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Livro/Homenagem – Famílias Pinto Bezerra & Foerster / Paulo Foerster (Sênior) – Por Paulo J E Foerster *

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O nosso passado está escrito,
jamais poderemos corrigi-lo.

 

 

Aos irmãos Sônia, Severina, Auxiliadora (Cicy), Cláudio, Flávio, Alberto (in memoriam), Cristina e Luciano, que mesmo percorrendo diferentes caminhos sempre permanecemos juntos.

 

Fazenda Canaã (aquarela) Berço da família Foerster no Brasil

Fazenda Canaã (aquarela) Berço da família Foerster no Brasil

N.5.1 Paulo Foerster- Pequena biografia

 

Escrever com isenção sobre Paulo Foerster, o que ele representou para Sanharó não é uma missão fácil.

 

Aos cinco anos, residia no Recife, quando viu seu pai falecer prematuramente e passou a morar com seu avós maternos na fazenda Canaã, onde nascera. Estudou inicialmente em Sanharó com Dona Filadélfia, a seguir no Colégio Diocesano de Pesqueira, que passou a ser denominado posteriormente Cristo Rei e por fim no Colégio Diocesano de Garanhuns. Inicialmente, fixou-se na residência de Monsenhor Callou, seu padrinho e diretor do colégio, posteriormente como interno. Desse período contava Paulo, que assistia filmes, na época ainda mudos, ao som de piano para quebrar a monotonia da projeção. A pianista oficial do cinema era a irmã de Monsenhor Callou, o que facilitava seu ingresso ao cinema.

Paulo Foerster na foto da 1ª Comunhão

Paulo Foerster na foto da 1ª Comunhão

A cidade de Garanhuns, para onde ia a cavalo, era toda cercada de plantação de café e no quintal da residência do Monsenhor Callou existia um pé de laranja e para que a meninada não tirasse (roubasse) as laranjas, um cachorro era amarrado ao tronco. A solução encontrada por ele e Pedro Calou (sobrinho do padre e posteriormente promotor de justiça) foi correrem em volta do pé de laranja e o cachorro os acompanhava para morder. Só paravam quando o cachorro estava todo enrolado na árvore.

“Era o momento para tirarem as laranjas”.

Não sentindo aptidão para os estudos, só fez o segundo ano ginasial. Aos quinze anos já não existiam os seus avós maternos, Joaquim e Águeda, com quem morava. Assumiu a administração da fazenda Pé de Serra, herdada por sua mãe Olindina, a qual posteriormente passou a ser denominada de Canaã.

Aos dezessete anos se casou com Enerieta Araújo Leite, filha de Cícero e Arcelina Araújo Leite com quem teve a sua única filha, Sônia. Quinze dias após o seu nascimento, Enerieta veio a falecer.

Casal Anilda e Paulo Foerster

Casal Anilda e Paulo Foerster (1942)

Severina e Cristina  Foto017  Paulinho, Yvone, sônia, Cicy e a jumenta  Foto015 Olindina, Paulo e José Foto010

1-Severina e Cristina; 2- Paulinho, Cicy, Cláudio, Sônia, Yvone e a jumenta…3-Olindina, José e Paulo

Paulo Foerster, Anilda e os 7 filhos e mais Sônia filho do 1º casamento

Paulo Foerster, Anilda e os 7 filhos e mais Sônia filha do 1º casamento

Em segundo matrimônio, Paulo se casou com Anilda Cordeiro Valença, filha do Elias Cordeiro Valença (Lili) e Maria Aurora Medeiros Valença (Nazinha). Desse matrimonio nasceram sete filhos, Auxiliadora, Paulo José, Cláudio, Flávio, Alberto, Cristina e Luciano. Desde o casamento em 1942, até 1950, o casal com os três primeiros filhos residiram na fazenda Canaã mas, quinzenalmente deslocava-se com a família de charrete, que lembrava as diligências de filme americano até a fazenda Boa Vontade de propriedade do seu sogro. No ano de 1945, a família acolhe a menina, Severina Santos Almeida que passou a levar, até os dias atuais, uma vida de dedicação e querência aos familiares, fazendo por merecer o carinho e amor das gerações posteriores.

Por necessidade de colocar os filhos na escola, a família passou a residir em Sanharó, após adquirir a residência do Major José Pedro, cuja área é ocupada pelo atual bairro do Salgado e a moradia do Sr. José Naíde.

Apesar do nome de casado de sua mãe ser Olindina Pinto Foerster, Paulo e seu irmão José foram registrados apenas com sobrenome do pai, Foerster, o que não impediu de ser conhecido por longos anos como Paulo Pinto, sendo inclusive esta a denominação constante nas cédulas de votação para escolha do primeiro prefeito e vereador de Sanharó.

Paulo era sedento por novos conhecimentos, novas tecnologias. Procurava saber e fazer de tudo um pouco.

No futebol chegou a jogar no time de Sanharó, que era patrocinado por Cícero Leite e teve companheiros como Pirombá, posteriormente um dos maiores atacantes do futebol pernambucano, bem como Manoelzinho, ex-goleiro do Náutico e da Seleção Pernambucana, Negrão, René Leite, entre outros.

Antes dos trinta anos já era vereador por Pesqueira e participava ativamente pela emancipação de sua cidade, Sanharó.

O grupo, formado por Antonio Avelino, Oscar Tolentino, Miro Vitor tomou conhecimento que iria ser apresentado um projeto na Assembléia Legislativa para a emancipação de Alagoinha. Quando comentavam o acontecimento debaixo de um pé de figo, existente nas proximidades de onde funcionava ultimamente a Loja Jolly, chega Paulo montado a cavalo e lhe dão ciência do fato.

De imediato resolveram que iriam contatar com Padre Arruda Câmara, então deputado na época, e que estava voltando do Sertão de trem. Na própria estação de Sanharó foram estabelecidos os contatos e as prioridades para apresentação de um projeto legislativo.

Conforme narração de Chico Caraciolo, para se constituir o território do futuro município de Sanharó seria necessário estabelecer as linhas demarcatórias. Parte já estava previamente fixada, haja vista que eram os limites do município de Pesqueira com São Bento do Una e Belo Jardim e que deveriam permanecer. Restavam estabelecer os limites com Pesqueira e qual seria a área que iria pertencer a Sanharó.

Preliminarmente, além da sede do futuro município, iriam fazer parte do mesmo os distritos de Água Fria, Mulungu, Jenipapo e Mutuca (Santa Terezinha). A tática era colocar a maior área possível para em seguida se negociar. Comenta-se que na época, ao se traçar uma das linhas imaginárias (ligando Lagoa do Sebastião a Cachoeira do Camorongo) que iria estabelecer os limites, a mesma passava no meio do campo de aviação de Pesqueira, que era propriedade da Fábrica Peixe. Claro que o bom senso fez com que a referida linha fosse deslocada.

A Paulo Foerster coube a missão de percorrer todas linhas demarcatórias a cavalo para posterior mapeamento do município.

Como era de se esperar, os interesses políticos e econômicos seriam antagônicos à proposta dos sanharoenses. Mutuca, por interesse da Fábrica Peixe, que tinha como seu aliado o chefe político Enedino de Freitas, foi excluída da área pretendida.

Água Fria, por interferência do deputado Arruda Marinho, que era de Belo Jardim mas mantinha laços familiares e políticos em Pesqueira, teria sido trocado por Divisão.

Apesar de o fato ser de domínio público, tomei conhecimento por meio Antonieta Xavier Almeida (Nieta), que sua mãe Hermínia Idalina de Jesus era professora em Divisão no inicio da década de 40, e recebia seu salário através da Prefeitura de Pesqueira, fato que nos leva crer que o distrito de Divisão pertencia a Pesqueira,

Alguns documentos foram encontrados nos arquivos de Paulo Foerster, após a sua morte, que demonstram sua intensa participação e as dificuldades no processo de emancipação de Sanharó.

O primeiro refere-se a um bilhete de Seu Lau, transcrito abaixo na íntegra e que tratava da interferência de Belo Jardim no processo para se estabelecer os limites de Sanharó.

Paulo

Vou a Belo Jardim, não oficialmente, vou tratar dos interesses de Sanharó, pois expliquei tudo a Dr. Barbosa e este pediu-me que fosse a Belo Jardim, que lá seria resolvido o caso dos limites. Ele ficou bem impressionado, dizendo que Sanharó um município menor que tinha o Estado, não era justo perder mais terreno. E o mais para a visita encontrei barreira forte em Recife em favor de Belo Jardim.

Do amigo
Laurentino Ventura Caraciolo

Obs. Neste período Paulo Foerster residia na fazenda Canaã, daí a razão do bilhete. O Dr. Barbosa citado no bilhete refere-se ao então Governador de Pernambuco.

As cessões das áreas iriam levar Pesqueira perder grande parte do seu território, já que se tratava da emancipação de dois distritos ao mesmo tempo, fatores que tornavam mais difíceis as negociações.

Em razão dos acordos celebrados entre os políticos que atuavam na região, coube ao deputado  Padre Públio Callado a apresentação do projeto na Assembléia Legislativa.

Documentos que registraram esse período foram também encontrados nos arquivos de Paulo Foerster, dentre os quais destacamos a primeira notícia sobre a emancipação de Sanharó.

Na época, o meio de comunicação mais rápido e eficiente era os Correios. E foi através desse meio de comunicação que o deputado Padre Púlbio deu ciência a Paulo Foerster, através de carta, da aprovação do projeto, em segunda discussão, sobre emancipação e solicitava ao mesmo tempo os preparativos para as comemorações.

Transcrevemos abaixo o teor desse documento inédito na história de Sanharó:

Recife, 9/XII/1948.

Paulo,

Levo meus parabéns à população de Sanharó por ter sido aprovado em 2ª discussão o projeto da criação do município.

Tencionava ir até aí nesta semana, mas em vista dos trabalhos não me foi possível. Seria oportuno que vocês pensassem na instalação do município em janeiro e deve ser festiva.

Como também uma reportagem para divulgar a notícia da criação e de fotografias do município, no Diário de Pernambuco. Parece oportuno agora a parte financeira. Para esses gastos é mister uma arrecadação entre os mais abastados.

Quando ao projeto for sancionado pelo governador, desejo que marquem um dia para que eu vá até aí, a fim de comemorarmos com o amigo.

Em tudo, sustente a parte nossa na política.

Abraços do amigo.

P. Públio Callado.

Logo após aprovação do decreto pela assembléia, se fazia necessária a sansão do mesmo pelo Governador do Estado, na época Barbosa Lima Sobrinho, que viria a ser mais tarde Presidente da Academia Brasileira de Letras e eminente jornalista brasileiro.

Receosos de um possível veto pelo Governador, em Sanharó foi constituída uma comissão para ter uma audiência com o Senhor Governador. Dessa comissão faziam parte Paulo Foerster, Oscar Tolentino Leite, Antonio Avelino Bezerra  e Seu Lau – Laurentino Ventura Caraciolo.

Da viagem um fato por demais pitoresco, que era comum para os que conviviam com Oscar, pessoa muito querida em Sanharó, brincalhona, sempre estava de bom humor e sempre prestes a fazer favores. Oscar Leite foi uma referência para nós Sanharoenses.

Contava Paulo Foerster que a comitiva ao chegar ao Recife hospedou-se hotel no Hotel Glória que existia no começo da rua da Concórdia, que era o preferido dos interioranos que iam ao Recife a negócios, por se encontrar próximo a Estação Ferroviária, em pleno Centro do Recife e não tão distante do Palácio do Governo, local onde o grupo ira ter a audiência com o Governador. O trem chegava ao Recife a noite e partia antes do raiar do dia.

Na manhã seguinte, dia da audiência, percebe-se em um ponto da Rua da Concórdia, que repedidas vezes era tocada a música de Luiz Gonzaga, Juazeiro.

Juazeiro, Juazeiro
Me aresponda por favor,
Juazeiro, velho amigo,
Onde mora o meu amor
Aí, juazeiro
Ela nunca mais voltou
Diz, juazeiro
Onde anda meu amor …..

De tanto repetir a música Antonio Avelino começou a reclamar. Da volta da audiência com o governador, todos alegres e satisfeitos com o resultado: o governador prometera à comitiva que iria sancionar o decreto, logo que chegasse às suas mãos. Notícia melhor para o povo de Sanharó não poderia acontecer!

Ao chegarem ao hotel e durante o anoitecer, continuava a tocar a música Juazeiro. Já era um exagero! Haja reclamação de Antonio Avelino.

Aí entra Oscar em ação.

Sem ninguém perceber, vai ele ao dono da radiola de ficha e diz que veio do interior e está gostando muito da música e que iria viajar na manhã seguinte de madrugada, e como despedida gostaria de ser acordado ouvindo a música Juazeiro, em seguida “molhou bem” a mão do homem e voltou para dormir.

Não deu outra. Três horas da manhã a música Juazeiro estava soando nas redondezas e Antonio Avelino se acordando puto da vida. A esta altura Oscar estava se dobrando de rir. Assim era o nosso Oscar Leite.

Poucos filhos de Sanharó sabem que a música Juazeiro tem uma estreita relação com a história da nossa terra.

Na primeira eleição para Sanharó, Paulo candidatou-se a prefeito e vereador, a lei na época assim permitia. Perdeu a eleição para seu Lau mas se elegeu vereador.

1ª Câmara de vereadores do recém criado município de Sanharó/1949

1ª Câmara de vereadores do recém criado município de Sanharó/1949

Nesse período e por longo tempo Paulo fez de tudo um pouco. Foi médico. Quantas vezes chegava um compadre ou gente humilde para Paulo fazer um curativo, tirar um caroço de mulungu colocado no nariz de uma criança, ou mesmo para aplicar uma injeção.

Quantas vezes chegou à Fazenda Canaã um pai com o filho nos últimos momentos de vida para que Paulo fizesse o batismo para não ver seu filho morrer pagão. Quantas vezes Paulo era chamado pelos fazendeiros da região para ir fazer um parto de uma vaca.

Paulo foi ainda marceneiro, pedreiro, cubador de terras, professor, funcionário público, caçador de abelhas, seguia o voo das abelhas por várias horas até localizar o enxame. Na sua época, já era um ambientalista, não admitia que se matasse um cururu, uma cobra preta.

Com seu espírito inovador, na década de cinqüenta introduz em Sanharó, pela primeira vez, criação de galinhas de postura confinadas. Os pintos eram produzidos em Petrolândia pela SUVALE, de onde eram distribuídos.

Sempre que surgia uma crise na administração do Clube Lítero, lá estava Paulo para reconciliar e dirigir mais uma vez os destinos do Clube. Em uma da dessas crises, 1962, Paulo arregaçou as mangas e juntamente com outros abnegáveis sanharoenses e em quarenta dias conseguiram os recursos, construíram, elaboraram e aprovaram os estatutos do atual Clube Lítero Recreativo de Sanharó.

De todas essas atividades exercidas por Paulo, uma era a sua grande paixão: ser criador, fazendeiro. Transfigurava-se ao ver as terras bem tratadas e o pasto florescendo. Mantinha tudo escriturado, receitas, despesas, fichário de todas as suas vacas, data de parição, vacinação, compra e venda. Essa atividade ele exerceu com dedicação e esmero até os últimos momentos de sua vida.

Paulo era assinante de inúmeras revistas de agricultura e pecuária além da famosa revista Seleções do Reader’s Digest, cuja coleção fazia questão de dizer: “Tenho todos os números, desde a primeira, os que faltam, não chegaram a ser distribuídos em razão da segunda guerra”. A coleção de Seleções é conservada pelo seu neto Paulo Ricardo.

A exemplo de Antonio Cordeiro, Antonio Avelino, entre outros, nunca deixava de ler o Jornal do Commercio aos domingos. Cabia-me a missão de ir a estação para comprar o jornal, que era vendido por Seu Manoel Gazeteiro, que viajava no último vagão do trem.

Vem dessa época o meu vício de ler jornal. Por ser pequeno, não podia manter o jornal aberto, a solução era me deitar no chão abrir o jornal e ler.

No início da década de 70, candidata-se pela segunda vez a prefeito e é eleito para um mandato de apenas três anos. Período difícil, um dos anos extremamente seco, poucos recursos, mas deu prioridade à educação das crianças sanharoenses, construindo nove escolas na área rural.

Um fato digno de registro: os seus dois adversários, Seu Lau (primeira eleição) e Geraldo Freitas (segunda eleição) sempre primaram por uma relação de respeito e amizade, a ponto de Seu Lau doar a Paulo, quando foi residir em São Paulo um nível (instrumento de marcenaria) que no passado havia pertencido ao pai de Paulo.

Paulo sempre relatava esse fato com muito carinho. Assim, era o comportamento dos homens públicos de Sanharó no passado.

As vezes em que exerceu cargos públicos o fez por interferência de seus amigos e com o pensamento de ajudar sua terra natal. Ao deixar a Prefeitura fez uma promessa, de nunca mais voltar a atividade política, ficou por demais desiludido e ressentido, não com a política mas, com os politicóides. A decepção o levou a se ausentar de Sanharó por quatro anos, período em que passou a residir em Pesqueira.

Refeito de parte das desilusões, volta a residir à Rua Major Sátiro nº 71, morada adquirida por herança de sua esposa Anilda.

Enquanto residia na fazenda Canaã, Paulo mantinha um catavento que fornecia energia para dois pontos de luz e um rádio funcionando.

Na Copa do Mundo de 50, os torcedores saiam de Sanharó à noite, para ouvir o jogo do Brasil pelo rádio. Essa tecnologia foi transferida posteriormente para a sua residência em Sanharó e as tardes de domingo, quando o Santa Cruz jogava, no mínimo três torcedores fanáticos estavam lá ao pé do rádio, Moisés Monteiro (Barbeiro) Dezinho (Dr. Jefferson) e nosso amigo e colega Heriberto Américo de Freitas, às vezes João Pessoa Caraciolo.

Com a chegada da energia elétrica em Sanharó os encontros das tardes domingo cessaram. Em compensação, surgiu a televisão. Paulo adquire um aparelho de televisão, o primeiro de Sanharó, o que levava vários frequentadores a sua residência para assistirem os programas de TV. Os mais íntimos assistiam na sala de visita e os demais através da janela, em pé na calçada.

Paulo, apesar de inovador, não era chegado a manter por longo período as suas propriedades, sempre estava vendendo e comprando. Em épocas diferentes Paulo chegou a possuir uma faixa de terra que iniciava em sua residência em Sanharó e se prolongava até Maniçoba.

Outro grande patrimônio foi a amizade que manteve em vida, pois chegou a ter mais de cento e cinquenta afilhados, todos devidamente registrados em sua caderneta de anotações, destacando-se todos os filhos homens de Maria Zuca, exceto Clovis, de quem Paulo era compadre e uma pedinte que surgiu em Sanharó, que fazia questão de que todos os seus filhos fossem afilhados de Paulo e Anilda.

Como filho, pude testemunhar o que havia de exuberante em Paulo Foerster, o seu amor por sua terra, Sanharó. Ainda pequeno, ao seu lado e de mão dada a ele ouvi, certa vez na estação do trem, em conversa com Antonio Cordeiro, Antonio Avelino e outros, que várias vezes teve a oportunidade de deixar Sanharó, em razão do trabalho, mas que não o fizera, por considerar Sanharó o melhor lugar do mundo.

Em suas viagens ao Recife a trabalho, ou para visitar os familiares ou mesmo para tratamento de saúde, contava os dias e horas para voltar à Sanharó.

Nos dias que antecederam a sua morte no Recife, quando me aproximava do seu leito, imediatamente perguntava: “Vamos para Sanharó”? e o destino me reservou, entre os seus filhos, a missão de acompanhar o seu corpo de volta a Sanharó. Foi uma viagem acompanhada de recordações, de dor, por sua perda, mas ao mesmo tempo de satisfação, por estar atendendo os seus últimos pedidos:

“Vamos para Sanharó” !!!

Paulo Foerster nasceu em 26 de fevereiro de 1918 e foi sepultado no Cemitério de Sanharó em 25 de abril de 2001.

N.5.1 Paulo Foerster casado em primeiro matrimônio com Enerieta Araújo Leite;

Bn.5.1.1 Maria Sônia Foerster C.c. Joel Guimarães Luna;

Tn.5.1.1.1 Paulo Foerster Luna – faleceu ao nascer;
Tn.5.1.1.2 Paula Frascinete Foerster Luna, faleceu aos 11 anos;

Tn.5.1.1.3 Joel Luna Filho C.c Iraneide Silva Bezerra;
Qn.5.1.1.3.1 Marco Thúlio Bezerra Luna;
Qn.5.1.1.3.2 Thallyta Myrena Bezerra Luna;

Tn.5.1.1.4 Sonja Maria Foerster Luna C.c. José Cláudio Cordeiro Silva;
Qn.5.1.1.4.1 Laíse Foerster Cordeiro;
Qn.5.1.1.4.2 Míres Foerster Cordeiro;

Tn.5.1.1.5 Paulo Robério Foerster Luna C.c. Maria José Meneses;
Qn.5.1.1.5.1 Fabrício Meneses Luna;
Qn.5.1.1.5.2 Bianca Meneses Luna;

Tn.5.1.1.6 José Joelson Foerster Luna C.c. Kátia Regina de Freitas;
Qn.5.1.1.6.1 Jakson Jaines de Freitas Luna,
C.c. Rômula Aquino;
Pn 5.1.1.6.1.1 Anna Sophia
Qn.5.1.1.6.2 Kelvin de Freitas Luna;

Tn.5.1.1.7 Domingos Sávio Foerster Luna C.c. Girlene Bezerra da Silva;
Qn.5.1.1.7.1 Ítalo José da Silva Foerster Luna;

Tn.5.1.1.8 Cristiano Max Foerster Luna C.c. Adriana Monteiro primeiro matrimônio, não teve descendente e em segundo
casamento C.c. Andréia Leite da Silva; Qn.5.1.1.8.1 Laís da Silva Luna;

Tn.5.1.1.9 George Antônio Foerster Luna C.c. Adriana Cássia da Silva Vasconcelos;
Qn.5.1.1.9.1 Gabrielly Vasconcelos Foerster Luna;
Qn.5.1.1.9.2 George Willke Vasconcelos Foerster Luna;

Tn.5.1.1.10 Joelma Foerster Luna faleceu aos dois anos;

N.5.1 Paulo Foerster casado (segunda matrimônio) com Anilda Cordeiro Valença;

Bn.5.1.2 Maria Auxiliadora Cordeiro Foerster C.c. Genaro Cabral Souza Viana;
Tn.5.1.2.1 Luís Felipe Foerster Viana;
Tn.5.1.2.2 Natalia Foerster Viana;

Bn.5.1.3 Paulo José Elias Foerster C.c. Maria Cristina Maranhão
Tn.5.1.3.1 Tatiana Maranhão Foerster
Tn.5.1.3.2 Thaysa Maranhão Foerster;
Tn.5.1.3.3 Paulo Ricardo Maranhão Foerster através de relacionamento não oficial com Camila Domingos da Cunha teve
uma filha:
Qn.5.1.3.3.1 Valentina Domingos da Cunha Foerster;

Bn.5.1.4 José Cláudio Foerster C.c. Rosa Maria Cintra.Tn.5.1.4.1 José Cláudio Foerster Junior C.c. Gisleide Barbosa Leite;

Qn.5.1.4.1.1 Ethny Raffael Barbosa Foerster;

Qn.5.1.4.1.2 Maria Rosa Barbosa Foerster;
Qn.5.1.4.1.3 João Paulo Barbosa Foerster;
Tn.5.1.4.2 Rosa Cláudia Cintra Foerster teve uma
Filho com Rivaldo Alves Siqueira;
Qn.5.1.4.2.1 Felipe Foerster Siqueira;
Após a viuvez, José Cláudio C.c.
Elizabete de Jesus Araújo, não havendo
descendentes;

Bn.5.1.5 Lúcio Flávio Foerster C.c. Guadalupe Bezerra Ledo;
Tn.5.1.5.1 Lúcio Flavio Foerster Junior ex- C.c. Rose Viviane Brito;
Qn.5.1.5.1.1 Mariana Brito Foerster;
Lúcio Flávio Foerster Junior, em
segundo matrimônio, C.c. com Izabel França Calado;
Qn.5.1.5.1.2 Ana Mel Calado Foerster;
Tn.5.1.5.2 Flávia Guadalupe Ledo Foerster C.c. Wagner Cordeiro Menezes;
Qn.5.1.5.2.1 Rafaela Foerster Cordeiro;
Qn.5.1.5.2.2 Gabriela Foerster Cordeiro;
Tn.5.1.5.3 Renata Fabíola Ledo Foerster C.c. José Normando Brito Junior,
Qn.5.1.5.3.1 Ana Maria Foerster Brito,

Bn.5.1.6 Alberto Max Cordeiro Foerster ex- C.c. Maria Sônia Souza Valença
Tn.5.1.6.1 Carolina Valença Foerster;
Alberto Max Cordeiro Foerster ex C.c. Ana Paula Soares de Carvalho;
Tn.5.1.6.2 Amanda Soares Foerster;
Tn.5.1.6.3 Águeda Soares Foerster;
Alberto Max em terceiro relacionamento com Vanda Cristina Silva
Tn.5.1.6.4 Maria Paula Silva Foerster;

Bn.5.1.7 Maria Cristina Cordeiro Foerster C.c. Dráulio José Tadeu d`Assunção
Tn.5.1.7.1 Marcelo Foerster d’Assunão
Tn.5.1.7.2 Patrícia Foerster d’Assunção C.c. Rodrigo Carneiro de Lira
Tn.5.1.7.3 Danilo Foerster d’Assunção

Bn.5.1.8. Joaquim Luciano Cordeiro Foerster

Paulinho Foerster fazendo discruos APMV Imagem019 (1)

* Autor: Paulo José Elias Foerster – Paulinho Foerster é médico veterinário, membro da APMV – Academia Pernambucana de Médicos Veterinários, escritor, cronista e pesquisador bibliográfico.

BRASIL NA HISTÓRIA : 23 de maio de 1932: MMDC – Mártires da Resistência *

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932,

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932,

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932, quando um grupo de populares participava de uma manifestação em oposição ao governo, na Praça da República: Mário Martins de Almeida, 31 anos, solteiro, fazendeiro, nascido em São Manoel (SP); Euclydes Bueno Miragaia, 21 anos, solteiro, auxiliar de Cartório, nascido em S. José dos Campos(SP); Dráusio Marcondes de Souza, 14 anos, ajudante de farmácia, nascido em São Paulo; Antonio Américo de Camargo Andrade, 30 anos, casado, 3 filhos, comerciário, nascido em São Paulo.

Por trás da reivindicação de uma nova constituição, havia a questão da política do café-com-leite, com a qual São Paulo sentia-se desprestigiada desde a Revolução de 30, com o golpe que impediu a posse de Julio Prestes.

O incidente deu origem ao Movimento MMDC, organização civil clandestina que concentrou o alistamento voluntário para quem depois oferecia treinamento militar, e foi o estopim para a revolução constitucionalista. A força de resistência constituída posicionou-se em frentes de combate nas divisas de São Paulo com Minas Gerais, com o Paraná e no vale do Paraíba. E no dia 9 de julho de 1932 deu-se início o conflito armado contra a ditadura. Intelectuais, industriais e estudantes, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático, excluído do governo por Vargas, pegaram em armas para lutar por São Paulo. Aguardaram em vão o apoio de outros estados. No dia 3 de outubro, as tropas paulistas se renderam diante da superioridade das forças federais.

Os rapazes tornaram-se mártires da revolta e anos mais tarde, o 23 de maio passou a constar no calendário oficial do estado paulista como Dia da Juventude Constitucionalista, em alusão à participação dos jovens na revolução.

Getulio Vargas 1945

Em 1930, Getúlio Vargas deu um golpe de Estado e assumiu a Presidência, em caráter provisório, mas com amplos poderes. O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e até as Câmaras Municipais foram fechadas. Os governadores dos Estados foram substituídos por interventores nomeados por Vargas. Nessa época São Paulo, que havia rompido com Minas a política do café-com-leite e que havia sido a principal base política do regime da Primeira República, era encarado como um foco oposicionista.

*Fonte: JB/Hoje na História

TRANSPOSIÇÃO DO Velho Chico: Presidente Itamar AUTORIZOU em 27 de abril de 1994 *

27 de abril de 1994

Autorizada a transposição do Velho Chico

Transposição do RSF AUTORIZAÇÃO em 1994  riosaoblog

 

O presidente Itamar Franco autorizou a execução do Plano de Transposição de Águas do Rio São Francisco para quatro estados do Nordeste – Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Ao custo de US$ 2,1 bilhões, o plano visava construir 240 quilômetros de canais e quatro elevatórias, transportando água de Cabrobró (PE) para a perenização de seis rios, abastecendo 220 cidades e aumentando a capacidade de irrigação de 175 mil hectares, para 1,6 milhão de hectares.

A primeira fase do plano, orçada em US$ 550 milhões seria financiada por empréstimos obtidos junto a bancos europeus e japoneses, através do Banco do Nordeste. A segunda fase custaria aos cofres públicos cerca de US$ 1,5 bilhão, sendo financiada pelo Banco Mundial.

O projeto de transposição, apesar de aprovado pelo presidente, não saiu do papel durante o seu mandato. O governo encontrou grande oposição por parte de diversos segmentos da sociedade, que achavam que a transposição das águas beneficiaria uma pequena parcela da população, em sua maioria latifundiários, retirando água que seria destinada ao uso humano para atender à demanda do agronegócio. Outra crítica ao projeto se referia a um possível aumento no processo de desertificação das margens do rio, com a retirada de parte de suas águas, o que poderia vir a causar a extinção do mesmo.

Em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência, o projeto voltou a ser discutido. FHC assinou o documento “Compromisso pela Vida do São Francisco”, que propunha a revitalização do Velho Chico e um novo plano para a construções dos canais de transposição. Assim, com a revitalização, o rio suportaria adequadamente o desvio de uma pequena parcela das suas águas sem correr o risco de secar. Apesar das novas idéias, as obras não conseguiram ser alavancadas.

No primeiro mandato de Lula, no entanto, três empresas foram contratadas para reestudar o plano de irrigar as terras secas do agreste nordestino, desviando 2% do volume total das águas do rio. Em 2007, após o novo projeto ter sido aprovado, o Exército iniciou obras de construção de túneis na parte leste do rio, apesar da oposição de ambientalistas, habitantes de regiões banhadas pelas águas do Chico, indígenas e religiosos.

* Fonte: Hoje na História/JB

RECIFE: A Velha e Saudosa Rua Nova…Um Charme Inesquecível – Por Leonardo Dantas *

O charme e a elegância do Recife, desfilavam na rua Nova...

O charme e a elegância do Recife, desfilavam na rua Nova…

A velha e sempre nova, Rua Nova…

 

No século XVII não passava de um caminho que ligava o Terreiro dos Coqueiros com a margem do Capibaribe, nas proximidades da segunda ponte de madeira erguida no Recife pelo Conde João Maurício de Nassau-Siegen, unindo a ilha de Antônio Vaz ao que viria a ser a Boa Vista dos nossos dias.

O bonde também desfilava garboso pela famosa Rua Nova.

O bonde também desfilava garboso pela famosa Rua Nova.

Na primeira metade do século XVIII, o primitivo caminho veio a ser embelezado por dois dos mais importantes templos católicos da Vila de Santo Antônio do Recife: Inicialmente a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, construída entre 1725 e 1757; seguindo-se da Igreja do Santíssimo Sacramento [hoje Matriz de Santo Antônio], que veio ocupar o local da Casa da Pólvora dos holandeses, com sua construção se estendendo de 1755 a 1790. No Governo de Henrique Luís Pereira Freire (1737-1746) consolidou-se a ligação definitiva entre o bairro portuário e a Boa Vista, consagrando definitivamente o caminho então denominado de Rua Nova de Santo Antônio.

As muitas intervenções contribuíram para o seu desencanto...

As muitas intervenções contribuíram para o seu desencanto…

Sucessivos aterros contribuíram para o nivelamento da nova artéria e sua ligação com a Boa Vista, o que se deu com a construção da primitiva ponte (1737), ainda com seu lastro em madeira, que antecedeu a atual ponte de ferro adquirida na Inglaterra e aqui instalada no ano de 1876. Surgia assim a nossa velha e sempre nova, Rua Nova.

Da segunda metade do século XVIII aos nossos dias, a Rua Nova tornou-se o coração pulsante da cidade. Nos seus sobrados residiam importantes famílias; o da esquina com a Rua do Sol era residência do dicionarista Antônio Moraes Silva que, nascido no Rio de Janeiro em 1755, veio fixar residência no Recife, no início do século XIX, tendo aqui falecido em 11 de abril de 1824. No Recife escreveu a segunda edição do seu Dicionário da Língua Portuguesa, publicada em Lisboa em 1813. Também Joaquim Nabuco residiu na Rua Nova, quando aluno do quinto ano da Faculdade de Direito do Recife, nos idos de 1870, em casa do médico Jesuino Augusto dos Santos Mello. Na época, Joaquim Nabuco escrevia o seu livro, A Escravidão, tendo registrado nos originais a seguinte declaração: Este livro foi escrito por mim em 1870 quando estudante do 5º ano no Recife; morava eu então com o Dr. Santos Mello e o Barros Pimentel fazia bolsa comigo”.

rua nova 100 anos atrás

Era a Rua Nova a artéria de maior importância do Recife, reunindo consagrados profissionais (médicos, fotógrafos, advogados) e as mais conceituadas casas de comércio de então, com destaque especial aos centros de convívio formados por seus cinemas, cafés e restaurantes. No trecho entre a atual Praça da Independência até a Ponte da Boa Vista, localizavam-se a Casa Inglesa de Emília Brack (1912), que pela primeira vez admitiu como vendedoras elementos do sexo feminino; Lojas Paulista, a Casa Hermes (1942), especialista em aluguel de trajes a rigor; os cinemas Pathé (1909), com 320 lugares, Royal e Vitória; o Café Ruy; o Café Familiar e a Confeitaria Glória, onde em 26 de julho de 1930 foi assassinado o presidente da Paraíba João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque; dando causa a Revolução de 1930. Nos anos que se seguiram a Rua Nova continuou a ser o centro pulsante da cidade do Recife, com as Lojas 4.400, Casa Matos (tecidos finos), Sapataria Inglesa, Casa Parlophon, Nova Magnólia, Slopper, Ao Anel de Ouro, Drogaria Villaça, A Primavera, Confeitaria Fênix, Etan (loja de senhoras), Casas Huddersfield (tecidos finos), Casas Maia, além de estabelecimentos bancários e uma infinidade de casas comerciais.

Todo movimento da cidade tinha na Rua Nova o seu centro, fosse na Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos ou nos Trotes Estudantis (quando os calouros das faculdades vinham às ruas em desfiles de críticas e chacotas). E no restante do ano, o que se via nas tardes na Rua Nova era verdadeiros desfiles de elegância, como nos descreve o cronista Tadeu Rocha nos idos de 1963: A qualquer hora do dia, é grande o seu movimento de veículos e pedestres; e nas últimas horas da tarde, ela se povoa de gente elegante, que vem às compras, aos cinemas e aos namoros. Moças bonitas e rapazes bem trajados enchem às calçadas, em que também transitam respeitáveis matronas e onde estacionam encanecidos senhores, saudosos de sua mocidade. Passam os transeuntes, passa o tempo, sucedem-se gerações. Mas esta rua continua sempre nova…

Onde foi parar: Casa Matos; Casas Huddersfield Tecidos, Pharmacias, Sapatarias...

Onde foram parar: Casa Matos; Casas Huddersfield Tecidos, Pharmacias, Sapatarias…

No Carnaval, porém, a Rua Nova se transformava no reinado da folia… Seu nome era lembrado com frequência por compositores de então, como Antônio Maria (Frevo nº 2 do Recife), Carnera (Frevo na Rua Nova), Jacob Bittencourt (Rua Nova), sem falar em Marambá, como era conhecido José Mariano da Fonseca Barbosa (1896-1968), que assim a imortalizou: A macacada vai pra Rua Nova Quando chega a hora alegre da folia Entra na onda cai na brincadeira Dança a noite inteira faz o passo todo dia.

No final dos anos setenta do século vinte, porém, a Rua Nova foi transformada em rua de pedestres, bem na moda do modelo escolhido pelo arquiteto Jaime Lerner para as ruas de Curitiba, e assim começou a perder o seu charme. Hoje apesar do movimento de afluência ao seu comércio e do trânsito incessante de pedestres, a Rua Nova perdeu seu charme, e jamais voltou a ser o centro pulsante das nossas emoções.

leonardo-dantas-mariana

 

*Autor: Leonardo Dantas Silva – Escritor, Pesquisador Cultural, Cronista e Jornalista.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/José Alves da Cunha – Por Leonides Caraciolo(*)

JOSÉ ALVES DA CUNHA

 

 

José Alves da Cunha (Juca Cunha) nasceu no Município de Bonito-PE, filho de Porfírio Bernardo da Cunha e Silvina Alves da Cunha. Em 1937, veio para Sanharó, acompanhado do irmão, em busca de um clima melhor que amenizasse um problema de saúde que o afligia. Alfaiate de profissão, ensinou a sua arte a vários sanharoenses que passaram a viver daquele oficio.

Juca Cunha foi agricultor, comerciante, farmacêutico, músico e vereador em Sanharó. Apresenta uma folha de serviço prestado à comunidade de Sanharó, razão pela qual um dos melhores colégio da cidade leva o seu nome.

Em 1939, casou-se com Maria Aliete de Freitas Cunha, filha de Maria América Bezerra de Freitas (dona Maria Zuca) e de José Américo de Freitas Mendonça. Desta união, nasceram os seguintes filhos:

Telma Mariza Cunha (Defensora Pública), ex-casada com Ivanildo Maciel da Silveira, músico de nível nacional. Sucessão: Ivanildo Júnior e Carlos Marcelo.

Telmízio José da Cunha (Médico Veterinário), casado com Maria da Glória Lima. Sucessão: Fabrício e Renato.

Telmilson Atamir Cunha (Engenheiro Civil), casado com Telma Marisa Galvão. Sucessão: Eduardo José, Wandréia Christine, Roberta Fabíola e Gláuber Thiago

– Tilma Márcia Cunha Soares (Zootecnista), casada com Marco Aurélio Ferreira Soares ( engenheiro civil e escritor).

José Alves da Cunha faleceu em seis de setembro de 1967, com 58 anos de idade.

OS DESCENDENTES DO CASARÃO DE JENIPAPO (II)* – Por Paulo José Elias Foerster.

OS DESCENDENTES

 

Capela de Santo Antônio de Jenipapo. Inaugurada em 1808, pelo capitão-mor Antonio dos Santos Coelho da Silva.

 

Do casal nasceram seis filhas: Clara dos Santos Coelho casada com Manoel José de Siqueira; Rita Zeferina dos Santos Coelho, casada com José Cordeiro de Carvalho Leite; Ana Vitória dos Santos Coelho casada com Francisco Xavier Paes de Melo Barreto; Maria Zeferina dos Santos Coelho, casada com o primo Rufino Coelho da Silva; Francisca Justina dos Santos Coelho, casada com o sobrinho (filho de João Alves Leite) José Claudino Leite, e Tereza de Jesus dos Santos Coelho, casada com Domingos de Souza Leão.

Todos os esposos das filhas do casal Antônio dos Santos Coelho da Silva e Tereza de Jesus, bem como vários descendentes ocuparam posição de destaque na economia, na política e na administração pública da antiga província de Pernambuco.

Em razão das importantes atividades exercidas pelos maridos, vamos nos deter apenas em Clara dos Santos Coelho, Ana Vitória dos Santos Coelho, e Rita Zeferina dos Santos Coelho, Tereza de Jesus dos Santos Coelho.

Clara dos Santos Coelho, casada com o capitão seguidamente sargento-mor, capitão-mor, Manoel José de Siqueira, proprietário da fazenda Poço da Pesqueira, originando-se da mesma a atual cidade de Pesqueira. Foi presidente da câmara do senado de Cimbres, homem de prestígio e de grande patrimônio, de pouca instrução, temido pelo seu comportamento por demais temperamental.

Após a morte do sogro Antônio dos Santos Coelho da Silva, Manoel Siqueira travou uma disputa ferrenha com o concunhado Francisco Xavier Paes de Melo Barreto para herdar o cargo de capitão-mor e que culminou com a indicação dos dois, pela Corte no Rio de Janeiro, ficando cada um na sua zona de influência. O cargo de capitão-mor dava poderes discricionários ao seu ocupante, era um cargo tipicamente feudal criado nos tempos das Ordenações Manuelinas e extinto com a Constituição do Império.

As rivalidades pessoais e políticas estimuladas pela vaidade de poderio, motivaram o acirramento à luta, já agora por honrarias e mercês. Francisco Xavier ao conseguir a efetividade no posto e graduação de coronel o que exasperou o seu rival, resultando a tenebrosa vingança que atingiu por engano dos mandatários, a Ana Vitória, esposa do Francisco. O capitão-mor Manoel Siqueira, imputado pela voz pública como mandante do crime, acabrunhado, ao que parece, pelo remorso, pois muito prezava a cunhada, no ano seguinte falecia levando para o túmulo toda a prepotência e o mau instinto que caracterizavam a sua pessoa.

Ana Vitória dos Santos Coelho, esposa de Francisco Xavier Paes de Melo Barreto, Cavaleiro da Ordem de Cristo da Ordem Imperial e da Ordem do Cruzeiro, presidente do Senado de Cimbres, Capitão – mor do Ararobá, Ouvidor sub-rogado, homem instruído, de maneiras fidalgas, viajando quase anualmente à Corte, era filho de João Marinho Falcão e Maria Joaquina Paes de Melo, natural da freguesia de São Lourenço da Mata.

Francisco Xavier Paes de Melo Barreto, residia na Fazenda Poços dos Patos, situada às margens da atual estrada Pesqueira-Poção, em cuja propriedade mandara levantar uma vivenda magnífica.

Como conseqüência de disputa pessoais e política com seu concunhado Manoel José de Siqueira, resultou, em 29 de dezembro de 1829, em uma emboscada, da qual saiu ferida mortalmente a sua esposa, vindo a falecer em 10 de janeiro de 1830, sendo sepultada na Fazenda Jenipapo.

Ao se dirigir para Recife, onze meses após a morte da esposa, Francisco Xavier faleceu na atual cidade de Brejo da Madre de Deus, em 18 de dezembro de 1830, sendo sepultado na matriz de São José deixando dez filhos menores, estando o maior com a idade de quinze anos. Sendo Francisco Xavier Paes Barreto um dos filhos do casal.

Conselheiro Francisco Xavier Paes Barreto (Foto 01) nasceu em 17 de setembro de 1821 na fazenda Poços dos Patos, que na época pertencia a Cimbres. Concluiu o curso de Direito em Olinda (1842), foi promotor público no Recife (1848) e juiz de Direito em várias cidades pernambucanas, chefe de Polícia no Piauí e Alagoas e presidente das províncias da Bahia, Paraíba, Ceará e Maranhão. Deputado-geral por Pernambuco (1849 a 1855), Ministro da Marinha (1859) e dos Negócios Estrangeiros (1864), inspetor da Alfândega do Rio de Janeiro e senador por Pernambuco. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1864.

Rita Zeferina dos Santos Coelho, casada com José Cordeiro de Carvalho Leite, com quem teve os seguintes filhos: Bernarda Cordeiro de Carvalho, Joana Cordeiro de Carvalho, Ana Cordeiro de Carvalho, Maria Cordeiro de Carvalho, Padre José Teodoro Cordeiro de Carvalho, Antonio Francisco Cordeiro de Carvalho, Francisco Cordeiro de Carvalho. Dos filhos do casal destacamos Bernarda ascendente do senador Wilson Campos (Foto 09) e do governador Carlos Wilson Rocha de Queiroz Campos (Foto 10); Francisco Cordeiro de Carvalho, de quem descende o Governador José Neves Filho (Foto 08).

Bernarda Cordeiro de Carvalho, casada com Isidoro José Dias dos Santos (português) – filha – Tereza de Jesus Cordeiro Campos, casada com Manoel Ferreira Patriota – filha – Dulce Emídia Cordeiro Campos, casada com Antônio Alves Campos – filho – Erasmo Alves Campos, casado com Belmira Florentino Campos – filho – Sebastião Florentino Campos, casado com Petronila Elcides de Queiroz – filho – Wilson de Queiroz Campos, casado com Maria Tereza Rocha de Queiroz Campos – filho – Carlos Wilson Rocha de Queiroz Campos (Deputado federal, Senador, Ministro, Vice Governador e Governador de Pernambuco).

O desembargador José Neves Filho era bisneto de Francisco Cordeiro de Carvalho, e assumiu como interventor, o governo de Pernambuco em 1945.

Obs. A descendência de Rita Zeferina está contida no Livro Ararobá Lendária e Eterna de autoria de Luís Wilson.

Tereza de Jesus dos Santos Coelho casou-se Domingos de Souza Leão que nasceu na cidade de Olinda em 04 de abril de 1789. Além da cortesia da visita, ao solar da fazenda Jenipapo, do capitão-mor Antônio dos Santos Coelho da Silva, o jovem Domingos, então com 25 anos de idade, levava consigo o intuito de pedir em casamento a filha do anfitrião, Tereza de Jesus, na época com 20 anos. O capitão-mor Coelho deu a sua aquiescência ao enlace matrimonial, porém, pediu aos noivos que ficassem residindo na casa grande da fazenda. Ali mesmo realizou-se o casamento na capela de Santo Antônio em 13 de novembro de 1810.

Domingos de Souza Leão foi tenente-coronel do esquadrão de cavalaria da Guarda Nacional em Cimbres. Sua gestão no Senado de Cimbres foi uma das mais profícuas, tomando atitudes, promovendo moções, encaminhado indicações perante a Junta do Governo, etc.
Após o episódio de intensa repercussão e comoção na família, assassinato de Ana Vitória, Domingos de Souza Leão transferiu-se definitivamente para o engenho Caraúna onde se dedicou a cultura da cana de açúcar e montou, em 1836, a primeira moenda fabricada em Pernambuco pela fundição Aurora, e que pertencia à firma Harrington Starr & Cia.

Do casal Domingos e Tereza de Jesus nasceram 21 filhos, dos quais 11 na fazenda Jenipapo. Por ocasião da morte de Tereza em 07 de abril de 1874, apenas oito filhos estavam vivos. Dentre os filhos destacamos: Antonio dos Santos de Souza Leão, Augusto de Souza Leão e Domingos de Souza Leão.

* (Continua na próxima postagem)

OS DESCENDENTES DO CASARÃO DE JENIPAPO (I) – Por Paulo José Elias Foerster.*

Casarão de Jenipapo. Berço da Família Souza Leão...

 

Descendentes

 

 

Em reconhecimento por sua participação pela derrota imposta aos holandeses no território pernambucano, a corte portuguesa concedeu a João Fernandes Vieira uma sesmaria no Sertão Ararobá a qual constitui, na atualidade, entre outros municípios: Sanharó, Pesqueira, Arcoverde, Alagoinha e Poção.
Com a posse definitiva da sesmaria em 1666, o vaqueiro Manoel Caldeira ficou responsável pela administração da mesma. Posteriormente, parte dessas terras passou a pertencer a Congregação de São Felipe Neri – os Reculetos do Recife.
O descendente do vaqueiro Manoel Caldeira, Lourenço Neves Caldeira, juntamente com a sua esposa Josefa Torres Galindo, fundaram a Matriz de Cimbres, atual distrito de Pesqueira, e eram avós de Inácia Maria de Jesus Leite, que ao casar com Antonio Alves dos Passos fundaram a Fazenda Água Fria.
A antiga fazenda transformou-se em vila, e pertencia a Pesqueira, porém a partir de 1948, em razão de acordos políticos que culminaram com a emancipação de Sanharó, passou a ser parte integrante do município de Belo Jardim.
Antonio Alves ou Alvares dos Passos era filho único do português João Alves dos Passos (†1723) e de Suzana da Silva (*1709 – †1785). Sendo pais de João Alves dos Passos o casal Manoel Peixoto Passos e Maria Martins. Suzana era filha João Fernandes Jorge e Felipa da Silva casados em 08 de outubro de 1707. Eram pais de João Fernandes, Jerônimo Jorge e Maria do Pezo, portugueses de nascimento, e os genitores de Felipa Silva eram Paulo Fagundes da Silva, português de origem, e Maria de Siqueira, natural de Recife.

Suzana da Silva ocupou o honradíssimo cargo de Priora do Carmo, em Recife, sendo possuidora de vasta extensão de terras na capitania de Pernambuco, Cariri Velho, Paraíba e no termo da Vila Viçosa do Acaraú, Ceará. Provavelmente as terras que deram origem a Fazenda Água Fria, foram doadas a Antônio dos Passos por sua mãe.
Do casal Antônio Alves dos Passos e Inácia Maria de Jesus Leite nasceram os seguintes filhos: Antonio Alves dos Passos Junior, João Alves Leite de Torres Galindo, Francisco Leite da Silva, Ana Maria Leite, Maria Inácia de Jesus Leite, Josefa Maria Espírito Santo, Suzana da Silva Leite, Tereza de Jesus Leite.
Dentre esses, por razões das atividades políticas e econômicas destacamos os irmãos: João Alves Leite Torres de Galindo, também conhecido por João Alves Leite, Francisco Leite da Silva, conhecido como Chico Leite e Tereza de Jesus Leite. Parte dos seus descendentes ainda residem na região de Sanharó

Tenente João Alves Leite, patriarca dos Leite de Sanharó, grande proprietário de terras, fundador das fazendas Barra do Liberal e Boi Morto, exerceu cargos públicos no termo de Cimbres, e foi presidente do Senado da Câmara de Cimbres.

Patriota por convicção, João Alves Leite serviu ao nobre ideal de libertação da pátria, com denodo e lealdade, participando com ardor da Revolução de 1817.

Do mesmo modo Francisco Leite da Silva, capitão-comandante de Ipojuca, residente em Jurema (Belo Jardim) e Belchior Leite do Amaral, de Capivara (Sanharó), pessoas de prestígio moral e econômico, membros que foram do Senado de Cimbres, formaram no partido de oposição à outorga da Constituição imposta por Pedro I, partido que impunha a bandeira democrática e constitucionalista desfraldada em Pernambuco com a Confederação do Equador.

Talvez receoso de lhe imputarem cumplicidade, o capitão-mor Manoel José de Siqueira, casado com sua sobrinha, foi compelido a denunciar o seu compadre Francisco Leite.
Rompidos os acontecimentos, a vitória resultou na fuga com a chegada da expedição do brigadeiro Lima e Silva, enviado pela Corte. Apercebendo-se do desastre, Belchior Leite do Amaral tratou de refugiar-se em lugar seguro, enquanto Francisco Leite teve atitude menos discreta. Sendo assim, a Comissão Militar o condenou a revelia juntamente com outros implicados.

O tribunal militar julgando o denunciado, bem como os demais constantes do libelo, aplicou-lhes a pena de banimento e morte, facultando ainda a qualquer pessoa matar os condenados sem incorrer em crime. Todos, entretanto, não tiveram a sorte de escapar pela fuga ou esconderijo. A penalidade alcançou assim o capitão Francisco Leite, o presidente Manoel de Carvalho e seu secretário Dr. Natividade Saldanha, comandantes Barros Falcão e José Antonio Pereira, Antonio Albuquerque Montenegro, capitães Rego Cassumbá e Vaz Carapeba, o tenente Medanha, Frei Caneca, sábio, herói e mártir, e o impoluto e valoroso major Agostinho Bezerra.

Em 1848 o capitão Francisco Leite filiou-se a Revolução Praieira, em companhia do Cel. Cordeiro de Carvalho e do Capitão Pedro Paes de Souza (de Tacaité), resultando-lhes insucesso e com o desaparecimento no campo de luta, do grande chefe desembargador Nunes.

Tereza de Jesus Leite foi casada com Antônio dos Santos Coelho da Silva que era genro e primo de Antonio Alves dos Passos, fundador da Fazenda Água Fria.
Antônio dos Santos Coelho da Silva nasceu em Porto, Portugal em 1761, e faleceu no Recife em 1821. Era Filho de Manoel Santos Coelho e Maria da Conceição Silva. Cavaleiro-Fidalgo da Casa Real de Portugal, professo da Ordem de Cristo.

Em 1786 foi para o Sertão do Ararobá, onde se diz que recebera uma grande propriedade de criação de gado, que lhe doara D. Suzana da Silva, irmã de sua mãe Maria da Conceição Silva, e casada em primeiras núpcias com o português de Braga, João Alves (ou Álvares) dos Passos.
Antônio dos Santos Coelho da Silva, que residia na Vila de Cimbres, da qual foi vereador, Presidente do Senado da Câmara (1797) e seu Juiz Ordinário. Comenta-se que em certa ocasião, ao descer a Serra do Ararobá, para melhor conhecer as terras que possuía, perdeu-se no mato fechado, ramificação para o interior da Mata Atlântica, conhecida como região de brejo, e fez uma promessa que se encontrasse o caminho de volta à Vila, mandaria levantar uma capela sob a invocação do santo de seu nome, o que faria logo depois. Mudou-se ainda para o lugar, com a família, onde fundara a fazenda Jenipapo.

O conjunto – casa e capela – ainda existe hoje com as mesmas características e linhas arquitetônicas originais. No livro “Pesqueira e o Antigo Termo de Cimbres”, de autoria de José de Almeida Maciel o autor expõe sobre o tema: Casa feita de tijolo e cal, casa de farinha, de descaroçar algodão e engenho, senzala, casa de cavalariça, mais casas anexas à Igreja de Santo Antônio.

Antônio dos Santos Coelho da Silva possuidor de vultosa fortuna, provavelmente, ao tempo, a maior do interior de Pernambuco, elevando-se o monte aproximadamente a rs. 300:000$000, correspondendo a vastíssima extensão de terras com diversas fazendas, além de Jenipapo, entre outras, possuía as seguintes propriedades de cultura e criação de gado: Caldeirão de Mutuca, Olho d’Água, Sanharó, Mulungu, Gravatá.

O Fundador de Jenipapo, ao mesmo ano em que constrói a capela de Santo Antonio, 1808, adquire 2.000$000 em ações do Banco do Brasil, fundado logo após a chegada de Dom João VI ao Brasil. Ao falecer, a fazenda Jenipapo foi avaliada em quatro contos de réis (4.000$000) e seu conjunto de casas e dependências em três contos e duzentos (3.200$000).

Deixara também Antonio Coelho 516 escravos, sendo 341 homens, a 57 mulheres e 18 crianças. A média de preço dos negros da Fazenda Jenipapo era 200$000 (duzentos mil réis) no inventario, porém valia 5 ou 6 vezes mais. A explicação para a existência de tantos negros, de tantos escravos em Jenipapo, era sem dúvida, o fato de ali o algodão e o café serem as principais culturas da velha e imensa propriedade.
Conforme consta em seu inventário, Santos Coelho da Silva deixa em estoque na fazenda Jenipapo, de algodão, lã ensacada cerca de 80.000 (oitenta mil) quilos, no preço de quatro mil réis a arroba, além de algodão já depositado, segundo notas de créditos em favor do espólio, existentes também no inventário. Em Jenipapo deixara 30 vacas parideiras para fornecer leite à casa grande e mais de 800 bovinos e cerca de 300 eqüinos em outras fazendas (Angico e Grossos no Cariri Paraibano).

Do inventário constavam várias casas e terrenos na capital pernambucana, 3.000$000 em dinheiro no Recife e Jenipapo além de peças de ouro e prata. Fazia parte do seu inventário grande importância em dívida ativa declarada, entre elas destaca-se uma letra de Caetano Pinto de Miranda Montenegro, que governou Pernambuco de 1804 a 1817, no valor de 1000$000 (um conto de réis).

Pelo número de devedores, constante do espólio, diversos da alta posição e de diferentes regiões da província, tratava-se evidentemente de estabelecimento de crédito, ou com esta feição, posto que sem fiscalização nem estatutos, ou seja. sem personalidade jurídica. Não há de se duvidar que o capitão mor Antonio Coelho tenha sido o pioneiro ou um dos pioneiros da organização bancária em Pernambuco.

* (Continua na postagem seguinte)

PERSONALIDADES DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/Os Souza Leão do Casarão de Jenipapo.(O governador Eduardo Campos tem um pé na Casa Grande de Jenipapo) – Colaboração de Leonides Caraciolo.

O CASARÃO DE JENIPAPO

A GENEALOGIA MATERNA DO

GOVERNADOR EDUARDO CAMPOS*

 

Casarão de Jenipapo, O berço da família Souza Lão.

 

 

 

Eduardo Campos, governador de Pernambuco, tem as suas raízes genealógicas na casa grande de Jenipapo.

Vejamos:

 

PAIS: Ana Lúcia Arraes de Alencar e Maximiano Accioly Campos.

AVÓS: Miguel Arraes de Alencar e Célia de Souza Leão Arraes de Alencar.

BISAVÓS: José Augusto Magarinos de Souza Leão e Carmem Lima Rodrigues de Souza Leão.

TRISAVÓS: Francisco Magarinos de Souza Leão e Erotides Castro de Souza Leão.

TETRAVÓS: Domingos de Souza Leão, Barão de Vila Bela, casado em segunda núpcias com Maria dos Anjos Magarinos de Souza Leão.

– Em primeiras núpcias, Domingos de Souza Leão, Barão de Vila Bela, que nasceu no casarão de Jenipapo em 16/12/1819 , casou-se com Francisca Guilhermina Souza Leão, filha de Francisco Xavier Paes de Melo Barreto, da fazenda Poços dos Patos, hoje no município de Pesqueira.

Francisca Guilhermina morreu de parto do primeiro filho. Este se formou em engenharia civil em Paris e está sepultado na capela de Santo Antonio, no distrito de Jenipapo.

Brasão do Barão de Vila Bela.

 

O Domingos de Souza Leão – Barão de Vila Bela, portanto, teve duas bisnetas que foram primeiras damas do estado de Pernambuco. Dulce Souza Leão Sampaio, casada com o então governador do estado de Pernambuco – 1959/62 – Cid Feijó Sampaio. E Célia Souza Leão Arraes de Alencar, casada com o então governador Miguel Arraes de Alencar que governou Pernambuco por três mandatos. o primeiro seria de 1963 a 1966, mas foi interrompido pelo golpe de 64. O segundo mandato de 1987 a 1990 e último de 1995 a 1998. Com o prematuro falecimento de dona Célia, Miguel Arraes casou com Madalena Fiuza Arraes.

Capela de Santo Antonio do distrito Jenipapo. (Sanharó-PE)

 

Parte desta árvore genealógica consta no meu livro – O Barão de Vila Bela e agora foi complementada por pesquisa de Paulinho Foerster – ( Paulo José Elias Foerster).

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/Jenipapo.(Manoel Cordeiro da Fonseca). – Colaboração de João Roberto Maciel Aquino.

Recordações de Um Passado Marcante

Manoel Cordeiro da Fonseca (Neco Joca)

(responsável pelo fornecimento de energia, com motor movido a óleo).

 

Casa do Motor de Jenipapo. Manoel Cordeiro da Fonseca. (Neco Joca) O Operador da energia elétrica do distrito Jenipapo.

 

Muitos anos atrás, Jenipapo não dispunha de energia elétrica e por este motivo o distrito era iluminado das 18:00 às 22:00 horas, por um motor girado à mão, que tinha como responsável pelo fornecimento de energia o funcionário da Prefeitura Municipal de Sanharó, o Sr. Manoel Cordeiro da Fonseca, conhecido pelo apelido de NECO JOCA.


Nas noites de lua cheia após o desligamento do motor, os moradores desta comunidade se reuniam para ouvir serenatas ao som dos violões dos saudosos seresteiros, Ivanildo de Souza Leão e Joel Cordeiro, que entoavam as mais belas canções aos enamorados daquela época.

Outras vezes os moradores sentavam nas calçadas para ouvirem estórias de trancoso ou cordeis recitados por alguém da comunidade. Vez por outra havia também cantorias de violas ministradas pelo poeta repentista João Caboclo de Melo, João Cabeleira.

* Fonte :Esses retalhos do cotidiano do povo de Jenipapo estão sendo publicados periodicamente no blog jenipapoemfoco.blogspot.com e que aqui transcrevemos como forma de homenagear aquela gente querida do hospitaleiro distrito de Jenipapo.

 

ARTIGO : A MAIOR NOTÍCIA DO SÉCULO.* – Por Dorrit Harazim.**

POLÍTICA

 

A maior notícia do século,

O famoso beijo do marinheiro na enfermeira comemorando o final da 2ª Guerra Mundial, em plena Times Square em Nova York.

Benito Mussolini havia sido enforcado dez dias antes e Adolf Hitler tinha se suicidado na semana anterior; os russos estavam em Berlim e as tropas nazistas já haviam se rendido em Itália, Dinamarca, Noruega e Países Baixos.

A Segunda Guerra Mundial estava por um fio, com Winston Churchill, Josef Stalin e Harry Truman prontos para fazer seus discursos de vitória. Faltava, porém, um comunicado oficial atestando o final da carnificina que já durava seis anos.

Eram 3h24m da tarde de 7 de maio de 1945 quando o escritório da agência de notícias Associated Press (AP) em Londres recebeu o telefonema que acabou com a guerra antes do combinado. A ligação chegara através de um canal militar não sujeito à censura, e tinha o chefe do escritório de Paris da AP no outro lado da linha. “Aqui é Ed Kennedy. A Alemanha capitulou incondicionalmente. Repito, capitulou incondicionalmente. É oficial. Coloque Reims, França, como procedência e solte a notícia, já.”

Não discutiu sua decisão com nenhum chefe. O texto tinha perto de 300 palavras. “Agora é esperar para ver o que acontece”, comentou, após desligar.

Dois minutos mais tarde, Londres transmitia a bomba para a central em Nova York, que ainda segurou a notícia por oito minutos antes de colocá-la no ar.

Instantaneamente rádios por toda a América interromperam suas programações para dar a grande nova, edições extras de jornais inundaram as ruas e o furo tinha tudo para ser o momento de maior triunfo profissional e pessoal de Edward Kennedy, já consagrado como um dos grandes nomes de sua geração.

Os fatos seguiram outro roteiro. Passadas menos de 24 horas, Kennedy fora suspenso por tempo indeterminado e seria demitido mais tarde, sem alarde. No mesmo dia, o presidente do Conselho da AP divulgava um comunicado lamentando “profundamente” o monumental furo obtido pelo jornalista.

Perto de 50 correspondentes de guerra do front europeu recomendaram a revogação de sua credencial. Kennedy acabou expulso da França pelo Comando Supremo das Forças Aliadas e teve de retornar aos Estados Unidos.

Faria tudo de novo”, declarou apenas, ao desembarcar. Conseguiu emprego como redator-chefe num pequeno jornal da Califórnia, o “Santa Barbara News-Press”, fez uma tentativa como publisher do “Monterrey Peninsula Herald” e morreu num acidente de automóvel aos 58 anos de idade. Seu pecado capital foi ter desafiado a censura e atropelado um embargo de notícia.

Passaram-se 67 anos desde então. Somente agora, três semanas atrás, a Associated Press admitiu oficialmente que Edward Kennedy fizera o certo.

Foi um dia negro para a Associated Press, que administrou o fato da pior maneira possível”, desculpou-se em nome da empresa Tom Curley, atual diretor executivo da agência noticiosa e coautor do prefácio do livro, de onde foram tiradas as informações para este artigo.

O pedido póstumo de desculpas veio junto com a chegada às livrarias do livro de memórias do jornalista — “Ed Kennedy’s War: V-E Day, Censorship and the Associated Press”, disponível na Amazon.

Recomenda-se a leitura a todo jornalista, uma vez que o dilema que se apresentou para Kennedy, além de universal, é atualíssimo.

“Se você dá a alguém uma caneta e a autoridade de um censor, estranhas coisas acontecem”, costumava dizer Kennedy, que seguiu à risca a demarcatória definida por Franklin D. Roosevelt: a censura só é justificada se estiver a serviço da proteção das forças aliadas em combate.

Na noite da rendição, Kennedy integrava o grupo de 17 correspondentes de guerra reunidos às pressas pelo comando aliado para testemunhar o momento. Todos tiveram de assinar um termo de sigilo a bordo do avião militar que os levou de Paris para Reims, no nordeste da França, onde o general Dwight Eisenhower havia instalado seu QG avançado. Só divulgariam o que veriam quando autorizados pelo comando Aliado.

Em princípio, o embargo acordado duraria apenas algumas horas, mas logo os jornalistas foram informados de que ao fim da Segunda Guerra Mundial só poderia ser noticiado 36 horas depois, às três da tarde do dia seguinte.

Só que passadas doze horas da capitulação, uma pequena rádio alemã da cidade de Flensburg vazara a informação e Kennedy procurou dobrar os censores americanos. Nada feito.

O general Eisenhower até desejaria que a notícia seja divulgada de imediato para que vidas sejam salvas, mas suas mãos estão atadas por esferas políticas superiores”, respondeu-lhe à época o porta-voz do comandante.

As esferas políticas superiores chamavam-se Stalin, Truman e Winston Churchill. Os três haviam concordado em bloquear a notícia da capitulação por um dia para dar tempo ao marechal russo de também preparar a cerimônia de rendição que presidiria em Berlim.

Assim, todos fariam comunicados simultâneos a seus povos, pontualmente às 3 horas da tarde do dia 8 de maio de 1945.

Kennedy tomou a decisão de furar unilateralmente o acordo ao constatar que não estaria colocando em risco a vida de nenhum soldado. Pelo contrário, abreviaria a matança em algumas horas, o que já era muito.

De fato, naquele mesmo 7 de maio, um submarino alemão afundara duas embarcações na costa da Escócia e os combates prosseguiram na Checoslováquia e na Iugoslávia. Ademais, com a assinatura da rendição, a própria função dos censores militares perdia validade, a seu ver.

Duas vozes contundentes saíram em sua defesa à época. A primeira foi a de A. J. Liebling, na revista “New Yorker”, em artigo intitulado “A rendição da AP”. A segunda foi a de Wes Gallagher, despachado pela Associated Press para substituir Kennedy no escritório de Paris.

Por ocasião de seu primeiro encontro com Eisenhower, o repórter comentou com o general que no lugar do antecessor teria feito a mesma coisa, acrescentando: “Apenas teria lhe telefonado antes.”

Ike retorquiu que, nessa hipótese, teria ordenado sua prisão. Resposta de Gallagher: “Mas isso não teria abortado a notícia.”

 

 

* Fonte: O Globo

** Autora : Dorrit Harazim é jornalista