Tag Archives: História

Livro/Homenagem – Famílias Pinto Bezerra & Foerster / Paulo Foerster (Sênior) – Por Paulo J E Foerster *

Capa-do-livro-1-paulinho-Foersterdigitalizar0001-e1343776813183

 

 

 

O nosso passado está escrito,
jamais poderemos corrigi-lo.

 

 

Aos irmãos Sônia, Severina, Auxiliadora (Cicy), Cláudio, Flávio, Alberto (in memoriam), Cristina e Luciano, que mesmo percorrendo diferentes caminhos sempre permanecemos juntos.

 

Fazenda Canaã (aquarela) Berço da família Foerster no Brasil

Fazenda Canaã (aquarela) Berço da família Foerster no Brasil

N.5.1 Paulo Foerster- Pequena biografia

 

Escrever com isenção sobre Paulo Foerster, o que ele representou para Sanharó não é uma missão fácil.

 

Aos cinco anos, residia no Recife, quando viu seu pai falecer prematuramente e passou a morar com seu avós maternos na fazenda Canaã, onde nascera. Estudou inicialmente em Sanharó com Dona Filadélfia, a seguir no Colégio Diocesano de Pesqueira, que passou a ser denominado posteriormente Cristo Rei e por fim no Colégio Diocesano de Garanhuns. Inicialmente, fixou-se na residência de Monsenhor Callou, seu padrinho e diretor do colégio, posteriormente como interno. Desse período contava Paulo, que assistia filmes, na época ainda mudos, ao som de piano para quebrar a monotonia da projeção. A pianista oficial do cinema era a irmã de Monsenhor Callou, o que facilitava seu ingresso ao cinema.

Paulo Foerster na foto da 1ª Comunhão

Paulo Foerster na foto da 1ª Comunhão

A cidade de Garanhuns, para onde ia a cavalo, era toda cercada de plantação de café e no quintal da residência do Monsenhor Callou existia um pé de laranja e para que a meninada não tirasse (roubasse) as laranjas, um cachorro era amarrado ao tronco. A solução encontrada por ele e Pedro Calou (sobrinho do padre e posteriormente promotor de justiça) foi correrem em volta do pé de laranja e o cachorro os acompanhava para morder. Só paravam quando o cachorro estava todo enrolado na árvore.

“Era o momento para tirarem as laranjas”.

Não sentindo aptidão para os estudos, só fez o segundo ano ginasial. Aos quinze anos já não existiam os seus avós maternos, Joaquim e Águeda, com quem morava. Assumiu a administração da fazenda Pé de Serra, herdada por sua mãe Olindina, a qual posteriormente passou a ser denominada de Canaã.

Aos dezessete anos se casou com Enerieta Araújo Leite, filha de Cícero e Arcelina Araújo Leite com quem teve a sua única filha, Sônia. Quinze dias após o seu nascimento, Enerieta veio a falecer.

Casal Anilda e Paulo Foerster

Casal Anilda e Paulo Foerster (1942)

Severina e Cristina  Foto017  Paulinho, Yvone, sônia, Cicy e a jumenta  Foto015 Olindina, Paulo e José Foto010

1-Severina e Cristina; 2- Paulinho, Cicy, Cláudio, Sônia, Yvone e a jumenta…3-Olindina, José e Paulo

Paulo Foerster, Anilda e os 7 filhos e mais Sônia filho do 1º casamento

Paulo Foerster, Anilda e os 7 filhos e mais Sônia filha do 1º casamento

Em segundo matrimônio, Paulo se casou com Anilda Cordeiro Valença, filha do Elias Cordeiro Valença (Lili) e Maria Aurora Medeiros Valença (Nazinha). Desse matrimonio nasceram sete filhos, Auxiliadora, Paulo José, Cláudio, Flávio, Alberto, Cristina e Luciano. Desde o casamento em 1942, até 1950, o casal com os três primeiros filhos residiram na fazenda Canaã mas, quinzenalmente deslocava-se com a família de charrete, que lembrava as diligências de filme americano até a fazenda Boa Vontade de propriedade do seu sogro. No ano de 1945, a família acolhe a menina, Severina Santos Almeida que passou a levar, até os dias atuais, uma vida de dedicação e querência aos familiares, fazendo por merecer o carinho e amor das gerações posteriores.

Por necessidade de colocar os filhos na escola, a família passou a residir em Sanharó, após adquirir a residência do Major José Pedro, cuja área é ocupada pelo atual bairro do Salgado e a moradia do Sr. José Naíde.

Apesar do nome de casado de sua mãe ser Olindina Pinto Foerster, Paulo e seu irmão José foram registrados apenas com sobrenome do pai, Foerster, o que não impediu de ser conhecido por longos anos como Paulo Pinto, sendo inclusive esta a denominação constante nas cédulas de votação para escolha do primeiro prefeito e vereador de Sanharó.

Paulo era sedento por novos conhecimentos, novas tecnologias. Procurava saber e fazer de tudo um pouco.

No futebol chegou a jogar no time de Sanharó, que era patrocinado por Cícero Leite e teve companheiros como Pirombá, posteriormente um dos maiores atacantes do futebol pernambucano, bem como Manoelzinho, ex-goleiro do Náutico e da Seleção Pernambucana, Negrão, René Leite, entre outros.

Antes dos trinta anos já era vereador por Pesqueira e participava ativamente pela emancipação de sua cidade, Sanharó.

O grupo, formado por Antonio Avelino, Oscar Tolentino, Miro Vitor tomou conhecimento que iria ser apresentado um projeto na Assembléia Legislativa para a emancipação de Alagoinha. Quando comentavam o acontecimento debaixo de um pé de figo, existente nas proximidades de onde funcionava ultimamente a Loja Jolly, chega Paulo montado a cavalo e lhe dão ciência do fato.

De imediato resolveram que iriam contatar com Padre Arruda Câmara, então deputado na época, e que estava voltando do Sertão de trem. Na própria estação de Sanharó foram estabelecidos os contatos e as prioridades para apresentação de um projeto legislativo.

Conforme narração de Chico Caraciolo, para se constituir o território do futuro município de Sanharó seria necessário estabelecer as linhas demarcatórias. Parte já estava previamente fixada, haja vista que eram os limites do município de Pesqueira com São Bento do Una e Belo Jardim e que deveriam permanecer. Restavam estabelecer os limites com Pesqueira e qual seria a área que iria pertencer a Sanharó.

Preliminarmente, além da sede do futuro município, iriam fazer parte do mesmo os distritos de Água Fria, Mulungu, Jenipapo e Mutuca (Santa Terezinha). A tática era colocar a maior área possível para em seguida se negociar. Comenta-se que na época, ao se traçar uma das linhas imaginárias (ligando Lagoa do Sebastião a Cachoeira do Camorongo) que iria estabelecer os limites, a mesma passava no meio do campo de aviação de Pesqueira, que era propriedade da Fábrica Peixe. Claro que o bom senso fez com que a referida linha fosse deslocada.

A Paulo Foerster coube a missão de percorrer todas linhas demarcatórias a cavalo para posterior mapeamento do município.

Como era de se esperar, os interesses políticos e econômicos seriam antagônicos à proposta dos sanharoenses. Mutuca, por interesse da Fábrica Peixe, que tinha como seu aliado o chefe político Enedino de Freitas, foi excluída da área pretendida.

Água Fria, por interferência do deputado Arruda Marinho, que era de Belo Jardim mas mantinha laços familiares e políticos em Pesqueira, teria sido trocado por Divisão.

Apesar de o fato ser de domínio público, tomei conhecimento por meio Antonieta Xavier Almeida (Nieta), que sua mãe Hermínia Idalina de Jesus era professora em Divisão no inicio da década de 40, e recebia seu salário através da Prefeitura de Pesqueira, fato que nos leva crer que o distrito de Divisão pertencia a Pesqueira,

Alguns documentos foram encontrados nos arquivos de Paulo Foerster, após a sua morte, que demonstram sua intensa participação e as dificuldades no processo de emancipação de Sanharó.

O primeiro refere-se a um bilhete de Seu Lau, transcrito abaixo na íntegra e que tratava da interferência de Belo Jardim no processo para se estabelecer os limites de Sanharó.

Paulo

Vou a Belo Jardim, não oficialmente, vou tratar dos interesses de Sanharó, pois expliquei tudo a Dr. Barbosa e este pediu-me que fosse a Belo Jardim, que lá seria resolvido o caso dos limites. Ele ficou bem impressionado, dizendo que Sanharó um município menor que tinha o Estado, não era justo perder mais terreno. E o mais para a visita encontrei barreira forte em Recife em favor de Belo Jardim.

Do amigo
Laurentino Ventura Caraciolo

Obs. Neste período Paulo Foerster residia na fazenda Canaã, daí a razão do bilhete. O Dr. Barbosa citado no bilhete refere-se ao então Governador de Pernambuco.

As cessões das áreas iriam levar Pesqueira perder grande parte do seu território, já que se tratava da emancipação de dois distritos ao mesmo tempo, fatores que tornavam mais difíceis as negociações.

Em razão dos acordos celebrados entre os políticos que atuavam na região, coube ao deputado  Padre Públio Callado a apresentação do projeto na Assembléia Legislativa.

Documentos que registraram esse período foram também encontrados nos arquivos de Paulo Foerster, dentre os quais destacamos a primeira notícia sobre a emancipação de Sanharó.

Na época, o meio de comunicação mais rápido e eficiente era os Correios. E foi através desse meio de comunicação que o deputado Padre Púlbio deu ciência a Paulo Foerster, através de carta, da aprovação do projeto, em segunda discussão, sobre emancipação e solicitava ao mesmo tempo os preparativos para as comemorações.

Transcrevemos abaixo o teor desse documento inédito na história de Sanharó:

Recife, 9/XII/1948.

Paulo,

Levo meus parabéns à população de Sanharó por ter sido aprovado em 2ª discussão o projeto da criação do município.

Tencionava ir até aí nesta semana, mas em vista dos trabalhos não me foi possível. Seria oportuno que vocês pensassem na instalação do município em janeiro e deve ser festiva.

Como também uma reportagem para divulgar a notícia da criação e de fotografias do município, no Diário de Pernambuco. Parece oportuno agora a parte financeira. Para esses gastos é mister uma arrecadação entre os mais abastados.

Quando ao projeto for sancionado pelo governador, desejo que marquem um dia para que eu vá até aí, a fim de comemorarmos com o amigo.

Em tudo, sustente a parte nossa na política.

Abraços do amigo.

P. Públio Callado.

Logo após aprovação do decreto pela assembléia, se fazia necessária a sansão do mesmo pelo Governador do Estado, na época Barbosa Lima Sobrinho, que viria a ser mais tarde Presidente da Academia Brasileira de Letras e eminente jornalista brasileiro.

Receosos de um possível veto pelo Governador, em Sanharó foi constituída uma comissão para ter uma audiência com o Senhor Governador. Dessa comissão faziam parte Paulo Foerster, Oscar Tolentino Leite, Antonio Avelino Bezerra  e Seu Lau – Laurentino Ventura Caraciolo.

Da viagem um fato por demais pitoresco, que era comum para os que conviviam com Oscar, pessoa muito querida em Sanharó, brincalhona, sempre estava de bom humor e sempre prestes a fazer favores. Oscar Leite foi uma referência para nós Sanharoenses.

Contava Paulo Foerster que a comitiva ao chegar ao Recife hospedou-se hotel no Hotel Glória que existia no começo da rua da Concórdia, que era o preferido dos interioranos que iam ao Recife a negócios, por se encontrar próximo a Estação Ferroviária, em pleno Centro do Recife e não tão distante do Palácio do Governo, local onde o grupo ira ter a audiência com o Governador. O trem chegava ao Recife a noite e partia antes do raiar do dia.

Na manhã seguinte, dia da audiência, percebe-se em um ponto da Rua da Concórdia, que repedidas vezes era tocada a música de Luiz Gonzaga, Juazeiro.

Juazeiro, Juazeiro
Me aresponda por favor,
Juazeiro, velho amigo,
Onde mora o meu amor
Aí, juazeiro
Ela nunca mais voltou
Diz, juazeiro
Onde anda meu amor …..

De tanto repetir a música Antonio Avelino começou a reclamar. Da volta da audiência com o governador, todos alegres e satisfeitos com o resultado: o governador prometera à comitiva que iria sancionar o decreto, logo que chegasse às suas mãos. Notícia melhor para o povo de Sanharó não poderia acontecer!

Ao chegarem ao hotel e durante o anoitecer, continuava a tocar a música Juazeiro. Já era um exagero! Haja reclamação de Antonio Avelino.

Aí entra Oscar em ação.

Sem ninguém perceber, vai ele ao dono da radiola de ficha e diz que veio do interior e está gostando muito da música e que iria viajar na manhã seguinte de madrugada, e como despedida gostaria de ser acordado ouvindo a música Juazeiro, em seguida “molhou bem” a mão do homem e voltou para dormir.

Não deu outra. Três horas da manhã a música Juazeiro estava soando nas redondezas e Antonio Avelino se acordando puto da vida. A esta altura Oscar estava se dobrando de rir. Assim era o nosso Oscar Leite.

Poucos filhos de Sanharó sabem que a música Juazeiro tem uma estreita relação com a história da nossa terra.

Na primeira eleição para Sanharó, Paulo candidatou-se a prefeito e vereador, a lei na época assim permitia. Perdeu a eleição para seu Lau mas se elegeu vereador.

1ª Câmara de vereadores do recém criado município de Sanharó/1949

1ª Câmara de vereadores do recém criado município de Sanharó/1949

Nesse período e por longo tempo Paulo fez de tudo um pouco. Foi médico. Quantas vezes chegava um compadre ou gente humilde para Paulo fazer um curativo, tirar um caroço de mulungu colocado no nariz de uma criança, ou mesmo para aplicar uma injeção.

Quantas vezes chegou à Fazenda Canaã um pai com o filho nos últimos momentos de vida para que Paulo fizesse o batismo para não ver seu filho morrer pagão. Quantas vezes Paulo era chamado pelos fazendeiros da região para ir fazer um parto de uma vaca.

Paulo foi ainda marceneiro, pedreiro, cubador de terras, professor, funcionário público, caçador de abelhas, seguia o voo das abelhas por várias horas até localizar o enxame. Na sua época, já era um ambientalista, não admitia que se matasse um cururu, uma cobra preta.

Com seu espírito inovador, na década de cinqüenta introduz em Sanharó, pela primeira vez, criação de galinhas de postura confinadas. Os pintos eram produzidos em Petrolândia pela SUVALE, de onde eram distribuídos.

Sempre que surgia uma crise na administração do Clube Lítero, lá estava Paulo para reconciliar e dirigir mais uma vez os destinos do Clube. Em uma da dessas crises, 1962, Paulo arregaçou as mangas e juntamente com outros abnegáveis sanharoenses e em quarenta dias conseguiram os recursos, construíram, elaboraram e aprovaram os estatutos do atual Clube Lítero Recreativo de Sanharó.

De todas essas atividades exercidas por Paulo, uma era a sua grande paixão: ser criador, fazendeiro. Transfigurava-se ao ver as terras bem tratadas e o pasto florescendo. Mantinha tudo escriturado, receitas, despesas, fichário de todas as suas vacas, data de parição, vacinação, compra e venda. Essa atividade ele exerceu com dedicação e esmero até os últimos momentos de sua vida.

Paulo era assinante de inúmeras revistas de agricultura e pecuária além da famosa revista Seleções do Reader’s Digest, cuja coleção fazia questão de dizer: “Tenho todos os números, desde a primeira, os que faltam, não chegaram a ser distribuídos em razão da segunda guerra”. A coleção de Seleções é conservada pelo seu neto Paulo Ricardo.

A exemplo de Antonio Cordeiro, Antonio Avelino, entre outros, nunca deixava de ler o Jornal do Commercio aos domingos. Cabia-me a missão de ir a estação para comprar o jornal, que era vendido por Seu Manoel Gazeteiro, que viajava no último vagão do trem.

Vem dessa época o meu vício de ler jornal. Por ser pequeno, não podia manter o jornal aberto, a solução era me deitar no chão abrir o jornal e ler.

No início da década de 70, candidata-se pela segunda vez a prefeito e é eleito para um mandato de apenas três anos. Período difícil, um dos anos extremamente seco, poucos recursos, mas deu prioridade à educação das crianças sanharoenses, construindo nove escolas na área rural.

Um fato digno de registro: os seus dois adversários, Seu Lau (primeira eleição) e Geraldo Freitas (segunda eleição) sempre primaram por uma relação de respeito e amizade, a ponto de Seu Lau doar a Paulo, quando foi residir em São Paulo um nível (instrumento de marcenaria) que no passado havia pertencido ao pai de Paulo.

Paulo sempre relatava esse fato com muito carinho. Assim, era o comportamento dos homens públicos de Sanharó no passado.

As vezes em que exerceu cargos públicos o fez por interferência de seus amigos e com o pensamento de ajudar sua terra natal. Ao deixar a Prefeitura fez uma promessa, de nunca mais voltar a atividade política, ficou por demais desiludido e ressentido, não com a política mas, com os politicóides. A decepção o levou a se ausentar de Sanharó por quatro anos, período em que passou a residir em Pesqueira.

Refeito de parte das desilusões, volta a residir à Rua Major Sátiro nº 71, morada adquirida por herança de sua esposa Anilda.

Enquanto residia na fazenda Canaã, Paulo mantinha um catavento que fornecia energia para dois pontos de luz e um rádio funcionando.

Na Copa do Mundo de 50, os torcedores saiam de Sanharó à noite, para ouvir o jogo do Brasil pelo rádio. Essa tecnologia foi transferida posteriormente para a sua residência em Sanharó e as tardes de domingo, quando o Santa Cruz jogava, no mínimo três torcedores fanáticos estavam lá ao pé do rádio, Moisés Monteiro (Barbeiro) Dezinho (Dr. Jefferson) e nosso amigo e colega Heriberto Américo de Freitas, às vezes João Pessoa Caraciolo.

Com a chegada da energia elétrica em Sanharó os encontros das tardes domingo cessaram. Em compensação, surgiu a televisão. Paulo adquire um aparelho de televisão, o primeiro de Sanharó, o que levava vários frequentadores a sua residência para assistirem os programas de TV. Os mais íntimos assistiam na sala de visita e os demais através da janela, em pé na calçada.

Paulo, apesar de inovador, não era chegado a manter por longo período as suas propriedades, sempre estava vendendo e comprando. Em épocas diferentes Paulo chegou a possuir uma faixa de terra que iniciava em sua residência em Sanharó e se prolongava até Maniçoba.

Outro grande patrimônio foi a amizade que manteve em vida, pois chegou a ter mais de cento e cinquenta afilhados, todos devidamente registrados em sua caderneta de anotações, destacando-se todos os filhos homens de Maria Zuca, exceto Clovis, de quem Paulo era compadre e uma pedinte que surgiu em Sanharó, que fazia questão de que todos os seus filhos fossem afilhados de Paulo e Anilda.

Como filho, pude testemunhar o que havia de exuberante em Paulo Foerster, o seu amor por sua terra, Sanharó. Ainda pequeno, ao seu lado e de mão dada a ele ouvi, certa vez na estação do trem, em conversa com Antonio Cordeiro, Antonio Avelino e outros, que várias vezes teve a oportunidade de deixar Sanharó, em razão do trabalho, mas que não o fizera, por considerar Sanharó o melhor lugar do mundo.

Em suas viagens ao Recife a trabalho, ou para visitar os familiares ou mesmo para tratamento de saúde, contava os dias e horas para voltar à Sanharó.

Nos dias que antecederam a sua morte no Recife, quando me aproximava do seu leito, imediatamente perguntava: “Vamos para Sanharó”? e o destino me reservou, entre os seus filhos, a missão de acompanhar o seu corpo de volta a Sanharó. Foi uma viagem acompanhada de recordações, de dor, por sua perda, mas ao mesmo tempo de satisfação, por estar atendendo os seus últimos pedidos:

“Vamos para Sanharó” !!!

Paulo Foerster nasceu em 26 de fevereiro de 1918 e foi sepultado no Cemitério de Sanharó em 25 de abril de 2001.

N.5.1 Paulo Foerster casado em primeiro matrimônio com Enerieta Araújo Leite;

Bn.5.1.1 Maria Sônia Foerster C.c. Joel Guimarães Luna;

Tn.5.1.1.1 Paulo Foerster Luna – faleceu ao nascer;
Tn.5.1.1.2 Paula Frascinete Foerster Luna, faleceu aos 11 anos;

Tn.5.1.1.3 Joel Luna Filho C.c Iraneide Silva Bezerra;
Qn.5.1.1.3.1 Marco Thúlio Bezerra Luna;
Qn.5.1.1.3.2 Thallyta Myrena Bezerra Luna;

Tn.5.1.1.4 Sonja Maria Foerster Luna C.c. José Cláudio Cordeiro Silva;
Qn.5.1.1.4.1 Laíse Foerster Cordeiro;
Qn.5.1.1.4.2 Míres Foerster Cordeiro;

Tn.5.1.1.5 Paulo Robério Foerster Luna C.c. Maria José Meneses;
Qn.5.1.1.5.1 Fabrício Meneses Luna;
Qn.5.1.1.5.2 Bianca Meneses Luna;

Tn.5.1.1.6 José Joelson Foerster Luna C.c. Kátia Regina de Freitas;
Qn.5.1.1.6.1 Jakson Jaines de Freitas Luna,
C.c. Rômula Aquino;
Pn 5.1.1.6.1.1 Anna Sophia
Qn.5.1.1.6.2 Kelvin de Freitas Luna;

Tn.5.1.1.7 Domingos Sávio Foerster Luna C.c. Girlene Bezerra da Silva;
Qn.5.1.1.7.1 Ítalo José da Silva Foerster Luna;

Tn.5.1.1.8 Cristiano Max Foerster Luna C.c. Adriana Monteiro primeiro matrimônio, não teve descendente e em segundo
casamento C.c. Andréia Leite da Silva; Qn.5.1.1.8.1 Laís da Silva Luna;

Tn.5.1.1.9 George Antônio Foerster Luna C.c. Adriana Cássia da Silva Vasconcelos;
Qn.5.1.1.9.1 Gabrielly Vasconcelos Foerster Luna;
Qn.5.1.1.9.2 George Willke Vasconcelos Foerster Luna;

Tn.5.1.1.10 Joelma Foerster Luna faleceu aos dois anos;

N.5.1 Paulo Foerster casado (segunda matrimônio) com Anilda Cordeiro Valença;

Bn.5.1.2 Maria Auxiliadora Cordeiro Foerster C.c. Genaro Cabral Souza Viana;
Tn.5.1.2.1 Luís Felipe Foerster Viana;
Tn.5.1.2.2 Natalia Foerster Viana;

Bn.5.1.3 Paulo José Elias Foerster C.c. Maria Cristina Maranhão
Tn.5.1.3.1 Tatiana Maranhão Foerster
Tn.5.1.3.2 Thaysa Maranhão Foerster;
Tn.5.1.3.3 Paulo Ricardo Maranhão Foerster através de relacionamento não oficial com Camila Domingos da Cunha teve
uma filha:
Qn.5.1.3.3.1 Valentina Domingos da Cunha Foerster;

Bn.5.1.4 José Cláudio Foerster C.c. Rosa Maria Cintra.Tn.5.1.4.1 José Cláudio Foerster Junior C.c. Gisleide Barbosa Leite;

Qn.5.1.4.1.1 Ethny Raffael Barbosa Foerster;

Qn.5.1.4.1.2 Maria Rosa Barbosa Foerster;
Qn.5.1.4.1.3 João Paulo Barbosa Foerster;
Tn.5.1.4.2 Rosa Cláudia Cintra Foerster teve uma
Filho com Rivaldo Alves Siqueira;
Qn.5.1.4.2.1 Felipe Foerster Siqueira;
Após a viuvez, José Cláudio C.c.
Elizabete de Jesus Araújo, não havendo
descendentes;

Bn.5.1.5 Lúcio Flávio Foerster C.c. Guadalupe Bezerra Ledo;
Tn.5.1.5.1 Lúcio Flavio Foerster Junior ex- C.c. Rose Viviane Brito;
Qn.5.1.5.1.1 Mariana Brito Foerster;
Lúcio Flávio Foerster Junior, em
segundo matrimônio, C.c. com Izabel França Calado;
Qn.5.1.5.1.2 Ana Mel Calado Foerster;
Tn.5.1.5.2 Flávia Guadalupe Ledo Foerster C.c. Wagner Cordeiro Menezes;
Qn.5.1.5.2.1 Rafaela Foerster Cordeiro;
Qn.5.1.5.2.2 Gabriela Foerster Cordeiro;
Tn.5.1.5.3 Renata Fabíola Ledo Foerster C.c. José Normando Brito Junior,
Qn.5.1.5.3.1 Ana Maria Foerster Brito,

Bn.5.1.6 Alberto Max Cordeiro Foerster ex- C.c. Maria Sônia Souza Valença
Tn.5.1.6.1 Carolina Valença Foerster;
Alberto Max Cordeiro Foerster ex C.c. Ana Paula Soares de Carvalho;
Tn.5.1.6.2 Amanda Soares Foerster;
Tn.5.1.6.3 Águeda Soares Foerster;
Alberto Max em terceiro relacionamento com Vanda Cristina Silva
Tn.5.1.6.4 Maria Paula Silva Foerster;

Bn.5.1.7 Maria Cristina Cordeiro Foerster C.c. Dráulio José Tadeu d`Assunção
Tn.5.1.7.1 Marcelo Foerster d’Assunão
Tn.5.1.7.2 Patrícia Foerster d’Assunção C.c. Rodrigo Carneiro de Lira
Tn.5.1.7.3 Danilo Foerster d’Assunção

Bn.5.1.8. Joaquim Luciano Cordeiro Foerster

Paulinho Foerster fazendo discruos APMV Imagem019 (1)

* Autor: Paulo José Elias Foerster – Paulinho Foerster é médico veterinário, membro da APMV – Academia Pernambucana de Médicos Veterinários, escritor, cronista e pesquisador bibliográfico.

História & Curiosidade; Como entender a alma chinesa *

A China segundo o filósofo, matemático

e historiador Bertrand Russell.

 

bertrand-russell_02_766-600x337

 

Há quase cem anos, o filósofo, historiador e matemático britânico Bertrand Russell se debruçou sobre o fenômeno chinês. Ele escreveu um livro chamado “O Problema da China”, do qual extraímos as passagens abaixo para a nossa série Conversas com Escritores Mortos.

Mr Russell: o senhor passou uma temporada na China e escreveu um livro sobre o país. Como o senhor definiria a China?

A China pode ser considerada uma nação artista, com as virtudes e os defeitos típicos dos artistas: virtudes quase sempre úteis para os outros, e os defeitos quase sempre prejudiciais para ela mesma. A China vai conseguir preservar as virtudes? Ou, para sobreviver, ela vai adquirir os defeitos que provocam miséria para os outros apenas? E se a China copiar o modelo estabelecido pelo Ocidente, o que será de todos nós?

Qual é este modelo ocidental, Mr Russell?

Nossa prosperidade, e muito daquilo que fazemos pela nossa segurança, só pode ser obtida com uma ampla opressão e exploração dos países mais fracos.

E os chineses ..

O que eles conseguem eles devem apenas a eles mesmos.

Como o senhor vê o futuro da China?

A China é o país mais paciente do mundo; pensa em séculos, enquanto os outros países pensam em décadas. É essencialmente indestrutível, e sabe esperar. As nações “civilizadas”, com seus bloqueios, seus gases envenenados, suas bombas, seus submarinos, seus exércitos sinistros, vão provavelmente destruir uma à outra nos próximos cem anos, deixando o palco para aqueles países cujo pacifismo os deixou vivos, ainda que pobres e sem poder bélico.

Suponhamos que o modelo chinês de país artista, como o senhor define, triunfe. O que a humanidade deveria esperar?

Os chineses descobriram, e praticaram por muitos séculos, um estilo de vida que, se adotado em todo o mundo, tornaria o mundo todo feliz.

Mas o Ocidente é militarmente mais forte, e para muitos tem uma civilização superior.

A superioridade militar do Ocidente sobre a China não é uma lei eterna da natureza, como somos tentados a imaginar. E nossa superioridade como civilização é apenas ilusão.

O senhor poderia desenvolver este último tema?

Um escritor do passado escreveu: “Os ocidentais reduziram singularmente o campo da história do mundo em torno de Israel, da Grécia e de Roma, por completa ignorância da existência do resto do mundo. Eles desconheciam as histórias dos viajantes que tinham singrado o Mar da China e o Oceano Índico, ou cavalgado pelas imensidões da Ásia Central rumo ao Golfo Pérsico. A maior parte do universo, e ao mesmo tempo uma civilização diferente mas certamente tão desenvolvida quanto a Grécia Antiga e Roma, permaneceu desconhecida daqueles que escreveram a história de seu pequeno mundo acreditando que estavam escrevendo a história do mundo como um todo.”

E o senhor, o que diz disso?

Nos dias de hoje, este provincianismo, que impregna toda a nossa cultura, pode ter consequências desastrosas para a humanidade. Ou abrimos espaço para a China ou ela vai tratar de se erguer por si mesma.

O que o senhor tem a dizer sobre Confúcio, o filósofo que há mais de 2 000 anos guia o passo dos chineses?

Confucius-150x150

Confúcio era, na prática, um estadista. Ele se preocupava com a administração do Estado. As virtudes que ele procurava inculcar não diziam respeito à santidade pessoal ou à busca de salvação numa vida futura — mas sim aquelas que levariam a uma vida comunitária mais pacata e próspera aqui na terra mesmo. O confucionismo foi, na essência, um código de comportamento civilizado. Ensinou auto-controle, moderação e, acima de tudo, cortesia.

É difícil para um ocidental ser confuciano?

Para ser, ele tem que aprimorar o auto-controle. Não deve se entregar a paixões violentas e nem ser arrogante. Jamais deve infligir humilhação a adversários derrotados.

O confucionismo chinês não é uma religião. Quais as consequências práticas disso?

Muito positivas. O chinês não tem a crença, que devemos aos judeus, de que se uma religião é verdadeira, as outras devem ser falsas.

 

* Fonte: Almanaque Brasil / Autor:  Paulo Nogueira

O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

 

BRASIL NA HISTÓRIA : 23 de maio de 1932: MMDC – Mártires da Resistência *

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932,

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932,

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932, quando um grupo de populares participava de uma manifestação em oposição ao governo, na Praça da República: Mário Martins de Almeida, 31 anos, solteiro, fazendeiro, nascido em São Manoel (SP); Euclydes Bueno Miragaia, 21 anos, solteiro, auxiliar de Cartório, nascido em S. José dos Campos(SP); Dráusio Marcondes de Souza, 14 anos, ajudante de farmácia, nascido em São Paulo; Antonio Américo de Camargo Andrade, 30 anos, casado, 3 filhos, comerciário, nascido em São Paulo.

Por trás da reivindicação de uma nova constituição, havia a questão da política do café-com-leite, com a qual São Paulo sentia-se desprestigiada desde a Revolução de 30, com o golpe que impediu a posse de Julio Prestes.

O incidente deu origem ao Movimento MMDC, organização civil clandestina que concentrou o alistamento voluntário para quem depois oferecia treinamento militar, e foi o estopim para a revolução constitucionalista. A força de resistência constituída posicionou-se em frentes de combate nas divisas de São Paulo com Minas Gerais, com o Paraná e no vale do Paraíba. E no dia 9 de julho de 1932 deu-se início o conflito armado contra a ditadura. Intelectuais, industriais e estudantes, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático, excluído do governo por Vargas, pegaram em armas para lutar por São Paulo. Aguardaram em vão o apoio de outros estados. No dia 3 de outubro, as tropas paulistas se renderam diante da superioridade das forças federais.

Os rapazes tornaram-se mártires da revolta e anos mais tarde, o 23 de maio passou a constar no calendário oficial do estado paulista como Dia da Juventude Constitucionalista, em alusão à participação dos jovens na revolução.

Getulio Vargas 1945

Em 1930, Getúlio Vargas deu um golpe de Estado e assumiu a Presidência, em caráter provisório, mas com amplos poderes. O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e até as Câmaras Municipais foram fechadas. Os governadores dos Estados foram substituídos por interventores nomeados por Vargas. Nessa época São Paulo, que havia rompido com Minas a política do café-com-leite e que havia sido a principal base política do regime da Primeira República, era encarado como um foco oposicionista.

*Fonte: JB/Hoje na História

TRANSPOSIÇÃO DO Velho Chico: Presidente Itamar AUTORIZOU em 27 de abril de 1994 *

27 de abril de 1994

Autorizada a transposição do Velho Chico

Transposição do RSF AUTORIZAÇÃO em 1994  riosaoblog

 

O presidente Itamar Franco autorizou a execução do Plano de Transposição de Águas do Rio São Francisco para quatro estados do Nordeste – Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Ao custo de US$ 2,1 bilhões, o plano visava construir 240 quilômetros de canais e quatro elevatórias, transportando água de Cabrobró (PE) para a perenização de seis rios, abastecendo 220 cidades e aumentando a capacidade de irrigação de 175 mil hectares, para 1,6 milhão de hectares.

A primeira fase do plano, orçada em US$ 550 milhões seria financiada por empréstimos obtidos junto a bancos europeus e japoneses, através do Banco do Nordeste. A segunda fase custaria aos cofres públicos cerca de US$ 1,5 bilhão, sendo financiada pelo Banco Mundial.

O projeto de transposição, apesar de aprovado pelo presidente, não saiu do papel durante o seu mandato. O governo encontrou grande oposição por parte de diversos segmentos da sociedade, que achavam que a transposição das águas beneficiaria uma pequena parcela da população, em sua maioria latifundiários, retirando água que seria destinada ao uso humano para atender à demanda do agronegócio. Outra crítica ao projeto se referia a um possível aumento no processo de desertificação das margens do rio, com a retirada de parte de suas águas, o que poderia vir a causar a extinção do mesmo.

Em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência, o projeto voltou a ser discutido. FHC assinou o documento “Compromisso pela Vida do São Francisco”, que propunha a revitalização do Velho Chico e um novo plano para a construções dos canais de transposição. Assim, com a revitalização, o rio suportaria adequadamente o desvio de uma pequena parcela das suas águas sem correr o risco de secar. Apesar das novas idéias, as obras não conseguiram ser alavancadas.

No primeiro mandato de Lula, no entanto, três empresas foram contratadas para reestudar o plano de irrigar as terras secas do agreste nordestino, desviando 2% do volume total das águas do rio. Em 2007, após o novo projeto ter sido aprovado, o Exército iniciou obras de construção de túneis na parte leste do rio, apesar da oposição de ambientalistas, habitantes de regiões banhadas pelas águas do Chico, indígenas e religiosos.

* Fonte: Hoje na História/JB

RECIFE: A Velha e Saudosa Rua Nova…Um Charme Inesquecível – Por Leonardo Dantas *

O charme e a elegância do Recife, desfilavam na rua Nova...

O charme e a elegância do Recife, desfilavam na rua Nova…

A velha e sempre nova, Rua Nova…

 

No século XVII não passava de um caminho que ligava o Terreiro dos Coqueiros com a margem do Capibaribe, nas proximidades da segunda ponte de madeira erguida no Recife pelo Conde João Maurício de Nassau-Siegen, unindo a ilha de Antônio Vaz ao que viria a ser a Boa Vista dos nossos dias.

O bonde também desfilava garboso pela famosa Rua Nova.

O bonde também desfilava garboso pela famosa Rua Nova.

Na primeira metade do século XVIII, o primitivo caminho veio a ser embelezado por dois dos mais importantes templos católicos da Vila de Santo Antônio do Recife: Inicialmente a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, construída entre 1725 e 1757; seguindo-se da Igreja do Santíssimo Sacramento [hoje Matriz de Santo Antônio], que veio ocupar o local da Casa da Pólvora dos holandeses, com sua construção se estendendo de 1755 a 1790. No Governo de Henrique Luís Pereira Freire (1737-1746) consolidou-se a ligação definitiva entre o bairro portuário e a Boa Vista, consagrando definitivamente o caminho então denominado de Rua Nova de Santo Antônio.

As muitas intervenções contribuíram para o seu desencanto...

As muitas intervenções contribuíram para o seu desencanto…

Sucessivos aterros contribuíram para o nivelamento da nova artéria e sua ligação com a Boa Vista, o que se deu com a construção da primitiva ponte (1737), ainda com seu lastro em madeira, que antecedeu a atual ponte de ferro adquirida na Inglaterra e aqui instalada no ano de 1876. Surgia assim a nossa velha e sempre nova, Rua Nova.

Da segunda metade do século XVIII aos nossos dias, a Rua Nova tornou-se o coração pulsante da cidade. Nos seus sobrados residiam importantes famílias; o da esquina com a Rua do Sol era residência do dicionarista Antônio Moraes Silva que, nascido no Rio de Janeiro em 1755, veio fixar residência no Recife, no início do século XIX, tendo aqui falecido em 11 de abril de 1824. No Recife escreveu a segunda edição do seu Dicionário da Língua Portuguesa, publicada em Lisboa em 1813. Também Joaquim Nabuco residiu na Rua Nova, quando aluno do quinto ano da Faculdade de Direito do Recife, nos idos de 1870, em casa do médico Jesuino Augusto dos Santos Mello. Na época, Joaquim Nabuco escrevia o seu livro, A Escravidão, tendo registrado nos originais a seguinte declaração: Este livro foi escrito por mim em 1870 quando estudante do 5º ano no Recife; morava eu então com o Dr. Santos Mello e o Barros Pimentel fazia bolsa comigo”.

rua nova 100 anos atrás

Era a Rua Nova a artéria de maior importância do Recife, reunindo consagrados profissionais (médicos, fotógrafos, advogados) e as mais conceituadas casas de comércio de então, com destaque especial aos centros de convívio formados por seus cinemas, cafés e restaurantes. No trecho entre a atual Praça da Independência até a Ponte da Boa Vista, localizavam-se a Casa Inglesa de Emília Brack (1912), que pela primeira vez admitiu como vendedoras elementos do sexo feminino; Lojas Paulista, a Casa Hermes (1942), especialista em aluguel de trajes a rigor; os cinemas Pathé (1909), com 320 lugares, Royal e Vitória; o Café Ruy; o Café Familiar e a Confeitaria Glória, onde em 26 de julho de 1930 foi assassinado o presidente da Paraíba João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque; dando causa a Revolução de 1930. Nos anos que se seguiram a Rua Nova continuou a ser o centro pulsante da cidade do Recife, com as Lojas 4.400, Casa Matos (tecidos finos), Sapataria Inglesa, Casa Parlophon, Nova Magnólia, Slopper, Ao Anel de Ouro, Drogaria Villaça, A Primavera, Confeitaria Fênix, Etan (loja de senhoras), Casas Huddersfield (tecidos finos), Casas Maia, além de estabelecimentos bancários e uma infinidade de casas comerciais.

Todo movimento da cidade tinha na Rua Nova o seu centro, fosse na Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos ou nos Trotes Estudantis (quando os calouros das faculdades vinham às ruas em desfiles de críticas e chacotas). E no restante do ano, o que se via nas tardes na Rua Nova era verdadeiros desfiles de elegância, como nos descreve o cronista Tadeu Rocha nos idos de 1963: A qualquer hora do dia, é grande o seu movimento de veículos e pedestres; e nas últimas horas da tarde, ela se povoa de gente elegante, que vem às compras, aos cinemas e aos namoros. Moças bonitas e rapazes bem trajados enchem às calçadas, em que também transitam respeitáveis matronas e onde estacionam encanecidos senhores, saudosos de sua mocidade. Passam os transeuntes, passa o tempo, sucedem-se gerações. Mas esta rua continua sempre nova…

Onde foi parar: Casa Matos; Casas Huddersfield Tecidos, Pharmacias, Sapatarias...

Onde foram parar: Casa Matos; Casas Huddersfield Tecidos, Pharmacias, Sapatarias…

No Carnaval, porém, a Rua Nova se transformava no reinado da folia… Seu nome era lembrado com frequência por compositores de então, como Antônio Maria (Frevo nº 2 do Recife), Carnera (Frevo na Rua Nova), Jacob Bittencourt (Rua Nova), sem falar em Marambá, como era conhecido José Mariano da Fonseca Barbosa (1896-1968), que assim a imortalizou: A macacada vai pra Rua Nova Quando chega a hora alegre da folia Entra na onda cai na brincadeira Dança a noite inteira faz o passo todo dia.

No final dos anos setenta do século vinte, porém, a Rua Nova foi transformada em rua de pedestres, bem na moda do modelo escolhido pelo arquiteto Jaime Lerner para as ruas de Curitiba, e assim começou a perder o seu charme. Hoje apesar do movimento de afluência ao seu comércio e do trânsito incessante de pedestres, a Rua Nova perdeu seu charme, e jamais voltou a ser o centro pulsante das nossas emoções.

leonardo-dantas-mariana

 

*Autor: Leonardo Dantas Silva – Escritor, Pesquisador Cultural, Cronista e Jornalista.

TURISMO E HISTÓRIA : 3 lugares Famosos, com Fama de Dar Sorte *

3 monumentos que prometem dar sorte

(e a história por trás deles)

 

Eles prometem ser mais poderosos que trevo de quatro folhas, figas e pé de coelho. Pudera: a jornada para conhecê-los não é acessível para qualquer um, pois estão espalhados pelos 4 cantos do mundo. De qualquer forma, papel e caneta na mão: o História Sem Fim selecionou três monumentos da sorte e conta, agora, a origem de cada um deles. Caso alguma dessas cidades esteja nos seus próximos roteiros de viagem, não perca a chance de dar um empurrãozinho para a sorte!

1. The Charging Bull

Charging Bull, ou o Touro de Wall Street.

Charging Bull, ou o Touro de Wall Street.

Se visitar Nova York, programe uma parada na Wall Street – além de conhecer um dos principais centros comerciais e financeiros do mundo, você ainda pode visitar o Charging Bull, ou o Touro de Wall Street.

O ícone, símbolo de otimismo financeiro, é uma criação do artista italiano naturalizado americano Arturo di Modica. Dizem que ele deixou a estátua (detalhe: ela pesa mais de três toneladas!) como um presente, em frente à bolsa de valores de NY, no natal de 1989. O touro seria um símbolo dos novos e bons tempos para os americanos e para o mundo depois da quebra da bolsa de NY dois anos antes.
Na época a prefeitura nova-iorquina não gostou muito do presente e a escultura chegou a ser removida pela polícia por certo tempo, até ser reinstalada na Broadway Green Park, no final da Broadway Avenue. Atualmente, é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.

Onde encontrar? Em Nova York, perto da estação de metrô Bowling Green, da linha verde.

Sorte: Acredita-se que quem toca o chifre, o focinho ou os testículos do animal terá sorte e prosperidade financeira.

2. Julieta Capuletto, em Verona

...varanda onde Julieta teria se encontrado com seu amado e uma estátua de bronze da Srta. Capuletto no jardim.

…varanda onde Julieta teria se encontrado com seu amado e uma estátua de bronze da Srta. Capuletto no jardim.

Em Verona, no norte da Itália, fica a casa que teria pertencido à família Capello, que por sua vez teria inspirado Shakespeare a criar a família Capuletto na peça Romeu e Julieta. Independentemente da veracidade da história (até hoje não se sabe se o dramaturgo inglês teve alguma inspiração real), o certo é que atualmente a casa abriga um museu com objetos do século XIII, com direito à varanda onde Julieta teria se encontrado com seu amado e uma estátua de bronze da Srta. Capuletto no jardim.

Nos muros que cercam a residência é possível encontrar declarações apaixonadas de casais do mundo todo. Dentro da casa, afrescos e trechos do livro completam o ambiente. Aos apaixonados, Giulietta Capuletto responde cartas e e-mails com dilemas amorosos através do Clube da Julieta, uma associação composta de moradoras de Verona que trabalham como voluntárias respondendo aos dilemas amorosos enviados para lá.

Onde encontrar? Via Cappello, 23, a poucos metros da central Pazza delle Erbe, em Verona, na Itália.

Sorte: Quem deseja encontrar o verdadeiro amor deve passar a mão sobre o seio direito da estátua da Julieta.

3. Touro da Galleria Vittorio Emanuelle II

Um dos pontos turísticos mais famosos de Milão é a Piazza Del Duom...

Um dos pontos turísticos mais famosos de Milão é a Piazza Del Duom…

Um dos pontos turísticos mais famosos de Milão é a Piazza Del Duomo onde, além da Catedral Gótica (a maior do mundo nesse estilo), encontra-se a Galleria Vittorio Emanuelle II. Lá, é possível gastar bastante os olhos nas lojas das grifes mais famosas e caras do mundo todo, bem como visitar os famosos cafés e restaurantes.

Mesmo que fazer compras não esteja entre em seus planos, vale a pena visitar a galeria por sua arquitetura. No centro do local há um octógono formado pelo cruzamento das vias do local. É lá que se encontra o brasão central, que representa a Casa Savóia, uma dinastia europeia. Ao lado da imagem, seguindo na direção de cada uma das saídas, encontram-se quatro mosaicos que representam cidades que uma vez foram capitais do reino da Itália: Roma, Milão, Florença e Turim.

É nessa última que os supersticiosos devem apostar suas fichas – os milaneses acreditam que pisar na genitália do touro que representa a cidade trás sorte. Originalmente a tradição deveria ser feita dia 31 de dezembro para trazer sorte para o ano seguinte, mas ao longo do tempo a crença se tornou válida para os turistas que visitam o local ao longo do ano.

Onde encontrar? Piazza del Duomo, 20121, em Milão, na Itália.

Sorte: Pise com o calcanhar do pé direito sobre a genitália do touro representado no mosaico e dê um giro sobre ele.

*Super Interessante / Por Júlia Matravolgyi

HISTÓRIA: O Município da Pedra – Colaboração de Pedro Salviano (*)

O MUNICÍPIO DA PEDRA

Pedra cidade

A partir da fazenda Puxinanã, Manoel Leite da Silva fundou a Pedra. Uma vista panorâmica da cidade para reflexões também sobre seu passado.

O resgate de dados que possam ser somados para a formação de um histórico de uma região sempre deve ser considerado. Já vimos alguns aspectos do município da Pedra (http://bit.ly/X377HK) e agora retomamos o assunto para nos aprofundarmos na segunda metade do século 19 e “sentir” o clima político-social vivido então.

A prepotência de certos políticos pode ser analisada em dois recortes do periódico O LIBERAL (1863 e 1866) e num documento publicado em A PROVÍNCIA de 1878. Estenos mostra a manifestação dos correligionários de um partido político contra o então major Francisco Vaz Cavalcanti (na década seguinte foi o primeiro prefeito da Pedra, já como coronel Chico Vaz – informação no livro A DOCE PEDRA, págs.5 e 92).

Em outro documento, do mesmo jornal A PROVÍNCIA, do ano de 1900,e sempremantida a escrita da época, podemos também ver listadas as personalidades de destaque da Pedra, agora como proprietários de fazendas. Neste edital de citação, o meu tio-avô paterno Joaquim Salviano de Albuquerque, requer a demarcação e divisão da sua propriedade, como também dos pertencentes a cada um dos demais condôminos.
Muitos nomes mostrados nestes documentos estão captados na árvore genealógica que desenvolvo há alguns anos: www.lanta.myheritage.comrevelando, assim, o entrelaçamento de tantas famílias que originaram o povo pedrense.
O LIBERAL – Sabbado 27 de junho de 1863. Anno III Numero 51, pag.1 – http://bit.ly/X365eF
«PUBLICAÇÃO A PEDIDO – VILLA DO BUIQUE
PARA O EXM. SR. PRESIDENTE DA PROVINCIA, CHEFE DE POLICIA E O PUBLICO VEREM.
Tendo o cidadão Joaquim Barbosa de Abreu Cavalcanti apresentado ao juiz municipal do Buique o Dr. Balbino Cezar de Mello, em 31 de Março findo, uma denuncia por crime de morte contra o capitão Francisco Vaz Cavalcanti, 1º. Suplente do delegado d’aquelle termo em exercicio, como mandante de um assassinato, de que foram mandatarios Agostinho de tal e outros o mencionado juiz, em cumprimento de seus deveres, acceitou essa denuncia; no entretanto chegando esse facto ao conhecimento do referido capitão immediatamente dirigiu-se á esta villa do Buique para desfeitaraquelle juiz. … »

O LIBERAL. Serie 1 – N. 6 – Sabbado, 12 de Setembro de 1868. Pag. 3 -http://bit.ly/VDN2H2
e 4http://bit.ly/Yl13YR

«…Na freguesia da Pedra foram cumpridas a vontade do governo e os desejos de sua pandilha.
O capitão Francisco Vaz Cavalcanti, o mesmo que em principios do corrente anno, protegendo e asylando criminosos e designados, resistiu, com dusentos homens armados, ás ordens legaes da autoridade policial; o mesmo que por força e autoridade propria arrogou a si o comando do batalhão nº 30 deste municipio; o capitão Vaz, seu genro Antonio Benicio, subdelegado, e o primeiro supplente Nuno Campello, cercaram as dez horas da noite do dia 6 a matriz com quasi 150 homens armados de bacamarte, entrando neste numero uns quarenta Indios da aldeia de Cimbres, condusidos pelo mesmo Vaz, sem saber-se com que autorização… »

A PROVINCIA – 26 de julho de 1878 – paginas 3 e 4 http://bit.ly/15be1wg
«Illms. Srs. redactores da Provincia –

Os abaixo assignados, adherentes da idéa liberal e residentes na freguezia da Pedra, vindo no conhecimento que o Sr. major Francisco Vaz Cavalcante, sendo conservador de principios, e chefe do partido desse nome nesta localidade, procura, a todo transe, engerir-se na fileira liberal, em preterição ao direito adquirido pelos mesmos abaixo assignados, com vista de os conservar sempre sob seu jugo e exercer a mais encarniçada perseguição, como em tempos idos, veem pelo presente declarar ao publico e especialmente aos illustres membros do digno directorio do partido liberal da provincia, que o referido major Vaz sempre foi, é, e será conservador exaltado e conseguintemente inimigo implacavel da familia liberal no geral, não se fallando na desta freguezia, que na sua mor parte teem sido victima do cutello do Sr. Vaz; e haja vista o estado do penuria a que se acha reduzida a casa da Cachoeira, do sempre lembrado liberal Manoel Vicente Monteiro Cavalcante, seu tio e padrinho a atróz perseguição desenvolvida contra a do Riacho do Pao, do capitão Henrique da Silva Lobato, seu parente, não se fallando em outras, que para poupar espaço, deixa-se de mencionar.

Vêem, pois, os ilustres cavalheiros do directorio, que o Sr. major Vaz, desejando ser admitido no partido liberal, de quem sempre foi algoz, o faz por disfarce, e somente para fins sinistros, não por amor a idea, como quer impingir. Se o Sr. Vaz renegou de seu partido para ser liberal, porque razão não o fez quando mesmo partido estava de cima?

Mais artigos desta coluna: http://bit.ly/ysUcSY

(*) Pedro Salviano, arcoverdense, é médico e escritor. ( grafia original de acordo com a época)

CANETADAS ON LINE / Fernando Soares Lyra – Por Jurandir Carmelo (*)

Fernando Lyra anos 80  129_1543-alt-lyra

Mesmo sabendo que Fernando Lyra agonizava no seu leito de morte, o Brasil e Pernambuco queriam-no vivo!

A morte de FERNANDO LYRA, na quinta-feira (14/02/2013) no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, deixou o País mais pobre, particularmente Pernambuco, pelo que ele representou para a democracia e a liberdade. Foi um baluarte na luta pela redemocratização da vida nacional. Soube enfrentar com altivez e coragem os que se arvoravam em perseguir aqueles que lutavam por um Brasil mais justo e igualitário.

Conheci Fernando Lyra na luta contra a ditadura, nela o AI-5, o decreto 477 e outros males praticados pela direita brasileira (como a tortura), espécies essas que aprisionaram sonhos, castraram vocações e mataram jovens estudantes ou não que levantaram a bandeira contra a repressão militar. A sensatez de Fernando Lira aliada à sua bravura cívica o tornou um Homem indispensável na luta contra o golpe de Estado de 1964, mais tarde na redemocratização do País.

Aqui em Pesqueira e em outros recantos de Pernambuco participamos de vários atos ao lado de Fernando Lyra, entre outros, como na campanha pelas Diretas Já (1984). Sua morte nos deixa triste, mas não cabisbaixos, pois uma coisa ele nunca se permitiu: baixar a cabeça, fraquejar, esconder-se, negar-se. Dizia sempre o que lhe vinha à mente, empolgando a todos que o ouviam, e que de certa forma seguia os seus ensinamentos. Fernando Lira foi escola.

Fernando Lyra deixou enormes lições de civismo, de amor à pátria. Demonstrou isso tantas vezes em praça pública, na luta pela Anistia, pelas Diretas Já. Foi o interlocutor primeiro na costura política da candidatura do Dr. Tancredo Neves à presidência da República, o que lhe valeu o convite para assumir o Ministério da Justiça. Como Ministro da Justiça seu ato mais importante foi determinar o fim da censura no Brasil, rescaldo da ditadura militar. Em 1989 foi candidato à vice-presidente na chapa de Leonel Brizola, outro símbolo de resistência e brasilidade.

Fernando Lyra anos 70

Em Pernambuco foi deputado estadual (1966), depois passou a representar o povo pernambucano na Câmara Federal, nos seus sete mandatos consecutivos (1971 a 1999). Apoiou a candidatura de Marcos Freire para o Senado (1974) e depois para o governo de Pernambuco (1982), mais tarde nas campanhas do velho Arraes de volta ao Palácio do Campo das Princesas, foi peça chave. Visionário, foi o mentor da candidatura de Eduardo Campos para governador do Estado (2006) e de sua reeleição (2010).

No campo dos acontecimentos políticos, Fernando Lira sempre teve uma visão do amanhã. Sabia das coisas! Lia jornais do país inteiro, conhecia a política nacional como ninguém.

Fernando Lira foi um dos fundadores do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e fincou o pé criando o grupo dos autênticos incorporado por deputados e senadores do velho MDB, para o enfrentamento a ditadura militar, instalada no país em 1964.

A história de vida de Fernando Lyra se confunde com a história recente do Brasil. Se ao Dr. Ulisses Guimarães lhe foi dado o título de senhor Constituinte, Fernando será sempre o Senhor Democracia e Liberdade.

Sua voz, de forte entonação, levava às multidões o sentimento de grandeza de ser brasileiro, exaltando sempre a pernambucanidade.

Como deputado federal honrou os seus mandatos, e da tribuna daquela Casa Legislativa vez chegar a sua voz ao Brasil inteiro. Era um parlamentar respeitado, pela sua conduta correta e sempre coerente com o que acreditava.

Quando tive a oportunidade de trabalhar no gabinete do deputado João Lira Filho na Assembléia Legislativa de Pernambuco (legislatura de 1983/1986), notei o quanto o mestre João amava e admirava o filho Fernando, e numa situação extraordinária senti que um se orgulhava do outro. Fernando Lira, como deputado ou ministro da Justiça, estando em Brasília, telefonava quase todos os dias para falar com o pai. Fernando tinha tempo para a Nação, para o Pai e para a Família. É outra lição fica aos políticos dessa nova geração!

A NOITE DE SÃO BARTOLOMEU…

João Lira Filho

 

O velho João, homem sensato, de forte personalidade e de caráter ilibado, respeitadíssimo no meio político, certa vez, foi lançado candidato à presidência do legislativo pernambucano. De Fernando Lyra ouvi dizer ao pai: “cuidado com a noite de São Bartolomeu”. Não deu outra, o jogo sujo e a traição veio na bucha, quando até mesmo um deputado foi “sequestrado” para não comparecer ao pleito, tirando o voto que dava a vitória ao Mestre João Lyra.

O dia 14 de fevereiro de 2013 vai ficar marcado para sempre no coração dos pernambucanos, dos brasileiros, enfim. Além de sua história de lutas, que honrou Pernambuco e o Brasil deixou o livro “Daquilo que Eu Sei”, um relato autêntico sobre a eleição do Dr. Tancredo Neves e a transição democrática após a ditadura militar.

Fernando Lyra era Grande! Grande pelos seus gestos, pela sua luta, pelos seus ensinamentos, pela sua correção, coragem lealdade, brasilidade e pernambucanidade!

Canetadas, pelo seu autor, não poderia deixar de prestar a sua homenagem a esse grande pernambucano e extraordinário brasileiro, lembrando Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!”.

Jurandir Carmelo.

 

(*) (Jurandir Carmelo) > Colaborador do oabelhudo, pesqueirense, jornalista e advogado.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/José Alves da Cunha – Por Leonides Caraciolo(*)

JOSÉ ALVES DA CUNHA

 

 

José Alves da Cunha (Juca Cunha) nasceu no Município de Bonito-PE, filho de Porfírio Bernardo da Cunha e Silvina Alves da Cunha. Em 1937, veio para Sanharó, acompanhado do irmão, em busca de um clima melhor que amenizasse um problema de saúde que o afligia. Alfaiate de profissão, ensinou a sua arte a vários sanharoenses que passaram a viver daquele oficio.

Juca Cunha foi agricultor, comerciante, farmacêutico, músico e vereador em Sanharó. Apresenta uma folha de serviço prestado à comunidade de Sanharó, razão pela qual um dos melhores colégio da cidade leva o seu nome.

Em 1939, casou-se com Maria Aliete de Freitas Cunha, filha de Maria América Bezerra de Freitas (dona Maria Zuca) e de José Américo de Freitas Mendonça. Desta união, nasceram os seguintes filhos:

Telma Mariza Cunha (Defensora Pública), ex-casada com Ivanildo Maciel da Silveira, músico de nível nacional. Sucessão: Ivanildo Júnior e Carlos Marcelo.

Telmízio José da Cunha (Médico Veterinário), casado com Maria da Glória Lima. Sucessão: Fabrício e Renato.

Telmilson Atamir Cunha (Engenheiro Civil), casado com Telma Marisa Galvão. Sucessão: Eduardo José, Wandréia Christine, Roberta Fabíola e Gláuber Thiago

– Tilma Márcia Cunha Soares (Zootecnista), casada com Marco Aurélio Ferreira Soares ( engenheiro civil e escritor).

José Alves da Cunha faleceu em seis de setembro de 1967, com 58 anos de idade.

JUDAÍSMO : A fantástica história dos judeus de Faro*

Regressados após a Inquisição, investiram, criaram empregos e dinamizaram a capital algarvia

Cemitério Judaico de Faro e os seus 107 túmulos.

Cemitério Judaico de Faro e os seus 107 túmulos.

Hoje só resta a memória desses tempos áureos.

Os dezoito ciprestes existentes ao longo da fachada ondulam ao vento, tapando os muros altos que circundam e delimitam o terreno. Transpomos o portão, e uma pequena sirene interrompe o silêncio, denunciando a nossa presença. À nossa frente, espalham-se 107 túmulos de pedra. Estamos no Cemitério Judaico de Faro, classificado como local de interesse público no registo de monumentos nacionais. O espaço, localizado na zona norte da cidade de Faro, entre o hospital distrital e o estádio de São Luís, passa despercebido da maioria dos transeuntes que por aqui circulam diariamente, muitos dos quais desconhecem a sua existência. E mesmo os que sabem desconhecem a história que estes muros encerram.

Nem fazem ideia de até que ponto a história da cidade se confunde com a história da comunidade judaica que ali existe desde a Idade Média. Uma história que só foi preservada graças aos esforços de um judeu nascido em Portugal, mas radicado nos Estados Unidos, que criou um fundo para a recuperação do cemitério.

Conduzidos por António Valente, o guia do cemitério, mais do que visitar os túmulos, entramos numa viagem pela História.

Uma pedra tumular datada de 1315 com o nome de Josef Dotomb, que se supõe ter sido rabino, foi encontrada num espaldão militar onde se situa precisamente o Cemitério Judaico de Faro e que é, ao mesmo tempo, Centro Histórico Judaico de Faro. Esta lápide comprova a presença dos judeus em Faro na Idade Média, mas os historiadores admitem que essa presença pode ser muito anterior.

CONTINUE LENDO:

A fantástica história dos judeus de Faro

*Fonte: Selecções / By Mário Costa