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ARTIGO : QUANDO VAMOS MORALIZAR O PODER? * – Por Ruth Aquino.**

Quando vamos moralizar o Poder?

 

Deveríamos, como os franceses, enfrentar os desvios e abusos que desmoralizam nossos governantes 

 

Presidente e ministros reduzirão em 30% seus salários, “para dar o exemplo”. Apertarão seus próprios cintos, cortarão na própria carne. Isso acontecerá longe daqui, na França. Será a primeira medida do governo socialista de François Hollande. Não resolve a crise francesa. Mas carrega um tremendo simbolismo. São 34 novos ministros neste governo que já começarão ganhando um terço a menos que seus antecessores.

E não é só isso.

A equipe do governo – 17 homens e 17 mulheres – assinou um texto de duas páginas que lista seus “deveres”. O texto é público. Foi divulgado pelo jornal Le Monde na quinta-feira. Alguns itens seriam muito bem-vindos no Brasil. A ideia geral é afastar qualquer suspeita de conflito de interesse e acabar com essa mistura desavergonhada entre o público e o privado.

O código de conduta de Hollande obriga ministros a renunciar a postos executivos anteriores a sua nomeação no governo. Inclui também a recusa a todos os convites particulares, de empresários ou amigos influentes. E a devolução de qualquer presente com valor superior a € 150 (R$ 375). O texto desce a detalhes do dia a dia, como o meio de transporte: em trajetos inferiores a três horas, ministros terão de usar o trem.

Mais regras. Os ministros terão de confiar “a gestão de seu patrimônio a um procurador”. Isso impede que tirem proveito de informações confidenciais do mercado para enriquecer ilicitamente. Na hipótese de uma viagem pessoal e familiar, serão obrigados a “se abster de aceitar convites de governos estrangeiros ou de pessoas físicas ou jurídicas cuja atividade tenha relação com sua pasta ministerial”. Deverão renunciar a “qualquer participação num organismo, mesmo aqueles sem fins lucrativos, cuja atividade seja de interesse a seu ministério”. Os ministros também estão proibidos de “qualquer intervenção que envolva a situação de um parente ou amigo próximo”. Nada de nepotismo e tráfico de influência, em bom português.

O documento lembra a toda a equipe – incluindo presidente, primeiro-ministro e ministros – que “só as despesas diretamente ligadas ao exercício de suas funções podem ser pagas pelo Estado”. Uma das regras provocaria um auê no Brasil: “À exceção de uma circunstância específica que exija uma escolta de motocicletas, os deslocamentos dos ministros em carros terão de respeitar as regras de trânsito normais, que se aplicam a qualquer cidadão”. No Brasil, helicópteros estão sempre à disposição de políticos que não fazem ideia da angústia que é ficar preso num engarrafamento.

Uau! Humilhante, não, excelentíssimos políticos brasileiros. Para que fui me meter na política, fiz concessões absurdas, contrariei princípios, gastei rios de dinheiro em campanha, comprei votos, para, no final, ser despido de meus privilégios de senhor da casa-grande e senzala? Que terrível deve ser a vida do homem comum.

As regras do “Estado imparcial” prometido por François Hollande foram criadas com um objetivo: dar satisfação aos cidadãos que exigem transparência do poder público. O texto foi chamado de “código de deontologia”. Uma palavra pouco conhecida, que vem do grego. “Deon” significa “dever, obrigação”. Por isso, a deontologia é conhecida como a Teoria do Dever. Mas é sobretudo o dever moral, da consciência de cada um. É a ética individual, que leva alguém, político ou não, a fazer algumas escolhas na vida.

No Brasil, num momento histórico em que se discute a Comissão da Verdade, deveríamos ter a mesma coragem para enfrentar os desvios, os abusos e a falta de bons modos que desmoralizam governadores, prefeitos, ministros e congressistas. O Executivo deu um bom exemplo na quinta-feira: Dilma mandou divulgar os salários dos servidores do governo federal, com base na Lei de Acesso à Informação Pública. Chega de torturar a verdade, tornando-a secreta. Vamos moralizar o Poder.
O Legislativo e o Judiciário não gostaram da ideia. Sarney, presidente vitalício do Senado, ficou sem fala nem ação. Marco Maia, presidente da Câmara, também. Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal, se juntou ao bloco dos temerosos. Eles acham que expor os salários à nação pode ferir a intimidade e a segurança dos servidores. Contem outra.

O decreto do Executivo é claro. Devem ser revelados os ganhos de todos os ocupantes de cargos públicos. E isso inclui aquele manancial de benefícios conhecidos: “auxílios, ajudas de custo, jetons, vantagens, pensões e aposentadorias de quem continua na ativa”. Verba para combustível, passagem aérea, moradia, correio, escritório, diárias de viagem e não sei mais o quê. Uma caixa-preta mantida até hoje sob sigilo. Por vergonha, será?

 

* Fonte : Revista Época

(RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA))

 

** RUTH DE AQUINO/Revista ÉPOCA

CARUARU : PESQUISA DA EXATTA DÁ AMPLA VANTAGEM A MIRIAM CONTRA QUEIROZ.*

 

ELEIÇÕES 2012

Miriam Lacerda abre

vantagem sobre Queiroz

 

Dependendo do cenário, ex-deputada tem de 11 a 12 pontos percentuais de diferença

 

Se as eleições municipais em Caruaru fossem hoje, o prefeito José Queiroz (PDT) poderia não ser reeleito, de acordo com a pesquisa de intenção de voto, realizada pelo Instituto Exatta. A principal concorrente do pedetista, a ex-deputada estadual Miriam Lacerda (DEM), aparece em primeiro lugar. Segundo o levantamento, feito com 400 eleitores, entre os dias 9 e 11 deste mês, a democrata tem 43% da preferência dos caruaruenses, enquanto José Queiroz aparece com 31%, uma diferença de 12 pontos percentuais na pesquisa estimulada. No mesmo cenário, o vereador Diogo Cantarelli, nome cotado pelo PSDB, teria 6% dos votos. Já o pré-candidato do PSOL, Fábio José, foi lembrando por 1% dos entrevistados. O percentual de pessoas que não quiseram ou não souberam opinar somou 19%.

O quadro atual é completamente diferente do resultado constatado na pesquisa realizada pelo mesmo instituto, em janeiro passado. À época, o prefeito tinha 35% das intenções, enquanto Miriam aparecia com 31%. No mesmo levantamento, Diogo Cantarelli tinha 3% e Fábio José não apareceu na pesquisa. Dos caruaruenses pesquisados, 13% não apontaram preferência e 6% não souberam dizer ou não votariam em nenhum dos pré-candidatos. Em ambas as sondagens, a margem de erro é de 4,9 pontos percentuais.

Neste cenário, as áreas em que a democrata tem vantagem é nos bairros Boa Vista (45%) e Kennedy (40%). José Queiroz tem mais preferência nas comunidades de Indianópolis (43%) e Vassoural (34%). Neste último local, Miriam aparece empatada com o pedetista.

CENÁRIO 2

A ex-deputada continua na vantagem quando é inserido o nome do secretário de Meio Ambiente do Recife, Marcelo Rodrigues (PV), na disputa majoritária em Caruaru – o nome de Diogo Canterelli não é colocado na lista. Neste cenário, a ex-deputada tem 45% das intenções de voto e José Queiroz aparece com 34%. O representante do PSOL, Fábio José, foi lembrado por 1%, enquanto Marcelo Rodrigues não recebeu votação. O número de entrevistados que não quiseram ou não souberam responder foi de 21%.

Neste cenário, o nome de Miriam sai na frente também nos bairros de Boa Vista (45%) e Kennedy (43%). Em Vassoural, a democrata também é mais simpática aos eleitores (38%). José Queiroz sai na frente em Indianópolis e empata com Miriam no bairro Maurício de Nassau (41%).

O prefeito José Queiroz só está na frente de Miriam Lacerda na pesquisa espontânea. Neste cenário, o pedetista foi lembrado por 20% dos eleitores entrevistados. A ex-deputada recebeu 18% das intenções. Em terceiro lugar, aparece o nome do ex-prefeito e deputado estadual Tony Gel (DEM), que é marido de Miriam. Ele tem a preferência de 4% dos sondados, enquanto o quarto colocado, o vereador Lício Cavalcanti (PCdoB), tem somente 1% dos eleitores. A maioria dos pesquisados (57%) não citou nenhum dos nomes.

Para o pesquisador João Matos, responsável pela sondagem do Instituto Exatta, o levantamento revela a falta de ações do prefeito nos últimos meses, o que acarreta no crescimento obtido pela oposição. “O José Queiroz tem uma estabilidade, um teto que não passa dos 35%, e a oposição está se movimentando. Ele deixou a oposição ultrapassar”, opinou.

* Fonte : FolhaPE

POLÍTICA I : CAMPANHA ESQUENTA EM BELO JARDIM. – “Parente é parente, eleição à parte”… – *

Política

Parente, parente,

eleição à parte

Desse trio deverá sair o novo prefeito de Belo Jardim.

“A política é como as nuvens”. Quem nunca ouviu falar nesse jargão que faz referência às mudanças causadas em virtude de alianças inesperadas? Na verdade, o mundo político pode dar muitas reviravoltas e, aqueles que são unidos hoje, podem se tornar grandes inimigos amanhã. Mas já imaginou pessoas com o mesmo sangue travarem uma verdadeira batalha pelo poder? No universo partidário, não faltam exemplos de familiares que esqueceram os laços de parentesco e viraram rivais em razão das disputas eleitorais.

Localizado no Agreste pernambucano, o município de Belo Jardim (a 187 km do Recife), será palco de uma disputa inusitada este ano. A família Mendonça, um dos grupos mais tradicionais da cidade, terá dois candidatos a prefeito. Os primos João Mendonça (PSD) e Andréa Mendonça (DEM) são os principais postulantes ao cargo majoritário. O pessedista conta com a vantagem de ter sido prefeito por duas vezes (2001-2004 e 2005-2008). Já Andréa, que nunca disputou eleição, conta com o apoio do irmão, o deputado federal Mendonça Filho (DEM).

11 mandatos de deputado. Zé Mendonça - A Baraúna do Agreste.

No município agrestino, dois grupos disputam o poder há mais de 40 anos, tendo como protagonistas o ex-deputado federal José Mendonça – tio de João Mendonça e pai de Mendonça Filho – e pelo ex-prefeito Cintra Galvão (PTB). Os dois eram aliados, mas houve um rompimento logo depois que o petebista foi eleito prefeito da cidade em meados da década de 60. Durante quase quatro décadas, o poder ficou nas mãos de aliados de Cintra Galvão. A hegemonia teve fim quando a família Mendonça conseguiu eleger João Mendonça prefeito da cidade, no pleito de 2000. Em 2004 o então democrata garantiu a reeleição e passou mais quatro anos na Prefeitura. Em 2008, o grupo conseguiu eleger o sucessor, o atual prefeito Marco Coca Cola (DEM), que teria o direito de tentar a reeleição, mas optou por voltar a cuidar das suas empresas.

O processo de afastamento entre os primos Mendonça Filho e João Mendonça teve início já na eleição de 2010, quando o ex-prefeito tentava uma vaga na Assembleia Legislativa. Segundo ele, não houve esforço por parte da família para tentar elegê-lo deputado estadual pela terceira vez – os mandatos anteriores foram de 1995-1998 e 1999-2000. Ele acredita que o apoio dos parentes ficou depositado em outros candidatos. “Não houve esforço como para a candidatura de Priscila Krause (vereadora/DEM), para Tony Gel (DEM) e Gustavo Negromonte (PMDB), principalmente para Priscila”, reclamou João Mendonça. Dos três citados, apenas Tony Gel e Negromonte foram eleitos deputados.

O rompimento ficou ainda mais explícito depois da morte, em abril do ano passado, do ex-deputado José Mendonça. Mendonção seria o candidato do DEM à Prefeitura. Com seu falecimento, João voltou a cogitar a candidatura, mas não teve respaldo no grupo político. Poucos meses depois, o ex-prefeito deixou as fileiras do DEM e se filiou ao PSD, partido que abalou as estruturas democratas, após sua criação. Desde então, João Mendonça tem se credenciado para concorrer às eleições, inclusive, contando com o aval do governador Eduardo Campos (PSB).

Andreia Mendonça. Tem o peso do nome do pai.

ANDRÉA

 

Já o outro lado da família Mendonça tem trabalhado para eleger Andréa, que é a filha mais velha de José Mendonça e nunca disputou nenhum cargo. Andréa é advogada e trabalhava no Tribunal de Contas do Estado como assessora da conselheira Teresa Duere, até meados do ano passado, quando assumiu a Secretaria de Cultura do município. No sábado retrasado, Andréa foi nomeada presidente do DEM Mulher em Belo Jardim.

A reportagem tentou contato com a pré-candidata democrata, mas foi informada que ela não se pronunciará enquanto não houver uma decisão oficial do partido. Mendonça Filho também não quis rebater as críticas feitas por João Mendonça.

* Postado na FolhaPE.

POLÍTICA II – “A FALTA DE LÍDER LEVA TODOS PRA DISPUTA”. *

Política

“Após a morte do meu tio,

houve falta de um líder”

Ex-prefeito João Mendonça. Liderança popular.

 

Apesar de se considerar vítima no processo de rompimento com a família, o ex-prefeito de Belo Jardim, João Mendonça (PSD), afirma que não se arrepende de ter pertencido ao grupo durante tantos anos. “Eu não tenho o que reclamar dos 44 anos de vida política do meu tio (José Mendonça), onde eu participei durante 26 anos. Fui servido e servi”, declarou. No entanto, o pessedista culpa o primo, o deputado federal Mendonça Filho, que é presidente estadual do DEM, pela falta de habilidade em tratar de questões políticas. “Após a morte do meu tio, houve falta de um líder. Se ele ainda fosse vivo, eu tenho certeza que as coisas seriam diferentes, pela habilidade dele de líder”, completou.

Segundo João Mendonça, o afastamento com a família poderia ter sido solucionado facilmente, mas houve falta de interesse do outro lado. “Tudo poderia ter sido resolvido na base da conversa, mas as portas estavam travadas”, alegou. João Mendonça também admitiu que não concordou com a entrada de Andréa Mendonça (DEM) na vida política de Belo Jardim. “Não tinha porque trazer uma pessoa do Recife para cá”, criticou.

Na semana passada, surgiram algumas especulações de que João poderia indicar sua esposa, Isabele, para concorrer em seu lugar, devido a possíveis irregularidades nas contas municipais, durante os anos de 2005 e 2008, quando ele foi prefeito. No entanto, João Mendonça explicou que as contas foram rejeitadas apenas no Tribunal de Contas do Estado e ainda não foram votadas na Câmara Municipal. Mesmo que sejam votadas este ano, o candidato pode ficar tranquilo, pois ele já teria apoio de seis dos dez vereadores.

EX-RIVAL

Ex-prefeito Cintra Galvão. Liderança incontestável, ainda.

Além disso, o pessedista está lutando pa­ra conseguir a adesão do ex-prefeito Cintra Galvão (PTB), que sem­pre foi seu rival político. Em 2004, o petebista perdeu para João Men­donça por uma diferença de 312 votos. Em 2008, sua derrota para Mar­co Coca Cola foi por uma diferença de 237. Procurado pela reportagem, Cintra afirmou que está esperando uma decisão por parte do governador Eduardo Campos (PSB).

Ele também destacou que a falta de um nome de peso no seu grupo está dificultando a indicação de alguém para disputar a Prefeitura. O ex-prefeito, no entanto, não negou uma possível aliança com João Mendonça. “Na política tudo é possível. Não está no nosso plano, mas não tem nenhum problema “, observou.

* Publicado na FolhaPE.

POLÍTICA III – OS EXEMPLOS DE DISPUTA FAMILIAR SE SUCEDEM NO INTERIOR. *

Política

Exemplos não faltam

no interior do Estado

 

 

No Interior de Pernambuco, não é difícil encontrar rivais políticos da mesma família. Irmãos, primos, tios e sobrinhos e até mesmo pais e filhos enfrentarão uma queda de braço em busca do poder. Além de Belo Jardim, onde os primos Andréa Mendonça (DEM) e João Mendonça (PSD) ensaiam uma disputa pela Prefeitura, outros municípios, sobretudo no Sertão, terão cenários semelhantes. A briga, na maioria das vezes, é pela vaga majoritária.

O prefeito de Parnamirim (Sertão Central), Ferdinando Carvalho (PSD), conhecido como Nininho, tentará a reeleição contra seu sobrinho, Tárcio de Danielzinho (PSB). Tárcio é filho do ex-candidato a prefeito Daniel Sampaio (PSB), que é casado com a irmã de Nininho e também rival político do gestor da cidade. Em virtude de problemas com a Justiça Eleitoral, Danielzinho decidiu indicar seu filho para concorrer contra seu cunhado.

O Sertão do São Francisco também será palco de disputas entre familiares. No município de Itacuruba (465 km do Recife), os primos Romero Magalhães (PSB) e Juninho Cantarelli (PTB) travarão uma batalha pela prefeitura da cidade. Romero, que é o atual prefeito, ainda é padrinho de batismo de Cantarelli.

Já em Carnaubeira da Penha, a disputa será entre Gió (PTB) e Dr. Neto (PSB), que também são primos. O prefeito de Belém de São Francisco, Gustavo Caribé (PSB), tentará a reeleição contra o primo Licínio Lustosa (PT). O pleito em Afrânio terá o prefeito Carlos Cavalcanti (PSD) contra Lúcia Cavalcanti (PSB). O parentesco se dá porque Lúcia é casada com o ex-prefeito e atual deputado estadual Adalberto Cavalcanti (PHS), que é primo de Carlos. Em 2008, o gestor foi apoiado por Adalberto, mas os dois romperam pouco tempo depois da posse e, agora, o parlamentar quer retomar à Prefeitura para seu grupo.

Já no Sertão do Araripe, haverá uma disputa entre tia e sobrinho. A prefeita de Santa Filomena, Evaneida Melo (PSB), enfrentará o ex-prefeito Pedro Gildevan (PSD), que foi gestor da cidade por três vezes. Na Zona da Mata, o candidato César Romero Magalhães (PSL) não terá o apoio da irmã Carolina Lira Magalhães (PSD), porque será a vice na chapa do PSB. O candidato socialista será o vice-prefeito João Bezerra, com o pai de César, o ex-prefeito Enoelino Magalhães (PSB) também no seu palanque.

* Publicado na FolhaPE.

CORDEL/POESIA : Na “Selva Brasil”, Sobrevive a FAUNA POLÍTICA. – Por Marco Aurélio.

Da Roma Antiga…

Aos dias de hoje…

 

FAUNA POLÍTICA

 

 

Faz tempo que virou moda
Usar nomes de animais
Pra caracterizar nos políticos
Comportamentos gerais
Rei leão tá arretado
Seus súditos não aguentam mais

 

O político escorpião
Tem o impulso do mal
O Canguru, rei na barriga
O Anfíbio é desleal
Cordeiro não oferece riscos
É pra todos o ideal

O Cobra é o que dá o bote
Quando menos se espera
O Piranha ataca todos
Que entram na sua esfera
O Lagartixa só diz sim
Pra turma da sua panela

O Macaco é o que vive
Pulando de galho em galho
O Bicho preguiça é aquele
Que é alérgico a trabalho
O Rato de palácio, sempre governo,
É esperto pra caralho

 

O Traíra deixa aliados
Se tornando oposição
O Sapo cururu é posto pra fora
Mas volta, com pistolão
O Jacaré come sozinho
Sua marca é a ambição

Por total conveniência
Age o camaleão
Defende uma coisa agora
Depois muda a opinião
O Raposa conhece tudo
É sábio na decisão

 

O abelha é o que faz cera
Ou então está voando
Igualzinho a você
Que tá aí comparando
Muitos outros animais
Com figurões deste bando

 

Mas isso vai acabar
Porque numa reunião
Os animais revoltados
Pediram ao rei leão
Pra por fim à putaria
Dessa vil comparação.

 

 

Autor : Marco Aurélio Ferreira Soares.

PIAUÍ : COM APENAS 1 VOTO VEREADORA TOMA POSSE.

Com 1 voto, vereadora toma posse

no PI e diz: “é chamado de Deus”

 

Vereadora Constância. "chamado Deus" para 09 meses de mandato.

 

 

Uma cassação no município piauiense de Coivaras, a 68 km de Teresina, elevou uma professora aposentada à vaga na Câmara Municipal como vereadora de um único voto. Constância Melo Carvalho (PMDB), 79 anos, tomou posse após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassar o mandato da vereadora Raimunda Costa dos Santos (PSDB) por infidelidade partidária. Ao tomar posse, Constância disse que chegou à Câmara devido a um “chamado de Deus”.

A posse de Constância Carvalho, na semana passada, chamou a atenção dos moradores. A vereadora disse que tinha registrado candidatura em 2008, mas desistiu na véspera, devido à morte do único filho, de 48 anos, vítima de câncer. Ele era seu coordenador de campanha. “Quando meu filho morreu, eu me desiludi com a política e pedi para que ninguém votasse em mim. Quando fui votar disse: ‘Não vou ser besta, vou votar em mim por causa da legenda do partido. E não é que deu certo?‘”, disse Constância.

Evangélica “desde os dois anos de idade”, Constância atribuiu o “impulso” do seu voto a um “chamado de Deus”. Ela, que é filiada ao PMDB há 14 anos, disse que vai trabalhar para construir uma Casa do Idoso e providenciar calçamento para a cidade. Sobre reeleição, disse que não sabe se vai disputar as eleições de outubro. Coivaras tem 3.398 habitantes e foi emancipada em 1993. A Câmara possui nove vereadores.

A história da aposentada se repete no Piauí. Em 2008, uma suplente de vereador de Pau d’Arco do Piauí que teve apenas um voto na eleição de 2004 tomou posse na Câmara Municipal. A vereadora Carmem Lucia Portela Santos (PSB) assumiu após o vereador Miguel Nascimento ter sido cassado pela Justiça Eleitoral.

(*) Fonte : Terra/YALA SENA

POLÍTICA – NASCIMENTO E MORTE : Um Quarto das CPI’s Não Produzem Relatórios. (*)

Um quarto das CPI’s não produz

relatório final no Brasil

 

 

Passados vinte anos desde a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de Paulo César Farias, cujo principal desdobramento foi o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, o Brasil acumula 92 CPIs instauradas no Congresso Nacional nas duas últimas décadas, entre comissões criadas pela Câmara, pelo Senado ou Mistas (com senadores e deputados).

Entre as comissões já encerradas, cerca de 25% (o equivalente a 25 CPIs) não aprovaram nenhum relatório, ou seja, nenhum documento que fosse aprovado pela comissão, permitisse que outros órgãos e outras instâncias punissem eventuais culpados de desvios

Das 92 comissões criadas, sete estão em curso atualmente. Isso inclui a CPI mista do caso Cachoeira, que está em fase de instauração no Congresso, e as comissões que investigam supostas irregularidades no Ecad (escritório que faz a arrecadação e distribuição de direitos autorais) e o tráfico internacional de pessoas no Brasil.
Do total das CPIs finalizadas, pouco mais de 70% chegaram a um relatório final, embora especialistas divirjam sobre a eficácia e o legado das investigações.

Os números foram levantados pela BBC Brasil com a ajuda da Câmara, do Senado e de um estudo dos pesquisadores Lucas Queija Cadah e Danilo Centurione, do Departamento de Ciências Políticas e do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da USP.
Como aponta o estudo, “as CPIs são objeto de sentimentos contraditórios por parte da sociedade e da imprensa: Ao mesmo tempo em que é lugar comum dizer que elas nunca levam a nada, sempre que se acha necessário investigar melhor algum acontecimento no âmbito do governo, defende-se fervorosamente a instalação de CPIs”

 

CPI’s, do nascimento à morte

 

As CPI’s nascem a partir do requerimento de um congressista, em geral a partir de denúncias ou clamor público, e dependem da assinatura de um terço dos membros da Câmara ou do Senado (dependendo de onde são instauradas; CPI’s mistas precisam de um terço de ambas as Casas).
Seu prazo de atuação é de 120 dias, prorrogáveis por mais 60.

A principal “causa da morte” de CPIs, explica Cadah, é a falta de assinaturas para protocolá-la. Passado esse estágio, algumas podem morrer na praia – perderem o prazo ou não apresentarem nenhuma conclusão –, mas, segundo ele, a maioria é concluída.
E, uma vez que a CPI é instalada, a lei não prevê nenhum requerimento que possa eliminá-la.
O relatório é uma peça importante, por se tratar de uma espécie de legado da CPI. É ali que os congressistas fazem recomendações para o próprio Legislativo ou para outros órgãos – Ministério Público, Tribunal de Contas da União, Poder Executivo, entre outros – sobre medidas a serem tomadas, pessoas a serem investigadas ou cassadas, mudanças legislativas a serem propostas.
O âmbito de atuação é amplo: diz a Câmara que as comissões “destinam-se a investigar fato de relevante interesse para a vida pública e para a ordem constitucional, legal, econômica ou social do país”.
Isso explica por que temos CPIs de assuntos tão variados, que englobam desde denúncias de corrupção política até biopirataria, direitos autorais, grilagem, tráfico de armas, tarifas de energia… E também desperta a preocupação quanto se é producente alocar recursos do Congresso em investigações sobre temas tão amplos e diversos, em vez de focar na atividade legislativa.
Mas, para Cadah, é possível ver vantagens nisso: “É de seu escopo discutir temas (caros à sociedade), contribuir pro debate legislativo. Algumas, como a da pedofilia, acabaram fazendo investigações em Estados onde a polícia pode estar contaminada pela corrupção”

(*) Jefferson Puff e Paula Adamo Idoeta
Da BBC Brasil, em São Paulo e Londres

CARUARU : DISPUTA EM QUEIROZ E MIRIAM ESTÁ EMPATADA.

CARUARU

Disputa entre Queiroz e

Miriam está empatada

 

 

 

Faltando sete meses para as eleições, o cenário da sucessão municipal em Caruaru, maior colégio eleitoral do Interior, aponta para uma disputa acirrada entre o prefeito José Queiroz (PDT), que tentará a reeleição, e a ex-deputada Miriam Lacerda (DEM). Pesquisa do Instituto Opinião, contratada exclusivamente pelo Blog do Magno, mostra um empate técnico entre os dois postulantes. Queiroz aparece com 35% e Miriam 34,1%. A margem de erro é 4%.

O candidato do PSDB, Diogo Cantarelli, recebeu 3,8% das indicações; Rivaldo Soares (PMDB) 3,2%; Licius Cavalcanti (PCdoB) 1,2%; Fábio do PSOL, 0,3%; e Marcelo Rodrigues (PV), 0,3%. Brancos e nulos somam 9,3% e os indecisos estão na faixa dos 12,8%. Foram aplicados 601 questionários na cidade de Caruaru e nas comunidades rurais de Cachoeira Seca, Juá, Lajes, Murici, Rafael e Terra Vermelha, entre os dias 31 de março e 1º de abril. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo de número PE-00011/2012.

Na pesquisa espontânea, modelo pelo qual o entrevistado é forçado a lembrar do nome do candidato sem o auxílio do cartão, o prefeito lidera com 22,6% contra 14,3% de Miriam. Foram citados, ainda, Tony Gel (DEM) por 2,5% dos entrevistados e mais os seguintes nomes: Rivaldo Soares com 1%; Diogo Cantarelli, 0,7%; Licius Cavalcanti, 0,5%; Raquel Lyra (PSB), 0,3%; João Lyra (PDT), 0,2%; Marcelo Rodrigues, 0,2%; e Romildo Arruda 0,2%. Nesta modalidade, os indecisos sobem para 52%.

Entre os entrevistados, José Queiroz aparece melhor situado entre os eleitores do sexo masculino (36,5% contra 33,8% de Miriam), na faixa etária acima de 60 anos (41,9% a 32,7%), entre os que têm curso médio (37% a 31%), nos que cursam ensino superior (47,6% a 25,4%) e, por fim, entre os que ganham entre três a cinco salários mínimos. A amostra também aponta que 44,4% dos caruaruenses desaprovam a gestão e 43,8% aprovam.

Já Miriam aparece melhor situada entre os jovens (40,4% contra 34,5% de Queiroz), entre os eleitores com grau de instrução até a quarta série (40% a 29,3%), da quinta série a oitava série (38,8% a 31%) e entre os que ganham até um salário mínimo (39,5% a 25,3%).

Fonte: FolhaPE

CONTO : QUEM ATIRA A PRIMEIRA PEDRA? – Por Luis Fernando Veríssimo. (*)

QUEM É 100% JUSTO

E SEM PECADOS?

 

E os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério, e perguntaram a Jesus se ela não deveria ser apedrejada até a morte, como mandava a lei de Moisés. E disse Jesus: aquele entre vós que estiver sem pecado que atire a primeira pedra. E a vida da mulher foi poupada, pois nenhum dos seus acusadores era sem pecado. Assim está na Bíblia, evangelho de São João 8, 1 a 11.

Mas imagine que a Bíblia não tenha contado toda a história. Tudo o que realmente aconteceu naquela manhã, no Monte das Oliveiras. Na versão completa do episódio, um dos fariseus, depois de ouvir a frase de Jesus, pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: “Eu estou sem pecado!”

— Pera lá — diz Jesus, segurando o seu braço. — Você é um adultero conhecido. Larga a pedra.

— Ah. Pensei que adultério só fosse pecado para as mulheres — diz o fariseu, largando a pedra.

Outro fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, gritando: “Nunca cometi adultério, sou puro como um cordeiro recém-nascido!”

— Falando em cordeiro — diz Jesus, segurando o seu braço também — e aquele rebanho que você foi encarregado de trazer para o templo, mas no caminho desviou dez por cento para o seu próprio rebanho?

— Nunca ficou provado nada! — protesta o fariseu.

— Mas eu sei — diz Jesus. — Larga a pedra.

Um terceiro fariseu pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a adultera, dizendo: “Não só não sou corrupto como sempre combati a corrupção. Fui eu que denunciei o escândalo da propina paga mensalmente a sacerdotes para apoiar a os senhores do templo.”

— Mas foste tu o primeiro a receber propina — diz Jesus, segurando seu braço.

— No meu caso foi para melhor combater a corrupção!

— Larga a pedra.

Um quarto fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: “Não tenho pecados, nem da carne, nem de cupidez ou ganância!”

— Ah, é? — diz Jesus, segurando o seu braço. — E aquela viúva que exploravas, tirando-lhe todo o dinheiro?

— Mas isto foi há muito tempo, e a mulher já morreu.

— Larga a pedra, vai.

E quando os fariseus se afastam, um discípulo pergunta a Jesus:

— Mestre, que lição podemos tirar deste episódio?

— Evitem a hipocrisia e o moralismo relativo — diz Jesus.

E, pensando um pouco mais adiante:

— E, se possível, a política partidária.

(*) Fonte :  blogdoNoblat.