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POESIA – O PERFIL DOS “POLÍTICOS BRASILEIROS”. de Varnecir Santos do Nascimento – Colaboração de Jozinaldo Viturino de Freitas.

A imagem fala por si...

 

 

 

PERFIL DOS

“POLÍTICOS BRASILEROS”

 

Ser enganador, mentir,
Enrolar, ser trambiqueiro,
Gostar de fazer promessa,
Não pagar, ser trapaceiro,
Eis os requisitos básicos
Do político brasileiro.

Fazer tudo por dinheiro,
Detestar pessoa séria,
Não importar se o povo,
Tá morrendo na miséria.
Ao escutar falar dela,
Achar que isso é pilhéria.

 

 

Se a fome deletéria
Castiga um desempregado,
Ao saber dessa notícia
Fingir-se penalizado,
Porém, quando for comer,
Não lembrar do esfomeado.

Senador ou deputado
Quem quer ser, vai se tornar
Graduado em trambicagem,
Pós-graduado em roubar,
Um mestre em negociata,
E doutor em subornar.

 

Nessa escola quem entrar
Sai de diploma na mão,
Um pós-doutor em desvio,
Propina e roubo a nação
PHD em escândalo,
Gênio da enganação.

De superfaturação
Terá aula em abundância,
Passar o povo pra trás,
Não importa a circunstância,
Chefiar quadrilha e máfia
De bingo e de ambulância.

 

Jamais medirá distância
Pra fazer maracutaia,
Ou contratar cafetina
E puta de mini-saia
Pra na mulher do casal
No prostíbulo, botar gaia.

Ignorar qualquer vaia
Ou aceitá-la sorrindo,
Estar morrendo de raiva,
Porém, andar se abrindo,
Alguém lhe jogar um ovo,
Fingir que é aplaudido.

 

Aprender viver fugindo
Do povo que lhe procura,
Nunca apresentar projetos
De incentivo à cultura,
Odiar sempre a verdade
Amar a mentira pura.

Na câmara ou prefeitura,
Em todos dois empregar
O filho, o sogro e a sogra
Neto e genro colocar
Para receber dinheiro,
Sem precisar trabalhar.

 

Topar sempre viajar
Em viagem planetária,
Pra triplicar o salário,
Só embolsando diária,
Fazendo a população
Brasileira de otária.

Não ver a vida precária
Do menor abandonado,
Dos moradores de rua
E de um jovem drogado,
De tanto trabalhador
No país desempregado.

 

Ficar muito indignado
Com roubo e enrolação,
Se assaltarem o dinheiro
Do erário da nação
Denunciar a justiça,
Sendo você o ladrão.

 

Ser contra a corrupção
Só que aparentemente,
Criticar sempre os ladrões
E pousar de inocente
Mas, dentro dos gabinetes,
Roubar mais que serpente.

Pra imprensa e toda gente
Claramente demonstrar
Que não quer como colega
Quem não seja exemplar,
Porém, no voto secreto,
Jamais o deixar cassar.

 

Destemido plagiar
Projetos do companheiro,
Ser sócio de várias tramas
De lavagem de dinheiro,
Quando perder nas pesquisas
Contratar um marqueteiro.

Gatuno, rato, ladrão,
Biltre, larápio, indecente.
Calhorda, abjeto, infame,
Enganador, prepotente,
Vêm formando os governos,
No Brasil, infelizmente.

 

Varneci Santos do Nascimento

(Foto no Google)

SANHARÓ : O POETA E OS APELIDOS. a saga continua… – Por João Roberto Maciel Aquino.

SERÁ QUE ESTOU NESSA LISTA?

 

 OS APELIDOS E OS APELIDADOS

 

 

 

Lembrando os moleques desse meu rincão

Fiz umas sextilhas, mandei pro blogueiro

Citando os nomes de alguns presepeiros

E fui criticado na publicação:

– Faltou muita gente nesta relação,

Pense direitinho, faça uma maior,

Fale em Pedro Cem, Ciço Paguá, Soró

E mais uma tuia de menino ruim

Que juntos, Pesqueira e Belo Jardim

Não vai ter metade, nem vai ter pior.

 

Marcaram época em Sanharó

Telmisio, Tuba, Gil Avelino,

Gonzaga Leite, Eudinho, Cutitino,

Bode de Ventura, Foreba, Cocó,

Nelson e Veneno de Zefa Bogó,

Pólo, Germano, Gileno, Lidinho,

Jacaré, Risaldo, Zaco, Ivanildinho,

Buguinho de Alice, Galego Azul,

Arimatéia, Jorge de Lindu,

Juca de Plácido, Coelho, Gilbertinho.

 

Buquê, Anchieta, Zome, Armandinho,

Ney, Zé Furado, Furica e Tita,

Lala, Mandinho e Binha Guaxita,

Renan, Galo, Fontes, Zé de Ditinho,

Cóca, Piaba, Dalécio, Tavinho,

Júnior de Mãezinha, Meleca, Goieiro,

Fita, Fofaterra, Sunga, Candeeiro,

Bira, Passaro, César Babão,

Paulo Tiririca, Delta, Bizungão,

Orlando de Zuca, Enilson Fumeiro.

 

Os filhos todinhos de Seu João Medeiros,

Sávio e Nenen de Zé de Zoê,

Lula de Otacílio, Toinho Benguê,

Normando, Nedson, Paulo Sapateiro,

Magliano, Leopoldo, Zezinho do Ferreiro,

Léo de Hilton Leite, Mujica, Buguinho,

Neguinho de Rita, Rute de Estevinho,

Josa, Tempestade, Augusto, Boré,

Maguinho, Fernando e Chiquinho de Cazé,

Benedito Manjarra, Lacerda, Bertinho.

 

Os filhos de Zé Grande: Nilson e Edinho,

Marco de Floriano, Paulinho de Ventura,

Murilo de Aprígio, Zumbiga, Gastura,

Geraldo Lotéro, Zica, Edilsinho,

Marco de Amaro e Jorge de Chico Machinho,

Mano de Fabiano, Paulinho Muniz,

Os filhos de Topinha lá no chafariz,

Mauro Soares, Chico de Miguel,

Irassom, Amarildo, os filhos de Joel,

Fizeram daqui um lugar feliz.

 

Serviram de palco: a praça da matriz,

Os parques das festas, o rio de Raimundo,

O poço de Lalai, perigoso e fundo,

Bananal lotado de miritis,

As quadras com jogos estudantis,

As ruas, a ponte, palhoça de forró,

As tardes de chuva, as manhãs de sol,

As salas de aula, o pátio da escola,

Para esses artistas do riso, da bola

E das presepadas no meu Sanharó.

 

João Roberto Maciel Aquino –

Poeta/Cordelista – Sanharoense.

O MAIOR POETA PORTUGUÊS – FERNANDO PESSOA – Colaboração de Lourdinha Avelino.

Fernando Pessoa

(Lisboa, 13 de Junho de 1888 – Lisboa, 30 de

Novembro de 1935)

 

 

 

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um ‘não’.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

(Fernando Pessoa)

POESIA/CORDEL – “…Eu era feliz e não sabia…” Moleques Que Fomos… – Por João Roberto Maciel Aquino.

 

 

MOLEQUES QUE FOMOS

 

 

 

Eu andei observando

Como o tempo está mudado,

Os moleques de hoje em dia

Como estão modificados,

E os brinquedos atuais

Não parecem em nada mais

Com os de algum tempo passado.

 

 

Os brinquedos de hoje em dia

São muito sofisticados.

Pilhas, controles remotos,

Laser, joistic, teclado.

O brinquedo brinca sozinho

E o pirralho, coitadinho

Só assistindo sentado.

 

 

Peladas em meio de rua,

Páreos em rua ladeirada,

Com carros de rolimã

Ou bicicleta alugada,

Era o divertimento

Da molecada passada.

 

Hoje ninguém brinca mais

De bila, finca, pião,

Barra bandeira, peteca,

Firo, damas e gamão

Onça, cavalo de pau,

Carro puxado a cordão.

 

 

E moleque presepeiro,

Amorcegador de trem,

Arengueiros, anarquistas,

Sem poupar nada e ninguém,

Ruins de marca maior

Nesta nossa Sanharó

Tinha de encher FEBEM.

 

Tinha um Juca de Plácido

Oh moleque ruim de mais

Zé de Ditinho, Manjarra,

Também não ficavam atrás

Cada um ruim do seu jeito

E um tal Bertinho de Zé Preto

Era quase um satanás.

Zé Maria de Genésia

Quando com Nena encontrava

Era uma briga na certa

Ninguém no mundo empatava

Lilsinho, Nelsinho, Gibinha,

Tornavam a Lingüeta rinha

Ninguém saia ou entrava.

 

 

Quem mais sofria com eles:

As professoras, coitadas.

Que era Dona Conceição,

Dona Elvira, Dona Inalda,

Filadélfia, Terezinha,

Dona Sônia, Dona Nevinha,

Marly Ribas, Dona Alda.

A molecada de hoje,

Nem parece com esses pivetes.

Sem peraltices, sem brigas,

Sem pedradas, sem bofetes,

Não entram mais no esquema

Só querem shopping, cinema,

Vídeo games, internet.

 

 

Menino era sempre autêntico,

Rezando ou jogando bola,

No catecismo de Diva

Na argüição da escola,

Nos chambregos atrás dos muros

Dos namoros sem futuro

Ou nas farras de mariola.

 

Presepadas sem maldades

Só para rir aos montões.

Brigavam e com meia hora

Só abraços e perdões

Sem ódio ou ressentimentos

Tudo era divertimento,

Sem cangas, peias ou grilhões.

 

 

E em 12 de outubro

Vou pedir em oração

À Virgem de Aparecida,

São Cosme e São Damião

Que guiem nossos destinos

e não deixem faltar meninos

presepeiros no sertão.

Autor: João Roberto Maciel Aquino.

HOMENAGEM

 

Em homenagem aos moleques de todas essas épocas tão  vivas, tão vividas e tão sanharoenses…Moleques  que Fomos é um retrato na parede de cada coração infanto-juvenil, tão bem emoldurado na verve sensível e lúdica num soneto de sonho de cada um de nós… Moleque que Fomos em imagens latentes que vagueiam em nossos sonhos do presente e de um telurismo riquíssimo  que só a alma do poeta saberia recordar…

Em nossa homenagem, o blog posta o video de Ataulfo Alves Meus Tempos de Criança. (Basta clicar na seta e aguardar carregar)

 

TRIBUTO.

Tomo emprestado ao autor o seu enredo e o ofereço a um grande amigo de infância. Relembro, com saudade, um joguinho na sua sinuquinha no alpendre da casa de seus avós. Refiro-me ao estimado José Monteiro da Costa – Zé de Ineizinha. Sempre o reencontro e sempre relembramos nossos momentos juvenis.

POESIA/CORDEL – “…um sorriso desdentado…” – O PEDINTE – Por Robson Maciel Aquino.

 

Pedinte. Uma chaga social...

 

O Pedinte

 

 

 

Vejo um homem sentado na calçada
Barba branca e um sorriso desdentado
Todo em trapos na sombra da sacada
Um olhar bem distante e tão cansado

Pobre homem por todos reprimido
Que a esperança cansou e foi embora
No semblante infeliz e tão sofrido
A alegria inverteu-se e nele chora

 

Quem será esse velho desprezado?
Que passado viveu pr’esse presente?
Como pode colher o grão plantado,
Se com lágrimas regou suas sementes?

 

Quanta dor é possível perceber
Nessa mão estendida a implorar
E os seus dedos que estão sempre a tremer
Denunciam a vergonha sem parar

 

Não importa o ventre que pariu
Esse corpo inativo; sem ação
Se nascestes da pátria mãe gentil
De direito és igual; és cidadão

 

Mas direito a que? Pergunto eu!
A uma cova, sobre ela uma flor da praça?
Ou quem sabe a um diploma de plebeu
Sem parede pra expor sua desgraça

 

Esse homem perdido em sua cena
Já não sabe dizer o que dói mais:
O passado que hoje lhe condena
Ou a lápide a ser grafada: “aqui jaz”

E o corpo à distância vai sumindo
Sou mais um a ter pena e ir embora
Quanta culpa e culpados vão surgindo
Na análise que fiz e faço agora

 

Quando um homem se humilha a outro homem
A nação por ninguém é respeitada
Os valores apodrecem e logo somem
O país e seu povo valem nada.

Autor; Antonio Robson Maciel Aquino.

POESIA – A BUSCA PELA FELICIDADE – Por Robson Maciel Aquino.

O POETA PROVOCA - O que é ser feliz? E ajuda na busca...


 

 

 

 

A tal da felicidade

 

 

 

Acordei, sentei na cama
Passei a mão no cabelo
Estirei meu corpo inteiro
E os nervos bem no lugar
Me peguei, pois, a pensar
No que é felicidade
E para o bem da verdade
Não foi difícil encontrar.

 

Felicidade, doutor
É uma cidade pequena
É um terço, uma novena
Ver a igreja lotada
Um forró numa latada
Um bom dia devagar
É ver a noite chegar
Sentado em sua calçada.

Felicidade eu percebo
No bouquet todo enfeitado
Das mãos da noiva, atirado
Às mãos de quem quer casar
E entre o atire e o pegar
Formar-se um grande alvoroço
De moças querendo moços
Pra ser feliz no altar.

 

É acordar de manhã
Com o cheiro bom de café
Ouvindo a voz da mulher
Cantarolando Gonzaga
Ver as faíscas infernadas
Rasgando o céu do fogão
Na minha imaginação
Felicidade acordada.

Menino solto brincando
Correndo pelas estradas
Com sua infância regada
De liberdade sem freio
Nenhum perigo ou receio
Da tal de modernidade
Vivendo a realidade
Tão simples desse seu meio.

 

Felicidade passeia
Nas asas de um passarinho
Repousa dentro do ninho
Contempla toda beleza
Desliza na correnteza
Planta e espera a colheita
Numa harmonia perfeita
Do homem com a natureza.

É passear pela feira
Pisar em casca de manga
Chupar imbu e pitanga
Comprar farinha e feijão
Porco, carneiro e capão
Beber cachaça num bar
Isso sim é se encontrar
Cheio de satisfação.

 

A família reunida
Diante da mesa posta
Comendo aquilo que gosta
De qualidade e fartura
Felicidade tão pura
Que ninguém ousa negar
E se eu pudesse pegar
Botava numa moldura.

AUTOR : ANTONIO ROBSON MACIEL AQUINO

POESIA/CORDEL – PINTO DO MONTEIRO(*)

PORQUE DEIXEI DE CANTAR

 

 

Deixei porque a idade
Já está muito avançada
A lembrança está cansada
E o som menos da metade
Perdi a felicidade
Que em moço eu possuía
Acabou-se a energia
Da máquina de fazer verso
Hoje vivo submerso
Num mar de melancolia

* * *

Minha amiga e companheira
Eu embrulhei num molambo
Pego nela por um bambo
Para tirar-lhe a poeira
Hoje não tem mais quem queira
Ir num canto me escutar
Fazer verso e gaguejar
Topar no meio e no fim
Cantar feio, pouco e ruim
Será melhor não cantar.

 

Não foi por uma pensão
Que o governo me deu
Porque o eu do meu eu
Não me dá mais produção
Cantor sem inspiração
Tem vontade e nada faz
Afinal, sou um dos tais
Que ninguém quer assistir
Nem o povo quer ouvir
Nem eu também posso mais.

* * *

Com a matéria abatida
Eu de muito longe venho
Com este espinhoso lenho
Tombando na minha vida
Tenho a lembrança esquecida
Uma rouquice ruim
A vida quase no fim
A cabeça meio tonta
Quem for novo tome conta
Cantar não é mais pra mim.

* * *

Se ninguém envelhecesse
Eu não estava aonde estou
Velho, doente, acabado
Sem saber pra onde vou
Toda alegria que tinha
Veio o tempo e carregou.

* * *

Poeta é um passarinho,
que quando tá na cadeia,
sua pena fica feia,
sente saudade do ninho,
do calor do filhotinho
da fonte da imensidade,
se come deixa a metade
da ração que o dono bota
se canta esqueçe a nota
da canção da liberdade.

* * *

No dia que eu tenho raiva
o vento sente um cansaço
o dia perde a beleza
a lua perde o espaço
o sol transforma-se em gelo
cai de pedaço em pedaço.

 

(*) Extraído do JBF.

CORDEL/POESIA – “A mãe cata piolho num sambudinho”…DOMINGO NOS ARREBALDES – Por João Roberto Maciel Aquino.

DOMINGO NOS ARREBALDES

 

(Aquarela de Nerival Rodrigues) - pelada de futebol (Google)

 

 

 

A mãe cata piolho num sambudinho,

Um vira-lata coça a sarna na calçada,

Colchões ao sol pra tirar cheiro de mijada,

Boteco aberto a espera do papudinho,

Um porco fuça a lama do meio do caminho,

A fuxiqueira se debruça na janela,

Fala do mundo e o mundo inteiro fala dela,

Uns peladeiros pulam o muro da escola,

Catam as pedras, fazem as traves, trazem a bola,

Amanheceu. Hoje é domingo na favela.

 

Acorda o velho, olhos cheios de remela,

Vai ao quintal, lava o rosto, escova a chapa,

Toma café com pão, bolachas sete capas,

Um molequinho toma banho numa gamela.

A cozinheira areia um monte de panelas

Pra preparar um cozinhado de feijão,

Arroz e carne guisada pro pirão,

Tempera a carne pro churrasco, trata o frango,

Hoje é domingo, tem que caprichar no rango,

Domingo é dia de confraternização.

 

Já se ouve gente afinando um violão,

Que vai juntar-se ao cavaco e o pandeiro,

Pra formar roda de samba no terreiro

Com tamborim e surdo na marcação.

Providenciam a cachaça e o limão,

Cobrem com gelo a cerveja do isopor,

Trazem as caixas de som do Agenor,

Acendem logo o carvão da churrasqueira.

Dê cá um copo que eu vou tomar a primeira,

Hoje se cura a tristeza, se esquece a dor.

 

Deixa morena, a roupa no quarador

E vem pra roda balançar essas cadeiras.

No teu balanço se balança a rua inteira

E faz o velho lembrar o bom que passou.

Faz outra cota que a cerveja acabou.

Daqui a pouco vou ver meu time jogar.

Depois do jogo vou pra casa descansar,

Dar um cochilo, me curar da bebedeira,

Trabalhar duro durante a semana inteira

E esperar outro fim de semana chegar!

 

 

João Roberto Maciel de Aquino

POESIA/CORDEL : CUIDADO COM “DANADO” DO NAMORO NA INTERNET – Por João Roberto Maciel Aquino.

 

 

 

 

NAMORO VIRTUAL

 

 

 

 

Eu, um cabra amatutado,

Sofrido ao sol do sertão

Onde nasci e fui criado

Sem conhecer diversão,

Já depois de homem feito

Um dia, meti os peitos

E fui morar na cidade

Atrás de conversa a toa

Que a coisa lá era boa

E cheia de modernidade.

 

 

Comprei uma casa na rua

Pintei, troquei fechadura,

Mudei-me de mala e cuia,

Fui viver essa aventura.

Falei com Ciço Morcego

Pra me arranjar um emprego

Em sua mercearia

Fiz logo umas amizades

Com uns cabras de minha idade

Imburaquei na putaria.

 

 

Depois do expediente,

Corria pro cabaré

Pra me espaiá na aguardente

E chumbregá com as muié.

De trabalho e bebedeira

Passava a semana inteira

Sem ter tempo pra mais nada,

Mas o tempo foi passando

E eu fui me abusando

Dessa vida desregrada.

 

 

Domei meu instinto à força,

Abandonei o fuá,

Fui procurar uma moça

Direita pra namorar.

Mas a fama de depravado

Que já tinha se espalhado

Pela cidade todinha,

Impedia que eu achasse

Uma mulher que topasse

Ser a namorada minha.

 

 

Falei com meus camaradas

Pra me ajudar nesse pleito

E espalhar pra moçada

Que eu era um home direito

Que trabalhava, estudava,

Ia à missa, comungava,

Que larguei a putaria

E tava atrás duma donzela

Para me casar com ela

E constituir famía.

 


Mas, fama ruim pra largar

É uma coisa complicada.

E muito mais pra arranjar

O diabo duma namorada.

Mesmo bem afeiçoado,

Elegante, educado,

Moça não me dava trela.

Eu tava já desistindo

Mas tive uma ideia tinindo

Pra arrumar uma donzela.

 

 

Eu tinha ouvido falá

Que na tal da internet

Tudo no mundo tem lá

E tem coisa até que repete.

Eu pensei: Se é assim,

Pode dar certo pra mim

E acabar meu sofrimento

Levando a onda de azar

E me ajudando a achar

Uma muié pra casamento.

 

 

Fiz Manezim me ensinar

A manejar o bregueço.

Três dias nesse tear

Eu já fazia sucesso.

Marcava tempo em lan house

Pegava o teclado, o mouse

Danava-me a navegar

Google, hotmail, youtube,

Orkut, UOL, redtube,

Nem via o tempo passar.

 

 

Deixei de procurar na night

Cachaça e divertimento

Pra tá navegando em site

De relacionamento

E fui fazendo amizade

Com gente de outras cidades

Fui me entrosando, gostando

E ao ver a foto de Vera

Eu disse: Era essa miséria

Que eu tava procurando!…

 

 

Comecei teclar com ela

Gamei no primeiro dia

Disse-me que era donzela,

Evangélica, não bebia,

Na farrava, não fumava,

Trabalhava, estudava,

Vestia-se com compostura

Não gostava de desfrute

E pela foto do Orkut

Ela era uma formosura.

 

 

Eu no trabalho novato,

Não podia me ausentar,

Fiz então com Vera um trato

Pra ela vir me visitar.

Domingo de madrugada

Me arrumei, fui pra estrada

Esperar ela chegar,

Mas quando o ônibus parou

Que a danada saltou

Vi meu sonho se acabar.

 

 

Que troço feio da mulesta!

Gorda, zambeta, baixinha,

Zarôia, um nopró na testa,

A venta maior que a minha,

Um corpinho de baleia,

A boca mordia a urêia,

Um jeitão de piriguete,

Olhei a peste todinha,

Não vi nada da Verinha

Que conheci na internet.

 

 

E ela ainda falou

A me ver bem pensativo:

– Parece que não gostou

De ver seu amor ao vivo?…

Subiu um bafo de boca,

E eu tonto, com a voz rouca

Disse: Home vai te lascar!

Marmota feia da febre,

Que vender gato por lebre?

Procure outro aruá!…

 

 

Ela disse: Não foi golpe,

Aquela foto era minha.

Eu só fiz um fotoshop

Dum retrato meu, mocinha!…

Parei o ônibus, ela entrou,

Dei dinheiro ao cobrador,

Disse: cobre aí o frete

E leve esse troço pra trás

E jurei por Deus, nunca mais

Namorar pela internet!

 

 

Autor: João Roberto Maciel de Aquino

POESIA E CORDEL SOBRE CACHAÇA – Diversos poetas.(*)

CACHAÇA É O TEMA

Publicado por Luiz Berto em REPENTES, MOTES E GLOSAS – Pedro Fernando Malta(Bestafubana)

 

 

Cego Aderaldo


Cachaça é bebida boa
O povo chama “branquinha”:
Botam mel pra ficar doce
Então chamam “meladinha”,
Mas sai com as pernas trançando
Como quem cose bainha!

Os que gostam de aguardente
Não devem beber demais,
Que um velho de oitenta anos
Bebendo quer ser rapaz,
E no banho veste a calça
Com a barguilha pra trás.

* * *

Francisco Evaristo

 

O homem degenerado
Que se vicia a beber
Quando está puxando fogo
Só trata em aborrecer,
Faz coisas que o diabo
Faz questão pra não querer…

A cachaça, meus amigos,
Sempre só faz ação feia:
Logo que o cabra a toma
A todo mundo aperreia,
Precisa até a policia
Levá-lo logo à cadeia…

E termina até na peia
Devido ser imprudente
Depois se solta, mas fica
Tristonho e muito doente
Tudo isso só porque
Meteu-se na aguardente

Eis a razão porque digo
Dela qual o seu defeito:
Ataca primeiro o cérebro
Come o “figo”, acaba o peito,
E depois do mal tá crônico
Não há médico que dê jeito.

* * *

Zé da Venda

 

Carro sem roda não anda
Bebo deitado não cai
Corno em casa não manda
E cana sem ponche não vai.

* * *

Ascenso Ferreira

 

Suco de cana caiana
passado nos alambiques,
pode ser que prejudique,
mas bebo toda sumana .

* * *

Raminho

 

Aguardente é moça branca,
filha do velho usineiro.
Por causa dessa derrota,
hoje sou um cachaceiro.

* * *

Chico de Noca

 

Para quem bebe aguardente,
Se mete num grande porre,
Dá, apanha, mata ou morre
O beber não é decente…
Porém dando pra contente
Ou mesmo pra entristecer,
Podendo a cana fazer
Tornar-se franco um sovino,
Direi sempre que combino:
Não é defeito o beber!

* * *

Zé Preto


Nasce um menino e se cria
Na proa duma barcaça.
Não há serviço no mar
quesse menino num faça.
Quando se ajunta c’uns outros,
Começa a beber cachaça.

* * *

Siqueira de Amorim

 

Aguardente geribita
feita da cana caiana
Eu bebo desde o começo
Até o fim da semana
O cantador só é forte
Quando canta e bebe cana!

Um pouquinho de aguardente
A muita gente conforta:
Faz esquecer a tristeza,
Revive a esperança morta
Até as mulheres bebem
Também por detrás da porta!

Quando eu pego na viola
Disposto a cantar repente
Digo ao dono do “pagode”:
— Traga um pouco de aguardente…
Bebo pra matar o frio
E bebo pra ficar quente!

Hoje bebe todo mundo
Deputado e senador,
Bebe o soldado, o sargento,
O juiz, o promotor.
Como é que pode deixar
De beber o cantador?

* * *

Edinho de Magali

 

Sou canista sem segundo
Bebo mais que toda a gente
Se o veneno da serpente
Fosse cachaça com sobra
Eu desejava ser cobra
Tanto gosto de aguardente.

* * *

Zé Quincas

 

Se o rapaz fez mal à moça
E assaltou na sacristia
A culpa é da ‘marvada’
O pastor já bem dizia.

Se o rico bebeu uísque
E caiu no mictório,
Se excedeu, coitado, é pena
Não deve haver falatório.

Vomitou bem no decote
Da mulher do seu amigo
Correu nu em gritaria
Se borrou até o umbigo.

Esqueceu a mãe no freezer
CPF no bidê
Empurrou a avó na escada
Se for contar, ninguém crê

A cena é cotidiana,
Tudo isto é tolerável…
Quem não erra? – reza o dito,
O doutor é tão amável’

Mas, se um pobre bebe cana
É só diz uma verdade,
É cachaceiro, doente,
Não é de sociedade.

Um preconceito tarado
Grava a nossa cachaça
Sem razão, sem argumento,
Uma febre que não passa.”

* * *

Cancioneiro popular sergiano

 

Água de cana é cachaça
Concha pequena é cuié
Língua de véia é a desgraça
Bicho danado é muié.

* * *

Taioca dos Palmares

 

Bebo cana toda hora
Bebo cana todo dia
No dia que bebo cana
Burra peida e gata mia.

 

(*) Fonte: postado originalmente no bestafubana.