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Homenagem: JOÃO SOARES SOBRINHO – O Homem e o Político

JOÃO SOARES SOBRINHO

"Deus é Fiel" - João Soares Sobrinho

“Deus é Fiel” – João Soares Sobrinho

Nascido na velha Capivara em 16 de maio de 1926, faria hoje, 87 anos. João ou Danda, pras os de casa era um predestino a quem Deus, na sua infinita sabedoria, deu-lhe o dom da diplomacia.

Fazenda Capivara de Pedro Soares de Siqueira

Foi vereador em dois mandatos, vice-prefeito duas vezes e prefeito por três mandatos.
Tem seu nome escrito na história da sua Sanharó como um homem digno e honesto.
Dedicou-se de corpo e alma e tinha grande zelo pela coisa pública. Foi um benemérito e um grande humanista. Na época em que se podia nomear sem concurso, foi através desse humanismo que empregou muitas pessoas. Alguns desses superfavorecidos depois lhes viraram às costas, numa demonstração de falta de gratidão e principalmente, de falta de caráter.

João Soares sempre foi maior do que tudo isso. Um homem sem mágoas e com total desapreço ao mercantilismo. Saiu da política maior do entrou em dignidade e honradez. Contudo, não fora a modestíssima aposentadoria como auxiliar administrativo da secretária estadual da fazenda e como salário mínimo do INSS, nada mais tinha de patrimônio físico/financeiro.

Nunca o vi reclamar de nada disso. Sobrava-lhe bom humor e amor ao próximo como exercício diário para superar algum desânimo que pudesse lhe abater.

João Soares - Danda. Amado pela família respeitado e admirado pelos amigos

João Soares – Danda. Amado pela família respeitado e admirado pelos amigos

A cidade por que tanto fez e amou ainda não lhe fez jus ao auferir uma obra pública que levasse seu honrado. Certamente que o tempo, senhor da razão, se encarregará disso. Aliás, esse desapreço por figuras importantes da história de Sanharó é algo abjeto. Mesquinho e injusto. Afora João Soares Sobrinho, outras figuras marcantes estão condenadas ao esquecimento por erro, omissão e má fé  dos que não deveriam cometê-lo.

Diz o dito popular: “Morre o Homem e fica a fama”. O valor dessa fama é intrinsecamente inferior, igual ou superior ao que efetivamente a pessoa faz jus. João Soares é detentor de qualidades que permitem que ele se inscreva na galeria das maiores figuras públicas do município de Sanharó.

Um Causo

De repente aparece Ramos (motorista) com alguns papeis à mão e o procura: “seu João. Me dê a chave do seu carro pra eu ir ali no posto de Serafim levar esses papeis para ele assinar. João, na tranquilidade que estava, continuo e apenas respondeu: ” de jeito nenhum. O carrim (opala verde) tá cansado. Chegou agora de Caruaru e tá ali descansando debaixo daquela algaroba e não sai dali pra ninguém. Se vire e procure outro”. Esse era o nosso João.

Dom Pablito
Editor

CANETADAS ON LINE / Odete Andrada Alves – Por Jurandir Carmelo (*)

Professora Odete Andrada Alves.

Professora Odete Andrada Alves.

 

 

Trecho do prefácio do livro “Do âmago da Memória”

Escrito pelo acadêmico Walter Alves Ramalho.

Uma notinha aqui, outra ali, muitas linhas e muitos dias depois, todas elas entrelaçadas pelos personagens comuns ou pelos acontecimentos contemporâneos que lhes dão movimento e colorido, e eis a crônica social gravando, a cada instante que passa, a aventura maior de uma comunidade que vive plenamente, que escolhe os seus caminhos e forja sua cultura.

A morte de dona Odete de Andrada Alves enlutou a família pesqueirense, seus familiares e deixou órfãos corações amigos, como o de dona Zezé França e seu afilhado Aurélio, porque não o de Chico França, que lhe acudiu em pronto momento.

Já havia recebido o livro da escritora Odete de Andrada Alves, lançado no ano de 2003 (Editora Bagaço – Recife / Pernambuco), intitulado “Do Âmago da Memória”. Livro por mim sempre consultado, pois além das anotações de fatos e pessoas de Pesqueira, que retratam pedaços da nossa história da nossa terra, em determinada época, estão inseridas crônicas versando sobre a valoração humana, mostrando caminhos, reabrindo espaços, firmando esperanças. Livro que sempre consultei, nas horas precisas, para uma boa reflexão sobre o Eu, o de dentro de mim, do porque do que vem de dentro da gente que impulsiona as nossas ações nesse mundo exterior, tão cheio de caminhos e descaminhos. Caminhos retilíneos e sinuosos.

Ocorre que um amigo estava precisando de se reencontrar na vida, alguns descaminhos o tiraram da retilínea caminhada. Na sociedade ou no trabalho, ou mesmo na família em que convivia, estavam querendo que Ele não fosse ele, ou seja, que Ele seguisse caminhos indicados pelos outros. É como se me pedissem para que Eu deixasse de ser Eu, como tantas vezes já sugeriram. Fazer o que os outros querem fere a existência da pessoa. Jamais aceitei!

Pediu-me, portanto, o amigo para lhe indicar um livro de alto-ajuda. Ponderei, dizendo-lhe: para ajudar-se a si próprio é preciso conhecer o seu Eu, por dentro. Se não for assim não funciona. Depois é preciso querer mudar o rumo das coisas, da vida entediada daquele instante, das depressões, sobretudo, sociais e familiares. O homem entediado, o homem depressivo, vive com medo, e o medo o remete a mais profunda escuridão.

Disse ao meu interlocutor: Olha amigo o que mais está presente no mercado dos alfarrábios são os tomos de alto-ajuda. Existem centenas deles, milhares deles. Quem sabe, milhões nesse mundo a fora!

Pela beleza de suas expressões, se deles dependesse o caminhar da humanidade, talvez o mundo fosse outro, sem tanta violência, sem desvios de conduta. Seria, quem sabe, um paraíso de bem-aventurança, não esse inferno em que vivemos, vendo o pai matar o filho, a filha matar a mãe e o pai, a bala perdida tirar vida inocente, a torcida de futebol (organizadas ou não) virar espaço de extravasamento de recalques e violências mil, permitindo-nos conviver de forma quase que permanente com um quadro de tão profunda tristeza e de dor.

Mas tenho um livro aqui que não pretendendo ser um livro de alto-ajuda, repassa ao leitor inestimáveis lições que o leva a refletir sobre a vida, a partir do dentro para fora. Do coração e da alma para o mundo exterior das pessoas, levando-as a reflexões que o faz lembrar que Jesus existe. E Jesus é amor, é vida!

Fui à estante e peguei “Do Âmago da Memória”, da escritora Odete de Andrada Alves. Abri o livro na página 27. Estendi-lhe a mão e fiz a entrega do mesmo. Leia com atenção essa crônica escrita no dia 14.09.58, publicada no jornal ERA NOVA – (jornal da Diocese de Pesqueira), intitulada “Conhecer-se a Si Mesmo”, de autoria da professora Odete Marinho de Andrada. Aquela época, ainda solteira, dona Odete usava o sobrenome da mãe e do pai: “Marinho de Andrada”, mais tarde por força do casamento com o mestre Bianor, Odete de Andrada Alves.

O meu interlocutor, encostou-se à cadeira e leu o que estava escrito naquela crônica (transcrição a seguir):

“CONHECER-SE A SI MESMO” (Odete Marinho de Andrada > 14.09.58 – Jornal ERA NOVA)

“Não é difícil um conhecimento de nós mesmos, quando deixamos de ser indulgente com o nosso eu. A tarefa exige um acurado exame de consciência. Se não me conheço é que penso ser a espécie de pessoa que os outros desejariam que eu fosse. Talvez nunca me tenha perguntado se realmente desejo ser aquilo que os outros parecem querer de mim.”

A mentalidade reinante, atualmente, é a de se querer aparecer revestido de uma aparência enganadora, sem, contudo, deixar falar à própria essência. É a vaidade de competição, de ser integrado numa sociedade onde se faz perder a noção do amigo sincero, onde tudo perdeu a finalidade.

O homem foi feito para viver em sociedade.

Que a integre para ser fermento dessa massa heterogênea, dando o seu testemunho para o reajustamento das estruturas sociais mal concebidas.

Sendo outro num meio onde a grita de salvação se faz ecoar, estamos nobilizando o nosso mundo introspectivo, que outra coisa não é senão o conhecimento de nós mesmos.

Seja você mesmo, em qualquer circunstância que se lhe afronte. Aja consoante os ditames de sua consciência, sendo exato no âmbito de suas atividades habituais. E depois, num gesto entusiástico, expresse-se bem alto: O mundo só vai melhorar porque eu vivo, por causa da minha contribuição como verdadeiro cristão – (Jornal Era Nova – Pesqueira, 14.09.1958).

Pois bem, lida a crônica disse-me o interlocutor, com a voz tomada pela emoção, quase que embargada, a caminho de um estágio depressivo. Disse-me mais: É isso que estou procurando. Posso levar este livro? Sim, pode. Conseguirei outro!

Tempos depois, disse-me o amigo: “Tirei cópias xerográficas do livro de dona Odete e repassei a amigos e familiares meus que precisavam de uma ajuda espiritual, humana, materializada tão somente, de forma leve e precisa, do que vem do coração e da alma”.

Relatei esse fato a minha querida e saudosa amiga e sempre professora, dona Odete de Andrada Alves. Pois bem, dias depois Ela veio até a minha casa (no velho bairro do Prado) e trouxe-me um novo exemplar do seu “Do Âmago da Memória”, com a seguinte nota:

Ao amigo Jurandir Carmelo e família, este livro com atenção e amizade, Pesqueira, 27.06.2007.

Ao me fazer a entrega, disse-me: abra na pág. 39. Obra citada. Assim procedi. Há no livro a seguinte anotação: “foram à mesa da comunhão duas das crianças do jornalista Paulo de Oliveira e Sra. Ninfa Araújo Albuquerque. São elas: Paulo Carmelo e Jurandir Carmelo”.

E agora, outro presente. Abra a última página do livro. Assim o fiz. Nela encontrei o santinho de lembrança da primeira comunhão, minha e de Paulo, meu irmão primeiro, com a seguinte anotação.

SALVE 26 DE OUTUBRO DE 1958. “…Só o nome de JESUS, nos dá vida ao coração…”. “Tivemos a sua luz, na primeira comunhão.” Lembrança afetiva dos irmãos Paulo e Jurandir Carmelo Araújo de Oliveira. Ginásio Santa Dorotéia > Pesqueira, 26-10-58.

Sem palavras!

Capa Livro de Odete Andrada Alves  Cópia de Digitalizar0006

Caríssimos leitores de Canetadas.

Essa homenagem, como não poderia ser diferente, vem do tudo que dona Odete escreveu em seu livro, que bem retrata a pessoa exemplar e antes de tudo humana e cristã, que era. Na sua parte preambular, consta:

Do Âmago da Memória

Lembranças as mais sentidas

Testemunhadas pelo íntimo

Essência que se exala

Rememorando o que não se esvaiu

Porque o tempo, na sua magia,

Reconstituiu através do verbo

As memórias que permanecem.

(A autora)

Dona Odete sempre nos saudava com os seus gestos de fina educação e elegância, agasalhados pelo eterno calor que brotava do seu coração e alma. Era uma mulher que vinha de dentro para fora. Tudo nela e dela vinha do coração e da alma, da sua mais profunda essência cristã. Ela se doava às pessoas, compartilhava o bem comum, ajudando sem ver a quem, sem olhar posição social, financeira e/ou econômica. Ela se doava porque se doava, nunca foi o que os outros queriam que ela fosse como bem colocou em seu livro “DO ÂMAGO DA MEMÓRIA” – (pág. 27 – obra citada), crônica acima já citada.

Nascida em Custódia, passou por Amaraji, antes de chegar à Pesqueira, na qual ficou até o último dia 23/02/2013, quando o seu corpo velado na Academia Pesqueirense de Letras e Artes, da qual foi fundadora, membro efetivo, seguiu em cortejo até o Campo Santo, no bairro da Pitanga.

A pág. 245, obra citada, escreveu dona Odete:

Trindade Geográfica

Três cidade para se querer bem,

ao mesmo tempo,

é emoção demais

contida em meu ser,

com toda força afetiva:

uma que me viu nascer – Custódia;

a outra foi berço da infância – Amaraji;

esta completou o ciclo

da minha história de vida – Pesqueira.

O NASCIMENTO. OS AVÓS PATERNOS E MATERNOS; OS PAIS, OS IRMÃOS. OS SOBRINHOS E OUTROS FAMILIARES.

Avós Paternos: Henrique Gomes de Andrada Santos, conhecido por “Seu” Santos e Lídia Guilhermina de Novaes. Avós Maternos: Serapião Domingos de Rezende e Isaura Umbelina Rezende (Dondon).

Odete Marinho de Andrada era filha de José Guilherme de Andrada e Antônia Marinho de Andrada.

SOBRE O PAI: JOSÉ GUILHERME DE ANDRADA nasceu em Floresta – PE, no dia 05.09.1902. Passou a residir em Custódia – PE, no ano de 1922, entrosando-se com o seu irmão Guilherme Ernesto, em atividades comerciais. Casado (08.05.1930) com Antônia Marinho de Rezende, de família ali radicada. Mais tarde Antônia Marinho de Andrada. José Guilherme de Andrada foi nomeado Coletor Estadual de Custódia. Poucos anos depois, em 2ª entrância, exerceu essa função em Amaraji – PE. Transferido para Pesqueira – PE (1ª entrância), em 1944, se fixou com a família até sua morte ocorrida no dia 03.02.1954. É nome de Rua em Pesqueira.

SOBRE A MÃE: ANTÔNIA MARINHO DE ANDRADA Nasceu em Custódia, no dia 28.09.1909. Casada (08.05.1930) com José Guilherme de Andrada, Coletor Estadual em Pesqueira/PE.

Residindo em Pesqueira-PE, para onde o seu marido fora transferido, educou os filhos nos colégios locais, Santa Dorotéia, Cristo Rei e Seminário São José. Após a morte do seu esposo em 03.02.1954, acompanhou os seus filhos para formação superior, em Recife, onde faleceu no dia 15.05.1988. Contemplada “in memoriam” pela Câmara Municipal de Pesqueira, com o seu nome em uma das ruas da cidade.

IRMÃOS E IRMÃS DE ODETE MARINHO DE ANDRADA (ALVES). OUTROS FAMILIARES.

Com exceção de Mário Marinho de Andrada, que nasceu em Pesqueira, os demais irmãos nasceram em Custódia/PE.

TEREZINHA DE ANDRADA CARDOSO (TEREZA). Curso superior de Pedagogia pela UNICAP. Colaborou nos jornais: A Voz de Pesqueira (jornal de Eugênio Chacon), em edições periódicas, Era Nova (jornal da Diocese de Pesqueira), por três anos, com sua coluna “Circulando” e Pesqueira Notícias – (jornal de Chico Neves), em vários números. Prestigiada pela Câmara de Vereadores de Pesqueira, recebeu o título de Cidadania Honorífica, pelos relevantes trabalhos culturais ali prestados. Diretora da Escola de 1º e 2º Grau Fernando Mota, em Recife, aposentada. Foi casada com Ismael Gouveia Cardoso de Morais. São seus filhos:

José Guilherme de Andrada Cardoso, nascido em Pesqueira-PE, engenheiro civil pela UFPE e Lucinéa de Mello, Curso de Direito, exerce a função de Analista Judiciário do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) – 6ª Região. Residência: Recife-PE. Maria Alice de Andrada Cardoso, nascida em Caruaru-PE, pedagoga e funcionária do Departamento de Profissionalização da Cruzada de Ação social (Recife). Filho: Adriano de Andrada Cardoso Alves. Newton de Andrada Cardoso, nascido em Recife-PE, Curso de Direito pela UFPE, exerce a função de Gerente Geral da Financeira Fininvest, em Recife. Casado com Márcia Nóbrega de Andrada. Filhos: Maria Nóbrega de Andrada e Caio Nóbrega de Andrada.

GUILHERME MARINHO DE ANDRADA. Para Pesqueira, simplesmente padre Guilherme. (homem de vasta cultura foi professor do autor de Canetadas, no Ginásio Cristo Rei). De formação filosófica e teológica, com estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (Itália) e, presentemente, professor da Universidade da Paraíba. Casado com Ivanise de Novaes. Seus filhos: Mônica, Pedro, Patrícia e Guilherme, advogado.

OZINALDO MARINHO DE ANDRADA.

Reformado pela PM do Rio de Janeiro como Subtenente. Passou a residir em Pesqueira. Atualmente presta serviços à comunidade local, através da Prefeitura Municipal. Casado com a professora de ensino médio Rozane Maria Freitas Barros de Andrada. Filhos: José Mário e Ana Angélica Freitas Barros de Andrada.

LÍDIA MARIA MARINHO DE ANDRADA.

Grau superior de Assistente Social pela UFPE. Funcionária federal do Centro de Reabilitação Física e Profissional, com uma relevante atividade de reintegração do cliente no mercado de trabalho. Residência: Recife-PE. Sem descendente.

MÁRIO MARINHO DE ANDRADA. Nasceu em Pesqueira, no dia 23.03.1948. Exerceu durante o curto período de vida (26 anos), as funções de advogado. Como homenagem póstuma, prestada pela Câmara de Vereadores, uma das avenidas desta cidade tem o seu nome. Sem descendente.

Nota do autor de Canetadas: Tivemos Mário e Eu, uma infância muito presente na vida de Pesqueira, principalmente na adolescência, mesmo com a diferença de dois anos de idade, o que em determinado momento da vida pesa no “andar da carruagem”. Era com Paulo Carmelo, meu irmão, também nascido em 1948, que ele convivia mais, nas bancas escolares do primário (Grupo Rui Barbosa) e do ginasial (Ginásio Cristo Rei), nos campinhos de futebol (peladas Cristo Rei e Seminário), no futebol de salão (Quadra do Tiro de Guerra), também no futebol amador (Comercial). Entretanto a boemia nos ligou mais do que a Paulo Carmelo, que nunca foi boêmio, principalmente porque começou muito cedo trabalhando (16 anos) no escritório da Fábrica Peixe, sob o enérgico olhar do Dr. Moacyr Britto de Freitas.

Mário tocava bem o seu violão e, juntamente com saudoso Chico Neves (o outro) e Zé Bonga (José Luiz da Silva), entre outros, no Clube dos 50, adentrávamos a madrugada ou varávamos a noite, pelas ruas de Pesqueira, fazendo serenatas (subindo e descendo ladeiras, como o Lira da Tarde) para as namoradas do momento.

Mário, bastante jovem era um verdadeiro cavalheiro, de fina educação, como foram todos os filhos e filhas de dona Toinha e, também, de seu Zé Guilherme, a quem não conhecemos, pois este morreu muito cedo, em 1954, atropelado praticamente na calçada de sua casa, na antiga Rua 15 de Novembro, hoje Dr. Lídio Paraíba.

Mais tarde, a convite do professor Potiguar Matos, trabalhamos juntos no Serviço Social Contra o Mocambo, depois Serviço Social Agamenon Magalhães. Ele jovem advogado dava assistência jurídica ao Departamento de Pessoal, no qual tive a honra a assumir a chefia da pasta.

Em razão das funções que assumíamos, tivemos uma convivência diária. Foi lá no Serviço Social que Mário se sentiu mal pela primeira vez, chegando a desmaiar. Atendido pelo serviço medido interno, lhe foi recomendado descanso e fazer uns exames de saúde. Logo veio a triste notícia: Mário estava com leucemia, forte leucemia, que o levou à morte em tão pouco tempo, na sua tenra idade. Jovem cheio de idealismo, inteligente, o jovem advogado pesqueirense tinha sucesso garantido se a morte não o tivesse levado tão prematuramente.

Não poderia aqui, em Canetadas, quando faço esta homenagem a minha querida professora Odete, deixar de, igualmente, homenagear o Mário Marinho de Andrade. Um amigo do qual, após tantos anos, ainda, sentimos a sua falta, porque como dona Odete, tudo nele e dele vinha do coração e da alma.

ODETE E BIANOR

Dona Odete Marinho de Andrada casou com Bianor Alves da Silva no dia 04 de Janeiro de 1970. Bianor Alves da Silva foi Gerente das Casas José Araújo, em Pesqueira, por 57 anos consecutivos. Seu Bianor recebeu o título de Cidadão Pesqueirense no dia 10.12.1992. Do casamento não resultou filhos, portanto, sem descendentes.

Sobre Bianor Alves da Silva, escreveu a sua amada e autora do livro “Do Âmago da Memória”, pág. 270:

Voce e Eu

A dávida maior

Com que Deus abençoou

Toda a minha vida

É voce, Bianor.

Sua paz e dignidade

Enobrecem os meus sentimentos

E irradiam a alegria no meu constante viver.

Cúmplices dessa felicidade,

Trilhamos unidos,

Vencendo obstáculos

E criando momentos inesquecíveis.

Continuamos

Após 33 anos de convivência,

Mais identificados

E completos.

Obrigada por ter me elegido

E por ser a pessoa que é,

De quem me orgulho

E que reverencio

Com admiração e amor.

ODETE DE ANDRADA ALVES escreveu o padre Expedito Miguel do Nascimento Filho, na primeira orelha do livro “Do Âmago da Memória” – (Editora Bagaço / Recife – 2003).

É como se, de volta ao passado, estivesse eu ainda escrevendo sob o olhar da minha mestra de Admissão ao Ginásio (1961), sempre atenta ao menor deslize literário. Dona Odete fazia-nos trabalhar, com seriedade e constância do começo ao fim da aula. Daí, a primeira grande lição: não desperdiçar o tempo, que é ouro!

Quando a autora rememora nestas páginas, em estilo original, agradável e quase poético, os espaços físicos de sua vida feliz ao lado dos entes queridos, sentimos o pulsar de um coração pleno de amor pela vida e de gratidão.

Suas crônica atraentes, do Era Nova, fazem-nos perceber no talento de Odete Andrada, escritora.

– a filosofa (paixão pela verdade)

– a pedagoga (gosto de ensinar) e a missionária (anseio de evangelizar).

Os temas aí tratados começam por pertinente reflexão do existencial, passando por registro de eventos sociais da época – onde tantos rostos de hoje, marcados pelo tempo, de repente se deparam com os de sua infância ou mocidade – até finalizar por

um breve, mas profundo pensamento de esperança e de otimismo.

ODETE DE ANDRADA ALVES escreveu o professor Osvaldo Bezerra de Oliveira, na segunda orelha do livro “Do âmago da Memória”. (Editora Bagaço / Recife – 2003).

Lendo Do Âmago da Memória, criado e organizado pela mestra Odete Andrada, o leitor não deixa de fazer um retorno do ao tempo. A cidade de Pesqueira escreveu uma bela página da história das comunidades do interior de Pernambuco, no decorrer da segunda metade do século XX, focalizando os fatos marcantes da caminhada dos seus habitantes.

Através do seu livro, presta um inestimável serviço à história dos municípios, ali retratados, perenizando os acontecimentos vivenciados por todos aqueles que protagonizaram a construção da história das nossas cidades. Com sua crônica social, escrita num português castiço e literário, uma boa parte da memória da nossa comunidade é recuperada. Com certeza, muitas outras obras brotarão da mente arguta da nossa acadêmica.

Cultivo, no meu coração, um forte sentimento de gratidão, por ter podido privar da sabedoria desta mulher culta, religiosa e humanista, por onde tem estendido a sua ação benéfica e lúcida. É a contemplação do ontem, mostrando aos seus pósteros a irreversibilidade do quotidiano. (Osvaldo Bezerra de Oliveira – professor).

EMAILS RECEBIDOS SOBRE A MORTE DE DONA ODETE.

WALTER JORGE DE FREITAS noticiando a morte de dona Odete. Junto a Grande Nação Pesqueirense (GNP)

Com tristeza, informo o falecimento da amiga DONA ODETE ANDRADA.

Ela foi encontrada sem vida hoje de manhã e seu corpo foi encaminhado

ao IML – CARUARU – para os procedimentos de praxe.

Por favor, informem aos amigos, pois aqui na padaria, onde estou no momento, a internet é péssima. WALTER.

ISOLDA ASSIS E ROBERTO FARIA repassando a noticia da morte de Dona Odete, e fazendo rápido comentário. Em 23 de fevereiro de 2013. Isolda Assis

Amigos, somente agora foi possível eu repassar esta notícia como Walter me solicitou. Acredito que muitos de nós já estamos cientes desta ida inesperada (para nós), da nossa querida ODETE ANDRADA, para a Casa do Pai.

Foi como viveu: de maneira elegante, serena e com certeza na mesma paz com que sempre se conduziu. Linda existência, linda morte e grande exemplo de vida bem vivida.

Odete, querida, você sempre honrou e honra a Grande Nação Pesqueirense e foi um privilégio ser sua companheira de jornada nestes anos que estivemos juntas neste barco da vida! Para suas irmãs e irmãos nossa solidariedade na dor e na saudade.

Muita LUZ na sua jornada

Isolda, Roberto e família.

ÂNGELA FALCÃO DA ROCHA, ampliando a informação aos pesqueirenses. Hoje, dia 23/02/2013 recebi a notícia do Falecimento de Dona Odete Andrade, Professora da maioria dos pesqueirenses amiga de todas as horas de Tia Nair Falcão. Seu velório será em Pesqueira na sede da Academia de Artes e Letras (no prédio da Antiga Fabrica Rosa) e enterro será amanhã dia 24/02 às 9 horas em Pesqueira.
Grande abraço a todos da família e meus respeitos a Sr. Bianor, seu esposo.

Jurandir Carmelo comunicando a antecipação do sepultamento. Domingo, 24 de Fevereiro de 2013. Por decisão da família o sepultamento de dona ODETE foi antecipado. Assim sendo ocorreu ontem 23/02/2012, pelas cinco horas da tarde. Um bom número de pessoas esteve presente. Diversas foram as saudações à prestigiada professora.

JOSÉ IVO (RIO DE JANEIRO) preocupado a antecipação do enterro. Espero que esta antecipação tenha sido divulgada exaustivamente para permitir o comparecimento das pessoas ao sepultamento, porque sei que Odete sempre prestigiou as famílias, comparecendo ao sepultamento de qualquer pessoa da cidade, logo, mereceria a mesma atenção pelas famílias pesqueirense neste momento de emoção e dor. Abraços > Zé Ivo

FAMÍLIA DE LÍDIO LEAL DE BARROS (Diretor de Produção Cultural da Rádio Difusora de Pesqueira – anos 50/60) comenta a morte de dona Odete. Dona Odete foi um marco de elegância e cultura. Atitude discreta na história da geração que viveu em Pesqueira nas décadas de 50 e 60; lembro-me de Mário com carinho e saudade, lembro-me de Lidia, com admiração e a eles, a certeza do nosso sentimento de pesar, bem como a todos de Pesqueira que com certeza lamentam a perda de uma pessoa tão digna ! Nossos abraços, Johannes Maria Helena e toda a nossa família Belfort Leal de Barros.

PROFESSOR WALTER JORGE DE FREITAS. Em 23/02/2013, escreveu:

Dona Odete, além das qualidades já citadas por vocês, Maria Helena, José Ivo e demais amigos, a solidariedade era uma constante em todas as suas atitudes. Sexta-feira, por volta de oito horas, ao chegar em casa para o café da manhã, escutei Marilita falando ao telefone com uma pessoa. Era Dona Odete querendo falar comigo. Ao iniciarmos a conversa e sem perda de tempo disse que a moça que trabalhava em sua casa havia informado sobre um funeral que havia nas proximidades do Correio e que se tratava de uma pessoa muito querida dela, mas não soube informar o nome. Ela, provavelmente por causa da emoção e sem saber que o funeral era do Sr. Moacir Almeida, imaginou que fosse de uma pessoa bem conhecida cujo nome não vou revelar, mas é nossa colega de SOPOESPES – SOC. DE POETAS ESC. DE PESQUEIRA que também reside ali pertinho e é muito querida dos pesqueirenses. Pediu-me que confirmasse e providenciasse uma homenagem para ela, a companheira e amiga de todos nós. Desfiz o equívoco, ela lamentou pela morte do ilustre filho de Pesqueira e segundo eu soube, passou a tarde no velório e foi ao enterro, já que ela e Anita, eram amigas de longas datas. O presente relato é apenas para mostrar o quanto ela se preocupava com as pessoas que tinham o privilégio de tê-la como amiga. (WALTER)

GLÁUCIA MOTA comenta sobre dona Odete Andrada.

Walter, Odete era tão educada que aguentava as brincadeiras da gente e apenas sorria timidamente. Esclarecendo: Odete estudou o “normal” então resolveu completar o segundo grau entrando no segundo ano do pedagógico exatamente na turma da gente. Ela era reservada, mas não esnobava por saber mais que a gente. Quando ela começou a namorar Bianor aí foi que a gente aperreou e ela só fazia piscar os olhos. Ficamos amigas pra sempre. Glaucia.

LOURDINHA TENÓRIO – LÚ, irmã do professor Aluiz Tenório, comenta sobre a professora Odete Andrada.

Realmente, Odete era tão educada (fina) que as vezes até nos intimidava, muitas vezes queria dizer uma brincadeira e me reprimia em consideração a ela.

Sempre nos tratou com muita alegria e carinho. Só tenho recordações boas dela e vou guardá-las para sempre. Com certeza está num lugar bem privilegiado lá no andar de cima. Um abração para todos. Lú.

DO SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E IMPRENSA DO CABO DE SANTO AGOSTINHO, PERNAMBUCO, JORNALISTA E PESQUEIRENSE CARLOS SINÉSIO ARAÚJO CAVALCANTI, a seguinte mensagem:

Somente agora tomo conhecimento do falecimento de Dona Odete Andrada, pessoa que sempre admirei e de quem fui seu fã, apesar de não ter sido seu aluno. Notícia triste mesmo. Só nos resta rezar por ela e pedir a Deus que lhe dê (e dará) um bom lugar ao lado dos bons. Nossos sentimentos aos familiares e amigos. > Carlos Sinésio.

Prezados Leitores de Canetadas.

Fiz questão de colar essas mensagens, que nos foram enviadas no vai e vem de e-mails, aqui em Canetadas, em razão da demonstração de carinho e respeito de tantos – (permanecerá, em profusão, pois morte) para com a saudosa amiga dona Odete Andrada Aves. Outros emails não os publiquei em razão de espaço.

Mas, ao final destas Canetadas, não poderia deixar de transcrever essa linda matéria, que se segue, escrita por dona Odete, quando do Centenário de Pesqueira, também, publicada no seu livro “Do Âmago da Memória” (págs. 262 e 263).

CENTENÁRIA PESQUEIRA

Eu a imagino pequenina. Recém-formada. Embrião e promessa. Deve ter sido assim: uma meninazinha, misto de índia e português. Olhos claros de noite de luar e escorridos negros cabelos de trevas de noite. Deve ter corrido pelas veredas do mato, descalça e livre, simples e feliz. Assim eu a imagino, a Pesqueira que surge.

Depois, tomou ares de sinhazinha, calçou-se e entrelaçou fitas de ouro de sol pelos cabelos de noite. Pôs um leve e belo vestido branco, cheio de rendas de que é rica e dos bordados que vêm criando suas fadas artesãs.

Buscou ver seus domínios e conhecer seus potenciais. Do seio da terra, vê brotarem os vermelhos frutos cujo sangue transforma em alimento e doces. Vê chegar a violenta, alegre e brilhante revolução dos tachos caseiros às chaminés das fábricas. O odor puro dos frutos da terra enche o ar e cria riqueza para a jovem terra que se veste de vestes múltiplas e se cobre de riquezas.

Assim vai caminhando Pesqueira, de descoberta em descoberta, de produção em produção.

Vejo-a, porém, na sua grandeza maior, os numerosos filhos de valor intelectual e técnico a coroam da glória. O surgimento dos seus colégios a irradiarem a mais preciosa dávida: a dos conhecimentos e do pensamento. A força da idéia e da inteligência.

Agora, não é mais necessário imaginá-la. Aí a temos, diante de nós, a nos contar a sua história centenária. Jovem e sofrida. Jovem e realizadora. O século para uma cidade é tanto e tão pouco! Depende do que ela viveu. De tudo quanto criou e realizou seu povo.

Eis o cântico de glorificação a Deus e a mensagem ao homem. Eis a Pesqueira centenária a nos clamar por um esforço cada vez maior, em prol do seu crescimento, do seu progresso. > (Odete de Andrada Alves).

Estimados leitores

ÚLTIMO RECADO PARA DONA ODETE

À minha querida e saudosa professora dona ODETE DE ANDRADA ALVES, pesqueirense por adoção, licenciada em Pedagogia, que exerceu todo o período de magistério em Pesqueira, educando várias gerações e membro integrante da Academia Pesqueirense de Letras e Artes, em nome de todos os seus ex-alunos, mais ainda, em nome da minha terra Pesqueira, a mais efetiva e afetiva homenagem de Canetadas, que lhe teve, ao longo dos anos, como uma especial e ilustre leitora.

Jurandir Carmelo.

Saudades e descanse em paz!

(*) Autor: Jurandir e Gil Carmelo

CANETADAS ON LINE / Fernando Soares Lyra – Por Jurandir Carmelo (*)

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Mesmo sabendo que Fernando Lyra agonizava no seu leito de morte, o Brasil e Pernambuco queriam-no vivo!

A morte de FERNANDO LYRA, na quinta-feira (14/02/2013) no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, deixou o País mais pobre, particularmente Pernambuco, pelo que ele representou para a democracia e a liberdade. Foi um baluarte na luta pela redemocratização da vida nacional. Soube enfrentar com altivez e coragem os que se arvoravam em perseguir aqueles que lutavam por um Brasil mais justo e igualitário.

Conheci Fernando Lyra na luta contra a ditadura, nela o AI-5, o decreto 477 e outros males praticados pela direita brasileira (como a tortura), espécies essas que aprisionaram sonhos, castraram vocações e mataram jovens estudantes ou não que levantaram a bandeira contra a repressão militar. A sensatez de Fernando Lira aliada à sua bravura cívica o tornou um Homem indispensável na luta contra o golpe de Estado de 1964, mais tarde na redemocratização do País.

Aqui em Pesqueira e em outros recantos de Pernambuco participamos de vários atos ao lado de Fernando Lyra, entre outros, como na campanha pelas Diretas Já (1984). Sua morte nos deixa triste, mas não cabisbaixos, pois uma coisa ele nunca se permitiu: baixar a cabeça, fraquejar, esconder-se, negar-se. Dizia sempre o que lhe vinha à mente, empolgando a todos que o ouviam, e que de certa forma seguia os seus ensinamentos. Fernando Lira foi escola.

Fernando Lyra deixou enormes lições de civismo, de amor à pátria. Demonstrou isso tantas vezes em praça pública, na luta pela Anistia, pelas Diretas Já. Foi o interlocutor primeiro na costura política da candidatura do Dr. Tancredo Neves à presidência da República, o que lhe valeu o convite para assumir o Ministério da Justiça. Como Ministro da Justiça seu ato mais importante foi determinar o fim da censura no Brasil, rescaldo da ditadura militar. Em 1989 foi candidato à vice-presidente na chapa de Leonel Brizola, outro símbolo de resistência e brasilidade.

Fernando Lyra anos 70

Em Pernambuco foi deputado estadual (1966), depois passou a representar o povo pernambucano na Câmara Federal, nos seus sete mandatos consecutivos (1971 a 1999). Apoiou a candidatura de Marcos Freire para o Senado (1974) e depois para o governo de Pernambuco (1982), mais tarde nas campanhas do velho Arraes de volta ao Palácio do Campo das Princesas, foi peça chave. Visionário, foi o mentor da candidatura de Eduardo Campos para governador do Estado (2006) e de sua reeleição (2010).

No campo dos acontecimentos políticos, Fernando Lira sempre teve uma visão do amanhã. Sabia das coisas! Lia jornais do país inteiro, conhecia a política nacional como ninguém.

Fernando Lira foi um dos fundadores do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e fincou o pé criando o grupo dos autênticos incorporado por deputados e senadores do velho MDB, para o enfrentamento a ditadura militar, instalada no país em 1964.

A história de vida de Fernando Lyra se confunde com a história recente do Brasil. Se ao Dr. Ulisses Guimarães lhe foi dado o título de senhor Constituinte, Fernando será sempre o Senhor Democracia e Liberdade.

Sua voz, de forte entonação, levava às multidões o sentimento de grandeza de ser brasileiro, exaltando sempre a pernambucanidade.

Como deputado federal honrou os seus mandatos, e da tribuna daquela Casa Legislativa vez chegar a sua voz ao Brasil inteiro. Era um parlamentar respeitado, pela sua conduta correta e sempre coerente com o que acreditava.

Quando tive a oportunidade de trabalhar no gabinete do deputado João Lira Filho na Assembléia Legislativa de Pernambuco (legislatura de 1983/1986), notei o quanto o mestre João amava e admirava o filho Fernando, e numa situação extraordinária senti que um se orgulhava do outro. Fernando Lira, como deputado ou ministro da Justiça, estando em Brasília, telefonava quase todos os dias para falar com o pai. Fernando tinha tempo para a Nação, para o Pai e para a Família. É outra lição fica aos políticos dessa nova geração!

A NOITE DE SÃO BARTOLOMEU…

João Lira Filho

 

O velho João, homem sensato, de forte personalidade e de caráter ilibado, respeitadíssimo no meio político, certa vez, foi lançado candidato à presidência do legislativo pernambucano. De Fernando Lyra ouvi dizer ao pai: “cuidado com a noite de São Bartolomeu”. Não deu outra, o jogo sujo e a traição veio na bucha, quando até mesmo um deputado foi “sequestrado” para não comparecer ao pleito, tirando o voto que dava a vitória ao Mestre João Lyra.

O dia 14 de fevereiro de 2013 vai ficar marcado para sempre no coração dos pernambucanos, dos brasileiros, enfim. Além de sua história de lutas, que honrou Pernambuco e o Brasil deixou o livro “Daquilo que Eu Sei”, um relato autêntico sobre a eleição do Dr. Tancredo Neves e a transição democrática após a ditadura militar.

Fernando Lyra era Grande! Grande pelos seus gestos, pela sua luta, pelos seus ensinamentos, pela sua correção, coragem lealdade, brasilidade e pernambucanidade!

Canetadas, pelo seu autor, não poderia deixar de prestar a sua homenagem a esse grande pernambucano e extraordinário brasileiro, lembrando Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!”.

Jurandir Carmelo.

 

(*) (Jurandir Carmelo) > Colaborador do oabelhudo, pesqueirense, jornalista e advogado.

HOMENAGEM : ANDREIA E ANTONIO – Por Zezé Freire.*

 

ANDREIA VIEIRA LEITE &

ANTONIO QUINTINO LEITE NETO

“Intimidade é quando a vida da gente relaxa
diante de outra vida e respira macio.
Não há porque se defender de coisa alguma,
nem porque se esforçar para o que quer que seja.
O coração pode espalhar os seus brinquedos.
Cantar a música que cada instante compõe.
Bordar cada encontro com as linhas
do seu próprio novelo.
Contar as paisagens que vê enquanto cria o caminho.
Andar descalço, sem medo de ferir os pés.”

Ana Jácomo

Parabenizamos o casal Andréa Vieira Leite e Antônio Quintino Leite Neto pela celebração das Bodas de Zinco em 30/11/2012 (Igreja Mãe dos Homens e Hotel Estação Cruzeiro /Pesqueira PE).

Regozijamo-nos pela confirmação desse amor que se consolidou em dez anos de casamento.
Lendo a citação pensei na importância que representa encontrar alguém que nos inspire tal confiança, tal conforto.

Acreditando que o casal tenha cultivado a intimidade salutar que os cônjuges necessitam desejamos-lhes que continuem vivendo esse amor com sabedoria!

A) Zezé Freire e Leninho Soares

HOMENAGEM – O CARDEAL ARCOVERDE **- Palestra de Oswaldo Bezerra de Oliveira.*

JOAQUIM ARCOVERDE DE ALBUQUERQUE CAVALCANTI

O CARDEAL ARCOVERDE

Cardeal Arcoverde

 

Respeitáveis Confrades e Confreiras
Senhoras e Senhores
Amigos e Familiares

 

Peço vênia para dirigir estas primeiras palavras de agradecimento ao memorialista, historiador e Engenheiro Civil Dr. Leonides Caraciolo, pois acredito firmemente, que pelos seus conhecimentos da história do Cardeal, caberia muito mais ao ilustre confrade, desta tribuna, nos brindar com os seus conhecimentos históricos, do Cardeal Arcoverde. Aprendi muito com Dr. Leonides sobre a vida e obra do eminente Cardeal da Igreja Católica.

O seu minucioso trabalho de lapidador da memória dos nossos antepassados, para a história da nossa região é de fundamental importância, quando se traz à tona o passado, o presente e o futuro, pois um povo sem memória é fadado ao desaparecimento como referencial histórico. Com seu livro, assistimos ao resgate, não somente da família do Capitão Budá e de Dona Marcolina Dorotéia, sua esposa, que geraram a figura impar do Cardeal Arcoverde, mas também de todos os outros troncos genealógicos que gravitaram em torno dos Cavalcanti Albuquerque, Pacheco, Bezerra, Oliveira, Almeida, Arcoverde, entre outros.

Arcoverde do Cardeal não deixa de ser um livro “sui generis” no campo do memorialismo regional. A sua abordagem, além de criativa, é única, fazendo com que o leitor se deleite com a sua narrativa simples e direta do profissional que passa a construir sua obra através da engenharia das palavras, tornando- a de cunho verdadeiramente artístico.
O trabalho, que passarei a desenvolver,terá a participação efetiva, destas figuras que prestaram um grande serviço ao memorialismo regional, pois estarei não somente citando as suas fontes preciosas, mas servindo-me das mesmas para fazer chegar aos caríssimos ouvintes o que Leonides Caraciolo, Luis Wilson e Nelson Barbalho chegaram a nos brindar através dos seus escritos.
Com uma trajetória marcada por obras de enorme alcance social, e por cuja mediação D. Joaquim Arcoverde chegou a ser o grande luzeiro do Brasil católico, despertando as atenções das Nações Americanas, tomando posição mais que saliente na nossa Pátria, o Papa Pio X, hoje São Pio X quis dar a este país, um testemunho de sua benevolência, nomeando-o Arcebispo do Rio de Janeiro (l897) e em 1905, Cardeal Presbítero da Igreja Católica.

A Diocese de Pesqueira, particularmente, muito ficou a dever a esse grande Pastor da Igreja, baluarte decisivo de sua criação episcopal.
Do livro Velhos e Grandes Sertanejos, de autoria de Luis Wilson, da obra de Leonides Caraciolo, Arcoverde do Cardeal – A Genealogia e a Região , do escritor Nelson Barbalho da sua obra Caboclo do Urubá, sairão os indicativos que passarei a relatar sobre a figura de JOAQUIM ARCOVERDE DE ALBUQUERQUE CAVALCANTI:

“Primeiro Cardeal do Brasil e da América Latina, nasceu em 17/01/1850, na Fazenda Fundão, outrora município de Cimbres, depois de Pesqueira e hoje, de Arcoverde. Seus pais foram Antonio Francisco de Albuquerque Cavalcanti (Capitão Budá) e sua mulher Dona Marcolina Dorothéia Pacheco do Couto, ele filho de Jerônimo de Albuquerque Cavalcanti Arcoverde e Teresa de Siqueira Cavalcanti neta do português, velho desbravador da Região Centro do Moxotó e Mestre de Campo, Pantaleão de Siqueira Barbosa), e ela (Dona Marcolina Dorothéia Pacheco do Couto e de sua esposa D. Ana Antônia Cordeiro do Rego.
D. Joaquim Arcoverde, Bacharel em Letras pelo Colégio Pio Latino Americano, em Roma – Itália, para onde foi a 30/04/1866, depois de ter estudado no Colégio do Padre Inácio de Souza Rolim, na cidade de Cajazeiras (Estado da Paraiba), era ainda Doutor em TEOLOGIA, tendo sido ordenado sacerdote a 04/04/1874 na Basílica de São João de Latrão pelo Cardeal Constantino Patrizi, Vigário do Papa Pio IX. Regressou ao Brasil em 1875, indo fixar-se na Província natal, celebrando sua primeira missa, solenemente, na IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MONTANHAS, da tradicional vila de Cimbres, onde por algum tempo exerceu as funções de PÁROCO.
Nomeado, então, professor de Filosofia e Reitor do Seminário de Olinda pelo Bispo D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira. Naquela época, a Igreja estava em luta com a Maçonaria, devido a interdição da Irmandade do Santissimo Sacramento da Matriz do Bairro de Santo Antonio do Recife, aos maçons, determinada por Dom Vital e não confirmada pelo Governo Imperial, resultando o incidente na denúncia, condenação e prisão, em 1874, do Bispo de Olinda e de D. Macedo Costa, Bispo do Pará.
Tendo ainda estudado na Sorbone, em ParIs (Curso de Ciências Naturais), Dom Joaquim seria
Ainda, depois, pároco da Boa Vista, e em 1879, de Cimbres, ou na realidade , de Pesqueira, naquela época primeiro Distrito e sede daquele Muncípio). Além de Diretor do Ginásio Pernambucano, foi igualmente Professor de Filosofia, de Física e de Francês. Foi Cônego da Sé de Olinda, Professor do Colégio São Luis, em Itu, São Paulo. Foi nomeado Bispo de Goiás. No Consistório secreto de 1890. Em 1894 foi nomeado Bispo de São Paulo.
Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e autor de várias obras: A MULHER CRISTÃ, SINTESE DE FILOSOFIA E A FEDERAÇÃO CATÓLICA. Foi Cardeal Presbítero da Santa Igreja Católica Romana, por sua Santidade Pio X, no Consistorio Secreto de 11/12/1905 e era reconhecido como Principe Real no protocolo do Itamarati, na qualidade de membro do SACRO COLÉGIO PONTIFÍCIO.
Homem austero, teve, D. Joaquim Arcoverde atritos sérios e grandes foram as suas divergências com Campos Sales, quando este governava o Estado de São Paulo, sendo aliás, de salientar a nobreza do ilustre estadista, depois, Presidente da República, fazendo justiça ao antigo chefe do clero paulista e muito concorrendo para que lhe viessem às mãos o anel e a púrpura cardinalícia, tornando-se assim, SENADOR DO SUMO PONTÍFICE.
Conta-se ainda que o Primeiro Purpurado do Brasil e da América Latina, “de severidade por vezes rude, sobretudo para corrigir defeitos de seus subordinados, que se desviavam do rumo devido, protetor dos fracos e oprimidos, destemido nos combates que empreendeu contra seus inimigos que não o poupavam, salientando-se entre outros motivos, pelo respeito às ideias alheias e aos seus nobres adversários”.
Certa vez, quando o enterro de Teixeira de Freitas (Chefe da Igreja Positivista), durante o percurso do acompanhamento, passou em frente ao seu Palácio no Rio de Janeiro, o velho Cardeal ajoelhou-se e orou, num gesto de humildade e nobreza cristã, sendo fatos como esse que o fizeram respeitado e amado, inclusive por muita gente contrária ao clero.
D. Joaquim Arcoverde, Cardeal e Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, depois de cinquenta anos de sacerdócio e trinta de episcopado faleceu naquela cidade, às 18:30 horas da Sexta-feira Santa, 18/04/1930, recebendo grandes manifestações de pesar de todo o país, às quais fazia jus pela sua alta dignidade e pelos reais serviços prestados à causa católica no Brasil.
Seu corpo jaz na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro e um busto do velho Cardeal foi erigido a 07/07/1939 no Largo da Glória, em nossa antiga capital.
Logo que se deu o desenlace, o deputado Federal Solidônio Leite, líder que era da bancada pernambucana, telegrafou à Municipalidade de Pesqueira a qual, em reunião, além de outras homenagens, deu a denominação de ‘RUA CARDEAL ARCOVERDE” À ARTÉRIA MAIS ANTIGA DA CIDADE, HOJE MODERNIZADA, ONDE SE ENCONTRAM O PALÁCIO EPISCOPAL, A CAPELA DE NOSSA SENHORA MÃE DOS HOMENS, O EDIFÍCIO DOS CORREIOS, O HOJE COLÉGIO CACILDA ALMEIDA QUE ANTIGAMENTE PERTENCIA AOS FAMILIARES DO Cardeal Arcoverde, ONDE OS MESMOS SE HOSPEDAVAM.

A missão apostólica do Cardeal Arcoverde desenvolveu-se numa encruzilhada da história sócio-política e religiosa do Brasil. De um Estado que assumia o regime de padroado, onde a religião católica era oficial, com o advento da República o Estado adota a separação entre Estado x Religião.
Dom Joaquim Arcoverde teve a tarefa, por demais difícil de fazer a transição entre o Regime Republicano Laico. O Brasão do Cardeal é de uma força abissal e demonstra de maneira insofismável a grandeza e força do seu espírito operativo e forte face às dificuldades encontradas na sociedade brasileira das três primeiras décadas do século XX.

No brasão do Cardeal está escrito : DOMINI FORTITUDO NOSTRA ;
DEUS É A NOSSA FORTALEZA
VEM DE DEUS A NOSSA FORTALEZA
O LEMA, BEM TRADUZ A SOLIDEZ DA FÉ do Cardeal Arcoverde. Traduz o seu total engajamento na luta sem trégua à missão evangélica de difusão e vivência dos ensinamentos de Jesus Cristo – daquele que através dos caminhos da Terra Santa, perpetuou uma missão de salvação, nesta existência terrena. As palavras que nortearam o Brasão do Cardeal, traduzem, muito bem, a sua energia espiritual, de baluarte da fé.

O Município de Pesqueira despontou, no decorrer do século XX como uma cidade que se destacava no cenário Estadual e Regional como um centro agregador, de cenários alvissareiros no campo econômico, educacional e religioso.

+ NO CAMPO ECONÔMICO :
No final do século XIX e início do século XX, uma próspera indústria de transformação vicejou em nossa cidade, através das Indústrias Peixe, Rosa, Tigre e outras de menor porte.
+ NO SETOR EDUCACIONAL :
A nossa cidade foi palco da fundação de três educandários, que faziam da cidade um centro de fundamental importância em nossa região :
Criação do Ginasio Cristo Rei para rapazes da região agreste e sertão de Pernambuco.
– Do Colégio Santa Dorotéia destinado à juventude feminina.
– Seminário São José dedicado aqueles jovens que se sentiam vocacionados para o sacerdócio.
+ NO CAMPO RELIGIOSO ;
– Já em 1918 era criada a Diocese de Pesqueira, inicialmente com sede na cidade de Floresta do Navio, e logo em seguida transferida para a cidade de Pesqueira.

Aqui, ao sopé da Serra do Ororubá, nesta região privilegiada, hoje formada pelos dois muncípios de Pesqueira e Arcoverde, vicejou a proeminente figura de JOAQUIM Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, que se tornaria, depois de um esforço fantástico, o porta voz de um povo, na busca do seu desenvolvimento sócio-econômico e religioso da região.

Ao ser nomeado Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro, o Cardeal Arcoverde teve que desenvolver um trabalho conjunto com as novas autoridades da República, pois pela nova legislação republicana, o ensino religioso era banido das escolas. Passou assim o Cardeal a desenvolver um grande trabalho de convivência: IGREJA X AUTORIDADES REPUBLICANAS.
Pois, ainda pairava no ar o sentimento de litígio, pois a Questão Religiosa ainda pairava no horizonte, como algo que dificultava o diálogo entre :

Ações eclesiásticas x Posicionamento Político da República

O Cardeal Arcoverde desenvolveu com maestria a máxima latina que vem das Filosofias Greco-Romanas – (Aristóteles e Tomaz de Aquino) :

‘VIRTUS IN MEDIO”

A virtude não premia os extremos, mas se posiciona sempre no meio. Os extremos excluem-se por natureza. Aristóteles e Tomaz de Aquino foram mestres no assunto. O que faz o ser humano ir em frente é o mútuo respeito entre os extremos. O Cardeal Arcoverde desenvolveu o seu “ MUNUS” espiritual numa fase delicada e de transição entre o Império e a República. Entre a Religião e o posicionamento Laico.

Encerro o meu trabalho agradecendo a todos que nesta noite aqui vieram para nos prestigiar. A saga da história do Cardeal ainda terá muito chão a percorrer.

Obrigado a todos..

TENHO DITO.

 

Autor: Oswaldo Bezerra de Oliveira. – Sanharoense do distrito Mulungu. É ex-padre e professor. Formado pelo Seminário Arquidiocesano de João Pessoa e pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

** Palestra proferida por ocasião da Ii SePla – Semana Pesqueirense de Letras e Artes, promovida pela APLA – Academia Pesqueirense de letras e Artes.

HOMENAGEM – IVANILDO MACIEL – 80 Anos de Vida e de Música. *

IVANILDO MACIEL DA SILVEIRA

 

80 Anos de Sonoridade Musical

 

 

Ivanildo Maciel em 1975, então integrante da Orquestra Dedilhada.


 

O Dicionário cravo Albin da Música Popular Brasileira tem catalogado o nome de muitos expoentes que compõem o seleto grupo de músicos, cantores, instrumentistas, em geral. Lá encontram-se os dados abaixo sobre esse sanharoense, nascido em 08 de agosto de 1932, filho de Francisco de Assis Maciel e de Maria de Lourdes da Silveira Maciel. Além de Ivanildo o casal teve outros 04 filhos: Ivonete, Luzinete, Rubem e Lídio.

Em 04 de outubro de 2009, esse blog postou uma entre homenagens que já prestou a esse musicista excepcional, da autoria do seu amigo, escritor e engenheiro Leonides Caraciolo.

Para iniciar a falar de Ivanildo Maciel, vejamos o que disse ao seu respeito o ex-deputado e ex-prefeito do Recife, Gilberto Marques Paulo:

“Um dia, famoso maestro veio ao Recife para fazer avaliação de alguns músicos, visando à formação de uma orquestra, diz Marques Paulo. Vários foram os candidatos e um verdadeiro festival de currículos: cada um mais rico do que o outro. Após os testes individuais, o maestro faz um pequena entrevista:

– O senhor estudou musica aonde?

– As respostas eram das mais esnobes. Eu estudei em Paris – dizia um, com o peito estufado.

Outro, com pele bem cuidada, cabelos esvoaçantes, caindo sobre a testa, falava, quase gritando, não só para o examinador, mas para toda a platéia: Eu estudei música em Viena. O desfile continuava: Nova Iorque, Amsterdan, Berna etc.

Chega a vez de um rapaz muito simples ser testado como clarinetista. Um show. Ele não apenas leu, com extrema facilidade a partitura, como fez variações. O maestro, impressionado, fez-lhe a pergunta chave:

– Qual o método que o senhor adota?

É o método de Sanharó, senhor, aprendido com o mestre Dudu.

Este episodio narrado por Gilberto Marques Paulo é revelador da simplicidade de Ivanildo Maciel, um talento musical extraordinário.
Toca bandolim,clarinete, flauta e saxofone. Professor de clarinete e saxofone no Conservatório Pernambucano”.

CRONOLOGIA

1950 – Sai de sua terra natal, Sanharó, e vai para o Recife, onde íntegra a Jazz Acadêmica de Pernambuco.
1955 – Muda-se para São Paulo. Atua em diversas orquestras na capital paulistana.
1956 – Volta para o Recife, entra para a Orquestra Paraguary da rádio Jornal do Commercio. No mesmo ano gravou com essa Orquestra na Mocambo o frevo “Barbosa Filho no Frevo”, de Guedes Peixoto.
1957 – Grava com a orquestra de frevos Mocambo, de Nelson Ferreira o frevo de sua autoria “Apavorado”.
1962 – Grava o primeiro disco, pela Mocambo, com os maxixes “O Gavião Calçudo” de Pixinnguinha, “O rebolado de Sinhá”, de sua autoria e Sacy, o baião “Crioulo”, de Moreira Filho e o maxixe “A chegada de Anba Lucia”, gravado individualmente e também com o seu conjunto. No mesmo período atua na TV Jornal do Commercio.
1963 – Muda-se para o Rio de Janeiro, onde integra a Banda do CORLO DE Bombeiro. Permanece no Rio de Janeiro até 1968 onde participa de diversas orquestras:Orquestra Arco Íris, Orquestra Maestro Carioca, Orquestra do Maestro Guio de Morais. E durante um ano atuou no Copacabana Palace.
1969 – Retorna ao Recife onde se torna o primeiro clarinetista da Orquestra Sinfônica do Recife. Ainda no Recife faz parte da Orquestra Armorial e como bandolinista, da Orquestra de Corda Dedilhada e com esta grava um LP pela Funarte, reeditado em CD e apresenta-se para o presidente Geisel no Itamaraty (Brasília).
1972 – Entra para o Conservatorio Pernambucano como professor de clarinete e saxofone.
1973 – Faz parte da Orquestra Armorial, sob a regência de Cussy de Almeida.
1975 – Com a Orquestra Dedilhada vai a Portugal e França.

Naquela oportunidade, nós, eu e meu enxerimento, achamos por bem de adicionar algo do nosso conhecimento e dissemos o seguinte:

Providencial e muito bom o feliz texto que Leonides nos brinda nesse domingo que se mostrava, tão enfadonho. Oabelhudo volta aos anos 80, quando o maestro Isaac Karabtchevsly, promoveu uma excussão da Orquestra Sinfônica Brasileira e na qual o nosso Ivanildo Maciel da Silveira, fazia parte, intregrando o naipe de clarinetistas. Ocorre que, em Florianópolis, o violonista adoeceu e isso iria causar um sério transtorno ao maestro, de vez que no programa constava uma peça de Paganini cuja introdução é feita em 08 compassos executados exclusivamente por um violão.

O que fazer? Foi aí que alguém lembrou-se de que na orquestra havia um instrumentista cuja notoriedade poderia assumir tal responsabilidade. Esse versátil musicista era nada mais, nada menos de que o nosso conterrâneo. Sem se fazer de difícil, mas, com muita humildade, respondera ao maestro Isaac que poderia não estar à altura do que ele esperava. Entretanto, aceitaria o desafio. Havia tempo apenas para um breve ensaio.

À noite, teatro Álvaro de Carvalho, completamente lotado, abrem-se as cortinas, silêncio absoluto. O canhão de luz focaliza um único músico: o nosso estimado Ivanildo Maciel, inicia-se o concerto como se fora um violonista afamado. Divinamente perfeito. Sola os oito longérrimos compassos (segundo ele mesmo me contou). Em seguida entra a orquestra e complementa toda a bonita peça clássica. É esse o “cara” que por esse e por muitos outros exemplos nos orgulha e nos fascina. Nunca esqueceu este nosso torrão natal.

Numa curta viagem à Paris, integrando o voo do frevo, a aeronave ao sobrevoar a Cidade Luz, ele olhou-a, encantado e pensou, falando alto: “até parece com a minha Sanharó!”. O estilista Marcilio Campos, não se conteve e perguntou: “mais o quê. Aqui tem gente de Sanharó. Oh lugar de gente enxerida! Todos caíram na maior gargalhada…

Biografia

Compositor. Instrumentista. Regente. Multiinstrumentista. Toca bandolim, clarinete, flauta e saxofone. Professor de clarinete e saxofone no Conservatório Pernambucano.

Dados Artísticos

Em 1950 mudou-se para o Recife onde foi integrante da Jazz Band Acadêmica de Pernambuco. Em 1955, mudou-se para São Paulo onde atuou em diversas orquestras.Em 1956 voltou para o Recife onde atuou na Orquestra Paraguary da Rádio Jornal do Comércio. No mesmo ano gravou com Orquestra Paraguary na Mocambo o frevo “Barbosa Filho no frevo”, de Guedes Peixoto. Em 1957 a Orquestra de Frevos Mocambo de Nelson Ferreira gravou de sua autoria o frevo “Apavorado”. Em 1962 gravou o primeiro disco, pela Mocambo, com os maxixes “O gavião calçudo” de Pixinguinha, “O rebolado da Sinhá” de sua autoria e Sacy, o baião “Crioula” de Moreira Filho e o maxixe “A chegada de Ana Lúcia”, gravado individualmente e também com seu conjunto. No mesmo período atuou na TV Jornal do Commercio. Em 1965 mudou para o Rio de Janeiro, onde integrou a Banda do Corpo de Bombeiros. Na lista de músicos dessa famosa Banda está lá o 3.098 – Ivanildo Maciel da Silveira. Permaneceu no Rio de Janeiro até 1968 onde participou de diversas orquestras: Orquestra Arco Íris, Orquestra Maestro Carioca, Orquestra do Maestro Guio de Morais. Durante um ano atuou no Copacaba Palace. Em 1969 retornou para o Recife onde se tornou primeiro clarinetista da Orquestra Sinfônica do Recife. Ainda no Recife fez parte da Orquestra Armorial e como bandolinista, da Orquestra de Cordas Dedilhadas. Com a Orquestra de Cordas Dedilhadas gravou um LP pela Funarte, reeditado em CD, do qual constam as composições “Adeus dedilhadas”, composta em parceria com João Lyra, e “Marcelinho no frevo”. Em 1989 Orquestra Rio de Violões regravou “Marcelinho no frevo”

Obras

A chegada de Ana Lúcia
Adeus dedilhadas (c/ João Lyra)
Apavorado
Gilson no choro
Marcelinho no frevo
O rebolado da sinhá (c/ Sacy)

Discografia

(1962) O gavião calçudo/O rebolado da sinhá • Mocambo • 78
(1962) A chegada de Ana Lúcia • Mocambo • 78
(1962) Crioula/A chegada de Ana Lúcia • Mocambo • 78
(1962) Mambo quente/Gilson no choro • Mocambo • 78

No link abaixo outra homenagem do oabelhudo.

http://oabelhudo.com.br/?p=12296

* Fontes: oabelhudo/Leonides Caraciolo/Dicionário Cravo Albin.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA DE SANHARÓ/Jenipapo.(Manoel Cordeiro da Fonseca). – Colaboração de João Roberto Maciel Aquino.

Recordações de Um Passado Marcante

Manoel Cordeiro da Fonseca (Neco Joca)

(responsável pelo fornecimento de energia, com motor movido a óleo).

 

Casa do Motor de Jenipapo. Manoel Cordeiro da Fonseca. (Neco Joca) O Operador da energia elétrica do distrito Jenipapo.

 

Muitos anos atrás, Jenipapo não dispunha de energia elétrica e por este motivo o distrito era iluminado das 18:00 às 22:00 horas, por um motor girado à mão, que tinha como responsável pelo fornecimento de energia o funcionário da Prefeitura Municipal de Sanharó, o Sr. Manoel Cordeiro da Fonseca, conhecido pelo apelido de NECO JOCA.


Nas noites de lua cheia após o desligamento do motor, os moradores desta comunidade se reuniam para ouvir serenatas ao som dos violões dos saudosos seresteiros, Ivanildo de Souza Leão e Joel Cordeiro, que entoavam as mais belas canções aos enamorados daquela época.

Outras vezes os moradores sentavam nas calçadas para ouvirem estórias de trancoso ou cordeis recitados por alguém da comunidade. Vez por outra havia também cantorias de violas ministradas pelo poeta repentista João Caboclo de Melo, João Cabeleira.

* Fonte :Esses retalhos do cotidiano do povo de Jenipapo estão sendo publicados periodicamente no blog jenipapoemfoco.blogspot.com e que aqui transcrevemos como forma de homenagear aquela gente querida do hospitaleiro distrito de Jenipapo.

 

HOMENAGEM AO DIA DO MEIO-AMBIENTE/Mandamentos Ecológicos do Padre Cícero. – Colaboração de Ducarmo Leite Calado.*

Quem desmata semeia

o inferno na Terra.

 

 

Padre Cícero Romão Batista. O "Santo" protetor do nordeste.

 

Ontem foi o DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, muito bom isso. agora é a nossa vez, vamos então fazer com que os outros 364 dias do ano seja pela preservação do nosso meio ambiente, conto com vcs para divulgarem os mandamentos do Pe. Cícero para os agricultores.

 

Os mandamentos do Padre Cícero para os agricultores e preservar a natureza.

 

1. Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau.

2. Não toque fogo no roçado nem na caatinga.

3. Não cace mais e deixe os bichos viverem.

4. Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer.

5. Não plante em serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé: deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza.

6. Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água da chuva.

7. Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta.

8. Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só.

9. Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar você a conviver com a seca.

10. Se o sertanejo(a) obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer.

11. Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só.

Quem desmata semeia o inferno na Terra.

*Fonte: Greenpeace.

HOMENAGEM : PRECE À DEUS POR FAU E FLÁVIA. – Por Geraldo Lemos Pereira.*

PRECE POR “FAU” E “FLÁVIA”

 

 

Dignai-vos, meu Deus, acolher, favoravelmente, esta prece que vos dirijo, pelos espíritos de Fau (Maria de Fátima Alves Teixeira) e Flávia (Flávia Teixeira Pereira); fazei-lhes entrever as vossas divinas claridades e, tornai-lhes fácil o caminho da felicidade eterna. Permiti que os bons espíritos levem a elas as minhas palavras e o meu pensamento.

Vocês, que me eram caras neste mundo, ouçam minha voz que vos chama para vos dar um novo testemunho da minha afeição. Deus permitiu que fossem libertadas primeiro; eu não poderia me lamentar com isso sem egoísmo, porque seria estar aflito por não ter mais para vocês as penas e os sofrimentos da vida. Espero, pois, com resignação, o momento da nossa união no mundo mais feliz, no qual me precederam.

Eu sei que a nossa separação não é, senão, momentânea, e que, tão longa me possa parecer, a sua duração se apaga diante da eternidade que Deus promete aos seus eleitos. Que a Vossa bondade me preserve de nada fazer que possa retardar esse instante desejado, e que me poupe, assim, a dor de não vos encontrar ao sair do meu cativeiro terreno.

Oh! Como é doce e consoladora a certeza de que não há, entre nós, senão, um véu material que vos oculta a minha visão! Que vós possais estar aqui, ao meu lado, me verem e me ouvirem, como antigamente, e melhor ainda do que antigamente, que não me ouvidem mais, e que eu mesmo não vos ouvide; que os nossos pensamentos não cessem de se confundirem e que os vossos me sigam e me sustentem, s e m p r e.”

 

Que a paz do Senhor esteja convosco.

 

Itapissuma/PE, 12/dezembro/2009.

 

* Geraldo de Lemos Pereira

CANETADAS ON LINE : HOMENAGEM A FABIANO MONTEIRO. – Por Jurandir Carmelo.*

CANETADAS ON LINE

 

 

Fabiano Monteiro, Jurandir e Severino (Xiquexique)...Momentos de saudade no Boa Esperança...

 

No Blog OABELHUDO, uma Crônica para FABIANO.

 

Hoje, 08 de maio, um mês depois da morte de ANTONIO FABIANO MONTEIRO, carinhosamente conhecido por FABIANO, ou FABIANO DA TUBA (A tuba é um instrumento musical de sopro da família dos metais. Consiste num tubo cilíndrico recurvado sobre si mesmo e que termina numa campânula em forma de sino. Dotado de bocal e de três a cinco pistões, possui todos os graus cromáticos), continuo a lembrar do meu bom respeitado amigo. Conheci FABIANO pelas mãos amigas de FRANCISCO MEDEIROS DE AQUINO, ou simplesmente CHICO DE DONA FINU (à época que juntos trabalhávamos no Sanepe, hoje Compesa). Igualmente, através de Chico conheci Paulo Muniz e dona Noêmia (pais de Paulinho e as meninas, editor deste blog), Arquimedes, Zé Medeiros, Zita (seus irmãos, entre outros), Waldemar de Margarida, Ditinho, Parracho, o Mestre João Pessoa, entre tantos e tantos outros ilustres sanharoenses, aos quais homenageio nas pessoas de Mano de Fabiano, Biu da Piscina e Cláudio Freitas.

A ÁRVORE

Desse tempo pra cá, convivi ativamente com Sanharó. Depois me tornei advogado, voltando a morar em Pesqueira e atuando na vida forense da região. Tive uma longa caminhada pelo Fórum de Sanharó, chegando a defender até mesmo uma ÁRVORE, JÁ FRONDOSA, ADULTA, CHEIA DE VIDA, CHEIA DE SOMBRAS E BELEZAS MIL. Uma árvore com história! Uma árvore plantada na Praça principal de uma Cidade é uma relíquia que, ainda, encanta os eternos namorados.

Naquele momento havia efetiva ameaça para se cortar a “pobre” da árvore, sem se aperceberem os seus algozes que ela, a Árvore, ao contrário de pobre, era rica. Rica de história, de sentimentos, de saudades. Não, não se podia corta-la, para dá lugar a um ‘trailer’, que serveria de uma lanchonete-bar!

No dia que se propunha a municipalidade ceifar a árvore, chegaram ao meu escritório Iral, Nelbinho, Biu da Piscina, Mano de Fabiano, entre outros vereadores para contratar os meus serviços em defesa da desprotegida árvore. Aceitei, na hora! Adotei a medida judicial competente, cujo resultado foi determinante: VIDA PARA A ÁRVORE! VIVA A ARVORE! Até hoje a histórica árvore está viva, mesmo que subjudice, resistindo às intempéries da vida, e salvando-se quase sempre da ação depredadora, dos que não têm sensibilidade com a história de sua própria terra natal.

Ora, derrubar uma árvore com saúde, que é vida, que dá sombra, que embeleza a Cidade, não faz nenhum sentido. Aqueles que falam com as árvores, com os pássaros, com os animais, sabem disso. Considero o derrubar de uma árvore com vida, com saúde, mais um do que um crime ambiental. Para mim é um crime contra a humanidade. Depois disso, as árvores assim como as pessoas, têm a sua história, como têm as praças, avenidas, ruas, travessas, becos e vielas, de uma Cidade, etc. Também, os nomes das vias públicas, que retratam uma homenagem a um dos seus cidadãos ou cidadãs, não devem ser mexidos, trocados. Aqui na minha terra Pesqueira, hoje é moda derrubar uma árvore, duas árvores, dezenas de árvores, não importa quantas, só para as “autoridades” possam ver o carnaval passar, a banda passar. Não a banda de Chico Buarque: (…pra ver a banda passar cantando coisa de amor…).

Também, em Pesqueira, como em feira de troca-troca, mudam sem nenhum sentido a denominação de ruas, avenidas, praças, etc. Para mim esse tipo de comportamento se constitui em verdadeiro atentado contra a história das cidades, de seus filhos e filhas.

O HOMEM, O PAI…

E o que tem isso a ver com o nosso saudoso tubista FABIANO. Claro que tem. E como tem! Vamos aos fatos.

Como todos sabem Fabiano, os irmãos e irmãs herdaram dos pais, Ernesto e Maria Pacífica, o imóvel rural denominado de SÍTIO BOA ESPERANÇA, fincado em terra sanharoense. No Sítio Boa Esperança, Fabiano viveu com os irmãos: Ignês; Judite; José; Maria Anunciada; Alzira; Paulo; Severino; e Francisco. Nele viveu com dona Edite, sua estimada esposa, sua companheira de todos os momentos, com quem se casou a 22 de fevereiro de 1962, vendo nascerem os filhos: Maria Pacífica; Maria Clara; Hermano Belxior (Mano), Eugênio Pacelli, José de Anchieta; Maria da Conceição; João Bosco e Domingos Sávio. Nas terras do Sítio Boa Esperança, Fabiano foi feliz ao lado de dona Edite na construção de sua prole, mais tarde aumentada pelos netos e netas, bisnetos e bisnetas. Fabiano era o Senhor dos senhores, porque amado, respeitado, querido. Ele sempre dizia que ali era o seu lugar.

Os outros irmãos saíram para outras plagas. Foram em busca de novos rumos na vida, a exemplo de Severino (Xiquexique), que se debandou pras bandas de São Paulo, aonde fez a sua vida, seu nome respeitado, trabalhando como Delegado do Trabalho, criando a sua família, mesmo que sentindo saudades da sua Terra Sanharó, das suas ruas descalças, por onde descalço andou. Mesmo em São Paulo, esteve sempre presente na sua Sanharó, ora visitando a “terrinha”, e nela o seu querido Sítio Boa Esperança, onde encravada está parte da sua história, ora ligado pelo sentimento da saudade dos seus irmãos e irmãs, dos seus familiares todos, dos seus amigos de infância, das serenatas sob a luz do luar, dos namoros na pracinha da Cidade que lhe viu nascer, dos bailes à luz do lampião, da banda de música Santa Cecília (aí sim: “…pra ver a banda passar cantando coisas de amor…”), na qual desfilava com entusiasmo o irmão Fabiano, soprando a sua tuba, para alegria dos cidadãos e cidadãs sanharoenses.

Disse-me Severino, que tinha carinho por todos os seus irmãos, mas que sempre teve uma queda maior por Fabiano, porque Ele representava toda a história do Sítio Boa Esperança. Disse mais: Perdi irmãos e irmãs, sem poder vir de São Paulo. Só não esperava esta aqui, para ver meu irmão, para enterrá-lo. Foi Deus que quis assim!

E o leitor dessas notas deve está se perguntando: E o que tem haver a parte preambular dessas Canetadas, com Fabiano. É que lá escrevi que certa vez estive em Sanharó para defender uma ÁRVORE. Lá no prólogo, destas Canetadas, disse que estiveram em meu escritório, em Pesqueira, tempos atrás, vereadores de Sanharó, entre Eles: Hermano Belxior, Mano, filho de Fabiano, para que Eu defendesse uma árvore, ameaçada de ser ceifada por uma moto-serra, e por determinação da municipalidade.

Agora a pouco, há alguns dias que antecederam a morte de Fabiano, chegaram à minha casa (também, escritório), Mano (seu filho), o próprio Fabiano e Severino, seu irmão, carinhosamente conhecido por Severino “Xiquexique”. É que Severino tem tudo dessa “planta” nascida nas terras nordestinas, e que transferida para São Paulo, em forma de Homem, deu a grande lição de que o “Sertanejo (do nordeste brasileiro) é antes de tudo um forte”, como bem ensinou Euclides da Cunha. E Eu digo: Severino não é só um “Xiquexique”, é também, uma “baraúna”, pois apesar das dificuldades que enfrentou soube vencer as adversidades da vida, sendo espelho de lutas mil na trajetória de sua caminhada, alcançando o sucesso por caminhos nunca tortuosos como os galhos da baraúna, porém, tal e qual as suas folhas retilíneas, e suas flores brancas, que encantam aos olhos de quem as enxergam.

Em minha casa, Severino foi o interlocutor do grupo. Contou-me a história dos açudes, das suas águas cristalinas, mornas. Dos peixes a pular e pular de alegria e vida, fazendo manobras nas águas dos dois açudes, contíguos, que só a natureza explica. Hoje, os peixes não mais pulam e pulam. Estão mortos, sem vidas. Lembrou Severino, das pescarias lá realizadas. Dos banhos da meninada e da rapaziada da eterna Sanharó, cujo símbolo maior é uma abelha. Abelha que em vida eterniza o respeito à própria vida, ao meio ambiente, e que alimenta as pessoas, com o doce mel que produz.

O BOA ESPERANÇA

Discorrera-me Severino, sob o olhar tristonho do irmão Fabiano, e o olhar atento do sobrinho Mano, sobre as terras férteis do Sítio Boa Esperança, das plantações tantas, que passavam pelo capim e pela palma para alimentar o gado e outros animais.

Severino se manifestou sobre aquelas terras, de forma respeitosa e carinhosa, saudosa até, demonstrando profundo sentimento de dor. Uma dor incontida, afirmando que o Sítio Boa Esperança se constituía em fonte de riqueza da família. Do gado leiteiro, produzia o leite que alimentou a tantos e tantos. Dele se fazia o queijo que, também, enchia os tambores da Cilpe, empresa que, por muito tempo, deu riquezas as terras sanharoenses, fazendo de Sanharó uma das maiores e mais importante bacias leiteiras do Estado de Pernambuco. Do gado de corte falou da qualidade da carne que alimentava a família e que repassava para o açougue da Cidade, que, também, alimentava parte da população.

Mais, ainda: revelou-se apaixonado e saudoso do “Sítio Boa Esperança”, de ontem, quando pelas suas terras férteis era fonte de riquezas da família, em cujas terras plantaram hortaliças diversas, feijão e milho, mandioca para fazer a farinha, da sua massa o beiju, a tapioca, o bolo, para o sustento da prole. Lembrou Severino os tempos que os caminhões transportavam frutas, legumes e verduras para a CEASA. Saia de lá caminhões de cenouras. Era tudo muito bonito. Recordou, também, do gado, sempre alimentado e sem sede, dos cavalos, das aves, dos passarinhos que vinham beber nas águas cristalinas dos açudes.

Depois, silenciaram todos! De voz embargada e olhos lacrimejando, Severino concluiu: “mais do que Eu sabe meu irmão Fabiano que viveu e tomou conta de tudo, em toda essa vastidão de tempo, em nome de todos os irmãos e irmãs”. Disse mais: “Sabe Fabiano da dor que todos nós sentimentos pela agressão que as “autoridades” (aspas nossas) da nossa terra, parentes até, promoveram contra as terras que nos deixaram, por herança, esse patrimônio conseguido com muito trabalho e suor, os nossos pais, “seu” Ernesto e dona Maria Pacífica”.

“De repente, não mais do que de repente“, como diria o poeta Vinicius, ao olhar para a face do meu amigo Fabiano, vi lágrimas. Vi lágrimas, pela primeira vez no rosto austero de Fabiano. Vi lágrimas na face de um homem simples, de grande caráter, um sanharoense autêntico, tão violentamente desrespeitado no seu patrimônio.

Depois disso, contou-me Severino, já com o apoio de Fabiano, que os açudes do Sitio Boa Esperança haviam sido invadidos pela ação nefasta do próprio Município, que lhes vira nascer. Não o Municipio em si, mas Município que como ente público, como entidade, como Prefeitura, o qual deveria socorrer as terras, as plantas, as águas e o ar da nossa Sanharó.

Do Município que como ente público deveria primar e defender o meio ambiente, não destruindo a esperança de dias melhores para o seu povo, para o seu munícipe, para o seu contribuinte, não poluindo as suas águas, não decepando a nossa história, não derrubando as suas árvores históricas. Ao contrário disso deveria incentivar a pacífica união entre o Homem e a Natureza. O Homem, que é vida! A natureza, que é vida! O Homem que não vive sem contemplar a natureza, dela dependendo desde os primórdios.

O DIREITO

A verdade é que o Município de Sanharó, como entidade, poluiu as águas dos açudes do Sítio Boa Esperança, os açudes de Fabiano e de Severino “Xiquexique”, de seus familiares, dos seus filhos e filhas, dos seus netos e netas, dos seus bisnetos e bisnetas, na própria ordem sucessória da vida, enquanto vida, ou após a morte, com o agravante de ter sido o projeto aprovado pela Caixa Econômica Federal, para a construção de Casas. Que se construam casas, vielas, becos, travessa, ruas, avenidas, praças. Que se construam novas Cidades dentro da mesma Cidade, mas que se respeite a propriedade, princípio constitucional assegurado no inciso XXII, do artigo 5º da Constituição Federal: (Art. 5º XXII – é garantido o direito de propriedade).

Que se respeite, mais ainda, quando a propriedade atende a sua função social. As terras de Fabiano e Severino sempre atenderam a sua função, além de serem elas fonte do sustento alimentar da família, cumprindo assim, o dispositivo constitucional determinado pela a CF, Art. 5º, inciso XXIII – “a propriedade atenderá a sua função social”.

Mas, ao invés dessas constitucionais garantias, invadiram-nas, transformaram os seus açudes, em meros depósitos de fezes, fezes humanas, as quais escorrem, mais ainda hoje, caminho afora, caminho adentro, por linhas sinuosas ou não, até caírem nas então águas cristalinas dos açudes fincados nas terras do Sítio Boa Vista.

Ora, se por necessidade de transformar os açudes em bens de utilidade pública, que atendessem esses gestores, ao que preconiza o inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal, que assim determina: – “a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição”.

E para os casos, se fosse o caso, em que os bens particulares de Fabiano e Severino, oferecessem iminente perigo público, o que nunca foi, a Carta Magna permitira à municipalidade a aplicação do que conceitua o seu inciso XXV, do artigo 5º, que assim se pronuncia: “No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano”.

Ora, Senhores e senhoras, Cidadãos e cidadãs sanharoense, o que fizeram com os açudes do Sítio Boa Esperança foi brutal, criminoso até, fato este que se constitui no mais grave desrespeito à pessoa humana. Quem conheceu Fabiano, que conhece Severino Xiquexique, sabe que eles não mereciam esse tratamento, como não mereciam, igualmente, os demais filhos de “seu” Ernesto e dona Maria Pacífica.

Que se construam casas e mais casas, mas não se permitam ferir o Estado de Direito, dentro da concepção de uma sociedade livre, justa e solidária. Que se construam o que o Município precisa para que se promova o seu desenvolvimento, mas não se afronte a cidadania das pessoas, para não gerar desigualdade social, para não ferir o direito adquirido, o direito a propriedade, preconizado pela CF, respeitando-se assim o direito à vida, não submetendo as pessoas a tratamento desumano.

A SAUDADE…

A foto acima publicada aqui no OABELHUDO é o registro do nosso último encontro, do meu encontro com Fabiano, quando fui conhecer de perto a brutalidade, o desrespeito que praticaram essas “autoridades” nos açudes da Fabiano e Severino. Esse encontro se deu às margens dos açudes cavados em terras da família, ainda construídos pelo seu esforço de seus pais, Ernesto Maria Pacífica. As fotografias outras, são prova inconteste do crime que foi praticado nas terras da Fabiano, nos açudes de Severino.

Foi lá que vi Fabiano pela última vez. Foi lá que o vi chorar. Foi lá que o vi tristonho e cabisbaixo. Foi lá, nas terras da “Boa Esperança”, que o vi sem ESPERANÇA. O seu semblante, na foto, bem demonstra a tristeza que carregava em si, sem saber que da vida estava se despedindo.

Ao seu sepultamento compareci, eu vi a sua Cidade chora a sua morte. Vi a homenagem que os seus conterrâneos e conterrâneas lhes prestaram. Vi o choro incontido dos seus filhos e filhas, netos e netas, bisnetos e bisnetas. Vi o discurso emocionado de Severino seu irmão, que falou com o coração e alma, mesmo que partidos pela dor, pela saudade que ali se iniciara. Vi em dona Edite a mesma mulher forte que sempre foi, e que ao seu lado criou os filhos. Ouvi o badalar dos sinos da Matriz de Sanharó, mas o som que ecoava, se nos chegava, como o som da sua tuba, que tantas vezes sopradas na banda Santa Cecília, que presente lhe prestou uma justa homenagem.

Aceitei o desafio de defender os AÇUDES de Fabiano e Severino, com a mesma ênfase, com a mesma coragem, com o mesmo sentimento de Justiça, com os quais defendi aquela ÁRVORE, fincada na praça principal da sua Cidade.

De lá de cima, ao lado do Arquiteto do universo, tocando a sua tuba na banda celestial dos anjos, saiba Fabiano que lutarei pelo seu direito, agora direito de dona Edite e de seus filhos, também, do seu irmão Severino.

 

* De Pesqueira para Sanharó

Jurandir Carmelo