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POEMA : O DESESPERO DA PIEDADE… – Por Vinicius de Moraes.*

HOMENAGEM A VINICIUS DE MORAES 

 

Vinicius de Moraes – O Poetinha.


Meu senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos…
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quando enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.

Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina.

Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.

Tende imensa piedade dos músicos dos cafés e casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.

Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.

Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Que em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão…

Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas que são humildes nas suas carícias Mas tende mais piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!

Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Que lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.

Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tende mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.

Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.

E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tende piedade das mulheres Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!…

Leia a íntegra do poema:

http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/86585/

(A DIFÍCIL CONVIVÊNCIA) – A POESIA DE SEBASTIÃO GOMES FERNANDES.*

A difícil convivência!

 

“Os casais alcançariam à paz que tanto sonharam / A família poderia alcançar maior estabilidade /O lar abençoado e mais acolhedor!”

 

A vida foi concebida

Para ser vivida em harmonia e fraternidade.

Mas nós, homens e mulheres,

Deixamos passar tamanha oportunidade.

Caímos então no ostracismo e no desvario!

 

E aí nos fechamos diante dos problemas,

Enchemo-nos de medo.

Deixamos de enfrentá-los

Com a devida força e determinação.

 

É o ser humano criativo.

Com vontade e determinação,

Em favor de si mesmo… Melhoraria,

Passaria a viver em função do bem,

E estaria contribuindo para melhorar o mundo!

 

A vida ficaria mais aprazível, mais dinâmica.

As diferenças seriam dirimidas ou atenuadas!

O mundo (Planeta Terra) teria mais brilho, mais harmonia.

 

A convivência tornar-se-ia mais afetiva e harmônica!

Homens e mulheres poderiam

Melhorar sua qualidade de vida!

Os casais alcançariam à paz que tanto sonharam,

A família poderia alcançar maior estabilidade.

O lar abençoado e mais acolhedor!…

As flores que encantam e perfumam os espíritos,

Também os alimenta e favorece o seu crescimento…

Abrindo-lhe as portas para ingresso a caminho da paz,

A caminho do nirvana!

 

Os desafios continuam,

É cogente buscar motivos para tornar a convivência

Mais parceira e mais humana.

Solucionados tais desafios,

Será possível um bom relacionamento,

E aí a vida passaria a ser um mar de rosas

A perfumar e embelezar o cotidiano!

Cabe sim a cada um assumir seu papel!

Não deixar que picuinhas venham intervir

Em seus relacionamentos!

 

Veja que para se chegar a um estado de paz,

Muito tem que se fazer para de fato conquistá-la!

Muita compreensão, muita disponibilidade e muito amor!

Amor este,

O maior desafio!

Pois não deve ser molestado, desvirtuado!

Se soubermos fazer bom uso deste sentimento,

Estaremos construindo uma boa convivência.

Como a primavera,

Responsável por fazer o mundo

E a nossa vida mais florida!

Mais alegre e feliz!

 

Se pudermos ser felizes, poderemos acabar,

Com a difícil convivência!…

Poderemos amar de verdade!

 

Pesqueira – Novembro de 2012.

 

*Autor: Sebastião Gomes Fernandes. Poeta, Escritor, Presidente d APLA  –  Academia Pesqueirense de Letras e Artes.

 

 

Homenagens : POESIA E CORDEL (Efemérides) – A disputa de Severino Milanês e Pinto do Monteiro.

Homenagem a dois eméritos

Poetas e Cordelistas,

colaboradores do blog:

João Roberto e Robson Aquino

Literatura de Cordel

Literatura popular, impressa em forma de versos, apresentada em pequenos folhetos que trazem histórias fantásticas saídas da imaginação dos seus criadores (“A Mãe que Xingou o Filho no Ventre e ele Nasceu com Chifre e com Rabo“) ou relatam tragédias (“As Enchentes no Brasil no Ano 74”), fatos históricos (“A Guerra de Canudos”) etc.

Os folhetos são livrinhos de 4 por 6 polegadas, impressos em papel barato e geralmente têm a capa ilustrada por uma xilogravura. Por muito tempo, esses folhetos foram a única fonte de informação e divertimento da população mais pobre do Nordeste e ainda hoje eles são encontrados em feiras-livres e mercados populares.

O termo Literatura de Cordel deve-se ao fato de que os folhetos ficavam expostos à venda pendurados num barbante (cordão, cordel). A origem do Folheto de Cordel, segundo Luís da Câmara Cascudo, deve-se à iniciativa dos cantadores de viola em imprimir e vender a sua poesia e à “adaptação à poesia das histórias em prosa que vieram de Portugal e da Espanha”. Em Portugal, o folheto era conhecido por “Literatura de Cego”, devido a uma lei promulgada por Dom João VI que limitava a sua venda à Irmandade do Menino Jesus dos Homens Cegos de Lisboa. O folheto em Portugal era escrito em forma de prosa. Ao chegar ao Brasil, passou a ser escrito em sextilhas de versos de sete sílabas. O primeiro brasileiro a publicar um romance de Cordel foi, provavelmente, Sílvio Pirauá (1848/1913), famoso cantador de viola paraibano. Os poetas populares do Nordeste dividem a Literatura de Cordel em dois tipos: Romance (ficção) e Folheto de Época (narrativa de fatos).

Os experts merecem ser lembrados. Esse poeta paraibano, Pinto do Monteiro, cantador de viola, tinha o pensamento de navalha, nunca perdia uma batalha de letras nem titubeava no improviso. Peleja travada na década de 1980, escrita pelo companheiro Severino Milanês.

Guerreiros de conhecimentos transformando provocações em poesia. | imagem e peleja: Revista Agulha

# Milanês estava cantando em Vitória de Santo Antão chegou Severino Pinto (Pinto do Monteiro) nessa mesma ocasião em casa de um marchante travaram uma discussão…(M= Milanês e P=Pinto)

 

M – Pinto, você veio aqui
se acabar no desespero
eu quero cortar-lhe a crista
desmantelar seu poleiro
aonde tem galo velho
pinto não canta em terreiro

P – mas comigo é diferente
eu sou um pinto graúdo
arranco esporão de galo
ele corre e fica mudo
deixa as galinhas sem dono
eu tomo conta de tudo

M – Para um pinto é bastante
um banho de água quente
um gavião na cabeça
uma raposa na frente
um maracajá atrás
não há pinto que aguente

P – Da raposa eu tiro o couro
de mim não se aproxima
o maracajá se esconde
o gavião desanima
do dono faço poleiro
durmo, canto e choco em cima.

M – Pinto, cantador de fora
aqui não terá partido
tem que ser obediente
cortês e bem resumido
ou me rende obediência
ou então é destruído

P – Meu passeio nesta terra
foi acabar sua fama
derrubar a sua casa
quebrar-lhe as varas da cama
deixar os cacos na rua
você dormindo na lama

M – Quando vier se confesse
deixe em casa uma quantia
encomende o ataúde
e avise a freguezia
que é para ouvir a sua
missa do sétimo dia

P – Ainda eu estando doente
com uma asa quebrada
o bico todo rombudo
e a titela pelada
aonde eu estiver cantando
você não toma chegada

M – O pinto que eu pegar
pélo logo e não prometo
vindo grande sai pequeno
chegando branco sai preto
sendo de aço eu envergo
sendo de ferro eu derreto

P – No dia que eu tenho raiva
o vento sente um cansaço
o dia perde a beleza
a lua perde o espaço
o sol se transforma em gelo
cai de pedaço em pedaço

M – No dia que dou um grito
estremece o ocidente
o globo fica parado
o fruto não dá semente
a terra foge do eixo
o sol deixa de ser quente

P – Eu sou um pinto de raça
o bico é como marreta
onde bate quebra osso
sai flepa que dá palheta
abre buraco na carne
que dá pra fazer gaveta

M – Eu pego um pinto de raça
e amolo uma faquinha
faço um trabalho com ele
depois pesponto com linha
ele vivendo cem anos
não vai perto de galinha

P – Milanês, você comigo
desaparece ligeiro
eu chego lá tiro raça
me aposso do poleiro
e você dorme no mato
sem poder vir no terreiro

M – Pinto, agora nós vamos
cantar em literatura
eu quero experimentá-lo
hoje aqui em toda altura
você pode ganhar esta
porém com grande amargura

P – pergunte o que tem vontade
não desespere da fé
do oceano, rio e golfo
estreito, lago ou maré
hoje você vai saber
pinto cantando quem é

M – Pinto, você me responda
de pensamento profundo
sem titubear na fala
num minuto ou num segundo
se leu me diga qual foi
a primeira invenção do mundo

P – Respondo porque conheço
vou dar-lhe minha notícia
foi o quadrante solar
pelo povo da Fenícia
os babilônios também
gozaram a mesma delícia

M – Como você respondeu-me
não merece disciplina
hoje aqui não há padrinho
que revogue a sua sina
se você souber me diga
quem inventou a vacina?

P – Não pense que com pergunta
enrasca a mim, Milanês
foi a vacina inventada
no ano noventa e seis
quem estuda bem conhece
que foi Jener Escocês

M – Sua resposta foi boa
de vocação verdadeira
mas queira Deus o colega
suba agora essa ladeira
me diga quem inventou
o relógio de algibeira?

P – No ano mil e quinhentos
Pedro Hélio com façanha
em Nuremberg inventou
essa obra tão estranha
cidade da Baviera
que pertence a Alemanha

M – Pinto, cantando não gosto
de amigo nem camarada
se conhece a história
Roma onde foi fundada?
o nome do fundador
e a data comemorada?

P – Em l7 e 53
antes de Cristo chegar
nas margens do Rio Tibre
isso eu posso lhe provar
Rômulo ali fundou Roma
a 15 milhas do mar

M – Pinto, eu na poesia
quero mostrar-lhe quem sou
relativo o avião
perguntando ainda vou
diga o primeiro balão
quem foi que inventou?

P – Em mil seiscentos e nove
Bartolomeu de Gusmão
no dia oito de agosto
fez o primeiro balão
hoje no mundo moderno
chama-se o mesmo avião

M – Pinto estou satisfeito
já de você eu não zombo
mas não pense que com isto
atira terra no lombo
disponha de Milanês
pra ver se ele aguenta o tombo

P – Milanês, você comigo
ou canta ou perde o valor
você me responda agora
seja de que  forma for
de quem foi a invenção
do primeiro barco a vapor?

M – Eu quero lhe explicar
digo não muito ruim
a 16 a 87
você não desmente a mim
o inventor desse barco
foi o sábio Diniz Papim

P – Em que ano inaugurou-se
da Europa ao Brasil
a linha pra esse barco
a vapor e mercantil?
Se não souber dê o fora
vá soprar em um funil

M – Foi um navio inglês
que levantou a bandeira
em 18 a 51
veio a terra brasileira
sendo a nove de janeiro
fez a viagem primeira

P – E qual foi a 1ª guerra
feita a barco a vapor?
Você ou diz ou apanha
da surra muda de cor
quebra a viola e deserta
nunca mais é cantador

M – Em l8 e 65
a esquadra brasileira
dentro do Riachuelo
içou a sua bandeira
na guerra do Paraguai
foi a batalha primeira

P – Milanês, você comigo
ou canta muito ou emperra
não pode se defender
salta, pula, chora e berra
qual foi a primeira estrada
de ferro, na nossa terra?

M – Foi quando Pedro II
tinha aqui poderes mil
em 18 e 54
no dia trinta de abril
inaugurou-se em Mauá
a primeira do Brasil

P – Milanês, você é fraco
não aguenta o desafio
eu ainda estou zombando
porque estou de sangue frio
me diga quem inventou
o telégrafo sem fio?

M – Pinto, você não pense
que meu barco vai a pique
em mil seiscentos e oito
na cidade de Munique
Suemering inventou
este aparelho tão chique

P – Eu já vi que Milanês
não responde cousa à toa
se ainda quiser cantar
hoje um de nós desacoa
puxe por mim que vai ver
um pinto de raça boa

M – Pinto, o seu pensamento
pra todo lado manobra
mas eu não conheço medo
barulho pra mim não sobra
é fogo queimando fogo
é cobra engolindo cobra

P – Do pessoal do salão
levantou-se um cavalheiro
dizendo: quero que cantem
pelo seguinte roteiro
Milanês pergunta a Pinto
como passa sem dinheiro

M – Oh! Pinto, você precisa
dum palitó jaquetão
uma manta, um cinturão
uma calça, uma camisa
está de algibeira lisa
não encontra um cavalheiro
que forneça ao companheiro
pra fazer-lhe um beneficio
olhe aí o precipício
como compra sem dinheiro?

P – Eu recomendo a mulher
que compre na prestação
um palitó jaquetão
a camisa se tiver
quando o cobrador vier
ela esteja no terreiro
eu fico no fogareiro
pelo oitão vou furando
ele ali fica esperando
assim compro sem dinheiro

M – Você em uma cidade
precisa de refeição
porém não tem um tostão
que mate a necessidade
ali não há caridade
na casa do hoteleiro
só encontra desespero
fala e ninguém lhe atende
fiado ninguém lhe vende
como come sem dinheiro?

P – Eu levo um carrapato
guardado dentro do bolso
vou no hotel peço almoço
no fim boto ele no prato
faço logo um desacato
chamo o garçon ligeiro
ele me diz: cavalheiro
cale a boca, vá embora;
saio por ali a fora
assim como sem dinheiro

M – Você precisa casar
para ser pai de família
precisa roupa e mobília
cama para se deitar
você não pode comprar
cadeira nem petisqueiro
atoalhado estrangeiro
mesa para refeição
você não tem um tostão
como casa sem dinheiro?

P – Se a moça me amar, enfim
me tendo amor e firmeza
não especula riqueza
nem diz que eu sou ruim
ela ontem disse a mim:
eu quero é um cavalheiro
e você é o primeiro
para ser meu defensor
quero é gozar teu amor
e assim caso sem dinheiro

M – Você depois de casado
sua esposa cai doente
você não tem um parente
que lhe empreste 1 cruzado
ver seu anjo idolatrado
gemendo sem paradeiro
olhe aí o desespero
na porta do camarada
só ver pobreza e mais nada
como cura sem dinheiro?

P – Eu boto-a nos hospitais
do governo do estado
pra quem está necessitado
aquilo serve demais
as irmãs especiais
chamam logo o enfermeiro:
— Vamos com isto ligeiro
tratam com mais brevidade;
se interna na caridade
assim curo sem dinheiro

M – Oh! Pinto, camaradinha
você precisa ir à feira
para comprar macaxeira
arroz, batata e farinha
bacalhau, charque e sardinha
tomate, vinho e tempero
gás, açúcar e candeeiro
biscoito, chá, macarrão
bolacha, manteiga e pão
Como compra sem dinheiro?

P – Eu dou um jeito no pé
envergo um dedo da mão
um dali dá-me um pão
outro dá-me um café
à tarde vou à maré
espero ali o peixeiro
ele é hospitaleiro
humanitário e carola
dá-me um peixe por esmola
e assim como sem dinheiro

Com este verso do Pinto encheu de riso o salão houve uma recepção naquele nobre recinto ergueu-se um rapaz distinto com frase meiga e bela disse: mudem de tabela pra uma ideia mais grata:

“nem a polícia me empata de chorar na cova dela”.

 

P – Eu tive uma namorada
bonita igual Madalena
parecia uma verbena
pela manhã orvalhada
a morte tomou chegada
matou a minha donzela
quando sepultaram ela
quase a tristeza me mata
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela

M – Eu amei uma criatura
ela o coração me deu
na minha ausência morreu
eu sofri muita amargura
fui à sua sepultura
para abraçar-me com ela
ainda via a capela
toda bordada de prata
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela

P – Um dia um amigo meu,
disse com toda bravura
deixe de sua loucura
se esqueça de quem morreu
uma desapareceu
Procure outra donzela;
eu disse: igualmente aquela
não existe nesta data
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela

M- Desperto de madrugada
o sono desaparece
me levanto e faço prece
na cova de minha amada
volto pela mesma estrada
com o pensamento nela
quando eu não avisto ela
vou dormir dentro da mata
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela.

 

Caros apreciadores qualquer um que analisou nem Pinto do Monteiro saiu vaiado nem Severino Milanês apanhou.

Vamos esperar por outra que esta aqui terminou

– FIM –

# Severino Milanês da Silva, Juazeiro-CE,

02/10/1982

PESQUEIRA ; HOJE TEM INÍCIO A JORNADA LITERÁRIA 2012.*

JORNADA LITERÁRIA 2012

PORTAL DO SERTÃO

 

PESQUEIRA
Sede
Distrito de Mimoso

 

PESQUEIRA – Terra; da Graça; do Doce e da Renda e da CULTURA…

 

PESQUEIRA | Sede – HOMENAGEM A RONALDO CORREIA DE BRITO

 

 

PROGRAMAÇÃO DA JORNADA LITERÁRIA 2012

 

17 | quarta-feira

 

OFICINA: PEQUENOS CONTOS PARA PEQUENOS ESCRITORES COM RICARDO MELO

Escola Municipal Irmã Zélia – Avenida Ésio Araújo, s/n, Bairro Centro. (crianças) | 9h às 12h
OFICINA DE INICIAÇÃO À ESCRITA COM RAIMUNDO DE MORAES

Instituto Superior de Ensino em Pesqueira, Rua José Nepomuceno das Neves, 47, Bairro Centro. (adolescentes e jovens) | 9h às 12h
UM ESCRITOR NA MINHA ESCOLA – 9H ÀS 11H

Luzilá Gonçalves e Odete Andrada.

Mediação: Cida Pedrosa

PROGRAPE, Rua Cardeal Arcoverde, s/n, Bairro Centro | 9h às 11h
Flávio Magalhães, Jaciel Silva, José Denilson e Josessandro Andrade

Mediação: Jailson Lima

Escola Estadual Eliezer Araújo, Rua Glicério de Almeida Maciel, s/n, Bairro Centenário
Cícero Belmar e Miró. Mediação Romualdo Freitas

Instituto Superior de Ensino em Pesqueira, Rua José Nepomuceno das Neves, 47, Bairro Centro. (adolescentes e jovens)
PARADA PARA  LEITURA

José Andrade, Sebastião Fernandes, Socorro Oliveira e Zé Alberto.

Mediação: Aurilene Ferreira

Academia Pesqueirense de Letras e Artes, Praça Comendador José Didier, s/n (Praça da Rosa), Bairro Centro | 9h às 11h
OFICINA DE HAIKAI COM VALMIR JORDÃO

PROGRAPE, Rua Cardeal Arcoverde, s/n, Bairro Centro. (adolescentes e jovens) | 14h30 às 17h30
OFICINA DE ROTEIRO PARA QUADRINHOS COM JOÃO LIN

PROGRAPE, Rua Cardeal Arcoverde, s/n, Bairro Centro. (adolescentes e jovens) | 14h30 às 17h30
PARADA PARA LEITURA

Tradução em Libras

Histórias, causos, contos e lendas no romance com Cícero Belmar e Homero Fonseca.

Auditório do CICRE/Cine-Teatro, Shopping Rosa, Praça Comendador José Didier, s/n(Praça da Rosa), Bairro Centro | 14h30

CERIMÔNIA DE ABERTURA – DIREÇÃO DO SESC PERNAMBUCO E COORDENAÇÃO DE CULTURA

Tradução em Libras

A PROSA E O DRAMA – UM ENCONTRO DE RONALDO CORREIA DE BRITO COM MARCONDES LIMA E MÔNICA MELO

Mediação: Conrado Falbo

Auditório do CICRE/Cine-Teatro, Shopping Rosa, Praça Comendador José Didier, s/n(Praça da Rosa), Bairro Centro | 19h

CORAL VOZES DO SERTÃO UMA VIAGEM POR LUA CAMBARÁ, BAILE DO MENINO DEUS, ARLEQUIM E BANDEIRA DE SÃO JOÃO, REGÊNCIA EDUARDO ESPINHARA

Tradução em Libras

Auditório do CICRE/Cine-Teatro, Shopping Rosa, Praça Comendador José Didier, s/n(Praça da Rosa), Bairro Centro | 21h

18 | quinta-feira

OFICINA: PEQUENOS CONTOS PARA PEQUENOS ESCRITORES COM RICARDO MELO

Escola Municipal Irmã Zélia – Avenida Ésio Araújo, s/n, Bairro Centro. (crianças) | 9h às 12h
OFICINA DE INICIAÇÃO À ESCRITA COM RAIMUNDO DE MORAES

Instituto Superior de Ensino em Pesqueira, Rua José Nepomuceno das Neves, 47, Bairro Centro. (adolescentes e jovens) | 9h às 12h
UM ESCRITOR NA MINHA ESCOLA

Ícaro Tenório e Micheliny Verunschk

Mediação: Miro Carvalho

Instituto São Francisco – Rua Buarque Macedo, 30 – Centro | 9h às 11h
Alexandre Furtado, Fernando Farias e Miró

Mediação: Rita Marize

Universidade Aberta do Brasil (UAB), Avenida Ésio Araújo, 17, Bairro Centro
Chico Pedrosa e Gleison Nascimento

Mediação: Cida Pedrosa

Escola Estadual Eliseu Araújo, Rua Glissério de Almeida Maciel, s/n – Centenário
OFICINA DE HAIKAI COM VALMIR JORDÃO

PROGRAPE, Rua Cardeal Arcoverde, s/n (adolescentes e jovens) | 14h30 às 17h30
OFICINA DE ROTEIRO PARA QUADRINHOS COM JOÃO LIN

PROGRAPE, Rua Cardeal Arcoverde, s/n (adolescentes e jovens) | 14h30 às 17h30
PARADA PARA LEITURA

Tradução em Libras

LITERATURA DE CORDEL NAS ONDAS DA INTERNET COM JORGE FILÓ, MARIA ALICE AMORIM E SENNOR RAMOS

Academia Pesqueirense de Letras e Artes, Praça Comendador José Didier, s/n, (Praça da Rosa), Bairro Centro | 14h30
RECITAL COM OS POETAS ALTAIR LEAL, CLÉCIO RIMAS, GLEISON NASCIMENTO E THIAGO MARTINS

Auditório do CICRE/Cine-Teatro, Shopping Rosa, Praça Comendador José Didier, s/n, (Praça da Rosa), Bairro Centro | 16h
A POESIA QUE NOS UNE COM EVERARDO NORÕES E GERALDO HOLANDA CAVALCANTI

Tradução em Libras

Mediação: Alexandre Furtado

Auditório do CICRE/Cine-Teatro, Shopping Rosa, Praça Comendador José Didier, s/n(Praça da Rosa), Bairro Centro | 19h
APRESENTAÇÃO DO GRUPO EM CANTO E POESIA

Tradução em Libras

Praça de Eventos/ Shopping Rosa, Praça Comendador José Didier, s/n, (Praça da Rosa), Bairro Centro. (geral) | 21h

* Fonte : PORTAL DO SESC

A POESIA DE ROBSON – Oração Sertaneja : por Robson Maciel Aquino.

Oração Sertaneja

 

 

 

Luiz Gonzaga – Luar Do Sertão
Found at Luar Do Sertão on KOhit.net

 

 

 

Meu Jesus abra bem a sua oiça
Pois, de fraca, minha voz não vai além
Já gastei todo verbo no armazém
A pedir, implorar comprar fiado
Mas o dono me olha assustado
Como se fosse eu um malfeitor
Os meus calos nas mãos não têm valor
E a pele rachada não diz nada
Minha enxada, num canto encostada,
É o retrato de tudo que sobrou

 

Me valei, meu Jesus, peço clemência
Como dói ver a terra esturricada
Meus bichinhos tombando na estrada
Todos secos, de olhar triste… sombrio
Amontoam-se onde antes era um rio
A formar a mais triste escultura
Feita a ossos de puras criaturas
Que a morte não teve compaixão
E no solo rachado do sertão
Escreveu a cruel literatura

 

Não suporto, meu Deus, olhar meus filhos
Tão confusos ao que está acontecendo
Tudo envolta, aos poucos, tá morrendo
Sem deixar um bilhete, um só recado
O seu pai nunca mais foi ao mercado
Sua mãe se definha a cada dia
Onde antes reinava a alegria
Hoje é palco de dor e sofrimento
Alivia, meu Pai, esse tormento
Me acolhe na tua calmaria

 

Me livrai, oh meu todo Poderoso!
Da mais dura e cruel humilhação
Que é você estender a sua mão
Para um outro e pedir uma esmola
Isso dói; isso fere; isso degola
Joga ao chão a decência construída
Através do trabalho de uma vida
Pela fonte da honra batizado
Nunca deixe, oh Senhor, que o meu passado
Seja casca cobrindo essa ferida

Pinte o campo de verde, novamente
Me devolva o que a seca me tirou
Minhas vacas, meu boi reprodutor
As espigas todinhas do roçado
Enche o rio e refaça o seu traçado
Arrastando pra longe as más lembranças
Alimenta, meu Pai, minhas crianças
Que há tanto não sabem o que é comer
Traz de volta a mulher do meu viver
E com ela a mais pura esperança

 

Quero ouvir o meu galo cantador
Acordar a fazenda de manhã
Sabiá, bem-te-vi, curiatã
Em orquestra, saudar o novo dia
Um pão novo chegar da padaria
Uma mesa bem farta e colorida
Com toalha de brim toda florida
Alegrar a casinha de sapê
E a família inteirinha agradecer
Pelo verde, a fé; pela comida

 

Nunca mais, oh Senhor, deixe faltar
Uma gota de água na quartinha
Uma cuia e meia de farinha
Bem guardada num saco atrás da porta
Cebolinha e tomate, lá da horta
Rapadura, toicim, arroz, feijão
Uma sela no lombo do alazão
Uns teréns pr’eu guardar alguns trocados
No curral ver crescer forte meu gado
E em mim, minha fé em oração

 

Que meus joelhos, meu Pai, sempre se dobrem
A louvar pelas graças recebidas
Pela água que é a fonte dessa vida
E o verde que dela resplandece
E por tudo a gente agradece
Mas nos livra de ter que suplicar
De tremer, toda vez que se lembrar
O que a seca é capaz de produzir
Me abençoa, Senhor, tenho que ir
Não me falte a coragem de lutar!

 

 

Autor: Antonio Robson Maciel de Aquino

HOMENAGEM : HÁ 25 ANOS PARTIA O POETA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. *

17 de agosto de 1987 – CIAO!

Morre Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

“E agora José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou”. Carlos Drummond de Andrade

 

Carlos Drummond de Andrade, 84 anos, o maior poeta brasileiro de seu tempo, morreu de insuficiência respiratória. Sua morte não surpreendeu seus amigos mais íntimos, que o viram muito abatido depois da morte de sua filha, doze dias antes. O câncer ósseo levou Maria Julieta e tirou do poeta a vontade de viver.

 

Um homem desiludido com o mundo. Injustamente rigoroso no julgamento da obra que produziu. Sentia descrença e desilusão. Lamentava que as novas gerações não tivessem mais os estímulos intelectuais que havia até os anos 40, 50. “Os tempos estão ruins. É um fenômeno universal, uma espécie de deterioração dos conceitos e do sentimento estético. Em qualquer país do mundo é a mesma porcaria. É a massificação dos meios de comunicação, tudo ficou igual no mundo inteiro”.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 31 de outubro de 1902, na mineira cidadezinha de Itabira. Começou a carreira como colaborador do Diário de Minas e, em 1925, fundou A Revista, veículo modernista mineiro. Funcionário público, foi para o Rio em 1934, e tornou-se chefe de gabinete do ministro de Educação Gustavo Capanema. Autor de diversas obras de poesia e prosa, sua obra narra a trajetória de um homem, de uma geração e de um país. Um homem que saiu do interior para a cidade grande. Envolveu-se nos conflitos de seu tempo e se quedou metafísico e retirado diante das coisas do mundo que o aborreceram.

Seus versos transmitem a emoção que sentia no momento em que escrevia, momento que poderia ser um parodoxo do que havia escrito antes. Tratam de temas metafísicos a fatos jornalísticos. Ele foi diametralmente oposto e talvez complementar. O cronista e o poeta. Foi politicamente comprometido, mas nunca aderiu a um partido. Certos poemas são profundamente religiosos, mas não acreditava em Deus. Gostava de ser amado mas abominava a celebridade. Como jornalista, escreveu na Tribuna de Imprensa e durante 15 anos, de 2 de outubro de 1969 até 29 de setembro de 1984, todas as terças, quintas e sábados, foi cronista do Jornal do Brasil. Foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de 2 mil e 300 crônicas. Nos deixando entre outras lembranças um poema,rotativo do acontecimento…

“…E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é a sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Cede espaço aos mais novos e vai cultiva o seu jardim, pelo menos imaginário. Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo”.

O grande João Nogueira e excelente compositor Paulo César Pinheiro, desenharam essa pérola em sua homenagem…E Agora Drummond,

*Fonte: JB na História

Video/Youtube.

HOMENAGEM POÉTICA : TRIBUTO AO BOÊMIO/… Ao grande herói da madrugada/ Ao pássaro negro da alvorada… – Por Robson Maciel Aquino.*

 VIVA A BOEMIA !

 

 

"O boêmio que se preza / Não tem hora pra chegar..."

 

Tributo ao Boêmio

 

 

 

 

 

Abro as portas da minha poesia
Clamo aos deuses dos versos para entrar
A rainha da rima vou chamar
Dionísio confirmou sua vinda
Para essa homenagem justa e linda
Ao boêmio, o rei da alegria
Esse símbolo da nossa boemia
Hoje exemplo de pura raridade
Ergo um brinde à vossa majestade
 Com a taça que aos deuses eu serviria


 

Um galã pela arte da conquista 

Que namora o silêncio e a escuridão

Agarrado ao amigo violão

Tem no peito um porto de saudade

Onde ancoram mentiras e verdades

E se vão sonhos tão inacabados

Que seus versos entoam lagrimados

Essa busca incessante pela vida

São canções encharcadas em bebidas

São recursos em silêncio retomados

 

 

O boêmio é a cara do descuido 

Totalmente improvável e desatento

É capaz de sorrir de um lamento

E sofrer num instante de alegria

Não distingue o que é noite do que é dia

Usa os olhos dos outros pra chorar

E a voz do cantor para encantar

A morena que nunca lhe dá trela

Faz seresta em duas, três janelas

Mas nenhuma se abre pra escutar

 

Tem o dom do equilíbrio em corda bamba 

E a oratória etílica convincente

Jura ter o poder de um vidente

E se julga capaz de enfrentar

Qualquer um que quiser, naquele bar

Discutir sobre tema a escolher

Um filósofo a serviço do saber

A retórica em álcool retorcida

È formado pela escola da vida

Com lições tão difíceis de entender   

 

 

No seu copo presente o combustível

Que acelera sua imaginação

E é capaz de mexer sua emoção

Quando lembra seus amores perdidos

Em legítima defesa do oprimido

Dá uma ordem ao garçom impaciente

Traga um litro da melhor aguardente

Veja um prato que lembre uma despedida

Hoje eu quero cutucar a ferida

Até ela sair da minha mente

 

Boemia não é pra qualquer um

É preciso entregar-se a esse feito

Não pensar que o que faz é um defeito

Não ceder aos comentários invejosos

Só os grandes e, também, mais corajosos

Acham garras pra seguir essa lida

São batalhas que sempre são vencidas

Num terreno difícil de lutar

Seu quartel é a rua e é o bar

Sua arma a viola e a bebida

 

 

Eu termino aqui o meu tributo

Ao grande herói da madrugada

Ao pássaro negro da alvorada

Que despedindo da lua, beija o sol

A canção entoada em dó maior

Uma trilha sonora da viagem

Seu retrato em pedaço é a imagem

Que define a sua trajetória

Peço a todos o respeito a sua história

Que merece de nós essa homenagem 

 

 

* Autor : Robson Antonio Maciel Aquino.

 

NOTA DO BLOG

Acompanhando essa linda e evocativa poesia, o oabelhudo oferece aos diletos amigos e “fregueses” conceituados uma bela página musical, a valsa chamada – ABISMO DE ROSAS, de Dilermando Reis,executada ao violão pelo mesmo…

 

(foto e video do Google/Youtube)

HOMENAGEM A UM POETA DA VIOLA – JOÃO Cabeleira. – Colaboração de Angela Lucena, *

João Cabeleira de

Jenipapo para o mundo 

 

João Cabeleira. Mocinho e sonhador...O mundo aguardava um grande poeta/repentista...

 

Um menino simples, sentado à beira da estrada na antiga rua dos coqueiros.( VILA DE JENIPAPO ), onde morava o seu avô José Francisco.

Viola confeccionada de pedaço de madeira e linha de náilon, sempre trouxe na ponta da língua versos improvisados e bem estruturados, que faziam todos sorrir.

A viola de brinquedo foi substituida por uma de verdade e pouco a pouco o João de Miguel Cabôco foi ganhando nome artístico, por ter uma bonita cabeleira, todos começaram a lhe chamar –  João Cabeleira e assim o seu sucesso como poeta repentista espalhou-se por toda essa região. Era também um grande conquistador de corações. Nos sítios, vilas e cidades alegrava as noites com belas cantorias de violas entre canções, motes e martelo alagoano. Nas feiras livres ao som da viola o do pandeiro traçava versos que agradava aos ouvintes, ainda vendia cordeis.  Também produziu e apresentou  programas de rádios, vindo a se destacar, principalmente na Rádio Bitury de Belo Jardim. Participou e ganhou premiações em Congressos Literários, Eventos Culturais/Escolares em diversas comunidades de um modo geral.

Cabeleira na foto em campanha política Em São paulo-Capital. (Lula carinhosamente dizendo: "Marta, esse é o cara!"

Sempre orgulhou-se por ter tido como mestre do repente. O ilustre poeta: Manoel Pedro Clemente. João Cabeleira nasceu no Brejo, mas imediações do sítio Boa Esperança de Jenipapo. Depois de viúvo foi morar em belo jardim e de lá, partiu para a Capital Paulista, onde o seu maior ponto de referência para cantigas de viola, era a famosa Praça da Sé.

Em programas de “TV” participou do programa de Silvio Santos, do Ratinho e do Amarim Filho que tinha como Título ( NAS QUEBRADAS DO SERTÃO). Ainda esteve presente nas campanhas do Presidente Lula e da prefeita Marta Suplicy.

Cabeleira engajou-se na campanha do também nordestino Lula...(Observe-se o microfone com a logomarca da Globo)

Hoje cansado e com proplemas de saúde se diz satisfeito por ter em sua trajetória uma bagagem de um passado feliz e inesquecível. O blog Jenipapo Em Foco tem o prazer de homenagear o grande poeta Repentista: João Cabôco de Melo ( JOÃO CABELEIRA ).

 

* Fonte : POSTADO ORIGINALMENTE POR: Paulo Ricardo/Blog Jenipapo em Foco.
 – COLABORAÇÃO: Poetisa e filha do homenageado – Angela Mª de Melo Lucena.

 

 

NOTA DO EDITOR

De certa vez assisti ao poeta João Cabeleira num programa  da antiga TV Manchete, apresentado por Bruna Lombardi (lindíssima). João cantou e deu entrevista. Quando perguntado de onde era, respondeu claramente: “Sou de Jenipapo que é um distrito de Sanharó, lá no meu Pernambuco…” Desde então, a minha admiração por ele só fez crescer.

Em outra oportunidade, minha esposa, Edna, estudava pedagogia na Fafica (Caruaru) no anos 80, pediu-lhe para gravar uma fita -cassete sobre Sanharó e a sua cena cultural. Ele o fez com muito esmero e boa vontade.Esse trabalho rendeu à aluna, uma boa nota.

Dom Pablito.

VERSOS/POESIA : Meu Amigo e Desafeto/”…E tu nada mais serás/Que uma lembrança esquecida…” – Por Robson Maciel Aquino.

Meu amigo e desafeto

 

 

 

Senta aí meu companheiro
Velho amigo e desafeto
Distante e sempre tão perto
Que às vezes confunde a gente
Pelo o que vê e o que sente
Olho você do meu lado
Longe me esperas sentado
Te flagro triste e contente

 

Tome assento, camarada
Medusa de três cabeças
Que alimenta tuas presas
Na fonte do meu querer
Se passar te dar prazer
Te adiante, vais embora
Aponta a rota e decola
Mas não deixarás de ser

 

Não podes matar lembranças
Por isso, juntos estamos
Se perto nos atracamos
Distantes crio saudade
Lá longe, a ansiedade
Se vamos nos encontrar
Não posso em ti confiar
Já que és mentira e verdade

 

Se abanque, diabo de luz
O santo da escuridão
Com seu tridente na mão
Passeias no paraíso
No seu rosário indeciso
Um mistério, duas pragas
Tanto escreves como apagas
Amor, ódio, dor e riso

 

Filho da santa e da puta
Todos sonham em te vencer
Podem ganhar de você
Mas não te matam inteiro
Pois vivo vales dinheiro
E morto não tens valor
Sou teu dono, és meu senhor
O último sendo o primeiro

 

Brinde comigo, doutor
Que cura a dor da saudade
Com a agulha da piedade
Costuras sonho e desejo
Dá um tapa, leva um beijo
Abraça e sai apanhado
Pois és fim inacabado
O invisível que eu vejo

 

O seu chicote de couro
Retalha a face da gente
Não há na terra um vivente
Que não tema esses seus traços
Pois eles sugerem cansaço
O final de uma jornada
A última curva da estrada
Da perna, o último passo

 

Dono daquilo que faz
És um artista discreto
Pintas de branco meu teto
Sem me pedir permissão
Na palma da minha mão
Tá gravada a tua estrada
Que uma cigana ajoelhada
Diz saber a direção

 

Meu amigo, amigo tempo
Não posso não te odiar
Nem fingir não te amar
Pois és mais que a existência
Muito além que a eloquência
Um metro após o infinito
Desejo de todo aflito
Um guru da paciência

 

Espere aí, meu senhor
Faça jus à sua fama
Sossegue! Nada de drama
O que passou é lembrança
Que o futuro alcança
E fabrica todo dia
Saudade, sonho, alegria
O velho, o homem, a criança

 

Não há como te parar
Nem correr na tua frente
Então, paralelamente
Vamos fazer um contrato
Me dê de ontem um retrato
De hoje a intensidade
Que amanhã, qualquer verdade
Mesmo dura, serei grato

 

Um dia transpassaremos
Essa faixa de chegada
Aonde a roda é parada
E a morte já foi vencida
Sem corte, dor ou ferida
Com diferenças iguais
E tu nada mais serás
Que uma lembrança esquecida.

 

 

* Autor : Robson Aquino

POESIA/CORDEL : Meu Velho Ipojuca.”Teus cardumes de caritos/Tuas piabas prateadas…” – Por Robson Maciel Aquino.

Meu velho Ipojuca

 

A velha ponte o leito semimorto do Ipojuca...Pelo menos o poeta, ainda o respeita! (foto de Marco Aurélio-oabelhudo)

 

Ainda hoje me lembro
E gosto de me lembrar
O Ipojuca a banhar
Os nossos pés pequeninos
Éramos todos meninos
Debaixo daquele sol
Na minha mãe, Sanharó
O rio, nós e o lugar

 

O calor, de tão intenso,
Fazia o rio suar
E a gente ali, a brincar
Furando o velho Ipojuca
Com as braçadas malucas
Flecheiros quase perfeitos
Às vezes lascando os peitos
Gritava “É meu, somente meu, esse mar!”

Lá na pedra de Lalai
Os saltos ornamentais
Bunda ginástica, mortais
Diversas categorias
Era saltar pra alegria
Vencendo todos os medos
E afogando os segredos
Se encharcavam de paz

 

A sombra da velha ponte
Tingindo em negro suas vestes
Meninos que só a peste
De cima, pulavam juntos
Uma floresta de juncos
Matéria que Zé Latão
Fazia esteira e colchão
Até isso, tu nos destes

 

Divertido era no rio
Galinha d’água jogar
A pedra a assobiar
Quando pulava e descia
Na cocha verde, macia
Pinotavam nossas vistas
Qual mão de um violonista
Imitando o seu bailar

 

Meu camarada Ipojuca
Como tu eras bonito
Teus cardumes de caritos
Tuas piabas prateadas
Brilhando ao serem fisgadas
Pelos anzóis traiçoeiros
Ainda guardo o teu cheiro
Ainda ouço teu grito

 

Descansa em paz, meu amigo
Quem dera te ver sorrindo
Com teu jeito de menino
Com tuas curvas de moça
Brilhantes barros de louça
Que mãos jeitosas moldavam
Em artes se transformavam
Pro mundo ficar mais lindo

Eu só queria acordar
Rever àquela beleza
E tudo fosse certeza
Que tudo voltasse a ser
Um rio livre a correr
Longe de quem o machuca
Viva meu velho Ipojuca,
E a nossa mãe natureza!

 

Autor: ANTONIO ROBSON MACIEL AQUINO.

 

NOTA DO BLOG

 

O emérito colaborador Robson Aquino é também autor do livro – SANHARÓ, Cinco Homens e um Caçuá de Discussão – que logo, logo estará sendo lançado oficialmente em nossa cidade…Quem sabe, até antes do Velho Ipojuca desaparecer…