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SAÚDE E BEM ESTAR : Leite traz benefícios ao coração

O universo nutricional tende ao maniqueísmo. Enquanto alguns alimentos que antes tinham prestígio à mesa são mandados ao limbo em um zás-trás, outros desconhecidos são levados à fama em um piscar de olhos. Entre as inúmeras pesquisas que rendem as descobertas responsáveis por esses discursos influenciáveis, algumas se dedicam exclusivamente a ingredientes que estão ali, fazendo parte do nosso dia a dia, e de uma hora para a outra causam surpresa. É o caso do leite, que recentemente foi eleito o novo queridinho da cardiologia, tendo o seu consumo associado a benefícios para o coração – indo além do rótulo e bebida fundamental para a saúde dos ossos.

GORDURA e enzima presentes na bebida podem contribuir no combate à hipertensão.(Foto/montagem André Nery)

A pesquisa que aponta essa, digamos que, vocação, é da Escola Pública de Saúde de Harvard, em Boston, nos EUA, que analisou dados de quatro mil voluntários e constatou que as pessoas com maior concentração de ácido linoleico conjugado (CLA) no corpo tiveram 36% menos risco de infarto do que os com menor concentração. Tal substância está presente na gordura saturada do leite integral (que por muito tempo foi vilã), e, além de proteger o coração, também está relacionada à perda de peso.

O médico cardiologista Eduar­do Lapa reconhece as propriedades benéficas da bebida para o sistema cardiovascular, mas faz ressalvas em relação à quantidade de gorduras saturadas e calorias presentes nela. “Tão importante quanto fazer o consumo é estar atento aos limites diários recomendados pelas sociedades internacionais, que não devem ser ultrapassados”, explica o profissional que faz parte da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Segundo ele, apenas o nutricionista é o profissional adequado para orientar uma dieta específica para o paciente, tendo em vista a variação de peso e rotina alimentar.

O outro lado do cálcio

Além do CLA, presente na gordura do leite, outras duas substâncias também entram no jogo na hora de equilibrar a pressão arterial. Uma delas é um peptídeo, pedaço da proteína do leite, que consegue anular a ação de uma enzima que provoca o estreitamento dos vasos sanguíneos – que desencadeia a hipertensão. “Salvas do aperto, as artérias se dilatam e liberam a circulação”, aponta o nutrólogo Edson Credídio, autor do livro “Leite, o Elixir da Vida” (Ottoni, 2008). Já o cálcio, também presente na bebida, leva a uma queda na incidência de hipertensão e diabete tipo 2, uma vez que contribui com a vasodilatação, melhora o aproveitamento da glicose e favorece o equilíbrio do peso corporal. Motivos não faltam para acreditar que o leite é mesmo um amigo do peito.

*Fonte : FolhaPE/Sabores-Bem Estar.(Eduardo Sena)

ELEIÇÃO 2012 : SAI MAIS UMA PESQUISA DO IPMN** PARA PREFEITO DO RECIFE. *

eleições

Nova pesquisa JC/IPMN aponta

Geraldo Julio com o dobro de

intenção de votos

 

 

O candidato a prefeito do Recife pelo PSB, Geraldo Julio, atingiu o patamar de 14,4% na nova pesquisa de intenção de votos estimulada – quando são mencionados os nomes dos postulantes – feita pelo Jornal do Comércio em parceria com o IPMN –  Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau e divulgada na tarde desta quinta-feira (9). Com isso, o socialista mais do que dobrou o percentual de 6,8% registrado na última sondagem, publicada no dia 12 de julho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar do salto, Geraldo continua no terceiro lugar do ranking, atrás de Humberto Costa (PT) – 32,5% das intenções – e de Mendonça Filho (DEM) – 17%. Em quarto lugar, figura Daniel Coelho (PSDB) com 5,5%, seguido por Esteves Jacinto (PRTB) – 1,1% -, Edna Costa (PPL) – 0,8% -, Roberto Numeriano (PCB) – 0,2% – e Jair Pedro (PSTU) – 0,1%. Declararam voto em branco ou nulo 19,2% dos entrevistados e não souberam ou não responderam às perguntas 9,3%.

Este é o segundo levantamento feito desde que as candidaturas foram fechadas. Em relação ao anterior, apenas Geraldo pontuou acima da margem de erro. Humberto caiu três pontos percentuais, já que na sondagem passada tinha 35,5% das intenções. O mesmo caso é o de Mendonça, que desceu de 20,7% para 17%. Daniel ficou praticamente estável, passando de 5,6% para 5,5%.

Na pesquisa espontânea – quando não são ditos os nomes dos candidatos – Humberto também lidera com 22,5% das intenções. Geraldo também apresenta um empate técnico, dentro da margem de erro, com Mendonça. O socialista apresentou 12% e o democrata 11,2%. Daniel aparece novamente em quarto lugar, com 4,3%. Juntos, os outros postulantes marcaram 3,1%. Confirmaram voto branco ou nulo 20,3% dos entrevistados e não souberem ou não responderam 26,6%.

Foram entrevistadas 1.080 pessoas, com idade a partir de 16 anos, entre os dias 6 e 7 deste mês. A avaliação está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o número 00060/2012.

Veja pesquisa anterior do IPMN** (Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau), clicando no link abaixo.

http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2012/07/12/com_candidaturas_fechadas_humberto_lidera_pesquisa_de_intencao_de_voto_134244.php

* NE10

ELEIÇÃO 2012 : IBOPE – É PREOCUPANTE O DESINTERESSE DA POPULAÇÃO COM O PLEITO DE 7 DE OUTUBRO.*

Pesquisa Ibope aponta desinteresse

popular na eleição municipal

 

 

Campanha política está no ponto inercial…Pouco ou quase nenhum interesse,

 

No Rio, índice é de 56%. Em SP, Recife, BH e Fortaleza, desinteresse vai de 57% a 65%

 

 

Os candidatos já estão em campanha nas ruas desde julho, mas ainda não empolgaram os eleitores. Dados do Ibope divulgados na última semana mostram que, em seis capitais pesquisadas, mais da metade das pessoas aptas a votar tem pouco ou nenhum interesse nas eleições deste ano. Salvador tem o maior índice de desinteresse. Por lá, 69% dos entrevistados disseram não se importar ou se importar pouco com o pleito deste ano. No Rio, este índice é de 56%. Em São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Fortaleza, o desinteresse vai de 57% a 65%.

Segundo o professor Marcus Figueiredo, pesquisador Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, um dos motivos para o pouco interesse até o momento é que eleições municipais têm menos mídia que as de governador e presidente, por exemplo. Outro fator é o horário eleitoral na TV, que só começará em 21 de agosto.
— Ainda é um momento inercial em que a maioria dos eleitores acha que há tempo para decidir. A legislação eleitoral no país inteiro proibiu propagandas extensivas, como outdoor. Agora, só tem uma plaquinha aqui e outra ali. Então, não há uma mobilização. Isso só vai ocorrer a partir do horário eleitoral na TV. Aí sim os cabos eleitorais estarão em maior quantidade, os candidatos vão estar na rua muito mais intensamente — explicou Figueiredo.

Na capital fluminense, 64% das pessoas com renda familiar entre um e dois salários mínimos disseram não se importar ou se importar pouco com o pleito. A pesquisa foi registrada no TRE-RJ, sob o protocolo 00031/2012. Foram ouvidos 805 eleitores. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

* Fonte: O Globo

CARUARU : DISPUTA EM QUEIROZ E MIRIAM ESTÁ EMPATADA.

CARUARU

Disputa entre Queiroz e

Miriam está empatada

 

 

 

Faltando sete meses para as eleições, o cenário da sucessão municipal em Caruaru, maior colégio eleitoral do Interior, aponta para uma disputa acirrada entre o prefeito José Queiroz (PDT), que tentará a reeleição, e a ex-deputada Miriam Lacerda (DEM). Pesquisa do Instituto Opinião, contratada exclusivamente pelo Blog do Magno, mostra um empate técnico entre os dois postulantes. Queiroz aparece com 35% e Miriam 34,1%. A margem de erro é 4%.

O candidato do PSDB, Diogo Cantarelli, recebeu 3,8% das indicações; Rivaldo Soares (PMDB) 3,2%; Licius Cavalcanti (PCdoB) 1,2%; Fábio do PSOL, 0,3%; e Marcelo Rodrigues (PV), 0,3%. Brancos e nulos somam 9,3% e os indecisos estão na faixa dos 12,8%. Foram aplicados 601 questionários na cidade de Caruaru e nas comunidades rurais de Cachoeira Seca, Juá, Lajes, Murici, Rafael e Terra Vermelha, entre os dias 31 de março e 1º de abril. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo de número PE-00011/2012.

Na pesquisa espontânea, modelo pelo qual o entrevistado é forçado a lembrar do nome do candidato sem o auxílio do cartão, o prefeito lidera com 22,6% contra 14,3% de Miriam. Foram citados, ainda, Tony Gel (DEM) por 2,5% dos entrevistados e mais os seguintes nomes: Rivaldo Soares com 1%; Diogo Cantarelli, 0,7%; Licius Cavalcanti, 0,5%; Raquel Lyra (PSB), 0,3%; João Lyra (PDT), 0,2%; Marcelo Rodrigues, 0,2%; e Romildo Arruda 0,2%. Nesta modalidade, os indecisos sobem para 52%.

Entre os entrevistados, José Queiroz aparece melhor situado entre os eleitores do sexo masculino (36,5% contra 33,8% de Miriam), na faixa etária acima de 60 anos (41,9% a 32,7%), entre os que têm curso médio (37% a 31%), nos que cursam ensino superior (47,6% a 25,4%) e, por fim, entre os que ganham entre três a cinco salários mínimos. A amostra também aponta que 44,4% dos caruaruenses desaprovam a gestão e 43,8% aprovam.

Já Miriam aparece melhor situada entre os jovens (40,4% contra 34,5% de Queiroz), entre os eleitores com grau de instrução até a quarta série (40% a 29,3%), da quinta série a oitava série (38,8% a 31%) e entre os que ganham até um salário mínimo (39,5% a 25,3%).

Fonte: FolhaPE

BRASIL : CRESCE AINDA MAIS A POPULARIDADE DA PRESIDENTE DILMA. (*)

CNI/Ibope: popularidade de Dilma

cresce para 77%; avaliação do

governo fica estável

 

 

Cerimônia de lançamento do Plano Brasil Maior.(foto Wilson Dias Ag.br)

É O PERCENTUAL MAIS ALTO DESDE QUE A

PRESIDENTE ASSUMIU, NO ANO PASSADO,

E SUPERIOR AOS ALCANÇADOS PELOS

EX-PRESIDENTES LULA (34%) E FHC (41%)

EM IGUAL PERÍODO DE SEUS GOVERNOS

 

A popularidade da presidenta Dilma Rousseff aumentou cinco pontos percentuais, passando de 72%, em dezembro de 2011, para 77%, em março de 2012. Os dados fazem parte da pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, divulgada hoje (4).

O percentual de pessoas que confiam em Dilma subiu de 68% para 72%, no mesmo período. Já a parcela da população que considera o governo ótimo ou bom manteve-se estável em 56%.

As áreas mais mal avaliadas foram: impostos (65% desaprovam), saúde (63%) e segurança pública (61%). Já as mais bem avaliadas foram: combate à fome e à pobreza (aprovada por 59%), meio ambiente (53%), combate ao desemprego (53%).

Além disso, 60% dos entrevistados consideram o governo Dilma igual o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A pesquisa da CNI/Ibope ouviu 2002 pessoas em 142 municípios entre os dias 16 a 19 de março. A margem de erro é 2 pontos percentuais.

 

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

BRASIL : QUASE 400 ELEITOS EM 2008 FORAM CASSADOS, Segundo Pesquisa.

Pesquisa mostra que 383 prefeitos

eleitos em 2008 perderam mandatos

 

 

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revela que, dos 5.563 prefeitos eleitos em 2008, 383 não estão mais no exercício do mandato. Destes, 210 foram cassados, 48 deles por supostas infrações à legislação eleitoral. O segundo principal motivo para a troca de prefeito é a morte, o que ocorreu em 56 municípios do país. Oito foram assassinados ou se suicidaram.

O levantamento da CNM quantifica o número de prefeitos afastados e os respectivos motivos, com registros que vão da troca por acordo partidário até os decorrentes de falecimento. A pesquisa foi realizada em duas etapas: num primeiro momento, foram cruzados os dados do Tribunal Superior Eleitoral, das federações regionais de municípios e da própria CNM, com o objetivo de detectar onde houve mudança de prefeito desde 2009. Na etapa posterior, os municípios foram contatados individualmente pelos pesquisadores com o objetivo de esclarecer os motivos.

Cassações

 

As cassações por infração à lei eleitoral representaram 22,8% dos casos de afastamento dos prefeitos; os atos de improbidade administrativa, 36,6%; os demais casos de cassação, 39%.

Quanto aos crimes eleitorais, os casos mais comuns detectados pela Justiça eleitoral foram: tentativa de compra de voto, uso de materiais e serviços custeados pelo governo na campanha (conduta vedada) e irregularidade na propaganda eleitoral.

Além disso, 4,76% dos prefeitos deixaram seus cargos em função de crime de responsabilidade; 17,62% por infração político-administrativa; e 2,86% por crime comum.

Fonte: CNM/Jornal do Brasil
Brasília

MEMÓRIA : BREVE HISTÓRIA DA COCA COLA 2 – Por Letícia Cavalcanti. (*)

 

Uma breve história da Coca-Cola (2ª parte)

 

(Embalagem Família de 1899)

 

 

A Coca-Cola, vimos no primeiro artigo, nasceu como xarope. E logo foi vendida, por não acreditar muito seu inventor no sucesso da bebida. A Griggs Candler, seu comprador, coube aperfeiçoar a fórmula.

Cancelou a cocaína, reduziu a cafeína, substituiu ácido cítrico por ácido fosfórico, acrescentou glicerina e um saborizante à base de óleo de lima. Assim nasceu a fórmula conhecida, até hoje, como “Merchandise 7x”.

Um segredo guardado a sete chaves, em cofre do Trust Co. Bank (Atlanta), que só pode ser aberto com autorização de todos os diretores da empresa. E apenas dois executivos de produção (sem identidade revelada) têm acesso, cada um, a metade da tal fórmula.

Tão grande é esse zelo que a Coca-Cola preferiu abandonar um país como a Índia, que, muito em breve, será o mais populoso do mundo, a ter que cumprir ordem governamental de revelar a fórmula. O produto era, nesse início, oferecido em garrafinhas de 185ml, concebidas por Joseph Biedenharn. Bem diferentes, ainda, daquelas que viriam a ser definitivas, com 200ml, verdes (no Brasil são brancas), em estilo art nouveau – criadas, em 1915, por Earl Dean.

Segundo o próprio artista, inspirada nas curvas do corpo da mulher, escondidas nas saias pregueadas que vestiam na época. Não por acaso essa embalagem recebeu o nome de Mae West, símbolo sexual da América de então. Deu certo. Sucesso de marketing e de vendas. Candler ganhou milhões de dólares, foi eleito prefeito de Atlanta e entregou o negócio ao filho Howard – que em 1923, por 25 milhões de dólares, vendeu a “Coca-cola Company” a Ernest Woodruff. Lo­go depois, o velho Candler teve um derrame cerebral e acabou morrendo. Muito triste e muito rico.

Para Woodruff, feliz adquirente do negócio, “Coca-Cola era o sonho americano numa garrafa”. Sua estratégia de venda passou a ser “um cartaz em cada esquina, e garrafas de Coca em todos os estabelecimentos”. Para conquistar o público infanto-juvenil, em 1931, contratou o publicitário sueco Haddon Sundblom.

Assim nasceu, como conhecemos hoje, a figura de Papai Noel. Desde 1881, por conta dos desenhos de Thomas Nast na Harper’s Weeklys, o bom velhinho era magro e se vestia de azul, amarelo, verde e vermelho. Acabou gordinho (como a garrafa) e vestindo as mesmas cores do rótulo (vermelho e branco). Até hoje. Sundblom também sugeriu que fossem criados slogans próprios, em cada país. Intelectuais locais eram então escolhidos, para criar esses slogans.

Em Portugal, por exemplo, foi contratado Fernando Pessoa – daí nascendo, em 1928, o slogan “Primeiro estranha-se. Depois entranha-se”. Um desastre completo; que o Ministério da Saúde proibiu a venda do produto, por considerar ser uma descrição das sensações que ocorrem com os alucinógenos. E Salazar mandou jogar todas aquelas garrafas importadas no Tejo. E a Coca-Cola voltaria a Portugal só depois da Revolução dos Cravos (25 de Abril de 1974).

Receita

 

Frango na Coca-Cola

PRATO – principal |  Temperatura – quente
Ingredientes
: 800g de frango em pedaços (coxa e sobrecoxa), 1 pacote de sopa tipo creme de queijo, 1 garrafa pequena de Coca-Cola, manteiga a gosto

Preparo: Tempere o frango a gosto. Passe manteiga no frango e envolva cada pedaço com o creme de queijo. Coloque em assadeira untada de manteiga e regue com Coca-Cola. Leve ao forno, coberto com papel-alumínio, por aproximadamente 40 minutos. Retire o papel e deixe dourar.

(*) Letícia Cavalcanti. Colunista

Escreve aos sábados no Caderno Sabores da FolhaPE.

(Foto: Google)

ARTIGO ; UMA VERDADEIRA ESTÓRIA DE AMOR… – Por Gustavo Maranhão (*).

Cartas de Florença – Uma estória de amor

 

Florença. Um Museu a céu aberto. O rio Arno corta a linda e histórica cidade italiana.

 

 

Florença é uma cidade que preserva a sua história e as suas lendas. Uma das mais bonitas é a de Ginevra degli Almieri, preservada há mais de seis séculos. Conta-se que a belíssima Ginevra, nascida em 1378, aos 18 anos havia se transformado numa mulher que, além dos seus dotes físicos, possuía um temperamento admirável. Filha de um rico comerciante, logo apropriada para um bom casamento pelos padrões de escolha da época, ela no entanto apaixonou-se pelo jovem Antonio Rondinelli, no que era correspondida. Mas Rondinelli, além de ser de origem humilde, não atendia aos interesses negociais do pai dela, Bernardo, que decidiu dar-lhe em matrimônio a Francesco Agolanti, um homem com quem mantinha grandes negócios e bem mais velho que a filha. Apesar das súplicas da filha, o casamento aconteceu.

Começou, então, uma vida melancólica e triste. Durante quatro anos, Ginevra sofreu o abandono por parte do marido, que só se interessava pelos negócios. Longe do seu amor, ela já nem sequer se alimentava. Uma manhã, em 1400, a esposa de Francesco foi encontrada morta com os olhos fechados, e uma fisionomia serena, que mais parecia estar dormindo.

Vestiram-na de branco, com todas as suas jóias, e foi levada ao cemitério de Santa Reparata, vizinho ao Campanile di Giotto, numa urna funerária fechada. Logo no dia seguinte a enterraram na tumba dos Almieri. Para sua sorte, dois funcionários de seu marido que sabiam ter aquele caixão as jóias com a defunta, à noite foram roubá-las. Após o serviço feito, depois de remover a pedra que cobria a tumba, fugiram deixando-a aberta.

Naquela noite, chovia a cântaros em Florença. Ginevra acordou-se de sua catalepsia e viu que estava no cemitério. Embora quase sem forças, levantou-se e dirigiu-se à casa do marido, na Piazza del Giglio, a apenas cerca de 150 metros dali. Bateu a porta. O velho Agolanti, seu marido, acordou com o barulho, abriu a janela e viu aquele fantasma na noite chuvosa. Amedrontado, fechou a janela e disse aos empregados que não atendessem a porta.

Apavorada, a moça ressuscitada correu para a casa de seus pais, mas sua mãe, ao vê-la, pensou o mesmo e a refutou. Desesperada, rejeitada pelos parentes, quase desfalecida, foi para a casa do seu amado, que ao vê-la abriu a porta, lhe agasalhou e lhe acolheu.

Na manhã seguinte, quando ela acordou daquele pesadelo real, Rondinelli lhe perguntou se queria voltar para a casa do marido ou dos pais. Ginevra então respondeu que doravante, se ele quisesse, ela moraria com ele. E assim o fizeram.

Poucos dias depois, seu marido, ao saber que ela estava viva e morando com a sua antiga paixão, denunciou-a de adultério ao Tribunal Eclesiástico. Ao analisar os fatos, o Tribunal decidiu: “Como os mesmos no matrimônio assumiram viver juntos até que a morte os separasse, e que segundo o atestado de óbito ela havia ressuscitado, ela era livre para esposar o seu amado”.

A primeira publicação do caso, que corre de boca em boca em toda Florença, é de 1510. Alguns estudiosos entendem que se trata de um fato ocorrido, enriquecido ao longo dos séculos.

Seja qual for a parte verdadeira, é uma bela estória de amor que só enaltece Florença.

(*) Gustavo Maranhão. Empresário do Setor Sucroalcooleiro, também atua em Projetos Culturais, escreve às sextas-feiras.Publicado na FolhaPE.

LITERATURA ; LIVRO – “Tudo Sobre Cinema”.(*)

 

Breve história do cinema

 

Em quase 600 páginas e 1.100 ilustrações, livro do inglês Philip Kemp refaz a trajetória da sétima arte

                                                                                                     

Quase 600 páginas, 1.100 ilustrações. O volume da Editora Sextante, Tudo Sobre Cinema, é o guia dos sonhos do cinéfilo não necessariamente ligado em teoria. Tudo o que você queria saber sobre o cinema e os grandes filmes – os grandes autores – em uma linguagem clara, acessível. Os filmes e movimentos dissecados e contextualizados. Na abertura, o próprio autor, Philip Kemp, retrata histórias e lembra que o 28 de dezembro de 1895 é universalmente aceito como o dia em que o cinema foi inventado.

Neste dia ocorreu a primeira sessão do cinematógrafo, criado pelos irmãos Louis e Pierre Lumière. Eles próprios não punham muita fé no futuro de sua invenção, mas, em 1914 – menos de 20 anos depois, um nada em termos de história da pintura ou da literatura –, o cinema já era um meio massivo que tornara internacionalmente conhecido um comediante chamado Charles Chaplin, com seu personagem Carlitos, que ele ainda ia aperfeiçoando.

Numa entrevista por telefone, de Londres, Philip Kemp – crítico e historiador, autor de livros como Inocência Letal, O Cinema de Alexander Mackendrick – assume que teve importantes colaboradores, principalmente nas pesquisas para Tudo Sobre Cinema. Mas se assume como autor e, quando o repórter lhe diz que o livro tem duplo crédito – o outro autor seria Chistopher Frayling –, Kemp diz que o historiador lhe forneceu importantes subsídios para estabelecer a linha cronológica do cinema (também escreveu o prefácio), mas isso não lhe fornece o crédito de coautoria.

Justamente a linha cronológica. O cinema, de todas as artes, é a única que tem uma cronologia que veio sendo seguida ao longo dos últimos 116 anos, desde aquela pioneira primeira sessão, em Paris. “O que fizemos foi incrementar essa linha cronológica”, Kemp agora fala no plural, honrando seus colaboradores. “O cinema é resultado de contribuições individuais e coletivas. Surgiu no bojo do desenvolvimento tecnológico e científico, quando se acreditava, os socialistas utópicos, que uma nova era estava surgindo para a humanidade. Para eles, de posse da técnica, os homens poderiam acabar com as desigualdades sociais e instalar a felicidade. Não foi bem assim, ou só se foi a felicidade que se pode ter assistindo a um filme.”

É um meio democrático – “Nasceu da mente de cientistas, mas se desenvolveu em feiras populares“, lembra Kemp, para quem, desde logo se estabeleceu uma dicotomia. “Logo após a 1.ª Guerra, a Europa perdeu a hegemonia da produção de filmes, que passou para os EUA. Os norte-americanos logo perceberam o potencial econômico do cinema, cavando um abismo. Os produtores sempre quiseram maximizar os ingressos e os benefícios, os diretores, pelo contrário, queriam avançar as pesquisas de linguagem. Arte e indústria têm estado em litígio, desde então.”

O repórter aproveita para destacar a importância da terceira via, que Selton Mello estabeleceu no cinema brasileiro graças ao sucesso de O Palhaço. Kemp, como crítico, acredita na terceira via, mas ele não discrimina a grande indústria, os chamados blockbuster. “O cinema de um autor como Stanley Kubrick necessitava de grandes recursos e o que dizer hoje de Christopher Nolan? A Origem é um dos filmes mais complexos e criativos já feitos. O Batman de Nolan é um personagem dos mais ricos. Como negar vida inteligente ao cinemão?”

O livro divide-se em seis partes que mapeiam a linha evolutiva e cronológica do cinema. Elas incluem os grandes movimentos – expressionismo, neorrealismo, nouvelle vague – e os grandes autores. D.W. Griffith, Sergei Eisenstein, Orson Welles, Jean-Luc Godard. Cinema nórdico, oriental, as revoluções tecnológicas dos anos 1850 e 60, a nova era digital consolidada nos anos 2000. Tudo, e com muitas fotos que reproduzem as cenas famosas do cinema e situam os diretores.

Eisenstein. “Não é um livro de teoria, porque a encomenda era contar uma história, mas não se pode deixar de formular alguns conceitos teóricos para entender a montagem de Eisenstein, o uso da profundidade de campo de Welles“, esclarece Kemp. Da mesma forma, ele admite que gostaria de ter enumerado mais filmes. “Mas aí teríamos de ter mil páginas e o custo seria muito maior.” Existem filmes que não podem faltar. A Viagem à Lua de Georges Méliès; O Nascimento de Uma Nação, de Griffith; O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene; Potemkin, de Eisenstein; Aurora, de Murnau; Cidadão Kane, de Welles; Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini; Acossado, de Godard, etc. “São filmes que fizeram avançar a linguagem e estabeleceram nossa relação com o cinema”, avalia.

O cinema brasileiro se insere no latino-americano. Dois títulos ganham destaque – Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Central do Brasil, de Walter Salles. E Cidade de Deus, que virou o emblema do cinema brasileiro no exterior, nos anos 2000. “Se tivéssemos mais espaço, poderia ter entrado. Dentro da disponibilidade, o critério não é só de importância histórica, mas também tem a ver com minhas preferências, o cinema em que acredito.” E qual é o melhor filme que Kemp viu recentemente? Ele não vacila – “Uma Separação, de Asghar Farhadi. Pode-se entender o Irã só a partir desse filme“. Vencedor do Urso de Ouro em Berlim, no ano passado, Uma Separação estreia no Brasil nas próximas semanas.

(*) Luiz Carlos Mertem, de O Estado de S. Paulo

MISCIGENAÇÃO : PRETOS E PARDOS SÃO A MAIORIA DOS BRASILEIROS.

Pretos e pardos são maioria em 56,8%

dos municípios, mostra estudo

 

 

O número de municípios onde os domicílios tinham maioria de pretos e pardos aumentou 7,6 pontos percentuais, entre 2000 e 2010, ao passar de 49,2% para 56,8%. A constatação faz parte do Mapa da População Preta & Parda no Brasil segundo os Indicadores do Censo de 2010, divulgado hoje (14).

Em 1.021 cidades (18,3% do total), pretos e pardos eram mais de 75% da população. O estudo foi elaborado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O percentual de pessoas que se declararam pretas passou de 6,2% para 7,6% em uma década. O aumento foi maior entre as que se declararam pardas, de 38,5% para 43,1% no mesmo período. Em 2010, aproximadamente 91 milhões de pessoas se classificaram como brancas, 15 milhões como pretas, 82 milhões como pardas, 2 milhões como amarelas e 817 mil como indígenas.

O coordenador da pesquisa, Marcelo Paixão, acredita que os indicadores com base no Censo 2010 foram influenciados pelo processo de valorização da presença afrodescendente na sociedade brasileira e pela adoção das políticas afirmativas.

“Esses dados demonstram não só uma mudança demográfica, mas também política, social e cultural, porque expressa uma nova forma de visibilidade da população negra brasileira ao estimular que as pessoas assumam sua cor de pele de uma maneira mais aberta.”

O censo, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cada dez anos, introduziu, em 2010, a pergunta sobre cor ou raça para todos os domicílios e não mais por amostra, como era feito anteriormente.

Segundo Marcelo Paixão, a comparação dessa informação com dados futuros do IBGE, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do ano que vem e o Censo de 2020, será muito útil para traçar um perfil mais fiel da população.

“O interessante para 2020 é verificar se esse percentual da população preta e parda no Brasil vai continuar aumentando. Porque é claro que tem também uma população que não é negra. O ideal é que as bases de dados expressem melhor o perfil da população brasileira, que corresponda à realidade”, disse o economista.

De acordo com o levantamento de 2010, São Paulo é a cidade com maior número de pretos e pardos em todo o país, com cerca de 4,2 milhões, seguido do Rio de Janeiro (cerca de 3 milhões) e Salvador (cerca de 2,7 milhões).

Se forem considerados apenas negros, Salvador lidera o ranking com 743,7 mil, seguida de São Paulo (736 mil) e do Rio (724 mil).

No Norte e no Nordeste, respectivamente, 97,1% e 96,1% dos municípios eram formados por maioria preta e parda. No Centro-Oeste, esse percentual chegava a 75,5%, no Sudeste, a 37,1% e, no Sul, a apenas 2,3%.

Cunhataí, em Santa Catarina, é a única cidade brasileira sem a presença de pessoas que se declararam pretas.

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil