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Artigo : DILMA E O BLOCO DOS SUJOS. – Por Ruth de Aquino. (*)

Dilma e o bloco dos sujos

 

Chantagear a presidente e impedir votações

importantes não ajuda nem o Senado nem o país

 

Algo me diz que, se Renan Calheiros, Romero Jucá e Blairo Maggi estão possessos com Dilma, a presidente está certa. Não reconheço em nenhum dos três senadores acima condições morais para exigir cargos de liderança ou ministérios.
Se os parlamentares, em vez de se esconder em Brasília, quisessem escutar a voz do povo, que paga seus salários e privilégios absurdos em troca de nada, saberiam que Dilma está bem melhor no filme do que eles. Chantagear a presidente e impedir votações importantes no Congresso não ajuda os senadores. A base real, o eleitorado, enxerga o Congresso como venal e fisiologista, atuando em benefício próprio e contra o interesse público.

Vou me abster de enfileirar aqui escândalos de que Calheiros, Jucá e Maggi foram acusados, que envolvem superfaturamento, desvio de dinheiro, abuso de poder, fraudes, compra de votos, uso de laranjas e doleiros. Uma página não seria suficiente. Mas estão todos aí, vivinhos da silva, pintados de guerra e bravatas, graças ao toma lá dá cá tropicalista.

Estão aí também porque, à maneira do ex-presidente Lula, são camaleões, mudam convicções e ideias – se é que as têm – ao sabor de quem manda. Pode ser PT, PMDB, PSDB, não importa. Jucá foi presidente da Funai no governo Sarney em 1986. Aprendeu a se fazer cacique e atravessou governos incólume.

O que importa para os políticos “com traquejo” é manter a boquinha. E se tornar eterno. O presidente vitalício do Senado, José Sarney, uma vez mandou carta a esta coluna reclamando do adjetivo “vitalício”. Achou injusto.

O que importa para o Senado é aumentar de 25 para 55 o número de cargos comissionados por parlamentar. O gasto anual subiu 157%, de R$ 7,4 milhões para R$ 19 milhões, se contarmos apenas o vale-refeição. Os “comissionados” são servidores contratados com nosso dinheiro, sem concurso público, pelos senadores. O guia do parlamentar diz que cada gabinete pode contratar 12 servidores. A Fundação Getulio Vargas, em estudo de 2009, definia como teto 25 funcionários de confiança por senador. Por causa de uma “brecha” (chamo isso de outra coisa), esses 25 se tornaram 55. Quantos fantasmas, alguém arrisca uma estimativa dos que nem aparecem para trabalhar? Muitos senadores liberaram seus fantasmas da exigência de ponto. São coerentes nisso. Como exigir ponto de invisíveis?
O campeão dos comissionados é Ivo Cassol, do PP de Rondônia, que contratou 67. Repetindo: Rondônia. Mas nosso inesquecível Fernando Collor, do PTB de Alagoas, não faz feio no ranking: tem 54 pajens. Collor “aconselhou” Dilma a não peitar o Congresso, porque ele teria sofrido impeachment por ser impetuoso demais. Falta memória ou desconfiômetro? É por essas e outras que os programas de humor na televisão têm reforçado suas equipes no Congresso. A OAB diz que os fantasmas são imorais – até o Facebook está pensando em censurá-los. Estão pelados, pelados, nus com a mão no bolso.
E daí? Alguém vai fazer algo ou a pauta do Congresso, fora da “zona de conforto”, é a queda de braço com Dilma e o boicote a temas reais?

Que injustiça, não vamos generalizar. Existe um tema real, candente, tão importante que une todos os partidos. Da base aliada, da base oposicionista, da base mascarada. Não é o Código Florestal. Dezoito partidos pediram ao Tribunal Superior Eleitoral que libere os candidatos com “conta suja”. Políticos com gastos de campanha reprovados deveriam disputar eleição, como sempre foi. Por que mudar a regra?
Dá para entender o rebuliço. Só em três Estados, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, as contas de 1.756 políticos foram reprovadas, e eles não poderiam concorrer. No país inteiro, é um blocão de sujos, e cada vez aumenta mais. Resista, TSE.

Dilma enfrentou das viúvas do Lula nos últimos dias uma saraivada de críticas a seu estilo. Foi comparada ao lutador Anderson Silva, do vale-tudo. Cientistas políticos dizem que ela mexeu numa casa de marimbondos. Devem ter se referido aos marimbondos de fogo. É ruim isso? Ela não teria traquejo, nem gosto para a política, uma presidente isolada, sem amigos. Que amigos? Os que compõem dinastias, oligarquias e são donos de capitanias hereditárias? Quando Lula distribuía afagos e benesses, era acusado de lotear o Estado. Agora, Dilma é acusada de intempestiva, virulenta e de colocar um turrão e um durão no Senado e na Câmara.

A frase da semana é do presidente do PR e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, deposto por suspeitas de irregularidades em julho do ano passado. Ele saiu em defesa da bancada vira-casaca do PR. Ameaçou o governo: “Acabou, chega! Ninguém aqui é moleque”. É. Pode ser. Afinal, os senadores se tratam por Vossa Excelência. Os moleques devemos ser nós, os 190 milhões que vêm sendo tratados como trouxas.

RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)

(*) Ruth de Souza. Articulista da revista Época.

OPINIÃO : A BIENAL DO LIVRO DE BRASILIA TAMBÉM TEM SEU “GURU”. – Por Augusto Nunes. (*)

Direto ao Ponto

 

 

O guerrilheiro de festim que articulou

o mensalão e prospera como facilitador

de negócios também virou palestrante

 

 

Parida pelo governador Agnelo Queiroz e sustentada pelas estatais de sempre, a Bienal do Livro de Brasília tem a cara do pai e o caráter dos padrinhos. É compreensível que o companheiro José Dirceu esteja no elenco de palestrantes do “evento literário” que pretende animar as noites da capital entre 14 e 23 de abril. Segundo a programação de estreia, o chefe da quadrilha do mensalão vai discorrer sobre “O fim das utopias e a ditadura do mercado”.

Dirceu deveria aproveitar o tema para contar a verdadeira história do guerrilheiro de festim que caiu na vida para subir na vida. Como tal surto de sinceridade pode dar cadeia, o palestrante provavelmente dirá que só aceitou suspender por uns tempos a luta pela implantação da ditadura do proletariado depois de submetido a atrozes sessões de tortura por carrascos a serviço da elite golpista. Para sobreviver, conformou-se com o ofício de “consultor”.

É por estar sob o jugo da ditadura do mercado, portanto, que Dirceu anda ganhando um dinheirão como facilitador de negócios tramados por capitalistas selvagens. Tão logo recupere a liberdade, voltará a perseguir o paraíso socialista em tempo integral ? e empunhando um trabuco, se necessário.

Diga o que disser, o palestrante vai embolsar o cachê de R$ 5 mil. É também por isso que Dirceu sempre quis ser Lula. Para contar mentiras, o chefe ganha 40 vezes mais.

(*) Postado originalmente no blog Augustonunes.

EXECUTIVO X LEGISLATIVO : Dilma testa a sua base parlamentar. (*)

POLÍTICA

Dilma testa limites da base

parlamentar (Editorial)

 

Praça dos Três Poderes em Brasilia. (Dois deles estão medindo forças...)

 

 

 

Assim como foi ungida e eleita pela força de Lula, Dilma Rousseff recebeu do patrono uma equipe de governo montada. Por uma dessas trapaças do destino, escândalos começaram a abrir espaço à presidente para tentar montar uma equipe própria logo nas primeiras semanas de Planalto.

O primeiro a sair do circuito, mal iniciado o governo, foi Antonio Palocci, colocado na Casa Civil com a evidente função de manter pontes com o passado. Dilma logo preencheu o vazio como quis (Gleice Roffmann no lugar de Palocci, e, num troca-troca com Luiz Sérgio, este deixou a coordenação política com Ideli Salvatti e foi para o cargo dela na Pesca).

O desmonte do Ministério lulopetista prosseguiu à medida que surgiam casos de desvio de verbas públicas por meio de convênio com ONGs fajutas, malversação de emendas parlamentares, sobrepreços em obras de infraestrutura, entre outros golpes.

Mas, no preenchimento dos cargos, ficou evidente a força dos compromissos herdados de Lula. O ministro apanhado em delito saiu, porém o partido dele continuou dono do pedaço.

A destituição de Romero Jucá (PMDB-RR) da liderança do governo no Senado é mais uma tentativa de Dilma de ganhar alguma independência. O afastamento de Jucá é positivo, por afirmar a autoridade de uma presidente refém de acertos lastreados no fisiologismo. E veio depois da provocação feita com a rejeição no Senado da recondução de Bernardo Figueiredo, indicado por ela, à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A dimensão do ato extrapola o senador de Roraima e atinge, na verdade, o grupo que controla a Casa: os peemedebistas José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). O troco presidencial teve requintes, porque foi nomeado novo líder Eduardo Braga (PMDB-AM), crítico do esquema de poder existente no Senado.

A resposta veio rapidamente: Romero Jucá, o camaleônico parlamentar sempre à disposição do poderoso do momento, ganhou a relatoria da comissão mista do Orçamento de 2013, cargo estratégico. O cerco a Dilma se mantém. Dilma aproveitou e, na Câmara, substituiu o petista Cândido Vaccarezza (SP), na liderança do governo na Casa, por outro petista paulista, Arlindo Chinaglia. Zerou a pedra das colisões entre Vaccarezza e Ideli Salvatti.

A dúvida é sobre a estratégia de Dilma para lutar esta boa batalha.

Sem considerar o contexto histórico, cabe lembrar que Stalin, ao ser aconselhado a não perseguir os católicos, perguntou: “Quantas divisões militares tem o Papa?” E quantas divisões, no campo político de batalha, Dilma tem?

Conspira contra sua correta intenção de fazer um governo próprio, com sua marca, o fato de ocupar a cobertura de um edifício construído por uma engenharia política fisiológica, e que só funciona na base do toma lá dá cá.

Tanto quanto isso, o cenário econômico é muito diferente daquele que permitiu o patrono de Dilma administrar sem maiores problemas, não uma equipe, mas uma confederação de grupos e aparelhos, sem comungar um projeto comum a não ser o do poder pelo poder e o de vantagens pecuniárias. Sem contar a facilidade de Lula para fazer política, dom inexistente em Dilma.

Começa a se configurar um cenário tensionado em que a presidente precisa cada vez mais executar um projeto para enfrentar os problemas econômicos, mas sua base parlamentar tem outras preocupações, as mesmas cultivadas durante oito anos.

(*) Editorial de O Globo.

SANHARÓ E A POLÍTICA : PRA ONDE CAMINHA A SUCESSÃO. Entrevista com Nielson Fernandes. (*)

S A N H A R Ó

DE OLHO NA SUCESSÃO 2012

 

 

"Coronel" Nielson Fernandes. "O grupo tem cinco ou seis nomes aptos a suceder César"...

 

(ENTREVISTA COM NIELSON FERNANDES)

 

 

Um verdadeiro líder não é aquele que tem mais seguidores, mas o que forma outros líderes. O verdadeiro coronel não é aquele que tem mais condecorações, mas aquele que confere dignidade real a mais pessoas. Um verdadeiro ser político não é aquele que ganha uma eleição, mas o que implanta um modelo de gestão duradouro, que fornece melhores dias para seu povo e consegue preservá-lo no poder.

Existem pessoas que ingressam na política para aparecer, para subir no palanque, para abraçar o povo, para dar entrevistas. Outras, depois de eleitas, preferem a ausência, o silêncio e o obscurantismo. Existem ainda àqueles que são como “fogo de palha”, que se elegem a custa de uma moda e logo desaparecem. Poucos ocupam um espaço reservado, singular: os bastidores. Opinando, pensando e arquitetando o modo de agir para só depois ter descanso. Nielson de Brito Bezerra é fanático por bastidores.

Aos 52 anos, pai de um casal, o “Coronel”, como é mais conhecido, deixou de aventurar eleições e dedicou boa parte de sua vida a pensar em política. Suas atitudes são pensadas milimetricamente, como se estivesse jogando uma partida de xadrez, cujo Rei busca um substituto à altura. Cabe ao grupo político, formado principalmente pelos partidos PC do B, PSB e PT, preparar o novo comandante de Sanharó, ou seja, eleger um nome que supere ou pelos menos iguale a ótima aprovação popular que César detém. “Nomes, no momento, não importam”, diz Nielson, com uma segurança incrível. Veja a entrevista concedida ao repórter Flávio J. Jardim:

 

 

INFORME PE – Como foi quebrar a hegemonia do grupo de Bibi?

 

NIELSON – No início, foi trabalhoso diante das circunstâncias em que Waldemir conduzia a política local. Como a população estava muito massacrada naquele momento, nossa proposta foi bem recebida por todos. Quem provocou a mudança foi o nosso grupo, mas a população se empenhou em conseguir realizar e mudar a situação do município.

 

INFORME – E como esse grupo foi formado?

 

Nielson – Nós tínhamos um esboço de grupo político, remanescente de outras campanhas. Aos poucos fomos agregando as pessoas, principalmente jovens, inconformados com a real situação. Com o passar do tempo, mais e mais pessoas foram se juntando e o grupo foi crescendo a partir de uma eleição de deputado, mostrando que havia viabilidade. Conseguimos formatar um projeto político, um projeto de gestão que culminou na eleição de César, desencadeando esse processo que estamos até hoje.

INFORME – Foi aí que César surgiu ou já ele participava do grupo?

Nielson – César era uma pessoa totalmente apolítica. Vivia do trabalho e sempre foi uma pessoa muito querida, prestativa. Não concordava com as atitudes políticas dos antecessores, mas evitava se manifestar por questões familiares. Depois foi se integrando mais ao grupo.

INFORME – Foi por imposição de César que Nelbinho foi vice-prefeito?

Nielson – Exatamente. No momento em que se decidiu que o candidato era César, ele fez essa exigência. Só aceitaria ser candidato se Nelbinho fosse o vice. Naquele momento, Nelbinho estava afastado do dia-a-dia da política. Foi necessária uma conversação entre Nelbinho com o grupo para que ele retornasse e cedesse seu nome para a chapa.

INFORME – Como foi o início da gestão. Sabe-se que o município estava sucateado…

NielsonFoi confusão total. Sequer a chave do prédio da prefeitura nos foi entregue. Encontramos toda a estrutura do patrimônio do município totalmente destruída. Não havia as mínimas condições de funcionamento e foi necessário que a própria população se manifestasse indo às ruas para buscar, reaver todos os bens de Sanharó para se ter um início de gestão. Nos primeiros anos foi tudo tumultuado.

INFORME – No início você foi secretário…

NielsonNa realidade eu fui secretário de Educação em regime de voluntariado. Diante das circunstâncias, das dificuldades, não formamos uma equipe de secretários. Recrutamos pessoas do grupo para iniciar a administração e cada um desenvolveu uma tarefa. A mim, coube cuidar da Educação em virtude da grande dificuldade em que se encontrava, inclusive, principalmente para reaver os prédios das escolas do município.

INFORME – Só após dois anos é que Sanharó conseguiu renascer?

Nielson – Depois do segundo ano, já havia uma estrutura administrativa razoável e foi então que César conseguiu dar início ao projeto de gestão. Contando com o apoio de companheiros do município, da região e de nossos companheiros a nível estadual e federal.

INFORME – Mesmo com as dificuldades, César conseguiu ter êxito no primeiro mandato. A reeleição foi mais fácil?

Nielson – A reeleição foi basicamente um plebiscito. As pessoas tinham duas opções: quem concordasse com as mudanças concretizadas votavam em César, que não… A maioria esmagadora, concordou.

INFORME – E hoje, falta alguma mudança na administração?

Nielson – Muita coisa tem que ser acrescentada. Devido à dificuldade do início, os sete anos e dois meses não foram suficientes para implantar totalmente o projeto de gestão previsto para esse período. No próximo quadriênio, iremos implantar o restante do projeto administrativo, acrescentando novas ações e aperfeiçoando o que foi implementado.

INFORME – O grupo já conta com nomes para a sucessão de César?

Nielson – Temos várias alternativas. O grupo tem cinco ou seis nomes aptos para suceder César. Nossa preocupação maior é formatar o projeto administrativo dos próximos quatro anos. Está sendo concluído. Após a realização, iremos selecionar dentro no nosso quadro a pessoa que mais se assemelha, que tenha mais aptidão para concretizar esse projeto administrativo.

INFORME – O fato de Nelbinho ser seu irmão pode beneficiá-lo nessa escolha?

Nielson Não. Nosso grupo é muito coeso e, além de tudo, desprovido de ambições pessoais. Uma prerrogativa para quem for ungido candidato a prefeito é que “não parta com ambições pessoais e queira apenas trabalhar para desempenhar o projeto administrativo”. Uma das características mais importantes é não ter vaidade pessoal e não pensar em um projeto isolado, pessoal. É trabalhar para desempenhar a tarefa para o bem da coletividade.

INFORME – Então, antes da escolha, os partidos da base serão ouvidos?

Nielson Todos os partidos da base serão ouvidos. A discussão do nome, a decisão do nome, vai depender da escuta de toda a base política, principalmente vamos ouvir o grupo central, o chamado “Centrão”, o grupo núcleo que formou essa mudança política em Sanharó. Após toda essa discussão, sairá o nome do candidato a prefeito e a vice de Sanharó.

INFORME – O Governador Eduardo Campos vai opinar nessa decisão?

Nielson O governador ajudou muito, contribuiu muito para que o nosso projeto administrativo fosse implantado. Então, claro que ouviremos as “sugestões” do governador.

INFORME – O grupo tem um desafio maior, que é eleger um prefeito que seja igual ou melhor que César?

Nielson – Naturalmente, sempre se busca o aperfeiçoamento. César é uma pessoa imprescindível no nosso projeto de gestão. A experiência que ele adquiriu, a experiência administrativa, o conhecimento do dia-a-dia da gestão pública é imprescindível no nosso projeto político. É justamente dessa forma que quem vier a assumir terá facilidade, pois vai ter ao lado uma pessoa experiente.

INFORME – Esse modelo de gestão elaborado pelo grupo deve durar quanto tempo?

Nielson – Esse projeto foi elaborado para ir fundo. Até que a sociedade consiga a autogestão.

INFORME – E a oposição como se comporta?

Nielson – Na realidade, a oposição que gostaríamos era uma oposição construtiva, de um debate elevado e que trouxesse novos elementos que acrescentasse e aprimorasse a gestão administrativa. Infelizmente eles não têm nos dados essa oportunidade e têm negado esse direito à população. Qualquer gestão para se desenvolver plenamente, é necessário que haja uma boa oposição.

INFORME – O que motivou a divergência entre Li, o Presidente da Câmara, e o grupo?

Nielson – Devido a pouca experiência política, o camarada Li não conseguiu esperar pelo momento oportuno para alçar voos mais altos. Acredito que dado à sua origem política, que não é muito doutrinaria, o influenciou a chegar nessa situação de isolamento.

INFORME – Qual será o futuro político de César?

Nielson Ele é imprescindível no nosso projeto político. Já que respira política 24 horas por dia nos últimos anos, terá um mês de férias (risos). Irá, juntamente com o grupo, desenvolver o nosso trabalho, orientando o novo gestor, encaminhando às questões do município a Recife, já que ele é detentor de trânsito livre no Governo do Estado. Provavelmente será nosso interlocutor junto aos vários setores do Governo do Estado, além de ser um elo forte entre o governo estadual e outras cidades da microrregião.

INFORME – O novo gestor de Sanharó terá maioria na câmara de vereadores?

NielsonAssim esperamos. Vamos conseguir a maioria. É importante salientar que as pessoas pensam muito no cargo de prefeito, mas temos outros cargos que são importantes, como é o caso da câmara. Nós precisamos de vereadores que estejam envolvidos com o desenvolvimento de Sanharó. Um bom poder executivo tem que caminhar junto com um bom poder legislativo.

INFORME – O grupo terá representação feminina?

Nielson – A mulher, ao longo dos anos, tem conquistado seu espaço em todos os segmentos da sociedade. Precisamos de mulheres na câmara e no nosso grupo político.

(*) Fonte: Informe PE.net

PESQUEIRA EM 02 MOMENTOS : MORRE O EX VEREADOR RAIMUNDO BEZERRA. – Editoria Política

Ex-vereador Raimundo Bezerra é

sepultado em Pesqueira

 

 

De personalidade forte, o ex-vereador e agropecuarista Raimundo Bezerra da Silva, fez história na política pesqueirense. Foi presidente da câmara pelo extinto Partido da Frente Liberal (PFL) entre 1989 e 1992, na época do governo João Leite. Na legislatura anterior (1982 a 1988), no primeiro mandato de Evandro Maciel Chacon (na época do PFL), foi personagem de um dos fatos políticos mais inusitados de Pesqueira e de Pernambuco: era um dos três irmãos que se elegeram vereadores e tinha que se confrontar na tribuna da Casa Anísio Galvão com o próprio sangue. Raimundo, Bonifácio e Daniel Bezerra, filhos de Zé Novo, foram os três irmãos que se elegeram numa mesma legislatura, caso nunca ocorrido na história da política brasileira. Raimundo pelo PDS, Bonifácio pela sublegenda PDS II e Daniel pelo PMDB. “A convivência era democrática. Eram amigos, mas defendiam ideais diferentes”, explica Danielzinho, filho de Daniel e sobrinho de Raimundo.

Raimundo de Zé Novo, como era mais conhecido, após duas vitórias seguidas (entre os anos de 1982 a 1992), perdeu espaço político e deixou de lado a vida pública. Dedicou-se, neste ínterim, ao negócio agropecuário. Radicou-se por alguns anos em Mato Grosso e visitava o município vez por outra. Recentemente, voltou a Pesqueira e filiou-se ao Partido Verde (PV), cuja legenda seria suporte da candidatura a vereador que defenderia em outubro deste ano.

Lutava bravamente contra o câncer, mas não resistiu às complicações do mal e veio a falecer na última segunda-feira, dia 06 de fevereiro, em Arcoverde. O sepultamento ocorreu na terça-feira, dia 07, no cemitério de Pesqueira e o cortejo foi acompanhado por milhares de pessoas e autoridades, inclusive a prefeita Cleide Oliveira, o vice Vambrug Sá e colegas vereadores. A câmara de vereadores decretou luto oficial por três dias.

Pesqueira:

vereador Erisvaldo Guedes

luta pelo mandato

 

Vereador Eris Guedes.

 

Recluso desde ontem, dia 08, no presídio Desembargador Augusto Duque, em Pesqueira, o vereador Erisvaldo Guedes de Carvalho (PP) está calmo e espera que “a Justiça seja feita” para ganhar a liberdade. A informação foi dada pelo irmão dele, o ex-vereador Eraldo Guedes, que hoje (quarta-feira) procurou a Câmara de Pesqueira em busca de informações jurídicas para tentar solucionar o caso. Eraldo informou que advogados trabalham na tentativa de libertar o vereador nas próximas horas.

A Polícia Civil de Pesqueira, com o apoio da Polícia Militar, cumpriu nesta quarta-feira ao meio-dia um mandado de prisão preventiva, expedido contra o vereador, que é primeiro-secretário da Câmara Municipal de Pesqueira. O delegado titular de Pesqueira, Luiz Bernardo Moraes, que comandou a operação, informou a um blog local que o vereador foi condenado em segunda instância no Tribunal de Justiça de Pernambuco, incurso no artigo 129 § 2º, Inc. I, III e IV do Código Penal Brasileiro, por lesão corporal gravíssima.

O delegado informou ainda que os policiais após tomarem conhecimento do mandado fizeram campana em frente à câmara de vereadores e depois próximo da residência do vereador. Após terem a certeza do mesmo estar em casa, realizaram a prisão do político, que está à disposição da justiça local. A pena imposta pela justiça é de seis anos de reclusão em regime semiaberto e ficará a critério do Juiz da Vara de Execuções Penais de Pernambuco, a forma como o imputado irá cumprir a pena.

De acordo com informações da Assessoria Especial da Câmara de Vereadores de Pesqueira, baseadas na Lei Orgânica do Município, de abril de 1990, “pode perder o mandato o vereador que sofrer condenação criminal em sentença definitiva e irrecorrível”, o que não é o caso de Eris Guedes. Mas a notícia caiu como uma bomba nos meios políticos de Pesqueira, uma vez que não é primeira vez que o vereador tem seu mandato ameaçado. Eris Guedes responde também a uma investigação por infidelidade partidária, quando trocou o PSDB pelo PP.

Já uma fonte, que preferiu não se identificar, informou que, confirmada a condenação de Eris Guedes, qualquer vereador poderá solicitar a instauração de um Requerimento de Cassação por Quebra de Decoro Parlamentar, que pode ou não ser aceita e avaliada pela presidência da câmara. A fonte lembrou ainda que “nenhum funcionário público pode exercer o cargo tendo condenação criminal”. O Presidente da Casa Evandro Junior informou, através de sua assessoria, que só vai se pronunciar sobre o caso após ouvir o Departamento Jurídico da Câmara de Vereadores de Pesqueira.

O vereador é acusado de, em 1998, desferir um tiro contra um amigo depois de uma discussão numa bebedeira. Após a confusão, a vítima permaneceu hospitalizada por meses e ficou até hoje com sequelas irreparáveis.

HÁ 66 ANOS NA HISTÓRIA DO BRASIL : A REDEMOCRATIZAÇÃO DE 1945.(*)

02 de Dezembro de 1945

A REDEMOCRATIZAÇÃO DO

BRASIL

 

 

Processo de restabelecimento do sistema democrático no Brasil que começa no final do Estado Novo e consolida-se no governo Eurico Gaspar Dutra.

A partir de 1943, a pressão interna contra a ditadura de Getúlio Vargas cresce. No final do ano, um grupo de intelectuais lança o Manifesto dos Mineiros, exigindo liberdade de pensamento. O documento repercute. Nos dois anos seguintes, a luta pela redemocratização intensifica-se, apesar da repressão. Diante das pressões internas e da perspectiva de vitória dos Aliados na II Guerra Mundial, no início de 1945, Vargas concede anistia aos presos políticos, reforma a legislação partidária e eleitoral, anuncia eleições gerais e convoca uma Assembléia Constituinte. Também patrocina a criação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Social Democrático (PSD), por meio dos quais pretende entrar na campanha eleitoral. O PTB ensaia lançar o ditador como candidato à própria sucessão, manobra que provoca reação dos adversários do governo. Setores civis e militares articulam um golpe, e, em 2 de outubro de 1945, Vargas é deposto.

No dia 2 de dezembro de 1945, foram realizadas eleições para a presidência da República e para a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Na ocasião, a chefia de governo estava a cargo de José Linhares, que em 30 de outubro, em seguida à ação militar que depôs Getúlio Vargas e pôs fim ao Estado Novo, havia deixado a presidência do Supremo Tribunal Federal para assumir a presidência da República.

GETÚLIO vARGAS RENUNCIOU EM 30 DE OUTUBRO DE 1945.

 

Três foram os candidatos que disputaram a eleição presidencial: o brigadeiro Eduardo Gomes, apoiado por uma ampla frente de oposição a Vargas reunida em torno da União Democrática Nacional (UDN); o general Eurico Dutra, apoiado pelo Partido Social Democrático (PSD), comandado pelos interventores estaduais durante o Estado Novo, e mais tarde pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), cuja base política era formada principalmente por trabalhadores urbanos filiados a sindicatos vinculadas ao Ministério do Trabalho; e Iedo Fiúza, lançado pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), que contava com os votos das camadas médias e populares das grandes cidades brasileiras.

Homologação da candidatura de Dutra no Theatro Municipal de Rio de Janeiro em 17 de Julho de 1945.

 

Até meados do mês de novembro, enquanto a candidatura udenista crescia, impulsionada pelo apoio de importantes órgãos de comunicação, a do seu principal competidor, o general Eurico Dutra, não conseguia empolgar o eleitorado varguista, até porque o ex-ditador, recolhido a São Borja, permaneceu em silêncio sobre os candidatos durante quase toda a campanha presidencial, restringindo-se a convocar o eleitorado a apoiar a legenda do PTB.

Dois eventos vieram mudar esse quadro. O primeiro deles foi o desencadeamento de uma intensa campanha contra a candidatura de Eduardo Gomes, levada a efeito pelo líder varguista Hugo Borghi, que usou como pretexto uma declaração do brigadeiro de que não estava interessado em receber o voto da “malta de desocupados” que freqüentava os comícios de Vargas durante o Estado Novo. Borghi descobriu que o termo “malta”, além de significar “bando, súcia”, podia designar também “grupo de operários que percorrem as linhas férreas levando suas marmitas”. Sua estratégia foi denunciar o candidato udenista como elitista e contrário ao trabalhador, já que desprezava o voto dos “marmiteiros”. A campanha contra Eduardo Gomes surtiu efeito e passou a mobilizar o eleitorado popular em direção à candidatura de Dutra. O segundo evento que contribuiu para o mesmo resultado foi a divulgação de um manifesto de Getúlio Vargas, assinado em 25 de novembro, somente uma semana antes do pleito, no qual o ex-presidente conclamava o povo a votar em Dutra.

 

Candidato vencedor das eleições de 1945: General Eurico Gastar Dutra.

Realizadas as eleições, Dutra obteve 55% dos votos, enquanto Eduardo Gomes alcançou 35% e Iedo Fiúza, 10%. O PSD repetiu a vitória nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte. Obteve 61,9% dos votos para o Senado e 52,7% para a Câmara dos Deputados, conquistando dessa forma a maioria nas duas Casas do Congresso Nacional. A UDN, o PTB e o PCB receberam respectivamente 23,8%, 4,7% e 2,3% dos votos para o Senado e 26,9%, 7,6% e 4,8% dos votos para a Câmara dos Deputados.

GETÚLIO VARGAS

 

Eleito senador (por Rio Grande do Sul e São Paulo) e deputado constituinte (por Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Bahia), conforme permitia a legislação eleitoral da época, Getúlio Vargas recebeu uma votação consagradora, de cerca de 1.150.000 votos, confirmando a força política do seu nome e contribuindo de forma decisiva para o fortalecimento do PTB.

 

Vargas com maigos por ocasião da sua posse como Senador da República no Rio de Janeiro.

A realização das eleições foi um passo importante na redemocratização do país. Outros seriam dados a seguir: em 31 de janeiro de 1946 Dutra tomou posse na presidência da República e em 2 de fevereiro foi instalada a Assembléia Nacional Constituinte. Somente em junho Vargas assumiu sua cadeira de senador, representando seu estado natal. Finalmente, em 18 de setembro de 1946 a Constituição foi promulgada, sem a assinatura de Getúlio, que havia retornado ao Rio Grande do Sul.

(*) Fonte: www.cpdoc.fgv.br

O HOMEM E A SUA HISTÓRIA : Meu ingresso na Casa do Estudante de Pernambuco. I – Por Leonides Caraciolo.

MEU INGRESSO NA

CASA DO ESTUDANTE

DE PERNAMBUCO

 

 

(CASA DO ESTUDANTE DE PERNAMBUCO – 80 ANOS DE ACOLHIMENTO E BENEFÍCIOS. A SALVAÇÃO DE MUITOS PERNAMBUCANOS).

Tenho nos meus arquivos, como reminiscências, alguns panfletos, lançados entre 1959 e 1962, na CASA DO ESTUDANTE DE PERNAMBUCO – CEP. A maioria deles se refere à campanha para a sucessão da presidência em 1960, quando fui candidato vitorioso.

Antes de apresentar esses panfletos, faço nesse capítulo, para uma melhor compreensão, alguns esclarecimentos a respeito de minha passagem e atuação política na CEP, durante o período em que lá permaneci. É evidente que, já passados cerca de 50 anos, a memória não mais ajuda a trazer à lume muitas passagens que estão para sempre sepultadas pelo tempo.

Fui para a Casa do Estudante de Pernambuco, inicialmente, apenas para fazer refeições, morando em uma pensão situada na Av. Portugal, vizinha da Casa da Universitária. Era regra estabelecida que para ser sócio interno da Casa, primeiro o estudante era admitido para pegar xepa, com o que se habilitava a uma vaga ao internamento, passando por um estágio num quarto coletivo chamado de senzala, onde se acomodavam oito xepeiros.

Xepa e xepeiro são dois termos muito usado, e com uma conotação específica, no linguajar dos sócios da Casa do Estudante de Pernambuco. Segundo Waldênio Porto, da Academia dos Médicos Escritores de Pernambuco e atual presidente da Academia Pernambucana de Letras, que vivenciou o ciclo completo da xepa, o autentico xepeiro é o sócio externo que mora nas pensões dormitórios, indo três vezes ao dia à Casa nos horários das refeições.

Meu ingresso na CEP devo ao empenho do meu amigo, de saudosa memória, e colega do curso clássico do Colégio Salesiano, xepeiro de Algodões, distrito de Sertânia, Tércio Soares de Aquino, que conseguiu junto ao grupo político cepiano do sertão a inclusão do meu nome na relação daqueles que deveriam ser admitidos como novos sócios no começo de 1958.

Cursava então o segundo ano de Engenharia da Escola Politécnica de Pernambuco. Entrei para a Casa sem nenhuma pretensão política, jamais pensei em ocupar qualquer cargo na CEP. Queria apenas ser xepeiro, não só por ir viver em ambiente puramente estudantil, mas também diante da proximidade entre os locais de moradia, refeições e estudo.

Deixei de utilizar os ônibus das linhas que passavam na Praça do Derby, do bairro da Boa Vista, onde eu morava na rua Dom Bosco (pensão de dona Lecor) e depois na rua Gervásio Pires ( pensão de dona Salaberga) até a praça do Internacional onde ficava a Escola Politécnica. Isso representava para mim não só uma redução nas parcas despesas de estudante como também uma economia de tempo.

Na pensão de dona Licor, casada com seu Noé Ferraz, dono de folclórico bar de Arcoverde, moravam os seus filhos, também estudantes naquela época: Luíz Wilson (depois, médico, escritor e deputado), Arnaldo, engenheiro do DNOCS, Cleomadson, estudante de medicina, e Rod de La Roque, estudante de agronomia; morava ainda o meu amigo e conterrâneo José Lacy de Freitas, estudante de agronomia e vários estudantes de Serra Talhada, entre eles, o hoje deputado federal Inocêncio de Oliveira.

A localização estratégica da CEP no Derby funcionava como que um centro geográfico em relação às unidade de ensino superiores da época. Iam-se a quase toda elas a pé.

A Faculdade de Odontologia logo em frente da Casa, a Faculdade de Medicina na extremidade do Praça do Derby, quase por trás da Escola Técnica; para ir-se a de Ciências Medicas e à Escola Politécnica apenas se atravessava a ponte sobre o rio Capibaribe, ao lado do Quartel da Policia Militar; a Faculdade de Química à rua Dom Bosco no fim da rua Henrique Dias, onde fica a própria CEP. Um pouco mais distante na rua do Hospício, ficavam a Escola de Engenharia e Faculdade de Ciências Econômicas, bem próximo à Faculdade de Direito do Recife no Parque 13 de Maio, mesmo assim, muitos xepeiros iam para lá a pé sem suar a camisa.

Alguém ( não me recordo quem) sugeriu o meu nome para candidato a assistente e como sócio com pouco meses de Casa não possuía nenhuma aresta, só amizade, inclusive com José Leal, líder do grupo cepiano do sertão. Houve consenso dentro do grupo em torno do meu nome, de modo que tive uma eleição tranqüila.

Após as férias de julho daquele ano (1958), surgiu a questão da escolha dos componentes da Comissão Central da XIX Festa da Mocidade, realizada sempre nos meses de dezembro e janeiro no Parque 13 de Maio e promovida pela Casa do Estudante de Pernambuco. A Comissão era composta por três membros, sendo que a presidência era ocupada pelo próprio presidente da Casa, que também tinha a atribuição de fazer as designações dos outros dois membros, como respectivo e competente referendo do Corpo de Assistentes. Fui designado como um dos componentes da Comissão, com a atribuição da fiscalização geral do Parque de Diversão, dos estandes de exposições e jogos, o que me dava o direito de designar os fiscais, um para cada estande, função que só poderia ser ocupado por xepeiro. Todas as noites, antes do inicio da Festa, distribuía os fiscais xepeiros, recebendo cada um remuneração de acordo com a renda do estande. Teatro e cartão permanente eram outros atrativos para os xepeiros. O teatro porque a primeira fila era destinada por força contratual a eles, cujos ingressos eram distribuídos gratuitamente todas as noites antes do espetáculo. O cartão permanente que a direção do Parque de Diversão dava aos membros da Comissão para ser utilizado também gratuitamente em qualquer unidade do parque de diversão, era repassado para qualquer pessoa e os xepeiros pediam para os amigos e familiares. Isso era uma estratégia da direção do Parque para movimentá-lo e atrair os fregueses.

Com essas benesses, passei a ser muito assediado pelos estudantes consolidando-se o meu apelido de prefeito e abriu caminho para a minha candidatura à presidência da Casa do Estudante de Pernambuco. As eleições ocorriam no mês de maio e a Festa da Mocidade, em dezembro e janeiro. As articulações para minha candidatura começaram ali mesmo no Parque 13 de Maio, precisamente no modesto restaurante, A Cabana, de propriedade da própria Casa do Estudante. A Cabana foi uma realização do presidente Marcelo Martins Gomes, cuja administração ficou, por contrato, a cargo do xepeiro Evanildo CoelhoCharuto – dando uma renda extra para a Casa. Ali, era o local onde se reuniam os estudantes das Faculdades e Escolas Superiores do Recife para bate-papo sobre políticas estudantis.

PERSONALIDADES DA HISTÓRIA DE SANHARÓ – SEULAU – Por Leonides de Oliveira Caraciolo.

SEULAU, PRIMEIRO PREFEITO

CONSTITUÍDO DE SANHARÓ

 

 

 

Laurentino Ventura Caraciolo adquiriu na infância o apelido de Seulau, dado por sua mãe – dona Chita. Todos assim o chamavam e assim continuou por toda a sua vida.
Dona Chita – Francisca Ferreira Ventura Caraciolo – era filha do tenente-coronel Laurentino Ferreira da Costa Ventura e de Felícia Ferreira de Carvalho Ventura, e esta irmã do Monsenhor Estanislau Ferreira de Carvalho (fundador da cidade de Poção-PE). A família Ferreira de Carvalho tem as suas raízes no município de Monteiro, da Paraíba, que posteriormente passou a ser Ferreira Ventura. Monsenhor Estanislau, tio de dona Chita, foi quem levou Seulau para estudar o curso primário no Recife, em 1909. Ele foi morar com o próprio Monsenhor no Pátio do Carmo.
O seu pai, capitão Augusto Rodrigues de Freitas Caraciolo, ao mandar um filho para estudar no Recife costumava dizer que assim o fazia para que ele, pelo menos, aprendesse a dar o laço na gravata.
Seulau tinha uma caligrafia firme e legível e sempre estava verificando as lições e deveres escolares dos filhos. Após o jantar, às 18h, chamava os filhos, um a um, para verificar e cobrar as tarefas escolares. Após isso, passava a receber os amigos e correligionários para o bate-papo político, da noite.
Seulau começou na política como partidário da Aliança Liberal, depois, filiou-se ao Partido Social Democrático-PSD, de Agamenon Magalhães, no qual permaneceu até a sua extinção pelo movimento de 1964.
A vida de Seulau, ele a usou, para preservar viva a liberdade, prosperidade e dignidade de Sanharó, pois, como filho da terra tudo fez pelo seu desenvolvimento sócio-ecônomico. Foi vereador à Câmara Municipal de Pesqueira por três legislaturas como representante da então vila de Sanharó
Prefeito por duas vezes de Sanharó, a primeira vez como prefeito constituído, de 25/05/1949 a 25/05/1953 e a segunda vez de 1953 a 1957. Foi um lutador em favor do soerguimento do município. Como o primeiro prefeito constituído, organizou a prefeitura dando-lhe uma estrutura administrativa exemplar e eficiente. Dizia com orgulho: “Sou administrador de um dos menores, porém, dos mais promissores municípios do Estado de Pernambuco”. Fundou escolas, construiu estradas, pavimentou ruas e praças. As suas obras, ainda hoje, estão aí, como por exemplo, o prédio do Colégio Nossa Senhora de Fátima, os prédios das escolas rurais de Jenipapo, Mulungu e Sanharó e praça central de Sanharó. Esta tem recebido várias modificações, quase, senão todas elas para pior.
Teve a visão de urbanista ao abrir a Av. João Alves Leite, direcionando o crescimento da cidade para um sítio plano e livre das cheias do rio Ipojuca. Criou a primeira escola do Jardim da Infância, do Município. Batalhou por mais de 40 anos pelo engrandecimento do Município e afirmou no álbum de sua primeira administração: “Por tudo isto trabalhei com amor e pelo amor que tenho a Sanharó”.
Seulau possuía um amplo patrimônio de terras, parte adquiridas por herança (Malhada, Olho Dágua, as maiores e melhores propriedades) e parte, por compras (Água Branca, Jaqueira, Engenho Velho, compradas aos irmãos), Tamanduá ( comprada ao primeiro industrial de Sanharó, Francisco Peixe) e Bom Nome: área acima de mil hectares. No entanto, a partir do momento em que foi prefeito, ou seja, a partir de 1949, ele não mais cuidou de seus próprios negócios e foi vendendo o patrimônio para investir na política e na manutenção da família. Quando chegou a velhice não mais dispunha de recursos e os filhos passaram a prestar a assistência até para sua própria manutenção.
Laurentino Ventura Caraciolo nasceu na fazenda Água Branca em 17 de junho de 1898 e faleceu em Sanharó em 03 de março de 1986, com a idade de 87 anos, 8 meses e 14 dias.

POLÍTICA OU POLÍCIA : REVISTA APONTA AGNELO COMO ‘CHEFE’ DO ESQUEMA NO MINISTÉRIO DOS ESPORTES.

ESCÂNDALO DO SEGUNDO TEMPO

 

 

Agnelo Queiroz/Governador de Brasilia e Orlando Silva/ministro dos esportes. (Os enrolados do Segundo Tempo)

 

 

IstoÉ aponta Agnelo como ‘chefe’ de

esquema no Esporte.

 

A revista IstoÉ que chega hoje às bancas traz entrevista com o auxiliar administrativo Michael Alexandre Vieira da Silva, acusando o atual governador do Distrito Federal e ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, do PT, de ser o verdadeiro “chefe” do esquema de desvio de recursos na pasta.

Silva, diz a IstoÉ, foi a principal testemunha da Operação Shaolin, deflagrada no ano passado pela Polícia Civil no DF. O auxiliar trabalhou nas ONGs comandadas pelo policial João Dias Ferreira, pivô do escândalo de desvio de verbas no ministério, e por um bom tempo esteve a serviço do esquema.

Na entrevista, Silva diz, por exemplo, que sacou R$ 150 mil para serem entregues ao então ministro Agnelo. Ele tomara conhecimento de entregas de dinheiro e liberação de convênios por meio de Luiz Carlos de Medeiros, ongueiro e amigo do governador. “Medeiros falava demais…Sempre comentava que estava cansado de dar dinheiro a Agnelo”, disse o auxiliar administrativo, que trabalhou no Instituto Novo Horizonte.

IstoÉ diz que Agnelo Queiroz, hoje no PT, passou a maior parte de sua trajetória política no PCdoB.

EQUIPE AE – Agência Estado

 

PM João Dias. Delator e benficiário do escândalo do ministério dos esportes.

 

 

Residência do PM João Dias em Sobradinho (cidade satélite) - na garagem apenas: Volvo, Camaro e BMW...

(fotos IstoÉ)

JUSTIÇA : PREFEITO É CONDENADO POR FAZER PROMOÇÃO PESSOAL.

Prefeito é condenado por se promover

com verba pública.

 

Prefeito Mariovane Weis - PDT de São Borja-RS

 

 

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou o prefeito de São Borja, Mariovane Weis (PDT), que também é presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), à perda do cargo público, à suspensão de direitos políticos por cinco anos e a dois anos e 11 meses de reclusão, em regime aberto, pena que foi convertida em prestação de serviços à comunidade e multa de dez salários mínimos.

Como tem direito a recurso, o administrador não será afastado de suas funções e nem precisará cumprir a condenação enquanto o caso não chegar à última instância e não receber uma sentença definitiva. O caso iniciou em 2007, quando Weis foi acusado pelo Ministério Público de usar R$ 7,5 mil da prefeitura para promoção pessoal. Um boletim editado na época fazia alusões elogiosas à administração e continha 25 fotos do prefeito, que estava em seu primeiro mandato. Na defesa apresentada à Justiça, Weis alegou que o informativo era institucional, prestava contas à população e não visava à promoção pessoal.

ELDER OGLIARI – Agência Estado