peixeira,

E danou-se de estrada a fora.

Era noite de verão.

Sanharó enluarado.

Lá vem ele assobiando,

Mas ficou encafifado

Quando avistou um mistério

No muro do cemitério

Um vulto branco encostado.

Preparou-se pra correr

Mas mudou de opinião

Quando lembrou de um desastre

D’um ônibus e um caminhão

Uma cena de horror

Bem onde ele passou

Não tinha outra solução:

O jeito era ir em frente

E enfrentar a assombração.

Arregaçou bem a calça,

Botou a faca na mão,

Quando começou correr,

Só viu a coisa crescer

E vir em sua direção.

Quando emparelhou com o vulto

Escutou a voz fininha

Dizendo: – Dá-me socorro!…

Credo em cruz!… Salve rainha!...

Ficou teso, sem ação,

A faca caiu da mão

Mijou a calça todinha.

Era Chorosa, um maluco,

presepeiro inveterado

Que gargalhando falou:

Eita João frouxo danado!

O sangue voltou-lhe às veias

João soltou-lhe a mão na “urêia”

Que o doido caiu sentado.

Foi um tabefe tão grande

Que nunca mais ele ouviu bem.

Braúna não foi mais festas

Pra voltar sem ter com quem.

E o Chorosa, coitado

Morreu velho, amalucado,

E não fez mais medo a ninguém.

Hoje a gente dá gaitada

Toda vez que ele conta

Mas ninguém quer enfrentar

Empreitada dessa monta

Pode ser cabra arrochado,

Só não sai de lá cagado,

Se não tiver merda pronta.

João Roberto Maciel de Aquino

POESIA/CORDEL – A PRESIDENTA DILMA – Por João Roberto Maciel Aquino.

PRESIDENTA DILMA

Dilma foi tomando posse

Começou o inventa inventa.

Quer mudar nossa gramática

Pra sentir-se “diferenta”

Fez finca-pé, cara feia,

E obrigou a quem lhe rodeia

Chamá-la de PRESIDENTA.


Manicura, pedicura,

Chefa, atendenta, tenenta,

A dirigenta, a médica,

De quem ela é pacienta,

Adolescenta, estudanta,

Gerenta, serventa, anta,

Vão chamá-la PRESIDENTA.


A despachanta eleganta,

A conferenta sorridenta

A pobre parturienta

A parenta competenta,

A falanta e a ouvinta,

A cadeiranta, a pedinta,

Chamar-lhe-ão PRESIDENTA.


“Madame le president”,

Lhe obedecerei contento

E esse estilo afrancesado

Abandono cem por cento

Presidenta vou lhe chamar

Se a senhora concordar

Chamar Lula PRESIDENTO.


Dilma reforma ortográfica,

É para intelectual.

Faça a reforma política,

E, urgentemente, a fiscal,

Dê jeito na previdência

Acabe com a violência

Mande corrupto pro pau.


Com trabalho, educação,

O progresso andando a mil,

O povão com mesa farta

De tão feliz fica gentil

Deixa Marcela pra lá

E, para lhe agradar,

Lhe elege até Miss Brasil.